Mecânica Online
Edição 16 - Abril de 2001
Conteúdo básico

INVERNO
Risco da chuva para o motorista

Por conta da agressão praticada pelo homem contra o meio ambiente, resultando em fenômenos como o buraco na camada de ozônio que envolve a Terra, tudo indica que o ritmo das chuvas de verão vai se repetir no outono e, quem sabe, também no inverno e na primavera.

Para os motoristas, sem exceção, dirigir na chuva exige muita cautela, atenção redobrada, habilidade extra no volante e, principalmente, a manutenção correta de alguns equipamentos do veículo.

Para algumas pessoas, entretanto, a chuva representa algo bem mais sério: influi no estado emocional, provoca pânico, induz a reações inesperadas e coloca muitas vidas em risco.

Nesses casos, a solução é consultar um psicólogo e receber orientações de um técnico especializado.

Além dos pneus, faróis, sistemas de freio e de direção e amortecedores, itens fundamentais para garantir a segurança, um outro componente, geralmente sempre relegado a plano secundário, é essencial para a condução de um veículo sob chuva: o limpador de pára-brisa. Lembrado somente quando começa a chover, o limpador mal-conservado, estima-se, é responsável por pelo menos 5% dos acidentes de trânsito.

Inventado praticamente junto com o automóvel, a maior evolução desse componente foi a sua eficiência na varredura da água, pois é dela que depende a boa visibilidade do motorista.

O tempo ideal de vida útil de um limpador de pára-brisa é um ano, desde que utilizado em condições normais. A durabilidade está diretamente ligada aos desgastes e ações provocados pelo sol, poeira e cuidados no manuseio.

É uma peça delicada e, por isso, levantá-la pela palheta pode danificar sua estrutura – uma cena bastante comum em postos de gasolina, já que os frentistas não dispensam o devido cuidado que ela exige.

Outro fator que influi diretamente na redução da vida útil do limpador é a água da pista jogada contra o pára-brisa nos dias de chuva. Carregada de óleo, substâncias químicas e outras impurezas, acaba por atacar e corroer a palheta, que é de borracha. Quando o limpador começa a deixar estrias de água e trepidar sobre o vidro, chegou o momento da substituição da palheta.

A palheta do limpador pode ser curva ou reta; o importante é que não sofra pressão a ponto de danificar sua vértebra. As peças confeccionadas com borracha pura dificilmente empenam, o que já não ocorre com a maioria feita à base de borracha sintética, bem mais rígida. Neste caso, quando o limpador permanece desligado por muito tempo, um dos lados tende a empenar, provocando a trepidação sobre o vidro quando o sistema é acionado.

Um pára-brisa oleoso, mesmo com palhetas novas, estará permanentemente embaçado. Daí a importância de manter o vidro sempre livre de impurezas. Se nessas condições a varredura da água ainda apresentar ineficiência, pode ter ocorrido uma torção na haste do braço do limpador. A melhor forma de testar é retirar as palhetas e encostar as hastes no vidro – se houver torção, será visível. O problema pode também estar no pivô fixado no eixo do motor do limpador.

INVERNO
Risco da chuva para o motorista
Trauma e medo têm solução

Muitos motoristas (homens e mulheres) simplesmente entram em pânico ao dirigir sob chuva. O problema, porém, pode ser resolvido consultando um psicólogo ou um técnico, dependendo do caso.

A psicóloga Denise Tolloti, da Clínica Atos, de São Bernardo, explica que são muitas as causas que afetam o lado emocional de uma pessoa. Por exemplo, quem deixou de dirigir por algum tempo e, ao tentar fazê-lo novamente, se depara com um trânsito totalmente diferente, com um número bem maior de veículos nas ruas.

O fator comodidade é outra causa: se a pessoa tem alguém que dirige para ela, por que pegar o volante e, com isso, arranjar uma preocupação a mais?

Denise Tolloti acrescenta que deve se considerar também que cada pessoa tem sua própria personalidade mas, invariavelmente, os motoristas que entram em pânico avaliam de maneira incorreta o fato de ter sob sua responsabilidade o controle de um veículo, dando origem a reações inesperadas. “Geralmente esses motoristas pensam apenas numa coisa: sair daquela situação o mais rápido possível, custe o que custar, por não saber como controlá-la”, explica.

Para os casos em que o lado emocional é afetado, recomenda-se a psicoterapia como forma de descobrir as causas do trauma ou o motivo do bloqueio que a pessoa apresenta.

Já quando o motorista tem medo ou sente insegurança ao dirigir, o obstáculo pode ser vencido com orientações teóricas e aulas práticas ministradas por um técnico. O engenheiro mecânico Alcides Franhani Júnior, responsável pelo curso Direção & Ação, de São Bernardo, conta que muitas vezes o medo e a insegurança ocorrem porque o motorista não tem conhecimento técnico sobre diferentes situações.

“Ao receber instruções práticas, por exemplo, sobre como agir em determinadas manobras no trânsito urbano ou rodoviário, muitas dúvidas são esclarecidas e, gradativamente, o motorista passa a ter confiança em si mesmo.

Suas reações e atitudes são tomadas com firmeza e, diante da sua nova postura ao volante, com relativa facilidade o motorista deixa de lado o medo e a insegurança que o dominava até então”, diz o engenheiro mecânico.

INVERNO
Risco da chuva para o motorista:
Peça vive que exige movimento

Não se sabe ao certo a partir de que momento os automóveis passaram a incorporar o limpador de pára-brisa.

No início, o equipamento era acionado manualmente, por meio de uma pequena manivela instalada ao lado ou à frente do motorista.

Com a evolução, o equipamento passou a ser impulsionado por ar comprimido e, mais adiante, por motor elétrico.

A indústria automobilística já fez várias tentativas para eliminar o limpador de pára-brisa, mas sempre esbarrou em problemas que inviabilizaram os projetos em razão de custos ou de falta de espaço.

Um exemplo ocorreu nos Estados Unidos, onde foi desenvolvido um compressor que emitia uma cortina de ar no vidro. O sistema funcionou satisfatoriamente, mas por outro lado o compressor ocupava muito espaço no compartimento do motor.

Os fabricantes de limpadores de pára-brisa defendem que o componente é uma peça viva, que precisa se movimentar constantemente. Por isso, recomendam aos motoristas esguichar água no vidro, diariamente, nos períodos de longa estiagem, como forma de prolongar a vida útil das palhetas, além de lubrificar a parte mecânica do equipamento.

No Brasil, os usuários de veículos trocam as palhetas a cada quatro anos, em média. Na Europa, a substituição é feita anualmente.

Para enfrentar a chuva com maior segurança, outros componentes, além do limpador do pára-brisa, também merecem manutenção correta.

Se em pista seca, por exemplo, o alinhamento das rodas, os amortecedores e o sistema de freio em boas condições evitam a perda de direção do veículo, sob chuva o comportamento dinâmico do carro se torna imprescindível.

A importância dos pneus em pistas encharcadas pode ser comprovada em casos de aquaplanagem. Devido ao acúmulo de água sobre a pista, forma-se uma película entre a roda e o asfalto, fazendo com que o pneu perca, momentaneamente, o contato com o piso, provocando o descontrole do veículo.

Pneus lisos ou de meia-vida tendem a aumentar os efeitos da aquaplanagem, devido à quase ausência dos sulcos que servem para escoar a água na banda de rodagem.

FONTE: Percy Faro - Diário Online

MOTORES DIESEL
Cuidado com o combustível

É cada vez mais comum encontrarmos nas cidades e estradas camionetas movidas a diesel. Elas são fortes e resistentes mas escondem uma fragilidade enorme por debaixo do capô. A principal causa de pane nesses tipos de veículos, é o combustível.

Para evitar problemas desta espécie siga algumas dicas que podem ser muito úteis para melhorar a durabilidade destes veículos e evitar dor de cabeça.

1. Ao abastecer
Procure sempre postos com bons filtros de combustíveis: uma dica é procurar sempre postos onde haja grande movimentação de caminhões, ou postos de grande porte, dentro e fora das cidades, pois o diesel pode conter água e prejudicar bomba e bicos ejetores.

2. Manutenção Preventiva.
É muito importante para o veículo a diesel o filtro e o decantador do combustível, o diesel cria umidade no tanque de combustível, do posto e do próprio veículo.

Esta umidade é eliminada através de um decantador que em alguns carros vem como sendo um sensor automático de volume de água para avisar o momento de limpar o decantador.

Já outros tipos de veículos que não possuem este sensor, necessitam de uma checagem periódica de mais ou menos quinze (15) dias para serem limpos, (eliminar a água ) ou até mesmo substituí-los por peças novas originais.

Já o filtro de combustível deve ser trocado a cada 20.000 Km em condições de uso normal, ou em caso de uso severo, ( fora de estrada ) deve ser trocado mais freqüentemente dependendo do tipo de estrada, lembrando que certos veículos possuem apenas um filtro sendo decantador e filtro juntos, mas seguem a mesma programação de manutenção.

Nunca esquecendo do filtro de ar que segue também este programa de manutenção, devendo ser trocado a cada 20.000 Km em condições normais e 10.000 Km em condições severas de uso.

Seguindo estas pequenas dicas, vocês vão manter sempre em dia a Bomba e os Bicos injetores que são extremamente sensíveis a água, evitando assim transtornos e gastos desnecessários, lembrando que a substituição destas peças devem ser feitas por pessoas qualificadas e em oficinas especializadas.

Matéria enviada por: Daniel Farina

CARRO USADO
Você compraria o carro do seu vizinho?

Esta é uma boa pergunta. Comprar um usado é sempre uma tarefa difícil, principalmente quando você escolhe o veículo de um desconhecido. Saber sua procedência é sempre um bom começo, mas nem sempre é possível.

E o pior é saber que o mercado está cheio de “vendedores de final de semana”, oportunistas, especialistas em maquiagem à procura de um otário para empurrar lata velha. Por isso é importante tomar alguns cuidados para não levar gato por lebre.

Para começar a “via crucis” em busca do carro usado é recomendável definir alguns detalhes antes de tomar qualquer atitude.

Resolva que tipo de carro você realmente deseja comprar e que se encaixe dentro de seu orçamento, optando por aquele que vai atender às suas necessidades. Isso é importante para que você não perca tempo olhando opções que estão fora de suas intenções e possibilidades.

Hoje são várias as opções de se comprar um usado. Concessionárias e agências costumam oferecer alguma garantia, mas em troca cobram um preço mais alto.

Já com os vendedores autônomos é possível comprar um usado por preço menor, mas nem sempre é possível obter informações seguras sobre a procedência. Nesses casos leve o carro ao mecânico de confiança.

Principais problemas do usado

* Amassados na lataria e arranhões na pintura podem comprometer o estado do carro, pois o serviço de reparo pode ficar caro;
* Pontos de ferrugem na lataria também podem condenar a compra do carro;
* Carros que sofreram um capotamento ou uma batida mais forte devem ser evitados, mesmo que aparentemente estejam em bom estado;
* Carro que esteja torto, com o teto e a pintura ondulada é sinal de que o mesmo já sofreu um acidente mais grave;
* Partes mais grossas na pintura indicam a presença excessiva de massa plástica. Para identificá-la use um ímã, se não grudar, tem muita massa;
* Carros com sinais de pintura recente podem identificar a intenção de esconder algum problema;
* Se houver solda na base do radiador ou se a colméia estiver amassada também é sinal de que o carro foi batido;
* É sempre bom verificar o porta-malas, retirando a cobertura de carpete para verificar se há sinais de solda, ferrugem ou ondulações;
* Olhe sob as borrachas de portas e vidros se há pontos de ferrugem;
* Verifique se o motor tem vazamentos excessivos;
* Passe um dedo na saída do escapamento para verificar se está oleoso. Se estiver, é sinal que o carro está queimando óleo.
* Fumaça branca também indica que o motor está queimando óleo;
* Ruídos estranhos no motor, como som de metal contra metal, podem indicar problemas graves;
* Confira sempre os documentos do veículo, checando o número de identificação do chassi, que não pode apresentar sinais de rasura;
* Consulte o órgão de trânsito (Detran) para obter informações da procedência do carro;
* Veja se o carro tem manual do proprietário e chave de reserva, são detalhes que indicam o cuidado que o antigo dono tinha com o carro;
* Ligue o motor e veja, em marcha lenta, se a bateria está com carga suficiente para suportar faróis e lanternas acesas;
* Observe se o câmbio tem ruídos estranhos, que podem significar problemas sérios;
* Folga muito grande no volante não é normal;
* Com o carro levantado, force as rodas para dentro e para fora e se balançar é sinal que o rolamento está ruim;
* Pneus carecas representam uma despesa grande;
* Pneus gastos irregularmente também indicam problemas de alinhamento, balanceamento ou, mais grave, de suspensão;
* Borracha dos pedais muito gasta significa carro muito rodado, compare com a quilometragem do hodômetro para ver se está mais ou menos coerente, ele pode ter sido “atrasado” para dizer que é mais novo do que realmente é.

QUESTÃO DE ECONOMIA
Combustíveis - Economize de verdade

Em tempo de vacas magras qualquer economia é válida, mas desde que não haja exageros. É o caso do aumento dos preços dos combustíveis.

Ainda existem pessoas que correm para os postos de abastecimento quando o governo anuncia que o preço da gasolina vai subir.

Na prática, eles acabam economizando cerca de R$ 4,00, se encherem o tanque. Mas, e depois? O depois é o mais importante e pode significar uma economia maior, principalmente se carro estiver com a manutenção em dia e for conduzido de forma correta. Veja (e pratique) as dicas que estão nesta página. O resultado poderá ser surpreendente.

Motor

Não é preciso esperar “aquecer” o motor do carro para sair pela manhã;

O ideal é sair logo que se liga o carro e não forçar o motor nos primeiros minutos, aguardando que o ponteiro do marcador de temperatura chegue a um quarto para exigir mais dele;

Não pise no acelerador antes de desligar o motor;

Tire o pé do acelerador antes de parar o carro, usando freio motor;

Evite acelerações bruscas, que além de aumentarem o consumo de combustível provocam o desgaste prematuro do motor;

Dirigir em altas velocidades (além de ser proibido) gera alto consumo.

Condução adequada

Troque as marchas no tempo certo, nas velocidades indicadas no manual do proprietário de seu veículo;

Se o carro tem “conta-giros” (tacômetro) utilize as informações do mesmo para efetuar as trocas de marchas dentro dos limites de rotação mais adequados (normalmente na faixa de 2 a 4 mil rpm);

Não estique demais as marchas, para não forçar o motor;

Nas descidas, engrene uma marcha equivalente à que seria necessária para subir;

Não acelere nos intervalos de trocas de marchas.

Tirando peso

Não coloque no veículo carga superior àquela recomendada no manual;

Retire do porta-malas objetos que não são necessários, como pneus velhos, peças velhas e ferramentas que dificilmente serão utilizadas, pois eles servem para aumentar o peso e o consumo de combustível.

Pneus

Pneus baixos (com calibragem incorreta) aumentam o atrito e o consumo de combustível;

Mas o aumento do atrito dos pneus também pode ser provocado pela suspensão desalinhada.

Trajeto

Escolha um trajeto mais adequado, de preferência com poucas subidas fortes, que exijam a troca de marchas constante;

Ruas e avenidas mal conservadas também acabam forçando o carro, aumentando o consumo de combustível.

Abastecimento

Não deixe que o frentista do posto encha o tanque além do desligamento automático da bomba, pois, do contrário, o excesso de combustível pode transbordar, danificando o canister (filtro dos gases do tanque).

Escolha certa

Se o objetivo é economizar combustível, na hora de escolher o carro leve em consideração alguns aspectos, como o Coeficiente de Penetração Aerodinâmica (cx), que influencia diretamente no consumo (quanto menor o número, mais aerodinâmico e econômico é o carro);

Os modelos maiores, mais pesados e com motores mais potentes apresentam um consumo maior de combustível;

Carros com motor a álcool ainda proporcionam uma pequena economia, devido ao preço desse combustível.

CIDADE GRANDE
Aprenda a se defender
melhor no trânsito urbano

“Mais uma vítima de trânsito”. “Veículo desgovernado colide com caminhão e mata uma família”. “Nevoeiro provoca colisão de veículos e congestiona trânsito”. Estas são algumas das informações sobre a violência no trânsito veiculadas nos jornais diários. Esta estatística também é real e preocupa as autoridades e a sociedade.

De acordo com pesquisas, mais de 90% dos acidentes no trânsito são causados por falhas humanas, seguidas de condições externas ao veículo e ao motorista, como estado da via, sinalização insatisfatória, condições de tempo e falhas técnicas.

Para superar algumas deficiências e driblar certos problemas, vale a pena conhecer algumas dicas de direção defensiva que podem ajudar a evitar acidentes e salvar vidas.

A maioria dos acidentes ocorre durante uma ultrapassagem, uma manobra arriscada que exige muitos cuidados.

Ao ultrapassar, avalie a velocidade do veículo que será ultrapassado e o espaço disponível para a ultrapassagem. Certifique-se de que o carro à frente está lhe favorecendo a ultrapassagem e sinalize sua intenção. Se a faixa contrária estiver livre, vá em frente, mantendo-se nela o tempo necessário para ultrapassar, retornando à direita assim que puder.

Não ultrapasse em curvas, túneis, viadutos, subidas, descidas, cruzamentos e onde a sinalização for com linha contínua. Ao ultrapassar um veículo, você poderá ultrapassar a barreira da morte. Em caso de dúvida, não arrisque, espere outra chance.

Neblina: perigo à frente

Durante o Inverno e o Outono, estradas são invadidas pela neblina, que exige dos motoristas mais atenção.

Quando a neblina estiver muito forte, impedindo a visibilidade, o melhor é esperar no acostamento. Não se esqueça de ligar o pisca-alerta e sinalizar a área com o triângulo a uns cinqüenta metros de distância do veículo.

Se não houver encostamento, prossiga a viagem. No entanto, redobre a atenção, utilizando faróis baixos e uma velocidade reduzida. Nunca ligue o pisca-alerta com o carro em movimento.

Deixe à mão um pano ou flanela limpos para desembaçar o pára-brisa. Evite passar a mão, que pode engordurar o vidro e piorar o problema. Há no mercado diversos aerossóis e sprays antiembaçantes à venda em supermercados, postos de abastecimento e lojas de autopeças.

Antes de qualquer viagem, verifique se os faróis estão bem regulados; se as lanternas traseiras e luzes de freios estão funcionando. O motorista é responsável pelas falhas técnicas que o veículo apresentar, cabendo a ele conservar o automóvel em perfeito estado, realizando manutenção periódica.

As lanternas, os faróis, a direção, os pneus, os freios, o limpador de pára-brisas, a suspensão e buzina são itens importantes para praticar uma direção defensiva. Se eles apresentarem algum defeito, podem prejudicar ou impedir o controle em uma situação de emergência, colocando em risco a sua vida e a de outras pessoas.

Cuidados para não derrapar

No caso de pistas derrapantes, o certo a fazer é diminuir a velocidade. Se o carro derrapar, o motorista vai precisar saber se o carro é do tipo que “sai de frente” ou de “traseira” para saber como agir. Um carro com proporções de peso maior na frente (motor, câmbio, diferencial, tração), geralmente “sai de frente”. Neste caso, a correção da derrapagem se faz tirando o pé do acelerador e conservando o volante virado para dentro da curva até retomar o controle do veículo.

Se o peso do carro está concentrado atrás, ele tenderá a sair de “traseira”. A alternativa nesta caso é manter a aceleração e virar o volante para fora da curva até corrigir a derrapagem.

VIDA MODERNA
Mulheres e parafusos
Sujar as mãos de graxa e arrumar carros quebrados não é mais um trabalho exclusivo dos homens

Não é de hoje que as mulheres estão dominando profissões que no início do século passado eram restritas aos homens. Mas como você reagiria se fosse levar seu carro para uma revisão na oficina e se deparasse com uma mulher suja de graxa diante do capô?

Se sua resposta foi “não me surpreenderia”, ou você é mulher, ou está consciente da revolução que o sexo feminino está provocando no setor de produção e reparação de automóveis.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a participação da mulher na indústria automotiva cresceu de 26,35%, em 1985, para 28,13%, em 1997.

Outro indício desse crescimento é a criação de um curso de noções básicas de mecânica exclusivo para mulheres. Há pouco mais de um ano, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), conceituado por seus cursos técnicos em suspensão, freios, embreagem e funilaria, decidiu apostar no público feminino.

“A procura do curso pelas mulheres aumentava a cada ano e resolvemos investir nesse filão”, explica Carlos Anderson, instrutor-orientador da unidade do Senai Conde José Vicente de Azevedo, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Quando a brasiliense Vânia Pereira decidiu frequentar o curso regular de formação de técnicos em freios e suspensão, em 1997, a realidade era outra.

Ela era a única mulher da turma e ouvia de colegas homens que seu lugar correto seria pilotando o fogão e não automóveis.

Mesmo assim, não se deixou intimidar. Levou o curso de dois anos até o final e hoje é uma das 22 mulheres brasileiras que possuem o certificado da Automotive Service Excelence (ASE), companhia internacionalmente conhecida pela qualidade da formação de seus diplomados no setor automotivo.

Segundo o presidente da ASE no Brasil, Geraldo Santos Mauro, as mulheres costumam se mostrar mais interessadas na obtenção do certificado. “Elas são mais atentas aos enunciados e mais dispostas a aprender, pois se sentem na obrigação de ser tão competentes quanto os homens”, diz Mauro.

Vânia decidiu prestar exame para o certificado da ASE para acabar com comentários machistas. “Com o diploma na parede, não há homem que diga que sou incompetente por ser mulher”, afirma. Competência assegurada, Vânia agora se preocupa com sua aparência. “Cortei o cabelo porque vivia seco por causa dos pingos de óleo que caíam quando me enfiava embaixo dos carros”, diz a mecânica.

Atualmente, seus cuidados com a beleza consomem duas lixas e escovas de unhas por mês, além de potes de hidratante corporal e capilar para evitar o ressecamento provocado pelo contato com a graxa.

Combater a sujeira inerente ao trabalho nas oficinas mecânicas é uma das missões da curitibana Alzira Chiamulera, 42 anos. Em sua oficina, mecânico sujo e cheio de graxa não entra. “Exijo dos meus funcionários que troquem o macacão diariamente e decoro o ambiente com vasinhos de flores, para me diferenciar da concorrência”, conta a primeira mulher brasileira a receber o certificado da ASE.

Alzira entrou no serviço automotivo por causa do ex-marido. Ele possuía uma frota de táxis e achava caro manter os carros em ordem. Decidiu então criar sua própria oficina mecânica. O negócio deu mais certo do que o casamento e, em 1990, Alzira tomou a frente dos negócios.

O serviço automotivo, entretanto, não é sua única afinidade com o trabalho reservado aos homens. Ela é formada em engenharia civil e construiu sua própria casa de praia, no litoral do Paraná. “As pessoas estranham, mas acham legal. Vivem me perguntando o que fazer com seus carros”, diz.

Há 17 anos, ensinar os procedimentos básicos para o conserto de automóveis é o que faz a cientista política americana Mary Jackson, diretora da fundação Women at The Wheel. Ela dá palestras e workshops para mulheres cansadas de depender de mecânicos e de trocas de óleo desnecessárias, por exemplo.

E é autora do livro Car smarts, que já vendeu mais de 100 mil cópias nos EUA e deve chegar ao Brasil em dois anos. Segundo a especialista, não é preciso estudar ou ser mecânica para entender de carros. “Quando o automóvel não anda muito bem, usar quatro dos nossos cinco sentidos ajuda a compreender o problema”, diz.

Assim como Mary, a paulista Vânia Vianna, 40 anos, também migrou da área de humanas para o conserto de carros. Formada em arqueologia, ela entrou para o ramo por causa de um grande amor.

Em 1985, casou-se com o mecânico Heraldo e passou a ajudá-lo na oficina. Nos anos seguintes, Heraldo teve de se afastar do trabalho diversas vezes por causa de um tumor maligno no pescoço e Vânia era quem tomava conta dos serviços.

Em 1989, Heraldo faleceu. “Percebi que aquilo era uma das coisas mais bonitas que ele tinha construído e, um mês após a sua morte, decidi tomar conta da oficina”, conta Vânia. Alguns mecânicos recusaram-se a continuar com uma mulher como chefe e pediram demissão. Mesmo assim, ela não desistiu.

Fez cursos de freios e embreagem e aumentou o faturamento da oficina. “Antes de eu comandar o negócio, havia mecânicos que, durante o verão, arrancavam as mangas do jaleco e também ficavam com o peito peludo à mostra. Acabei com isso. Nossos clientes gostam de bons serviços e de higiene”, afirma.

COMPORTAMENTO
Como tirar minha carteira de habilitação?

Para tirar a carteira de motorista, você precisa de carteira de identidade original e em bom estado.

O Detran não aceita xerox autenticada, cédulas extraviadas, abertas ou em mal estado de conservação.

É importante ressaltar que a exigência de documentos pode variar de acordo com as regras do Detran de cada estado. Agora, preste atenção na seguintes dicas:

1) Ao se inscrever, você deve optar entre as seguintes categorias:

A/1 - Permite pilotar motos de até 180 cilindradas.
A/2 - Permite pilotar motos com mais de 180 cilindradas.
B - Permite dirigir veículos com até oito passageiros e até 3.500 kg.
C - Permite dirigir veículos com até oito passageiros e acima de 3500 kg.
D - Permite dirigir veículos com mais de oito passageiros e acima de 3500 Kg.
E - Permite dirigir veículos acoplados e articulados.

2) Os primeiros exames são de sanidade física (médico) e mental (psicotécnico). O exame médico é avalia a condição física do candidato, a acuidade visual (o quanto o candidato enxerga) e as eventuais deficiências físicas.

Deficientes físicos poderão dirigir, desde que se submeta ao exame específico, realizado pelo serviço médico do Detran. O exame psicotécnico afere a condição mental do candidato, se tem problemas mentais, se é agressivo, depressivo ou até mesmo alcoólatra ou se usa drogas.

3) O terceiro exame é o teórico, onde são avaliados conhecimentos sobre legislação e sinalização de trânsito.

As placas são parte da sinalização de trânsito. O exame teórico é constituído de 20 questões, sendo 12 sobre placas e 8 sobre legislação, todas em forma de teste de múltipla escolha. Se o candidato errar seis do total, ainda é aprovado.

4) O candidato aprovado no exame teórico receberá a matrícula de aprendizagem, documento que autoriza a prática de direção nas vias públicas.

Para participar das aulas, o candidato deve estar calçado adequadamente, não podendo usar chinelos ou sandálias.

5) O último passo é o exame prático, que consiste na prova de direção em via pública, com exigência de manobras específicas como baliza e percurso com prova de aclive (sair com o veículo na ladeira). O candidato é avaliado por uma banca examinadora do Detran.

O candidato só será reprovado se atingir um limite de pontos negativos em função das faltas cometidas. O candidato que for aprovado no exame prático receberá a C.N.H. (Carteira Nacional de Habilitação).

6) O exame prático não permite que candidatos usem shorts, bermudas, chinelos, sandálias, camisas sem mangas ou regatas.

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