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Online
Edição 12 - Dezembro de 2000
Conteúdo básico
Computador ajuda
a desvendar
lesões causadas por acidentes de carro
Um
pessoa é ferida em acidentes de carro nos Estados
Unidos a cada seis segundos, conforme mostram dados oficiais.
As estatísticas também apontam que cerca de
40.000 norte-americanos morrem todos os anos em desastres
automobilísticos. Se não é possível
mudar rapidamente esses números, pelo menos uma nova
arma entra na luta para minimizar as lesões: o computador.
Em muitos casos, os sintomas de
uma lesão causada em um acidente podem levar horas,
ou até dias, para aparecer. No momento de um acidente,
a cabeça pára bruscamente, mas, dentro da
caixa craniana, o cérebro pode continuar se movendo
por uma fração de segundo", disse o dr.
David Thurman, do Centro de Controle e Prevenção
de Doenças em Atlanta.
Segundo Thurman, os tecidos cerebrais
podem se arranhar e os vasos sangüíneos, se
romper, mesmo que o acidente aconteça a uma velocidade
de apenas 30 quilômetros por hora. "Quando essas
veias se rompem, o resultado pode ser um sangramento lento
que, por sua vez, pode aumentar a pressão no cérebro
e começar a esmagá-lo. É algo que pode
se tornar muito sério e, se não for tratado,
levar à morte", explica o médico.
A lesão resultante, chamada
hematoma subdural, pode ocorrer depois que o paciente passou
por exames no hospital e nada foi constatado. Por essa razão,
os paramédicos são treinados para checar uma
série de sinais que podem indicar um trauma, incluindo
dores de cabeça que se intensificam, confusão
e dificuldade de se despertar do sono.
Uma das lesões mais comuns
resultantes de um acidente de carro é conhecida como
"chicotada". Barry Myers, médico da Duke
University, diz que é difícil entender exatamente
o que causa a condição, porque há muitas
partes do corpo envolvidas, incluindo a cabeça, o
pescoço, o peito e a coluna.
"O peito vai para frente,
enquanto o pescoço se contrai um pouco e depois volta
para o lugar. Qual dos dois causa a lesão? Temos
que saber, se quisermos fabricar veículos melhores",
explica Myers. Os acidentes de carro também podem
provocar lesões ocultas. "O trauma não
vai necessariamente incapacitar a vítima no momento,
mas pode ter efeitos a longo prazo, que levam 10, 20 ou
até 30 anos para serem vistos", acrescenta o
médico.
O melhor modo de se tratar
lesões
Nove centros para tratamento de trauma espalhados pelos
Estados Unidos começaram a trocar informações
acumuladas no tratamento de milhares de vítimas de
acidentes. Como parte da Rede de Pesquisa e Engenharia sobre
lesões causadas por Acidentes de Carro (Ciren, pela
sigla em inglês), todo os detalhes sobre um acidente
estão sendo registrados em um banco de dados por
computador, usado por todos os centros.
As informações podem
ser muito úteis em casos de acidentes em que as vítimas
são liberadas sem a constatação de
lesões internas. Samir Kakhry, cirurgião traumático
do Inova Fairfax Hospital, cita um acidente recente envolvendo
o motorista de um carro que bateu em um caminhão
de 18 eixos.
"O paciente chegou com dificuldade
para respirar. Sabendo o que aconteceu no local e com o
que aprendemos durante os anos trabalhando em projetos como
o Ciren, logo diagnosticamos o que é chamado de tensão
pneumotoráxica, uma ruptura do pulmão que
faz com que o ar vaze e comprima os pulmões e o coração",
disse Kakhry.
O sistema Ciren produz dados do
mundo real que não podem ser obtidos com bonecos
de testes, segundo as autoridades federais de segurança
que criaram o programa. Tendências repetidas em acidentes
também são levadas aos fabricantes de veículos.
"Você está vendo
os médicos pensarem diferente sobre acidentes de
carro e os engenheiros pensarem diferente sobre o que fazer
nos laboratórios, o que achamos que é bom",
explica Ricardo Martinez, ex-diretor da Administração
Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário.
Salvando pequenas
vidas
Estima-se que 15 milhões de crianças
norte-americanas estejam andando em carros completamente
desprotegidas, segundo o Conselho Nacional de Segurança.
Entre aquelas envolvidas em acidentes fatais, 60 por cento
não usavam o cinto de segurança ou a cadeirinha.
Especialistas dizem que, no primeiro
ano de vida, as crianças devem ser transportadas
em cadeiras especiais voltadas para a traseira do carro,
mas que após completarem um ano podem usar uma cadeirinha
comum.
Crianças entre quatro e
oito anos devem usar cadeiras especiais que aumentam o nível
do assento, segundo autoridades de segurança, e todos
os menores de 12 anos devem viajar somente no banco traseiro,
longe dos airbags. Uma pesquisa recente mostrou que crianças
que pesam menos de 35 quilos e usam cintos de segurança
convencionais têm quatro vezes mais chances de se
ferirem seriamente do que aquelas que usam os assentos especiais.
As crianças que não
têm tamanho suficiente para usar o cinto de segurança
adequadamente podem bater suas cabeças nos joelhos,
serem jogadas para frente e machucar a coluna, ou mesmo
escapar fora do cinto.
Automóvel:
comprar "mico" pode ser bom negócio
Carros difíceis de vender às vezes oferecem
vantagens a baixo custo
Comprar
um "mico", ou seja, um carro difícil de
revender, pode ser um bom negócio. Com preços
mais baixos do que modelos equipados de forma equivalente,
muitos desses carros rejeitados pelo mercado podem oferecer
anos de bons serviços a seus donos.
Embora muitas vezes sejam super-equipados
ou versões de modelos de sucesso, alguns carros simplesmente
não caem no gosto do consumidor e se transformam
nos temidos micos, carros difíceis de
vender.
Mas, a dor de cabeça para
alguns pode ser um ótimo negócio para quem
não se preocupa com questões como valor de
revenda ou design e queira apenas um carro que atenda suas
necessidades.
Fruto da Autolatina, casamento
temporário entre a Volkswagen e a Ford, um Versailles
96, por exemplo, com motor 2.0 e ar condicionado vale cerca
de R$ 13,5 mil no mercado de usados, o mesmo que seu irmão
gêmeo Santana do mesmo ano, com motor 1.8 sem ar.
Uma Ipanema 2.0, quatro portas
96, com ar condicionado e direção hidráulica
tem, no mercado, o mesmo preço que uma Parati 96
1.6, duas portas, sem o condicionador de ar.
Para ficar no exemplo das peruas,
uma Quantum 2.0 95 custa em torno de R$ 14 mil. Com o mesmo
dinheiro, dá para comprar uma Suprema do mesmo ano,
com motor 4.1 e bancos de couro.
Anfavea diz
que de cada nove brasileiros, apenas um tem carro
De cada nove brasileiros, apenas
um possui veículo de locomoção (automóveis
ou motos). Nos EUA, o índice de motorização
é de um veículo para cada habitante. Na Argentina,
a proporção é de um veículo
para cinco habitantes - melhor do que a média brasileira.
Os números mostram o potencial do mercado automotivo
brasileiro, que já investiu, desde 1996, cerca de
US$ 20 bilhões para ampliar sua capacidade de produção
anual das fábricas para 3 milhões de unidades
em 2001.
Segundo o presidente da Anfavea
(associação que reúne as montadoras),
José Carlos Pinheiro Neto, o brasileiro tem hoje
a sua disposição 250 modelos de veículos.
Em 1990, só existiam 50 modelos.
O país tem hoje 17 fabricantes
de veículos, que esperam atingir este ano a marca
de 1,65 milhão de unidades, um aumento de cerca de
300 mil veículos em relação a 1999.
De janeiro a setembro deste ano, as montadoras já
fabricaram cerca de 1,26 milhões de veículos.
São Paulo tem o maior índice de motorização
do país, comparável ao verificado na Europa.
Para cada dois moradores de São Paulo,
um possui um veículo.
Carro pode ser
consertado pela Internet
Alguns motoristas
confiam cegamente no seu mecânico. Outros, porém,
preferem buscar uma segunda opinião para um determinado
problema do carro.
Hoje, a consulta pode ser feita
sem sair de casa, ou melhor, sem levar o veículo
até a oficina. Quem tem acesso à Internet
consegue obter quantas opiniões desejar, através
dos diversos sites específicos sobre automóveis,
que oferecem serviços de perguntas e respostas sobre
defeitos, cuidados e funcionamento do veículo, além
de dicas de manutenção, segurança e
legislação.
Nos websites, os motoristas têm
como tirar as dúvidas através de plantões
e até obter uma agenda para a manutenção
preventiva do carro. O portal Webmotors, traz o serviço
Manutenção Fácil, por onde o internauta
receberá informações, via e-mail, sobre
os cuidados freqüentes e necessários com o automóvel,
como troca de óleo, revisões programadas,
amortecedores e sistema de freios.
Além disso, oferece o Plantão
Técnico, para perguntas mais urgentes e dicas de
manutenção, como lavagem de motor, suspensão,
conservação da pintura, combustível,
como calcular o consumo do combustível etc, e de
segurança: transporte de crianças, limpadores
de pára-brisa, fusíveis, pneus e rodas, entre
outros.
Consultório
O Bestcars também tem consultório técnico
para esclarecer dúvidas sobre mecânica, tecnologia,
uso e manutenção do veículo, com uma
ampla gama de assuntos, sempre atualizados: junta homocinética,
combustível, equipamentos, injeção
e ignição, lubrificação, solução
de problemas, entre outros. Além disso, traz informações,
em Segurança e Serviço, sobre consórcios,
leasing e até dicas para as férias.
O site baiano Bolsacar tem, entre
os links sobre serviços, um para a revisão
do carro, abrindo a página do Dr. Automóvel,
que informa sobre as datas de manutenção preventiva
e outras dicas.
Cursos
Para quem não quer apenas esclarecer dúvidas,
mas deseja conhecer um pouco mais sobre o veículo,
alguns sites criaram cursos de mecânica.
É o caso do Mecânica Online, que está
em sua quarta lição - sobre Sistema de Direção
- gratuita. Também tem um link, Seu Automóvel,
de como manter o carro novo, e dicas sobre air bag, freios,
pneus e limpadores.
O Autoplaza não foge à
regra dos demais sites automotivos, criando o serviço
Seu Mecânico, para dúvidas sobre manutenção
e funcionamento do carro, com respostas gratuitas on-line.
Já o link Carro Interativo, mostra o veículo
através de animações interessantes
de cada sistema em funcionamento: freios (a disco e a tambor),
transmissão, elétrica, motor, escapamento,
aquecimento e ar-condicionado, direção e suspensão.
O internauta tem oportunidade de conhecer como os componentes
funcionam e se movimentam dentro do veículo.
Movido
a óleo de cozinha
Extraído de sementes de girassol, soja e coco, O
biodiesel polui menos que o diesel e já abastece
ônibus e caminhões na Europa
Desde que o motor a gasolina
cuspiu sua primeira baforada, sempre se soube que era preciso
buscar alternativas para substituir o petróleo que
acabará um dia. No Brasil, o álcool gerado
a partir de cana-de-açúcar virou programa
de governo em 1975, quando parte da frota de carros aderiu
ao Proálcool. Nos últimos 25 anos, a pesquisa
de novos combustíveis nunca estacionou. Alguns projetos
andaram, outros nem tanto. Resultado de uma reação
química que mistura óleo vegetal e álcool
de cana, o biodiesel está entre as opções
mais promissoras. Ocuparia o lugar do óleo diesel
usado por ônibus e caminhões, um subproduto
do petróleo que lança na atmosfera partículas
de enxofre danosas ao meio ambiente e aos pulmões
humanos. A pressão internacional para reduzir a emissão
de poluentes acelerou a corrida por novos combustíveis.
Aditivo Usado na
Europa há cinco anos, o biodiesel serve como aditivo
ao óleo diesel, como acontece na França e
na Suécia, ou para colocar um motor em marcha, como
na Alemanha, Áustria e Itália. Só a
Alemanha consome 300 mil toneladas anuais de óleo
biológico. Misturado numa proporção
de 5% ao óleo diesel, o combustível vegetal
ajuda a reduzir a emissão de partículas de
enxofre e o efeito lubrificante ameniza o desgaste do motor,
explica o técnico Júlio Takejiro Ueta, do
Instituto de Motores Independente, de São Paulo.
A receita é simples e pode
ser feita de forma caseira (leia quadro). Para fabricar
o biodiesel é possível usar uma ampla variedade
de grãos. Os mais eficazes são soja, girassol
e colza, plantação que cobre de amarelo os
campos franceses e adapta-se ao clima frio do Sul do País.
Outras plantas apropriadas são os coqueiros e as
palmeiras típicas do clima tropical, que produzem
diversos sabores de óleo vegetal, entre os quais
se destaca o dendê.
"Nenhuma outra terra no mundo
tem potencial igual ao do Brasil para a produção
de óleo vegetal, diz o agrônomo alemão
Dietrich Schmidt. Estudioso dos combustíveis brasileiros
desde a década de 60, Schmidt esteve em São
Paulo na semana passada para pregar o uso do óleo
de cozinha ou, como dizem os cientistas, o biodiesel de
éster metílico de óleo vegetal.
Embaixador do biodiesel europeu,
o alemão Schmidt diz que a meta da Alemanha é
substituir, em dez anos, 5% do combustível diesel
por biodiesel. Nosso interesse é comprar o
excedente da produção de óleo vegetal
brasileiro para abastecer os mil postos alemães que
oferecem biodiesel, resume o agrônomo. Os motores
a óleo vegetal possibilitam uma redução
de 11% a 53% na emissão de monóxido de carbono,
e os gases da combustão do óleo vegetal não
emitem dióxido de enxofre, um dos causadores da chamada
chuva ácida.
Embora tardia, a preocupação
em reduzir poluentes também chegou ao Brasil. Desde
1997 fazemos óleo diesel com menos partículas
de enxofre e a médio prazo pretende-se chegar aos
mesmos níveis internacionais, diz o engenheiro
químico Luiz Felipe Cruz, da refinaria da Petrobras
em Cubatão. Quando se fala em preservação
do meio ambiente, estamos atrasados cinco anos em relação
à Europa e aos Estados Unidos, explica o doutor
em engenharia mecânica Francisco Baccaro Nigro, chefe
do setor de motores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas
de São Paulo, o IPT. O instituto já testou
a potência e o consumo de motores movidos a óleo
vegetal. O maior problema é o preço
do combustível, duas vezes maior que o diesel,
diz Nigro. Além de contribuir para reduzir a emissão
de poluentes, o biodiesel amenizaria outros problemas. Seria
excelente para resolver fixar o homem no campo, na agricultura,
explica o cientista do IPT.
Para testar engrenagens movidas
a biodiesel, Júlio Ueta já começou
a estocar o óleo vegetal descartado por uma pastelaria
em São Paulo. Esse combustível poderia
ser usado em geradores de energia ou até mesmo nos
motores de barcos que cruzam os rios no meio da floresta
amazônica, explica o técnico do Instituto
de Motores Independente. Apesar das apostas, ainda está
distante o dia em que ônibus e caminhões serão
movidos a óleo de cozinha. Mesmo com todas
as pressões ambientais, o Brasil levará de
quatro a cinco anos para adotar o biodiesel, prevê
o técnico Ueta.
Carro 1.0: dez
anos de uma revolução nas ruas e ao volante
Em agosto de 90 surgiu no País
o Mille, que com seus concorrrentes 1.0 mudou a relação
do brasileiro com carro. Hoje, a baixa cilindrada domina
as ruas. Uma renovação industrial, de mercado
e de comportamento no Brasil completou dez anos este ano:
foi em 1990 que chegou ao mercado o Uno Mille, carro que,
com seus concorrentes de motor 1.0, mudou a paisagem urbana
e a forma de dirigir do brasileiro.
A paisagem mudou com a enxurrada
de carros pequenos e mais baratos que tomou as ruas; a forma
de dirigir teve de adaptar-se à baixa cilindrada,
de lentas respostas ao acelerador. Mas a renovação
ainda não terminou: na mais rápida evolução
que a indústria automobilística brasileira
já teve, tais carrinhos sofisticaram-se, ganharam
conforto, potência e, ultimamente, até status.
A importância dos carros
1.0 cresceu tanto que, segundo Markus Stricker, diretor
de Prática Automotiva da empresa de consultoria A.T.
Kearney, o mercado de automóveis no Brasil hoje está
praticamente baseado nos carros com essa motorização.
"Com os preços mais baixos, os modelos 1.0 conquistaram
um novo mercado de compradores de carro zero-quilômetro",
afirma. Também permitiram que os consumidores passassem
a trocar mais de carro.
Dessa forma, para Stricker, fica
até difícil definir qual o perfil do comprador
desse tipo de carro: o 1.0 pode ser o primeiro carro zero
da família, ou o primeiro carro do filho estudante,
ou ainda o segundo ou terceiro carro da família.
Foi com uma redução
fiscal que tudo começou: em 1990, já dispondo
de um motor 1.0, que produzia para exportação,
a Fiat conseguiu do governo a redução do IPI
de 40% para 20% em modelos com motor dessa cilindrada. O
Mille chegou às revendas por Cr$ 625 mil, o que hoje
representaria R$ 15.651,00. Até então, o carro
mais barato era o Chevette SL, que custava Cr$ 704 mil (R$
17.629,00).
O benefício permitiu à
montadora ampliar as vendas e tomar dois meses depois o
terceiro lugar da Ford no ranking de vendas. O Mille não
tinha encosto de cabeça nem retrovisor do lado direito;
os bancos parcialmente revestidos em curvin sequer eram
reclináveis. O desempenho era limitado: o motor,
ainda com carburador, tinha 48,5 cv de potência. Mas
o preço falava mais alto: em março de 1991,
o Gol, campeão de vendas da Volks, perdeu o primeiro
lugar no ranking para o Mille.
Transformação:
O primeiro concorrrente do Mille chegou só em 92,
com o Chevette Júnior, logo seguido pelo Gol 1.000.
A essa altura, a Fiat já tinha uma segunda versão
do Mille no mercado, o Brio, com mais acessórios
e potência ligeiramente maior. Era o início
da tendência de oferecer carros 1.0 mais potentes
e mais equipados - hoje, alguns desses automóveis
têm potência equivalente à de modelos
2.0 (caso do Gol 1.0 Turbo) e só bancos de couro
não são oferecidos como opcional.
Mais aperfeiçoamentos:
em 93, o Mille ganhou ignição eletrônica,
tornando mais eficiente a queima do combustível.
Enquanto isso, a Ford lançava o Escort Hobby e a
GM retirava do mercado o Chevette Júnior, para lançar
em 94 o Corsa, primeiro 1.0 com injeção eletrônica.
A corrida pela potência
intensificou-se em 1996, quando a GM lançou o Corsa
de injeção múltipla de combustível
e 60 cv. No ano seguinte foi a vez de a Volks inovar, com
o motor 1.0 de 16 válvulas para o Gol. Em 98 a busca
de desempenho diversificou-se com o câmbio de seis
marchas para o Siena 1.0 da Fiat; em 99 a Ford lançou
para Fiesta e Ka o motor Zetec, o mais eficiente 1.0, e
em 2000 a sofisticação se completaria com
Gol e Parati 1.0 Turbo.
Imagem: Maior potência
e uma ampla oferta de acessórios, como air bags,
direção hidráulica, trio elétrico,
som, aquecimento, pintura metálica e ar-condicionado,
foram afastando aos poucos os carros 1.0 da imagem de veículo
popular. Tanto que em janeiro de 99 eles romperam a barreira
dos R$ 20 mil e no final do ano os mais caros já
superavam R$ 30 mil.
Hoje, o mais caro 1.0 é
a Parati Turbo, que, pela tabela da fábrica, custa
R$ 33.768,00 quando completamente equipada. O mais barato
é o precursor Mille, com preço de tabela de
R$ 12.855,00.
No momento, com mercado em baixa,
o que se verifica é uma volta às origens:
Ford, Fiat e Volks têm oferecido
insistentemente bônus para seus modelos mais simples
e a primeira recolocou no mercado a versão de duas
portas do Fiesta, a mais barata. Para o mês que vem
é aguardado o lançamento do Celta, da GM,
modelo de acabamento simples para concorrer na faixa inferior
de preço.
As opções de 1.0
são muitas, mas o mercado também tem espaço
para alguns importados, como o coreano Hyundai Atos Prime,
o Renault Twingo feito no Uruguai, o Renault Kangoo argentino
e o francês Peugeot 106.
Adesivo substitui
solda convencional
A 3M do Brasil acaba de lançar no mercado nacional
um adesivo que substitui a solda convencional na colagem
de laterais, tetos, pára-lamas e folhas de porta
de carrocerias de aço e alumínio dos automóveis.
O processo é bem mais rápido que o convencional.
A "colinha" seca em 20 minutos, reduzindo em 42%
o tempo gasto em relação aos serviços
de solda nas linhas de montagem, além de proporcionar
uma economia de custos em até 16% - segundo o fabricante.
Nos Estados Unidos, Ford, Daimler-Chrysler,
General Motors e Volkswagen já utilizam o material
que, inclusive, é aplicado há mais de dez
anos na montagem de partes da fuselagem de aviões.
Chave de carro
pode custar até US$ 2,4 mil
Em caso de perda da chave, os sistemas de segurança
mais modernos exigem até troca de computador
Ao perceber que havia perdido
a chave do seu carro, a motorista dirigiu-se à concessionária
Toyota mais próxima em busca de uma reserva. O que
ela imaginava ser um serviço de rotina tornou-se
um pesadelo quando o atendente anunciou o preço da
reposição: US$ 2,4 mil se ela quisesse
manter o sofisticado sistema de alarme disponível
para o modelo.
Detalhe: o carro havia custado US$ 30 mil. A chave substituta
custaria 8% do seu valor.
Esse caso aconteceu nos Estados
Unidos com o luxuoso sedã Toyota Avalon da professora
Mary Elizabeth Schuppin, mas pode um dia repetir-se no Brasil,
caso as marcas passem a oferecer os sistemas antifurto mais
sofisticados. O do Avalon, por exemplo, é um sistema
eletrônico que imobiliza o motor, a alimentação
e a transmissão, a não ser que seja usada
a chave correta. Se a chave-mestra for perdida não
bastará repô-la. É preciso também
trocar o computador central para manter funcionando o sistema
antifurto.
Esse sistema, opcional para os
Toyotas mais luxuosos e toda a linha Lexus, tem similares
em modelos da Mercedes-Benz, Ford e GM, entre outros, mas
só na linha Toyota é preciso trocar o computador.
Para os outros basta recodificar uma nova chave-mestra,
o que sai bem mais em conta.
Alguns casos de perda de chaves
codificadas já estão acontecendo no Brasil.
O dono de uma funilaria tipo martelinho de ouro em São
Paulo, Écio Francisco de Abreu, está há
mais de 20 dias com o Mercedes-Benz C 280 de um cliente
parado. Um dos funcionários perdeu a chave,
e como o cliente já era o terceiro dono do carro,
só havia ficado com uma das chaves originais,
conta. Não há o que faça o carro
funcionar.
Quando isso acontece a Marcedes-Benz
tem de encomendar na Alemanha uma chave reserva, feita especificamente
para o modelo (para isso é preciso fornecer o número
do chassi). O custo da reposição é
R$ 370,00 e a espera pode ser de 40 dias. Como cada carro
vem com duas chaves, o ideal é encomendar uma de
reserva assim que uma delas for perdida ou danificada, recomenda
a assessoria de imprensa da Mercedes-Benz brasileira.
As chaves dos Mercedes importados
são as mais sofisticadas disponíveis no mercado
brasileiro. Elas não possuem os dentes de uma chave
convencional, mas sim um sensor que lê a codificação
eletrônica da ignição. Esse código
muda a cada partida que se dá no motor, tornando
impossível a confecção de uma chave
parecida por parte de ladrões de carro.
Além do bloqueio, a chave
tem uma série de funções por controle
remoto, como abertura e fechamento de todas as portas (ou
só a do motorista), acesso ao porta-malas, fechamento
dos vidros e até abertura de verão (ao pressionar
uma tecla, todos os vidros se abrem e também o teto
solar). A nova Classe S da Mercedes já tem na Europa
um sistema ainda mais inovador, o smart card (cartão
inteligente), que dispensa chave de ignição.
O motorista só precisa portar esse cartão
para abrir as portas e desbloquear a ignição.
Para dar partida só é preciso pressionar um
botão na alavanca de câmbio.
Nos carros nacionais, o máximo
de sofisticação, por enquanto, são
as chaves com transponder, um chip que vai embutido na própria
chave de ignição, responsável pelo
desbloqueio do sistema. Se o motorista perder a chave, terá
de solicitar outra na concessionária, ao custo médio
de R$ 70,00. Em tempo: a professora norte-americana assustou-se
tanto com o preço da nova chave para seu Toyota que
voltou para casa e vasculhou-a toda até achar a chave-mestra
perdida. E, para evitar novos sustos, mandou fazer duas
cópias, ao custo de US$ 45,00 cada (bem mais em conta
que os US$ 2,6 mil que teria de pagar).
Acidentes automobilísticos
analisados em tempo real
Tecnologia usada na Fórmula Indy ajudará
a estudar conseqüências de colisões
Detroit, EUA - Cerca de mil motoristas
da cidade de Atlanta, na Geórgia, terão seus
carros equipados com dispositivos de registro semelhantes
às caixas pretas utilizadas nos aviões. O
objetivo é analisar os acidentes em que vierem a
se envolver. O equipamento possibilita a localização
do acidente, via GPS, e registra a velocidade e a aceleração
no momento da colisão.
Os dados serão transmitidos
automaticamente para um centro de captação
por telefonia celular. Como a média de envolvimento
anual em colisões em Atlanta fica em torno de 6%
dos motoristas, espera-se poder analisar mais de 100 acidentes
durante os dois anos de duração da experiência.
Os dados físicos, fornecidos por um acelerômetro
triaxial, serão acompanhados por informações
detalhadas sobre os motoristas dos carros, como idade, região
em que moram, profissão e situação
sócio-econômica.
Os motoristas participantes, que
serão indicados por uma entidade local, serão
beneficiados do ponto de vista da segurança: sempre
que a caixa preta detectar um acidente, avisará automaticamente
a polícia. A central de atendimento, então,
ligará para o celular do automóvel para se
certificar se a ocorrência exige a presença
de policiais e de socorro médico.
Sistema semelhante é usado
pela Fórmula Indy para analisar os acidentes ocorridos
durante as corridas e treinos. Nos carros de corrida, as
informações são registradas por um
gravador digital e retiradas posteriormente, em lugar de
serem transmitidas. A análise das batidas tem permitido
o aumento de segurança dos carros e o estudo, por
parte dos médicos, dos tipos de ferimentos e lesões
causadas pelos acidentes.
Um novo conceito
para carro multiuso
O
carro-conceito Steppenwolf (lobo da estepe) está
sendo apresentado pela Audi nos principais salões
de automóveis do mundo. Partindo do modelo Allroad
Quattro, a marca alemã desenvolveu um carro com as
características de on/off road, só que em
formato compacto, de três portas e quatro lugares,
e com design inovador e provocante.
Embora com dimensões semelhantes
às do A3 e do TT, o Steppenwolf difere visualmente
pelas bitolas mais largas, linha de cintura alta e aros
das rodas salientes. Essa aparência é reforçada
pela curvatura achatada do teto, cinza escuro, contrastando
com o tom areia do restante da carroceria.
Teto
O teto do Steppenwolf pode ser
fixo, de fibra de carbono, ou removível. Neste caso,
os ocupantes dispõem da liberdade de movimentos de
um roadster, já que a estrutura do carro dispensou
a coluna do meio, entre as portas, formando-se um amplo
vão a céu aberto para os quatro ocupantes.
Faróis e lanternas têm formato exclusivo, e
particularmente chamam a atenção os spots
instalados na parte anterior dos retrovisores.
Soluções não
menos supreendentes aparecem sob o capô, onde os seis
tubos de admissão do motor transversal de seis cilindros
são de aço escovado, o que passa uma sensação
de força e esportividade. Com 3,2 litros de cilindrada,
o motor desenvolve 225 CV, o suficiente para o Steppenwolf
acelerar de 0 a 100 km/h em oito segundos e alcançar
a velocidade máxima de 230 km/h. Seu torque, de 320
Nm, está disponível numa extensa faixa de
rotação, aumentando o prazer de dirigir na
estrada e fora dela.
Verificação
À frente do motor, enfileirados,
estão dispostos os bocais de verificação
e complementação do óleo do motor,
dos fluidos de refrigeração e da água
do limpador de pára-brisa, o que tanto facilita o
acesso como preserva o motor de manipulações
desnecessárias. Os técnicos da Audi têm
certeza de que esse será o design dos motores do
futuro.
Na traseira, mais surpresas. Sob
o porta-malas, uma gaveta que normalmente abriga
a roda sobressalente pode, em vez disso, carregar
o Tire Mobility System Repair Kit, um kit móvel de
reparo de pneu, contendo material de vedação
e compressor de 12 volts. Dessa forma, sobra ainda espaço
na gaveta para a instalação de guincho elétrico
ou a guarda dos estribos, fixáveis sob as portas,
e que podem ser muito úteis quando a suspensão
está na posição máxima.
Protótipo
da Volvo dá show de tecnologia
Carro é vitrine para inúmeras inovações
A Volvo apresentará no próximo Salão
do Automóvel de Los Angeles, em janeiro, a mais nova
criação de sua engenharia, o protótipo
SSC. Trata-se de um carro para quatro pessoas, com linhas
curvas e uma impressionante quantidade de inovações
tecnológicas.
As novidades começam pela
estrutura do carro, cujas colunas são propositalmente
estreitas, para aumentar a visibilidade e eliminar os chamados
"pontos cegos". A inovação é
possível pela adoção de novas técnicas
de design e do desenvolvimento da metalurgia, que criou
materiais mais resistentes.
Assim que o motorista entra no
carro, um sensor procura localizar seus olhos. Em seguida,
ajusta automaticamente o banco, volante, pedais e o console
do carro à estatura do condutor.
Tradicionalmente preocupada com
a segurança, a Volvo apresenta no SCC duas novas
propostas de cinto de segurança. O primeiro, batizado
de CrissCross Belt, ou X4, é um cinto convencional
de três pontos, com um tirante adicional que vai do
ombro à cintura. A outra versão, chamdada
de Center Buckle ou V4, assemelha-se aos cintos de quatro
pontos usados em carros de corrida, com um fecho central.
O carro também inova nos
faróis: eles não usam lâmpadas normais,
mas fibras óticas. São capazes de modificar
a amplitude do facho de luz de acordo com a velocidade:
quando o carro anda devagar, eles iluminam uma faixa mais
larga; na estrada, a luz é mais estreita e o alcance
maior.
O carro também dispõe
de um comunicador pessoal com controle remoto. Ele serve
desde para abrir o carro, através de um código,
até para fornecer insturções sobre
estradas. E também informa sobre possíveis
problemas de saúde do motorista, transmitindo esses
dados para o serviço de emergência em caso
de acidentes.
O carro também tem um detector
de batimentos cardíacos, que avisa caso algum animal
doméstico ou criança seja esquecido em seu
interior por motoristas distraídos. O Volvo SCC é
um dos primeiros frutos da integração da sueca
Volvo com a Ford. Ele foi desenvolvido por um centro mantido
pela Volvo nos Estados Unidos, na Califórnia.
Combustível
das estrelas vira a gasolina do futuro
Células de combustível funcionam como
pilhas eletroquímicas comuns, mas são abastecidas
por hidrogênio e oxigênio. Um combustível
totalmente adaptado para o meio ambiente.
Quem
não aguenta mais a fumaceira e a poluição
atmosférica provocada por motores de veículos
pesados, como ônibus e caminhões, pode começar
a respirar aliviado em breve, graças a uma tecnologia
que há muitos anos já prometia aposentar os
motores de combustão interna alimentados por derivados
do petróleo.
Espera-se que até o final
de 2001 estejam circulando na Grande São Paulo os
primeiros ônibus movidos a células de combustível
("fuel cells'', em inglês), versão ecologicamente
correta - e incrementada - de uma bateria eletroquímica,
como as pilhas comuns.
Só que, em vez de usar
os produtos tóxicos das pilhas, essa célula
é alimentada com o mesmo combustível utilizado
pelas estrelas: o hidrogênio.
Criadas para fornecer energia
para as naves espaciais tripuladas da Nasa (agência
espacial dos EUA), as células de combustível
eram convenientes por matar dois problemas com um equipamento
só: além de produzir eletricidade, o sistema
tinha como subproduto a água, que os astronautas
consumiam durante as missões.
No espaço, evitar a emissão
de poluentes não é vantagem. Mas, na Terra,
essa é a maior qualidade da célula de combustível.
Como ela funciona alimentada por hidrogênio e oxigênio,
que ao final do processo se recombinam para formar água
(veja quadro ao lado), o sistema não gera nenhum
dos inconvenientes gases-estufa, como o gás carbônico.
O hidrogênio é a gasolina do futuro, totalmente
amigável para o ambiente. Ou quase.
Não-poluente, 'ma non troppo''.
Se as células em si não produzem resíduos
tóxicos ou nocivos ao ambiente, já não
se pode dizer o mesmo da produção de seu combustível,
o hidrogênio. Formada por dois átomos iguais,
a molécula de hidrogênio (H2) não é
encontrada na Terra. O único jeito de obtê-la
é tomar átomos de hidrogênio de outras
moléculas para formar H2.
As substâncias que oferecem
mais hidrogênio pelo menor custo são os hidrocarbonetos,
arranjos de hidrogênio e carbono. O petróleo,
por exemplo, é um hidrocarboneto. Mas não
se pode roubar hidrogênio de hidrocarbonetos e sair
impune. O preço é a recombinação
do carbono com oxigênio, produzindo gás carbônico.
MUITO TRABALHO Felizmente,
há outro modo de obter a molécula fugidia.
O segredo está em arrancar o hidrogênio de
uma substância que não tenha carbono. A resposta
mais óbvia é usar água, que tem dois
átomos de hidrogênio e um de oxigênio.
O problema é que quebrar essa molécula dá
trabalho. É preciso gastar muita energia para separar
os átomos, o que torna a produção de
H2 por esse método mais cara. Além do mais,
se a eletricidade vem de fonte poluente (como uma usina
termelétrica, por exemplo), mais carbono vai para
a atmosfera.
Só países que têm
energia produzida em hidrelétricas ou usinas atômicas
- que, apesar de oferecerem riscos de vazamento de material
radiativo e apresentarem o problema do lixo atômico,
em condições normais são consideradas
fontes de energia não-poluentes - podem abandonar
o carbono. Mas precisam estar dispostos a gastar mais, para
fazer hidrogênio com água.
Esse é o objetivo do primeiro
projeto brasileiro de implantação da tecnologia
de células de combustível em um sistema de
transporte coletivo. Criado pelo Ministério de Minas
e Energia e financiado na maior parte pela ONU, o programa
entra em sua segunda fase em 2001.
A primeira fase, que durou dois
anos e acabou em abril, consistiu em estudos de viabilidade.
A segunda etapa, com custo de US$ 25 milhões, envolve
a compra de oito ônibus e de eletrolisadores, equipamentos
para fazer hidrogênio a partir da água, com
eletricidade.
A idéia é
produzir durante a noite o hidrogênio que será
consumido durante o dia pelos ônibus, afirma
a física Marieta Mattos, responsável pela
coordenação da primeira fase. Os ônibus
elétricos atuais são mais caros porque tiram
sua energia dos fios no momento em que estão circulando,
no horário de pico do consumo de eletricidade. Como
fabricaremos o hidrogênio de madrugada, estaremos
produzindo o combustível no momento em que as tarifas
de eletricidade são menores.
MEIO TERMO Os estudos
feitos durante a primeira fase mostraram que o custo por
quilômetro rodado do ônibus movido a hidrogênio
fica entre o do trólebus (movido a eletricidade)
e o do ônibus a diesel, o fumacento tradicional. Enquanto
o trólebus custa R$ 2,37 por quilômetro e o
ônibus a diesel, R$ 1,66, o ônibus movido a
células de combustível sai por R$ 2,21. Ainda
é mais caro que o ônibus comum, mas as vantagens
ambientais são tão grandes que compensam o
custo adicional, afirma Mattos.
Ela também não deixa
de mencionar as maravilhas do sistema. O motor a células
de combustível não esquenta, não trepida
e não faz barulho.
Os oito ônibus, que colocarão
São Paulo entre as poucas cidades que utilizam veículos
movidos a células de combustível para transporte
coletivo (as únicas atualmente são Vancouver,
no Canadá, e Chicago, nos EUA), devem circular inicialmente
até 2005, data em que será encerrada a segunda
fase. Ela servirá para testar a eficiência
do sistema, com vistas à implantação
de um sistema maior (200 ônibus).
Finalmente, em 2010, o sistema
deve chegar ao estágio de produção
em série, propiciando a substituição
da atual frota de ônibus.
ECONOMIA Com a crescente
necessidade de cortar a emissão de carbono na atmosfera
e de substituir o petróleo (que não vai durar
para sempre) como fonte de energia, vários países
estão apostando no hidrogênio como a fonte
energética do século 21, apesar de sua alta
inflamabilidade. México, China, Egito e Índia
estão entre os países em desenvolvimento que
estão tocando projetos similares ao brasileiro. Segundo
a revista britânica New Scientist, a Islândia
pretende substituir todos os seus veículos automotores
por equivalentes movidos a hidrogênio até 2020.
Até mesmo a indústria
do petróleo está se preparando para a conversão.
A Shell, por exemplo, já possui uma divisão
totalmente devotada a pesquisas com hidrogênio. A
montadora DaimlerChrysler, além de fabricar ônibus
movidos a células de combustível, também
está investindo pesado na criação de
carros com a mesma tecnologia. A BMW é mais audaciosa
e aposta em carros movidos com a própria combustão
do hidrogênio, em motores de explosão, de forma
similar à que ocorre com a gasolina no interior dos
automóveis.
Em 1874, o escritor francês
Júlio Verne, conhecido como o pai da ficção
científica, afirmou em seu livro 'A Ilha Misteriosa''
que, quando os combustíveis fósseis fossem
totalmente consumidos, o hidrogênio seria uma
fonte inesgotável de luz e calor. Um século
e meio depois, parece que ele tinha mesmo razão.
Carro a hidrogênio
é a aposta da BMW para os veículos do futuro
A BMW está incrementando a pesquisa e desenvolvimento
de veículos movidos a combustíveis alternativos.
A empresa se concentra no hidrogênio,
um combustível não poluente e renovável.
Para desenvolver essa tecnologia, a empresa criou o projeto
Clean Energy (Energia Limpa), que tem como um dos seus principais
objetivos zerar as emissões de dióxido de
carbono (CO²) dos veículos.
De acordo com estudos da BMW,
a longo prazo, somente os carros movidos a hidrogênio
serão capazes de dar às pessoas a mobilidade
a que estão acostumadas, com emissão zero
de CO². Esta é a razão pela qual a empresa
está reivindicando a rápida introdução
do projeto Clean Energy, sobretudo em áreas de alta
densidade populacional.
Frota - Atualmente, a empresa
mantém uma frota com 15 carros movidos a hidrogênio
líqüido, modelo BMW 750hL, em testes pela Europa.
São os primeiros automóveis
movidos a hidrogênio construídos em série
no mundo. Desde maio de 2000, esses carros vêm sendo
utilizados em eventos de prestígio mundial
como a Feira Expo 2000, realizada em maio, na Alemanha
atendendo a cerca de 3 mil convidados nesse período.
Os automóveis a hidrogênio
produzidos pela BMW já rodaram mais de 100 mil quilômetros,
provando sua eficiência e sua capacidade de serem
utilizados no dia-a-dia como veículo convencional,
segundo a empresa. Seremos o primeiro fabricante do
mundo a comercializar carros produzidos em série
movidos a hidrogênio, prevê Burkhard Göschel,
diretor de Desenvolvimento do Grupo BMW. A BMW se dedica
ao desenvolvimento de motores a hidrogênio desde o
final da década de 70. A frota atual de 15 unidades
do modelo 750hL representa a quinta geração
desses carros.
2010 - A montadora já
possui um posto de abastecimento de hidrogênio, totalmente
operado por robôs, instalado no Aeroporto de Munique,
na Alemanha. De acordo com as previsões da BMW, até
maio de 2005, existirão outros postos próximos
às filiais da empresa na Alemanha. Para tanto, a
BMW está oferecendo às empresas internacionais
de energia cooperação estreita para o desenvolvimento
de uma rede de postos de abastecimento de hidrogênio.
Nossa meta é contar
com uma rede com número suficiente de postos de hidrogênio
estendendo-se por toda a Europa até o ano 2010,
explica Göschel. Os planos da BMW prevêem, ainda,
a comercialização de milhares de carros movidos
a hidrogênio até 2010. Os preços desses
carros deverão ser similares aos dos automóveis
tradicionais.
Em busca de
maior potência para motores
Cada lançamento mostra
que a engenharia automotiva procura elevar a potência
dos carros, sem aumentar, no entanto, o tamanho dos motores
ou alterar o nível de consumo. Muitas vezes, o consumo
e a emissão de poluentes são até reduzidos.
Foi o que ocorreu com o Gol Turbo, cujo motor 1.0 ultrapassa
os 100 cv de potência. Outros exemplos são
da Audi e Subaru, que possuem motores que beiram os 300
cv com apenas quatro cilindros e menos que dois litros de
cilindrada.
Segundo Júlio César
Câmara, professor da Área Tecnológica
Automotiva do Senai, produzir motores mais potentes não
é a tarefa mais difícil. O que torna
o processo extremamente complexo é elevar a potência
sem prejudicar o consumo, mantendo uma boa dirigibilidade
e respeitando as severas restrições com relação
às emissões de poluentes. Essa última
talvez seja a mais difícil.
Fórmula Um
Diante de uma pergunta se seria
possível equipar um carro normal com um motor de
Fórmula 1, Júlio afirma que sim, quando respeitadas
as dificuldades de espaço, que podem ser superadas.
Não há nada que impeça uma adaptação
desse tipo.
Mas lembra que esse carro teria
uma condução extremamente difícil e
perderia em aceleração para muitos populares.
Motores de competição possuem elevadíssima
potência, mas só disponível em elevadíssimas
rotações. Para dirigir um carro desse tipo
é imperativo manter o motor sempre em elevada rotação,
situação impossível nas cidades.
Júlio explica que em um
projeto de motor que privilegia a potência, tem-se
perda da resposta em baixa rotações. Quando
se privilegia um motor com bom torque em baixas rotações
(boa retomada de velocidade), tem-se uma perda na potência
máxima. Potência elevada e boa resposta
em todas as faixas de rotações é um
projeto ideal, mas longe de ser alcançado com perfeição.
Restrições de consumo e emissão de
poluentes restringem principalmente o torque em baixas rotações.
Desafios
O consumo e o cumprimento das
leis de emissão de poluentes são outros desafios.
Júlio explica que um motor costuma apresentar baixa
potência quando está em baixa rotação
e, devido ao baixo rendimento do motor, as emissões
são mais severas. Praticamente todos os dispositivos
utilizados no controle de emissões representam alguma
perda de rendimento. Mas esse é um preço baixo
na luta pela preservação do meio ambiente.
Um outro desafio é a produção
de um motor durável e que custe pouco, características
que, segundo Júlio, vão de encontro à
tentativa de elevar a potência. O preço
não está entre as preocupações
de um equipe de Fórmula 1. Já um consumidor
comum se interessa bastante por esse item, pois ele quer
um carro barato, de pouca e também barata manutenção,
e resistente.
Insetos atacam
automóveis
Ácido gerado por ovos de libélulas causam
manchas na pintura dos automóveis
Inocentes
libélulas estão provocando prejuízos
aos fabricantes de automóveis brasileiros. Atraídos
pelo brilho dos carros, que confundem com superfícies
aquáticas, os insetos depositam seus ovos sobre eles,
provocando manchas na resina que deveria proteger a pintura.
A busca das causas das manchas
e sua solução levou a um estudo feito, a pedido
da indústria, por pesquisadores da Universidade de
São Paulo.
Segundo matéria publicada
na última edição da revista Pesquisa
Fapesp, os cientistas Etelvino Bechara e Cassius Vinicius
Stevani, do Departamento de Bioquímica do Instituto
de Química da USP descobriram que o problema é
causado pelos ovos dos insetos depositados sobre os carros.
Submetidos a temperaturas elevadas, eles liberam um ácido
capaz de atacar a camada de resina.
O problema afeta mais os carros
escuros - os brancos e prateados são praticamente
imunes. O objetivo dos pesquisadores, agora, é achar
uma solução para o problema. Eles estão
tentando desenvolver um produto que possa ser usado pelos
consumidores para proteger seus carros.
Por enquanto, algumas fábricas,
como a da Honda, estão cobrindo os carros nos pátios
com filme de polietileno. Uma outra solução
seria a alteração da composição
da resina brilhante utilizada pela indústria automobilística,
o que está sendo estudado pelos fornecedores de tintas.
Nenhuma das soluções
propostas, porém, está levando em conta o
lado dos insetos. Sejam quais forem, elas não evitam
que, atraídos pelo brilho dos carros, eles continuem
a perder suas proles.
Rumos opostos
Álcool e gás natural veicular enfrentam
situações distintas como alternativas à
gasolina no Brasil
Uma reviravolta está acontecendo
nas bombas de combustíveis dos postos do país.
Duas opções alternativas à gasolina
como combustível para carros de passeio passam por
caminhos distintos na briga para ganhar os motoristas.
O álcool já foi
um rival de peso para a gasolina - nos anos 80, chegou a
ser o combustível de mais de 90% da produção
de automóveis brasileira -, mas agora está
em queda.
Já o gás natural
veicular, ou GNV, está em franco desenvolvimento
desde 1996, quando foi permitido o uso para carros particulares.
Antes, desde 1986, só podiam usar o GNV ônibus
e veículos de frota.
Em 1995, foram comercializados
no país 99 milhões de litros de álcool
combustível e 42,1 milhões de m³ de GNV.
Já no ano passado, as vendas
de álcool somaram 58 milhões de litros, uma
queda de 41,4%, e as de gás veicular atingiram 86,4
milhões de m³, um crescimento de 105,2%.
E a expectativa do setor para
os dois combustíveis enfatiza os rumos opostos que
eles seguem. No ritmo atual e com a falta de uma ação
do Governo contra os usineiros, em 2005 o álcool
não será mais viável.
Já o GNV crescerá
rapidamente, alerta Alisio Mendes Vaz, diretor do
Sindicom, sindicato dos distribuidores de combustíveis.
O principal fator para esta situação
é o preço nos postos. Como o preço
da gasolina já atinge a elevada média de R$
1,65 por litro, a busca por opções mais baratas
para abastecer o carro passa a ser uma constante entre os
motoristas.
Com isso, a venda de veículos
movidos a álcool até saiu do patamar de 1
mil unidades anuais de 1997 e 1998 e, no ano passado, saltou
para 10 mil unidades. O setor começou o ano 2000
em ritmo elevado, mas os recentes aumentos de preços
- que hoje está em torno de inconcebíveis
R$ 1,25 - já fizeram a média cair de mil unidades
mensais, no início do ano, para irrisórios
450 por mês.
Já o módico preço
de R$ 0,65 do m³ do GNV faz o combustível atrair
cada vez mais os motoristas. Atualmente, a Volkswagen é
a única montadora que vende carros com kit de conversão
para gás, mas 130 oficinas em todo o país
têm autorização do Inmetro para instalar
kits em veículos de qualquer marca.
O kit, que deixa o carro bicombustível,
custa em média R$ 2 mil. Além da vantagem
do preço, um carro roda mais com um m³ de gás
do que com um litro de álcool ou gasolina. Em
média, um veículo anda até 30% mais
com um metro cúbico de gás do que com um litro
de gasolina e até 50% mais que com um litro de álcool,
afirma Cleonardo Fonseca, gerente de gás veicular
da BR.
Por exemplo, o Gol 1.6, segundo
a Volkswagen, tem consumo urbano de gasolina de 11,5 km/l,
de 8,4 km/l de álcool ou de 14,3 km/m³ de GNV.
Isso faz o quilômetro rodado pela versão a
gasolina custar R$ 0,134 e a álcool, R$ 0,148. Já
o Gol movido a GNV percorre um quilômetro por R$ 0,045
- em média, um terço do valor gasto com o
mesmo carro a gasolina. Em relação ao álcool,
a economia do carro a gás é de R$ 0,103 por
quilômetro.
Com isso, para pagar o gasto de
R$ 2 mil pelo kit de conversão, o motorista tem de
rodar 19.417 km ou 53,2 km por dia durante um ano. Antigamente,
era necessário rodar mais de 100 km diariamente para
compensar a conversão. Com o aumento do preço
da gasolina e do álcool, a média caiu muito,
comemora Daniel Bermudo, engenheiro da Silex, empresa que
fornece os kits de GNV para a Volks.
Na disputa com o álcool,
o GNV ainda leva vantagem no quesito emissões de
poluentes. Devido à crescente tecnologia de controle
de emissões nos motores, o álcool praticamente
não apresenta mais vantagem sobre a gasolina. Já
o GNV emite 70% menos monóxido de carbono e 50% menos
óxido de nitrogênio que a gasolina, explica
Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat.
O GNV polui menos, mas faz o propulsor
perder cerca de 15% de potência em relação
à gasolina, enquanto o a álcool é,
em média, 10% mais potente.
Já achar o GNV para abastecimento
é um missão quase impossível. Atualmente,
há apenas 86 postos com o combustível gasoso
no país, todos nas regiões Sudeste e Nordeste.
Até o final do ano, o número de postos deve
subir para 200 e as grandes cidades da região Sul
também passarão a ter GNV.
Mas, mesmo assim, as distribuidoras
estão confiantes na expansão do gás
veicular. Hoje temos uma frota de 60 mil carros à
gás no país. Em 2005, esperamos ter 1 milhão
de veículos, afirma confiante Cleonardo Fonseca,
gerente da BR. O país com a maior frota a gás
do mundo, a Argentina, possui 450 mil veículos rodando
com o combustível.
Rodas de liga
leve: apesar da aparência simples,
a roda é uma peça muito mais técnica
do que parece.
A compra de um jogo de roda é
um exercício complexo que envolve fatores estéticos
claro, mas também técnicos e financeiros...
Os questionamentos são muitos como qual o melhor
diâmetro, todas as rodas se valem ?....
Fora o lado estético é
em matéria de diâmetro que a coisa evoluiu
muito nos últimos anos . Não é muito
distante o tempo em que 14" nos Gol e Kadett era "um
barato". Hoje o 15" equipa muitos carros de serie
e o 17" já não é raro em carros
nacionais enquanto os mais corajosos ousam 18 (ou até
19").
Agora essa inflação
nos diâmetros de rodas com certeza é espetacular,
nem sempre é tão simples. É mais do
que aconselhável a adaptação do chassi
às novas montas de rodas que vão solicitar
muito mais deste. O que é importante de verificar
ao aumentar o aro, é a circunferência final
(do pneu) que deverá se aproximar do original por
motivos de demultiplicação da transmissão.
Outro problema específico
ao Brasil é a qualidade dos conselhos com a proliferação
das lojas de rodas nem sempre muito profissionais. Os valores
de furação, tala (largura) e offsete não
deixam margem à aproximação em função
dos estoques... Sem querer ser os moralistas da história,
ainda porque adoramos rodas de grande diâmetros, é
importante desrespeitar algumas regras e ser bem aconselhado
por especialistas em suspensão e não apenas
por bons comerciantes.
O que é o offset ou
chamado também de ET ?
Todo mundo conhece a furação,
o aro e a largura da roda mas poucos se preocupam com o
offset que é no entanto um dos principais responsável
pelos bons (ou péssimos) comportamentos dos carros.
O ET é a distância entre o eixo mediano (o
meio da tala) e a flange (o ponto de apoio da roda no miolo).
Este valor varia em médio
de 15 a 45 mm. Quanto menor este valor mais a roda estará
"para fora". Por este motivo uma roda de Ford
(Et 38) apesar de ter a mesma furação (4x108)
NUNCA deverá ser usada em um Peugeot ou um Citroën
(ET 16). Do ET depende toda a dirigibilidade do carro e
qualquer erro será ressentido violentamente na direção
e na eficiência da suspensão.
A má fama das rodas "de
magnésio" vem muito da "pouca vergonha"
de certos fabricantes que fabricam rodas só pelo
visual (copiando muitas das vezes rodas de qualidade...)
e neste caso realmente fica impossível balancear,
o pneu "pega" na lataria e o carro samba mais
que passistas no carnaval, mas isso não é
uma caraterística da roda de liga pelo contrario,
a principal virtude da roda de liga é de melhorar
o comportamento do carro: Sendo mais leve e bem feitas que
as originais (quando de qualidade) elas reduzam a inércia
dos pesos não "suspendidos" que são
a maior preocupação dos engenheiros responsáveis
pela formatação das suspensões.
Porque certas rodas chegam
a custar o preço de um jogo inteiro ?
As rodas "caras" como
BBS, OZ, Momo etc... se justificam pela qualidade de sua
concepção e o controle de sua fabricação:
O controle por raio X que permite identificar possíveis
micro-rachaduras, ou bolhas de ar, testes de uniformidade
da liga, testes de resistência à carga etc...
enfim uma grande variedade de controles caros que centenas
de fabricantes simplesmente ignoram.
O que é uma roda em
3 partes?
A rodas multi partes é
uma roda "sobre medidas", é um produto
de luxo onde a tala é composta de 2 partes e o miolo
representa a terceira. É possível fazer uma
sábia "mistura" desses 3 elementos para
montar uma roda milimetricamente ajustada em termo de tala
e ofsete mais a verdade é que a maioria dos seus
usuários as preferem pelo visual racing ! (e tem
razão)
Nossos conselhos ao escolher
uma roda:
Escolher um modelo homologado TÜV ("Inmetro"
alemão)
Ter a certeza que uma roda idêntica poderá
ser adquirida em caso de quebra (acontece com as melhoras).
Não colocar rodas usadas inadaptadas.
Para um diâmetro maior respeitar uma altura de pneu
que mantenha uma circunferência razoável.
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