| Mecânica
Online
Edição 13 - Janeiro de 2001
Conteúdo básico
FÉRIAS
Vamos Viajar?!
Prepare seu carro para a estrada
Janeiro é
o mês em que muita gente curte as férias ou
viaja para passar alguns finais de semana com a família.
É também o período em que se deve intensificar
os cuidados com o automóvel.
Fazer o check-up antes da viagem ajuda a prevenir imprevistos
desagradáveis que podem até cancelar o passeio.
Antes de pegar a estrada, reserve algumas horas para uma
revisão rápida no veículo, mesmo que
ele tenha passado por uma manutenção há
pouco tempo. Por exemplo, trafegar com farol ou lanterna
queimados dá multa.
Antes de verificar as condições do automóvel,
cheque toda a documentação IPVA, certificado
de registro e licenciamento de veículo, apólice
de seguro do carro, que deve estar em dia.
Depois leve o automóvel para uma oficina de confiança
ou concessionária para uma revisão no sistema
de freios, pneus, sistema elétrico, amortecedores
e correias.
Os fluídos e lubrificantes não podem ser
esquecidos. Verifique o nível do reservatório
do líquido de arrefecimento, do óleo
do motor, caixa de direção hidráulica,
água do lavador de pára-brisa, vidro
traseiro e o funcionamento dos limpadores. Examine
também os filtros de óleo, de combustível
e de ar. Se estiverem desgastados, troque-os.
DICAS PARA UMA VIAGEM AGRADÁVEL O melhor
horário para viajar é pela manhã. Com
o dia claro, é possível estar atento às
condições da estrada e, se a viagem for longa,
é importante parar por alguns minutos para um lanche
e descanso.
Depois de uma boa noite de sono, dá para evitar
que o cansaço tome conta. A postura correta do banco
é fator primordial para se evitar dores nas coluna.
O encosto do banco deve estar inclinado para trás,
os braços e pés devem ficar levemente flexionados.
A alimentação é outro fator fundamental
nas longas viagens. Dirigir com o estômago muito cheio
ou vazio é prejudicial. Dê preferência
a pratos leves, lembrando que a injestão de líquido
é indispensável. Jamais inclua no cardápio
bebidas alcóolicas. Além de ser proibido dirigir
sob efeito de álcool, a bebida distorce a visão,
diminui o reflexo e causa sonolência.
Escolha bem o que levar. Muita gente quer transportar a
casa no porta-malas. Se o veículo não
tiver trailler e não for uma picape, é bom
aprender a carregá-lo apenas com o necessário.
A sobrecarga do automóvel prejudica a estabilidade
em curvas e ao passar em buracos, além de aumentar
a distância em frenagens. Neste caso, use apenas o
porta-malas e não inclua malas extras no interior
do carro. Os pneus devem estar bem calibrados para suportar
o peso.
Algumas ferramentas e acessórios são indispensáveis
nas viagens. Tenha sempre no porta-malas um kit básico
com jogo de chaves fixas, alicate universal, chave de fenda,
chave phillips, carregador de bateria, tesoura, lanterna,
cabo de força com garras para bateria auxiliar, calibrador
portátil de pneus, martelo pequeno, jogo de fusíveis,
de lâmpadas e de velas. Observando essas dicas, a
possibilidade de não enfrentar contratempo na viagem
é de 100%.
FIQUE ESPERTO
Conheça as verdades e mentiras
sobre o carro
Assim como a
criança que brinca com fogo não faz xixi na
cama, nem apontar uma estrela faz nascer verruga no dedo,
algumas proibições são
respeitadas e levadas ao pé da letra pelo motorista
sem que ele sequer saiba que elas simplesmente não
existem.
Desde que o automóvel passou a transportar o homem
de um lado para o outro, opiniões e conselhos isolados
a maioria deles, com certeza, partindo de quem nada
ou pouco entende de mecânica transformaram-se
em verdadeiros tabus que ganharam legiões de seguidores.
Assim, enquanto muitos continuam convictos de coisas absurdas,
na outra ponta da corda acontece exatamente o oposto: uma
pá de recomendações importantes, válidas
não apenas para garantir a manutenção
do veículo mas, principalmente, para proporcionar
maior segurança ao motorista, é ignorada.
Explicar o que ocorre nas duas pontas da corda é
difícil. O primeiro caso está mais para crenças
errôneas estimuladas por um comportamento que começou
errado; o segundo pode ter como diagnóstico
mais plausível a falta de interesse por conhecimentos
técnicos.
Seja como for, fica a dúvida: será que algumas
verdades, ainda um tanto escondidas, ou algumas mentiras,
bastante propaladas, podem surpreender você?
Confira.
As portas de um automóvel em movimento devem
estar travadas... Mentira.
Além de não ser obrigatório, também
não aumenta a segurança como muitos acreditam.
Até porque não se trava nada, mas sim isola-se
o sistema de acionamento dos trincos.
Para travar seria necessário um pino entrando na
coluna da porta, ou algo parecido com uma tramela, o que
não existe. E mais: em um acidente, a porta travada
dificulta o socorro às vítimas porque impede
sua abertura por fora.
Não é por outra razão que alguns modelos
O omega, por exemplo possuem um dispositivo
que destrava as portas em caso de colisão. Mas existe
uma ressalva a ser feita: diante da violência urbana,
recomenda-se trafegar com as portas travadas na cidade para
minimizar o risco de ser assaltado no semáforo.
Quando o pára-brisa é atingido por uma
pedra deve-se colocar a mão sobre ele para impedir
sua quebra... Mentira.
Nem a mão, nem os dedos e nem mesmo um calço
entre o vidro e o retrovisor irão surtir efeito positivo
neste caso. O vidro tem inúmeros pequenos pontos
fracos e quando atingido nestes pontos quebra mesmo. É
por isso que as vezes o pára-brisa recebe o impacto
forte de um objeto pesado e nada acontece e, em outras situações,
estilhaça com uma simples pedrinha. Quando há
pedriscos na pista, o melhor conselho é diminuir
a velocidade e manter boa distância das rodas traseiras
de caminhões.
Pode-se andar a qualquer velocidade desde
que se respeite o limite da velocidade máxima...
Mentira.
Em estradas, pistas expressas, avenidas e ruas existe
uma velocidade mínima a ser respeitada: ela é
exatamente a metade da velocidade máxima permitida
no local e, no caso de vias de duas ou mais pistas o motorista
deve manter-se sempre na faixa da direita.
Acelerar ou não, eis a questão?!?!?
É necessário dar algumas aceleradas no
motor
antes de desligá-lo para evitar seu superaquecimento...
Mentira.
Os motores são fabricados com ligas metálicas
que suportam com folga os graus a mais de temperatura nestas
condições. Muitos podem achar estranho, mas
é normal a ventoinha entrar em funcionamento para
fazer a ventilação forçada por algum
tempo depois que o motor é desligado. Nenhum mistério,
muito menos defeito nisso!
Antes de sair com o carro é necessário
esquentar o motor por alguns minutos... Outra mentira.
Desde que não se exija muito dele, nada impede
de rodar com o carro frio. Os componentes lubrificados atingem
condições ideais na medida em que o veículo
é colocado em movimento. Assim, não há
porque esquentar o motor se o câmbio, suspensão,
pneus e outros componentes estão frios. Mas lembre-se:
o que não se pode fazer é dar arrancadas com
o carro frio porque o óleo, ainda grosso, não
fará a lubrificação correta do motor.
Farol alto, rádio e buzina não gastam
combustível... Mentira.
Todo e qualquer equipamento elétrico consome potência
do motor e, por conseqüência, combustível.
Claro que em doses mínimas, mas o consumo aumenta.
Acompanhe o raciocínio: quando se liga um componente
elétrico, a bateria pede mais energia para o alternador,
que por sua vez exige mais força do motor para girar,
o qual despende, para isso, mais potência. Para veículos
com ar-condicionado a conversa é diferente. O roubo
de potência é bem maior e o consumo de combustível
idem.
Na cidade não é necessário andar
com farol
alto ou baixo ligado, basta usar apenas as lanternas...
Mentira.
O farol baixo à noite é obrigatório
em qualquer via pública, estrada ou cidade. Lanterna
não ilumina nada, só permite que o veículo
seja visto em certas ocasiões, como ao estacionar
por alguns minutos junto à guia, à noite.
Na passagem de um túnel ou em situações
de chuva, de dia, deve-se ligar o farol baixo. Mesmo que
alguém reclame, você tem razão ao andar
com o farol baixo ligado, à noite. Mas preste atenção:
faróis de milha são proibidos na cidade.
ATENÇÃO DOBRADA
Cuidados com oficinas mecânicas
Conserto
de automóvel em oficina mecânica é quase
sempre sinônimo de dor-de-cabeça e preços
altos. O consumidor deve exigir um orçamento
prévio, peças originais e vistoriar o veículo
ao deixá-lo e retirá-lo da oficina.
Deixar um veículo
para reparos e consertos em uma oficina mecânica é
quase sempre sinônimo de dor-de-cabeça, problemas
e preços altos. Para evitar desgastes na hora de
contratar o serviço de um mecânico ou funileiro
a Fundação Procon de São Paulo dá
algumas dicas aos consumidores.
Para quem é leigo em mecânica, funilaria
e pintura o ideal é procurar profissionais recomendados
através de familiares e amigos que já tenham
utilizado de seus serviços. Antes de fechar um acordo
sobre o conserto, é essencial pesquisar bem e comparar
os preços, facilidades de pagamento e qualidade do
serviço.
O consumidor deve exigir um orçamento prévio
do conserto ou reparo. Caso o mecânico cobre por este
serviço, ele deve avisar com antecedência,
pois se decidir cobrar após a vistoria do veículo,
sem avisar, o dono do carro não é obrigado
a pagar. "Normalmente, o orçamento é
gratuito, mas se for cobrado sem o aviso prévio,
o consumidor não deve pagar nada", afirmou a
técnica da área de serviços do Procon,
Gabriela Glinternic.
Exija um orçamento completo com a descrição
minuciosa dos problemas apresentados pelo veículo
e também das peças e serviços que serão
utilizados. Além disso, devem estar listados a mão-de-obra,
os valores de cada peça e serviço, as condições
de pagamento, as datas de início e término
dos serviços e o prazo de validade e de garantia
do serviço.
Peças trocadas devem ser originais
Todas as peças trocadas devem ser originais de fábrica.
Caso as peças de reposição não
sejam originais, o consumidor deve ser avisado. O ideal
é evitar que a peças a serem substituídas
sejam compradas pelo próprio mecânico, porque
geralmente a cotação deste profissional é
mais cara que a cobrada pelo mercado de autopeças.
O consumidor deve solicitar a lista do material necessário
e comprar em lojas especializadas ou revendedoras, onde
os preços são mais baratos. Caso os funcionários
da oficina se negarem a trabalhar desta forma, apresente
o artigo 21 do Código de Defesa do Consumidor,
que diz que as peças só poderão ser
recondicionadas mediante autorização do consumidor.
O cliente pode pedir devolução das peças
que foram substituídas.
Para evitar prejuízos maiores do que o conserto
de seu automóvel, solicite um documento protocolado
relatando as condições gerais do carro, onde
devem estar descritos a quilometragem e o nível de
combustível no momento de chegada a oficina. O consumidor
deve evitar deixar objetos de valor e uso pessoal no veículo
durante sua estadia na oficina.
Consumidor deve vistoriar o veículo no momento
da entrega
No momento da entrega do veículo, o consumidor deve
fazer uma vistoria completa sobre o estado geral do veículo,
certificando-se que não existem amassados, riscos,
equipamentos quebrados, combustível a menos. Aproveite
para testar o carro junto com o mecânico dando uma
voltas nas redondezas da oficina, verificando se não
existe nenhum problema com o motor ou barulhos de peças
soltas. Só retire o automóvel após
o serviço completo.
Se houver algum problema, formalize o problema em um documento
assinado pelo mecânico responsável. Caso não
aconteça entendimento amigável entre as partes,
registre um boletim de ocorrência na delegacia mais
próxima do estabelecimento e depois registre sua
reclamação no Procon. Segundo o Código
de Defesa do Consumidor, a oficina deve oferecer uma garantia
legal de, no mínimo, 90 dias para qualquer serviço
executado. Se o serviço não estiver a contento,
o contratante poderá exigir alternativamente, nova
execução do serviço, a restituição
da quantia paga atualizada monetariamente, ou o abatimento
proporcional do preço.
Exija sempre nota fiscal discriminada contendo tudo o que
foi disposto no orçamento, assim como os dados do
veículo e das partes envolvidas. Em caso de problemas
denuncie o estabelecimento no Procon.
SEGURANÇA
Motoristas ignoram significado de placas
Um dos itens da prova teórica e eliminatória
do processo de habilitação, a sinalização
de trânsito pode pregar peças até entre
os que acham que dirigem bem.
É que algumas placas não são comuns
nas vias urbanas ou são bem específicas de
determinadas rodovias. Resultado: tem motorista que, mesmo
com bom tempo de estrada, jamais viu na prática certas
sinalizações gráficas verticais.
As placas têm a finalidade de contribuir para o
bom fluxo do trânsito e a segurança, estando
divididas entre as placas de regulamentação,
advertência e indicação.
As placas de regulamentação, de acordo com
o Código de Trânsito Brasileiro, têm
a finalidade de informar aos usuários as condições,
proibições, obrigações ou restrições
das vias. Entre as 34 placas desta espécie, a maioria
é conhecida (apesar de ser ignorada por muitos motoristas)
e está presente nos centros urbanos: sentido
proibido, proibido virar à direita,
largura máxima permitida com os números
indicados, velocidade máxima permitida
também com a velocidade indicada, e proibido
acionar buzina ou sinal sonoro.
As menos conhecidas provavelmente são uso
obrigatório de correntes mostrando o
desenho de um pneu coberto pelas correntes - e alfândega
- com o desenho de uma barreira. Mas há quem se esqueça
do significado de outras placas de regulamentação,
como dê a preferência - uma placa
triangular com borda vermelha e fundo branco.
Advertência
Com fundo amarelo e legendas pretas, no formato quadrado,
as placas de advertência têm a finalidade de
alertar os usuários das condições potencialmente
perigosas na via. São ao todo 45 tipos de advertências,
como curvas, cruzamentos, estreitamento de pista, sentido
e outras ocorrências, porém nem todos motoristas
conseguem memorizar o significado de metade destas placas.
Bifurcação em Y ou T,
confluência à direita ou à esquerda,
junções sucessivas contrárias, ponte
estreita podem ser alguns dos avisos que geram dúvidas
entre os motoristas, que normalmente encontram estas placas
em estradas. Mas, por questões óbvias, quem
nunca foi muito longe de carro não deve ter visto
na prática placas de alerta como bonde,
ponte móvel, ventos laterais
e animais selvagens.
Quando qualquer uma das placas estiver no caminho, é
preciso ter atenção dobrada. Na situação
de encontrar a sinalização passagem
de nível sem barreira, o motorista pode estar
prestes a atravessar uma linha férrea. Antes, deve
olhar para os dois lados e prestar atenção
se escuta a chegada de um trem.
Indicação
O objetivo das placas de indicação é
o de identificar as vias, os destinos e os locais de interesse,
além de orientar quanto aos percursos, distâncias
e serviços auxiliares. Também podem ter função
educativa.
São divididas em vários tipos de placas:
as de localização e identificação
de destino, que posicionam o condutor ao longo do seu deslocamento
ou em relação à distância ou
aos locais de destino; as de orientação de
destino, indicando a direção que o condutor
deverá seguir para atingir determinados lugares,
com percursos e distâncias; as educativas, com a função
de educar condutores e pedestres quanto ao comportamento
no trânsito; e as de serviços auxiliares e
atrativos turísticos, que sinalizam locais como pronto-socorro,
serviço mecânico, restaurante etc.
É bom saber que ...
1 - As mensagens das placas de regulamentação
são imperativas e a sua violação constitui
em infração prevista no Código de Trânsito
Brasileiro.
2 - As placas de regulamentação indicam obrigação
e, com tarja vermelha, proibição.
3 - As placas de regulamentação são
sempre circulares, com exceção da placa octogonal
de parada obrigatória e triangular dê
a preferência.
4 - As cores das placas (as bordas, o fundo e as legendas)
obedecem a determinados procedimentos: vermelhas para obrigação
de parada e regulamentação (proibição
ou obrigação) em geral, verde para passagem
permitida e orientação direcional, azul para
indicação de serviços auxiliares, amarelo
para atenção generalizada, preta para regulamentação
e informação, e branca - para regulamentação
e informação.
5 - As mensagens das placas de advertência possuem
caráter de recomendação.
6 - As mensagens das placas de indicação
são de caráter meramente informativo ou educativo,
não sendo uma imposição.
Pedestres também têm que estar atentos
O motorista não é único que deve estar
atento às placas de sinalização e seus
significados. Pedestres, ciclistas, motociclistas e até
condutores de veículos de tração animal
têm que estar de olho em como proceder, conhecendo
as proibições e os direitos. Além disso,
entre a sinalização de indicação
existem as placas com mensagens de educação
e comportamento no trânsito.
Entre os conjuntos de sinais de regulamentação,
existem as placas proibido trânsito de bicicletas,
proibido trânsito de máquinas agrícolas,
proibido trânsito de pedestres e proibido
trânsito de veículos de tração
animal, além de indicações para
o pedestre andar pela direita ou esquerda.
Mas os transeuntes devem ficar atentos para sinalizações
aparentemente voltadas para os condutores de carros. Placas
do tipo duplo sentido de circulação,
passagem obrigatória e vire à
esquerda podem significar a vida do pedestre.
Especiais
No conjunto de sinais de advertência, há as
placas especiais para pedestres, chamando a atenção
para a existência ou natureza de perigo na via. Entre
as placas de indicação, há aquelas
educativas, com mensagens do tipo pedestre, aguarde
o sinal verde, utilize a passagem subterrânea
ou pedestre, atravesse na faixa. Em qualquer
caso, é sempre bom ler e respeitar o que está
indicado.
IMPRUDÊNCIA
Instalação irregular gera
explosão de carro movido a gás
Essa matéria,
publicada na Agência Estado no dia 19 de dezembro
de 2000, é importante para que as pessoas que ainda
não se preocupam com a segurança de possuir
um carro movido a gás, abram os olhos para os riscos
e conseqüências da sua utilização.
Instalação fora das normas
de segurança causou o acidente
São Paulo, SP - O uso de um botijão de gás
de cozinha num veículo movido a gás natural
provocou uma explosão na noite do dia 18 de dezembro
de 2000, causando ferimentos a duas pessoas.
Por volta das 22h de segunda-feira, o condutor do veículo,
juntamente com seu filho, pararam no posto Ipiranga, na
avenida Giovanni Gronchi, nº 6775, no bairro do Morumbi,
para abastecer o furgão Fiat Fiorino.
O carro tinha uma interligação entre um
cilindro e um botijão de gás doméstico,
violando as normas de segurança.
O funcionário do posto que abastecia o veículo
constatou um forte cheiro de gás, mas o proprietário
teria afirmado que o odor vinha dos peixes que transportava.
Durante a operação de abastecimento, o botijão,
que possui uma resistência à pressão
menor que a do cilindro, explodiu, destruindo completamente
a parte traseira do veículo. Uma roda e o
teto do carro foram jogados para o outro lado
da avenida Giovanni Gronchi.
Com a explosão, o dono do veículo acabou
sofrendo esmagamento do pé direito. O filho,
que estava no interior da Fiorino, foi atingido em
um dos olhos por estilhaços de vidro.
Ambos foram internados no Pronto-socorro do Hospital das
Clínicas. Os danos materiais e físicos só
não foram maiores porque o gás não
se inflamou no momento da explosão.
SERÁ PETRÓLEO EM PÓ?!
Invenção misteriosa vai
impactar o mundo
A Mecânica Online abre espaço para uma
matéria interessante que circula nos meios de comunicação.
Você já ouviu falar na coisa?
Dizem que um aparelho revolucionário apoiado por
Steve Jobs e Jeff Bezos será mais revolucionário
que a internet. A coisa, como é chamada, pelo
menos tem gente de gabarito por trás.
O projeto de um livro sobre uma misteriosa invenção
que seria mais importante que a internet e capaz de gerar
riquezas fantásticas está cativando a indústria
da tecnologia (que bem gostaria de um milagre).
Especula-se que a Harvard Business School Press tenha pago
US$ 250 mil dólares por um livro sobre o IT, ou a
coisa, um aparelho também chamado de Ginger, que
será revelado no ano que vem pelo milionário
inventor Dean Kamen.
Em nota divulgada, Kamen, de 49 anos, não revela
muito sobre a invenção, ainda em fase de desenvolvimento
e confidencial.
Detalhes da máquina estão contidos na proposta
de um livro do jornalista Steve Kemper, escritor que colabora
para publicações como a Smithsonian, uma popular
revista científica americana.
Muito do que se sabe sobre o Ginger é o que ele
não é. Segundo as fontes de notícias,
a invenção pode ser montada em 10 minutos
com o uso de simples ferramentas. Cada Ginger custará
menos de US$ 2 mil a unidade quando for lançado,
em 2002.
Com as entrelinhas recheadas de notícias sobre o
fim da era dos computadores pessoais e a destruição
de muitas empresas ponto.com, a indústria da tecnologia
redobrou sua irrepreensível busca pela próxima
grande novidade.
Líderes da tecnologia, como o co-fundador da Apple
Computer, Steve Jobs, e o fundador da Amazon.com, Jeff Bezos,
e o aventureiro capitalista John Doerr, disseram estar fascinados
pela demonstração de um protótipo da
máquina e estão investindo milhões
de dólares no Ginger.
O banco de investimentos Credit Suisse First Boston espera
que o produto possa gerar mais em seu primeiro ano do que
qualquer outro lançamento, o que faria de Kamen mais
rico que Bill Gates em menos de cinco anos, de acordo com
os detalhes apresentados.
Jobs prevê que as cidades serão construídas
ao redor das máquinas. Bezos denomina o produto como
revolucionário. Kamen proclama que o
Ginger como algo que transformará as instituições
sociais e irá balançar as empresas de bilhões
de dólares. Nenhuma destas pessoas, incluindo os
editores e os agentes literários, comentaram as declarações.
Kamen, que vive em uma casa criada por ele mesmo em um
bairro fora de Manchester, inventou a primeira bomba de
insulina portátil na década dos 70. Por 20
anos, Kamen tem trabalhado na criação de produtos
inovadores de tecnologia e saúde no DEKA Research
and Development, em Manchester.
Estamos orgulhosos de nosso recorde em introduzir
tantos produtos revolucionários e continuaremos nosso
trabalho em diversos produtos durante muito tempo,
disse Kamen em resposta à atenção gerada
pelo Ginger.
Entre as recentes invenções de Kamen, está
uma cadeira de rodas capaz de subir escadas. Ele também
organiza um concurso de invenção de robôs
que atrai mais de 10 mil participantes anualmente, no parque
Epcot Center.
EXCLUSIVO
Qual o melhor curso de Engenharia Mecânica
do Brasil?
O provão
2000, divulgado pelo Ministério da Educação,
mostra a situação dos principais cursos de
engenharia mecânica das universidades brasileiras.
As universidades, de acordo com o MEC, são avaliadas
e recebem os conceitos A, B, C, D e E de acordo com o desempenho
dos graduandos nas provas e também pela administração
e desenvolvimento do departamento.
Ao todo, 73 universidades foram avaliadas pelo provão,
sendo 25 federais, 13 estaduais, 3 municipais e 32 privadas,
e os conceitos foram os mais variados.
A análise dos conceitos obtidos revela que nas instituições
federais: 52% dos cursos avaliados alcançaram conceitos
A e B; o conceito C foi obtido por 28% deles; e os conceitos
D e E, por 20% dos participantes. Em relação ao ano anterior,
verifica-se que em 2000 diminuiu o percentual de cursos
com conceitos A, B e C, e aumentou o daqueles com conceitos
D e E;
Já nas instituições estaduais, 38,5% dos
cursos participantes obtiveram conceitos A e B; 30,8%, o
conceito C; e outros 30,8%, os conceitos D e E. A comparação
com o ano anterior revela que em 2000 diminuiu o percentual
de cursos com conceitos A, B e C, e aumentou o daqueles
com conceitos D e E;
Quanto as instituições municipais: nenhum curso
conquistou os conceitos A e B em 2000; 66,7% obtiveram o
conceito C; e 33,3%, os conceitos D e E. Comparados com
os percentuais obtidos no ano anterior, verifica-se que
também não foram atribuídos conceitos A e B em 1999; que
cresceu o número de cursos com conceito C e caiu o daqueles
que obtiveram conceitos D e E;
As instituições privadas: 15,7% dos cursos participantes
alcançaram os conceitos A e B; o C foi obtido por 53,1%
deles; e 31,3% ficaram com os conceitos D e E. Em relação
ao ano anterior, nota-se que em 2000 aumentou o percentual
de cursos com conceitos A, B e C e diminuiu o daqueles com
D e E.
Esses dados que foram apresentados pelo MEC, mostram claramente
uma melhora no ensino privado e uma queda nas outras universidades,
principalmente as federais e estaduais.
Mas apesar dessa melhora no ensino privado, a relação
com os dez melhores cursos de engenharia mecânica
do Brasil, apresenta em sua maioria os cursos das universidades
administradas pelo governo federal ou estadual.
Veja só:
| 10 |
UFF - RJ
Federal |
| 9 |
FEI - São Bernardo - SP
Privada |
| 8 |
USP - Capital (São Paulo)
Estadual |
| 7 |
UNICAMP
Estadual |
| 6 |
USP - São Carlos
Estadual |
| 5 |
UFSC
Federal |
| 4 |
ITA
Federal |
| 3 |
CEFET/PR
Federal |
| 2 |
PUC - RJ
Privada |
| 1 |
UNB - Universidade de Brasília
Federal |
A Universidade de Brasília, que já havia
obtido o conceito A, no ano anterior, continuou nesse mesmo
conceito, mas com uma evolução positiva de
6.1, ultrapassando a Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-RJ), que obteve uma evolução
positiva de 2.9.
Enquanto o provão revela os melhores cursos, ele
também apresenta os cursos que estão em baixa,
e com riscos quantos a sua continuação. A
setuagésima terceira posição ficou
para a Universidade Estadual do Maranhão, a UEMA,
seguida pela Faculdade de Engenharia Souza Marques, privada,
que fica no Rio de Janeiro e pela Universidade do Estado
de Minas Gerais, localizada em Varginha.
Comparando a situação entre a Universidade
de Brasília, com o melhor conceito e a Universidade
Estadual do Maranhão, nota-se que em titulação
a UNB possui cerca de 72% de doutores, 25% são mestres
e 3% com apenas graduação. Já a UEMA,
possui apenas 7% de doutores, 9% são mestres, 68%
estão na fase de especialização e 17%
possuem apenas graduação.
A Universidade de Brasília
O Departamento de Engenharia Mecânica foi criado
em 1967, e vem se destacando pela integração
entre a graduação e pós-graduação.
Abriga dois cursos de formação em nível
de graduação (Engenharia Mecânica e
Engenharia Mecatrônica), um programa de pós-graduação
Strictu Sensu com curso de Mestrado e Doutorado e um curso
de pós-graduação latu-sensu em Engenharia
de Segurança do Trabalho.
Com um corpo docente qualificado de trinta professores,
o departamento é subdividido em cinco grupos de atuação.
Estes grupos compõem uma subdivisão de três
grandes áreas: Área de térmica e fluidos.
Área de materiais e processos e área de mecânica
dos sólidos e projeto mecânico.
Departamento em Números
Alunos Engenharia Mecânica : 340
Alunos Engenharia Mecatrônica : 80
Alunos Pós-Graduação : 34
Pesquisadores associados : 13
Laboratórios de Ensino e Pesquisa : 13
Uma universidade privada de muita qualidade: PUC - Rio
de Janeiro
O Departamento de Engenharia Mecânica da PUC-Rio
dispõe de bem equipados Laboratórios de Ensino
e Pesquisa os quais promovem um ambiente moderno para realização
de experimentos práticos s simulações
numérico-computacionais, consistindo de base experimental
para um Programa de Pós-Graduação que
sempre obteve grau máximo na avaliação
da CAPES. Além disso, entre as suas iniciativas estão
a construção de um dirigível comandado
por controle remoto, projetado por alunos, e a participação
de alunos na competição SAE de construção
de automóveis mini-baja (Projeto Mini-Baja).
O entrosamento do Departamento de Engenharia Mecânica
com a indústria pode ser medido por seus projetos
para a Petrobrás, a Agência Espacial Brasileira
e a White Martins, além da prestação
de serviços para dezenas de outras empresas como,
por exemplo, Mercedes Benz, Maxxion, CVRD, Concremat e Nuclen.
Este entrosamento permite a orgarnização
de um estágio de tempo integral (ao longo de todo
o 9º semestre do curso), onde o aluno trabalha em uma
indústria mecânica, sob controle e orientação
da Universidade.
O FUTURO É AGORA
Novas tecnologias surgem nos carros
A ênfase dos fabricantes dos veículos de
passeio volta-se agora para o conforto e a tecnologia de
bordo
Carros não serão mais só um meio de
transporte, mas também uma extensão da casa
e do escritório. A profecia, com prazo de cinco anos
para se concretizar, foi feita pelas duas maiores empresas
de tecnologia automotiva do mundo - as americanas Delphi
e Visteon. Ambas estão divulgando no Brasil uma série
de equipamentos que, se hoje parecem coisa de ficção
científica, em breve serão parte indispensável
dos veículos de passeio.
"Em cidades congestionadas como São Paulo ou
Tóquio, não existe o puro prazer de dirigir.
É preciso que o automóvel tenha algo a mais",
diz o alemão Volker Barth, presidente da filial sul-americana
da Delphi. Faz sentido.
Os carros sempre obedeceram às necessidades de cada
época. Nas décadas de 50 e 60, os fabricantes
buscaram a velocidade, com motores cada vez mais potentes.
Nos anos 70, foi a vez de atacar o consumo de combustíveis.
Nas décadas de 80 e 90, quando a segurança
foi a meta, surgiram acessórios como freios ABS e
air bags.
Quando a ênfase for o conforto e a tecnologia a bordo,
será possível usar a Internet, ditar e-mails
e ganhar uma massagem nas costas enquanto se dirige. Olhar
mapas vai ser coisa do passado: sistemas de navegação
avisarão, em viva voz, pelos alto-falantes, quando
é a hora de dobrar uma esquina para chegar ao lugar
desejado. Os navegadores receberão informações
sobre congestionamentos diretamente dos órgãos
de trânsito.
Já existe um modelo de Mercedes com sensores instalados
nos pára-choques para alertar os mais distraídos
caso estejam se aproximando do carro à frente. Se
o motorista não fizer nada, o computador desacelera
o veículo. No futuro, na iminência de uma colisão,
os air bags dispararão automaticamente, com intensidade
adequada à velocidade da batida. "Tecnologia
para tudo isto já existe", diz Barth. "É
só uma questão de custo e tempo."
Das pistas de corrida para as ruas
Década de 50
O cinto de segurança torna-se obrigatório
em carros de competição nos Estados Unidos
em 1954. Cinco anos depois, a Volvo lança o primeiro
automóvel com cinto de segurança. No Brasil,
na década de 60, ele era vendido como "acessório
esportivo".
Década de 60
O freio a disco, que já tinha sido experimentado
na década de 20, só ganhou fama graças
a uma espetacular vitória da Jaguar nas 24 horas
de Le Mans de 1955. Acabou virando item de série
nos carros de rua nos anos 60.
Década de 70
Cai o mito de que "carro bom é aquele que não
amassa". A estrutura deformável, que amortece
as colisões, passa a ser obrigatória na Fórmula
1 em 1973. Os carros de rua adotam isso instantaneamente.
O pneu radial apareceu no começo do século,
mas foi abandonado por ser "muito duro". Mais
tarde, na década de 50, ressurgiu na Fórmula
1, justamente porque eramais rígido e seguro que
os pneus tradicionais. Só no final dos anos 70 começou
a predominar entre os carros de passeio.
Década de 90
Usado na Fórmula 1 nos anos 70 e 80, o alumínio
passa a ser empregado na carroceria de carros da linha Audi
e em modelos esportivos como o Plymouth Prowler. Mais leve,
permite bom desempenho e economia de combustível.
O câmbio semi-automático, controlado por alavancas
atrás do volante, faz sucesso na Ferrari, em 1992.
Hoje, já pode ser encontrado em carros de passeio
como Porsche, Alfa Romeo e na própria Ferrari.
O motor multiválvulas, usado na Fórmula 1
desde os anos 50, vira símbolo de potência
e tecnologia. Ganha as ruas européias no começo
da década de 90 e chega ao Brasil em 1994, com o
Tempra 16 V. Hoje, equipa até os carros 1.0.
Em 1997, a Federação Internacional de Automobilismo
torna obrigatória na F-1 a "caixa-preta",
para que se possa saber as causas dos acidentes. Carros
de rua, como Buick e Corvette, já têm o sistema.
O PÁRA-BRISA INTELIGENTE terá uma área
onde serão projetados os instrumentos do painel,
evitando que o motorista desvie o olhar para baixo, como
acontece hoje. Além disso, um sistema de visão
noturna permitirá enxergar mais com menos luz. Já
está em testes no Cadillac.
O VIDEOGAME vai acabar com a choradeira das crianças
nas viagens mais longas. Os carros sairão de fábrica
com telas instaladas na parte de trás dos encostos
de cabeça e plugues para joystick e fones de ouvido.
Por essas mesmas telas será possível assistir
TV, utilizar programas em CD-ROM ou acessar a Internet.
OS BOTÕES são coisa do passado. Sistemas
que respondem a comandos de voz do motorista já existem
e estão sendo aprimorados. O da Visteon é
capaz de reconhecer quatro sotaques diferentes em inglês.
Pode-se acionar ar-condicionado, porta-malas, luzes e som.
Para mudar de emissora, basta chamar o rádio e dizer
o nome da estação.
QUANDO O SONHO TORNOU-SE REALIDADE
A história do motor a água
Um dos sonhos mais frequentes dos projetistas de automóveis
tem sido fabricar um veículo movido por motor que
utilize substâncias fornecidas em abundância
pela natureza: o ar e a água, por exemplo.
Infelizmente, água e ar não se combinam de
forma a fornecer energia útil. Não obstante,
por volta de 1903, foi construído e passeou pelas
estradas dos Estados Unidos um carro movido a água.
Tratava-se do Charter, um phaeton fabricado após
anos de experiências por James A. Charter.
Deve ficar claro que a expressão motor a água
foi dada pelo povo e provavelmente reflete toda a ansiedade
popular. De fato, Charter tinha os pés na terra e
falava de seu invento como motor de água e gasolina.
De qualquer forma, era um estranho veículo. Naquela
época, apesar dos consideráveis progressos
feitos desde os primeiros dias da carruagem sem cavalo,
a carburação ainda estava longe de ser perfeita.
Dispositivos bizarros e estranhos foram inventados para
utilizar o milagre da perfeita mistura de ar e vapor de
gasolina, quaisquer que fossem as circunstâncias do
motor - alta ou baixa velocidade, subindo ou descendo rampas,
em clima quente ou frio, úmido ou seco, carregando
muito peso ou não. Ainda hoje, apesar dos grandes
avanços tecnológicos, esse problema ainda
não foi resolvido.
James Charter achou que a carburação poderia
ser melhorada obtendo oxigênio necessário para
a combustão, a partir da água. Usou uma mistura
de duas partes de gasolina para uma parte de água.
Mas, a fraqueza de seu motor residia na dificuldade de
mantê-lo na temperatura correta, que deveria ser suficientemente
alta para causar a vaporização instantânea
da mistura líquida introduzida no cilindro, mas não
tão alta a ponto de provocar um superaquecimento
e a pré-ignição.
O sistema usado por Charter para indicar o superaquecimento
no motor também era muito esquisito. Ele colocou
o motor diretamente sob os bancos do motorista e do passageiro.
Assim, a própria sensibilidade dos ocupantes mostrava
quando era necessário parar o carro e esfriar o motor
antes que se tornasse superaquecido. Desnecessário
será acrescentar que o carro do Sr. Charter teve
vida efêmera.
NOVAS TECNOLOGIAS
Carro elétrico mobiliza indústria
A história ensina: introduzir novas tecnologias
no mercado, principalmente as radicais, é antes de
tudo um trabalho de paciência.
Um século e meio depois da apresentação
do primeiro carro elétrico por um escocês,
ainda há pessoas que acham que automóveis
a baterias poderao brevemente substituir os veículos
com motor de combustao interna. Volta e meia a imprensa
noticia o lançamento de um veículo a baterias.
Os motores elétricos têm tido avanços
extraordinários. A AC Propulsion americana usa um
motor elétrico bravo, de corrente alternada e 200
cv em seu carro esporte tzero. Seu torque, de 22,7 kgfm,
é mantido constante de zero a 5 mil rpm, proporcionando
um desempenho interessante.
Dois desses motores levaram o carro a estabelecer um novo
recorde de velocidade para modelos elétricos: 395
km/h. O Necar IV da Xcellsys, ex-ddb Fuel Cell Engines,
da DaimlerChrysler, Ballard e Ford, tem motor calmo de 75
cv - potência de motor 1.4 convencional.
A Honda usa motor AC sincronizado de 65 cv em seus protótipos
com células; a GM, um Panasonic de 46 cv no híbrido
Precept e a Nissan, um AC da Hitachi de 83 cv e 16 kgfm
refri- gerado a água em seu FCV.
O motor elétrico leva uma vantagem: nao precisa
de caixa de mudanças, bastando uma simples caixa
de reduçao. O carro elétrico a células
de combustível é muito mais radical do que
o elétrico a baterias.
Tudo começou na década de 60, com a NASA
utilizando células alcalinas nos Gemini e Apollo,
cujas demandas de energia eram constantes. Um veículo
terrestre, porém, precisa de energia variável
para se adaptar às variaçoes constantes do
tráfego.
A entao Daimler-Benz queria células que nao precisassem
de baterias de traçao e a Ballard Power Systems,
desde 1989, vinha desenvolvendo células PEM, de membrana
de troca de prótons, capazes de tocar diretamente
um motor elétrico.
Em 1993, a Daimler contratou a Ballard para desenvolver
uma pilha de células PEM e, quatro anos depois, vendo
que o programa de P&D apontava para ótimas possibilidades
de êxito, adquiriu 25% dela por US$ 450 milhoes, gerando
duas outras companhias, a Ballard Automotive e a ddb Fuel
Cell Engines.
Para chefiar o extenso programa de desenvolvimento que
tinha pela frente na ddb, veio buscar Ferdinand Panik, diretor
de desenvolvimento da Mercedes-Benz do Brasil há
sete anos. Ainda em dezembro daquele ano, a Ford americana
juntou-se à dupla germano-canadense, pagando por
isso US$ 420 milhoes. A entrada da Ford gerou uma terceira
companhia ultra-especializada, a Ecostar Electric Drive
Systems, para o desenvolvimento de transmissoes específicas
para motores e carros elétricos.
Só para constar: a Chrysler, em 1997, antes de ser
absorvida pela Daimler, comprou US$ 4 milhoes de células
da Ballard.
A ddb iniciou o desenvolvimento de células automotivas
em ônibus e furgoes e, à medida que ia miniaturizando
todo o pacote técnico, passou a fazer seus Necar
(new car), até chegar ao Necar IV, com tanque de
hidrogênio comprimido e capacidade de rodar 280 km
com ele cheio. As próximas geraçoes, das quais
o Necar X (nao dez, mas X de experimental) faz parte, mostra
todo o sistema de células abaixo do painel de piso
com reformador e tanque de metanol, deverao trazer até
mesmo um motor elétrico em cada uma das quatro rodas.
No Salao de Detroit do início deste ano, a Ballard
mostrou seu módulo Mk 900, substituto do Mk 700,
que está nos Necar IV, Ford P2000, Honda FCX VI e
Nissan FCV. As Mk 900 conseguem dar partida a 25 graus abaixo
de zero, têm densidade energética 30% mais
alta, ocupam metade do espaço, sao 30% mais leves
e podem utilizar hidrogênio puro ou reformado de metanol
- mas nao gasolina, que libera menos hidrogênio e
teria de ser refinada sem aromáticos ou enxofre.
O metanol, porém, também nao é uma
maravilha, já que apresenta problemas de corrosao,
envenenamento e queima com chama invisível. Mais:
exige equipamento de aço inox nos tanques, bombas
e bicos dos postos de abastecimento, tornando seu uso ainda
incerto. Melhor seriam combustíveis sintéticos
resultantes dos processos Fischer-Tropsch ou Syntroleum.
Talvez por isso, a DaimlerChrysler e a GM parecem estar
voltando a uma preferência pelo uso direto do hidrogênio,
o que exigiria desenvolvimento de uma infra-estrutura mundial
caríssima de geraçao e distribuiçao
do combustível.
A Honda garante que terá um carro a células
de combustível em 2003 e a Ford e a DaimlerChrysler,
em 2004. Para fornecer células ainda mais avançadas,
a Ballard já constrói uma fábrica de
quase 10 mil m².
Mas nao sao só as montadoras que trabalham nas células
de combustível. A Epyx Corporation, de Nova York,
e a Plug Power, de Massachusetts, já mostraram células
com reformador para múltiplos combustíveis:
gasolina reformulada da Fase II da Califórnia, sem
enxofre, gás natural, metanol, M85 (85% metanol,
15% gasolina) e etanol. A Global Fuel Cell Corporation deverá
iniciar a manufatura de sua célula PEM Carbon X que,
de acordo com suas declaraçoes, tem duas vezes a
densidade energética de qualquer outra célula
até hoje apresentada.
No ano passado, as montadoras japonesas investiram mais
de meio bilhao de dólares nessa pesquisa. Globalmente,
mais de 60 companhias, incluindo sete das dez maiores do
mundo, trabalham ativamente em trens de força com
células de combustível.
Ciência da Mecânica - Edição
01
Bem-vindos à esta nova coluna
da Mecânica Online. Regularmente, irei propor questões
de Engenharia Mecânica, especialmente nas áreas
de Mecânica dos Fluidos e Transmissão de Calor,
sempre procurando unir a teoria às práticas
do dia-a-dia, visando motivá-los a aprofundar seus
conhecimentos de ciência e tecnologia.
Conto com vocês para que as melhores
respostas, corretas ou pelo menos as mais criativas, possam
ser publicadas na coluna seguinte, com os devidos créditos,
claro.
Naturalmente, seria também interessante
que vocês me enviassem suas dúvidas ou mesmo
questões interessantes, práticas ou teóricas,
com ou sem respostas, para que sejam propostas a todos os
leitores da Mecânica Online. Novamente, as melhores
serão publicadas e respondidas aqui, uma vez que
não há como responder a todas. Em tempo, não
tenho como responder a perguntas típicas de trabalhos
acadêmicos.
Como primeira questão a ser levantada
nesta coluna, escolhi uma na área de Mecânica
dos Fluidos. Imagine dois carros de corrida, um bem atrás
do outro. Costumamos dizer que o carro de trás está
no "vácuo" do carro da frente. Isto é verdade?
Há algum "vácuo" nesta história?
O conceito mais importante por trás
da resposta é a existência da viscosidade do
fluido, propriedade termodinâmica, que costumamos
associar à capacidade do óleo do automóvel
funcionar como lubrificante. Entretanto, aquela propriedade
é responsável por um dos mais interessantes
fenômenos que é o da separação
do escoamento sobre superfícies curvas.
Para uma breve discussão, vamos
supor que os carros não estejam acelerando, de forma
que possamos analisar o ar escoando sobre eles, ao invés
de discutirmos os escoamentos dos carros através
do ar (relatividade é um fato!). Neste exemplo, embora
a explicação sirva também para qualquer
outro fluido, o ar tende a acompanhar a superfície
de um automóvel (novamente: de qualquer superfície).
Da mesma maneira, vamos imaginar que o automóvel
seja um hemisfério, uma meia laranja, para facilitar
nossa análise. Ou seja, estamos modelando uma carroceria
de um automóvel como um hemisfério.
Parece brincadeira isto mas você
lembra daquele filme no qual o Michael Jackson desaparecia
e em seu lugar, aparecia um leopardo? Pois bem, pense em
alguma sucessão de eventos semelhantes para que o
perfil do automóvel mude para um hemisfério.
Na parte da frente do automóvel,
ao longo do "capô", o formato da superfície
é tal que o fluido consegue seguir sem problemas.
Ao atingir o "teto" do carro, a velocidade do ar é
ligeiramente maior que a velocidade do ar antes de atingir
o automóvel. Por quê? Como a velocidade
ali é maior, sabemos que a pressão é
menor (Bernoulli). Na "traseira" do carro, ao contrário,
o formato é tal que o escoamento vai sendo desacelerado
e com isto, a pressão na parte traseira, vai aumentando.
Se os efeitos da viscosidade fossem desprezíveis
(apenas uma consideração teórica),
não iríamos ter grandes problemas pela simetria
ao longo do escoamento sobre nosso modelo. Nesta situação,
o tipo de escoamento antes do teto seria muito semelhante
ao tipo de escoamento depois do teto. Claro, na frente há
uma aceleração e na traseira há uma
desaceleração, mas fora isto, o escoamento
é semelhante.
A variação da pressão
ao longo da carroceria seria então algo como: pressão
alta, pressão baixa, pressão alta. Como podemos
sempre associar a pressão a uma força, a igualdade
de pressões sobre o capô e o porta malas resultaria
numa força horizontal nula. Claro, esta força
horizontal seria a força de arrasto aerodinâmico.
Entretanto, pela ação da
viscosidade, o fluido tem dificuldades em acompanhar a superfície
traseira do carro e acaba se afastando dela, no que chamamos
de separação do escoamento. Em consequência,
a pressão que deveria aumentar até atingir
o nível que tinha sobre o capô, não
o faz, resultando em um desbalanço entre a pressão
ao longo do capô e a pressão ao longo do porta
malas. Isto resulta em uma força de arrasto não
nula.
Além disto, a região na traseira
onde a pressão deveria ser próxima à
pressão sobre o capô, chamada região
de separação de fluido, é uma região
de baixa velocidade (pelo menos se comparada com o escoamento
externo), exatamente pois o escoamento principal separou-se
da superfície. Isto faz com que o carro que está
atrás não sofra a ação dos fortes
ventos que atingem o carro da frente, permitindo que
o de trás não gaste tanta energia (ou seja,
combustível) para seguir em frente, pois não
precisa enfrentar o vento.
Entretanto, como a refrigeração
do motor dos carros é feita pela corrente de ar,
o carro de trás não pode permanecer muito
tempo nesta região, sob pena de superaquecimento.
Assim é que o piloto do carro de trás permanece
naquela região, bem próxima ao do carro da
frente, por um tempo necessário para ele poder ultrapassar
o carro da frente, saindo do "vácuo", mas não
mais que isto.
Como vimos, o que existe na parte de trás
é "apenas" uma região onde os fortes ventos
que atingem o carro da frente não atingem, e portanto,
não importunam o carro de trás, mas em todo
e qualquer ponto desta região separada há
ar, embora escoando em baixa velocidade. Ou seja, o uso
da expressão "vácuo" é um grande exagero
e deveria ser evitado a todo custo. Se houvesse vácuo
ali, como é que o piloto do carro de trás
conseguiria respirar?
Se você entendeu esta explicação,
responda agora: Por que a traseira dos ônibus que
trafegam em estradas sujas e poeirentas é muito mais
suja que as laterais?
A melhor resposta vai ganhar um treinamento
da Mecânica Online; Para participar, basta enviar
sua resposta para o email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
com seu nome, email, cidade e estado.
Washington
Braga Filho, PhD
Professor Associado de Engenharia Mecânica - PUC -
Rio de Janeiro
Coordenador Administrativo da Rede Rio de Computadores /
FAPERJ
email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
Website: http://venus.rdc.puc-rio.br/wbraga/hpn.htm
Coluna Exclusiva Mecânica Online - Número 01
- Janeiro - 2001
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