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Edição 09 - Setembro de 2000
Conteúdo básico
Vícios
comuns aos motoristas comprometem a embreagem
Conheça algumas dessas práticas e procure
evitá-las para poupar o sistema
Os
carros com caixa de câmbio automática estão
surgindo no mercado brasileiro e a tendência é
o pedal de embreagem desaparecer. Mas, enquanto isso não
acontece e os motoristas se acostumam com a novidade, que
traz mais comodidade para quem dirigi, a perna continuará
exercitando o movimento de vai-e-vem para permitir a mudança
das marchas.
Para amenizar o sacrifício
físico, principalmente para quem dirigi caminhão,
a embreagem deve passar por freqüentes regulagens,
que deixam o pedal mais macio. Quanto aos motoristas pés
de chumbo, devem deixar de lado alguns vícios e aprender
medidas na forma de melhor dirigir o carro.
Os chamados vícios da direção
são práticas que diminuem consideravelmente
a vida útil do sistema de embreagem, que pode durar
até cem mil km quando bem utilizado. Um dos mais
comuns, e que vem de longo tempo, é a mania que alguns
motoristas têm de pisar duas vezes no pedal para fazer
uma única troca. Com isso, o sistema é acionado
sem necessidade por mais uma vez.
Em casos de reduções,
acionar a embreagem sem antes pisar no freio também
é prejudicial ao sistema - disco, colar, platô
e cabo. O tranco que essa prática causa na transmissão
reduz a vida útil do disco. Simulações
de arrancada em um sinal fechado, fazer controle de embreagem
sem necessidade e descansar a perna no pedal são
outros exemplos de como não proceder no trânsito.
Quando a embreagem começa
a apresentar defeitos, é fácil para o motorista
identificá-los. O indício mais comum de que
há problemas é o pedal ficar duro demais.
Rangidos no cabo e cheiro de lona de freio queimado também
indicam problemas.
O ideal, de acordo com mecânicos,
é fazer uma revisão no sistema de embreagem
a cada dez mil km ou sempre que surgirem problemas. Antes
de mandar trocar todo o conjunto, porém, vale a pena
pedir a substituição apenas do cabo, peça
que apresenta defeitos com mais freqüência e
custa em torno de R$15.
Como aumentar vida útil
Em reduções de
marchas, evite acionar a embreagem sem antes pisar no
freio. Isso evita que o conjunto receba um tranco que,
com o tempo, danifica o disco.
Não faça controles
de embreagem desnecessários. Quando for subir uma
ladeira ou uma rampa, por exemplo, evite ficar pisando
na embreagem.
Não simule arrancadas
enquanto o semáforo está fechado. Além
de gastar combustível, essa prática força
todo o conjunto da embreagem.
Evite descansar a perna ou o
pé no pedal de embreagem.
IDENTIFIQUE O DEFEITO
O pedal fica
muito duro;
O cabo da embreagem
começa a ranger e surgi um cheiro de lona de
freio queimado;
As marchas
começam a arranhar mesmo com o pedal da embreagem
pressionado.
Os perigos
da noite
Mesmo motoristas com visão saudável podem
ter dificuldades depois que o Sol se põe
Quando
é preciso sair do trabalho depois do pôr-do-sol,
mais que um desconforto para muitos motoristas, temos que
analisar como seremos vistos. Aos limites da visão
se juntam a falta de iluminação pública
e a agressão dos faróis desregulados e das
lâmpadas fortes. Nas estradas, o movimento é
menor. Mas o número de acidentes aumenta.
"Quando dirijo à noite,
tenho a sensação de que nadei de olhos abertos
em uma piscina com cloro. A vista fica turva, parece que
tem uma nuvem na minha frente", conta Renata Antoniassi,
administradora de empresas de 27 anos.
Dirigir à noite sempre
foi um problema para Renata. Ela bateu logo no primeiro
mês de habilitação. Era noite. Depois,
leves seqüelas de uma cirurgia de correção
da miopia contribuíram para aumentar o transtorno.
"Mesmo antes disso, não gostava. Só dirijo
à noite porque preciso; se pudesse escolher, nunca
dirigiria", garante.
"É muito comum pacientes
reclamarem, mesmo os que não têm nenhum vício
de refração, como miopia e astigmatismo",
diz o oftalmologista Guerini Nicoletti. Segundo o médico,
o ofuscamento causado pelos faróis dos outros veículos
e a incapacidade de enxergar a certas distâncias são
as principais queixas.
Paulo César Teixeira, eletrotécnico
de 55 anos, também faz de tudo para não ter
de dirigir depois que o Sol se põe. "Sinto um
desconforto muito grande, minha vista fica cansada."
Ele conta que, em rodovias, o ofuscamento atrapalha tanto
que mal consegue ver a sinalização da estrada.
"Os faróis dos veículos refletem muito,
por isso programo todas as minhas viagens para o dia",
afirma Teixeira.
O eletrotécnico faz bem
em se precaver: 45,6% dos acidentes registrados de janeiro
a abril deste ano nas rodovias federais que cruzam o Estado
de São Paulo ocorreram entre às 18 e as 6
horas. Durante todo o ano passado, a porcentagem sobe para
51,5%. São dados da Polícia Rodoviária
Federal, segundo a qual o número é alto, considerando
que a circulação de veículos à
noite é menor que a diurna. Conforme a NovaDutra,
concessionária que administra a rodovia entre Rio
e São Paulo, o movimento das 18 às 6 horas
é cerca de 40% do total.
Michel
Eid Farah, professor de oftalmologia da Universidade Federal
Paulista, explica que cones e bastonetes são as principais
células da visão. Os cones, no centro da retina,
garantem a nitidez de imagens e cores. Já os bastonetes,
na periferia dos olhos, proporcionam imagens com ângulo
mais abrangente, embora pouco detalhadas. "Os bastonetes,
usados quando há pouca luz, são responsáveis
pelo campo de visão, fundamental para dirigir à
noite", diz Farah.
O desconforto de muitas pessoas
com a direção noturna pode ser explicado pela
falta dos detalhes nas imagens. Isso porque os cones funcionam
bem apenas com iluminação. "Em casos
mais sérios, a pessoa pode ter retinose pigmentária,
doença que proporciona um campo visual mais tubular",
afirma o professor. O problema, explica Farah, é
hereditário e tem como sintoma a cegueira noturna.
"Nos Estados Unidos, cerca
de 100 mil pessoas têm cegueira noturna, mas no Brasil
não há estatísticas", diz Farah.
Pessoas de pele mais clara sofrem mais com o ofuscamento,
segundo o especialista, por ter menos pigmento nos órgãos
de visão. "Quando a luz bate, reflete dentro
dos olhos, funcionando como uma caixa espelhada", explica
o professor.
Motoristas com fotofobia também
sofrem com o ofuscamento. "Eles são muito mais
sensíveis à luz e os faróis atrapalham
demais", diz. Para evitar o incômodo do ofuscamento,
Farah aconselha o uso de óculos especiais. "Há
lentes com mais filtros e que contrastam mais à noite,
acentuando as imagens e separando melhor os estímulos
luminosos", diz. As lentes ideais, de acordo com o
médico, são as de cores amarela e âmbar.
Além da perda dos detalhes
das imagens, à noite a percepção de
profundidade de campo também é menor. "O
motorista deve tomar muito cuidado, especialmente com os
pedestres", afirma Gilberto Lehfeld, ex-presidente
da Companhia de Engenharia de Tráfego de São
Paulo (CET) e estudioso de segurança de trânsito.
"Eles pensam que são mais visíveis do
que realmente são", alerta.
Lehfeld diz ainda que o motorista
na faixa dos 50 anos precisa tomar mais cuidado. "Ele
necessita do dobro de luz que um de 30 para enxergar",
afirma. Segundo ele, o uso de óculos pode manter
a acuidade visual estática, mas não a dinâmica.
"A acuidade dinâmica é a capacidade de
mover os olhos de maneira sincronizada com os alvos móveis",
explica o ex-presidente da CET.
Nessa faixa de idade é
aconselhável fazer exames de visão freqüentes.
De acordo com Lehfeld, fica-se mais sensível ao ofuscamento
e mais lento para adaptar-se à escuridão.
O tempo de reação do motorista diminui e,
além disso, a visão periférica
a capacidade de enxergar alguma coisa fora do campo central
de visão se deteriora com o tempo.
O que a lei diz
O Código de Trânsito Brasileiro dá boa
atenção às luzes do carro. Mas, segundo
o Comando de Policiamento de Trânsito de São
Paulo (Cptran), não acender o farol baixo ao passar
em túneis, ou em situações adversas
como chuva e neblina, são infrações
comuns. Classificadas como médias, são punidas
com multa de R$ 85,13, mais quatro pontos no prontuário
do motorista. Usar farol alto em vias com iluminação
pública é a terceira falta mais freqüente.
Considerada leve, custa R$ 53,20 e três pontos.
O motorista deve tomar cuidado
também com faróis desregulados, pois essa
infração é considerada grave. Quem
for pego pela fiscalização levará multa
de R$ 127,69 (mais cinco pontos). A mais alta punição
é para quem dirige sem óculos, uma infração
gravíssima: R$ 191,54 e sete pontos.
Manutenção
Estar com os faróis regulados é essencial
para ver bem à noite e não ofuscar os demais
motoristas. Na rede Precision Tune, franquia norte-americana
com oficinas em São Paulo, Ribeirão Preto
e Fortaleza, o alinhamento dos faróis é gratuito.
"O serviço leva no máximo 15 minutos",
afirma Ricardo del Bianco, gerente de operações.
Na rede Midas, outra franquia
norte-americana com unidades em São Paulo, a verificação
é gratuita: "Mas, se houver necessidade de regulagem,
são cobrados R$ 10 para qualquer veículo",
diz Fábio Cazarotti, gerente comercial da rede. Segundo
ele, o ajuste deve ser feito com equipamento especial e
verificar o facho de luz e sua convergência. O dono
do carro pode conferir se há convergência dos
faróis, segundo Cazarotti: "É só
aproximar o carro de uma parede branca, em piso plano, e
verificar os pontos mais fortes de luz, que são os
de incidência". De acordo com ele, esses pontos
não devem ter uma só direção,
mas têm de estar no mesmo nível. "Se não
estiverem, é preciso regular", afirma.
Os faróis desregulam, explica
Cazarotti, porque as peças internas sofrem desgaste
natural e, às vezes, até oxidação.
A regulagem, adverte, deve ser diferente para cada farol.
"O da direita deve ter maior abrangência de campo
que o da esquerda, para não ofuscar a visão
de quem vem em sentido oposto", afirma.
| Dicas
para dirigir a noite |
mantenha os faróis
sempre regulados;
conserve o pára-brisa, os faróis e as
lanternas limpos;
complete o reservatório do limpador de pára-brisa;
esteja mais atento em estradas desconhecidas
nesse caso use o farol alto, tomando o cuidado de baixá-lo
quando estiver atrás de outros veículos
ou cruzá-los;
procure orientar-se principalmente pela sinalização
horizontal (na pista);
para evitar o ofuscamento pelo retrovisor interno, mude-o
para a posição "escura". Há
espelhos que se escurecem automaticamente de acordo
com a intensidade do farol do veículo que vem
atrás;
ao cruzar um veículo com farol alto, pode-se
evitar o ofuscamento frontal desviando o olhar e orientando-se
pela margem direita da rodovia;
se sentir sono, pare em local seguro e descanse. |
Luzes no futuro
Hoje, muitos carros já permitem que a altura do facho
dos faróis seja ajustada por comandos no próprio
painel. Mas os principais fabricantes do setor prevêem
avanços para o sistema de iluminação
dos veículos. Carlos Takata, engenheiro de fotometria
da Cibié, empresa do grupo Valeo, afirma que a tecnologia
para produção dos faróis inteligentes
já está disponível.
"A tendência é
de que os faróis do futuro se adaptem às condições
de dirigibilidade do motorista, tenham fachos de luz de
acordo com a velocidade e que também mudem conforme
a condição climática", afirma.
Marcel Oliveira, diretor de marketing
da Visteon, confirma a tendência. O Light Management
System, equipamento desenvolvido pela empresa, tem como
características o ajuste de foco conforme o percurso,
velocidade e condições de tempo. Tanto o sistema
da Valeo quanto o da Visteon ainda não têm
previsão para lançamento.
Usados em conta
Alguns modelos de luxo com dois anos de
rua
têm o preço de um popular zero-quilômetro
As
condições de financiamento oferecidas pelas
montadoras e pelas concessionárias a quem compra
um carro zero-quilômetro repercutiram sobre o mercado
de usados e quem souber tirar proveito disso pode fazer
um bom negócio. É possível encontrar
sem muito esforço um automóvel com dois anos
de uso, com direção hidráulica, ar-condicionado
e motor possante, pelo mesmo preço de um popular
novo, mas sem os equipamentos que aumentam o conforto e
a segurança do motorista.
No passado, eram necessários
quatro anos ou mais para o preço de um usado de luxo
igualar-se ao de um modelo básico. Hoje, o carro
perde cerca de 30% do valor, em relação a
um zero do mesmo modelo, no primeiro ano de uso. A partir
daí, a desvalorização é de 10%
a cada ano, conforme cálculo do dono de concessionária
Humberto Pereira Carneiro, da cidade mineira de Uberlândia,
presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores
Fiat.
Essa é a desvalorização
considerada normal pelos negociantes de carros. Como as
vendas dos usados caíram, o próprio mercado
se encarregou de baixar os preços um pouco mais.
Um levantamento da Assovesp, associação que
reúne 7500 revendedores de automóveis usados
do Estado de São Paulo, indica que os preços
dos carros já rodados estão hoje 7,5% mais
baixos em relação aos primeiros meses deste
ano.
As condições de
compra do carro usado, boas no país inteiro, estão
melhores em São Paulo, onde a oferta é maior.
As concessionárias precisam desfazer-se dos carros
que recebem na troca pelos novos e, para agilizar as vendas,
algumas estão oferecendo linhas de financiamento
parecidas com as dos zero-quilômetro.
Para os modelos fabricados de
1995 em diante, é possível conseguir um plano
de leasing, com juros de cerca de 3% ao mês e dois
anos de prazo para pagar. Para financiar um carro usado
de 14.000 reais em 24 meses, o comprador poderá dar
uma entrada de 2.800 reais e pagar prestações
de 670 reais. Se a entrada for de 7.000 reais, a mensalidade
será de 420 reais. "As linhas de financiamento
dos usados têm juros um pouco mais altos do que as
dos carros zero", diz Naul Ozi, diretor da Sopave,
uma concessionária Volkswagen de São Paulo.
No mercado de usados, é possível encontrar
um Omega, da General Motors, ano 1995, com ar-condicionado,
alarme e outros acessórios por cerca de 1.000 reais
a mais do que um Gol 1.0, da Volkswagen. O modelo básico
do Gol custa cerca de 13.000 reais.
Cuidados A desvantagem
de comprar um carro já rodado é o desconhecimento
do verdadeiro estado do automóvel. Esse mercado é
cheio de armadilhas e quem não entende do ramo sempre
corre o risco de ser vítima de um espertalhão.
Para o leigo, um automóvel com muito tempo de uso
mas com uma pintura muito brilhante parece bem conservado.
Para quem é desse meio, aí pode estar um indício
de maquiagem.
Os carros que rodaram por muito
tempo em cidades litorâneas estão mais sujeitos
a apresentar pontos de ferrugem e por isso têm uma
desvalorização maior. Por essa razão,
alguns vendedores costumam transferir a documentação
para cidades distantes do mar antes de colocá-los
à venda.
Por causa desses e de outros truques,
todo cuidado é pouco na hora de comprar um usado.
Há muitas formas de perceber as armadilhas mais comuns
dos vendedores (veja fichário). O Código de
Defesa do Consumidor fixa em três meses a garantia
dos carros comprados das concessionárias ou das agências.
(Para os negócios entre particulares não está
prevista nenhuma proteção legal.) Um manual
de instruções com o registro das revisões
feitas em concessionárias autorizadas pode indicar
que o carro foi bem cuidado, mas é sempre bom submetê-lo
a uma inspeção minuciosa, feita de preferência
por um mecânico de confiança, antes de fechar
o negócio.
É obrigatório, claro,
conferir a documentação para ter a certeza
de que o carro está mesmo em nome do vendedor e se
o IPVA e o seguro obrigatório estão em dia.
As grandes concessionárias regularizam a documentação
antes de passar o automóvel adiante, mas, caso a
compra seja feita de uma pessoa física ou de uma
agência, é bom pedir uma vistoria ao Departamento
de Trânsito antes de bater o martelo. Além
disso, nunca tenha receio de exigir abatimento no preço.
Nesse mercado, mais do que em qualquer outro, é praxe
pedir um valor acima do que realmente se espera receber
para haver uma margem de negociação.
Longe da oficina
Quais são os cuidados essenciais
para evitar problemas no carro
Quem
trocou o carro usado por um modelo zero-quilômetro
já notou que os automóveis brasileiros têm
motores cada vez melhores. Isso significa não apenas
que eles estão mais potentes ou gastam menos combustível,
mas principalmente que eles quebram menos do que quebravam
antes.
O fenômeno ocorre porque
a indústria substituiu as peças de maior desgaste
por componentes eletrônicos. A mudança trouxe
conforto e segurança, mas também passou a
exigir mais atenção por parte dos motoristas.
Quando um motor velho apresentava
defeito, os sinais costumavam ser tão evidentes que
era praticamente impossível não perceber que
alguma coisa estava errada. Hoje, os sintomas de defeito
nos carros mais novos são menos perceptíveis.
Um mau funcionamento das velas
de ignição era denunciado pelo forte cheiro
de combustível que exalava do motor. Ficava difícil
não notar que havia algo errado. Com o catalisador
que filtra os gases do escapamento e os sistemas eletrônicos
que ajustam o consumo de combustível mesmo que alguma
das velas falhe, esse forte sinal desapareceu.
Quando as velas estão com
problema, o que acontece é que o motorista pisa no
acelerador e o carro não responde como de costume.
Por ser muito difícil perceber essas sutilezas, os
especialistas aconselham aos proprietários de veículos
que cuidem dos motores de seus carros levando a sério
a hora certa de fazer as revisões periódicas.
Quem segue o conselho já está conseguindo
rodar com o carro durante dois ou três anos sem ter
de ir para a oficina uma única vez.
Carro em ordem O
conselho é tão simples que chega a ser impensável
que uma parte considerável dos motoristas não
o siga. Em vez de providenciar as revisões sempre,
é grande a quantidade de pessoas que só fazem
isso enquanto o carro está na garantia. Quem permanece
com a preocupação até vender o veículo
estará valorizando o bem que possui na hora da revenda
e também economizando um bom dinheiro na manutenção.
Manter de forma adequada um Gol
1000 Mi, da Volkswagen, custa aproximadamente 250 reais
durante o ano para os serviços de rotina. Como o
carro custa cerca de 12.000 reais, está-se falando
de um investimento anual da ordem de 2% do valor do veículo.
A troca dos amortecedores, que
chegam a durar 30.000 quilômetros ou mais (a maioria
dos carros leva mais de dois anos para alcançar essa
marca), exige mais 450 reais. No caso do Vectra, da General
Motors, as manutenções de rotina custam cerca
de 370 reais por ano.
As providências que ajudam
a conservar o carro em ordem em geral são bem econômicas.
Não adotá-las pode custar muito caro. Como
os novos componentes eletrônicos são mais sofisticados
do que as peças antigas, procurar uma oficina para
substituí-los sai muito mais caro do que no passado.
Manias sem explicação
Há
maus hábitos no trânsito que botam em risco
quem está ao redor. Um exemplo: a febre que é
dirigir e falar no telefone celular ao mesmo tempo.
Outras manias são inofensivas mas também carecem
de explicação. Por que alguém em sã
consciência estraga a pintura de um carro novo com
adesivos grotescos? Coisas assim se tornam cada vez mais
comuns nas ruas brasileiras. Veja as principais manias:
O IMPERADOR DO CELULAR:O motorista
segue devagar, errante como um bêbado, no meio do
trânsito. É certo que ele está falando
no telefone celular. O pior é que, entretido com
a conversa, o motorista não percebe o transtorno
que causa (ele tem certeza de que pode controlar o carro
enquanto equilibra o aparelho no ombro). O código
de trânsito diz que é uma infração
média, que dá quatro pontos no prontuário.
Multa de R$ 85,12.
LANTERNA ESCONDIDA:A idéia:
uma máscara opaca nas lanternas e faróis pode
dar ao carro uma aparência agressiva.
Daí, começaram a surgir vários Gol,
Palio e Corsa (geralmente 1.0) com o enfeite. Há
quem ache apenas horroroso, mas o principal problema é
que o acessório diminui a luminosidade.
BONECOS À VISTA:São
gorilas, ratinhos, pokémons e bananas de pijama presos
por ventosas no vidro traseiro. Quase sempre, tapam parte
da visão pelo espelho interno, criando um perigoso
ponto cego.
BUZINA ANIMAL:A estridente buzina
relincha, cacareja e assobia para deleite de quem a tem
no carro. Para os outros, é apenas uma zoeira irritante.
PARADA RÁPIDA:Pode ser
para pegar a criança na escola ou deixar algo na
portaria. Motoristas que têm esse hábito ligam
o pisca-alerta e esquecem o risco. Quem vem atrás
precisa desviar. Essa paradinha torna-se potencialmente
perigosa perto de curvas e esquinas.
PISCA-ALERTA:Basta o ritmo do
tráfego diminuir para que alguns motoristas liguem
o pisca-alerta. E assim rodam quilômetros, confundindo
quem vem atrás. O pisca-alerta existe exclusivamente
para sinalizar que o carro está parado na pista (ou
no acostamento). Portanto, em situação nenhuma
deve ser ligado com o carro andando. Isso só atrapalha
os outros motoristas.
LUZ DE NEBLINA:A mania acomete
especialmente donos de Gol e Parati. Quando escurece, eles
ligam, além das lanternas, a luz de neblina do pára-choque
traseiro. Isso na cidade e sem qualquer nuvem no céu.
Resultado: a intensa luz vermelha irrita quem está
nos carros de trás. Como o nome diz, luz de neblina
é um sinalizador que deve ser usado apenas sob nevoeiros
pesados.
ONDE CABEM DOIS...:Há motoristas
que se metem entre duas faixas de tráfego e tentam
avançar em meio ao trânsito lento. Se levam
uma batida, reclamam.
ZÉ BUZINA:Ele fica com
a mão no miolo do volante, de olho no sinal. Quando
a luz verde acende, sua reação imediata é
dar uma rápida buzinada para o carro da frente. Um
problema de falta de educação.
REIS DO ZIGUEZAGUE:Voam baixo
pela faixa da esquerda, colam no pára-choque do carro
da frente e, quando este dá a seta para sair do caminho,
os voadores se antecipam, ultrapassam pela direita
e imediatamente voltam para a esquerda. A mania não
permite que os motoristas prudentes mantenham distância
segura do carro da frente.
MODA COLANTE:É uma coqueluche.
Colados na lataria, adesivos trazem nomes de lojas de acessórios,
personagens da turma do Pernalonga ou a expressão
Fuiiii!. Há também adesivos de
temporada: agora está em vigência um garotinho
com as calças arriadas. Com o tempo, os adesivos
vão descolando e deixando vestígios na pintura.
ESTOJO À MOSTRA:Desde março
do ano passado não é obrigatório levar
no carro o kit de primeiros socorros. Mesmo assim, muitos
fazem questão de ostentar o estojo junto ao pára-brisa.
Isso cria reflexos no vidro e atrapalha a visão.
Carros
do Século XXI estarão à
mostra no 21º Salão do Automóvel, em
outubro
A Indústria automotiva
no Brasil parece ter espantado de vez a nuvem negra que
pairou sobre o mercado no ano passado. A chuva de lançamentos
prevista para este semestre, e o entusiasmo que precede
o Salão Internacional do Automóvel, a ser
realizado de 12 a 22 de outubro, no pavilhão de exposições
do Anhembi, em São Paulo, dão mostras de que
o setor voltou a acreditar no seu desempenho, que chegou
a registrar índices históricos em 97.
A maior parte das montadoras,
como de costume, esconde a sete chaves as novidades que
enfeitarão seus estandes no evento. Estratégia
que amplia a possibilidade de gratas surpresas para os brasileiros.
O certo é que aquele que
deve se concretizar como o maior evento do setor automotivo
latino-americano do moribundo século XX será
caracterizado por disputas abertas pela posição
de vice-líder do mercado - entre Fiat e GM (apesar
de as duas terem negócios em comum) e pela quarta
posição - Entre Ford e Renault. A montadora
de origem norte-americana, mesmo com o bom desempenho de
mercado das suas picapes e dos seus carros com motor Zetec
RoCam, continua a perder terreno para a francesa que se
instalou no Paraná há cerca de dois anos.
Prestes a produzir na Bahia, a
Ford vem apresentando regionalmente pelo país os
reestilizados Mondeo e Explorer Limited 2001 e lançará,
em dias próximos ao salão, um novo médio,
o Focus, que pretende absorver os clientes do antigo modelo
Escort, que ainda está no mercado mas sairá
aos poucos.
A Renault entrou de vez na briga
entre os líderes quando lançou o Scénic
e o Clio brasileiros; um criando um novo nicho de consumo
e o outro para competir na melhor fatia do mercado, a de
populares. A sua primeira novidade deste ano foi a geração
II da linha Mégane, sedã e hatch, que vem
cumprindo, a contento, seu papel.
No salão, em outubro, a
marca abrirá cortinas para o Clio sedã. Outra
expectativa com ares franceses é o retorno da Citroën
ao Salão. A marca ganhou novo alento com o retrospecto
de vendas do Xsara (líder do ranking anual da Abeiva
em 99 e 13,7 mil vendas desde seu lançamento, há
15 meses), está contente com o desempenho do interessante
Berlingo e inaugura fábrica no Rio de Janeiro, no
próximo ano, em parceria com a Peugeot. No seu estande
no salão o público poderá conferir
o Xsara Kit Car e o Picasso, que será fabricado no
Brasil a partir do próximo ano.
Novos modelos para o Brasil
O Salão Internacional
do Automóvel, maior evento do setor no Brasil e que
acontece há 40 anos em São Paulo, funciona
como principal vitrine do carro no país. Nele, alguns
dos modelos expostos, geralmente as linhas reestilizadas
e os lançamentos recentes ou previamente badalados,
como o GM Celta e o Ford Focus neste ano, chegam às
concessionárias nas semanas seguintes; outros, onde
se incluem as surpresas, são os lançamentos
do ano seguinte, cujos representantes de impacto na edição
de outubro serão a Zafira, da GM, o sedã-médio
Bora, da VW (que tirará o velho Santana das linhas
de montagem) e o subcompacto Toyota Yaris. Não se
pode esquecer que também estarão expostos
os que nem chegarão por aqui, denominados de carros
conceito.
A General Motors vai apresentar
o Zafira, construído sobre a mesma plataforma do
Astra e que chega com a pretensão de desbancar o
Scénic; a grande vantagem da GM, que a princípio
terá as mesmas motorizações do Astra,
são os sete assentos; e a desvantagem é o
preço, por volta de R$33 mil, R$2 mil a mais do que
o carro Renault.
Outra novidade para o brasileiro
será a picape Frontier, um carro da Nissan, empresa
recém-adquirida pela Renault. A full size (picape
grande), que estará no salão, será
produzida a seis mãos: projeto original japonês
com pitadas francesas, mas que será fabricada em
São José dos Pinhais, no Paraná, a
partir do segundo semestre de 2001, na unidade Nissan que
está sendo erguida junto à fábrica
Renault.
New Beetle ganha concorrente
O principal rival do New Beetle
será apresentado ao público brasileiro: é
o exótico PT Cruiser, da Chrysler, com motor 2.0,
design retrô com toques futuristas e opções
de câmbio manual ou automático (como o VW),
e que em breve estará nas ruas do país.
Mas a VW também trará
arma de grosso calibre: é um sedã bonito e
moderno para brigar com o GM Vectra e com o novo Marea 2.4
20V. Conhecido no mercado norte-americano como Jetta, o
VW Bora tem a mesma base do Golf, e chegará em duas
versões de motorização: 2.0 de 115cv
e 1.8 turbo de 150cv. Sua subsidiária Audi, por sua
vez, vai apresentar a Avant, a superperua esportiva (sportwagon)
mais rápida do mundo. Derivada da wagon A4, a Avant
terá produção limitada em dez unidades/dia.
Ela faz de zero a 100 km/h em 4,9 segundos, graças
ao motor 2.7 V6 biturbo de 380cv.
Entre os automóveis mais
aguardados ainda estão os superluxuosos Peugeot 607,
sucessor natural do 605, produzido na França e que
já roda nas ruas européias; e Alfa 156, perua
esportiva que a Fiat trará junto com o compacto Alfa
147, com motor 2.0 de 150cv. No moderno francês pulsa
um motorzão 3.0 de 210cv, que para roncar cobra nada
menos que R$130 mil. No carro Peugeot destacam-se ainda
os seis air-bags e os controles eletrônicos de estabilidade
e de distribuição de força da frenagem.
Mas, sem dúvida, a grande estrela será a superesportiva
360 Modena Spider, da Ferrari, outra marca do grupo Fiat.
Mercado é animador
Após o cancelamento da
edição do Brasil Motor Show do ano passado,
a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), a Associação Brasileira
das Empresas Importadoras de Veículos Automotores
(Abeiva) e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes
para Veículos Automotores (Sindipeças) preparam
o XXI Salão Internacional do Automóvel, ao
tempo em que externam seus números otimistas dos
primeiros sete meses deste ano. A produção
nacional do setor de autoveículos (automóveis,
caminhões e ônibus) alcançou um crescimento
de 24,25 em relação ao mesmo período
de 99. E o melhor, está vendendo: um fator positivo
de 15,69% no mesmo comparativo.
Saudoso da produção
de 97 - 2,04 milhões de unidades -, o setor produziu
948,6 mil autoveículos nos últimos sete meses,
59,83% do total de 98 e 70,22% da produção
de 99. Por si só esses números, em fase de
constante crescimento, já geram expectativa de uma
apresentação pomposa das montadoras no evento
que se aproxima. O momento é tão animador
que a badalada renovação da frota arduamente
exigida pelas montadoras no ano passado foi esquecida momentâneamente.
Melhor para o governo, que já há sete meses
praticamente não fala no assunto, garantiu o economista
Delfim Netto, em sua passagem pelo X Congresso da Fenabrave,
realizado em Salvador..
Novos Celta, Focus e
Clio sedã
Chevrolet Celta, Renault Clio
sedã e Ford Focus são os lançamentos
mais concretos entre os cogitados a ser visitados no Salão
do Automóvel. O primeiro, que saiu do anonimato na
inauguração da fábrica GM em Gravataí
(RS), no mês passado, já trouxe a decepção
de não ser o carro mais barato do mercado como antes
anunciado; mas comporta uma tecnologia elevada que deve
colocá-lo entre os mais comprados em 2001.
O Focus, por sua vez, será
comercializado inicialmente na versão hatchback;
o sedã, virá no ano que vem. tanto o hatch
como o que virá posteriormente oferecerão
duas opções de motor: 1.8 e 2.0. todos Zetec
de 16V. Sem dúvida, o Astra terá que se movimentar
para manter a liderança no segmento de médios.
Já o Clio sedã é uma variação
do compacto nacional Clio já conhecido, com as opções
1.0 e 1.6, as duas com 16V e motores produzidos na unidade
da marca no Paraná. A diferença principal
está na traseira, que ganha um porta-malas com capacidade
para 510 litros, um dos maiores do segmento.
Dos ralis para o Anhembi
Uma das principais atrações
do estande da Citroën em seu retorno ao Salão
é o Xsara Kit-Car, ícone mais atual da tradição
vitoriosa da marca no mundo de ralis. Montado sobre a plataforma
do Xsara VTS 2.0 16V (tem a mesma motorização),
foi adaptado para competições fora-de-estrada
pela Citroën Sport, dona de um retrospecto de cinco
vitórias no Rally Paris-Dakar, três no Paris-Moscou-Pequim,
cinco no Rally da Tunísia, além de cinco títulos
mundiais de construtores e de pilotos até 1997. O
Citroën envenenado, que vai a 295cv de potência
e virá ao Brasil, foi campeão francês
de rali em 98 e 99 e, só no ano passado, venceu nove
das dez provas da temporada, incluindo duas etapas do Mundial
de Rally, na Córsega e na Catalunha.
O sonho - Em outubro, ela
já estará com sete meses de conhecida; mas,
como de costume, deve roubar todas as atenções
no pavilhão do Anhembi: é a Ferrari 360 Spider,
lançada em março no Salão de Genebra
(a versão conversível da Modena que substituiu
a 355), menina dos olhos dos executivos da montadora do
cavalinho rampante e representante mais cobiçada
na categoria de esportivos. Afinal, além de custar
cerca de US$350 mil, ter carroceria toda em alumínio
e um motorzão V8 3.6 litros e 405 cv de potência,
somente três a quatro carros dessa marca são
comercializados no Brasil a cada mês.
Os chips
invadem os carros
As centrais eletrônicas mandam
cada vez mais nos automóveis - e o motorista cada
vez menos
Eles estão por toda a
parte. Do rádio ao motor, está cada vez mais
difícil encontrar nos automóveis funções
que não sejam controladas por uma central eletrônica,
formada por um ou mais chips. Aos poucos os carros começam
a ter mais autonomia, dependendo menos da vontade do motorista.
Quem tem um Vectra, da General Motors, com transmissão
automática, por exemplo, já pode fazer uma
viagem sem pisar no acelerador, apenas determinando uma
velocidade a ser seguida pelo veículo durante todo
o percurso. A preocupação com o nível
do combustível e com o óleo também
logo, logo vira coisa de museu. Alguns carros, como o A3,
da Audi, e o Classe A, da Mercedes-Benz, já vêm
equipados com computadores de bordo que dizem quantos quilômetros
é possível andar com a gasolina do tanque
e quando está na hora de fazer a troca de óleo
do motor.
Em certos modelos, como o Palio
Fire, da Fiat, nem sequer existe o cabo do acelerador. Quando
o motorista pisa no pedal, a intensidade da aceleração
não é informada pelo cabo, mas sim por sensores.
Isso evita que o carro dê trancos quando o motorista
pisa e tira o pé rapidamente. Nem as chaves são
feitas da mesma forma. Minivans como a Scénic, da
Renault, ou Golf, da Volkswagen, possuem um segredo que
garante o funcionamento do veículo. Uma outra chave
idêntica, que não tiver o mesmo código,
não consegue ligar o carro.
Todas as centrais eletrônicas
que controlam estas funções nos automóveis
estão ligadas entre si por um único fio. É
como se os módulos fossem computadores ligados em
rede. Isso só foi possível graças ao
desenvolvimento dos chips, que com 32 bits permitem a comunicação
em tempo real entre os diversos módulos eletrônicos
de um veículo. Graças a eles, também
é possível diagnosticar problemas nos carros
facilmente. As montadoras possuem computadores específicos
que, quando conectados aos carros, verificam se há
algum problema. Tudo isso em poucos minutos.
Já para as oficinas convencionais
a facilidade não é a mesma. Sem os computadores,
fica quase impossível detectar um problema no motor,
na ignição ou no ABS dos carros que têm
essas centrais eletrônicas. Amarrar o arame para tentar
continuar andando com o carro que quebrou não é
mais possível. Em compensação, várias
montadoras garantem que dificilmente seus clientes ficarão
na rua por problemas no carro. Alguns modelos, como o Fiesta,
da Ford, têm uma estratégia de emergência,
que permite levar os veículos até uma concessionária
em caso de diversos defeitos.
A participação dos
chips nos automóveis hoje é tão importante
que melhorar o desempenho dos motores ficou relativamente
fácil. Trocando apenas um chip é possível
aumentar entre 10% e 30% a potência de muitos motores.
Este tipo de modificação é feito geralmente
em carros blindados, que, por ser mais pesados, têm
o desempenho comprometido.
Carros Estrangeiros - Apesar
de todo este desenvolvimento, a eletrônica embarcada
nos carros produzidos no Brasil não está no
mesmo nível da realidade mundial. Em outros países
é possível encontrar, por exemplo, GPS (Global
Positioning System) nos automóveis. Recurso que no
Brasil seria inútil, pois ainda não existe
um mapeamento digital das estradas e ruas por aqui. Também
já é possível encontrar em carros estrangeiros
equipamentos que podem ser acionados por comando de voz,
como rádio, agenda eletrônica e telefones.
Achou pouco? Pois os carros feitos
fora têm muitos outros recursos interessantíssimos.
Para dar maior segurança e assistência aos
motoristas, alguns veículos americanos possuem um
dispositivo que aciona uma central de atendimento quando
o air bag é disparado. Esta central está preparada
para enviar socorro ao motorista e acionar o hospital mais
próximo ao acidente. Outro sistema ajuda a prevenir
acidentes. Ele ajusta automaticamente a aceleração,
mantendo o carro a uma velocidade constante e a uma distância
segura do veículo que está a frente.
No Brasil o carro mais desenvolvido
tecnologicamente, por enquanto, é o Classe A, da
Mercedes-Benz. Ele ainda não estourou em vendas,
mas é o que possui o maior número de dispositivos
eletrônicos. Veja onde surgem toda a eletrônica:
RENAULT SCÉNIC
Pelo painel do veículo o motorista monitora o funcionamento
do veículo e verifica se há algum problema.
Se houver, é possível saber a gravidade. Outra
central eletrônica dá mais segurança
ao motorista, acionando o air bag em caso de acidente.
VOLKSWAGEN GOLF
É o único carro produzido no Brasil que possui
sensor de chuva. Quando começa a chover o limpador
de pára-brisa funciona automaticamente. Mas isso
desde que o limpador esteja na posição temporizada.
AUDI A3
O computador de bordo dá todas as informações
sobre o carro e ainda diz quantos quilômetros ainda
é possível andar com a gasolina do tanque.
Após 2 horas de viagem, o painel avisa o motorista
quando deve fazer uma parada para descansar.
FIAT PALIO FIRE 16V
Este modelo da Fiat possui um sistema drive by wire, que
substituiu o cabo do acelerador. O motorista tem a sensação
de estar acelerando, mas quem faz o trabalho são
os sensores eletrônicos ligados ao motor.
FORD FIESTA
Os chips estão até nas chaves. Um sistema
chamado pats insere um código que garante o funcionamento
do motor. Sem este chip uma outra chave, mesmo que seja
idêntica, pode até conseguir abrir o carro,
mas não vai dar partida.
CHEVROLET ASTRA
Com auxílio de um chip um dos vidros do carro desce
quando o veículo é aberto. Isso evita que
o motorista precise fazer muita força para fechar
as portas. Após o fechamento os vidros sobem automaticamente.
Carro e computador: casamento
perfeito
Se o carro que você guia tem menos
de cinco anos, é certo que ele carregue vários
computadores a bordo. No final dos anos 80, os chips começaram
a entrar nos automóveis controlando os sistemas de
ignição e injeção de combustível.
Hoje, são usados para comandar o ar-condicionado,
o painel de instrumentos e o rádio. Servem até
mesmo para corrigir erros dos motoristas!
Estima-se que haja
20 chips num carro que sai da linha de montagem. Nos próximos
anos, haverá muito mais. Componentes mecânicos
serão substituídos por sensores e motores
elétricos, e os carros serão capazes de captar,
receber e transmitir informações. Escolherão
o melhor caminho para chegar ao destino e assumirão
o controle da direção para que o motorista
possa trabalhar ou telefonar.
Eventualmente, a
presença dos computadores no mundo do automóvel
será total: eles ajudarão a projetar os carros
e todos os seus componentes, desenharão as fábricas
e máquinas que os construirão e realizarão
testes "de pista" antes mesmo que ele seja construído.
Você comprará seu carro pela Internet, depois
de experimentá-lo virtualmente.
E os computadores
se encarregarão de avisá-lo quando for necessário
qualquer tipo de manutenção, seja uma troca
de óleo, calibragem nos pneus ou uma ida à
oficina para resolver problemas mais sérios.
Muitos desses sistemas já
são oferecidos nos veículos de luxo ou encontram-se
em pleno desenvolvimento. A Daimler-Chrysler, por exemplo,
trabalha numa série de inovações que
deverão chegar ao mercado na próxima década,
entre elas um sistema de direção sem volante
e sem pedais; e um método de "reboque virtual"
em que dois ou mais caminhões trafegam juntos sob
o comando de um único motorista sem nenhuma ligação
física; além de um sistema capaz de identificar
pedestres no meio do trânsito e "enxergar"
sinais de trânsito e semáforos.
Joystick Os engenheiros
da Daimler-Chrysler estão experimentando um sistema
de direção por joystick, instrumento semelhante
àquele usado nos PCs para controlar games, num conversível
Mercedes SL. O sistema permite controlar a aceleração,
frenagem e direção através de uma única
alavanca. Basta incliná-la para os lados para conduzir
o carro. Para acelerar, é só pressioná-la
para a frente; para frear, fazer pressão para trás.
Se não houver pressão no sentido longitudinal,
o sistema manterá a velocidade constante, acelerando
ou cortando o combustível sempre que necessário.
Quando o carro estiver parado num semáforo, os freios
serão automaticamente acionados até que você
acelere novamente.
A transmissão, obviamente,
é automática e seus comandos tradicionais,
como a ré, são acionados por botões
no painel. Na alavanca, há dois botões para
os piscas e um gatilho para acionar a buzina. O carro experimental
tem dois sticks, um deles colocado à esquerda, na
porta, para motoristas canhotos. E, ao contrário
do que acontece nos videogames, o comando transmite ao motorista
a resistência que as rodas encontram: numa estrada
molhada, por exemplo, ele fica mais leve, se a roda estiver
encostada no meio-fio, se torna mais pesado.
Além do ganho de espaço,
a retirada dos comandos tradicionais aumenta a segurança
passiva, já que tanto o volante como os pedais costumam
causar ferimentos em acidentes. O motorista pode encontrar
com mais facilidade a posição ideal para guiar,
seja qual for seu tamanho. Do ponto de vista ativo, basta
lembrar que as mãos são muito mais sensíveis
e hábeis do que os pés: testes com grupos
de motoristas aprendizes feitos pela Mercedes comprovaram
que é muito mais fácil, seguro e rápido
aprender a guiar com o novo sistema do que com o tradicional.
Como no caso do carro sem volante,
o uso de sistemas de comando eletroeletrônicos, chamados
de "drive by wire" ou guiados por fio, possibilita
outras aplicações. Também na pista
da Mercedes, é possível ver dois caminhões
circulando juntos, a pequena distância um do outro,
sem que o motorista do segundo veículo precise dirigi-lo.
Eles estão interligados eletronicamente e tudo o
que o motorista do caminhão da frente faz se repete
no de trás. A vantagem imediata do sistema é
possibilitar a uma dupla de motoristas viajar mais horas
por dia, revezando-se no comando do comboio. Outra é
permitir que os caminhões trafeguem a pouca distância
um do outro: eles podem andar com segurança separados
por apenas três metros. Desta forma, ocupam menos
espaço na rodovia, melhorando o fluxo de veículos.
E, andando "no vácuo", o segundo caminhão
enfrenta menos resistência do ar e poupa combustível.
Pensando em segurança,
pesquisa-se em Stuttgart, sede da Daimler-Chrysler, um sistema
que identifica pedestres e outros obstáculos no meio
da rua. Baseia-se num sistema óptico com duas câmeras
que transmitem imagens a um computador. Com base no tamanho,
na silhueta e no movimento do que estiver à frente
(o movimento das pernas humanas tem características
únicas), o dispositivo pode tanto alertar ao motorista
quanto mostrar o que viu numa tela. Também identifica
semáforos e placas de sinalização,
podendo avisar aos distraídos quando estiverem prestes
a avançar num sinal vermelho, entrar na contramão
ou ultrapassar o limite de velocidade. A previsão
é de que, numa primeira etapa, isso diminua a necessidade
de atenção do motorista no trânsito
pesado o carro se encarregará do pára-e-anda
e de se manter sempre na faixa escolhida.
Mais segurança Os
carros do futuro também participarão do chamado
processo de convergência: mais do que simples meios
de transporte, serão verdadeiros centros de comunicação.
Estarão conectados à rede celular e à
Internet. Seus próprios componentes eletrônicos
serão interligados por uma rede ultraveloz (no novo
Mercedes Classe S já são usadas fibras ópticas).
Sistemas de navegação por satélite,
que hoje são opcionais nos carros de alto luxo, deverão
se popularizar. Será possível saber com antecedência
sobre engarrafamentos e as melhores opções
para escapar deles. No caso de um acidente, o carro poderá
pedir socorro automaticamente, transmitindo sua localização
e até mesmo os dados médicos de seus ocupantes.
Os defeitos serão detectados por um sistema de diagnóstico
a distância, que avisará a oficina mais próxima
e providenciará a encomenda das peças que
não houver no estoque.
Se você não for exatamente
um bom motorista, há boas notícias. Com os
comandos e os sensores interligados, os carros do futuro
assumirão seu próprio controle sempre que
você agir errado ou demorar a reagir a alguma situação.
Bater na traseira de outro carro, por exemplo, será
quase impossível. Se você entrar numa curva
depressa demais, ele primeiro irá acionar os freios.
Depois, o sistema de estabilização automática
tentará acertar a trajetória e a suspensão
inteligente manterá o carro nivelado. Se ainda assim
o carro derrapar, o sistema de direção moverá
as rodas dianteiras para corrigir. Tudo isso, numa fração
de segundo, sem que você perceba que deixou de mandar
em seu automóvel. A não ser por um aviso no
painel, aconselhando a aliviar um pouco o acelerador. Ou
seja, a não atrapalhar.
Pneus
coloridos, um problema nas ruas de São Francisco
Vereadora diz que eles deixam no asfalto marcas difíceis
de tirar e que as cores estimulam a violência de gangues
de jovens
Os vereadores de
São Francisco têm uma decisão a tomar:
proibir ou não o uso de pneus coloridos na cidade.
Há dois problemas com eles: primeiro porque dão
muita despesa à Prefeitura para limpar as marcas
que deixam no asfalto; em segundo lugar, porque estimulam
a violência, já que foram associados às
cores que distinguem as gangues juvenis.
Pneus com faixas azuis, vermelhas
e amarelas nas laterais e na banda de rodagem começaram
a ser vendidos pela Michelin na Califórnia em meados
do ano passado. Segundo a vereadora Mabel Teng, as cores
azul e vermelha distinguem duas gangues de São Francisco.
Com o testemunho de um capitão da polícia
local, ela afirma que, se um carro com a cor errada
passa pelo território de uma gangue, o motorista
pode ser tomado como provocador e agredido. Em casos extremos,
diz a vereadora, ocorrem até tiroteios.
Por outro lado, ainda segundo
deixou registrado Mabel, as marcas coloridas que os pneus
deixam no asfalto quando freados bruscamente ficam gravadas
como um graffiti, com alto custo para o Departamento de
Limpeza da cidade.
James Morton, vice-presidente
da divisão norte-americana da Michelin, disse aos
vereadores em defesa da empresa que milhares de pneus coloridos
foram vendidos desde o meio do ano passado e ninguém
reclamou por deixarem marcas no asfalto.
Não acreditamos que
seja necessário proibir sua venda, disse Morton,
oferecendo-se para monitorar a situação
para ver se os pneus têm tido uso inapropriado.
Como demitir
sem traumas
Uma
pesquisa realizada pelo Grupo Catho, com 1.356 executivos,
aponta que o processo de demissão de um executivo
costuma durar cerca de três meses. O tempo pode ser
maior para altos executivos, profissionais com mais tempo
de casa e trabalhadores acima de 50 anos de idade. Muitas
vezes o processo de demissão leva meses e, mesmo
assim, mesmo com cautela, a empresa e o funcionário
não ficam satisfeitos no final.
Essa mesma pesquisa mostra que
apenas 31,3% dos executivos que foram demitidos puderam
contar com a ajuda da empresa onde trabalharam para encontrar
uma nova oportunidade de trabalho.
Como demitir um funcionário
sem causar ressentimento e sem macular o nome da empresa?
Como dizer a um profissional com uma função
até então importante dentro do quadro de funcionários
que a empresa agora não está mais satisfeita
com o resultado de seu trabalho?
Mauro Danezi, gerente geral da
Candle Software do Brasil, define como demissão o
produto de um defeito de convivência entre o superior
e o funcionário. Ele acrescenta que ninguém
pede demissão da empresa, mas sim do chefe, desconsiderando
os casos de executivos que largam seus empregos por uma
proposta de trabalho melhor. "A empresa geralmente
demite por contenção de despesas ou inadequação
do profissional ao papel que ele deveria desempenhar. Muitas
vezes as pessoas não percebem que o mercado mudou
e que elas têm que ter novas habilidades para garantir
seu emprego, por isso, quando são demitidas, acham
que foram pegas de surpresa".
O momento da demissão
pode ser pacífico ou não, dependendo do motivo
pela qual a empresa desiste do funcionário. Segundo
a mesma pesquisa citada no início da matéria,
as cinco razões mais importantes para a demissão
são:
falha na obtenção
dos resultados desejados
falta de competência, tecnicamente considerando
falta de um bom relacionamento dentro da empresa
eliminação do cargo
desonestidade
Mauro Danezi concorda, e acredita
que a antiga demissão por justa causa não
existe mais. "No nosso atual momento, as pessoas só
são dispensadas quando a empresa já tentou
todas as alternativas para aproveitá-la, inclusive
a recolocação, e por mais incrível
que possa parecer, uma empresa também demite quando
descobre que determinado profissional é muito bom
para o cargo que ocupa".
DEMISSÃO TRAUMÁTICA
O processo de desligamento de uma empresa sempre vem
acompanhado de um choque, ou para a empresa ou para o funcionário,
e em determinadas situações esse choque pode
causar traumas. Veja alguns exemplos de pessoas que passaram
por isso:
"Trabalhei durante
24 anos no departamento de Recursos Humanos de uma grande
empresa de produtos alimentícios. Estava acostumado
a contratar e demitir funcionários diariamente. Consegui
minha aposentadoria mas continuei trabalhando, durante sete
meses, com a autorização da diretoria da empresa.
Estava acontecendo uma mudança de diretoria na empresa
e o quadro de funcionários sofreria um corte terrível.
Um dia um dos diretores me chamou e pediu que eu calculasse
a demissão de 20 funcionários que seriam dispensados
naquele dia. Nunca me esqueci da frase seguinte: mande essas
pessoas embora, faça todos os cálculos e faça,
depois, os seus cálculos também. Saí
sem mágoas, mas no momento foi um choque. No final
do ano ainda fui convidado para a festa de confraternização
da empresa, onde me entregaram uma placa de prata enaltecendo
o meu trabalho por tantos anos.
L.C.B.
São Carlos - SP"
"Fui demonstradora de
vendas durante nove meses num posto de gasolina de uma rede
famosa aqui em São Paulo. Fui conquistando confiança
dos meus superiores e acabei fazendo parte do setor administrativo
da empresa, num cargo de confiança. Eu era contratada
de uma agência de promoção, que fazia
meu pagamento todos os meses. Depois de nove meses trabalhando,
num determinado mês, o pagamento não caiu na
minha conta e eu entrei em contato com a agência.
Depois de um mês trabalhando sem receber salário,
a agência deu um telefonema para o meu gerente comunicando
que eu e mais 10 funcionários do posto estávamos
dispensados. Quando tentei entrar em contato com a agência
descobri que ela não existia mais, não estava
mais no mesmo endereço e tinha dispensado, no mesmo
dia, mais de 200 funcionários naquele dia, com um
único telefonema.
Solange
São Paulo - SP"
"Trabalhei durante
três anos em uma famosa confecção de
artigos esportivos aqui em São Paulo. Fui convidado
para trabalhar lá e me prometeram vários benefícios,
que não foram cumpridos. Tinha um cargo de confiança
lá. Até que um dia o meu superior me chamou
e disse que meu salário estava muito alto e que ele
iria contratar uma pessoa com a mesma capacidade que eu
que ganharia muito menos. Tive que aceitar e ainda ensinei
o novo funcionário como fazer todo o meu serviço.
G.L.
São Paulo - SP"
"Trabalhei durante dois
anos numa empresa, sempre cumprindo meus horários
e sendo elogiado por toda equipe. Éramos em 53 funcionários.
Tudo estava indo bem, até que um dia, quando cheguei
para trabalhar, encontrei a empresa toda apagada e a porta
trancada. Achei estranho e imaginei que alguma coisa ruim
poderia ter acontecido. Foi quando me aproximei da porta
e vi um papel timbrado da empresa colado na janela, com
uma única frase: a partir da zero hora de hoje essa
empresa não existe mais. Parece mentira, mas infelizmente
isso aconteceu!
M.F.
São Paulo - SP"
Os depoimentos acima confirmam
outro dado da pesquisa do Grupo Catho: as empresa são
cruéis em 24% das demissões - em 52% dos casos,
as empresas exigem que o funcionário demitido deixe
a empresa imediatamente.
A explicação de
Mauro Danezi para os traumas ocorridos no processo de demissão
está na ilusão que a pessoa tem que ela existe
somente por causa do trabalho. Quando o emprego deixa de
existir, ela acredita que não tem razão nenhuma
para continuar vivendo. "É comum pessoas que
trabalham durante 10 anos ou mais em uma empresa não
perceberem que estão correndo o risco de serem demitidas.
Acham que têm lugar garantido ali para sempre."
Mauro alerta ainda que é
importante ficar atento aos sinais que a empresa costuma
dar de que a relação entre funcionário
e empresa não estão mais se entendendo.
Algumas empresas preferem, em
vez de demitir, exercer pressão para que o funcionário
se demita. "Já vi superior estipulando metas
impossíveis para aqueles funcionários que
ela quer demitir, e já vi planos maquiavélicos,
onde a empresa mostra projetos e deixa claro, em reuniões,
que determinado funcionário não está
incluído ali.", exemplifica Mauro. "A pior
coisa que um funcionário pode sentir é que
não exerce mais nenhum papel dentro da empresa",
complementa.
Às vezes a empresa
tem cautela na hora da demissão, mas mesmo assim
pode deixar seu ex-funcionário insatisfeito. Vale
a pena arriscar e tentar cumprir algumas dicas, sugeridas
por Mauro Danezi:
Alguém tem que fazer a
demissão e, se não tem outro jeito, o funcionário
deve ser chamado para uma reunião particular, onde
será traçado um plano de carreira e analisada
a possibilidade de fornecer um plano de acompanhamento de
carreira.
A notícia tem que ser dada
olhando no olho do funcionário, e pessoalmente. Ofuncionário
dispensado deve ser o primeiro a receber a notícia
da demissão.
Se existir amizade entre superior
e funcionário, os dois devem ter uma postura profissional,
deixando claro que aquele momento não irá
interferir na amizade dos dois.
Nunca demitir na véspera
de um feriado, na saída ou chegada de férias
e nem na sexta-feira. A melhor opção é
a segunda-feira, pela manhã, porque assim o funcionário
terá tempo de arrumar suas coisas, se despedir dos
colegas e terá a semana inteira para pensar no que
irá fazer.
É importante ter sempre
o médico da empresa de plantão e, em alguns
casos, para profissionais com perfil agressivo, manter o
sistema de segurança da empresa alerta.
No livro "Como se comunicar
com eficácia" (American Management Association,
Editora Campus), aparecem dicas interessantes de demitir
sem traumas.
Demitir um funcionário
de sua equipe talvez seja uma das decisões mais desagradáveis
a serem tomadas. A menos que ele tenho feito algo imperdoável
(como, por exemplo, roubar a empresa ou ter colocado a vida
de algum colega em perigo, intencionalmente), esta é
uma decisão que só deve ser tomada depois
de várias tentativas de reabilitação
do funcionário.
Ainda assim existe a possibilidade
de que ele se sinta injustiçado com a decisão.
Na hora de demitir, não
tente provar que estava certo nem tampouco justificar sua
atitude. Não censure ninguém; apenas aja da
forma mais profissional possível, sem ressentimentos.
Embora seja tentador demitir
em uma sexta-feira, ao término do expediente, saiba
que este é o pior momento para se dar este tipo de
notícia. Notificar o funcionário logo no início
da semana, na parte da manhã, lhe dará tempo
para colocar suas coisas em ordem, fazer as perguntas cabíveis
e se despedir dos colegas - ele não precisa esperar
o dia seguinte ou todo o final de semana.
Além disso, se você
agir assim, o funcionário não se sentirá
explorado. Ele sabe que você já tomou esta
decisão há algum tempo e dar este tipo de
notícia no final do expediente pode parecer que você
o está sugando ao máximo antes de comunicar
sua decisão de demiti-lo.
Sempre que demitir alguém,
certifique-se de dispor de todas as informações
necessárias sobre auxílio-desemprego, pagamento
de férias não usufruídas etc. Marque
uma reunião do funcionário com o departamento
de pessoal e informe-o a respeito.
Se você estiver conversando
com o funcionário sobre seu desempenho e relatando
os motivos de sua demissão, não é necessário
falar sobre cada infração cometida, que resultou
na decisão de demiti-lo. Deixe o funcionário
falar como se sente a respeito da demissão, mas não
se sinta na obrigação de apresentar argumentos.
Se possível, tenha esta conversa na sala dele ou
em um lugar neutro, de modo que você posa se retirar
se o funcionário tornar-se inconveniente ou insistir
em negociar sua decisão.
A menos que você esteja
realmente aberto à possibilidade de voltar atrás
em sua decisão, sequer discuta esta possibilidade.
Isto só serve para dar falsas esperanças ao
funcionário, prolongando a conversa sem necessidade.
Ao término da conversa,
você deve expressar seu desejo de que ele encontre
um novo emprego, para o qual esteja mais bem preparado.
Não deixe nenhuma dúvida de que o está
demitindo. Alguns supervisores ficam tão preocupados
em não se mostrar severos demais ao demitir alguém
que a pessoa sequer percebe que está sendo demitida.
Seja firme em sua decisão, mas seja também
polido.
Ana Paula Ruiz é repórter
do Jornal Carreira & Sucesso
Era um teste
do comando de voz. Tudo falhou
Tecnologia
é muito bom, mas de vez em quando falha e deixa a
gente com cara de bobo. Por exemplo, diante de um computador
obstinado. Outro exemplo: dentro de um carro-conceito criado
para atender a ordens verbais mas que se recusa a obedecer.
Foi o que aconteceu com a repórter
Cheryl Jensen, do jornal The New York Times. Convidada a
conhecer o carro-conceito Buick LaCrosse, um estudo estilístico
da GM para um sedã do futuro, ela resolveu testar
o comando de voz para abrir a porta. Seguiu-se um diálogo
com o computador de bordo que lembra muito o do astronauta
com Hal, o supercomputador rebelde de 2001: Uma Odisséia
no Espaço:
Repórter: "Abra a
porta" Carro: (Silêncio) Repórter: "Abra
a porta" Carro: "Discando 921" Repórter:
"Abra a porta" Carro: "Fora de registro"
Gary Mack (um dos criadores do carro): "Tente `Porta
aberta' " Repórter: "Porta aberta"
Carro: "Abrindo o capô" Gary Mack (falando
bem alto, meio assustado, enquanto o capô começa
a levantar-se): "Fechar capô!"
É um dia de muito vento,
e a perspectiva de que o frágil capô feito
a mão saia voando deixa em pânico três
engenheiros que acompanham o test drive.
Eles agitam-se em volta do carro.
Um deles diz: "Não, não, está
ventando demais, o carro vai se transformar num barco a
vela!"
Gary Mack: "Fechar capô"
Carro: "A temperatura é de 26 graus" Gary
Mack: "Fechar capô" Carro: "Fechando
porta-malas" Gary Mack: "Fechar capô"
Carro: "Fechando capô".
A GM gastou US$ 20 milhões
no desenvolvimento do Buick LaCrosse.
Cem anos de
automóvel no Brasil
A Associação Nacional
das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV),
esteve na Expo500 Anos, com a temática Da caravela
ao automóvel, apresentou em seu estande a história
cronológica dos cem anos do carro no Brasil e os
50 anos de transporte de veículos no país.
Fundada em 1980, a associação de transportadoras
é composta de montadoras, concessionárias
, importadores, órgãos governamentais e locadoras.
Os objetivos da ANTV são
representar os interesses do setor em assuntos nacionais
e internacionais, estimular a pesquisa e o desenvolvimento
tecnológico do sistema de distribuição,
promover intercâmbio, aperfeiçoar o setor através
de estudos e treinamento e assessorar os associados na manutenção
da qualidade operacional e jurídica.
Segundo informações
da assessoria da associação no X Congresso
da Fenabrave, com a globalização, a ANTV está
repensando seus objetivos e incentivando seus associados
a se transformarem em operadoras multimodais, oferecendo
mais opções no transporte e melhores serviços.
Para acompanhar os novos tempos, a associação
está desenvolvendo parcerias, modernizando práticas
empresariais, promovendo a convivência harmônica
entre associados e distribuidores e discutindo novas tendências.
Cronologia
1900 - Fernando Guerra Duval
desfila em Petrópolis o primeiro carro de motor a
explosão a circular no Brasil. Um Decauville de seis
cavalos, movido a benzina.
1920 - O Brasil possui uma frota
de 30 mil veículos.
1930 - A frota já era de
250 mil veículos.
1956 - Juscelino Kubitschek cria
o Geia, Grupo Executivo da Indústria Automobilística,
órgão que estabeleceu as normas sob as quais
as indústrias automobilísticas aqui instaladas
deveriam fabricar automóveis integralmente brasileiros,
num prazo de cinco anos.
1965 - Nasceu a Associação
Brasileira de Revendedores Autorizados de Veículos
(Abrave).
1975 - Produziram-se 900 mil veículos
por ano.
1989 - A Abrave tranforma-se em
federação, congregando todas as associações
do setor, e surge a Federação Nacional da
Distribuição de Veículos Automotores
(Fenabrave). Abrem-se também as portas para a importação
de automóveis.
1995 - O Brasil produziu 1,6 milhão
de veículos.
1997 - O Brasil bateu o recorde
de produção neste ano: 2,1 milhões
de veículos.
1999 - São 15 as montadoras
já instaladas no país.
Tolerância
Zero
Qualidade ainda representa um dos maiores indicadores
de competitividade entre empresas e produtos classes mundial.
A palavra "qualidade"
pode não aparecer hoje no noticiário tanto
quanto há alguns anos, mas no dia-a-dia dos fabricantes
de aço ela ainda é uma questão de sobrevivência.
Não é preciso ir
muito longe. Pergunte ao Instituto Americano de Ferro e
do Aço por que ele acha que parte do aço importado
pelos Estados Unidos representa uma competição
desleal - e certamente um dos argumentos será um
longo discurso sobre a qualidade do aço americano.
"Companhias como a nossa podem competir com qualquer
um, em qualquer lugar(...), se as leis federais (americanas)
e acordos internacionais forem respeitados", disse
Earl E. Davis, gerente comercial da Weirton Steel Corp,
uma das empresas que entraram com ação antidumping
contra o Brasil e outros países, quando a siderúrgica
recebeu um prêmio pela qualidade de seus laminados
a quente, um ano atrás.
Os compradores de aço
também deixaram claro nos últimos anos que
não querem Ter dor de cabeça com suprimentos
rejeitados. Os maiores fregueses da siderurgia americana
- as grandes fabricantes de automóveis - foram bem
insistentes quanto à qualidade a ponto de criar,
em 1994, seu próprio certificado de qualidade.
A GM, a Ford e a então
Chrysler (hoje DaimlerChrysler) criaram o QS 9000. "Nos
últimos anos, as siderúrgicas receberam uma
mensagem clara das montadoras" quanto à necessidade
de aprimorar a qualidade, disse Rick Broxton, gerente de
QS 9000 da distribuidora de aço americana Kenwal
Steel Corporation, que recebeu a certificação
em 1998.
A Kenwal não fabrica aço.
Seu negócio é comprar das usinas e distribuir
para consumidores de diversas indústrias, entre elas
as montadoras de automóveis. Mas, de acordo com Broxton,
a empresa luta para reduzir ao máximo a devolução
de partes rejeitadas pela clientela - e para isso "trabalhamos
bem próximo das usinas". Segundo o executivo,
o índice de rejeição hoje na Kenwal
está abaixo de 0,5%. O objetivo, no entanto, pelas
próprias palavras de Broxton, é "não
ter nada voltando" para a distribuidora.
O caso da Kenwal pode ser visto
como uma realização de algo que muitos previam
no fim dos anos 80, quando o assunto "qualidade total"
começava a virar moda: que a demanda de qualidade
provocaria uma reação em cadeia a se espalhar
por todos os elos da corrente de valor. Se o fabricante
de veículos chega à conclusão de que
precisa cortar custos com a rejeição de material,
vai passar o problema aos seus fornecedores de peças,
e estes para quem lhes fornece matéria-prima. Resultado:
para aumentar a fatia de mercado, é bom levar a qualidade
a sério.
Na produção de embalagens,
o Instituto do Ferro e do Aço (AISI, na sigla em
inglês) destaca que as novas qualidades de aço
causaram o desenvolvimento de novos tipos de latas que,
o instituto esperava, levarão o aço de volta
ao mercado de bebidas.
A entidade garante que mais de
US$ 35 bilhões foram investidos na modernização
das fábricas de aço dos Estados Unidos na
última década, resultando em produtos "mais
limpos, com mais qualidade do que nunca", conforme
um relatório do AISI sobre as respostas das siderúrgicas
americanas às mudanças no mercado.
Steve Pettyjean é uma
testemunha disso. Há mais de uma década ele
dá consultoria a siderúrgicas que pretendem
obter uma certificação e também atua
como fiscal dos órgãos registradores para
checar o cumprimento das normas - e garante que hoje essas
empresas estão mais preocupadas com qualidade do
que dez anos atrás.
"É um efeito bola-de-neve",
diz o consultor," que começa com as pessoas
demandando mais qualidade". A conseqüência
dessa "bola-de-neve" é que hoje o termo
"qualidade" significa "ter de atender
às expectativas dos clientes, as quais sobem
constantemente", ele afirma.
Não é de espantar,
portanto, que empresas como a Gibraltar Steel Corp. (uma
processadora de produtos siderúrgicos de alta qualidade
e fornecedora de sucata também de alta qualidade
para aplicações industriais) tenha se empenhado
em enquadrar seus processos às normas de qualidade.
"A QS 9000 é obrigatória
para os fornecedores da indústria automobilística",
lembra Kenneth P. Houseknecht, diretor de relações
com o mercado da Gibraltar, que hoje tem todas as suas unidades
certificadas e divulgou uma receita de US$ 167,63 milhões
no trimestre encerrado em 31 de março, com lucro
de US$ 6,02 milhões.
A unificação das
normas de qualidade das montadoras também ajudou
os fornecedores delas, segundo Houseknecht. Antes da QS
9000, "os fornecedores tinham mais trabalho",
tendo de seguir normas diferentes para cada grande cliente.
Além disso, o processo para obtenção
do certificado ajudou a Gibraltar a olhar para seu próprio
processo e identificar aspectos que precisavam melhorar.
Pettyjean acrescenta que, para
atingir os padrões de qualidade, é preciso
"trabalhar com as pessoas, treiná-las, envolvê-las",
e fazer isso "dia após dia". O consultor
depende que os empregados , especialmente os de chão
de fábrica, trabalham melhor quando "sabem para
quem estão trabalhando". Por isso, ele acredita
que a qualidade da produção depende, em parte,
de gastar-se algum tempo transmitindo informações
aos funcionários.
Os benefícios disso? Pettyjean
os relaciona: "Aumentar seu lucro, reduzir o desperdício,
melhorar sua entrega, ganhar mais produtividade e melhorar
o retorno de clientes, por atender às suas queixas
e ter mais agilidade para resolver os problemas".
Fonte: Revista Metalurgia &
Materiais
CHIP Tuning:
o chip que transforma o motor
O que é o tão comentado
Chip Preparado? Como um simples componente eletrônico
pode aumentar de maneira tão sensível a potência
de um motor em até 30% ou mais? Parece um milagre!!!
Se na prática esse aumento de potência é
uma realidade não tem nada de milagre e a explicação
é simples:
O Chip na verdade é uma
memória eletrônica onde são armazenados
os parâmetros com quais o motor vai funcionar como
se fosse uma "regra do jogo" : Quantidade de gasolina
injetada, momento de ignição (ponto), giro
de"corte", pressão máxima do turbo
em carros turbinados (parte mais importante na qual vamos
voltar), velocidade máxima (250 km/h na maioria dos
carros alemães) etc...
Acontece que a grande maioria
das montadoras mantêm esses valores em uma faixa sempre
muito razoável por motivos óbvios de garantia
e longevidade dos motores. Não que valores mais elevados
representam em si um perigo para a vida útil do motor,
mas em função da variedade de motoristas,
as montadoras preferem "limitar" de fabrica o
desempenho dos motores e assim não correr risco de
confiabilidade.
Os preparadores ao "reprogramar"
o chip agem exatamente nesses parâmetros procurando
a melhor equação de desempenho e o resultado
obtido varia muito de marca para marca e de modelo para
modelo, sempre em função da "preocupação"
inicial do fabricante.
Nesse garimpo de cavalos, temos
vários tipos de resultados. Em carros aspirados de
baixas cilindradas como nos 1.0 (sempre eles...) o efeito
da preparação é pouco sensível
pois frente à "guerra" entre as montadoras
nacionais, os "populares"(...) já saem
de fábrica bem otimizados (lembram quando os 1.0
tinham 50 cv) para enfrentar seus concorrentes nas páginas
das nossas revistas preferidas... De modo geral a "preparação"
gera uns 3 cv a mais e um aumento forte de consumo pois
esse "ganho" é conseguido pelo aumento
do volume de combustível entre outras coisas.
Já nos carros de maior
cilindrada a margem de segurança colocada pela montadora
é mais alta dando espaço a uma preparação
mais séria. Mas sem dúvida alguma é
nos carros turbinados que a preparação é
a mais eficiente por um motivo simples: Ao "aumentar"
a pressão máxima do turbo o ganho de potência
e torque é realmente impressionante.
Na grande maioria dos casos o
carro fica também muito mais econômico pelo
rendimento superior do motor. A giro e volume de combustível
injetado igual, a potência é muito maior.
Conclusão: para andar à
mesma velocidade do que no carro original precisa pisar
bem menos no acelerador. E os resultados são realmente
impressionantes. Consegue-se ganhar em um carro equipado
como já famoso 1.8 T da VW/Audi mais de 30 km/h de
velocidade final e 2 s no 0 à 100 km/h pela elevação
das performances do motor mas também pela possibilidade
de "encher" mais o motor e efetuar as trocas em
rotações mais altas não deixando a
pressão do turbo cair.
A realização desta
preparação é quanto a ela, um pouco
mais polêmica. Casas especializadas oferecem um "re-mapeamento"
com auxilio de um lap-top, modificam os parâmetros
seguindo critérios pessoais (que podem ser bons)
e vão testando as mudanças no carro em movimento.
Os tuners do mundo inteiro oferecem
chips preparados com parâmetros já definidos
(frutos de pesquisas, testes, e engenharias) mais ou menos
desenvolvidos que fazem a diferença e justifica as
variações de preços praticados no mercado
(a principio um chip "virgem" é muito barato).
A potência muitas das vezes
é nominalmente a mesma, mas o que importa é
o como se chega a esta potência para não arriscar
o motor ou ser promovido a mestre de bateria administrando
as batidas de pinos e outros trancos.
De modo geral pode-se confiar
nos grandes nomes do tuning que não poderiam se dar
ao luxo de não oferecer um produto altamente testado
e aprovado. Em certos casos a montadora mantém a
garantia original do motor como é o caso da Oettinger
com a Audi no exterior.
Um aspecto importante a ser verificado
quando se adquira um chip no exterior, é a qualidade
da gasolina pela qual ele foi desenvolvido. Nos USA e na
Europa a octanagem utilizada é bem superiora à
nossa premium ( 98 contra 91.....) e raros são os
preparadores que desenvolveram um Chip "91". Um
outro aspecto é a pirataria: Um chip uma vez desenvolvido
é "facilmente" copiável. Por este
motivo encontra-se muitas diferenças de preços
no mercado mas geralmente os "piratas" não
dispõem das últimas versões.
O Chip Tuning é sem sombra
de dúvida uma ótima opção para
quem deseja otimizar as performances do seu carro sem prejudicar
sua vida útil podendo ainda ser facilmente reversível,
a um custo muito baixo em relação à
preparações "clássicas",
tendo ainda resultados realmente impressionante sem motores
turbinados.
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