| Mecânica
Online
Edição 10 - Outubro de 2000
Conteúdo básico
Como evitar
roubos de carros
O roubo e furto de carros aumenta a cada dia: só
no Estado de São Paulo foram afanados 221.774
veículos em 1999, aumento de 26% em relação
ao ano anterior, segundo a Secretaria de Segurança
Pública. Desse total, mais de 50% não foram
recuperados.
Na Capital, por onde circulam
aproximadamente 5 milhões de automóveis, ocorrem
51,49% dos casos a frota em todo estado é
12 milhões de veículos.
É possível
evitar, ou pelo menos dificultar, a ação dos
ladrões nos casos de furto. O criminoso leva
cerca de um minuto para abrir o veículo e colocá-lo
em movimento, alerta o delegado titular da 1ª
Delegacia da Divisão de Investigações
sobre Furtos e Roubos de Veículos de Cargas (Divecar),
Manoel Camassa. Ele dá algumas dicas para evitar
que o carro seja furtado:
. Nunca estacione em lugares
ermos e escuros.
Ao estacionar, trave o veículo.
. Jamais deixe a chave reserva e o documento no interior
do veículo.
. Verifique se o manobrista trabalha de fato para o restaurante
ou o estabelecimento diante do qual você estacionou.
. Instale equipamentos de segurança como alarme,
traves e corta ignição.
. Faça sempre o seguro do carro.
. Os roubos, quando o assaltante usa de violência,
também podem ser evitados. Lembre-se: ladrão
não tem preferência por vítima. Ele
escolhe aquela que estiver dando sopa. Por isso,
procure seguir estas dicas.
Observe a movimentação na rua, antes de embarcar
e desembarcar do veículo.
À noite, respeite os semáforos. Se o sinal
ficou vermelho, reduza a marcha e diminua a velocidade.
Dirija de tal forma que, ao chegar ao cruzamento, o sinal
esteja aberto para você.
Evite usar relógios, pulseiras, correntes, celulares
e outros objetos que chamem a atenção. Para
o ladrão, isso é sinônimo de boa conta
corrente.
Jamais espera por uma pessoa dentro do veículo.
Namorar dentro do carro pode ser gostoso, mas é coisa
do passado.
Deixe os espelhos retrovisores bem colocados para perceber
qualquer movimento ao redor.
Cuidado com os falsos vendedores e pedintes.
Se mesmo com todos esses cuidados você for alvo de
assaltantes, tente manter a calma, não faça
movimentos bruscos nem reaja. É preferível
perder o patrimônio do que a vida.
Como ressuscitar
um velho carro da família
O carro da família está parado há
muitos anos na garagem: como trazê-lo de volta à
vida?
Acompanhe esse roteiro:
Se o carro for importado, uma boa forma de começar
é conseguir um catálogo de peças. Nos
EUA, há lojas especializadas em marcas específicas
que têm de tudo, mesmo para modelos muito antigos.
Normalmente, motores que ficam
parados por cinco ou dez anos acabam colando. É
preciso tirar as velas, encher os cilindros com querosene,
deixar de molho por três dias e só então
(com as velas fora do lugar), virar o motor com as mãos,
bem devagar.
Virar no arranque é muito
brusco e pode arranhar as paredes dos cilindros.
Depois que o motor estiver bem
solto, é hora de trocar o óleo do cárter,
do câmbio e do diferencial. Também é
hora de substituir os reparos do carburador e das bombas
de água e gasolina.
O tanque merece uma limpeza, assim
como o radiador. Chega a hora de ligar o carro: deve-se
botar uma bateria nova (se for de seis volts, é preciso
alguma procura, mas elas ainda existem), pôr gasolina
no tanque, encher o radiador e chamar no arranque.
Se o motor funcionar, a etapa
seguinte é a revisão dos freios (que devem
estar colados). Deve-se tirar as rodas, trocar os reparos
dos burrinhos e pôr novos mangotes.
A partir daí o carro está
pronto para rodar. É só arranjar um mecânico
paciente e ir cuidando dos probleminhas que, inevitavelmente,
irão aparecer nesse recomeço.
Assentos
ou cintos? Como proteger melhor as crianças
Crianças entre 4 e 8 anos precisam de assentos
especiais; cintos de segurança não são
a melhor maneira de protegê-las
O uso do cinto de segurança
por crianças, em lugar de assentos especialmente
desenvolvidos para elas, aumenta o risco de ferimentos e
mortes em acidentes. A constatação é
de um estudo divulgado pela revista Pediatrics, da Academia
Americana de Pediatria.
A pesquisa reforça a campanha
promovida pelo governo norte-americano para incentivar o
uso de assentos por crianças que ultrapassaram o
tamanho de suas "cadeirinhas". Com idades entre
4 e 8 anos e pesando ente 20 e 40 quilos, ou medindo menos
de 1m47, elas não são suficientemente protegidas
pelo uso do cinto, que só é eficaz para crianças
acima dos 9 anos de idade.
Nos Estados Unidos, acidentes
de automóvel são a principal causa de morte
de crianças acima de um ano de idade. Em 1998, 697
crianças abaixo de 6 anos de idade morreram e quase
100 mil sofreram ferimentos em acidentes nos Estados Unidos.
O estudo foi coordenado pela Dra.
Flaura K. Winston, do Hospital Infantil da Filadélfia.
Foram examinados dados sobre acidentes envolvendo 2.077
crianças de 15 estados americanos, com idades entre
2 e 5 anos.
O uso de cintos por crianças
entre 2 e 5 anos, em detrimento dos assentos especiais,
aumenta 3,5 vezes o risco de morte ou ferimentos em acidentes,
conclúi o estudo. O principal risco corrido pelas
crianças é o chamado "efeito submarino",
ou seja, escorregar por baixo do cinto durante uma colisão.
Isso pode provocar ferimentos no abdomen, coluna vertebral
e batidas com a cabeça nos joelhos ou no interior
do veículo.
Toque feminino
Mulheres levam vantagem sobre
os homens nas estatísticas nacionais de trânsito
O homem é piloto
e a mulher é motorista. A afirmação
é da Presidente da Associação Nacional
de Psicologia de Trânsito, Telma Nunes dos Santos.
Poderia soar como mais um rancoroso discurso feminista não
fossem os dados que comprovam as palavras da psicóloga.
Para se ter uma noção,
das 28 mil carteiras de habilitação apreendidas
pelo Detran de São Paulo no último mês
de junho, apenas 280 pertenciam ao sexo feminino. Ou seja,
99% das infrações identificadas no trânsito
paulistano são cometidas pelos homens.
É evidente que o número
de mulheres no trânsito ainda é inferior ao
de homens. Apenas 24% das 31,3 milhões de carteiras
de habilitação expedidas no Brasil até
fevereiro deste ano foram para mulheres - algo em torno
de 7,6 milhões de habilitações -, segundo
dados do próprio Denatran, Departamento Nacional
de Trânsito.
Esta é uma das razões
pelas quais a mulher aparece pouco nas estatísticas.
Além disso, quando há um casal no carro, na
maior parte das vezes é o homem que dirige. De acordo
com a Polícia Rodoviária Federal, no primeiro
semestre deste ano foram registrados nas rodovias federais
brasileiras 55,5 mil acidentes, com 3,3 mil mortos. Os acidentes
envolveram 94,7 mil condutores dos quais 5,7 mil eram mulheres,
cerca de 6% do total. Pouco mais de 10% das motoristas acidentadas
morreram.
Pelas estatísticas parece
que a mulher está enfrentando o caos no trânsito
com desenvoltura. Algo que até 20 anos atrás
era ainda um assunto dominado apenas pelos homens. Até
a década de 80, o veículo escolhido por elas
- muito mais devido ao apelo estético que pelo desempenho
- era bancado quase sempre pelo pai ou marido e deveria
ser, no máximo, charmosinho, para impressionar
as amigas.
Atualmente, é comum encontrar
as mulheres a bordo de potentes carrões,
comprados por elas mesmas.
De acordo com recentes estudos
sobre o comportamento das mulheres ao volante, nos próximos
30 anos é provável que elas se tornem tão
agressivas quanto os homens. Telma Nunes diz que a ala feminina
vê o carro como símbolo de independência.
Assim como competem no mercado de trabalho com os homens,
no volante acontece o mesmo. Segundo a psicóloga,
a Dona Maria - alcunha que as mulheres inevitavelmente
recebem em discussões no trânsito - está
deixando de existir.
Hoje a mulher não apenas
enfrenta o trânsito como faz dele um aliado em novas
profissões. No Rio de Janeiro, algumas empresas de
ônibus urbanos resolveram apostar na ala feminina
ao volante de coletivos. Há quatro meses a Viação
São Silvestre contratou duas mulheres que estão
superando as expectativas na direção dos ônibus.
Ficamos receosos, mas estamos muito satisfeitos. Não
tivemos qualquer acidente, multa ou reclamação
dos passageiros, confessa o inspetor geral da empresa,
José Fernandes Cardoso.
Estas profissionais, porém,
ainda são minoria. Elas ocupam menos de 1% do quadro
de motoristas nas empresas de transporte coletivo no município
carioca. Em outros centros urbanos, este percentual é
ainda menor.
No entanto, no que depender do
inspetor Fernandes, as mulheres já têm vaga
garantida no mercado. Se pudesse, trocaria meus 500
motoristas por mulheres, valoriza ele.
As companhias de seguros também
apostam na forma como as mulheres conduzem os veículos.
Elas são melhores condutoras que os homens,
batem menos e, quando se envolvem em acidentes, os danos
geralmente são bem menores, observa o vice-presidente
da Sul América Seguros, Julio Avelar. Para ele, esse
comportamento está ligado ao instinto maternal. A
mulher é mais cautelosa. Ela tem o instinto de preservação,
logo tem muito mais cuidado, psicanalisa.
De qualquer forma, o velho ditado
mulher no volante, perigo constante está
cada vez mais antigo. Além dos elogios pela prudência
com que dirigem, as mulheres também pagam até
60% menos que os homens ao optar pelo seguro. Elas também
não dispensam a assistência 24 horas, já
que a perspectiva de ficar na rua com o carro enguiçado
ainda é vista com indisfarçável temor.
Ter um automóvel com seguro
muitas vezes não chega a ser sinônimo de sossego
para as mulheres. Vistas ainda como sexo frágil
principalmente pelos assaltantes, elas são as vítimas
preferidas de furtos em sinais de trânsito e seqüestros-relâmpago,
quando ficam em poder do bandido durante horas sacando dinheiro
em máquinas de banco, por exemplo.
Na cidade de São Paulo,
as motoristas são o alvo perfeito para os ladrões
muitas vezes por mera distração. É
uma conversa ao celular, uma retocada no batom e um papo
mais demorado com a amiga que as põe em risco,
acredita Telma.
Com medo de dirigir sozinhas,
muitas mulheres estão recorrendo ao companheiro
virtual. Trata-se de um boneco feito em fibra de vidro
que, aos poucos, está se tornando uma obsessão
entre socialites e profissionais liberais do eixo Rio-São
Paulo.
Sopa de Letrinhas
Assim como ocorre com relação
aos acessórios, o Código de Trânsito
Brasileiro também é confuso na definição
das categorias de habilitação - chega a exigir
habilitações diferentes para veículos
muito semelhantes.
A categoria A, por exemplo, permite
dirigir motos e triciclos de qualquer cilindrada. Já
a categoria B é para os motoristas de veículos
automotores não abrangidos pela categoria A
cujo peso bruto total não exceda os 3,5 mil kg e
com lotação de até oito lugares, excluído
o motorista.
A categoria C destina-se a motoristas
de veículos de transporte de cargas com peso bruto
total superior a 3,5 mil kg, enquanto a D é, igualmente,
para veículos de transporte, só que de passageiros
e com capacidade para mais de oito passageiros, sem o motorista
- mas sem restrições de peso.
A categoria E, por sua vez, destina-se
a motoristas de qualquer veículo, mas que esteja
com reboque, semi-reboque ou articulado com peso bruto de
6 mil kg ou mais ou ainda qualquer trailer.
Com essas definições,
conclui-se, por exemplo, que para se dirigir uma van Besta
de nove lugares - incluindo o motorista, basta a categoria
B.
Mas se a van for uma Hyundai H100
de 12 lugares, é preciso da D. Ou seja, modelos parecidíssimos,
habilitação bem diferente. Já o motorista
de um carro de passeio que estiver rebocando um trailer
leve ou pesado deverá ter habilitação
categoria E, a mesma de quem estiver ao volante de um enorme
e pesadíssimo caminhão articulado. Mas o motorista
de um motor-home - teoricamente - não tem com que
se preocupar: o código não define claramente
qual deveria ser sua habilitação.
O
Salão do otimismo
O 21º Salão do Automóvel reúne
os maiores
fabricantes com mais de 40 lançamentos
O Salão do Automóvel apresentou 300 modelos
em exposição, muitos deles inéditos.
Nos 40 anos de existência do Salão, que nasceu
praticamente junto com a indústria automotiva nacional,
poucas vezes tantas novidades foram reunidas em um único
espaço.
A profusão de novidades
e lançamentos ocorre num momento em que as grandes
montadoras mundiais vêem o Brasil como um mercado
potencialmente interessante e porta de acesso para a América
Latina. Ao mesmo tempo, as montadoras já instaladas
no país, atravessam um período de recuperação
e veem com otimismo o crescimento do mercado interno e perspectivas
de exportação. Dados da Anfavea - Associação
Nacional de Veículos Automotores indicam que a produção
nacional deverá chegar a 1,65 milhão de veículos,
com boas possibilidades de produção maior
no ano que vem.
O 21º Salão Internacional
do Automóvel de São Paulo tem expostos 300
veículos, sendo que 40 deles são inéditos
no país. Além de novidades, o Salão
apresenta vários modelos que entrarão em breve
nas linhas de produção nacionais, como é
o caso do monovolume Citroën Picasso, da minivan Chevrolet
Zafira e do novo Honda Civic, em sua sétima geração.
A exposição pode
ser dividida, grosso modo, entre o sonho e a realidade.
Na qualidade de "sonho" pode-se incluir um sem
número de carros-conceito que têm apenas um
efeito "pirotécnico", cuja função
é mostrar até onde vai a criatividade dos
designers. Nessa ala podemos incluir, entre tantos outros,
o Celta Spider, um conversível criado a partir do
popular Celta, que dificilmente um dia ganhará as
linhas de produção; o L200 Tractor, uma inimaginável
pick-up com esteiras; o gigantesco utilitário-conceito
Dodge Power Wagon e o futurista Renault Avantime.
Na "ala" da realidade,
é possível apreciar um grande número
de lançamentos mundiais e nacionais que estão
ou entrarão em produção em breve. Alguns
modelos chegaram a surpreender até mesmo o público
especializado. É o caso do jipe Chevrolet Tracker,
modelo gêmeo do Suzuki Vitara que será produzido
na Argentina e vendido no Brasil pela GM. A GM também
mostrou o minivan Zafira, um grande sucesso na Europa que
começará a ser produzida no Brasil.
A Peugeot, que inaugura fábrica
dentro de alguns meses no Estado do Rio, mostrou o 206 nacional
com motor 1.0 e a versão conversível do mesmo
modelo, ao lado do sedã "top" da marca,
o 607. A Honda mostra o Civic sedã sétima
geração que começa a ser produzido
na fábrica de Sumaré em dezembro, ao lado
do carro híbrido Insight e o roadster S2000, entre
outros modelos.
A Ford apresenta ao público
os recém lançados Focus hatch e sedã
e mostra os conceitos pick-up F150 Lightning e Focus YGEN.
Outra boa surpresa do Salão é ver o S60, lançado
ao mesmo tempo no Brasil e na Europa.
Das grandes montadoras, a que
menos novidades apresentou foi a Volkswagen, que apresenta
o inédito sedã Bora, um carro mexicano que
começa a ser importado pela marca e o "novo"
Polo Classic, um modelo que sempre atingiu índices
medíocres de vendas. No restante de seu stand estão
expostos quatro conceitos: o Gol Turbo Concept, o Saveiro
EDP III, o sedã Concept D e a pick-up futurista AAC,
que acaba sendo a grande atração da marca
na exposição.
A Alfa Romeu e A Ferrari têm,
ao lado de marcas sofisticadas como Jaguar, Porsche e Audi,
os stands mais atraentes para os amantes da sofisticação.
Na Alfa Romeu estão o badaladíssimo hatch
147, lançamento europeu, e a Sportwagon 156, ao lado
do conceito Nuvola. A Ferrari lança no Salão
de São Paulo a 360 Spider, a versão conversível
do F360 e outras preciosidades da marca.
A Audi mostra quatro grandes
lançamentos: o compacto A2, feito totalmente em alumínio
e lançado há pouco na Europa, a perua esportiva
RS4, o sedã esportivo S6 e a station lameira Allroad.
Para completar o circuito da sofisticação,
a BMW exibe o roadster Z8, o esportivo M3 e a versão
conversível da Série 3 e a Porsche a versão
mais nervosa da linha 911, a Turbo.
A hora e a vez do Recall
Recall. Muito além
de mais uma palavra do idioma inglês que caiu no uso
dos brasileiros, o termo (traduzível por "chamar
de volta" ou convocar), utilizado pela indústria
automobilística para o recolhimento e troca de peças
defeituosas dos veículos, está virando moda.
No mundo competitivo em que vivemos,
as empresas correm atrás da concorrência, lançando
produtos atrás de produtos.
Inovações tecnológicas
às vezes são colocadas nos veículos
sem testes tão exaustivos como se deveria. Outras
vezes a culpa é mesmo dos fornecedores das peças
que compõem o veículo.
Componentes fabricados com falhas
de projeto, mau uso de matéria-prima ou mesmo falta
de testes mais rigorosos podem comprometer a durabilidade
e a segurança do veículo, colocando em risco
até mesmo a vida dos ocupantes. E, claro, não
se podem descartar as falhas normais de um processo de produção
em série.
Problemas de encoragem dos cintos
de segurança do Palio 1.000 e de toda a linha Corsa:
os mais recentes recalls de carros nacionais
Desde 1969, quando a Ford -- pioneira
em recalls de automóveis no Brasil -- assumiu publicamente
um erro na montagem da caixa de direção do
Corcel, convocando todos os proprietários a um serviço
de ajuste, até os dias de hoje foram mais de 120
chamadas de todas as fábricas e diversos importadores,
abrangendo algo como três milhões de automóveis.
Naquela época havia um temor por parte dos engenheiros
da Ford, que viram ali um possível fim do modelo.
Ao contrário, a iniciativa valeu uma confiança
ainda maior do público para com a marca.
Recentemente, nos Estados Unidos,
a Firestone assumiu o mea-culpa dos defeitos dos pneus para
utilitários ATX, ATX II e Wilderness AT. Cerca de
6,5 milhões de pneus fabricados com possíveis
defeitos estão sendo trocados, na segunda maior operação
dessa natureza já vista no mundo todo.
O complexo ajuste de alinhamento
do Corcel, em 1970, foi corrigido com a fixação
da caixa de direção em posição
intermediária. Foi o primeiro recall da indústria
brasileira.
Apesar de a iniciativa ter partido
da própria Firestone, foi a Ford que divulgou mais
amplamente o programa, já que 62 mortes e mais de
100 pessoas feridas foram atribuídas ao problema.
A marca chegou a suspender por duas semanas a produção
de três fábricas de utilitários nos
Estados Unidos, para formar um estoque de cerca de 70 mil
pneus e facilitar a substituição dos que equipam
o Explorer.
Caso ainda mais recente, e de
proporções também assustadoras, é
o dos cintos de segurança de todos os Corsas produzidos
mundialmente -- mais de 1,3 milhão só no Brasil.
Uma fadiga no sistema de fixação pode provocar
a soltura do cinto justamente quando se precisa deles, como
ocorreu com um Pickup Corsa acidentado em Minas Gerais.
O curioso é que defeitos
como este não aparecem em testes de impacto (crash-tests),
pois dependem de uso prolongado para que possam ocorrer
-- no caso do picape, segundo a marca, a quilometragem superava
170.000 km.
Logo após a GM, a Fiat
anunciou um recall de 320 mil Palios pela mesma razão
-- potencial soltura dos cintos --, mas sem registro de
ocorrência em acidentes.
O
Classe A capotou em testes de estabilidade da imprensa européia.
A Mercedes reviu o projeto, efetuou amplas modificações
e até ofereceu carros
Classe C para os proprietários até chegar
a uma solução.
Problemas com projeto e fabricação
podem ocorrer logo após o lançamento do veículo
no mercado. Isso ocorreu com o Classe A da Mercedes-Benz.
Em testes de estabilidade pela imprensa européia,
o veículo em slalom (ziguezague) capotou. Os engenheiros
voltaram à prancheta e descobriram que os testes
feitos em computador não previam situações
como o teste extremo de "desvio de alce", promovido
regularmente pelos jornalistas com os candidatos ao título
de Carro do Ano europeu.
Após vários estudos,
a MB modificou amplamente a suspensão, rodas, pneus
e adotou o controle de estabilidade, o que resultou em custos
adicionais no projeto do veículo, não repassados
ao valor final no mercado europeu.
Segunda maior convocação
da história, a dos pneus Firestone atinge 6,5 milhões
de unidades, às quais se atribuem 62 mortes. No Brasil
equiparam o Ford Explorer.
Já a Audi enfrentou problemas
de estabilidade em alta velocidade com o TT, que resultaram
em modificações de suspensão e adoção
de spoiler traseiro. Os acidentes ocorreram em autoestradas
alemãs, razão pela qual a marca demorou a
oferecer o recall em países de limites de velocidade
mais baixos, como Estados Unidos e Brasil. Curiosamente,
muitos usuários preferiram não adotar o spoiler,
preferindo estética a segurança...
A maioria dos defeitos apresentados
em carros importados para o Brasil decorrem da má
adaptação do veículo às condições
nacionais, a chamada tropicalização. Normalmente
ela é feita em itens como suspensão e sistema
de alimentação, adaptando o veículo
às condições de estrada, combustível
e clima.
| Seu
carro pode estar em risco |
| Se você comprou um
carro usado ou -- mesmo se primeiro dono -- não
tem acompanhado os anúncios de recalls na imprensa,
fique atento: ele pode estar incluído em alguma
operação do fabricante. As últimas
anunciadas no Brasil foram: |
| Palio: toda a linha
1.000 (incluindo hatch, Siena e Weekend) e também
o picape Strada, fabricados de maio de 1998 a agosto
último (cerca de 320 mil unidades), devem ter
instaladas peças de reforço na ancoragem
dos cintos de segurança dianteiros para evitar
sua soltura em um acidente. Serviço estimado
em 15 minutos em concessionária. |
| Corsa: qualquer versão,
motorização, carroceria ou procedência
(São José dos Campos, São Caetano
do Sul, SP, e Rosário, Argentina), fabricado
até dezembro de 1999 (mais de 1,3 milhão
de veículos), e também o esportivo Tigra,
importado da Espanha em 1998 e 1999 (cerca de 4.000
unidades). A falha pode soltar os cintos de segurança
em eventual colisão. Um reforço é
adicionado à ancoragem, em serviço gratuito
e estimado em 20 minutos pela GM. |
| Golf e A3: ambos os
modelos, produzidos este ano no Brasil, podem exigir
substituição do braço da suspensão
dianteira. Falha na solda pode levar à soltura
do braço, com risco de perda do controle do carro.
A VW alega que o defeito é progressivo e que
ocorre ruído antes da soltura. São 28
mil unidades, metade delas exportada. |
Já as grandes marcas efetuam
nos veículos nacionais amplos testes de durabilidade,
onde o veículo é colocado à toda prova,
rodando normalmente em torno de 100.000 km em condições
severas de utilização. Não há
notícias de que os importados para o Brasil tenham
passado por teste similar para rodar por aqui.
Problemas de estabilidade causaram
acidentes também com o Audi TT, que ganhou suspensão
modificada e spoiler traseiro. Mas muitos usuários
preferiram não adotar o defletor, para não
perder estilo em favor da segurança
Fogo no Tipo
- Um dos casos mais conhecidos de má adaptação
às condições brasileiras foi do Fiat
Tipo, que teve mais de 40 incêndios entre os anos
de 1995 e 1996, muitos deles com destruição
total e prejuízos a terceiros.
No primeiro recall a Fiat atribuiu
o problema ao tubo condutor do ar quente para o filtro de
ar, que estaria sendo danificado por lavagens do motor com
produtos químicos e pelo clima quente de certas regiões.
Como o problema não se
resolveu, a Fiat partiu para uma solução efetiva.
Em uma segunda chamada foi reparada a tubulação
hidráulica do sistema de direção assistida,
que permitia vazamento de fluido sobre o coletor de escapamento
e outras partes quentes junto ao motor, sobretudo quando
o carro era estacionado com o volante muito esterçado.
A Fiat quis convencer que o problema
do Tipo era a lavagem do motor com produtos químicos...
A falha, na verdade, era na tubulação da direção
assistida
Ao que parece, o problema foi
resolvido. A associação criada para defesa
das vítimas, Avitipo, ganhou na Justiça e
os casos serão indenizados um a um. Mas a imagem
do carro no mercado estava já bastante desgastada,
com grande desvalorização dos modelos e a
condenação do modelo nacionalizado, produzido
em Betim, MG.
As campanhas de recall podem ser
corretivas ou preventivas. Em muitos casos a montadora convoca
os proprietários para efetuarem reparos ou troca
de peças que não colocam a vida dos ocupantes
em risco. Foi o caso da Mercedes, que convocou proprietários
do Classe C para a troca do fecho do capô, que poderia
se abrir parcialmente com o carro em movimento. A peça
custa em média US$ 10, mas a Mercedes fez isso porque
apenas sete carros apresentaram o problema.
Acusa-se a Mitsubishi
de esconder, no Japão, documentos com defeitos de
diversos modelos, incluindo o Lancer vendido aqui
Em contrapartida, recentemente
a Volvo diagnosticou a deficiência no sistema de suspensão
de 116 mil unidades do sedã S80 e da perua V70 e
iniciou um recall na Europa, mas a empresa no Brasil vai
esperar mais informações da Suécia.
Ocorre, assim, certa morosidade para resolver o caso, já
que o defeito é apresentado quando o veiculo trafega
em terrenos acidentados e no Brasil terreno acidentado é
o que não falta.
Essa demora em iniciar a campanha
não é privilégio da Volvo. A maioria
das fábricas leva meses -- ou até anos --
para definir alguma estratégia de recall. No Japão,
o Ministério dos Transportes estuda abrir um processo
contra a Mitsubishi, acusando-a de esconder documentos há
mais de 20 anos que mostravam defeitos em diversos modelos
da marca, inclusive Lancer e Galant, também vendidos
no Brasil. O presidente da empresa já pediu demissão
por conta do caso, a exemplo do da Bridgestone-Firestone.
Golf e Audi A3 brasileiros
saíram com falha nos braços da suspensão
dianteira:
risco de perda de controle, como no recall anunciado tempos
atrás para o Astra
Ainda no problema dos pneus, a
Ford acusa a Bridgestone de ter conhecimento do problema
há mais de três anos -- mas comenta-se que
a própria Ford sabia do problema há mais tempo,
sem também tomar uma atitude. E a GM está
na mira de entidades de defesa do consumidor, que analisam
se ela já sabia do defeito dos cintos do Corsa há
um ano e meio, já que houve tempo de melhorar o sistema
já na linha 2000.
Recall sempre indica alguma falha,
mas não é privilégio de carros problemáticos
nem indicativo de baixa qualidade. A Rolls-Royce, que dispensa
apresentações, detectou há algum tempo
defeito no termostato do sistema de aquecimento dos bancos,
que estava permitindo temperatura muito elevada. Seja por
um grande risco ou por um inconveniente quase imperceptível,
o recall demonstra atenção e respeito ao consumidor.
É sua satisfação e segurança
que estão em jogo.
Na alegria e
na tristeza
Dentro
da onda de recalls que vêm se registrando em todo
o mundo, um fato chama a atenção. Em março,
a General Motors e a Fiat anunciaram aliança estratégica
mundial destinada a unificar suas operações
de compras e projeto/fabricação de motores
e transmissões. Pelo acordo, a GM passou a deter
20% das ações da Fiat Auto e a Fiat, pouco
mais de 5% do capital acionário da General Motors
Corporation.
Ocorre que dia 16 último a GM do Brasil anunciou
o recall de mais de 1,3 milhão de Corsas, devido
a problema de soltura de uma das três ancoragens de
ambos os cintos de segurança dianteiros. Passados
apenas três dias, foi a vez da Fiat brasileira anunciar
convocação de 320 mil Palios e família,
também por problema de cinto de segurança
dianteiro, que não resistiu a teste de impacto patrocinado
por uma publicação. Juntas, agora aliadas
-- desta vez na tristeza.
Recall
de Ford atinge 1,7 milhão
Juiz americano manda recolher 28 modelos e acusa montadora
de omitir defeito. Taurus foi importado para o Brasil
OAKLAND, EUA - Em uma decisão
sem precedentes, o juiz da Corte Superior Michael Ballachey
determinou que a Ford faça recall de até 1,7
milhão de veículos Ford, fabricados entre
1983 e 1995, acusando a montadora de "encobrir um problema
perigoso" de seus carros.
É a primeira vez que um
juiz americano ordena um recall de veículos. Entretanto,
a decisão se aplica exclusivamente aos carros vendidos
na Califórnia. O porta-voz da companhia, Jim Cain,
disse que a Ford irá recorrer da sentença.
A decisão responde a uma
ação apresentada por cerca de 3,5 milhões
de consumidores californianos, proprietários e ex-proprietários
de veículos afetados. Em agosto, Ballachey já
havia alertado os advogados da Ford, anunciando que iria
determinar o recall. Na ocasião, o juiz acusou a
Ford de ter conhecimento dos problemas nos módulos
de ignição há cerca de duas décadas.
Condição perigosa
- Segundo documentos apresentados pelo advogado Jeffrey
Fazio, o mecanismo de ignição está
situado bem próximo ao motor, o que faz com que se
aqueça e sofra pane. Assim os carros afetados "morrem"
de forma inesperada logo após o arranque. A retirada
dos veículos suspeitos acontecerá até
que os tribunais julguem o recurso da Ford e determinem
quando e como será efetuada a reparação.
"Este é um caso de ocultação de
uma condição perigosa", disse o juiz.
Normalmente a decisão de
recall é de competência do Estado, mas segundo
Ballachey, as leis estaduais lhe dão o poder de determinar
tal medida. Os representantes da Ford não concordam
e argumentam que mesmo que ele tivesse tal poder, "o
recall não teria nenhum sentido, já que não
há nada a ser consertado", afirmou Cain. Ballachey,
por outro lado, afirma que a empresa deliberadamente negou
às autoridades responsáveis que seu sistema
de ignição estivesse com problemas.
Outras ações
- Segundo o juiz, a Ford vendeu nacionalmente cerca de 23
milhões de veículos com tendência ao
defeito. Ações similares contra a empresa
estão nos tribunais de Alabama, Maryland, Illinois,
Tennessee e Washington. "A Ford estava ciente desde
1982 que, ao instalar os módulos de ignição
TFI nos distribuidores (...) os tornou vulneráveis
devido ao calor excessivo", diz Ballachey em sua sentença.
Segundo o juiz, os documentos
da própria empresa mostram que a Ford foi alertada
por um engenheiro que os módulos estavam localizados
muito próximos ao motor e que a alta temperatura
poderia paralisar o mecanismo. Uma vez detectado o problema,
o deslocamento do módulo para uma parte mais fria
custaria cerca de US$ 4 por veículo.
Custo milionário
- O advogado da empresa, Richard Warner, disse que os "dados
não demonstram que há riscos. Não há
evidências que justifiquem o recall. Os veículos
são seguros". O Centro de Segurança dos
Veículos calcula que o recall na Califórnia
custará pelo menos US$ 125 milhões. A empresa,
por sua vez, afirma não ter uma idéia clara
de quanto custaria uma ação deste tipo. Em
1996, documentos internos da Ford calculavam um gasto de
aproximadamente US$ 300 milhões para consertar problemas
no módulo de ignição dos modelos fabricados
entre 1994 e 1996.
A relação dos
veículos afetados
Modelo/Ano de fabricação
- Taurus, 1986-95
- Escort, 1983-90
- Ranger, 1983-92
- Aerostar, 1986-90
- Bronco, 1984-91
- Bronco II, 1984-90
- Capri, 1983-86
- Continental, 1984-87
- Cougar, 1984-88
- Crown Victoria, 1984-91
- E-Series, 1984-91
- EXP, 1983-88
- F-Series, 1984-91
- F-Stripped Chassis, 1989
- Grand Marquis, 1984-91
- LN7, 1983
- LTD, 1984-86
- Lynx, 1983-87
- Mark, 1984-92
- Marquis, 1984-86
- Merkur, 1985-89
- Mustang, 1983-93
- Probe, 1990-92
- Sable, 1986-95
- Scorpio, 1988-89
- Tempo, 1984-94
- Thunderbird, 1983-88
- Topaz, 1984-94
- Town Car, 1984-90
|