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Edição 36 - Dezembro de 2002
Conteúdo básico
ALERTA AOS MOTORISTAS
Os riscos da mistura álcool
e gasolina
A mistura de álcool e gasolina, apelidada
de rabo de galo, tem se tornado freqüente
em vários estados brasileiros e causa sérios
danos ao motor dos veículos
Motoristas de várias regiões do país,
mas principalmente de Pernambuco, Goiás e São
Paulo, estão misturando álcool e gasolina
no motor do carro adaptado apenas para gasolina na hora
de abastecer. A prática, apelidada de rabo
de galo, pode ser tão prejudicial ao veículo
quanto a utilização de gasolina adulterada.
Com o objetivo de explicar aos motoristas e revendedores
os danos causados por essa prática, a Ipiranga iniciou
um trabalho de orientação em sua rede de postos.
O que muitos desconhecem é que a economia
momentânea é extremamente danosa ao motor do
veículo e a mistura de álcool hidratado (que
pode conter até 7,4% de água na sua composição)
à gasolina pode ocasionar uma série de problemas
ao veículo, alerta Marcelo Gonçalves,
assessor técnico de combustíveis da Ipiranga.
A gasolina comum não contém água
e possui 25% de álcool ANIDRO, que é um componente
fundamental. No entanto, quando o motorista faz o rabo
de galo, ele mistura na gasolina álcool hidratado
(que contém água). A presença de água
provoca uma instabilidade na composição e
pode separar a mistura em duas fases: álcool-gasolina
e álcool-água.
Como a mistura álcool-água é
mais pesada que a gasolina, ela ficará no fundo do
tanque. A gasolina, contendo ainda um pouco de álcool,
ficará na parte superior do tanque. A retirada de
álcool da gasolina reduz a octanagem da gasolina
comum e provoca perda de potência e aumento de consumo,
podendo causar ainda a chamada batida de pino.
Esse carro, a médio e longo prazo terá sérios
problemas mecânicos, explica Marcelo Gonçalves.
Segundo o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Franco Giuseppe
Dedini, a curto prazo o veículo com combustível
inadequado fica com pior rendimento e o consumo aumenta.
Depois de um prazo de dois anos é que aparecem
os principais problemas como corrosão dos componentes,
piora na situação do motor e no sistema de
combustão, explica o professor. Franco acrescenta
que o álcool, quando utilizado em veículos
adaptados para a gasolina, acaba corroendo alguns sistemas
e peças, tanto metálicas como de plástico.
Vale destacar ainda que o motor que foi desenvolvido para
gasolina comum passa a utilizar um combustível contaminado
com água. A presença da água causa
danos ao filtro e à bomba de combustível e
provoca corrosão nas partes metálicas do sistema
de alimentação, principalmente desgaste nos
bicos injetores. Além disso, o rabo de galo,
por ter um poder energético menor do que a gasolina
comum, aumenta consideravelmente o consumo de combustível.
Como o álcool hidratado é mais barato,
na hora de abastecer há uma economia. O que o motorista
não está contabilizando é o aumento
de consumo e o desgaste prematuro de peças, exigindo
trocas antecipadas. Sem contar com o tempo que o veículo
fica parado na oficina, ressalta Marcelo Gonçalves.
Para mostrar que a economia momentânea com o rabo
de galo pode custar caro, a Ipiranga fez uma simulação.
Um motorista que esteja hoje consumindo 200 litros de gasolina
por mês a um preço hipotético de R$
1,60, gasta mensalmente R$ 320,00. Fazendo o rabo
de galo (misturando meio a meio os dois combustíveis)
temos a seguinte situação:
| Combustível |
Preço, R$ |
Litros |
Custo |
| Gasolina Comum |
1,60 |
100 |
160,00 |
| Álcool Hidratado |
0,60 |
100 |
60,00 |
| Custo da Mistura |
|
|
220,00 |
Devemos levar em consideração que, por ter
o álcool menor poder energético, um carro
consome uma quantidade maior de rabo de galo
do que consumiria de gasolina para percorrer um mesmo trecho.
O consumo desta mistura para o mesmo percurso poderá
ser cerca de 20% maior, ou seja, um custo de R$ 264,00.
A economia do motorista mensalmente seria de R$ 320,00
264,00 = 56,00.
Abaixo listamos os custos de peças como bomba de
combustível, válvula reguladora de pressão,
mangueiras, bicos injetores e filtros que podem ser afetados
pela mistura:
Peça - Preço médio, R$ *
Filtro de Combustível - 20,00
Bicos injetores (limpeza) - 100,00
Bicos injetores (troca) - 800,00
Bomba de Combustível - 500,00
Mangueiras - 50,00
Válvula reguladora de Pressão - 200,00
* foram considerados valores médios para um veículo
motor 1.0 L, sem incluir o custo da mão-de-obra.
Ou seja, o custo de substituição de peças
que podem sofrer danos oscilará de R$ 870,00 (se
for realizada a limpeza nos bicos injetores) até
R$ 1.570,00, caso seja necessária a troca dos bicos.
FIQUE ESPERTO
Blitz de trânsito: os critérios
da polícia na seleção dos veículos
"Ih!... Blitz..." - é com uma expressão
de surpresa e apreensão que a maioria dos motoristas
reage ao se deparar com uma blitz policial no meio da rua.
Afinal, como os critérios de seleção
dos veículos para serem vistoriados são em
parte subjetivos, fica difícil prever quais serão
os escolhidos para uma revista - situação
desagradável mesmo para quem não deve nada
a ninguém. É justamente por isso que as reclamações
de racismo ou qualquer outro preconceito durantes essas
operações não são raras.
Um jornal do Rio de Janeiro informou que um músico
carioca, negro, desistiu de andar de carro depois que foi
parado quatro vezes em um só dia - duas vezes no
Rio e duas em Niterói. A mesma indignação
sentiu um promotor de Justiça, no ano passado. Ele
viajava num táxi quando foi parado numa barreira
policial, em Copacabana, sob a alegação de
se tratar de um veículo suspeito. No entanto, somente
ele, que também é negro, foi revistado. Depois
deste episódio, o promotor pediu explicações
sobre o procedimento dos policiais durantes essas operações
de trânsito. A conclusão do inquérito
instaurado no 19º BPM (Copacabana) foi de que os policiais
não se dirigiram a ele de forma desrespeitosa ou
discriminatória.
- Fiz a denúncia e também procurei saber
como aqueles policiais eram orientados para agir nessas
barreiras. A questão é que não concordo
justamente com as instruções passadas a eles
por seus superiores. Elas também se baseiam em aparências,
como na antropologia criminal do século XVII - critica
o promotor, que é professor de Processo Penal da
Universidade Cândido Mendes.
Rangel, o promotor, tirou suas conclusões ao ler
a nota de instrução 007 de 1993, um documento
da Polícia Militar que estabelece as normas de conduta
do policial nas blitz de trânsito. De acordo com a
nota, o procedimento mais adequado é realizar primeiro
a revista nos passageiros do táxi, especialmente
quando há apenas um ocupante além do motorista.
Logo, o promotor ter sido prontamente revistado não
teve - segundo a polícia - nenhuma relação
com o fato de ele ser negro.
- Pelo menos, este acontecimento levou ao comandante do
batalhão promover uma semana de discussões
a respeito do assunto com sua equipe. Acho que os procedimentos
precisam ser revistos, até para dar mais confiança
aos motoristas - completa Rangel.
Segundo o tenente-coronel da Polícia Militar Luís
Antônio da Costa, as orientações da
nota de instrução são indicações
de tudo o que é ensinado no treinamento dado aos
policiais na academia, mas uma outra parte depende da experiência
de cada profissional. Por isso, segundo o coronel, é
fundamental que um agente experiente esteja à frente
da triagem de veículos numa blitz.
- Uma pessoa que saltar correndo do carro, jogar algo pela
janela ou fugir da blitz de marcha a ré, por exemplo,
estará cometendo uma atitude suspeita bem evidente.
No entanto, um profissional com bagagem sabe identificar
as condutas suspeitas menos explícitas, como fingir
que está dormindo ou aparentar um nervosismo fora
do normal -
explica o coronel.
Para o advogado Flávio S. B., de 24 anos - que também
é negro - é difícil distinguir as situações
rotineiras das ocasiões em que o policial age de
má fé.
- Não acho que quando sou parado em blitz é
por causa da minha cor. Mas admito que fiquei chateado quando
estava em um Frescão cheio de gente e eu fui o primeiro
e único a ser revistado pelo policial. Acho que o
preconceito existe na maioria das pessoas, de qualquer profissão,
inclusive nos policiais -diz.
Critérios são os mesmos para polícias
civil e militar
Na Polícia Civil as regras para abordagem de um
veículo em uma blitz investigativa também
não são fixas. De acordo com o delegado da
Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Marcio Franco,
existe uma série de critérios para classificar
um veículo (ou uma pessoa) como suspeito, mas nenhum
deles tem validade isoladamente.
- Temos que levar em conta o local e o horário da
operação, a quantidade de pessoas no carro,
se há mulheres e até mesmo a fisionomia das
pessoas. Por exemplo, sabemos que os bandidos costumam estar
com outros comparsas no carro, e por isso, prestamos atenção
quando há um veículo lotado. Mas se no carro
estiver uma mulher com crianças, perto de uma área
residencial, já não há motivo para
suspeita - explica o delegado.
A nota de instrução da PM para identificação
de possíveis suspeitos também inclui "pessoas
com traços fisionômicos semelhantes aos dos
marginais que atuam em nosso estado". E como o perfil
da população carcerária fluminense
não se destaca pelo número de mulheres, neste
caso, elas podem até levar vantagem na hora das blitze.
Essa também é a teoria de Sônia Fillardis,
mãe da atriz e musa negra Isabel Fillardis. Dona
Sônia costuma levar no carro suas duas filhas e o
filho mais novo, de 18 anos, e nunca teve problemas com
blitz. Mas ela admite que tem receio em deixar seu caçula
dirigir sozinho quando tirar a carteira de motorista.
- Sou negra e nunca sofri preconceitos por parte da polícia
em blitz ou coisa parecida. Acho que ser mulher também
ajuda porque não desperta suspeita. Mas sei que existe
preconceito em todas as camadas da sociedade e vou tentar
evitar que meu filho, que está louco para tirar carteira,
dirija antes de completar 21 anos - conta.
Como proceder em uma blitz
*A orientação das polícias Civil e
Militar é que uma blitz seja realizada com pelo menos
duas viaturas. Os policiais devem estar devidamente uniformizados
e as viaturas bem identificadas e com o giroscópio
aceso
*Se a blitz for à noite, o motorista não
deve usar os faróis, apenas a lanterna
*Também à noite, é aconselhável
acender a luz interna do veículo para facilitar a
visão dos policiais
*Ao passar em frente à blitz, o motorista deve dirigir
em baixa velocidade
*Obedecer à indicação do policial
para encostar o veículo e desligar o motor
*Não se precipitar. Muitas vezes no intuito de ajudar
ou apressar o procedimento da operação, a
ansiedade do motorista pode atrapalhar o policial ou mesmo
transparecer uma atitude suspeita
*A recomendação policial é que o motorista
e os passageiros mantenham as mãos visíveis
e evitem movimentos bruscos
*Se julgar necessário, o policial pode fazer uma
revista pessoal nos ocupantes do veículo, o que é
previsto na lei. Quem se recusar a ser revistado pode ser
detido por desobediência, resistência ou desacato
à autoridade.
*Também se julgar necessário, o policial
pode realizar uma busca no veículo. No entanto, uma
vistoria detalhada costuma ser a última etapa de
uma blitz e segundo o delegado Marcio Franco, da Core, na
maioria das vezes, a revista no veículo só
é feita se houver uma forte suspeita por parte dos
policiais
*Em caso de revista do veículo, é fundamental
que o motorista acompanhe-a atentamente. Neste caso,
os próprios policiais são orientados a chamar
o motorista na hora da revista
*As reclamações em relação
as blitzes feitas pela PM devem ser registradas no Batalhão
Operacional da Área onde ocorreu a operação.
Em caso de blitz da polícia civil, o motorista deve
se dirigir à Corregedoria da Polícia Civil
do estado.
HORA DO BANHO
Cuidar da limpeza do carro é
essencial, mas evite lavar o motor
Manter o carro limpo e bem conservado
contribui com o aumento do valor de revenda, além de
ser importante para a durabilidade da carroceria e de vários
outros componentes.
Na hora da lavagem, é preciso tomar alguns cuidados
para não causar danos à pintura ou até
mesmo ao motor, principalmente os equipados com sistema
de injeção eletrônica, mais sensíveis
à ação da água e dos produtos
químicos como óleo de mamona, diesel e querosene.
Acompanhe como fazer para não transformar a intenção
de ver o carro brilhando em uma enorme dor de cabeça.
Antes de molhar o carro, escolha um lugar à sombra
para não manchar a pintura. Com um pano macio embebido
numa solução de água e sabão
neutro, retire a sujeira sem esfregar demais a carroceria.
Comece pela capota, deixando as rodas por último,
já que acumulam mais sujeira.
Enxaguar é a próxima etapa, que também
deve começar pelas partes mais altas do carro em
direção às rodas. Enquanto a água
evapora naturalmente, dê mais brilho aos pneus com
a ajuda de uma esponja e um pouco de limpa-pneu de boa qualidade.
Complete o serviço terminando de enxugar a carroceira
com um pano limpo e seco que não cause riscos.
Ao abrir o capô, saiba que "o motor não
foi feito para ser lavado", explica Roberto Bertin,
gerente técnico da BGM Franchising, franqueadora
master da Precision Tune no Brasil. "Com a lavagem,
deve-se saber que os prejuízos podem variar de R$
30,00 a R$ 1.000,00", completa.
Os danos vão desde pequenas falhas no momento da
partida até uma pane geral. Quando o motor estiver
muito sujo é recomendável que a lavagem seja
feita somente com água, evitando jatos fortes e sem
adicionar produtos químicos. Além disso, é
importante proteger com plástico os sensores eletrônicos
e os componentes da parte elétrica.
O estofamento deve ser limpo com uma escova de cerdas macias
e um aspirador de pó. Caso encontre muita sujeira,
os limpa-estofados domésticos podem ser usados seguindo
as instruções do fabricante, inclusive nos
tapetes acarpetados.
Para conservar o painel e as partes de borracha, passe
uma flanela com um pouco de silicone líquido. Deixe
os vidros mais limpos usando folhas de jornal e limpa-vidros,
já que não soltam fiapos e absorvem bem a
umidade. No volante, use apenas um pano úmido.
ALTA TECNOLOGIA EM TRANSPORTE
O extraordinário
e diferente Segway Human Transporter
O ser humano, embora basicamente feito para cobrir
a pé distâncias bastante razoáveis,
cada vez mais quer andar menos especialmente no trabalho,
por uma questão de cansaço, pouco tempo disponível
e estresse. Andar, cada vez mais, só por esporte
e para manter um pouco a forma.
Na mais recente exposição de novas tecnologias
da Delphi, tivemos oportunidade de dirigir alguns carros
com interessantíssimos sistemas de ajuda ao motorista,
que tendem a fazer de qualquer braço duro um razoável
piloto.
Curiosamente, porém, o que mais marcou foi andar
com um veículo de duas rodas paralelas, elétrico,
estável mesmo quando parado e de comandos totalmente
inconvencionais, veículo este para o qual a Delphi
desenvolveu as placas de circuito da unidade de controle
e os componentes de interface com o usuário.
O Segway Human Transporter, ou HT, envolto em tamanho mistério
que chegou a ser esperado por alguns como um substituto
do automóvel, é na realidade um sistema de
transporte pessoal elétrico, auto-equilibrado, do
tamanho do corpo de um adulto comum, que anda a até
três vezes a velocidade de um ser humano a pé,
e que pode ser utilizado em locais fechados, como fábricas,
depósitos, grandes laboratórios, e até
mesmo calçadões e vias urbanas em que veículos
convencionais estão proibidos de trafegar.
O Segway assusta ao primeiro contato: alí está
ele, parado, de pé, duas rodas paralelas ao lado
de uma plataforma, e uma coluna central, com guidão
em sua parte superior. Entre as rodas, a 20 centímetros
do chão, a um nível abaixo dos eixos de suas
rodas, está a pequena plataforma de 48 x 63,5 cm
(a largura normal dos ombros de um homem adulto), onde estão
as baterias, enquanto os giroscópios e os sensores
estão na coluna. A temperatura e a condição
das baterias são constante e automaticamente monitoradas
por um circuito eletrônico dedicado. O peso total
do Segway é de 38 kg.
Como ele fica de pé, parado? Aí a gente se
aproxima dele, põe a mão no guidão
e levanta um pé para apoiá-lo na plataforma
não dá outra, o Segway se movimenta
para a frente, deixando a gente com cara de bobo. É
lógico: não se deve apoiar o pé de
encontro à plataforma, e sim sobre ela, colocando
o peso do corpo na vertical.
A sensação, como sempre num veículo
de duas rodas, com a gente sobre ele, é de que vai
tombar quando parado. Não é assim numa moto
ou numa bicicleta, veículos em que a mínima
estabilidade, ou a máxima instabilidade, ocorre quando
parado? Para o Segway, a gente tem de mudar esta percepção.
A chave da operação do Segway é seu
auto-equilíbrio. Para se entender como ele faz isso,
basta lembrar de como o ser humano se equilibra. Uma pessoa,
ao se inclinar à frente ou ao começar a andar,
está fora de equilíbrio. O cérebro
sabe disso, envia um comando ao fluido dentro do ouvido
interno, este se desloca, envia uma mensagem de volta ao
cérebro, e este ordena que uma perna se mova à
frente, contrabalançando o que poderia ser uma queda.
Se a pessoa continuar inclinada à frente, seu cérebro
ordenará que continue a andar, um passo de cada vez.
O Segway não tem pernas, tem rodas, não tem
músculos e sim motores elétricos, não
tem cérebro, mas vários microprocessadores,
não tem ouvidos e fluidos, e sim um jogo de sofisticados
sensores de prumo. Assim, ele sabe que a pessoa em cima
dele está inclinada à frente - ou para trás,
se for o caso.
O sistema primário de sensores é um conjunto
de giroscópios por definição,
uma roda em giro dentro de um arcabouço estável.
Ele trabalha no princípio de que um objeto em giro
resiste mudanças em seu eixo de rotação,
já que qualquer força a ele aplicada move-se
junto com o próprio objeto. Por este motivo, a roda
de um giroscópio mantém sua posição
espacial mesmo que seja inclinada - mas seu arcabouço
não, movimentando-se livremente no espaço.
Um sensor de alta exatidão, medindo a posição
relativa da esfera e do arcabouço, sabe a cada momento
a inclinação e a velocidade desta inclinação.
O sensor angular do Segway usa o efeito físico Coriolis
(o giro aparente de um objeto em relação a
outro objeto em rotação), embora em escala
mínima: uma minúscula placa de silicone montada
numa armação.
As partículas do silicone são impulsionadas
por uma corrente eletrostática, vibrando a placa
toda de maneira previamente conhecida. Quando, porém,
a placa é girada ao redor de seu eixo, as partículas
se movem em relação à placa, alterando
a vibração proporcionalmente ao grau de rotação.
O sistema mede esta mudança e passa a informação
ao computador.
O Segway tem cinco sensores giroscópicos, três
deles básicos e dois de reserva, que
passam as informações a duas placas de circuito
de controle e seus microprocessadores. A rigor, ele só
precisa de três, um para detectar inclinação
à frente, um para inclinação para trás,
e um para girar à esquerda ou à direita, que
seus engenheiros chamam de roll. Os dois de reserva,
são redundantes, de segurança.
O HT tem dez microprocessadores, com potência de
três vezes a encontrada num PC comum atual. Ele precisa
de toda essa potência para poder fazer os ajustes
extremamente precisos que garantem que ele não cai.
Se uma placa pifar, a outra fica com todas as
suas funções, mantendo o Segway sempre de
pé.
O programa dos microprocessadores monitora todas as informações
de estabilidade vindas dos sensores e ajusta a velocidade
de diversos motores elétricos que respondem a essas
informações. Os motores elétricos,
sem escova, de 2 cv cada um, são acionados por duas
baterias de níquel hidreto metálico, cada
uma com 60 células, e podem girar cada uma das rodas
independentemente, às mais variadas velocidades.
As baterias podem ser recarregadas em circuitos de 100 a
220 volts, de 4 a 6 horas, e agüentam entre 300 e 500
ciclos de carga/descarga. Todos os sistemas elétricos
do Segway são redundantes.
Quando o usuário pisa na plataforma do Segway, esta
funciona como um comutador, colocando a máquina pronta
para funcionar. Quando inclina seu corpo à frente,
o Segway faz o mesmo, os dois motores girando as rodas à
frente para impedir que o veículo caia de bico.
Quando o contrário acontece, os motores giram as
rodas em marcha-à-ré. Ao esterçar,
com o usuário girando a manopla para a esquerda ou
para a direita, um dos motores gira mais rápido do
que o outro ou mesmo os dois giram em sentidos opostos,
para que o Segway possa girar ao redor de seu próprio
eixo. Nesta condição, a máquina pode
imitar um ser humano, que pode girar a redor de seu próprio
eixo sem cair.
O Segway é disponível em dois modelos, chamados
i Series e e Series. O i é o Segway pessoal, com
foco em manobrabilidade, velocidade e piso variável;
o e vem equipado com grandes bolsas para carga, aumentando
a capacidade de transporte e oferecendo ótima adaptabilidade
para usos industriais e comerciais. Em terreno plano, sem
vento, ele pode rodar até 28 km no piso normal,
com aclives e declives comuns, 17 km. O i pode transportar
pessoas de até 110 kg mais 34 kg de carga, o e a
mesma coisa e também tracionar um reboque, que deverá
ser lançado em breve.
O Segway não apenas é um veículo fácil
de manobrar, como também possui um módulo
follow me, siga-me, através do qual consegue
inclusive subir e descer escadas sozinho. Baixando a coluna
de controle, ele cabe no porta-malas de um carro pequeno,
talvez mesmo um hatch nacional ou europeu com o banco traseiro
em sua posição normal. Para que não
seja roubado, vem com um jogo de chaves eletrônicas
inteligentes, com código de identidade de 64 bits.
Os próprios pára-lamas e rodas têm aberturas
através das quais se pode passar cabos de segurança.
O Segway vem com três chaves, ou programas. A primeira,
preta, do modo de aprendizagem, permite uma velocidade máxima
de cerca de 10 km/h, giros de curva longos. A segunda, amarela,
chamada de sidewalk, ou calçada, dá máxima
de 14,5 km/h e tem diâmetro de giro médio.
A terceira, vermelha, é chamada open, aberta, vai
a 20 km/h e faz curvas muito apertadas, inclusive giro sobre
o próprio eixo.
Qualquer máquina que se proponha a ajudar um homem
a se locomover, hoje em dia, num país como os Estados
Unidos, pode se tornar uma tremenda dor de cabeça
e de bolso, se não funcionar como proposto. O Segway
Human Transporter foi projetado e é construído
dentro de padrões aeronáuticos, cada uma de
suas peças e estruturas sendo eletronica, física
e estruturalmente testada várias vezes na fábrica,
antes de ser liberada para comercialização.
Nosso Segway, mantido sempre no modo aprendizado,
demonstrou um dirigir realmente muito interessante: a posição
do corpo é básica: incline-se para a frente
ou para trás, e a maquininha segue seus comandos.
Inicialmente, o mais estranho é não poder
girar ou mesmo inclinar o guidão mas a gente
logo se acostuma com isso. No pulso esquerdo (o material
de Imprensa diz que este comando é no pulso direito),
gira-se a manopla para a frente para virar à direita,
e para trás para virar para a esquerda. Fazer marcha-à-ré
nessas condições até que é bastante
fácil, embora o pessoal da Delphi tenha dito que
esta é a manobra mais difícil, mas que teria
de ser feita por quem andasse com ela para ser fotografado
à frente de um banner branco da empresa. O problema,
então, era vir de frente, manobrar à esquerda
ou à direita, e fazer a marcha-à-ré
até encostar nele.
Aprender a andar com o Segway é facílimo.
Fica-se só pensando em passar por buracos brasileiros...
TechTalk.com.br
TECNOLOGIA BRASILEIRA
Brasileira detém patente
de invenção
da primeira máquina alisadora de roupas do mundo
Aeromoça aposentada constrói alisadora automática
de roupas que deve substituir o tradicional ferro de passar,
inventado há mais de 400 anos.
No futuro, as próximas gerações estudarão
nos livros de história que a invenção
da máquina de passar roupa é de uma brasileira.
O equipamento, que promete livrar as donas-de-casa de uma
das tarefas do lar mais estressantes e chatas, economiza
65% no consumo de energia em relação ao método
comum. Conhecida no meio cientifico como Alisadora Automática
de Roupas, o equipamento foi desenvolvido pela Coll Projetos
Engenharia e Tecnologia Ltda, empresa incubada no Cietec
- Centro Incubador de Empresas Tecnológicas, situado
na Cidade Universitária (USP).
A patente de invenção do equipamento já
foi obtida pela aeromoça aposentada e arquiteta Célia
Jaber de Oliveira e é válida por 20 anos.
Depois de 18 anos de trabalho como comissária de
bordo, Célia, que costumava desamassar roupas no
vapor quente do chuveiro de hotel, decidiu junto com o irmão
construir a primeira alisadora de roupa automática
a vapor do mundo. O produto ainda está em fase de
teste, mas o objetivo de seus inventores é de, tão
logo fique pronto, tornar o produto popular.
Como nasceu a idéia
Certa vez, a aeromoça percebeu que as roupas penduradas
no banheiro, enquanto o chuveiro estava ligado e as portas
fechadas, podiam ser desamassadas com o vapor quente que
saía da ducha. A partir daí Célia apostou
na possibilidade de criar uma máquina de passar roupas
que não dependesse do trabalho humano.
A idéia começou em 1995 num exemplo de como
soluções caseiras também podem dar
origem a inovações tecnológicas. A
meta era desenvolver um equipamento que pudesse ser uma
alternativa mais prática para a tarefa de passar
peças de roupas e surgiu da necessidade da aeromoça
de nas viagens utilizar roupas alinhadas.
"Fizemos os primeiros protótipos em casa, com
plástico e alumínio, usando um gerador de
vapor para saunas residenciais", conta Célia.
"Funcionou tão bem que as amigas e vizinhas
queriam passar roupa na minha casa". O protótipo
da Alisadora Automática de Roupas é do tamanho
de uma geladeira, com capacidade para 12 peças de
roupa.
A máquina consiste em submeter as roupas a um fluxo
contínuo de vapor saturado, de modo a obter o relaxamento
e o alívio das tensões das fibras do tecido.
A segunda etapa é a secagem por convecção
forçada, com o objetivo de manter a microgeometria
das fibras obtida no ciclo anterior.
O tempo de alisamento é de 35 a 40 minutos. A empresária
estima que a versão comercial do produto, quando
chegar ao mercado, custará entre R$ 600 e R$ 1.200.
Uma pesquisa realizada com 200 mulheres, de 25 a 50 anos,
pertencentes às classes A, B e C foi realizada com
o intuito de verificar a necessidade e aceitação
de uma máquina com esta função. Os
dados obtidos foram surpreendentes, pois a idéia
de livra-se da tarefa de passar roupas e poupar tempo foi
muito bem aceita.
Os dados mostraram que a tarefa passar roupas é considerada
a mais desagradável; 55% das entrevistadas passam
roupas pessoalmente, sendo que na classe C esta proporção
sobe para 79%; 97% demonstraram reação positiva
na aceitação do produto; e 84% das mulheres
provavelmente comprariam o produto de imediato.
Ferro de passar atual foi inventado há 400 anos
Para Célia, "na atividade doméstica,
o trabalho de passar roupas ainda exige tempo, esforço
físico e manuseio constante do usuário, sendo
considerada uma das tarefas mais desagradáveis e
cansativas pela maioria da população".
Todos os eletrodomésticos modernos são automáticos,
mas o ferro de passar foi inventado há 400 anos e
não evoluiu quase nada. "Só mudou do
carvão para a tomada".
Segundo a inventora, o desenvolvimento de um produto de
baixo consumo de energia elétrica, totalmente automatizado,
com uma mudança na forma e no método de passar
roupas, minimizando o tempo e o esforço do usuário,
preenche uma lacuna existente no mercado e supre a necessidade
da maioria da população. A empresária
pretende negociar com empresas interessadas em fabricar
o produto.
INVENÇÃO É UM DOS PROJETOS INCUBADOS
NO CIETEC
A máquina é um dos destaques da lista de 160
produtos em desenvolvimento nos laboratórios do Cietec.
A incubadora tem como objetivo oferecer supor técnico
e gerencial necessário para que idéias como
a de Célia possam se transformar em fonte de lucro.
Graças a este apoio a Coll Projetos começou
a se estruturar como empresa. "As incubadas têm
de trabalhar pelos próprios recursos, mas ganham
acesso a toda infra-estrutura de pesquisa da USP, do IPT
e do IPEN, além de assessoria de marketing e jurídica
do Cietec", explica Sergio Risola, gestor executivo
do Cietec.
A alisadora de roupas desenvolvida pela Coll Projetos, Engenharia
e Tecnologia tem mais ou menos as dimensões de uma
geladeira e dentro devem ser penduradas as peças
de roupas em cabides. O único trabalho da dona-de-casa
será colocar e retirar as peças da máquina.
"Ainda estamos em fase de testes sobre o desempenho
da alisadora", ressalva Célia.
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