Mecânica Online
Edição 07 - Julho de 2000
Conteúdo básico

Meu inimigo, o carro
Motoristas de grandes cidades procuram psicólogos para vencer uma fobia comum, o medo de dirigir

Fique aí, na sua. Estou saindo de casa para resolver a nossa relação." Foi assim que a aposentada Neusa Theodoro, 53 anos, despediu-se de seu automóvel, um Palio zero-quilômetro, antes de se sentar no divã da psicóloga Cecília Bellina, na semana passada.

É o terceiro automóvel de Neusa, nos seus 23 anos de habilitação. É também mais uma tentativa de pegar no volante. Há uma década ela vive em ponto morto. Sofre de um mal que acomete milhares de pessoas nas grandes cidades: a fobia de dirigir. A neurose começou a ser estudada no início dos anos 70 e hoje é tratada em clínicas e auto-escolas especializadas. Propaga-se na mesma velocidade do aumento da frota de carros nas metrópoles. "É um problema sério e deve ser tratado", assegura a psicóloga de Neusa.

De olho no mercado das neuroses, Cecília montou há três anos um centro de treinamento em São Paulo. De lá para cá ampliou o negócio e já ultrapassou a marca dos mil alunos, ou melhor, pacientes. Faz as sessões dentro do carro: no primeiro estágio, em um automóvel da auto-escola; no segundo, no carro do paciente. A maioria da clientela, mais de 90%, é formada por mulheres. "Os homens não têm coragem de assumir", garante.

Na clínica do psicólogo paulista Salomão Rabinovich, também especializada em gente com fobia de dirigir, a clientela tem crescido 20% ao ano. Rabinovich nunca se sentou, como terapeuta, no banco do motorista no carro dos seus pacientes. "Ele precisa fazer tudo sozinho", argumenta. Nos últimos tempos, vem recebendo propostas para franquear a clínica em Estados do Nordeste.

Primeiro passo do tratamento: descobrir a razão do trauma.

Passo seguinte: melhorar a auto-estima. Quem não dirige é considerado incapaz e motivo de piada. "As pessoas não entendem como eu prefiro pegar ônibus e metrô a enfrentar o volante", diz a médica Sílvia Gaspar, 44, cuja rotina inclui três empregos. "O carro sempre foi meu inimigo." Sílvia já deu partida na terapia e quer se livrar do pesadelo.

Foi o que aconteceu com Noeli de Oliveira, 40, uma auxiliar de escritório que passou um ano em tratamento. Tinha receio de ser xingada pelos outros motoristas. "Superei a timidez", diz. Agora enfrenta a todos, a bordo de um Corsa, sem timidez.

Medos clássicos - As principais causas do trauma de dirigir

Receber críticas de outros motoristas, ser ofendido ou xingado nas ruas.
Perder repentinamente o controle do automóvel.
Subir ou descer ladeiras.
Ultrapassar caminhões e ônibus nas cidades, e qualquer veículo nas rodovias.
Dirigir na chuva ou sob neblina.
Esquecer o caminho e se perder na cidade.

Álcool e direção: uma mistura perigosa

De todas as infrações de trânsito no Rio Grande do Norte, as que envolvem direção e álcool continuam preocupantes. Se houve uma redução de 17% no número de mortes no Estado, comparando-se os 18 meses anteriores e os 18 meses após a implantação do novo Código Nacional de Trânsito, em janeiro de 1998, os índices não são favoráveis aos condutores alcoolizados. No mesmo período, de acordo com levantamento do Detran/RN, as vítimas de acidentes de trânsito envolvendo o condutor aumentaram em 3%.

Para a diretora geral do Detran, Justina Iva, esse aumento revela o comportamento inadequado do motorista. Já que em os outros tipos de acidentes, diminuiu o número de mortes. "Isso revela, com certeza, o comportamento errado do condutor do veículo. E uma das causas é dirigir sob efeito do álcool", alerta.

Pelo levantamento do Detran, nos 18 meses que antecederam o novo código, foram registrados 1 mil 246 mortes no trânsito, no Estado, envolvendo o condutor do veículo. Número que subiu para 1 mil 283 vítimas fatais, nos 18 meses seguintes a implantação da nova lei. Outro dado alarmante é que a imprudência, pelo que se percebe, é maior na faixa etária mais jovem. Nos últimos dezoito meses foram expedidas pelo Detran no Estado, 6 mil 847 novas carteiras de habilitação.

Justina Iva lembra a quem costuma beber e dirigir que, além das penas pecuniárias e pontos na CNH, uma infração de trânsito pode provocar prejuízos morais e físicos a terceiros. "Ele paga quase R$ 900,00 além do fato de colocar em risco a vida de outras pessoas", comenta.

O novo código de trânsito considera infração gravíssima dirigir sob a influência de álcool ou qualquer substância entorpecente que determine dependência física ou psíquica. Se a conduta do motorista oferecer dano potencial à sociedade a infração é considerada crime, com pena de seis meses a três anos de detenção.

SEXTA E SÁBADO - Feriados e finais de semana, nos horários de menor fluxo de veículos. É nesse contexto onde ocorrem a maioria dos acidentes de trânsito, envolvendo motoristas alcoolizados. Quando os condutores ficam desatentos e provocam as fatalidades.

Segundo o secretário de Relações Públicas do Batalhão de Trânsito (Bptran), tenente Jailson Andrelino, as maiores infrações continuam ocorrendo entre a sexta-feira e o sábado, em bairros centralizados, praias ou áreas de entretenimento da cidade. Como é o caso da avenida engenheiro Roberto Freire, Rota do Sol e Via Costeira.

De acordo com estatísticas do Bptran, apesar do rigor do novo código, e a diminuição no número de mortes no trânsito, comparados os 18 meses antes e depois do código, a quantidade de vítimas fatais já é maior em 1999, comparada ao primeiro semestre de 1998. Foram 25 pessoas mortas no trânsito nos seis primeiros meses do ano passado, e 27 no primeiro semestre desse ano. Em 1999, de janeiro à junho, 198 motoristas foram autuados por guardas de trânsito por motivo de embriaguez.

O chefe do setor de tráfego do Bptran, tenente Heriberto Rodrigues, avalia que os acidentes vem se repetindo pois os motoristas pensam que não são obrigados a colaborar com os policiais para atestar o estado de embriaguez. "Não podemos deixar um indivíduo com uma arma na mão que é um carro, sob alegação de constrangimento", disse.

Para o tenente, se o condutor alcoolizado negar-se a fazer o bafômetro, existem outras maneiras de constatar a embriaguez. Uma delas é encaminhar o motorista ao Instituto Técnico e Científico de Polícia para o exame de teor álcoolico no sangue.

A rigor, não é fácil precisar o quanto alguém pode beber e não pôr em risco a vida de passageiros e pedestres, mas existe o exame clínico, onde um profissional médico é capaz de observar o nível de reflexos do motorista. O chefe de tráfego do Bptran aconselha que os condutores de veículos flagrados dirigindo alcoolizados que façam o bafômetro. "É uma chance de legítima defesa, caso contrário se inverte o ônus probante". Para ele, um motorista se negar a comprovar o teor álcoolico em que se encontra é assinar sua culpa.

Para a diretora do Detran, Justina Iva, não tem receita, a melhor maneira de evitar acidentes e não dirigir sem ter certeza de suas condições. "Se beber e estiver ao volante, deixe o carro no local e volte para casa de outra forma. Faça uso do táxi ou peque uma carona que é muito mais seguro", recomenda.

Água e azeite jamais se misturam. Álcool e direção também não. De acordo com o novo código de trânsito, assumir o volante sob efeito de bebida ou de qualquer substância entorpecente é infração gravíssima e a multa é multiplicada por cinco (R$ 864,99). O motorista infrator perde temporariamente o direito de dirigir e o veículo é retido pela autoridade até a apresentação de um condutor habilitado. A lei estabelece o limite de seis decigramas de álcool por litro de sangue. Mas o que isso representa?

A médica Júlia Greve, do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que, a rigor, não é possível precisar o quanto alguém pode beber para escapar do bafômetro ou mesmo não pôr em risco a vida de passageiros e pedestres. Segundo ela, os efeitos do álcool no organismo variam muito de indivíduo para indivíduo. Duas latinhas de cerveja podem não deixar ninguém embriagado, mas são capazes de retardar os reflexos dos motoristas por frações de segundo. Parece pouco, mas é tempo suficiente para fazer com que a festa acabe mais cedo.Os números comprovam: cerca de 60 a 70% dos casos de politraumatismos em acidentes e atropelamentos registrados pelo Hospital das Clínicas estão relacionados com o consumo de álcool.

Não há receita. O ideal é que o motorista jamais dirija se não tem certeza sobre as suas condições. Nesse caso, o melhor optar pelo ônibus ou pelo táxi. Ou ainda entregar a direção do carro a uma pessoa sóbria, explica a médica.

Falta de sono é pior que álcool para dirigir

Dirigir com sono pode ser tão perigoso quanto dirigir alcoolizado, segundo estudo da Universidade de Stanford, na Califórnia, EUA. A pesquisa baseou-se em pessoas que sofrem de apnéia.

A apnéia causa constantes interrupções da respiração. Os pacientes testados tinham a respiração suspensa cerca de 29 vezes por hora durante o sono. Nos testes de direção e atenção a que foram submetidos, os apnéicos tiveram resultados piores que os com nível de álcool superior a 0,08%, limite legal máximo de embriaguez na Califórnia.

Lubrificantes multiviscosos mantêm fluidez ideal com motor frio ou quente
VERIFICAR E COMPLETAR o nível do óleo periodicamente e promover a troca dentro do prazo indicado no manual prolongam a vida útil do motor

Depois que o motor atinge a temperatura normal de trabalho, o óleo multiviscoso não “afina” demais e garante boa lubrificação. No código 20W/40, o 20W mostra que, na hora da partida o óleo tem as mesmas características de fluidez de um antigo monoviscoso SAE 20 (o W é de winter, inverno, indicando que mesmo submetido a um ambiente muito frio o óleo mantém-se fluído). Já o “40” mostra que o lubrificante atua como um monoviscoso SAE 40 quando o motor está na temperatura normal de trabalho.

Por último, é preciso escolher entre os óleos minerais ou sintéticos. Eles podem ter exatamente as mesmas características de lubrificação e limpeza, seguindo as classificações descritas acima (pode haver SJ 20W/40 mineral ou SJ 20W/40 sintético). O que muda é a resistência: os sintéticos preservam melhor suas características originais ao longo do tempo, mesmo submetidos a altas temperaturas. Há ainda os semi-sintéticos, que ficam num meio termo entre os dois tipos descritos. Os sintéticos custam cerca de três vezes mais que os minerais comuns, mas, segundo as fábricas de lubrificantes, chegam a resistir pelo triplo do tempo e em condições bem mais severas.

Mesmo assim, as montadoras preferem não dar prazos de troca diferentes para minerais ou sintéticos. Isso poderia provocar no motorista enganos e descuidos que se tornariam fatais para o motor. De qualquer jeito, para quem tem um carro novo e sempre esquece o prazo da troca do óleo (um pecado mortal na conservação do automóvel), o gasto maior com o sintético pode compensar. Já para motores cansados e que queimam muito óleo (e, portanto, têm que ter o nível completado sempre), o uso dos lubrificantes sintéticos é desperdício de dinheiro.

Outra cena comum é o motorista parar num posto, pedir para medir o nível de óleo e ouvir do frentista que este está velho, preto, e é necessário que seja feita uma troca de óleo. O motorista, assustado com a visão daquele líquido escuro escorrendo pela vareta, concorda imediatamente. Acontece que nem sempre óleo preto significa óleo ruim. Além de lubrificante, o óleo é um detergente — ou seja: tira crostas, limpa as partes internas do motor e mantém a sujeira em suspensão até que seja feita a troca.

Para evitar gastos desnecessários, a susbstituição deve ser feita apenas nos prazos recomendados pelos fabricantes do automóvel.

No caso de um Corsa 1.6, por exemplo, a cada dez mil quilômetros. Quando o motor é submetido a esforços constantes, o período de troca é até menor. Nesta situação estão os táxis, carros que andam na maior parte do tempo em marcha lenta (pára-e-anda do trânsito engarrafado), ou quando a maioria dos percursos não excede seis quilômetros e o motor não chega a ficar completamente aquecido, ou ainda nos carros que rodam constantemente por estradas não asfaltadas. Automóveis submetidos a trabalhos como puxar reboque também devem ter o prazo da substituição do óleo e do filtro abreviado.É importante não esquecer os prazos de troca. Mesmo que o carro não tenha rodado dez mil quilômetros, por exemplo, convém substituir o lubrificante a cada seis meses.

Dentro do motor, o óleo fica em contato com ar e contaminantes e, portanto, pode ter algumas de suas propriedades modificadas

Pisando leve e economizando combustível

Economizar gasolina é um hábito que andou fora de moda mas que, com os últimos aumentos, merece voltar a ser cultivado. Um pouco de atenção e a mudança de alguns hábitos ao dirigir podem resultar numa economia às vezes surpreendente: entre 15 e 20%. Mesmo se você não rodar muito, gastando em torno de 40 litros por semana, ao final de um ano pode ter economizado perto de R$ 400,00. O suficiente para pagar a gasolina na viagem de férias.

O primeiro passo para gastar menos combustível é cuidar da manutenção de seu carro. Um cuidado simples, como manter os pneus calibrados, pode ter reflexos imediatos no seu bolso. Pneus com pressão apenas uma libra abaixo do recomendado podem provocar um aumento de consumo de até 2%. Velas gastas e filtros de ar sujos são outros fatores facilmente controláveis e que têm muita influência no gasto de combustível.

Procurar os postos mais baratos para abastecer é sempre uma boa política. Mas é bom lembrar que se for preciso rodar muito para economizar pouco, você pode acabar gastando mais do que poupa. Além disso, é bom desconfiar de ofertas mirabolantes; preços muito abaixo da média do mercado - mais de 10%, por exemplo - podem estar vendendo combustível adulterado. As margens de lucro na venda de gasolina são apertadas e ninguém consegue fazer milagres.

Algumas sugestões simples para gastar menos combustível:

- Se você tem mais de um carro, procure usar o mais econômico. Deixe o possante para os trajetos mais curtos e vá para o trabalho no popular que normalmente fica de reserva em casa.

- Planeje suas saídas e itinerários, procurando os caminhos mais curtos e evitando idas e vindas desnecessárias.

- Tente resolver a maior parte possível de seus negócios e compromissos sem precisar ir à rua. Use mais o telefone e a Internet - hoje é possível até mesmo fazer compras em supermercados sem sair de casa.

- Procure sair nos horários de menor movimento. O pára-e-anda dos congestionamentos aumenta consideravelmente o consumo.

- Não corra. Quanto mais rápido um carro anda, mais consome combustível (mas não ande mais lento que o fluxo, o que pode provocar acidentes).

- Elimine todo o peso desnecessário. Há pessoas que têm o hábito de deixar coisas no carro, como livros e revistas velhas. Facilmente, estão carregando dez ou vinte quilos a mais.

- Sempre que possível, mantenha velocidade constante. A aceleração é a fase em que mais se gasta combustível.

- Procure usar menos os freios. Cada vez que se freia, a energia que foi gasta para atingir a velocidade máxima é desperdiçada. Diminua a marcha antecipadamente quando o sinal mudar para o vermelho ou o trânsito ficar mais lento à sua frente, evitando, se possível, parar nos semáforos.

- Sempre que possível, evite usar o ar condicionado. Andar com ele ligado pode consumir até 5% a mais.

Controle para prevenção

Agora vamos entrar em um item de controle para prevenção. Existe um contador em todos automóveis chamado odômetro, ele marca quantos quilômetros andamos com nossos carro. A utilidade mais comum é para verificar o quanto de combustível o carro está consumindo por quilômetro rodado.

Veja como calcular quantos quilômetros seu carro faz com 1 (um) litro de combustível:

Em alguns carros, existe um botão no painel para zerar o odômetro, aperte ele ao encher o tanque. Os carros que não têm esse marcador, bastar anotar a quilometragem. Ao encher novamente o tanque, verifique quantos quilômetros você andou e divida pela quantidade de litros que deram no tanque.

Exemplo: Andamos 600 km e na hora de completar o tanque deram 55 litros de combustível.

600 dividido por 55 = 10,90 Km/Litro

Agora que aprendemos a fazer este teste, faça um controle de quanto seu carro consome em média. Se ele ficar fora dessa média ou apresentar certos tipos de problemas como:

- consumindo muito combustível;

- tendo dificuldade de dar partida;

- engasgando ou rateando;

- cortando corrente ou "morrendo"(desliga sozinho) em baixa rotação (com o carro ligado e desengrenado).

Apresentando alguns desses problemas, você deve procurar um técnico para fazer uma revisão dos itens abaixo:

- Regulagem de carburador/injeçao eletrônica,

- Verificação do filtro de ar,

- Revisão ou troca de velas e cabos ou

- Parte elétrica

Os erros do motorista são perdoados

o uso diário, a embreagem Citymatic (fabricada pela empresa alemã Luk) funciona bem e com surpreendente brandura. Motoristas menos sensíveis passam até a “dirigir” melhor, já que não há trancos nem nas reduções. É só tirar um pouquinho o pé do acelerador e jogar a marcha e pisar de novo, que tudo acontece muito rapidamente, sempre com suavidade. O Citymatic dá a rudes barbeiros os dotes de um refinado motorista.

Num sinal, deixando a primeira engrenada, esse Palio anda um pouquinho como se tivesse câmbio automático. Saindo da imobilidade numa subida, deve-se acelerar com vontade para não retroceder (pode-se recorrer ao freio de mão). E há recursos de segurança. É impossível ligar o carro com uma marcha engrenada. Se a porta estiver aberta, um apito faz-se ouvir. O mesmo acontece quando se joga a marcha errada — terceira para sair da vaga, por exemplo.

Os reacionários dirão: a embreagem automática é mais uma coisa para quebrar. Pode ser, mas o sistema já prevê panes e tem um dispositivo para não deixar o motorista a pé.

Um detalhe que conta pontos é o preço: o sistema Citymatic é oferecido como opcional apenas na versão ELX 1.0 e custa menos de R$ 750.

Problema? Só a falta de força do motor Fiasa 1.0. Como todo Palio “mil”, o Citymatic põe a ciência em prova nas ultrapassagens e subidas. Ao menos, esse motor será substituído no fim do ano.

Por enquanto, o opcional não foi descoberto pelo consumidor. Entre janeiro e o fim de abril, apenas 1.600 Palio Citymatic foram vendidos.

As embreagens automáticas foram comuns na Europa nos anos 60. E foi nessa época que a fábrica DKW-Vemag lançou o sistema Saxomat no Brasil.

Como no Palio Citymatic, havia apenas dois pedais e as marchas eram passadas manualmente. Mas o projeto era bem diferente, por força centrífuga, contrapesos e vácuo.

A embreagem Saxomat era produzida pela Sachs e oferecida como opcional nos DKW Fissore, Belcar e Vemaguet. Nunca caiu no gosto dos brasileiros.

Caixa-preta para carro já existe nos EUA
Aparelho permite saber quais comandos foram aplicados pelo motorista nos segundos que antecederam um acidente

conhecida “caixa-preta”, presente em aviões e útil para desvendar motivos de acidentes aéreos, agora pode também auxiliar peritos a descobrir razões de acidentes em automóveis, além de apontar motoristas responsáveis por causar colisões.

Desde 1990, vários carros e caminhões da General Motors e Ford nos EUA vêm equipados com um dispositivo similar à caixa-preta de aviões, tecnicamente conhecida como gravador de dados de vôo. Nos veículos terrestres, ela automaticamente grava velocidade, posição do acelerador, esforço exercido no pedal de freio e rotação do motor durante os cinco segundos antes do ativamento do air bag.

Até hoje, porém, era difícil extrair essas informações do módulo de controle das bolsas. Agora, a Vetronix, empresa da Califórnia, está vendendo um equipamento que conecta o computador de bordo a um laptop e permite rapidamente a recuperação dessas informações. O equipamento de US$ 2,5 mil está sendo vendido a departamentos de polícia, companhias de seguro e locadoras, para ajudar a reconstituir o momento da colisão e a determinar o culpado.

Alguns dos veículos permitem até mesmo que se saiba se os ocupantes estavam usando cinto de segurança e se a bolsa inflável do lado direito estava desativada.

Muitos dos dados que o sistema da Vetronix fornece não são novos, e algumas informações têm sido utilizadas há décadas para reconstituir acidentes nos EUA. No entanto, peritos tinham de recorrer a outras evidências, como marcas de pneus no asfalto.

“Essa tecnologia não está informando nada de novo, mas revela dados de modo mais preciso”, diz Phil Haseltine, presidente da Coligação Automotiva para Segurança.

Ele acredita que com o recurso as montadoras poderão descobrir se os sistemas de segurança do veículo funcionam tão bem em colisões reais como em laboratórios.

Os dados que um perito da polícia ou da seguradora conseguem podem ser utilizados como dura evidência para uso em um processo contra o motorista que tenha sido considerado culpado no acidente, ou como prova de uma vítima numa ação judicial.

“A possibilidade de uso dessas informações de forma intrusiva está aí, e todos nós devemos estar vigilantes para que ninguém faça esse tipo de uso dela”, alerta Haseltine. “Dar essa tecnologia a peritos da polícia significa entrar numa área meio obscura”, ele afirma.

Segundo a General Motors, os dados pertencem ao dono do veículo, e eles não deverão ser utilizados sem seu consentimento.

O desejo de gravar dados para ajudar peritos foi manifestado há três anos pelo Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB, na sigla em inglês).

O chamado módulo de air bag gravável vem equipando vários modelos da General Motors desde 1990, mas apenas recentemente os dados de uma bolsa inflável ativada ou quase ativada puderam ser facilmente recuperados. “Esses dados têm valor”, afirma Terry Rhadigan, porta-voz da GM. “Quanto mais soubermos sobre o comportamento de nossos veículos em acidentes reais, mais poderemos avançar no desenvolvimento da segurança deles.”

Nova York deve adotar cigarro antiincêndio
Estado de Nova York, na Costa Leste dos EUA, deve se tornar o primeiro do país a vender apenas "cigarros antiincêndio", de acordo com uma nova lei que deve ser aprovada pelo Parlamento e sancionada pelo governador George Pataki.

O projeto apresentado por Pataki e pelo líder da maioria no Senado, Joseph Bruno, é uma versão revisada de um texto que o governador havia vetado em maio. Se realmente aprovada, a lei vai exigir que todos os cigarros vendidos no Estado se adaptem às novas normas de segurança contra fogo até 10 de julho de 2003, o que dá aos fabricantes do produto três anos para passar a atender às regras.

Segundo o senador de Nova York Frank Padavan, que luta por leis mais duras sobre segurança em cigarros há três anos, cerca de mil pessoas morrem no país todo ano devido a cigarros que não são apagados apropriadamente. A lei prevê que os comerciantes que venderem cigarros que não obedeçam aos padrões de segurança terão de pagar 10 mil dólares de multa por cada uma das vendas. O projeto determina que o cigarro deve apagar por si só dentro de um determinado prazo se a pessoa o deixou de fumar.

Ford está trocando de logotipo
o tradicional oval azul dá lugar a uma representação manuscrita

O oval azul, uma das marcas mais tradicionais e conhecidas do mundo, está sendo trocado pela Ford Motor Company por um letreiro manuscrito de estilo nostálgico. A alteração faz parte da política de renovação da empresa norte-americana em seu processo de globalização.

O nome Ford dentro do oval azul foi usado pela primeira vez em 1927, quando o fundador da empresa, Henry Ford, ainda se encontrava no comando. Ele foi exibido inicialmente sobre a grade do radiador do Modelo A daquele ano. Há quem compare o velho logo da Ford, em termos de reconhecimento universal, ao da Coca-Cola, outro ícone americano.

Segundo o vice-presidente de marketing da Ford, Richard Hilgert, "o oval azul representa transporte de massa e não condiz com uma Jaguar, Aston Martin ou Land Rover. A Ford hoje é muito mais do que uma fábrica americana". As três marcas de luxo britânicas passaram a ser controladas pela Ford nos últimos anos. A empresa já encomendou a troca do velho logotipo pelo novo nas fachadas do prédio da diretoria em Dearborn, estado de Michigan, o que deve ocorrer em junho próximo.

Rodovia inteligente
Estradas ganham equipamentos digitais para enfrentar congestionamentos e evitar acidentes

A partir do ano que vem, o paulistano que programar uma ida às praias poderá ligar o computador antes de colocar as malas no carro para saber, em tempo real, as condições de 26 trechos do sistema Anchieta-Imigrantes, mostrados via Internet, por 47 câmeras estrategicamente colocadas.

O viajante poderá saber, antecipadamente, se vai encontrar congestionamento, chuva ou neblina pela frente. Esta é apenas uma das inovações acenadas pelas concessionárias privadas de rodovias, no sul e sudeste do país, para os próximos anos. Se servir de consolo para quem não se conforma com o aumento de pedágios, prevê-se uma avalanche de serviços e modernização das estradas.

São Paulo é o Estado mais avançado no setor, sobretudo quando o assunto é monitoração da estrada pelo vídeo. "Assim que percebemos um carro parando no acostamento, acionamos o socorro", afirma Irineu Meireles, diretor-presidente da Ecovias, empresa que gerencia o sistema Anchieta-Imigrantes. "Nossas câmeras vão até prevenir assaltos." Já existem seis câmeras em fase de testes. Basta acessar o site www.ecovias.com.br. para ver o resultado.

Para evitar acidentes nos trechos sujeitos a neblina, a Ecovias está instalando um sistema de iluminação importado de Israel. São centenas de pequenos sensores encravados no asfalto. Conforme a neblina desce, eles se acendem, formando uma trilha brilhante sobre o pavimento. Cada sensor possui um acumulador de energia solar, carregado durante o dia para ficar acesso quando não há luz. Já foram instalados cerca de 500 na Rodovia dos Imigrantes para testes. Funcionaram tão bem que surgiu um problema inesperado: "Estão sendo arrancados do solo por vândalos que levam para casa como enfeite", reclama Meireles.

Esse problema não ocorre com os cabos de fibra óptica, enterrados, por segurança, a 2 metros de profundidade ao longo das estradas. A fibra óptica, prevista para várias rodovias paulistas, permite o uso dos novos equipamentos digitais. Entre eles estão os laços medidores de fluxos de tráfego. São sensores que contam o número de carros que passam nos horários de rush, enviando os dados para os computadores da central de operações da rodovia. Essas centrais também poderão localizar rapidamente os carros de socorro. Dotados de chips, eles são detectados por satélite.

Entre as novidades que devem chegar às estradas, o projeto em estágio mais avançado é o dos pedágios eletrônicos. Eles já existem em fase embrionária no Rio de Janeiro. Na Linha Amarela, via expressa que cruza a capital fluminense, já não é preciso usar dinheiro, nem pegar filas.

Basta adquirir um tag, uma espécie de etiqueta eletrônica que, colocada no pára-brisa do carro, é detectada por um sensor no pedágio. Ao comprar o tag, o motorista preenche um cadastro, indicando uma conta bancária para débito automático. Feito isso, sempre que se aproxima do pedágio, o carro é identificado e a cancela abre de imediato. O motorista não precisa nem diminuir muito a velocidade. No fim do mês, recebe um extrato com o valor debitado em sua conta.

"Por enquanto, são apenas quatro cabines automáticas ante 16 manuais", diz Edson Kauark do Rio, diretor operacional da Lamsa, empresa que gerencia a Linha Amarela. "Mesmo assim, cerca de 40% dos usuários já aderiram ao sistema eletrônico." Isso significa 13.600 carros. A Linha Amarela também é pioneira no sistema de detecção de monóxido de carbono, o gás tóxico que sai dos escapamentos. No túnel Engenheiro Raimundo de Paula Soares - o maior do Rio de Janeiro -, há 44 ventiladores ao longo de seus 2.190 metros. A velocidade deles é coordenada automaticamente por sensores do gás. Aparelhos instalados nas extremidades do túnel percebem a direção dos ventos e determinam para que lado as hélices devem girar.

A Autoban, empresa que controla o sistema Anhangüera-Bandeirantes, em São Paulo, por onde passam 86 milhões de veículos por ano, está instalando sensores de fluxo e cabos de fibra óptica, com o objetivo de ligá-los a 22 painéis de mensagens na pista. Conforme a quantidade de carros aumenta em um determinado trecho da estrada, os motoristas que ainda não chegaram a ele são alertados para reduzir a velocidade, evitando congestionamentos e acidentes. "Num futuro próximo, teremos o sistema de velocidade variável, de acordo com a quantidade de veículos", diz o diretor de operações da Autoban, Flávio Berthoud.

Sem filas para pagar - Os pedágios eletrônicos já são realidade no Rio de Janeiro. Quem trafega pela Linha Amarela ou pela estrada Rio-Teresópolis não precisa parar para pagar. Basta ter consigo o tag, uma espécie de etiqueta eletrônica. Em São Paulo, a novidade não vai demorar para chegar.

Previsão via Internet - Em breve, será possível ver os pontos críticos da estrada antes de sair para a viagem. No Sistema Anchieta-Imigrantes, em São Paulo, prevê-se a instalação de 47 câmeras ligadas à Internet. As imagens serão atualizadas a cada 30 segundos, permitindo saber se há congestionamentos, chuva ou neblina.

A caminho do futuro - Tecnologias que chegam às estradas até o ano que vem

Sensor de monóxido de carbono
Aciona e muda a direção dos ventiladores para dispersar o gás tóxico

Fibra óptica
Transmite dados para a central, inclusive estatísticas de fluxo de tráfego

Painéis de mensagens
Espalhados pela estrada, avisam sobre acidentes, neblina e congestionamentos

Câmeras móveis
Capazes de girar e aproximar, levam imagens à Internet

Pedágio eletrônico
Debita automaticamente o valor cobrado na conta bancária do motorista

Radar fotográfico
Registra imagens dos carros que ultrapassam limites de velocidade

Veículos monitorados
Um chip nos carros de socorro permite sua localização por satélites

Jaguar fará carro de alumínio
Nova geração do XJ será lançada em 2002

A próxima geração do modelo XJ da Jaguar, com lançamento previsto para março de 2.002, terá um monobloco de alumínio. O carro, por enquanto conhecido pela sigla X350, deverá pesar cerca de 220 kg menos do que o modelo atual. A Jaguar estuda a adoção do alumínio em seus modelos esportivos F e, possivelmente, para o XK, seu sedan de porte médio.

Até o momento, a única empresa a prouzir carros de alumínio em alta escala é a Audi, que fará 60 mil unidades anuais do sub-compacto A2 e já produz o A8 com a mesma tecnologia. A produção do Jaguar X350 deverá ficar em torno de 30 mil carros por ano. Diferentemente da Audi, que monta o monobloco com solda a ponto, a Jaguar unirá os componentes do X-350 com dois mil rebites e adesivos.

A grande corrida verde
Montadoras japonesas dão a largada na disputa pelo mercado mundial de carros híbridos

O Prius é o próximo passo sobre quatro rodas. Ele é o primeiro carro movido por uma combinação de eletricidade e gasolina a ser produzido em massa. A Toyota está vendendo quase dois mil deles por mês no Japão, o dobro do esperado quando foi lançado no final de 1997. Mas ele ainda não é o carro do futuro – o Prius é a ponte entre os veículos convencionais de hoje e a máquina "verde", que não polui, que irá surgir em algum ponto do século XXI.

Aparentemente, o híbrido da Toyota é um automóvel igual aos outros. O que o torna diferente são os dois motores – um elétrico e outro a combustão – que ele tem sob o capô, ambos cooperando para impulsionar o carro. O Prius começa a rodar com o motor elétrico de 40 HP; ao ultrapassar os 25 quilômetros por hora, a propulsão passa a ser feita pelo motor a combustão de 1,5 litro e 58 HP, que ainda fornece energia para um gerador recarregar as baterias.

Toda operação é automática, controlada por cinco computadores. Uma tela no painel informa se o carro está sendo impulsionado pelo motor a gasolina, pelo elétrico ou por ambos. Ponha o pé no breque e na tela surge o aviso de que o excesso de energia está sendo convertido em eletricidade pelo sistema de freio regenerativo.

A tecnologia híbrida desenvolvida pela Toyota está causando inveja em Detroit, Munique e outras capitais automotivas e desencadeando uma verdadeira corrida "verde" na terra do sol nascente. A Honda quer tomar a pole position e anunciou que seu híbrido de dois lugares – conhecido pelo nome em código "VV" – estará disponível nos EUA já no final deste ano. A principal diferença entre ele e o Prius, que só chega aos EUA em esse ano, é que o VV utiliza seu motor elétrico como apoio ao motor a gasolina, que funciona constantemente.

Nissan e Fuji também estão preparando seus carros para a grande corrida, enquanto nos EUA, Ford e Chrysler têm projetos semelhantes para os próximos anos. A GM pretende testar um ônibus híbrido em Nova York ainda este ano.

A Toyota está apostando alto no Prius. Ela própria admite que o carro dá prejuízo – ele sai por US$ 19 mil no Japão, mas construí-lo custa o dobro. Uma pesquisa feita pela fábrica mostrou que muita gente não quer pagar mais por um carro "ecologicamente responsável". Assim, não teria sentido colocar no mercado um veículo high-tech de US$ 40 mil que poucos poderiam comprar. A saída é aumentar a produção e entrar no mercado global.

Comando eletrônico

Uma das peças mais críticas no projeto e construção dos motores de quatro tempos pode desaparecer em breve. Os departamentos de pesquisa de várias indústrias estão trabalhando num sistema eletromagnético para controlar a abertura das válvulas, que pode aparecer em novos motores antes do que se pensa.

Atualmente, as válvulas que controlam a entrada de ar e combustível e a saída dos gases queimados dos cilindros são acionadas por um eixo dotado de ressaltos. O momento ideal para abrir e fechar as válvulas, assim como o tempo que permanecem abertas, varia com a rotação do motor e as fábricas procuram hoje projetar comandos que casem, da melhor maneira possível, desempenho com economia.

Motores mais sofisticados podem ter comandos variáveis, em geral com um perfil para baixas e outro para altas rotações. Essas soluções, porém, são complicadas e caras. Comandar as válvulas eletricamente permitirá ajustar seu posicionamento ao regime de trabalho do motor, integrando o comando das mesmas aos computadores que controlam a injeção e combustível e a ignição.

Engenheiros da Renault, uma das empresas que pesquisam o comando eletromagnético, acreditam que isso permitirá uma redução de consumo entre 15 e 20% e uma redução na emissão de poluentes de mesma ordem. A desativação de cilindros, um recurso usado em motores V-8 como os da Mercedes e da Cadillac para economizar combustível também ficará bem mais simples do que é hoje. Livres dos comandos de válvulas mecânicos, os motores perderão peso e ficarão menores, ajudando os projetistas a fazer carros mais leves, com maior espaço interno e mais aerodinâmicos.

Você é um Profissional do Futuro?

Ser um profissional do futuro é o grande desafio e a grande oportunidade no mundo digital. Segundo Bill Gates, "em dez anos, o mundo dos negócios mudará mais rápido do que mudou nos últimos cinquenta anos”. Isso requer mudanças radicais no perfil dos profissionais para que permaneçam no mercado de trabalho.

Mas o que é ser um profissional do futuro? Apesar das inúmeras receitas do mercado, a verdade é que não há fórmulas que garantam o sucesso. Há caminhos que podem ser seguidos. No entanto, o que encontrar ao fim de cada trilha, vai depender da essência de cada um: vontade, perseverança, lealdade, ética, espiritualidade, conhecimento, praticidade, criatividade e bom senso são um bom começo. Mas não é tudo.

A conexão ao mundo digital é a expressão-chave para designar o profissional do futuro. Lidar bem com as ferramentas de comunicação através da Rede, saber usá-las em benefício da empresa e de seu auto-desenvolvimento significa estar à frente da concorrência.

O profissional do futuro é um visionário. E a grande diferença entre profissionais comuns e os visionários está na capacidade destes de enxergarem que podem seguir além do horizonte. A partir dessa visão, eles constróem o seu caminho passo a passo, administrando as interferências, mudando a rota, mudando de empresam, mudando de sonhos, mas sem nunca perder a essência do que um dia vislumbraram e acreditaram. Eles enxergam oportunidades em situações adversas. Assumem seus erros e, com isso, aprendem mais rápido que os demais.

Ousadia é outra marca do futuro desses profissionais, que devem ter reflexos rápidos às situações, agindo como se a empresa fosse sua. Os profissionais do futuro não têm medo do desconhecido ou do novo. Pelo contrário, isso os instiga a ir além dos seus limites. Valorizam a natureza, preocupam-se com o seu ambiente familiar e social, além do profissional. Trabalham muito, mas não deixam de viver qualitativamente.

Se você ainda não é um profissional do futuro, corra atrás do tempo perdido e aprenda a reaprender. Acredite em seu potencial e encontre o seu caminho!

4 passos para gerenciar melhor
Gerentes têm um impacto tremendo na produtividade dos seus subordinados

Gerentes têm um impacto tremendo na produtividade dos seus subordinados. Bons gerentes têm consciência da maneira em que influenciam, diretamente ou indiretamente, os comportamentos, ações e decisões da sua equipe. Além disso, bons gerentes usam essas armas não apenas para reforço de seu pessoal de forma positiva, mas também para comunicar-se melhor. Entretanto, as decisões e ações da gerência podem ser danosas tanto para os funcionários quanto para a empresa como um todo.

Tim Connor, do Connor Resource Group, aprendeu isso na prática, nesses seus 25 anos de consultoria em empresas das mais diversas áreas, com equipes em vários países. A diferença entre um bom gerente e um mau está nas decisões que ele toma. Mas todos cometemos erros. Felizmente, também podemos aprender com os erros dos outros. Estes são os 4 erros mais comuns, levantados por Connor. Veja como evitá-los:

Desenvolva uma cultura corporativa que premie os comportamentos que você quer:

A cultura da empresa desce – vai de cima para baixo. As regras escritas, as não escritas, costumes e filosofias da gerência ou da própria empresa eventualmente encontram seu lugar nas atitudes e performances de todo mundo dentro da empresa.

Culturas premiam atitudes e comportamentos diretamente e indiretamente. Pelas suas ações (ou falta de), você reafirma que certas atitudes e comportamentos são aceitáveis, mesmo que você nem se dê conta.

Uma das coisas mais importantes que você tem que se lembrar quando lida com pessoas é que você estimula os comportamentos que premia. Comportamentos reforçados são comportamentos repetidos.

Se você quer mudar alguns comportamentos, primeiro você precisa avaliar o que é que está premiando ou reforçando o comportamento que você vê agora. Se não gostar dos comportamentos que vê, não culpe os funcionários - procure analisar (e criticar também) seu próprio estilo de liderança, cultura corporativa e como você se comunica, para determinar onde exatamente está o problema.

Premie comportamentos através do reconhecimento e do feedback

Você já foi uma vítima do 'gerente gaivota'? Gerente gaivota é aquele que entra voando na sala, batendo fortemente as asas enquanto faz um monte de barulho. Aí ele balança o rabo, dá uma volta para cá, outra para lá, e sai - não antes de fazer um pouco de cocô.

Em outras palavras, o estilo 'gaivota' é altamente negativo - nunca elogia ou dá feedback positivo.

Esse estilo de gerência é altamente desmotivador. A maioria das pessoas quer ser eficaz, fazer um bom trabalho, dentro do cronograma, etc. O problema é que muitas empresas sabotam a performance dos funcionários, recusando-se a olhar no espelho na busca dos culpados. Os funcionários querem saber como anda seu trabalho, estejam indo bem ou mal. Ao falhar nessa comunicação sobre como eles estão indo, o gerente mantém sua equipe no escuro, sem dizer-lhes onde e como podem melhorar.

Você vai conseguir estimular muito mais o comportamento que você quer quando fizer comentários positivos e estimulantes do que se só criticar quando encontrar alguém fazendo alguma coisa errada.

Evite a comunicação de cima para baixo:

Rumores, fofocas, memorandos, e-mails, reuniões, encontros reservados e painel de edital têm todos uma coisa em comum: transmitem informação (alguns de forma mais eficaz e rápida do que outros). Se a comunicação na sua empresa só funciona de cima para baixo, então pode ter certeza que você não tem idéia da real situação da empresa, mercado, seus clientes ou fornecedores.

Um dos maiores desafios que os gerentes encontram hoje em dia é comunicar de forma eficaz, com claridade e consistência, a direção estratégica para a qual a empresa está se dirigindo. Todo mundo tem o direito e a necessidade de saber isso. A maioria das empresas faz isso de forma muito pobre. Uma forma de descobrir o que as pessoas acreditam é organizar pesquisas internas anônimas sobre atitudes, percepções e opiniões.

Como preparar-se para tomar boas decisões

Aqui estão alguns pensamentos de Connor, para você analisar na próxima vez que precisar tomar uma decisão importante - algo que impacte clientes, funcionários, fornecedores ou sua posição no mercado:

Quem será afetado por esta decisão?

Quais funcionários podem nos dar uma visão real do que está acontecendo nesta área?

Você tem todas as informações necessárias (e corretas) para tomar esta decisão sozinho?

Lá na ponta final, passando por cima de supervisores - o que as pessoas na linha de frente, as que vão realmente implantar esta decisão, acham disso na prática?

Não assuma que as informações que você recebe de gerentes e supervisores estão corretas. Monte um sistema para determinar porque algumas decisões funcionam, e outras não.

Reconheça decisões de cima para baixo e de baixo para cima

Um dos maiores erros nas empresas é tomar decisões a nível de diretoria sem consultar os níveis de baixo sobre suas perspectivas e opiniões em relação àquela situação específica. É como decidir algo no campo de golfe, e depois querer que isso se transforme em realidade num passe de mágica.

Esse tipo de decisão pode afetar negativamente:

Moral

Comunicações internas

Performance

Lealdade

Rotatividade

Relações com clientes

Lucros

Custos

Não estamos sugerindo que toda as decisões devam levar em conta as preocupações, atitudes, problemas, desejos e necessidades de cada um dos seus funcionários. Todavia, se você quer que as pessoas 'comprem' sua idéia, então é fundamental desenvolver estratégias em que predominem os sentimentos, atitudes, preocupações e experiência do pessoal de baixo.

As pessoas que estão mais próximas do cliente, problema ou fornecedor estão numa situação muito melhor de saber o que vai funcionar e o que não. Ignorar esses comentários valiosos é pedir para ter problemas. Quando decisões que afetam os funcionários são tomadas sem a sua participação, pode ter certeza que os resultados serão piores do que os desejados.

Use o Poder Positivo - e não a força:

Alguns gerentes e empresas ainda trabalham usando a coerção (força e medo). Essa é uma visão improdutiva da motivação. Chefes que usam a força e o medo contribuem para:

Moral baixo

Alta rotatividade

Baixa produtividade

Pessoas desmotivadas

Clientes insatisfeitos

Vulnerabilidade perante a concorrência

Péssima comunicação interna

Cultura organizacional duvidosa

Por outro lado, liderar através do poder positivo contribui para:

Dar mais poder aos funcionários (empowerment)

Aumento da criatividade

Um ambiente de respeito mútuo

Auto-estima positiva

Funcionários leais

Pessoas dispostas a aprender

Alta produtividade

Fidelização de clientes

Ao reler as duas listas acima, é de se questionar: porque é que alguém gostaria de manter um estilo de chefia que provoca resultados tão pobres? É completamente contra a lógica e o bom senso. Entre 1940 e 80, era comum lidar com as pessoas desse jeito. E você sabe o que acabou acontecendo: greves, movimentos populares, leis, etc. Felizmente os tempos mudaram. Mas, para alguns gerentes, o passado ainda é uma forte lembrança. Alguns ainda aplicam um pouco de força negativa para 'motivar' seu pessoal. Algumas formas são mais sutis do que outras. 3 exemplos:

Sistemas ultrapassados de cotas e remuneração.

Comunicação só de cima para baixo.

Decisões feitas na diretoria sem consultar as bases.

Se algumas dessas coisas ainda acontecem na sua empresa, implemente o poder positivo para melhorar a performance do seu departamento e a produtividade dos seus funcionários.

Auto-avaliação:

Muitas pessoas ficam presas em antigas formas de pensar, fazer e acreditar – coisas que simplesmente já não funcionam. Muitos gerentes, executivos e empresários estão tão preocupados com detalhes que simplesmente já não trabalham mais. Algumas das principais armadilhas são:

Um produto que já deixou de ser útil, prático ou inovador.

Um funcionário pouco produtivo ou negativo que sabota a produtividade de todo seu departamento – às vezes, da empresa inteira.

Regras que deveriam ter sido trocadas anos atrás.

Atitudes ou preconceitos que atrapalham o sucesso.

Estilos gerenciais pouco produtivos.

Normas e procedimentos internos confusos.

Hábitos pessoais antigos que impedem a modernização.

3 das perguntas que Connor geralmente faz aos participantes de seus seminários são:

1- O que você está fazendo na sua vida, carreira ou empresa que está funcionando?

2- O que você está fazendo que não está funcionando?

3- O que você costumava fazer de certo que depois parou de fazer?

Estas três questões críticas podem fazer com que você comece a viajar na direção certa – em todas as áreas da sua vida – se você fizê-las freqüentemente, prestando bastante atenção nas respostas.

Connor se faz essas perguntas todo final de mês e final de ano. O propósito deste exercício é assegurar:

Manter o foco nas coisas certas da forma certa.

Deixar de lado o que não está funcionando.

Reavaliar sua carreira, negócio e vida, com a perspectiva não só do passado, mas do futuro também.

Planejar novas áreas de desenvolvimento pessoal.

Experimentar novas estratégias, atitudes, filosofias, sentimentos e técnicas.

Porque não investir um pouco de tempo para descobrir áreas que precisam de mudanças ou simplesmente abandonadas? Se você realmente quer mudar o ambiente na sua empresa, faça esta discussão em grupo – os resultados serão surpreendentes.

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