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Edição 14 - Fevereiro de 2001
Conteúdo básico
PROTEÇÃO
Os perigos do sol
O verão pode trazer sérios danos ao automóvel.
O clima quente, além de aumentar a temperatura interna
do veículo, estraga a pintura, bancos e as partes
plásticas. Principalmente se o automóvel for
submetido a super exposição solar. A incidência
dos raios ultravioletas sobre a lataria provoca manchas
esbranquiçadas e queimaduras na pintura.
Quem mais sofre com os efeitos solares são os carros
de cores escuras. Os veículos de cor preta, vermelha,
azul e o verde, por reterem mais calor, absorvem mais os
raios solares. Por esse motivo, eles queimam mais facilmente
do que os de cores mais claras. Em carros brancos
a tendência é a pintura amarelar.
A camada de verniz aplicada sobre a pintura não
é suficiente para proteger os automóveis dos
efeitos do sol. Por isso, a pintura tende a descolorir.
O sol também representa um perigo para as partes
plásticas do carro. Para se ter uma idéia,
o painel de um carro que fica exposto a uma temperatura
de 35 graus centígrados chega a atingir 65 graus.
Se o automóvel for de cor preta, o calor que incide
sobre a peça pode chegar a 68 graus.
O painel, pára-choques, puxadores e outras
partes expostas aos raios solares tendem a ressecar e ficar
opacas. Em alguns casos pode trincar.
PREVENÇÃO Nem sempre é
possível manter o automóvel ao abrigo do sol,
ainda mais para quem utiliza estacionamento público.
No entanto, existem alguns cuidados que impedem que os
efeitos nocivos dos raios ultravioleta danifiquem o carro.
Realizar o polimento da pintura após a lavagem é
um deles. Uma forma mais eficiente e duradoura é
a revitalização. Ela é indicada
para os carros que apresentam perda da cor.
No processo de revitalização da pintura são
usados produtos mais abrasivos, que removem a oxidação,
pequenos riscos, imperfeições e manchas provocadas
pela exposição excessiva ao sol. O polímero
acrílico, que compõe a cera revitalizadora,
proporciona um brilho intenso e a proteção
necessária para a pintura do carro.
Com a revitalização é possível
remover o queimado da pintura sem atingir a camada de verniz
do automóvel. A boina de espuma sintética
espalha o produto apropriado para a remoção
da mancha ou queimado sem atacar a pintura. Depois
desse processo, uma outra boina lustradora espalha a cera
protetora. A durabilidade da revitalização
é de seis meses.
Além de proteger a pintura, o proprietário
do automóvel deve tomar algumas precauções
no momento de lavar o carro. Às vezes, as manchas
na pintura são provocadas pelo uso de produtos inadequados,
como xampus à base de solda cáustica e muito
ácidos. O ideal é lavar o carro com
xampu neutro ou de PH 7.
Para evitar o ressecamento do painel, pára-choques,
retrovisores, puxadores e demais partes plásticas
do carro, deve-se utilizar produtos à base de silicone.
O silicone forma uma camada protetora, renovando as
partes plásticas, sem deixar as peças gordurosas,
como outros produtos feitos com óleo. O silicone
deve ser aplicado sempre que o carro for lavado. Se
o carro ficar por muito tempo em exposição
ao sol, é aconselhável utilizar o produto
com mais freqüência.
A conservação das partes plásticas
internas e externas do automóvel requer o uso de
produtos apropriados. A limpeza de peças externas
do carro exige produtos de maior durabilidade e mais resistentes
à água. Os usados no painel, por exemplo,
não devem ter cheiro e precisam ser de fácil
absorção.
O sol também interfere na durabilidade dos assentos
dos automóveis. Ele queima o tecido dos bancos. Para
conservá-los, o mais indicado é fazer a lavagem
para remoção da sujeira acumulada e, depois,
impermeabilizar. A impermeabilização
forma uma capa protetora, evitando que os raios solares
penetrem no tecido.
A impermeabilização também protege
do ácaro e manchas de líquidos, enfatiza
Suamir. O serviço tem garantia de um ano. Mas
para manter a impermeabilização é necessário
aspirar os bancos do automóvel uma vez por mês.
VOCÊ É O MECÂNICO
Que fazer quando o motor demora a dar
partida
O diagnóstico para quando o carro não pega
são inúmeros. Entre eles, carburador sujo
ou entupido por impurezas existentes no combustível;
motor afogado por excesso de combustível; bateria
com pouca água, com o cabo frouxo ou oxidado; desregulagem
do ponto de ignição, etc
Outras causas para a lentidão na partida são
velas gastas, cabos de vela mal colocados ou úmidos;
motor de arranque com defeito; tampa do distribuidor rachada
ou com defeito; falta de combustível no reservatório.
Nos carros sem ignição eletrônica, podem
ser platinados gastos, queimados ou mal regulados.
Quando o veículo está rodando e, de repente,
começa a engasgar como se estivesse sem forçar
para continuar, pode ser alguma impureza do fundo do tanque
de combustível que pode ter atingido o carburador
ou a bomba, provocando entupimentos. Outra causa possível
é uma falha no sistema elétrico, na tampa
do distribuidor ou defeito na bobina de ignição.
Aconselha-se aos motoristas a lerem o manual do fabricante
e fazer revisões periódicas no veículo
para evitar consertos mais complicados, prejuízos
maiores, e para garantir a segurança no trânsito.
Superaquecimento - A correria do dia-a-dia faz com
que as pessoas se lembrem de algumas coisas e se esqueçam
de outras. No caso dos condutores do veículo, eles
muitas vezes se esquecem de verificar a água do radiador
ou do reservatório, desatenção que
pode deixá-los à beira da estrada.
O carro esquenta muito se estiver faltando água
no radiador ou no reservatório e se houver vazamentos.
Se não for nenhum desses motivos, o sistema pode
estar entupido, precisando de limpeza e aditivos. Siga as
recomendações do fabricante do veículo
quanto ao tipo e quantidade de aditivo a ser utilizado.
O defeito pode ser também do "cebolão",
a peça que liga a ventoinha do carro. Ou então
da válvula termostática, responsável
pelo controle da circulação da água.
Ao contrário do que muita gente pensa, não
é recomendável tirar esta válvula.
Entre outros problemas, pode haver desgaste excessivo do
motor e aumento do consumo de combustível. Uma simples
desregulagem no motor também pode causar aquecimento
acima do normal.
Técnicos lembram que não se deve abrir a
tampa do radiador com o motor quente. A pressão pode
expulsar a tampa e fazer jorrar água aquecida, provocando
queimaduras. Além do mais, quando o carro esfriar,
a água que saiu vai fazer falta ao sistema de refrigeração.
Dicas de mecânica
Carro com ignição não pode "pegar
no tranco" sob pena de empenar válvulas e estragar
o catalisador.
Nunca substitua a bateria com motor funcionando: poderá
gerar curto-circuito no sistema elétrico do veículo.
Utilizar produtos de limpeza e antiferrugem no sistema
de refrigeração.
Nunca descer ladeiras em carros com injeção
eletrônica em ponto morto.
Freios "assobiam" e embreagem chia?
Nada é mais incômodo do que aquele "assobio"
quando o carro freia. E por quê será que ele
faz tanto ruído nas freadas? Técnicos em mecânica
dizem que quando é um leve "assobio" pode
ser apenas conseqüência do tipo de material usado
na fabricação das pastilhas, que ao entrar
em contato com o disco produzem o barulho. Para solucioná-lo,
nem sempre a troca de pastilha resolve, talvez um lixamento
pode amenizar o problema.
Se o ruído ao frear for semelhante ao barulho do
atrito entre metais, é provável que as pastilhas
estejam gastas. Neste caso, a troca deve ser feita imediatamente,
evitando danificar os discos de freio e comprometer a segurança
do condutor e passageiros.
Quanto aos chiados da embreagem, o ruído pode estar
sendo causado pelo desgaste do rolamento ou "colar"
da embreagem. É comum aparecer este defeito após
chuvas fortes ou enchentes, em que o fundo do carro recebe
muita água. Se for esse o defeito, a solução
é substituir a peça.
Existe também a possibilidade da causa do barulho
ser por falta de lubrificação na mola da embreagem,
junto ao pedal ou haste de acionamento. Para eliminar o
ruído, que mais parece um rangido, basta pingar algumas
gotas de óleo que ele desaparece.
Marchas difíceis de entrar
No meio daquele trânsito, com carros buzinando por
todos os lados, a troca de marcha também se torna
desconfortável e difícil. O que está
acontecendo? É que o problema pode estar na regulagem
da embreagem, bastando um simples ajuste para resolver a
dificuldade.
Quando a desregulagem é muito grande, fica mais
fácil identificar o defeito, principalmente em trânsito
intenso, porque, quanto mais quente o carro, mais difícil
a mudança de marcha. Não sendo essa a causa
da falha, o problema deve ser no sistema de embreagem ou
na caixa de câmbio. Qualquer das causas, deve-se procurar
um mecânico.
Outro motivo sério para se procurar um especialista
em mecânica é sentir um cheiro forte de gasolina
dentro do veículo. A causa desse problema é
vazamento em alguma mangueira de combustível, devido
ao ressecamento. Neste caso, deve-se trocar o conjunto de
mangueira. O ideal é verificar periodicamente o estado
das mangueiras. Elas estarão em boas condições
quando dobrar com facilidade e sem se quebrar.
O cheiro de combustível pode estar sendo causado
também por defeito interno do carburador, no respiro
ou na bóia do tanque.
Como saber se a bateria está gasta
A vida útil de um bateria varia muito em função
da sua qualidade e da forma como ela é usada.
Para saber se ela está gasta existe um aparelho
que mede a carga de cada elemento, chamado densímetro.
O teste pode ser feito na hora em qualquer eletricista.
O sinal mais evidente de que a bateria está cansada
é a dificuldade de dar partida no carro, principalmente
de manhã e nos dias frios.
Para prolongar o tempo de vida da bateria, deve-se verificar
sempre o nível da água e nunca completá-lo
com solução para baterias. O correto é
usar água destilada. Coloque somente a quantidade
de água suficiente para cobrir os pólos de
cada elemento. A água que transbordar poderá
causar corrosão na carroceria.
Comportamento
no Trânsito
Uso de medicamentos pode
ser mais um fator de acidente no trânsito
SEGURANÇA - Os remédios
podem causar reações inesperadas nos motoristas
Muitas vezes consumidos indiscriminadamente e sem acompanhamento
médico, os medicamentos podem causar muito mais que
efeitos colaterais. Tudo bem que são drogas lícitas,
mas também interferem no sistema nervoso, provocando
alterações. Para quem dirige, o consumo pode
aumentar os riscos de acidentes de trânsito. Exagero?
Não para a médica intensivista e especialista
em medicina de tráfego e diretora da Abramet (Associação
Brasileira de Acidente e Medicina de Tráfego), Ilham
Taha.
Segundo ela, os remédios merecem atenção
especial dos médicos e dos pacientes. Normalmente,
apenas os medicamentos controlados, principalmente os de
tarja preta, recebem o alerta.
Sabemos que o erro humano causa, pelo menos, dois
terços dos acidentes nas estradas. Qual seria a contribuição
do uso de medicamentos como causa?, questiona Ilham
Taha, respondendo que os remédios devem estar contribuindo,
e muito, através dos efeitos colaterais
e da associação com outros medicamentos e
suas interações.
Associados a isso, temos também os sintomas
de desconforto clínico da própria patologia
que está sendo tratada, continuou. Ela lembra
que a pessoa em tratamento já está debilitada
com a doença, que causa diminuição
no reflexo e mal-estar.
Relação
A relação entre o consumo de medicamentos
e os acidentes de trânsito foi pesquisada por Ilham
Taha. Embora algumas pesquisas epidemiológicas
possam mostrar que há aumento no risco de acidentes,
com o uso de drogas ou em associação com o
álcool, não podemos afirmar que esses sejam
os causadores dos acidentes, disse. Mas ela chama
a atenção para vários fatores, como
a interação dos remédios com bebida
alcoólica, alterando os efeitos da substância
no organismo.
Ilham Taha alerta para o início do tratamento de
qualquer doença, principalmente cardiopatias e diabetes.
Segundo ela, durante a fase de adaptação do
medicamento, até se estabelecer a dosagem adequada
a cada paciente, é preciso que o médico oriente
o paciente a não dirigir. Apesar de muitas pessoas
não se preocuparem com os efeitos, a médica
cita alguns exemplos de substâncias. Os antigripais,
na sua composição, contêm várias
substâncias (um ou mais anti-histamínicos,
analgésicos, sedativos de tosse, vasopressores, estimulantes
etc). Desses componentes do mesmo grupo farmacológico,
alguns têm mais ou menos efeitos colaterais.
Estrada
Segundo Ilham Taha, a comunidade médica e as indústrias
farmacêuticas já estão preocupadas com
o problema da interferência do medicamento nos acidentes.
E a tendência é de serem desenvolvidas
drogas com menos efeitos colaterais, afirmou.
Mesmo assim, ela alerta que motoristas que vão pegar
uma estrada ou fazer um percurso grande não devem
ingerir medicamentos. É preciso também
levar em conta que motoristas profissionais passam a maior
tempo ao volante e, portanto, sua exposição
ao efeito da medicação é maior. Principalmente
em motoristas inexperientes, uma vez que as drogas pioram
os reflexos, que neles já são menores.
Substâncias que interferem na direção
Antigripais - contêm, na sua composição,
várias substâncias (anti-histamínicos,
analgésicos, sedativos de tosse, vasopressores, estimulantes
etc.) e podem ter como efeitos colaterais nervosismo, agitação
e taquicardia.
Cloridrato de fenilefrina (vasopressor) - tem estimulação
no sistema nervoso central.
Cloridrato de fenilpropanolamina (vasopressor) - pode levar
à ansiedade, tremor, excitabilidade, insônia
e arritmia.
Anti-histamínicos - têm como efeito colateral
a neurodepressão (sedação, sonolência
e depressão).
Cafeína - também pode ser encontrada nos
antigripais e é estimulante do sistema nervoso central,
tendo como reação o nervosismo, agitação,
taquicardia etc.
Antiinflamatórios - usados indiscriminadamente,
podem causar sonolência, tontura etc.
Corticosteróides - podem provocar alterações
neurológicas (cefaléia e vertigem) e distúrbios
psíquicos (alteração de humor, mudança
de personalidade, depressão etc).
Antieméticos - combatem enjôos e podem levar
à neurodepressão (sonolência e depressão).
Antiespasmódicos - combatem cólicas e podem
ter como efeito colateral a acomodação visual
e a irritabilidade.
Cinarizina - combate a enxaqueca e pode provocar neurodepressão
(sonolência e depressão).
Sistema de Escapamento
Silenciador influi no consumo do
veículo
Boa
parcela dos motoristas ainda está longe de imaginar
a importância do sistema de escapamento, parte integrante
de qualquer veículo automotor. Pior: por nunca ter
sido considerada peça vital, que é
aquela sem a qual o veículo não anda, o principal
componente deste sistema, o silenciador, não recebe
a atenção que lhe é devida.
Ao contrário do que muitos pensam, a função
do escape não fica restrita apenas à poluição
sonora e ambiental. Ela tem muito a ver também com
o desempenho do motor, consumo de combustível e até
com a saúde do homem.
Um motor de combustão interna funciona a partir
da explosão de uma mistura comprimida, que causa
a expansão dos gases que movem o pistão de
um cilindro. Ao fim do ciclo deste pistão, as válvulas
de escape se abrem e os gases queimados são expulsos
à extraordinária velocidade e elevado nível
de ruído.
Como qualquer motor de automóvel possui um grupo
de cilindros (no caso de veículos automotores a exceção
fica para alguns modelos de motocicletas equipadas com motores
de apenas um pistão), cada um descarregando gases
sob elevada pressão, ocorre uma rápida e ritmada
sucessão de descargas de escape.
Apenas para ilustrar: um motor de quatro cilindros, trafegando
a 100 km/h, produz algo em torno de 14 mil descargas por
minuto. Essas descargas fluem de maneira uniforme através
do tubo até o silenciador, provocando quedas e subidas
de pressão que, por sua vez, formam ondas sonoras
e sujeitam o silenciador à grande vibração.
Fica claro, portanto, que o silenciador deve reduzir o
nível de ruídos e resistir às vibrações
das pulsações da corrente de gases. Por isso
ele é projetado especialmente para, por interrupção
do fluxo de gases, por meio de anteparos e da passagem deste
fluxo por uma série de tubos perfurados e câmaras,
absorver as ondas sonoras e controlar a contra-pressão.
Sem o controle correto da contra-pressão, o sistema
de escapamento vai interferir de maneira extremamente danosa
na performance do motor aqui é preciso abrir
um parêntese para esclarecer que normalmente confunde-se
performance de pico de um motor com operação
à alta rotação: a performance de pico
significa obter a máxima potência derivada
de um deslocamento do pistão, e somente a exata restrição
à saída dos gases permite obter a máxima
potência e o melhor rendimento. O binômio válvulas/sistemas
de escape oferece as condições de restrição,
que criam a contra-pressão.
Uma contra-pressão elevada provoca perda de rendimento,
o que significa maior consumo de combustível, maior
depósito de carbono e aumento da temperatura do motor,
que inclusive chega ao ponto de engripar as válvulas.
Se o sistema de escape restringe em demasia, ele força
boa parte dos gases a permanecer nos cilindros, o que fatalmente
reduz a potência do motor. E sem potência, o
motorista vai acelerar mais e vai trocar de marchas mais
vezes, duas atitudes que conduzem a um denominar comum,
que é o aumento de consumo do combustível.
No sentido inverso é idêntico
Se a posição for invertida, ou seja, se a
contra-pressão for muito baixa o que ocorre
com boa parte dos silenciadores disponíveis no mercado,
principalmente os chamados sem miolo, nos quais
os gases têm passagem livre e elevado nível
de ruído , a admissão de combustível,
e conseqüentemente o consumo, é bem maior.
A restrição correta somente é alcançada
com um sistema de escape bem projetado e construído
sob rígidas especificações técnicas.
Com isso se chegará também à redução
de poluentes ambientais, já que uma série
de substâncias nocivas são retidas e depositadas
no silenciador. Entretanto, é bom lembrar que a função
de limpar o ar que respiramos hoje fica muito
mais por conta do catalisador, equipamento construído
com materiais específicos para conter a emissão
de poluentes, e não do silenciador.
Além de influir no desempenho do motor, no consumo
de combustível e ajudar na redução
de poluentes, o silenciador do sistema de escape também
tem relação importante quanto à segurança
do usuário. Cabe ao equipamento garantir a condução
segura dos gases queimados para longe do habitáculo
dos passageiros. Aliás, esta é uma preocupação
constante da engenharia automotiva, na medida em que ocorre
o aumento da potência dos motores modernos, aliado
à aerodinâmica e às altas velocidades
que criam correntes de ar em torno do veículo, dando
origem às zonas de baixa pressão explica-se
assim porque os pilotos de Fórmula 1 têm um
limite de tempo para andar no vácuo do veículo
à sua frente: a baixa pressão altera totalmente
as condições de arrefecimento do propulsor
do automóvel que está trafegando no vácuo.
Nos automóveis, quando o sistema de escape não
está funcionando corretamente, os gases passam a
circular em torno e no interior do veículo, expondo
seus ocupantes ao risco de fortes dores de cabeça
e náuseas. Esses sintômas, muitas vezes inexplicáveis
em um primeiro momento, são comuns principalmente
em longas viagens e estão associados à penetração
de monóxido de carbono (CO) dentro do carro.
Fica claro, portanto, que a revisão periódica
no sistema de escapamento do automóvel é tão
importante como a revisão de freios, suspensão
e direção. Basta apenas os motoristas se convencerem
disso.
Para transformar ruído em som
Ao longo dos tempos a indústria automobilística
desenvolveu o silenciador perseguindo um ponto de vista:
atenuar a energia das explosões do propulsor e transformar
o seu ruído proveniente do escapamento em som agradável.
A aplicação de severas legislações
na maioria dos países do mundo foi determinada diante
da constante preocupação pelo controle da
poluição sonora. Montadoras e fornecedores
de sistemas de escapamento investiram pesado em modernos
laboratórios de acústica para registro e análise
da energia e freqüência do som produzido.
Com equipamentos eletrônicos de alta tecnologia,
foi possível desenvolver silenciadores dentro dos
requisitos de nível de ruído e obter, paralelamente,
um som agradável. Como um sistema de escapamento
é solicitado, principalmente, pelas descargas das
explosões dos cilindros, a freqüência
fundamental é determinada em função
do número de cilindros e do regime do motor. Um motor
de seis cilindros a 2 mil rpm, por exemplo, gera uma frequência
de 100 cps (ciclos por segundo). Denominou-se, então,
como baixa frequência 40 a 200 cps; média frequência
200 a 500 cps; e alta frequência 500 a 20 mil cps.
Nos motores de grande cilindrada e baixo regime, predominam
as baixas e médias freqüências; nos de
alto regime e pequena cilindrada, prevalecem as altas freqüências.
No desenvolvimento do silenciador, o fabricante procura
eliminar as baixas freqüências, mas as médias
e altas são parcialmente aproveitadas para compor
o som desejado ao final do projeto.
Um silenciador convencional é composto basicamente
pela combinação dos seguintes componentes:
Câmara de ressonância simples, de resultado
efetivo para amortecer as baixas frequências. Geralmente
precisa de grande volume; Unidade de reversão
ou filtro, formada por uma série de tubos perfurados
atravessando a câmara de ressonância. Esta disposição
aproveita a fricção dos gases por meio dos
furos e a expansão dentro da câmara para reduzir
as freqüências intermediárias; A
unidade de alta freqüência é constituída
por um tubo perfurado concêntrico em um tubo fechado
formando uma câmara anular de formato estreito e comprido.
TECNOLOGIA
Gás natural: prós e contras
da adaptação
A tendência dos veículos modernos é
utilizar fontes de energia mais baratas de produzir, ecologicamente
corretas (menos poluentes) e preferencialmente renováveis.
No Brasil já possuímos o álcool e,
em menor escala, o início da aplicação
do gás natural para uso veicular.
O GNV (gás natural veicular) ou GNC (gás
natural comprimido) pode ser extraído da biomassa
(gás do lixo) processando o lixo orgânico em
usinas, pois não é derivado de petróleo,
sendo também chamado de "gás do lixo"
ou "gás dos pântanos". É também
encontrado em minas de carvão e como parede natural
em jazidas de petróleo (é o que sai primeiro
ao se perfurar um poço de petróleo).
O metano surge como fonte de energia renovável,
pois sua matéria prima (o lixo urbano orgânico)
pode ser considerada uma fonte inesgotável e singular
que a sociedade não deixará de produzir. No
lugar de despejá-los nos tradicionais vazadouros
são processados em biodigestores, contribuindo diretamente
para melhoria da qualidade de vida nas grandes cidades.
O GNV difere do GLP (gás liqüefeito de petróleo),
que é derivado de petróleo e proibido no Brasil
para aplicação veicular, pois tem seu custo
subsidiado pelo governo para não onerar o butijão
de cozinha. O GLP foi utilizado na Europa em adaptações
e aplicações direto das fábricas de
automóveis, sem grande sucesso comercial, devido
aos elevados custos de produção.
O GNV obteve sua liberação para uso particular
em 1996, pois antes só era utilizado nos veículos
de frotas, táxis e comerciais. Hoje qualquer usuário
pode utilizar-se deste combustível, desde que os
kits de adaptação sejam homologados pelo Inmetro
e atendam às exigências de normatização
impostas pela ABNT.
Apesar de ainda ser pouco utilizado devido à pouca
disponibilidade de postos de abastecimento, já começa
a ser visto com bons olhos pelas fábricas. Sua principal
vantagem são menores índices de emissões
de poluentes por quilômetro rodado, em média
12 g, contra 22 g para a gasolina e 16 g para o álcool,
devido a uma queima mais homogênea, que impede a carbonização
e aumenta a durabilidade do motor. As emissões de
HC e NOx também sofrem reduções significativas,
o que melhora a qualidade do ar que respiramos.
Seu maior apelo para o consumidor é o preço
por metro cúbico, quase 40% menor que o do litro
da gasolina e 20% menor que o do litro do álcool,
o que reduz de forma considerável a despesa com combustível.
Paralelamente, ocorre uma redução nas despesas
em manutenção, pois o uso do GNV aumenta a
vida útil do motor (sua combustão contamina
em menor escala o lubrificante), com conseqüente redução
em todos os índices de manutenção,
seja preventiva ou corretiva.
Como nada é perfeito, têm-se alguns inconvenientes
em sua utilização: baixa autonomia, perda
de espaço para carga no porta malas ou na caçamba
dos pickups, carga extra nos componentes de suspensão
e conseqüente aumento de desgaste em molas, buchas
e articulações, perda de garantia do fabricante
(nos casos de adaptação) e uma sensível
perda de desempenho global.
É notória a perda de potência e rendimento,
devido aos valores de aproveitamento térmico pelo
motor (em Kcal/l), pois seu funcionamento depende diretamente
do volume e não da massa. Perde-se algo em torno
de 10 a 15 cv de potência e de 15 a 20% de torque,
o que pode desanimar os mais empolgados com o pedal da direita.
Por ser um gás, tende a se homogeneizar melhor com
o ar, gerando uma mistura naturalmente mais pobre, o que
proporciona baixo rendimento térmico -- motivo pelo
qual há uma queda de rendimento, porém com
ótimos índices de economia.
Quanto ao consumo, um parâmetro bastante razoável
é comparar os valores de autonomia do veículo
quando utiliza gasolina ou GNV. No caso em particular do
Ranger V6, já descontada a redução
da capacidade de carga na caçamba, que poderá
ser um inconveniente (de acordo com a proposta de uso do
veículo), é recomendável o uso de garrafas
de capacidade de 18 a 22 m³, o que proporcionará
autonomia aproximada de 150 a 200 km (levando em conta um
consumo de 5 Km/l com gasolina).
A utilização bicombustível, que não
é simultânea, é possível e viável,
pois é instalada uma chave comutadora que desliga
a bomba elétrica e os bicos injetores, operando apenas
com o gás comprimido. No Estado de São Paulo
existem empresas, já tradicionais neste tipo de operação,
que fazem estas adaptações -- inclusive com
certificado de homologação da fábrica.
Como observação, vale ressaltar que, quando
transformados para utilização do GNV, os veículos
a álcool são a melhor opção,
devido à maior taxa de compressão (o que otimiza
a queima), à temperatura da câmara da câmara
de combustão, ao índice térmico das
velas (mais frias) e aos componentes internos dimensionados
para o uso de álcool, que acabam oferecendo maior
durabilidade. O que não inviabiliza sua aplicação
a modelos a gasolina -- apenas obtêm-se melhores resultados
quando são transformados os veículos movidos
a álcool.
Um outro fator que pode desestimular é o preço
para adaptação, hoje em torno de R$ 2.000
(carro de passeio) a R$ 3.000 (pickups e comerciais leves).
Para aqueles que utilizam o veículo como ferramenta
diária e percorrem quilometragem média de
pelo menos 3.500 km/mês, a amortização
do investimento ocorrerá em menor tempo. Já
para quem roda até 1.000 km/mês, a amortização
é muito lenta, mais de dois anos, devendo ser bem
pensada a decisão.
A procura por adaptações tem aumentado bastante.
Dados da Petrobras informam que houve acréscimo de
demanda em torno de 64% na utilização de gás
natural de 1997 a 1998. Com a maior oferta de gás
natural a partir da inauguração do gasoduto
Brasil-Bolívia, podemos concluir que este mercado
deve crescer muito rapidamente.
COMBUSTIVEIS
Carros com combustível alternativo
em produção
A Ford é o maior fabricante mundial de veículos
AFV, sigla que identifica as versões
movidas com combustíveis alternativos. Atualmente,
a empresa mantém nas linhas de montagem modelos movidos
a eletricidade, gás liqüefeito de petróleo
(GLP), gás natural comprimido (CNG) e etanol. Na
Europa, a linha de veículos AFV envolve
os automóveis Focus e Mondeo e a van Transit, enquanto
nos Estados Unidos os modelos disponíveis são
as picapes Ranger e Série F, a van Wagon Econoline
e os automóveis Contour (versão norte-americana
do Mondeo), Crown Victoria e Taurus.
Desde que deu início ao programa de produção
de veículos movidos por combustíveis alternativos,
a Ford já produziu mais de um milhão de unidades.
Esse volume faz da empresa a líder mundial nesse
segmento em crescimento. No ano passado, foram lançados
na Europa a van Transit e os automóveis Mondeo e
Focus GLP e a CNG.
Ambiente
Os modelos bicombustível alimentados com GLP e CNG
proporcionam expressivo nível de proteção
ambiental, por intermédio da redução
de 20% das emissões de dióxido de carbono
(CO2) e entre 15% e 50% de dióxido de enxofre (SO2),
principais causadores da poluição do ar nas
grandes cidades. Também em emissões evaporativas
os combustíveis na forma gasosa apresentam vantagens.
A circulação dos gases em circuito pressurizado,
sem ventilação nos reservatórios, resulta
em combustão mais limpa, reduzindo entre 31% e 48%
as emissões de hidrocarbonetos. Nos postos de abastecimento,
é mínimo o risco de perdas por derramamento
ou vazamentos, ao contrário dos combustíveis
líqüidos, que requerem o uso de detergente para
remoção ou limpeza, o que polui o meio ambiente.
Além dos benefícios ambientais, os veículos
bicombustível AFV proporcionam custos
operacionais menores, principalmente para empresas, por
não comprometer a potência, a dirigibilidade,
o conforto ou a durabilidade dos veículos. Há,
ainda, uma vantagem adicional: os motores alimentados a
gás são 60% mais silenciosos que os equivalentes
a diesel.
UM CARRO FORTE DE TECNOLOGIA EM SEGURANÇA
Novo BMW é abrigo antiterrorismo
com rodas
Automóvel caro nao é surpresa para ninguém,
mas este consegue superar todas as expectativas sem ser,
necessariamente, uma Ferrari. É o mais novo lançamento
da alemã BMW: o todo-poderoso sedã 750iAL
High-security, modelo da série 7 que vai custar,
nada menos, do que R$ 1,2 milhao - o veículo mais
caro do mercado brasileiro.
Meca do marketing e do consumismo neste inverno, a outrora
bucólica Campos do Jordao (SP) foi a cidade escolhida
para a BMW desfilar o modelo. Mas o que esse veículo
tem de tão especial? De acordo com a montadora
dos mauricinhos, o mais alto nível de blindagem disponível
no mundo, o que o faz o carro mais seguro contra qualquer
tipo de ataque.
Com nível B7 de blindagem, o habitáculo do
seda é completamente protegido, o que inclui piso
e teto projetado para resistir a ataques de armas pesadas,
como granadas de mao e metralhadoras. Além disso,
o tanque de combustível é reforçado
e os pneus têm um anel interno que permite ao veículo
rodar em uma velocidade de até 80 km/h mesmo estando
com os pneus furados.
Devido a esses e outros atributos, o carro é maravilhoso.
Pena que só pouquíssimos privilegiados terao
a oportunidade de estar ao seu volante.
Com preço superior ao modelo Ferrari 456 GT V12,
que custa U$ 480 mil (cerca de R$ 861 mil), o seda 740iAL
High-securtiy da BMW alia uma blindagem completa a outros
equipamentos especiais de segurança. Destes, destacam-se
alguns sensores capazes de detectar a presença de
gases tóxicos próximos ao veículo para
impedir a entrada do ar no interior.
Para os casos extremos, os ocupantes do carro mais caro
do Brasil contam também com reservatórios
de oxigênio, que estao instalados dentro do automóvel.
Outra novidade que impressiona é um sistema especial
de comunicaçao para oferecer a possibilidade de os
ocupantes do seda conversarem com as pessoas do lado de
fora do veículo com os vidros e portas fechadas.
Além disso, o veículo tem uma bateria suplementar
para possíveis emergências. No caso de início
de incêndio, um dispositivo é acionado e o
fogo é apagado instantaneamente. Outro recurso do
carro é um controle remoto para dar a partida no
motor à distância, o que segundo a BMW, aumenta
a segurança.
O automóvel mais caro do país tem o mesmo
motor V12 de 5.4 litros e 326 cv de potência que equipa
os outros veículos da Série 7. De acordo com
a importadora, apesar do alto nível de blindagem,
o carro tem desempenho próximo ao modelo nao-blindado:
supera os 200 km/h de velocidade máxima e faz de
zero a 100 km/h em 6,6 segundos.
Como nao poderia ser diferente, os carros serao vendidos
apenas sob encomenda. Segundo Roberto Brenner, gerente de
marketing, a estimativa é que no primeiro ano de
comercializaçao, cinco unidades sejam vendidas. "Como
é um modelo exclusivo e que oferece o máximo
de segurança possível, da encomenda à
produçao e entrega estimamos um prazo máximo
de seis meses", explica Brenner. "Apesar de toda
essa proteçao, o veículo mantém a sofisticaçao
e nao perdeu a elegância de um seda normal da série
7."
Apenas a título de curiosidade, pegamos o valor
do automóvel (R$ 1,2 milhao) e fizemos algumas contas
para um eventual leasing de 36 prestaçoes do alemao
blindado. Cada parcela custaria cerca de R$ 43 mil. Isso
quer dizer que, a cada duas prestaçoes do veículo,
um apartamento de 80 metros quadrados poderia ser comprado,
ou ainda, a possibilidade de comprar um Fiat Marea por mês.
Para Brenner, os consumidores desse veículo nao se
importam com o preço. "A preocupaçao
está somente no quesito segurança", afirma.
Os modelos da BMW série 7 sem a blindagem e os outros
equipamentos de segurança custam entre R$ 237 mil
e R$ 278 mil nas concessionárias.
As parcerias tecnológicas multiplicam
as soluções
No chão-de-fábrica ou na universidade, o
que equivale dizer na prática e na teoria, a eletrônica,
óptica, termologia, eletricidade, hidráulica,
pneumática, informática, acústica e
sobretudo a mecânica no sentido que é
conhecido na indústria combinam conceitos
e tecnologias para produzir soluções que vinte,
dez ou mesmo cinco anos atrás eram ficção
científica.
Os frutos desta integração podem ser reivindicados
por qualquer uma delas, mas são sobretudo resultado
de um processo de convergência especialmente notável
quando examinado na perspectiva da mecânica
um campo em que estas associações de conceitos
e tecnologia já produziram soluções
aplicáveis no dia-a-dia da indústria e principalmente
já produziu esperanças e quase-certezas de
soluções ainda mais notáveis no futuro.
Este artigo está focado nas possibilidades futuras
destas parcerias tecnológicas.
Nos próximos anos estas parcerias desenvolverão
algumas tecnologias promissoras. Deve começar, por
exemplo, a exploração das fascinantes possibilidades
das ligas metálicas superelásticas, capazes
de memorizar sua forma. Na temperatura ambiente, depois
de esticadas e deformadas elas retornam espontaneamente
ao formato inicial.
A tecnologia do "plasma frio",
com inputs da química e física, será
opção para os métodos puramente químicos
de revestir metais. O elenco de vantagens é impressionante
- é um processo não poluidor, pode ser automatizado,
usa quantidades mínimas de material, é mais
rápido e econômico.
A mecânica vai ganhar uma importante batalha contra
seu mais tradicional desafio o atrito. A arma para
vencer esta batalha é um revestimento à base
de carbono, com estrutura molecular semelhante à
dos diamantes. Aplicado aos rolamentos e a outras superfícies
submetidas ao atrito, este revestimento tem grande resistência,
é quimicamente estável e o resultado é
uma importante redução do desgaste.
O fator das parcerias tecnológicas
na mecânica
A tecnologia do corte de metais com jato de água
deve receber importantes desenvolvimentos nos próximos
anos, talvez cobrindo todas as necessidades da usinagem.
As inovações esperadas nesta tecnologia devem
oferecer uma precisão mecânica de que ela ainda
não dispõe hoje. Sua esperada evolução
lhe dará algumas vantagens competitivas em relação
às tecnologias alternativas como o corte a laser.
Jatos de água carregados de abrasivos, lançados
em velocidades supersônicas, poderão não
apenas cortar mas cumprir outras tarefas de usinagem. Ao
contrário das opções existentes, não
existe geração de calor na tecnologia do jato
de água, o que significa que ela não prejudica
o material vizinho ao corte.
Esta vantagem competitiva, contudo, tem a contrapartida
de um inconveniente - no estágio atual, os cortes
a jato de água deixam marcas no material cortado,
pequenos desgastes, imprevisíveis e indesejáveis,
decorrentes de variações no ângulo de
ataque do jato de água, resultado por sua vez de
imprecisões do sistema controlador da pressão
do jato. Para aumentar a precisão deste controle
e sua agilidade, bem como para trabalhar com um jato ainda
mais fino, os pesquisadores estão apostando numa
tecnologia desenvolvida para administrar com precisão
a propulsão dos foguetes espaciais.
A robótica, com ajuda da eletrônica, promete
decuplicar a eficiência do desempenho dos robôs
através de uma calibração cada vez
mais precisa. Ela trabalha arduamente para eliminar todas
as discrepâncias entre o "robô perfeito",
tal como é visto em um modelo também "perfeito"
de CAD/CAM, o robô real em uma situação
real de trabalho.
O projeto implica medidas mais precisas e design mais adequado
do comportamento do robô. Os sistemas já desenvolvidos
por empresas européias consistem em múltiplas
câmaras que acompanham o movimento de LEDs infravermelhos
fixos no robô. O desempenho dos robôs calibrados
por este sistema foi dez vezes melhor do que em outros robôs.
O sistema tem grandes perspectivas na indústria automobilística.
A instrumentação da imagem como recurso industrial
vai receber nos próximos anos um grande impulso.
No futuro imediato devem ser colocadas à disposição
da indústria câmaras com dimensões mínimas,
campo de até 40o x 31o, resistentes a ambientes inóspitos,
às variações radicais de temperatura
e a vibrações sistemáticas. E sua "competência"
óptica será capaz de imagens nítidas
desde três metros até ao infinito.
As propriedades dos capilares, por sua vez, poderão
ser aproveitadas brevemente e em larga escala pela indústria.
As serpentinas usadas pela indústria poderão
ser substituídas, em muitas aplicações,
pelas bombas capilares. O sistema convencional, baseado
em bombas elétricas, é muito "pesado",
além de produzir vibrações. O novo
sistema tira partido das propriedades dos sistemas capilares.
Devido ao calibre extremamente pequeno da serpentina capilar
é possível transportar o calor contra a gravidade.
As possíveis aplicações resfriamento
de sistemas eletrônicos e computadores e equipamento
de ar condicionado, entre outras.
Todas estas inovações surgiram, segundo relatório
da Agence Spatiale Européenne, como conceito, projeto
e finalmente realidade no ambiente desafiador da indústria
espacial com certeza a mais ativa indutora da convergência
de tecnologias para o campo da mecânica.
A Mecânica entra nas parcerias com a experiência
de uma das mais antigas ocupações intelectuais
do homem e com algumas tendências revigorantes que
revelam sua disposição de otimizar estas parcerias.
A busca da simplificação é uma delas.
Esta vocação cartesiana é também
um "exercício de humildade" para a Mecânica,
porque a simplificação reduz a contribuição
da Mecânica em beneficio da eficácia do desempenho.
Tamanho dos faróis já
beira o exagero
Nos modelos apresentados mais recentemente, a peça
avança pelo capô e pelos pára-lamas
Os faróis e lanternas estão passando por
uma verdadeira revolução de design. Tornaram-se
muito maiores nos modelos recém-lançados
basta ver os novos Toyota Corolla e o Honda Civic japoneses,
o Ford Focus e o C5, modelo da Citroën que substituirá
o Xantia , comeram partes do capô e do pára-lamas
e, de quebra, estão transparentes, mostrando uma
parte do carro que só eletricistas costumavam ver.
O advento das lentes de policarbonato, em substituição
ao vidro, proporcionou maior liberdade para criar os mais
variados formatos, bem diferentes dos tradicionais redondos
ou retangulares.
Um dos fatores que ocasionaram o aumento do tamanho dos
faróis, segundo Edgard dos Santos, gerente-comercial
da Arteb, fabricante de faróis, é o fato de
que o pisca agora está incorporado a ele, numa mesma
peça. A última novidade, segundo Santos, é
incluir o farol de milha na peça.
Além disso, os faróis de modelos mais antigos
formam monoparábolas em uma única superfície
arredondada, onde fica o refletor, há uma só
lâmpada, que incorpora o farol alto e o baixo. Hoje,
entretanto, existe a tendência de produzir faróis
com biparábolas: duas superfícies arredondadas
abrigam lâmpadas separadas. Isso pode elevar para
cinco o número de lâmpadas.
A transparência do policarbonato torna a peça
quase uma vitrine: é possível ver tudo o que
há dentro. Assim, o cuidado com a aparência
aumentou bastante. A metalização do
refletor precisa ser muito bem feita, pois qualquer defeito
se torna visível, explica Santos.
Para o professor Fábio Ferrero, da Faculdade de
Desenho Industrial da FAAP, o aumento do tamanho dos faróis
é muito mais determinado pelo estilo do que pela
técnica. A tecnologia permite fazer faróis
menores, mas os estilistas têm buscado os mais rasgados,
afirma. Segundo Ferrero, os detalhes dos carros, como faróis,
lanternas e grades, são mais alterados porque são
elementos mais baratos do que outros componentes, como capô
e portas. Existe uma tendência de mudar estilos
a cada década, contrapondo-se ao modelo anterior,
para estimular venda.
Para o coordenador do curso de Mecânica Automobilística
da FEI, Ricardo Bock, os faróis são artifícios
muito sutis, que ajudam a identificar a personalidade do
veículo. De uma forma subliminar, é
como se os faróis representassem os olhos de uma
pessoa e transmitissem seu estado de espírito,
afirma. Segundo ele, é possível passar um
perfil suave, arrogante ou potente. Os carros populares
têm aparência de humildes, diz.
Imitação Bock afirma que,
durante alguns anos da década de 90, principalmente
devido à invasão dos carros asiáticos
no mercado americano, os faróis ficaram muito semelhantes:
Uns tentavam imitar os outros. Entretanto, de
acordo com Bock, de dois ou três anos para cá
as montadoras perceberam a importância dos faróis
para a imagem dos modelos e para identificar os carros.
E essa peça tornou-se tão importante que,
segundo Santos, alguns veículos têm os faróis
patenteados por serem muito característicos do modelo.
Para Fausto Bigi, diretor-geral da fábrica de faróis
Cibié, embora a tendência dos faróis
e lanternas no momento seja crescer, há modelos em
que deverão diminuir. Bigi informa ainda que futuros
modelos terão faróis com superfícies
mais complexas, alguns verticais, mais finos e compridos,
ou ainda com espessura reduzida.
Bonecos de crash test chegam à 3ª
geração
A terceira geração de dummies está
sendo aprimorada nos Estados Unidos. Esses bonecos, criados
para representar seres humanos em colisões de carros
em laboratório, estão recebendo, entre outras
inovações, sensores para testar os efeitos
de componentes de segurança mais recentes, como os
air bags laterais, e melhorias para reduzir ferimentos causados
pelos air bags dianteiros nos ocupantes do veículo.
l Um substituto
de seres humanos em simulação de acidentes
de carro chega a custar US$ 84 mil l
São bonecos caros: os da terceira geração,
por menores que sejam (modelo de uma criança de um
ano), não custam menos de US$ 30 mil.
Um modelo padrão de adulto, com todos os sensores
e demais dispositivos necessários para seu funcionamento,
está custando pelo menos US$ 84 mil. No Brasil, com
o preço de um dummy adulto é possível
comprar até 12 Mille Smart (o carro mais barato do
País) ou um BMW 528iA.
Corpos - Valores tão altos têm uma explicação.
Os dummies mais recentes incorporam tecnologia de ponta,
com componentes eletrônicos sofisticados e materiais
caros como elastômeros e alumínio e outros
metais nobres.
Os mais modernos são fabricados nos Estados Unidos
pela First Technology, empresa que se apresenta como líder
do mercado mundial e que no ano passado assumiu o controle
de outra grande indústria do setor, a holandesa TNO.
Desde o início dos anos 50 a indústria automobilística
mundial faz crash tests para avaliar estragos no veículo
e descobrir a que tipo de perigo estão expostos motorista
e passageiros durante um acidente. Por muito tempo, montadoras
e universidades estrangeiras usaram bonecos e também
cadáveres para estudar os danos causados pelas colisões.
Assim podia-se verificar se os dummies tinham o mesmo comportamento
do corpo humano nos crash tests.
Há sete anos, quando essa prática veio a
público, a polêmica levantada fez deixar de
lado o uso de corpos, substituídos pela eletrônica
empregada nos dummies.
No Brasil, esses bonecos só começaram a ser
utilizados no início dos anos 70, nos laboratórios
da Volkswagen. Na General Motors, passaram a ser empregados
em 1997. São, por enquanto, as duas únicas
montadoras a promover crash tests no País.
Biotipo - Os dummies reproduzem peso e estatura
de europeus e americanos, que na média são
mais pesados e de 4 a 5 centímetros mais altos que
os brasileiros.
Mas, segundo Décio Assaf, gerente do Departamento
de Engenharia e Segurança da Volkswagen do Brasil,
isso não prejudica os resultados obtidos nos testes
de colisão feitos no Brasil. Usar bonecos de um padrão
maior, explica ele, significa obter resultados com margem
de segurança maior para o motorista brasileiro. O
perigo, segundo Assaf, seria usar bonecos com peso e estatura
inferiores aos do brasileiro.
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