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Edição 17 - Maio de 2001
Conteúdo básico
SEGURANÇA NA HORA DA COMPRA
Carro roubado ou furtado:
Como reconhecer e identificar
a) Comece a
sua inspeção verificando a autenticidade dos
documentos. Confira os números do chassi, da placa
(inclusive a cidade de origem do emplacamento), o nome do
proprietário, o tipo de combustível etc. Desconfie
de cópias de documentos, mesmo que sejam autenticadas
por órgãos de trânsito.
b) Veja se o número (seqüência
de letras e algarismos) do chassi gravado no painel corta-fogo
(chapa que separa o motor da cabine) bate com o número
gravado nos vidros e nos documentos. Dependendo da marca,
ano e modelo do veículo, esses números podem
ser encontrados em outros pontos da carroceria.
c) Além do painel corta-fogo,
essa gravação pode ser localizada também
na torre do amortecedor dianteiro. Nos modelos mais recentes,
ela está presente ainda no assoalho da cabine, atrás
ou ao lado do banco do passageiro, ou sob o assento. Mas
pode ser encontrada dentro do bagageiro, estampada no pára-lama
ou no batente da tampa do porta-malas ou ainda no piso do
bagageiro.
d) Procure por sinais de adulteração
na gravação estampada na carroceria. Se existirem
marcas de soldas, números e letras desalinhados ou
com espaçamento irregular, ou ainda indício
de pintura nova na chapa, desconfie. Caso note alguma imperfeição
ou sinais de raspagem na lata, você pode estar eventualmente
diante de um carro que foi furtado ou roubado.
e) Verifique a placa traseira e veja
se ela traz o lacre de chumbo e o arame de licenciamento
preso à carroceria. Geralmente as quadrilhas utilizam
uma placa dianteira em duplicata e a instalam no lugar da
traseira, após furá-la com uma broca para
passar o lacre de chumbo.
f) Compare os códigos dos fabricantes
das placas dianteira e traseira (estampados em relevo na
lateral da chapa) e veja se eles conferem um com o outro.
Se eles não coincidirem é porque as placas
foram produzidas por indústrias diferentes, o que
indica que a placa traseira pode ter sido adulterada.
g) Procure também por sinais
de adulteração nos números do chassi
gravados nos vidros das janelas do carro. Geralmente sempre
ficam vestígios de remarcação na numeração
original.
h) De posse do nome do proprietário,
números do chassi e da placa, ano/modelo e cor do
veículo, ligue para o Detran de sua cidade (Tel:
900-0160, em São Paulo) para levantar o prontuário
do carro. Alguns órgãos dispõem de
serviços on-line ou informam pelo telefone sobre
o prontuário do veículo.
i) A partir desse levantamento é
possível obter todo o histórico do carro e
saber se este figura na lista de veículos furtados
ou roubados.
j) Outra alternativa é consultar
o Cadastro Nacional de Veículos Roubados (CNVR).
Esse serviço -fornecido por uma empresa privada-
pode ser acessado (gratuitamente) na Internet, no endereço
www.seguros.com.br/cnvr.
k) No caso de suspeitar da autenticidade
da gravação de chassi de seu próprio
carro, leve-o ao setor de vistoria do Detran ou Ciretran
de sua cidade para fazer uma inspeção mais
minuciosa.
Disque Detran/SP
Informações sobre o prontuário e situação
do veículo (multas, furto ou roubo)
Inclui valores de IPVA, multas pendentes do DER e da Cetesb
Tel: 900-0160 (a ligação custa R$ 3,50 por
minuto)
Para consultar, converta as letras da placa em números,
conforme segue, e digite no dial do telefone: por exemplo,
A=01, B=02 e assim por diante, até Z=26. Depois,
disque os quatro números da placa.
Polícia Civil/ SP
Verificação de roubos e furtos de carros
Tel: (11) 230-3211 e (11) 228-8999
Internet: www.seguranca.sp.gov.br
Roubo e furto de veículos - Delegacia
Virtual (SP)
Queixas de furto e boletim de ocorrência on-line
Internet: www.seguranca.sp.gov.br
Cadastro Nacional de Veículos
Roubados
Localização de veículos roubados ou
furtados
Tel: (11) 6451-9084
Internet: http://www.seguros.com.br/cnvr
Localização de veículos
roubados ou furtados
Listagem dos carros recuperados pela polícia
Internet: www.seguranca.sp.gov.br
Outros Estados
Detran - São Paulo
Tel.: 1514 ou (011) 889-3000
Internet: www.mandic.com.br/detran
Internet: www.detran.com.br
Detran - São Bernardo do Campo
(SP)
Internet: www.detsbc.sp.gov.br
Detran - Rio de Janeiro (RJ)
Internet: www.detran.rj.gov.br
Detran - Curitiba (PR)
Internet: www.celepar.com.br/detran
Detran - Florianópolis (SC)
Internet: http://consultas.ciasc.gov.br/detran/multas
Detran - Porto Alegre (RS)
Internet: www.detran.rs.gov.br
Detran - Belo Horizonte (MG)
Internet: www.detrannet.prodemge.gov.br
Detran - Vitória (ES)
Internet: www.detran.es.gov.br
Detran - Salvador (BA)
Internet: www.detran.ba.gov.br/detranba.htm
Detran - Brasília (DF)
Internet: www.gdf.gov.br
Detran - Campo Grande (MS)
Internet: www.detran.ms.gov.br
Detran - Recife (PE)
Internet: www.fisepe.pe.gov.br
Detran - João Pessoa (PB)
Internet: www.openline.com.br/detran
Detran - Natal (RN)
Internet: www.detran.rn.gov.br
Detran - Teresina (PI)
Internet: www.detran.pi.gov.br
Detran - Belém (PA)
Internet: www.prodepa.gov.br
SEGURANÇA NAS ESTRADAS
Acidente de trânsito: O que devo
fazer?
Com a vida agitada do nosso cotidiano,
é comum ver-se a prática de pequenas infrações
de trânsito que, mais cedo ou mais tarde, acabarão
ensejando a ocorrência de um indesejado acidente.
Em condições normais,
ninguém espera se envolver em qualquer tipo de acidente,
especialmente de trânsito, pois quando se sai de casa
pretende-se a esta retornar sem nenhum problema.
Ainda que indesejável, é
previsível a consumação do sinistro,
em conseqüência do qual ou surgem danos materiais
e/ou pessoais.
A Codificação de Trânsito
em vigor (CTB), prevê que todos os usuários
da via terrestre (motorista, motociclista, ciclista, pedestres,
etc) devem abster-se de todo ato que possa constituir perigo
ou obstáculo para o trânsito de veículo,
de pessoas e de animais, ou ainda, que possa causar danos
a propriedades públicas ou privadas (Art. 26, Inciso
I).
Nesse diapasão, exigem-se de
todos prudência, de tal forma que seus atos não
possam contribuir para a ocorrência de acidente de
trânsito.
Da ocorrência do sinistro podem
surgir: a) acidente de trânsito sem vítima
e b) acidente de trânsito com vítima, podendo
aquele ser ou não fatal.
O CTB disciplina que, ocorrendo acidente
sem vítima, ou seja, apenas com danos materiais,
o condutor envolvido deverá remover o veículo
do local, desde que necessário à segurança
e à fluidez do trânsito, e, caso se omita de
tal providência, estará sujeito a ser autuado
por infração de trânsito de natureza
média, com penalidade de multa de 80 UFIRs.
A remoção do veículo
do local do acidente, repita-se, somente será admissível
quando houver prejuízo na fluidez trânsito,
pondo em risco a segurança no trânsito.
No caso de acidente com vítima,
o CTB (art. 176) anuncia que o condutor deverá:
1) prestar ou providenciar socorro à
vitima, desde que possa fazê-lo;
2) adotar as providências no sentido
de evitar perigo para o trânsito local, podendo fazê-lo;
3) preservar o local, de forma a facilitar
os trabalhos da polícia e da perícia;
4) adotar as providências para
remover o veículo do local, quando determinado por
policial ou agente da autoridade de trânsito;
5) identificar-se ao policial e de lhe
prestar informações necessárias à
confecção do boletim de ocorrência.
Se o condutor deixar de cumprir qualquer um dos itens descritos,
poderá ser autuado por uma infração
de natureza gravíssima, com penalidade de multa,
agravada cinco vezes (900 UFIRs) e suspensão do direito
de dirigir, sendo recolhido o seu documento de habilitação,
sem prejuízo de violar os seguintes tipos penais:
inovar artificiosamente o local de acidente de trânsito
com vítima (art. 312 CTB), e evadir-se de local de
acidente para fugir a responsabilidade (art. 305 CTB), entre
outros.
Recomenda-se, portanto, que, ao se envolver
em acidente de trânsito, deva-se proceder com cautela,
procurando manter a calma, adotando os procedimentos exigidos
em lei, evitando, assim, uma tragédia maior.
Wilson de Barros Santos
- Trânsito Brasil
DIA-A-DIA
Guia de sobrevivência: para você
e para seu carro
Sugestões de A a Z para evitar multas, diminuir
a tensão diária no trânsito e ainda
reduzir as despesas normais com seu carro
Embora ninguém assuma ser
mau motorista, dirigir bem significa guiar para si mesmo
e para os outros. Atenção é fundamental,
mas uma dose de cortesia ajuda muito. O bom motorista, para
os especialistas, é o que dirige com segurança,
levando em conta a falta de habilidade ou responsabilidade
dos outros condutores e pedestres. Age sempre no sentido
de prevenir acidentes e tem uma atitude pacífica.
Mesmo coberto de razão, não revida.
Esse perfil
seria o ideal, mas está distante da realidade: "Cada
um tem suas características de personalidade e, ao
se tornar motorista, leva consigo seu comportamento e o
jeito de lidar com cada situação", explica
o instrutor Luiz Fonseca no seu livro sobre direção
defensiva. "Quem é agressivo no dia-a-dia não
vira um anjo ao volante", diz a psicóloga de
trânsito Cecília Bellina. É exatamente
por isso que o motorista precisa ter controle quando a emoção
vem à tona. "Ele tem de se policiar e não
deixar a raiva falar mais alto quando leva uma fechada."
Trânsito
em alta tensão
Ficar horas preso no trânsito, depois de um dia difícil,
pode ser o estopim para um processo de estresse. Muitas
pessoas acabam dirigindo de forma muito agressiva. Para
manter a calma, cada um apela a uma técnica. O estilista
Valdemar Iódice, por exemplo, não sai na hora
do rush e procura caminhos alternativos. "Quando pego
trânsito, não entro no estresse dos outros
nem discuto. Às vezes, encontra-se alguém
que não tem nada a perder, enquanto você tem
muito a perder na vida", diz.
A política
do deixa-pra-lá é a melhor arma no trânsito
nervoso das grandes cidades. "Comprar briga na rua,
além de inútil, é muito perigoso",
afirma Cláudia Matarazzo, jornalista e autora de
livros sobre comportamento. Mesmo quem já foi de
bater boca hoje adota uma atitude pacata. O piloto Ingo
Hoffmann conta que nunca brigou no trânsito, mas já
foi de xingar muito. "Hoje, com a idade e a experiência,
estou mais tranqüilo e faço que não é
comigo."
Contrariando
a regra popular do futebol de que a melhor defesa é
o ataque, o instrutor de direção preventiva
Roberto Manzini diz que um aceno de mão desmonta
qualquer agressão: "Mesmo que você esteja
certo, peça desculpa e siga em frente."
Reclamamos
quando alguém nos dá uma fechada ou nos deixa
preso no congestionamento porque o carro enguiçou.
E com razão. O primeiro passo para uma boa convivência
no trânsito é a manutenção do
veículo. Não espere o seu quebrar para encostá-lo
na oficina. Faça sempre manutenção
preventiva para não ser surpreendido, ou deixar os
outros motoristas irritados, e prolongue a vida de seu carro.
Veja adiante
opiniões de especialistas sobre o que você
deve ou não fazer no seu carro e no trânsito.
Trata-se de um manual de sobrevivência para evitar
as principais manias que reduzem a vida útil do veículo
e as atitudes que lhe dão uma tremenda fama de mal-educado.
Acelerar antes
de desligar o motor ou no farol fechado
É uma operação inútil, que desperdiça
combustível. "Só se deve acelerar o carro
quando houver necessidade de força", diz Ricardo
Bock, engenheiro e professor da Faculdade de Engenharia
Industrial (FEI). Depois que a injeção eletrônica
surgiu, esquentar o motor pela manhã também
é inútil.
Borrifar óleo
mineral debaixo do carro
Como o óleo é solvente natural das borrachas,
a pulverização destrói as peças
com esse material na suspensão. "É uma
herança dos anos 40 e 50, quando as buchas da suspensão
eram de bronze e tinham de ser lubrificadas com graxa para
eliminar os ruídos", conta Bock. O certo é
usar produtos não derivados do petróleo, como
silicone.
Cantar pneus
nas arrancadas
Provoca desgaste dos pneus e "esforço estupidamente
alto" entre os elementos de transmissão, como
a junta homocinética, a coroa e o pinhão do
diferencial. Além disso, é infração
gravíssima, segundo o Código de Trânsito
Brasileiro.
Descansar a
mão no câmbio e o pé na embreagem
Esse peso constante provoca desgaste prematuro em todo o
sistema, tanto das engrenagens da caixa de marchas como
da embreagem (disco, platô e rolamento). Como brinde,
ganha-se folga no câmbio e embreagem patinando. O
pedal deve ser usado só na mudança de marcha,
porque a embreagem não foi feita para suportar acionamento
contínuo. Quando parar o carro, use o ponto morto
e, em uma ladeira, o freio de mão.
Engatar a ré
sem parar totalmente o carro
Dessa atitude precipitada vem aquela famosa "arranhada",
que prejudica os dentes da engrenagem. Mesmo nas caixas
de câmbio em que a marcha à ré tem engate
sincronizado, é necessário parar o veículo
para engatá-la.
Frear em cima
de lombadas e durante as curvas
"Pisar no freio antes, e não passando pelos
obstáculos, é um capricho que poupa muito
o veículo. Passar por uma lombada com o freio acionado
sobrecarrega a suspensão por excesso de rigidez e
não permite à roda girar solta pelo obstáculo.
O correto é passar com as rodas livres e na velocidade
adequada", explica o instrutor Luiz Fonseca. Nas curvas,
o certo também é frear levemente antes e reduzir
a marcha. Com isso, o carro ganha aderência ao solo.
Quando o farol está vermelho, não adianta
vir correndo e parar bruscamente no último instante.
Isso desgasta freios, motor, embreagem e pneus.
Girar o volante
com o carro parado
Com o veículo imóvel, a força para
esterçar o volante é muito maior, o que sobrecarrega
o sistema de direção e reduz sua durabilidade.
Ao fazer a manobra, mova o carro um pouquinho para a frente
ou para trás.
Habituar-se
a calibrar os pneus com freqüência
Calibrar os pneus, pelo menos a cada 15 dias, com a pressão
correta (indicada no manual do proprietário) garante
segurança e durabilidade. A pressão insuficiente
causa superaquecimento, fadiga prematura da estrutura, quebras
na carcaça e desgaste irregular nas bordas do pneu.
Já a pressão excessiva provoca desconforto,
menor aderência ao solo e desgaste acentuado no centro
da banda de rodagem. Lembre-se de fazer a calibragem somente
com os pneus frios.
Ir no vácuo
de ambulâncias
Seguir veículos em serviço de urgência
é uma infração grave e complica ainda
mais o trânsito. Imagine se todos forem atrás
dos bombeiros...
Jogar lixo
pela janela
Ninguém faz isso na sala de casa. E, mesmo sendo
uma infração média, é muito
comum ver uma lata de refrigerante ou um papel de bala ser
atirado pela janela. "Além de falta de educação,
o motorista está rasgando o dinheiro do imposto de
limpeza que ele paga", diz Cláudia Matarazzo.
Levar sempre
um CD ou fita
"Escutar uma música que você goste é
uma das formas para aliviar o estresse num congestionamento",
ensina o instrutor Manzini. Outra forma é saber como
está o trânsito na cidade antes sair de casa:
ouça rádio, ligue a televisão ou acesse
a internet. Ainda é melhor prevenir do que remediar.
Manter distância
do veículo à frente
Não andar "colado" é uma maneira
simples e eficiente de evitar colisões em freadas
de emergência. Se o carro de trás não
sai da sua cola, dê passagem. Não tente bloquear
o apressadinho, mesmo que ele tenha ultrapassado o limite
de velocidade. Dos caminhões, a distância ideal
é de 30 metros, à frente ou atrás.
Lembre-se de que parar um veículo de grande porte
é bem mais complicado.
Não
pôr combustível aos pouquinhos
Pôr combustível de R$ 10 em R$ 10 não
traz economia. Pelo contrário, pode até dar
mais despesa. Quando o tanque está cheio, a sujeira
está diluída em uma quantidade maior de combustível
e, normalmente, fica depositada no fundo do reservatório.
Quando o tanque está vazio, a concentração
de sujeira é maior, aumentando a possibilidade de
entupimento dos bicos injetores e a evaporação
da gasolina. Outra conseqüência negativa é
diminuir a vida útil da bomba de combustível.
Obedecer às
leis de trânsito
A atitude diminui o risco de acidentes, evita transtornos
para os outros motoristas e um rombo no seu orçamento.
Também é uma questão de cidadania:
estacionar o carro sobre a calçada é, antes
de mais nada, uma grande falta de respeito. Bancar o espertinho
e ultrapassar pelo acostamento, por exemplo, é infração
gravíssima e implica multa de R$ 574,62.
Pegar no tranco:
evite este procedimento
O súbito sobreesforço entre todas as peças
do motor e da transmissão pode quebrá-las
e o combustível não queimado, caso o carro
não pegue, estraga o catalisador, uma peça
cara. Se a bateria arriou, o ideal é substituí-la.
Como medida emergencial, você pode fazer a conhecida
"chupeta" com outro veículo em funcionamento.
Mas tome cuidado: uma ligação incorreta, com
polaridade invertida, pode afetar irremediavelmente todo
o sistema elétrico.
Querer sempre
levar vantagem
A lei de Gérson também impera entre os motoristas.
Não é difícil encontrar quem se julgue
mais inteligente, fazendo peripécias ao volante.
Tomar a vaga de outro motorista na rua ou em estacionamentos,
não dar preferência a pedestre que esteja na
faixa, ultrapassar pela contramão, ofuscar quem vem
em sentido contrário... A maior parte dessas atitudes
também é considerada infração
grave.
Retornar em
locais proibidos
É uma infração gravíssima e
deixa o trânsito ainda mais bagunçado. Respeite
os outros motoristas e não faça o que você
não gostaria que fizessem à sua frente. Não
deixe também de sinalizar suas intenções.
Se você quer mudar de faixa, ligue a seta. Afinal,
ninguém tem obrigação de adivinhar
o que você está pensando naquele momento.
Sair em segunda
marcha
Deixar a embreagem patinando demais na arrancada causa desgaste
prematuro de disco e do platô por causa do superaquecimento
do sistema. Só saia em segunda marcha se você
tiver um veículo que esbanje torque, como uma pickup
diesel.
Trocar de marchas
rapidamente
O ideal é trocar de marchas de preferência
pouco acima da rotação em que ocorre o maior
torque do motor. Acionar o câmbio muito abaixo da
força máxima resulta em gasto extra de combustível:
se a marcha for trocada muito abaixo da rotação,
o motor não fornecerá força suficiente
às rodas e o carro não vai embalar. Com isso,
o motorista vai acelerar mais ainda, mandando combustível
extra para o motor. Para saber em qual rotação
está o torque máximo do motor de seu carro,
consulte o manual. A partir daí, preste atenção
no conta-giros ou no barulho do motor.
Usar a banguela
para descer ladeiras
Ao contrário do que se pensa, carro em ponto morto
não economiza combustível. "Na época
do carburador fazia muita diferença, porque quando
se tirava o pé do acelerador o motor continuava aspirando
a mistura arcombustível. Nos carros com injeção
eletrônica, porém, a condição
de marcha lenta é a que mais gasta combustível",
diz Clovis Teruo Matsumoto, engenheiro mecânico do
Instituto Mauá de Tecnologia. Além da falsa
economia, o motorista perde também em segurança.
Os freios podem não ter a mesma atuação
com a rotação do motor muito baixa. Para ter
boa eficiência, o servofreio depende de rotações
mais altas do motor.
Viver bem com
os veículos de duas rodas
As motos estão por toda a parte. Para aliviar a tensão,
o melhor é aprender a conviver bem com os motociclistas,
evitando acidentes. Ao alinhar-se com veículos de
duas rodas em um farol fechado, deixe-os sair na frente.
E evite guinadas bruscas: um motociclista pode estar oculto
em um dos pontos cegos, não visíveis a partir
dos retrovisores do automóvel.
Xingar ou fazer
gestos obscenos
"As pessoas descontam a agressividade no trânsito
porque estão protegidas por uma carcaça de
aço e pela falta de identificação.
Elas não podem xingar o chefe e descontam no trânsito,
o que é pura falta de educação",
diz a psicóloga Cecília Bellina. Braço
para fora, aliás, a fim de gesticular para alguém
ou como "pose" , caído pela janela, expõe
o motorista a um acidente.
Ziguezaguear
para driblar o trânsito
"Costurar no trânsito é jeguíssimo.
O apressado demais atrapalha todo o mundo para se adiantar
em alguns minutos e ainda põe em risco os outros
motoristas, deixando o trânsito ainda mais estressado",
diz Cláudia Matarazzo. Para driblar o trânsito,
o melhor é encontrar atalhos.
GANHANDO POTÊNCIA
Como deixar meu popular mais ágil
e com melhor desempenho?
Uma preparação leve,
barata e rápida, bastante indicada para carros populares,
é a troca do chip que comanda a ignição
e a injeção eletrônica.
A substituição desse
circuito eletrônico (programa) ou a sua reprogramação
pode resultar num ganho de até 10% no torque (força),
segundo oficinas especializadas.
Essa alteração,
no entanto, só deve ser feita em veículos
já bem rodados, para não haver o risco de
perda da garantia de fábrica.
Acompanhe passo-a-passo a execução
desse serviço.
Como é feita a preparação:
1) Existem duas opções
nesse caso: a troca do chip ou a reprogramação
do chip original, o que não é aconselhável.
A primeira, além de mais segura, é facilmente
reversível e permite voltar à configuração
original da injeção em minutos.
2) A troca do chip é bastante
simples: o técnico abre a central eletrônica,
retira o chip original do carro (que fica encaixado na placa)
e conecta um chip já previamente reprogramado na
central de comando eletrônico (ou centralina).
3) Esse chip já reprogramado
é praticamente uma cópia do chip original,
só que ele teve seus parâmetros modificados
através de um software de computador.
4) A diferença é que durante
a fase de "preparação" desse chip
foi alterada a curva de avanço da ignição
e dado um maior tempo de abertura dos bicos injetores, de
modo a aumentar a pulverização de combustível
para dentro das câmaras.
5) Para compensar a maior quantidade
de gasolina, alguns preparadores mudam em alguns graus a
posição da polia do comando de válvulas,
para que a abertura e fechamento das válvulas se
adapte à nova calibragem da injeção,
e aumentam a captação do filtro de ar, para
manter o equilíbrio da mistura ar/combustível.
6) Apesar de alterar a curva de avanço,
a potência não sofre alterações
perceptíveis. O que se sente é aumento da
força nas arrancadas, nas subidas e também
nas ultrapassagens, além de uma ligeira elevação
do consumo.
Vantagens:
1) Não exige a abertura do motor
nem a troca de seus componentes móveis internos.
2) A troca do chip pode ser revertida
a qualquer momento, devolvendo ao veículo as suas
características originais.
3) Custo baixo, se comparado com outras
formas de preparação.
4) O carro fica mais ágil, apresentando
melhor rendimento e dirigibilidade.
5) Só a substituição
do chip não demora mais que 30 minutos.
Desvantagens:
1) Potência e velocidade final
ficam praticamente inalteradas.
2) Ligeiro aumento no consumo de combustível.
3) A reprogramação incorreta
do chip pode comprometer a durabilidade do motor.
4) Se a mistura de combustível
for muito rica pode haver danos ao catalisador.
Recomendações:
1) Faça o serviço somente
em oficinas conceituadas, com técnicos ou engenheiros
especializados em reprogramação de chip.
2) O ideal é comprar um chip
já pronto, específico para o modelo e adequado
à cilindrada de seu carro.
3) Verifique o tipo de configuração
que está programada no chip e em quanto ela altera
as curvas de potência, de torque e o consumo de seu
carro.
4) Guarde o chip original para quando
quiser reverter a preparação.
5) Em carros novos, a alteração
pode levar à perda da garantia de fábrica.
MANUTENÇÃO
Os Golpes dos Mecânicos: como
se defender!
Mecânicos
mal intencionados são exceção à
regra, mas eles existem e estão sempre à espera
de consumidores inocentes ou desatentos, na tentativa de
arrancar dinheiro por serviços desnecessários
ou mal realizados.
A boa notícia
é que, com apenas alguns conhecimentos básicos,
é possível evitar a maioria dos golpes de
oficinas, postos e borracharias.
OLHA O GOLPE:
Dizer que é preciso completar o nível
do fluido de freio.
SE
DEFENDA: Pedir para verificar onde está
o vazamento. A simples reposição de fluido
não resolverá o problema.
OLHA O GOLPE:
Trocar peças por outras recondicionadas.
SE
DEFENDA: As peças mais comuns são
velas, amortecedores e rolamentos. Vale a pena exigir de
volta os componentes que foram trocados, assim como a etiqueta
de garantia das peças trocadas.
OLHA O GOLPE:
Trocar peças de maneira desnecessária,
quando elas ainda poderiam ser usadas por mais tempo.
SE
DEFENDA: Discos de freio podem ser recondicionados,
e as peças da embreagem poder ser trocadas separadamente.
A maioria dos câmbios dispensam troca de óleo,
e os lubrificantes para o motor podem ser usados por até
30 mil km em alguns casos. Portanto, é recomendável
verificar o plano de manutenção no manual
do proprietário.
OLHA O GOLPE:
Obstruir o escapamento para impedir que o motor funcione.
SE
DEFENDA: Esse golpe tem como objetivo forçar
a troca da bateria ou do módulo eletrônico
do motor. Verifique se há algum objeto impedindo
a saída dos gases de escape.
OLHA O GOLPE:
Colocar óleo no coletor de escapamento para simular
um superaquecimento.
SE
DEFENDA: O contato do óleo no coletor
quente produz uma fumaça azulada, diferente do vapor
d'água, de coloração esbranquiçada.
OLHA O GOLPE:
Usar papelão e durepox em serviços de
funilaria.
SE
DEFENDA: Buracos e imperfeições
são cobertos por esse tipo de material e depois pintados
na cor do carro. Para identificá-los, use um ímã
envolvido em uma flanela e passe em toda a carroceria.
OLHA O GOLPE:
Alterar o nível de óleo limpando a vareta
de medição.
SE
DEFENDA: Peça para que a medição
seja feita na sua frente para evitar golpes.
OLHA O GOLPE:
Oferecer aditivos ineficazes.
SE
DEFENDA: Consulte quais são os produtos
mais recomendáveis no manual do veículo ou
em publicações especializadas.
OLHA O GOLPE:
Soldar o silencioso do escapamento.
SE
DEFENDA: Caso esteja furado, esse componente
deve ser trocado. A simples solda não resolve o problema.
OLHA O GOLPE:
Furar câmaras do pneu e/ou oferecer câmaras
de tamanho diferente do pneu.
SE
DEFENDA: Durante a procura por furos, as câmaras
podem ser furadas sob a água turva. Evite as borracharias
que não oferecem as mínimas condições
de limpeza e verifique se a câmara tem tamanho compatível
com o do pneu.
Navio-aeródromo "São
Paulo": um novo (velho) porta-aviões
A Marinha brasileira recebeu oficialmente
o substituto do NAeL "Minas Gerais". O São
Paulo, ex-Foch, chega para servir de base avançada
dos caças A-4 Skyhawk recém-reformados
Um antigo desejo da Marinha brasileira
está prestes a tornar-se realidade. Com a chegada
ao Brasil do porta-aviões "São Paulo",
falta pouco para que a Marinha passe a operar um navio-aeródromo
com aviões próprios, o que deve ocorrer a
partir desse mês.
Depois de algum suspense e reviravoltas,
o porta-aviões francês "Foch" foi
comprado da Marinha francesa pela pechincha de US$ 12 milhões.
A negociação, concluída em setembro
do ano passado, permitiu ao Brasil dispor de uma plataforma
adequada para operar os caças A-4 Skyhawk adquiridos
do Kuweit em 1998.
Curiosamente, a Marinha precisou esperar
o "Foch" sair de serviço na França,
após 40 anos na ativa, para colocar em prática
um plano que já existe desde quando o navio francês
foi construído. É que na mesma época
em que o "Foch" estava nos estaleiros, chegava
ao Brasil o "Minas Gerais", ex-HMS Vengeance,
comprado da Inglaterra e reformado na Holanda.
O problema é que o famoso decreto
que proibiu que tanto a Marinha quanto o Exército
operassem aeronaves de asa fixa, engessou literalmente qualquer
plano de operar adequadamente o "Minas Gerais".
Quando enfim o atual governo decidiu rever essa limitação,
a Marinha não perdeu tempo e correu em busca de suprir
essa antiga deficiência na sua estrutura. Falou-se
até em reativar um dos velhos e enormes porta-aviões
norte-americanos da classe Forrestal, mas no fim pareceu
mais adequado e econômico negociar com os franceses
a compra do "Foch", gêmeo do "Clemenceau".
Ambos estavam sendo retirados de serviço e substituídos
pelo porta-aviões nuclear "Charles De Gaulle".
O "Foch" começou a
ser construído em 1957 e foi posto em serviço
em 1963. Na Marinha francesa, o navio participou de inúmeras
missões no Líbano, em 1982 e na Guerra de
Kosovo, em 1999. Ele também serviu como base de testes
de validação da versão navalizada do
caça de nova geração Dassault Rafale,
em 1993.
Excetuando-se a formidável frota
de porta-aviões norte-americanos, que supera em todos
os aspectos qualquer outra força naval do mundo,
o "São Paulo" passa a ser um dos poucos
porta-aviões equipados com o sistema de decolagem
por catapultas e aviões de decolagem convencional.
A ele se somam o "Charles de Gaulle", o "Kuznetsov",
da Rússia e, futuramente, um exemplar derivado do
"Kuznetsov" e vendido para a Índia.
A nova belonave da Marinha brasileira
chegou ao País no dia 16 de fevereiro, depois de
16 dias de viagem entre Brest, na França, e o Rio
de Janeiro. O portentoso navio, com mais de 260 metros de
comprimento e altura equivalente a um prédio de 20
andares, adentrou a Baía de Guanabara para fundear
próximo ao Aeroporto Santos Dumont. Depois de uma
rápida cerimônia, o navio foi apresentado à
imprensa.
Na coletiva que concedeu, o comandante
do "São Paulo" considerou o navio "um
instrumento de paz" e disse que ele seria uma importante
ferramenta para a vigilância de todo o litoral brasileiro.
O "São Paulo" veio da França com
600 tripulantes brasileiros, mais uma pequena equipe de
apoio da Marinha francesa. A intenção da Marinha
brasileira era que, já no início de março,
o navio recebesse mais 600 tripulantes para treinamento
e adequação aos sistemas visando a sua operação
com aeronaves a partir de maio. Seu contingente aéreo
deverá ser composto de 20 caças A-4 (AF-1),
dez helicópteros Super Puma, armados com mísseis
Exocet, para emprego geral e guerra anti-submarina, e sete
helicópteros de emprego geral e transporte de tropas.
A Marinha revelou também que
o "São Paulo" poderá ser operado
em missões conjuntas com esquadrões da Marinha
Argentina, o que permitiria aos pilotos do país vizinho
voltarem a pousar em alto-mar com seus A-4 e Super Étendard,
o que não ocorre desde a desativação
do porta-aviões "25 de Mayo", originalmente
da mesma classe que o "Minas Gerais".
Quanto ao "Minas Gerais",
a própria Marinha admite não saber ainda qual
será o seu destino. Fala-se numa vida útil
de mais quatro anos, quando ele poderia continuar prestando
ótimos serviços para o País. Se o "São
Paulo" seguir o exemplo do "Minas Gerais",
sua carreira na Marinha será bastante longa.
Texto e fotos Luís Ricardo
Santos
Revista Avião Revue
Ônibus ganha mais conforto
As novidades do setor, expostas na
Expobus 2001, mostram que o desenvolvimento tecnológico
é a maior preocupação dos fabricantes
A
sexta edição do Salão Internacional
do Ônibus (Expobus 2001) reuniu, em São Paulo,
120 expositores que trouxeram ao Brasil todas as novidades
no setor de transporte coletivo, ocupando uma área
de 40 mil metros quadrados do Centro de Exposições
Imigrantes. Sofisticação é a melhor
palavra para definir as novidades apresentadas na Expobus.
Os fabricantes
mostraram desde os modelos Bella e Bello, responsáveis
pela participação de 10% do mercado minimicros
pela empresa Comil, até os exagerados ônibus
bi-articulados da Volvo, com capacidade para 280 passageiros.
Para o setor
rodoviário, as estrelas da Expobus foram os veículos
equipados com as poltronas Camabuss, da Busscar, que se
transformam em camas. Outro destaque foi a apresentação
da Geração 6 da Marcopolo, com o modelo Paradiso
1200 Turis, um ônibus que busca o conforto dos passageiros
e tem design futurista.
PEQUENO PORTE
Os veículos de pequeno porte já ocupam
espaço significativo no mercado de transporte coletivo,
por causa da versatilidade no trânsito, maior agilidade
e capacidade de resposta imediata nas manobras. Os pequenos
estão com uma participação nada modesta
no mercado de transporte urbano. Segundo o presidente da
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), Sérgio de Freitas, 2001 projeta
uma produção de 23 mil ônibus no País,
e pelo menos 30% dessa frota deve ser formada por veículos
pequenos.
Embora a Agrale
ainda seja líder absoluta no País nesse segmento,
a Volkswagen e a Mercedes-Benz entraram na briga pela fatia
de mercado. A invasão dos perueiros no transporte
informal de passageiros, chamados de camelôs
do transporte pelos representantes das entidades patrocinadoras,
foi apontada como um fator para o desaquecimento do mercado
interno de ônibus, só compensado pela exportação
de 45% da produção nacional para o exterior,
que funciona como contrapeso para o oscilante mercado brasileiro.
O presidente
da Associação Nacional dos Fabricantes de
Carrocerias para Ônibus (Fabus), Cláudio Roberto
Nielson, disse que o transporte coletivo no Brasil passou
por uma séria crise em 1999 e voltou a crescer em
2000. Apesar disso, a Expobus 2001 mostrou que o Brasil
é capaz de competir no mesmo nível de qualidade
com os países de primeiro mundo e está conseguindo
superar as dificuldades.
Segundo dados
da Anfavea, a produção de chassis foi de 22,6
mil unidades em 2000, a maior desde 1992. Se comparada a
1999, apresentou um crescimento de 52% e já projeta
para este ano a produção de 23 mil unidades.
No setor de carrocerias, as empresas também comemoram
um bom momento, com uma produção de 17 mil
unidades no ano passado, atingindo um faturamento bruto
de R$ 1,172 bilhão, de acordo com informações
da Fabus.
TRANSPORTE COLETIVO
II
Novidades facilitam a vida
dos passageiros de coletivos
Viajar de ônibus
confortavelmente já deixou de ser um sonho. Pelo
menos é o que ficou provado na Expobus 2001, com
o lançamento de veículos que não fazem
feio quando comparados até com os assentos de primeira
classe dos aviões. Bons exemplos de conforto podem
ser encontrados na família da Geração
6, da empresa Marcopolo, ou a família Vissta Buss
e Jum Buss, da Busscar, ônibus feitos sob medida para
quem tem medo de viajar de avião mas é exigente
no conforto.
Os ônibus
da família Vissta Buss e Jum Buss vêm equipados
com poltronas Camabuss, trazendo como diferencial a possibilidade
de acomodação de até 18 passageiros
deitados, pois os assentos se transformam, literalmente,
em camas com posição totalmente horizontal.
Nas poltronas
Camabuss, o passageiro tem liberdade para fazer a regulagem
de sete posições para o encosto e três
para o apoio de pernas, uma mobilidade não encontrada
nem mesmo numa primeira classe de avião. Anteparos
entre as Camabuss proporcionam maior privacidade para o
passageiro, que também pode usufruir de um sistema
individual de som, com até quatro canais.
A Marcopolo
investiu pesado em tecnologia para colocar no mercado sua
Geração 6 de veículos de luxo. O top
de linha apresentado pela empresa na Expobus foi o Paradiso
Turis, que é o primeiro ônibus produzido no
Brasil equipado com sistema de gerenciamento por satélite
(GPS).
Ford desenvolve bolsas infláveis
para proteger pedestres
A segurança nos veículos
está indo além da proteção dos
passageiros que vão dentro do automóvel.
A Ford divulgou um inovador conceito
para futuramente proteger também os pedestres, em
caso de atropelamento. As bolsas infláveis vão
instaladas do lado de fora do veículo, desenhadas
especialmente para proteger pedestres, ciclistas ou motociclistas
em acidentes. As bolsas são ativadas por um sensor
pré-impacto, que detecta a presença de um
corpo quando ele encosta nos pára-choques.
Há uma que vai sobre o capô,
e se infla acima dos faróis, cobrindo toda a frente.
Outras duas bolsas montadas mais próximas ao pára-brisa
foram desenhadas para proteger a cabeça do acidentado.
Controlador de velocidade já é
acessório
Empresa desenvolveu três versões,
que se adaptam a todos os modelos VW e Audi. Instalação
pode ser feita em concessionárias, mas veículo
perde a garantia de fábrica
A Dalgas Precision está lançando
kits para instalação de controlador automático
de velocidade (também chamado erroneamente de piloto
automático) para veículos das linhas Volkswagen
e Audi. Eles incluem suportes, peças e chicotes especialmente
desenvolvidos para cada modelo de veículo e motor.
A empresa oferece os kits em três
versões: o primeiro possui alavanca universal e é
instalado na coluna da direção, abaixo da
alavanca do pisca. Traz display de indicação
liga/desliga e três botões de acesso ao controlador
de velocidade. O segundo substitui a alavanca original do
pisca, sem alterar suas funções, e o terceiro
é instalado ao lado do air bag ou da buzina.
A empresa oferece garantia de dois anos
para o controlador de velocidade e o custo dos equipamentos
varia de R$ 1.350,00 a R$ 1.800,00.
A indústria no caminho do controle
total
"Sem mãos"! Com esta
eloqüente exclamação começa a
25ª das 127 "profecias" de Richard E. Morley
sobre o desenvolvimento industrial nos próximos 20
anos. Com a autoridade de quem inventou o CLP Controlador
Lógico Programável e detém outras 20
patentes industriais, ele aponta em seu livro "The
Technology Machine" para o fato de que a presença
física do homem nas fábricas será progressivamente
dispensável.
Cada nova geração de máquinas
aparece mais enclausurada e cada nova fábrica construída,
por sua vez, se assemelha a uma grande máquina, igualmente
enclausurada, na qual a produção depende cada
vez menos da presença humana.
Na perspectiva da instrumentação
e controle, este prognóstico, em seu sentido mais
amplo, significa que os processos produtivos e o desempenho
das máquinas já estão muito além
da capacidade dos sentidos humanos. Mesmo aquele "olhar
de águia" não pode acompanhar e conferir,
por exemplo, as 2.000 garrafas por minuto que deslizam nas
esteiras da fábrica Perrier, em Vergèze, França,
ou as centenas de pílulas por segundo que uma máquina
pode envelopar nas indústrias farmacêuticas
de ponta.
Entre os processos de produção,
as maquinas e o homem, está se interpondo um sistema
de instrumentação e controle que percebe,
mede, identifica problemas e depois os coloca diante do
homem, numa escala que os sentidos humanos podem perceber.
É assim com todas as variáveis calor
e todas as formas de energia, pressão, velocidade,
durezas, formas e dimensões, tudo tem a intermediação
de instrumentos, cada vez mais inteligentes. Suas últimas
gerações não apenas medem mas também
processam as soluções e os ajustes para corrigir
os desvios verificados.
As conseqüências sociais
desta tendência tecnológica são conhecidas,
mas é preciso admitir que ela é conseqüência
inevitável do exercício da inteligência
humana que em todos os campos procura os mesmos valores.
O que fazem os engenheiros, desenhistas,
projetistas, cientistas dedicados à tecnologia senão
procurar leveza, rapidez, exatidão, visibilidade,
multiplicidade. E não estamos falando aqui de novas
propostas de um recém-eleito guru da gestão
industrial mas das cinco virtudes que o poeta e escritor
Italo Calvino, tomou como temas centrais para o curso que
daria em 1985, na Universidade de Harvard, sobre os valores
que a literatura deveria cultivar para o novo milênio.
Quinze anos antes dele chegar.
O que faz um projetista diante do desafio
de uma nova máquina ou de um novo produto, senão
esforçar-se para minimizar-lhe o peso, tal como confessava
Calvino sobre seu exercício de escritor: "...
no mais das vezes, minha intervenção se traduziu
por uma subtração de peso...
Esta breve divagação serve
para mostrar que o desenvolvimento tecnológico segue
o mesmo impulso quando propõe máquinas e fábricas
cada vez mais compactas, mais rápidas, mais leves,
versáteis a ponto de produzir múltiplas soluções
para o mesmo problema.
Embora esta tendência conduza
às máquinas e fábricas mais enclausuradas,
a leitura de seus desempenhos será feita em tempo
real, de forma mais exata - graças ao desenvolvimento
acelerado da instrumentação.
Sol, vento, biomassa: alternativas limpas
Preocupação ambiental
e crise energética conferem destaque a fontes não
convencionais
Em uma época em que se discute amplamente a questão
ambiental, a geração de energia torna-se uma
grande vilã quando o assunto é emissão
de gases, estocagem de resíduos nucleares e destruição
da natureza.
Some-se a isso o possível esgotamento de algumas
das fontes utilizadas, a recente crise energética
em lugares como a Califórnia, e ainda mais recente,
aqui no Brasil e o baixo excedente da matriz elétrica
brasileira, e o resultado é um cenário pouco
animador. Uma solução para esses problemas,
no entanto, já é conhecida e aplicada em diversas
partes do mundo, inclusive no Brasil: as fontes não
convencionais.
Esse nome é dado a fontes renováveis de energia
com diversas finalidades, da produção de combustível
à geração de eletricidade. Entre elas,
destaca-se a energia produzida a partir de biomassa, dos
ventos (eólica) e do Sol - que além de gerar
eletricidade, viabiliza o aquecimento de água. O
uso do hidrogênio para abastecimento de veículos
e as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) também
merecem menção.
Essas fontes são menos poluentes que as convencionais
e têm estado em voga devido à preocupação
ecológica. "Vivemos a segunda onda das renováveis",
diz o físico Guilherme Moreira, representante da
Agência Nacional do Petróleo (ANP) para energias
renováveis no Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE). A primeira onda, explica ele,
ocorreu na década de 70, por ocasião dos choques
do petróleo, quando o alto preço do barril
tornou competitivo o preço das renováveis.
Embora sua participação na matriz de energia
elétrica mundial ainda seja desprezível, acordos
como o Protocolo de Kyoto indicam que a participação
dessas fontes crescerá nas próximas décadas.
"Os países do G8 (sete países mais ricos
do mundo mais a Rússia) estão promovendo um
grupo de trabalho para implementar energias alternativas
e modificar radicalmente o cenário energético
em 10 anos", diz o engenheiro químico Adilson
de Oliveira, do Instituto de Economia da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ). No entanto, nem sempre se cumprem
as metas estabelecidas. "Há muita conversa e
pouca ação", avalia o doutor em energia
solar Ricardo Rüther, do Laboratório de Energia
Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (Labsolar/UFSC).
Nos países em desenvolvimento, as fontes renováveis
cumprem ainda a função de levar eletricidade
a áreas rurais não cobertas pela rede pública
de abastecimento - como regiões remotas do Nordeste
brasileiro. "Um terço da população
mundial não tem acesso à energia elétrica",
diz Oliveira. Na África, essas fontes também
ajudam a bombear água. Alguns subsídios, que
antes só atendiam a PCHs, estão sendo direcionados
também para outras fontes alternativas. "Em
50 anos, as renováveis serão a principal fonte
de energia", acredita Rüther.
Para saber mais:
Fontes não-convencionais de energia -
as tecnologias solar, eólica e de biomassa
Organização: Alexandre de A. Montenegro
Florianópolis: UFSC/Labsolar/NCTS, 2000
Energia e desenvolvimento sustentável
Coordenação: Adilson de Oliveira
Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 1998
Fonte substitui uso de chuveiro elétrico
e leva eletricidade a zonas rurais
A Terra recebe do Sol por dia mais energia
que a necessária para suprir a demanda de seus habitantes
por um ano. "O potencial é 200 vezes o de todas
as convencionais juntas", diz Ricardo Rüther,
do Labsolar/UFSC. Essa energia, antes desperdiçada,
hoje é responsável por atividades que vão
da transmissão por satélites ao bombeamento
de água.
A energia solar pode ser fotovoltaica (transformada
em eletricidade) ou térmica (voltada para o aquecimento
de água, sobretudo para o banho).
Segundo o físico da ANP Guilherme Moreira, "a
energia elétrica de origem solar térmica é
muito cara". Apesar de não gerar eletricidade,
ela cumpre a importante função de reduzir
o uso do chuveiro elétrico.
Embora muito eficiente no aproveitamento da energia gerada
(menos de 10% de perdas), o chuveiro atua de modo preocupante
nos horários de pico de consumo - quando algumas
indústrias e comércio ainda funcionam e aumenta
o uso residencial de eletricidade. "50% dos chuveiros
elétricos são ligados pelo menos uma vez por
dia nesse período", diz o físico Murilo
Fagá, do Instituto de Eletrotécnica e Energia
da Universidade de São Paulo (IEE/USP).
O preço da instalação de coletores
solares para conversão térmica é alto,
e o equipamento supre apenas 70% da demanda de água
para banho. O restante da água é aquecido
por um acumulador, normalmente um boiler elétrico
que consome o mesmo que um chuveiro de baixa potência
- ou seja, o aquecimento solar da água não
diminui o consumo de energia elétrica.
Por que adotá-lo então? "Além
do aumento na vazão da água, o boiler consome
energia ao longo do dia e não contribui para o pico",
explica Fagá. "Cada novo chuveiro elétrico
de 4500 watts significa um gasto de US$ 600 em geração
hidráulica." Esse custo equivale ao da instalação
de coletores para atender às necessidades para banho
de uma família de 5 pessoas. Em Israel, é
obrigatório que novas construções tenham
previsão para instalação de aquecimento
solar para a água.
Como a energia solar térmica, a fotovoltaica ainda
não tem preço competitivo. Ela é muito
usada para levar eletricidade a zonas onde a rede convencional
não chega. "O governo federal subsidia coletores
a comunidades rurais que abastecem prédios públicos
como escolas e ambulatórios", diz Moreira.
Os municípios muitas vezes fazem o mesmo com seus
habitantes, que recebem coletores para suprir necessidades
básicas como iluminação e refrigeração.
"Algumas pessoas desligam tudo na casa para ligar a
televisão."
O preço da energia solar tende a cair. "Já
há coletores térmicos de menor eficiência
que custam R$15", diz Rüther. Ele lembra que há
tecnologias que viabilizam essa queda de preço. Os
cientistas consultados pela CH on-line concordam que, com
a produção em grande escala, a energia solar
deve baratear.
Eletricidade vinda do lixo
A transformação de biomassa em energia é
feita em usinas termelétricas: o calor gerado por
sua queima aquece um fluido e o vapor gerado move as turbinas.
Tudo aquilo que esteve vivo, seja sua origem vegetal ou
animal, pode ser considerado biomassa. Enquadram-se nessa
categoria esterco, rejeitos industriais e residenciais,
bagaço de cana, casca de arroz ou óleo vegetal,
por exemplo.
Além de se tratar pura e simplesmente de lixo, todos
esses itens podem servir como fontes de energia. Acrescente-se
a madeira a essa lista e teremos uma boa idéia do
tipo de biomassa aproveitada para geração
de energia elétrica.
"Em um país agrícola como o Brasil,
a perspectiva é a mais promissora o possível",
diz a engenheira química Suani Coelho, coordenadora
do Centro Nacional de Referência para Biomassa (Cenbio).
No entanto, como é a praxe com as fontes não
convencionais, a biomassa ainda é subaproveitada.
"Mas ela é a mais utilizada entre as alternativas",
diz Ricardo Rüther, do Labsolar/UFSC.
Ela é hoje utilizada para geração
elétrica em estados como São Paulo e Rio Grande
do Sul, nas proximidades dos locais onde é produzida.
"Os subsídios dados antigamente ao óleo
diesel na Amazônia hoje estimulam também as
fontes alternativas", explica Suani.
A engenheira química aponta o balanço nulo
no ciclo de carbono como uma das vantagens dessa fonte.
"O gás carbônico gerado na usina é
absorvido na produção da biomassa." No
caso do esterco, o ganho ambiental é ainda mais expressivo,
pois seu aproveitamento evita a emissão de gás
metano na atmosfera.
"A biomassa é uma solução para
o problema crônico de lixo do Brasil", considera
o engenheiro químico Adilson Oliveira, da UFRJ. Ele
lembra que, em muitos países, a empresa que produz
o material é responsável por sua coleta e
tratamento, o que não ocorre no Brasil.
Além de contribuir para diminuir o volume de lixo,
a biomassa pode também complementar a principal fonte
de eletricidade no Brasil, a hidráulica. "No
caso da cana-de-açúcar, seu ciclo é
de maio a novembro, a época em que há menos
chuva", diz Suani.
A biomassa, no entanto, pode não ser uma energia
renovável. "Quando há derrubada da mata
e não há replantio, ela não pode ser
considerada renovável", diz o físico
Guilherme Moreira, da ANP. "A criação
de florestas energéticas, em que as árvores
são derrubadas e replantadas em seguida, é
cara", explica Suani. "A geração
a partir de biomassa é mais viável economicamente
quando se utilizam resíduos."
A força dos ventos
Brasil tem grande potencial para
geração de energia eólica
A energia eólica, derivada da
força dos ventos, é uma das mais promissoras
fontes renováveis de energia. Trata-se de uma tecnologia
moderna, que já é adotada em países
como Dinamarca, Espanha e Índia. "A Califórnia
também está investindo em energia eólica",
diz o engenheiro químico Adilson Oliveira, da UFRJ.
No Brasil, os investimentos começaram
há alguns anos, e tendem a crescer bastante. "A
primeira turbina de energia eólica do Brasil foi
instalada em Fernando de Noronha, em 1992, com 75 kW de
potência", diz o físico Guilherme Moreira,
da ANP. No entanto, atualmente, é no estado do Ceará
que o uso da fonte se destaca: o parque eólico instalado
no estado tem 15.000 kW de potência.
As turbinas geradoras de energia eólica
contam com um rotor composto por um cilindro e pás
que podem ter eixo vertical ou horizontal. "As de eixo
vertical têm menor potência e são menos
usadas", explica Moreira.
Essas turbinas são instaladas
em pequenos grupos de 4 ou 5 ou em fazendas eólicas,
voltadas para a geração de energia. Sua instalação
não impede o uso do solo para a agricultura, embora
a rugosidade gerada pelo plantio possa ser prejudicial ao
funcionamento das turbinas.
Embora tenha um impacto ambiental muito
menor que o das fontes convencionais, a implantação
de parques eólicos requer alguns cuidados. "É
necessário prestar atenção à
rota migratória de aves para que elas não
sejam atingidas pelas pás giratórias",
alerta Ricardo Rüther, do Labsolar/UFSC.
O ruído gerado pelas turbinas
também é um problema. O barulho atinge cerca
de 50 decibéis para turbinas de grande porte, enquanto
o máximo aconselhado para o ouvido humano é
40 decibéis. É recomendável, portanto,
que não haja moradias em um raio de 200 metros em
torno das turbinas geradoras. O problema, porém,
está sendo solucionado. "Hoje, os sistemas já
permitem uma menor emissão de ruído",
explica Moreira.
Mapa preliminar de ventos do Brasil
Assim como a energia solar,
a eólica pode ser uma solução para
a eletrificação de zonas rurais remotas. "A
energia fornecida a Jericoacoara (CE) tem essa origem",
diz Rüther. Segundo ele, o Brasil tem um grande potencial
para gerar energia a partir do vento.
"É possível inclusive
utilizar sistemas híbridos de energia solar e eólica",
explica. Hoje, o potencial mais conhecido é o da
costa brasileira, sobretudo no Nordeste. No entanto, um
mapa completo da velocidade e direção dos
ventos no país está sendo preparado pelo Labsolar.
"São necessários vários anos de
medições para isso", diz Rüther.
"A questão é que não basta saber
se há ou não vento", pondera Oliveira.
"É preciso ter constância."
Ciência da Mecânica
Olá!
Como diz um amigo,
tudo trancs? Significando: tudo tranquilo? Conseguiram atingir
as cotas de redução do consumo de energia
elétrica? Na minha casa foi difícil mas conseguimos.
Agora, recorde mesmo foi o que uma família de São
Paulo, acho eu, conseguiu. O consumo de energia da casa
deles foi nulo! Isto mesmo: zero kW no mês! Desligaram
tudo, até os pensamentos....
Bem, no mês
passado, eu perguntei sobre os peixes e o congelamenteo
dos lagos. Recebi várias respostas mas a melhor foi
a do Evaldo Ribeiro, que reproduzo abaixo, com pequenas
observações minhas, tentando explicar alguns
detalhes. Parabéns, Evaldo!
"Por que
os peixes não morrem congelados no inverno, quando
os lagos congelam no Hemisfério Norte? "
Isto é conseqüência
de uma notável (e rara) propriedade da água.
Consideremos substâncias que sejam líquidas
nas condições normais de temperatura e pressão.
Na grande maioria delas, sua densidade aumenta progressivamente
com a redução de sua temperatura.
Assim, deveríamos
esperar que com o abaixamento da temperatura, a densidade
iria aumentando gradualmente, sem grandes dificuldades,
inclusive na região chamada de mudança de
fase. Isto acontece para a maior parte das substâncias:
o material em estado sólido é mais denso que
no estado líquido; por exemplo: se jogarmos um bloco
de ferro em um recipiente contendo ferro líquido,
o bloco afundará. Mas não o gelo!
A água apresenta
uma curiosa anomalia em sua curva densidade x temperatura.
À medida que abaixamos a temperatura da água
sua densidade vai aumentando, atingindo um máximo
por volta de 4 graus Celsius.
Este ponto notável
é chamado de ponto de inversão pois nesta
situação, ou seja a variação
da densidade com a temperatura, em um processo realizado
à pressão constante (atmosférica) é
nula. Para temperaturas mais baixas ou mais altas que 4
C, a densidade diminui. Se a densidade diminui, seu inverso,
o volume específico aumenta. Isto explica a razão
pela qual as garrafas de vidro quebram se esquecidas com
refrigerante dentro do congelador. As garrafas de plástico
não quebram por serem mais flexíveis.
Resumindo então,
as correntes convectivas de resfriamento que aparecem sempre
que há variações de densidade, fazem
com que os pacotes de fluido mais pesados desçam,
pois sofrem maior ação do campo gravitacional
terrestre, e os pacotes mais leves (ou mais quentes) subam.
Este movimento acontece até os 4 C.
Abaixo desta temperatura,
digamos a 3 C, a densidade do fluido é menor e sofre
menos a ação da gravidade. Com isto, ao invés
de ir para o fundo, o pacote de fluido a 3º C, sobe,
ficando na superfície. Temos então um processo
de estratificação dentro dágua. Isto
vai acontecendo até que o ponto de solidificação
seja atingido, quando o gelo se forma e fica onde está,
ou seja, na superfície do lago. Assim, fica fácil
determinarmos a temperatura do fluido dentro dágua:
4º C.
Claro, frio pacas
mas como foi observado por vários de vocês,
os organismos destes peixes são adaptados (Darwin)
para estas regiões. Daí para baixo, nada de
mais: o gelo é um isolante (lembrem-se dos iglus
dos esquimós) e as perdas de calor são minimizadas.
Em países de clima muito frio, este fato permite
a sobrevivência dos peixes até o final do inverno.
Aliás, isso
também evitou a extinção da vida na
Terra durante os vários períodos glaciais
que ocorreram em nosso planeta. Um detalhe interessante
aos fãs de ficção científica.
O famoso autor Arthur Clark, autor de 2001, uma odisséia
no espaço, escreveu um conto muito interessante chamado
"Encontro com Rama". Rama é uma espaçonave-mundo
onde o líquido dos mares e lagos congelava primeiro
por baixo, exatamente ao contrário da nossa água.
As situações e apertos pelos quais os heróis
passam são muito interessantes. Vale uma lida, para
quem gosta, claro.
Nossos colegas Alexandre
Fauri e Giovanni Kotinda são dois outros ganhadores
do mês. Parabéns a vocês todos pelas
respostas.
Para o próximo
mês, minha questão diz respeito a café!
Na próxima vez que você tomar café,
aproveite e faça o seguinte experimento:
Derrame um pouco de café sobre uma superfície
lisa e deixe-o evaporar. Ao final de um certo tempo, você
verá um anel marrom (ou melhor, cor de café)
na periferia e quase nenhum outro sinal de café em
outras partes, como no interior. Explique a formação
deste anel.
Lembrem-se: a melhor resposta ganha um curso online! Abraços
e até o próximo mês.
Washington
Braga Filho, PhD
Professor Associado de Engenharia Mecânica - PUC - Rio de
Janeiro
Coordenador Administrativo da Rede Rio de Computadores /
FAPERJ
email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
Website: http://venus.rdc.puc-rio.br/wbraga/hpn.htm
Ciência da Mecânica
Mês passado
propus a seguinte pergunta:
"Vários carros de
corrida têm seus motores colocados no centro do carro,
e não na frente ou atrás. Por que isto é
feito? Para que tipo de pista, este procedimento é
vantajoso?
A explicação deste
fato está associada ao momento de inércia,
uma propriedade da massa do corpo que dá idéia
de como ela está distribuída.
Complicado?
Vou explicar.
Você já deve ter
visto um destes programas de patinação no
gelo no qual uma bailarina (será dançarina?)
começa a girar de braços abertos para manter
o equilíbrio e de repente ela cruza os braços,
acelerando bastante.
Pois é, ela consegue este
efeito pois ao cruzar os braços, ela concentra mais
massa próxima ao seu eixo de rotação,
em torno do qual ela gira. Por outro lado, em lugares onde
há terremotos, que certamente desequilibram as pessoas,
a recomendação é que se abra os braços,
para reduzir as oscilações e com isto, aumentar
o equilíbrio. Entenderam?
Pois bem, um carro com o motor
colocado no centro será capaz de fazer curvas fechadas
mais rapidamente, o que é uma vantagem adicional
nos circuitos feitos dentro de cidades, utilizando ruas
e avenidas, às vezes tendo esquinas com curvas fechadas.
De forma semelhante, existem
os circuitos de baixa velocidade. Evidentemente, para os
circuitos de alta velocidade, o efeito desejado é
exatamente ao contrário. Interessante?
Com relação à
outra questão:
"o que congela mais rápido: água quente
ou água fria"??????
A resposta é simples:
depende! Como expliquei no mês passado, esta questão
é mal proposta pois não dá muitas informações.
Esta questão foi publicada
na Scientific American, em 1978 ou 1979, e o autor comentou
que 50% das respostas afirmaram que "é claro
que a água quente congela mais rápido"
e as outras 50% disseram que "é claro que a
água fria congela mais rápido".
Isto acontece pois cada um entende
o problema como quer ou pode. Veja, se você pensar
em uma gota de água a 80ºC e 5000 litros de
água a 20ºC, você irá concluir
que a água quente irá congelar mais rapidamente,
não é mesmo? Observe que ninguém disse
qual é a massa de água!
Cada um de nós, ao ler
o enunciado, intrinsicamente faz certas hipóteses,
como esta que a massa seja igual nos dois casos, mas isto
é uma hipótese pessoal. Nosso cérebro
usualmente faz isto. Ele "detesta" ficar sem informações
e na falta delas, ele usa qualquer uma. Isto é muito
interessante, mas como conclusão, cada cérebro
acaba tendo informações diferentes para trabalhar.
Resultado: problema mal proposto pois tem-se várias
respostas.
Que outras considerações
poderiam ser feitas neste sentido? Por exemplo: como é
o recipiente que conterá a água em cada um
dos casos? O recipiente será fechado para evitar
evaporação ou não? E por aí
vai...
Este mês eu ia escrever
sobre lâmpadas dos tipos incandescentes, fluorescentes
e de halogênio, talvez para ajudar no momento de racionamento
de energia que enfrentamos. Havia já escrito um texto
relativamente extenso sobre o assunto quando descobri a
página na internet da empresa OSRAM que fabrica lâmpadas.
Além das informações
técnicas, encontrei nesta página três
filmes, simples e bem produzidos, explicando o funcionamento
de cada um daqueles tipos. Assim, estou preferindo indicar
a vocês o endereço (www.osram.com.br,
procurar pelo ítem "downloads" - quem tiver
problemas, me avise) e complementar com algumas informações
gerais. Parabéns à empresa pela qualidade
do documento produzido, que é extremamente útil
para orientar o consumidor.
A principal informação
que não está dita lá é que a
eficiência das lâmpadas incandescentes é
muito baixa pois apenas uns 13% da energia dissipada no
elementeo de tungstênio é transformada em luz
visível (aquela que cai na faixa de 0,4 a 0,7 microns),
ou seja, a maior parte da energia é liberada como
radiação infra-vermelha, aquela que provoca
aquecimento. É por isto que o vidro destas lâmpadas
é sempre tão quente.
Por isto, as lâmpadas fluorescentes
são muito mais eficientes, pois são capazes
de liberar de 50 a 100 lumens por watt de energia gasta,
enquanto que as incandescentes só liberam cerca de
15 lumens. Claro, elas são muito mais caras mas a
economia pode ser grande, desde que lâmpadas de boa
qualidade sejam utilizadas.
Para o próximo mês,
vou propor algo diferente:
"Por que os peixes não morrem congelados
no inverno, quando os lagos congelam no Hemisfério
Norte? "
Lembrem-se: as duas melhores respostas, ganha cada uma um
curso online!
Abraços e até o próximo mês.
Washington
Braga Filho, PhD
Professor Associado de Engenharia Mecânica - PUC -
Rio de Janeiro
Coordenador Administrativo da Rede Rio de Computadores /
FAPERJ
email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
Website: http://venus.rdc.puc-rio.br/wbraga/hpn.htm
Ciência da Mecânica
Olá! Preocupados com o
apagão? Que mancada, não é mesmo? A
coisa está muito séria. Aqui no Rio, os estoques
de velas, pilhas e lampiões, já estão
esgotados.... Quem diria, acabamos dependentes das chuvas!
Mas vamos falar sobre Mecânica?
Pensaram na pergunta do mês passado? Gostaram
dela? Acho ela interessante, não só pelos
emails recebidos, mas também por já ter sido
perguntado algumas vezes sobre ela.
De fato, estudantes de ciências
de várias idades me perguntam se água entrando
em um ralo giraria no sentido anti-horário no hemisfério
norte, em contra partida ao sul, onde a água na pia
giraria no sentido horário. Ou será ao
contrário? O assunto é divertido mesmo.
Mas vamos à explicação...
Vou começar dizendo que
esta questão é semelhante a uma outra: o
que congela mais rápido: água quente ou
água fria? Antes que alguém me pergunte, pergunto
eu: O que estas questões têm em comum?
O leitor mais atento irá responder: ambas questões
estão mal formuladas, incompletas. Vejamos.
Que tal fazermos um pequeno
experimento?
Pode ser imaginário ou real, tanto faz, mas chegue
até uma pia qualquer, feche o ralo e encha-a de água
até um nível razoável para evitar transbordamentos.
Em seguida, abra o ralo e com a mão, induza uma movimento
circular na água, enquanto ela escoa.
Faça isto para qualquer
lado, quero dizer, qualquer sentido, mas faça de
forma intensa. Se o forçamento tiver sido suficiente
para o volume d'água, você observará
que a água escoando pelo ralo acabará girando
no mesmo sentido imposto por você.
Repita o experimento, tomando
agora o cuidado de girar a massa de água no sentido
inverso. Você deverá concluir, se o forçamento
tiver sido aquele necessário, que novamente a água
gira no sentido imposto.
Antes de prosseguir, vamos entender
o que aconteceu: a água girou nos dois sentidos,
dependendo do forçamento externo. Se isto aconteceu
no hemisfério sul, então algo semelhante deverá
acontecer no norte. Ou seja, a água pode girar para
qualquer lado, em qualquer hemisfério.
Certamente, alguns de vocês
poderão argumentar que ninguém falou em provocar
o movimento, o que é uma afirmação
correta (esta é, na verdade, uma das razões
para que a questão seja considerada mal formulada.
Acontece que também ninguém disse que não
poderia! Viu? A questão está mal formulada.)
Entretanto, na prática,
o formato da pia, as correntes de ar sobre a água,
as inevitáveis diferenças de temperaturas,
a turbulência vinda com a água que é
posta a girar nas tubulações com suas curvas,
a maneira com que a tampa do ralo é retirada, etc,
todos estes fatores podem promover a movimentação
circular da água, etc.
Na prática, todos estes
efeitos existem, como você irá concluir em
dois segundos, e influenciam! Entretanto, como dizem que
"onde há fumaça, há fogo",
existe um belo argumento físico por trás da
nossa "fumaça": o efeito de Coriolis (usualmente
chamado de força ou de aceleração de
Coriolis, o que é errado. Uma força atuando
sobre um corpo pode produzir movimento, o que não
é o caso de Coriolis). Este efeito é devido
à rotação da Terra (bem, de qualquer
corpo que esteja girando) que promove a alteração
na trajetória de um pacote de matéria (fluida
ou não).
Por exemplo, ao ir de avião
do Rio à Brasília, o piloto deverá
levar em conta o fato que, entre o momento que ele decolou
do Rio e o momento que ele aterrisa em Brasília,
90 minutos, acho eu, a Terra terá girado de 0,4 radianos
(pouco mais de 11º), fazendo com que Brasília
tenha se "mexido" de lugar.
Ou seja, pela rotação
da Terra, não basta "apontar" o avião
na direção de Brasília, a partir do
Rio, para chegar lá. O vôo precisa ser corrigido.
O efeito de Coriolis é muito pequeno e há
necessidade de um bom volume de água para se manifestar
e assim mesmo, em condições super controladas.
Claro, este é um efeito
muito pequeno e facilmente mascarado na pia, pelos diversos
fatores mencionados. Há algum tempo, pesquisadores
do MIT, em Boston, comandados pelo famoso Prof. Shapiro,
construíram um tanque circular de pequena altura
(um tanque raso!), com grande diâmetro (algo na ordem
dos 3 ou 4 metros contra uns 15 cm de altura) e, bastante
importante, um furo central. Encheram-no de água
e deixaram-na "descansar" por 48 horas, para eliminar
os vórtices provocados pelo enchimento. Em seguida,
retiraram a tampa do ralo com "imenso" cuidado
e "tarammmmm" (isto significa sons de tambores!):
a água girou no sentido "correto" para
o hemisfério norte: ou seja, o sentido anti-horário.
Pelo cuidado com o experimento,
sabemos que se o mesmo for feito no hemisfério sul,
a água irá girar no sentido horário.
Aí, vem a pergunta de um milhão de dólares:
e no equador? Bem, na linha do equador, o experimento
super controlado provavelmente indicaria que a água
iria entrar no ralo sem girar! Que tal esta? Fantástico,
eu diria.
Bem, o vencedor do mês
foi o nosso colega Ariel (arielbeneducci@ig.com.br) que
irá receber um curso grátis. Parabéns
a ele e também aos outros que tentaram. Para o próximo
mês, a pergunta será:
"Vários carros de corrida têm seus
motores colocados no centro do carro, e não na frente
ou atrás. Por que isto é feito? Para que tipo
de pista, este procedimento é vantajoso?
Uma sugestão: pense no momento de inércia
do carro com motor central em comparação com
um carro com motor nas extremidades! Pensando bem: o
que é o momento de inércia? Dê um
exemplo de aplicação, na vida prática,
onde este "trem" é importante.
Uma questão bônus:
"o que congela mais rápido: água quente
ou água fria"??????
Lembrem-se: as duas melhores respostas ganham, cada uma,
um curso online!
Abraços e até o próximo mês.
Washington Braga Filho.
Washington
Braga Filho, PhD
Professor Associado de Engenharia Mecânica - PUC -
Rio de Janeiro
Coordenador Administrativo da Rede Rio de Computadores /
FAPERJ
email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
Website: http://venus.rdc.puc-rio.br/wbraga/hpn.htm
Ciência da Mecânica
Olá! Tudo bem na
volta às aulas? Grandes novidades e novos projetos,
imagino. Por aqui, estamos caminhando também. Escrever
esta coluna tem sido muito interessante e, confesso, que
minha maior dificuldade tem sido escolher a pergunta do
mês.
Claro, além do tempo.
Há muitas coisas que gostaria de discutir com vocês
e fico me perguntando qual é a mais interessante
para alunos e interessados em engenharia mecânica.
Talvez daqui a uns anos, a escolha do tema passe a ser uma
dificuldade pela falta de assunto mas felizmente, não
hoje. Mas vamos trabalhar.
Como tenho feito, começo
comentando a pergunta do mês passado: Por que
os pára-quedas de automóveis têm muito
frequentemente aquele furo central?
Sei que esta é uma questão dificil, confirmada
pelo fato de eu não ter recebido nenhuma resposta
de vocês. Ou vocês a acharam muito fácil
ou muito difícil, não sei. Espero, contudo,
que a explicação que se segue seja convincente.
Na edição do mês
anterior (Ciência da Mecânica - nº 02),
comentei aqui a formação de uma bolha de circulação
atrás dos ônibus e caminhões, que resulta
na acumulação de sujeira no vidro traseiro.
É por esta razão que os automóveis
hatch têm saído de fábrica com um limpador
de parabrisas na traseira e os sedans não, pelo fato
dos limpadores não serem úteis neste tipo
de carro. Por que?
Vamos imaginar agora uma esfera
em escoamento horizontal cruzado. Devido à simetria,
serão duas as regiões de separação:
uma na parte superior e outra na parte inferior. Em cada
uma destas regiões, teremos fluido circulando, definindo
dois vértices.
Em baixas velocidades, os dois
vértices ficam presos à traseira da esfera
e nenhum efeito transversal aparece. Ou seja, a esfera permanece
na sua posição. Entretanto, com o aumento
da velocidade, a instabilidade do escoamento aumenta e eventualmente,
um destes dois vértices se destaca, provocando um
desequilíbrio na força vertical e fazendo
com que a esfera se desloque, ao longo da vertical, para
uma nova posição de equilíbrio.
Entretanto, como o efeito da
viscosidade permanece, gradualmente uma nova bolha cresce
e aos poucos, a pressão é reestabelecida,
fazendo com que a esfera volte à posição
inicial. Neste ponto, a outra bolha se separa, provocando
um outro desbalanceamento, agora em sentido contrário.
Resumo da ópera, quero dizer, da bolha: a esfera
fica oscilando para cima e para baixo!
Para aqueles que têm persianas
em casa, é muito fácil observar esta oscilação:
basta abrir a janela em um dia de vento, abaixar a persiana
deixando as lâminas horizontais, notar o barulho que
as lâminas da persiana fazem e concluir com atenção
que o barulho é provocado pelo bater de uma lâmina
com as adjacentes, isto é, com aquelas colocadas
acima ou abaixo. Isto é, o movimento das lâminas
é no sentido transversal do escoamento.
Uma outra situação
também comum é o balançar dos paraquedistas.
No próximo show, procure observar como os paraquedistas
oscilam ao descer de volta ao solo. O principio é
o mesmo: separação alternada dos vértices
devido às instabilidades do escoamento. Neste ponto,
imagino que alguns de vocês já tenham percebido
a ligação entre os pára-quedas.
Imagine um carro de corrida que
está sendo freiado por meio deles. Se a oscilação
for grande, a condução do automóvel
será impossível, com o carro ora indo para
um lado e ora para o outro, em oscilações
perigosas. A solução é então,
diminuir as oscilações, o que é feito
pelo furo no centro do paraquedas. Isto acontece pois agora
parte do escoamento é dirigido para a região
de separação, causando maior agitação
no fluido, estabilizando-o e acabando com o problema. Que
tal esta explicação?
Para o próximo mês,
vou propor algo diferente e imagino bastante popular também:
Na pia ou na banheira, para qual lado a água gira
no hemisfério norte, se comparada com o hemisfério
sul?
Lembrem-se: as duas melhores
respostas ganham cada uma, um kit gratuito com 3 treinamentos
da Mecânica Online! Abraços e até o
próximo mês.
Para participar,
basta enviar sua resposta para o email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
com seu nome, email, cidade e estado.
Washington
Braga Filho, PhD
Professor Associado de Engenharia Mecânica - PUC -
Rio de Janeiro
Coordenador Administrativo da Rede Rio de Computadores /
FAPERJ
email: wbraga@maua.mec.puc-rio.br
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Ciência da Mecânica
Olá! Estou de
volta com o segundo artigo desta coluna da Mecânica Online
que pretende discutir e apresentar aspectos da Engenharia
Mecânica vistos sobre o ponto de vista do dia-a-dia.
No mês passado,
propus uma questão sobre a sujeira acumulada na traseira
de ônibus e como um leitor citou, também dos caminhões.
Pelas respostas que recebí de colegas do Recife,
de Porto Alegre, de Campina Grande e outros não localizados,
posso concluir que há muito interesse nas questões de aerodinâmica
de automóveis. Desta forma, vou propor este mês, mais uma
questão sobre o assunto.
Neste ponto,
contudo, acho que vocês gostarão de saber a resposta à pergunta
do mês passado e obviamente o nome do vencedor. Ah, devo
confessar que estou aguardando as respostas e/ou comentários
femininos!
Bem, a traseira
fica suja pois a poeira do chão levantada pelas rodas ao
girar em alta velocidade é arrastada, entrando na bolha
de baixa pressão ali formada pela separação do ar ao longo
da carroceria, onde fica circulando. Vamos ver isto melhor.
Imagine, para
fixar nosso entendimento, o fluxo de ar que escoa da esquerda
para a direita sobre o teto do ônibus. Lembre-se que estando
no referencial do ônibus, é o ar que escoa. Chamarei este
escoamento de externo. No ponto de separação, esta corrente
continua pela inércia a fluir para a direita, induzindo
a circulação da massa de ar contida na traseira do ônibus
a escoar, também da esquerda para a direita, pela ação das
forças cizalhantes. Chamarei de escoamento interno aquele
que ocorre dentro da bolha.
Pela ação da
gravidade, estas "duas" correntes desenvolvem um componente
vertical de velocidades, apontando para o solo, fazendo
com que a altura da bolha, que ia do solo até o teto do
ônibus, comece a diminuir gradualmente. Assim, temos "duas"
massas de fluido circulando, ambas com componentes horizontal
e vertical de velocidade, uma proveniente do escoamento
externo e a outra do interno.
Eventualmente,
estas duas correntes atingem o solo, onde são divididas.
Parte desta massa continua seu escoamento para a direita
mas a outra parte é obrigada a "fazer uma curva", passando
a se dirigir à traseira do ônibus, na "contra-mão". Ao se
aproximar dela, esta corrente encontra uma outra, mencionada
anteriormente, composta de ar e sujeira (poeira, lama, gotas
de água, etc), vinda da parte de baixo do ônibus e as duas
sobem pela lateral do ônibus. Pelo exposto, você poderá
concluir que a massa de ar dentro da bolha fica circulando
no sentido horário, no caso em que o escoamento externo
segue da esquerda para a direita.
Para haver a
circulação, a massa de ar precisa fazer voltas em vários
pontos e neles, a força centrífuga atua. Como a massa da
poeira é maior, a ação da força centrífuga nela também o
será, fazendo com que a poeira seja centrifugada na direção
da traseira, ali grudando.
Foi uma longa
explicação mas espero que vocês todos tenham entendido.
Qualquer dúvida, entrem em contato.
Analisando as
respostas recebidas, concluí que a melhor do mês
foi a do Ricardo Demin (rdemin@netscape.net), a quem
envio meus PARABÉNS especiais. Devo dizer, contudo que tive
uma certa dificuldade nesta decisão pois eu tinha outras
boas respostas.
Fato é que a
resposta dele foi a mais completa e por isto, merece o prêmio.
ENTRETANTO, envio com prazer meus parabéns a todos aqueles
que tentaram. Acho que na vida a solução é esta: fazer sempre
o melhor possível.
Para não mudar
ainda de assunto, pergunto a vocês: Por que os pára-quedas
de automóveis têm muito frequentemente aquele furo central?
Um furo ali não parece ser uma maluquice, já que o objetivo
do uso do pára-quedas é o de freiar mais rapidamente o carro?
Há situações
ainda piores, aparentemente, quando o para-quedas do carro
se assemelha a duas tiras cruzadas. Em suma: Para que
isto? Pensem nos comentários que fiz nestas duas colunas
e lembrem-se: a melhor resposta ganha um curso online! Abraços
e até o próximo mês.
A melhor resposta
vai ganhar um treinamento online da Mecânica Online;
Para participar, basta enviar sua resposta para o email:
wbraga@maua.mec.puc-rio.br
com seu nome, email, cidade e estado.
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