Mecânica Online
Edição 36 - Dezembro de 2002
Conteúdo básico

ALERTA AOS MOTORISTAS
Os riscos da mistura álcool e gasolina
A mistura de álcool e gasolina, apelidada de “rabo de galo”, tem se tornado freqüente em vários estados brasileiros e causa sérios danos ao motor dos veículos

Motoristas de várias regiões do país, mas principalmente de Pernambuco, Goiás e São Paulo, estão misturando álcool e gasolina no motor do carro adaptado apenas para gasolina na hora de abastecer. A prática, apelidada de “rabo de galo”, pode ser tão prejudicial ao veículo quanto a utilização de gasolina adulterada. Com o objetivo de explicar aos motoristas e revendedores os danos causados por essa prática, a Ipiranga iniciou um trabalho de orientação em sua rede de postos.

“O que muitos desconhecem é que a economia momentânea é extremamente danosa ao motor do veículo e a mistura de álcool hidratado (que pode conter até 7,4% de água na sua composição) à gasolina pode ocasionar uma série de problemas ao veículo”, alerta Marcelo Gonçalves, assessor técnico de combustíveis da Ipiranga.

A gasolina comum não contém água e possui 25% de álcool ANIDRO, que é um componente fundamental. No entanto, quando o motorista faz o “rabo de galo”, ele mistura na gasolina álcool hidratado (que contém água). A presença de água provoca uma instabilidade na composição e pode separar a mistura em duas fases: álcool-gasolina e álcool-água.

“Como a mistura álcool-água é mais pesada que a gasolina, ela ficará no fundo do tanque. A gasolina, contendo ainda um pouco de álcool, ficará na parte superior do tanque. A retirada de álcool da gasolina reduz a octanagem da gasolina comum e provoca perda de potência e aumento de consumo, podendo causar ainda a chamada ‘batida de pino’. Esse carro, a médio e longo prazo terá sérios problemas mecânicos”, explica Marcelo Gonçalves.

Segundo o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Franco Giuseppe Dedini, a curto prazo o veículo com combustível inadequado fica com pior rendimento e o consumo aumenta. “Depois de um prazo de dois anos é que aparecem os principais problemas como corrosão dos componentes, piora na situação do motor e no sistema de combustão”, explica o professor. Franco acrescenta que o álcool, quando utilizado em veículos adaptados para a gasolina, acaba corroendo alguns sistemas e peças, tanto metálicas como de plástico.

Vale destacar ainda que o motor que foi desenvolvido para gasolina comum passa a utilizar um combustível contaminado com água. A presença da água causa danos ao filtro e à bomba de combustível e provoca corrosão nas partes metálicas do sistema de alimentação, principalmente desgaste nos bicos injetores. Além disso, o “rabo de galo”, por ter um poder energético menor do que a gasolina comum, aumenta consideravelmente o consumo de combustível.

“Como o álcool hidratado é mais barato, na hora de abastecer há uma economia. O que o motorista não está contabilizando é o aumento de consumo e o desgaste prematuro de peças, exigindo trocas antecipadas. Sem contar com o tempo que o veículo fica parado na oficina”, ressalta Marcelo Gonçalves.

Para mostrar que a economia momentânea com o “rabo de galo” pode custar caro, a Ipiranga fez uma simulação. Um motorista que esteja hoje consumindo 200 litros de gasolina por mês a um preço hipotético de R$ 1,60, gasta mensalmente R$ 320,00. Fazendo o “rabo de galo” (misturando meio a meio os dois combustíveis) temos a seguinte situação:

Combustível Preço, R$ Litros Custo
Gasolina Comum 1,60 100 160,00
Álcool Hidratado 0,60 100 60,00
Custo da Mistura     220,00

Devemos levar em consideração que, por ter o álcool menor poder energético, um carro consome uma quantidade maior de “rabo de galo” do que consumiria de gasolina para percorrer um mesmo trecho. O consumo desta mistura para o mesmo percurso poderá ser cerca de 20% maior, ou seja, um custo de R$ 264,00. A economia do motorista mensalmente seria de R$ 320,00 – 264,00 = 56,00.

Abaixo listamos os custos de peças como bomba de combustível, válvula reguladora de pressão, mangueiras, bicos injetores e filtros que podem ser afetados pela mistura:

Peça - Preço médio, R$ *
Filtro de Combustível - 20,00
Bicos injetores (limpeza) - 100,00
Bicos injetores (troca) - 800,00
Bomba de Combustível - 500,00
Mangueiras - 50,00
Válvula reguladora de Pressão - 200,00

* foram considerados valores médios para um veículo motor 1.0 L, sem incluir o custo da mão-de-obra.

Ou seja, o custo de substituição de peças que podem sofrer danos oscilará de R$ 870,00 (se for realizada a limpeza nos bicos injetores) até R$ 1.570,00, caso seja necessária a troca dos bicos.

FIQUE ESPERTO
Blitz de trânsito: os critérios
da polícia na seleção dos veículos

"Ih!... Blitz..." - é com uma expressão de surpresa e apreensão que a maioria dos motoristas reage ao se deparar com uma blitz policial no meio da rua. Afinal, como os critérios de seleção dos veículos para serem vistoriados são em parte subjetivos, fica difícil prever quais serão os escolhidos para uma revista - situação desagradável mesmo para quem não deve nada a ninguém. É justamente por isso que as reclamações de racismo ou qualquer outro preconceito durantes essas operações não são raras.

Um jornal do Rio de Janeiro informou que um músico carioca, negro, desistiu de andar de carro depois que foi parado quatro vezes em um só dia - duas vezes no Rio e duas em Niterói. A mesma indignação sentiu um promotor de Justiça, no ano passado. Ele viajava num táxi quando foi parado numa barreira policial, em Copacabana, sob a alegação de se tratar de um veículo suspeito. No entanto, somente ele, que também é negro, foi revistado. Depois deste episódio, o promotor pediu explicações sobre o procedimento dos policiais durantes essas operações de trânsito. A conclusão do inquérito instaurado no 19º BPM (Copacabana) foi de que os policiais não se dirigiram a ele de forma desrespeitosa ou discriminatória.

- Fiz a denúncia e também procurei saber como aqueles policiais eram orientados para agir nessas barreiras. A questão é que não concordo justamente com as instruções passadas a eles por seus superiores. Elas também se baseiam em aparências, como na antropologia criminal do século XVII - critica o promotor, que é professor de Processo Penal da Universidade Cândido Mendes.

Rangel, o promotor, tirou suas conclusões ao ler a nota de instrução 007 de 1993, um documento da Polícia Militar que estabelece as normas de conduta do policial nas blitz de trânsito. De acordo com a nota, o procedimento mais adequado é realizar primeiro a revista nos passageiros do táxi, especialmente quando há apenas um ocupante além do motorista. Logo, o promotor ter sido prontamente revistado não teve - segundo a polícia - nenhuma relação com o fato de ele ser negro.

- Pelo menos, este acontecimento levou ao comandante do batalhão promover uma semana de discussões a respeito do assunto com sua equipe. Acho que os procedimentos precisam ser revistos, até para dar mais confiança aos motoristas - completa Rangel.

Segundo o tenente-coronel da Polícia Militar Luís Antônio da Costa, as orientações da nota de instrução são indicações de tudo o que é ensinado no treinamento dado aos policiais na academia, mas uma outra parte depende da experiência de cada profissional. Por isso, segundo o coronel, é fundamental que um agente experiente esteja à frente da triagem de veículos numa blitz.

- Uma pessoa que saltar correndo do carro, jogar algo pela janela ou fugir da blitz de marcha a ré, por exemplo, estará cometendo uma atitude suspeita bem evidente. No entanto, um profissional com bagagem sabe identificar as condutas suspeitas menos explícitas, como fingir que está dormindo ou aparentar um nervosismo fora do normal -

explica o coronel.

Para o advogado Flávio S. B., de 24 anos - que também é negro - é difícil distinguir as situações rotineiras das ocasiões em que o policial age de má fé.

- Não acho que quando sou parado em blitz é por causa da minha cor. Mas admito que fiquei chateado quando estava em um Frescão cheio de gente e eu fui o primeiro e único a ser revistado pelo policial. Acho que o preconceito existe na maioria das pessoas, de qualquer profissão, inclusive nos policiais -diz.

Critérios são os mesmos para polícias civil e militar

Na Polícia Civil as regras para abordagem de um veículo em uma blitz investigativa também não são fixas. De acordo com o delegado da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Marcio Franco, existe uma série de critérios para classificar um veículo (ou uma pessoa) como suspeito, mas nenhum deles tem validade isoladamente.

- Temos que levar em conta o local e o horário da operação, a quantidade de pessoas no carro, se há mulheres e até mesmo a fisionomia das pessoas. Por exemplo, sabemos que os bandidos costumam estar com outros comparsas no carro, e por isso, prestamos atenção quando há um veículo lotado. Mas se no carro estiver uma mulher com crianças, perto de uma área residencial, já não há motivo para suspeita - explica o delegado.

A nota de instrução da PM para identificação de possíveis suspeitos também inclui "pessoas com traços fisionômicos semelhantes aos dos marginais que atuam em nosso estado". E como o perfil da população carcerária fluminense não se destaca pelo número de mulheres, neste caso, elas podem até levar vantagem na hora das blitze. Essa também é a teoria de Sônia Fillardis, mãe da atriz e musa negra Isabel Fillardis. Dona Sônia costuma levar no carro suas duas filhas e o filho mais novo, de 18 anos, e nunca teve problemas com blitz. Mas ela admite que tem receio em deixar seu caçula dirigir sozinho quando tirar a carteira de motorista.

- Sou negra e nunca sofri preconceitos por parte da polícia em blitz ou coisa parecida. Acho que ser mulher também ajuda porque não desperta suspeita. Mas sei que existe preconceito em todas as camadas da sociedade e vou tentar evitar que meu filho, que está louco para tirar carteira, dirija antes de completar 21 anos - conta.

Como proceder em uma blitz

*A orientação das polícias Civil e Militar é que uma blitz seja realizada com pelo menos duas viaturas. Os policiais devem estar devidamente uniformizados e as viaturas bem identificadas e com o giroscópio aceso

*Se a blitz for à noite, o motorista não deve usar os faróis, apenas a lanterna

*Também à noite, é aconselhável acender a luz interna do veículo para facilitar a visão dos policiais

*Ao passar em frente à blitz, o motorista deve dirigir em baixa velocidade

*Obedecer à indicação do policial para encostar o veículo e desligar o motor

*Não se precipitar. Muitas vezes no intuito de ajudar ou apressar o procedimento da operação, a ansiedade do motorista pode atrapalhar o policial ou mesmo transparecer uma atitude suspeita

*A recomendação policial é que o motorista e os passageiros mantenham as mãos visíveis e evitem movimentos bruscos

*Se julgar necessário, o policial pode fazer uma revista pessoal nos ocupantes do veículo, o que é previsto na lei. Quem se recusar a ser revistado pode ser detido por desobediência, resistência ou desacato à autoridade.

*Também se julgar necessário, o policial pode realizar uma busca no veículo. No entanto, uma vistoria detalhada costuma ser a última etapa de uma blitz e segundo o delegado Marcio Franco, da Core, na maioria das vezes, a revista no veículo só é feita se houver uma forte suspeita por parte dos policiais

*Em caso de revista do veículo, é fundamental que o motorista acompanhe-a atentamente. Neste caso, os próprios policiais são orientados a chamar o motorista na hora da revista

*As reclamações em relação as blitzes feitas pela PM devem ser registradas no Batalhão Operacional da Área onde ocorreu a operação. Em caso de blitz da polícia civil, o motorista deve se dirigir à Corregedoria da Polícia Civil do estado.

HORA DO BANHO
Cuidar da limpeza do carro é essencial, mas evite lavar o motor
Manter o carro limpo e bem conservado contribui com o aumento do valor de revenda, além de ser importante para a durabilidade da carroceria e de vários outros componentes.

Na hora da lavagem, é preciso tomar alguns cuidados para não causar danos à pintura ou até mesmo ao motor, principalmente os equipados com sistema de injeção eletrônica, mais sensíveis à ação da água e dos produtos químicos como óleo de mamona, diesel e querosene. Acompanhe como fazer para não transformar a intenção de ver o carro brilhando em uma enorme dor de cabeça.

Antes de molhar o carro, escolha um lugar à sombra para não manchar a pintura. Com um pano macio embebido numa solução de água e sabão neutro, retire a sujeira sem esfregar demais a carroceria. Comece pela capota, deixando as rodas por último, já que acumulam mais sujeira.

Enxaguar é a próxima etapa, que também deve começar pelas partes mais altas do carro em direção às rodas. Enquanto a água evapora naturalmente, dê mais brilho aos pneus com a ajuda de uma esponja e um pouco de limpa-pneu de boa qualidade. Complete o serviço terminando de enxugar a carroceira com um pano limpo e seco que não cause riscos.

Ao abrir o capô, saiba que "o motor não foi feito para ser lavado", explica Roberto Bertin, gerente técnico da BGM Franchising, franqueadora master da Precision Tune no Brasil. "Com a lavagem, deve-se saber que os prejuízos podem variar de R$ 30,00 a R$ 1.000,00", completa.

Os danos vão desde pequenas falhas no momento da partida até uma pane geral. Quando o motor estiver muito sujo é recomendável que a lavagem seja feita somente com água, evitando jatos fortes e sem adicionar produtos químicos. Além disso, é importante proteger com plástico os sensores eletrônicos e os componentes da parte elétrica.

O estofamento deve ser limpo com uma escova de cerdas macias e um aspirador de pó. Caso encontre muita sujeira, os limpa-estofados domésticos podem ser usados seguindo as instruções do fabricante, inclusive nos tapetes acarpetados.

Para conservar o painel e as partes de borracha, passe uma flanela com um pouco de silicone líquido. Deixe os vidros mais limpos usando folhas de jornal e limpa-vidros, já que não soltam fiapos e absorvem bem a umidade. No volante, use apenas um pano úmido.

ALTA TECNOLOGIA EM TRANSPORTE
O extraordinário – e diferente – Segway Human Transporter
O ser humano, embora basicamente feito para cobrir a pé distâncias bastante razoáveis, cada vez mais quer andar menos – especialmente no trabalho, por uma questão de cansaço, pouco tempo disponível e estresse. Andar, cada vez mais, só por esporte e para manter um pouco a forma.

Na mais recente exposição de novas tecnologias da Delphi, tivemos oportunidade de dirigir alguns carros com interessantíssimos sistemas de ajuda ao motorista, que tendem a fazer de qualquer braço duro um razoável piloto.

Curiosamente, porém, o que mais marcou foi andar com um veículo de duas rodas paralelas, elétrico, estável mesmo quando parado e de comandos totalmente inconvencionais, veículo este para o qual a Delphi desenvolveu as placas de circuito da unidade de controle e os componentes de interface com o usuário.

O Segway Human Transporter, ou HT, envolto em tamanho mistério que chegou a ser esperado por alguns como um substituto do automóvel, é na realidade um sistema de transporte pessoal elétrico, auto-equilibrado, do tamanho do corpo de um adulto comum, que anda a até três vezes a velocidade de um ser humano a pé, e que pode ser utilizado em locais fechados, como fábricas, depósitos, grandes laboratórios, e até mesmo calçadões e vias urbanas em que veículos convencionais estão proibidos de trafegar.

O Segway assusta ao primeiro contato: alí está ele, parado, de pé, duas rodas paralelas ao lado de uma plataforma, e uma coluna central, com guidão em sua parte superior. Entre as rodas, a 20 centímetros do chão, a um nível abaixo dos eixos de suas rodas, está a pequena plataforma de 48 x 63,5 cm (a largura normal dos ombros de um homem adulto), onde estão as baterias, enquanto os giroscópios e os sensores estão na coluna. A temperatura e a condição das baterias são constante e automaticamente monitoradas por um circuito eletrônico dedicado. O peso total do Segway é de 38 kg.

Como ele fica de pé, parado? Aí a gente se aproxima dele, põe a mão no guidão e levanta um pé para apoiá-lo na plataforma – não dá outra, o Segway se movimenta para a frente, deixando a gente com cara de bobo. É lógico: não se deve apoiar o pé de encontro à plataforma, e sim sobre ela, colocando o peso do corpo na vertical.

A sensação, como sempre num veículo de duas rodas, com a gente sobre ele, é de que vai tombar quando parado. Não é assim numa moto ou numa bicicleta, veículos em que a mínima estabilidade, ou a máxima instabilidade, ocorre quando parado? Para o Segway, a gente tem de mudar esta percepção.

A chave da operação do Segway é seu auto-equilíbrio. Para se entender como ele faz isso, basta lembrar de como o ser humano se equilibra. Uma pessoa, ao se inclinar à frente ou ao começar a andar, está fora de equilíbrio. O cérebro sabe disso, envia um comando ao fluido dentro do ouvido interno, este se desloca, envia uma mensagem de volta ao cérebro, e este ordena que uma perna se mova à frente, contrabalançando o que poderia ser uma queda.

Se a pessoa continuar inclinada à frente, seu cérebro ordenará que continue a andar, um passo de cada vez. O Segway não tem pernas, tem rodas, não tem músculos e sim motores elétricos, não tem cérebro, mas vários microprocessadores, não tem ouvidos e fluidos, e sim um jogo de sofisticados sensores de prumo. Assim, ele sabe que a pessoa em cima dele está inclinada à frente - ou para trás, se for o caso.

O sistema primário de sensores é um conjunto de giroscópios – por definição, uma roda em giro dentro de um arcabouço estável. Ele trabalha no princípio de que um objeto em giro resiste mudanças em seu eixo de rotação, já que qualquer força a ele aplicada move-se junto com o próprio objeto. Por este motivo, a roda de um giroscópio mantém sua posição espacial mesmo que seja inclinada - mas seu arcabouço não, movimentando-se livremente no espaço.

Um sensor de alta exatidão, medindo a posição relativa da esfera e do arcabouço, sabe a cada momento a inclinação e a velocidade desta inclinação. O sensor angular do Segway usa o efeito físico Coriolis (o giro aparente de um objeto em relação a outro objeto em rotação), embora em escala mínima: uma minúscula placa de silicone montada numa armação.

As partículas do silicone são impulsionadas por uma corrente eletrostática, vibrando a placa toda de maneira previamente conhecida. Quando, porém, a placa é girada ao redor de seu eixo, as partículas se movem em relação à placa, alterando a vibração proporcionalmente ao grau de rotação. O sistema mede esta mudança e passa a informação ao computador.

O Segway tem cinco sensores giroscópicos, três deles básicos e dois ‘de reserva’, que passam as informações a duas placas de circuito de controle e seus microprocessadores. A rigor, ele só precisa de três, um para detectar inclinação à frente, um para inclinação para trás, e um para girar à esquerda ou à direita, que seus engenheiros chamam de roll. Os dois ‘de reserva’, são redundantes, de segurança.

O HT tem dez microprocessadores, com potência de três vezes a encontrada num PC comum atual. Ele precisa de toda essa potência para poder fazer os ajustes extremamente precisos que garantem que ele não ‘cai’. Se uma placa ‘pifar’, a outra fica com todas as suas funções, mantendo o Segway sempre de pé.

O programa dos microprocessadores monitora todas as informações de estabilidade vindas dos sensores e ajusta a velocidade de diversos motores elétricos que respondem a essas informações. Os motores elétricos, sem escova, de 2 cv cada um, são acionados por duas baterias de níquel hidreto metálico, cada uma com 60 células, e podem girar cada uma das rodas independentemente, às mais variadas velocidades. As baterias podem ser recarregadas em circuitos de 100 a 220 volts, de 4 a 6 horas, e agüentam entre 300 e 500 ciclos de carga/descarga. Todos os sistemas elétricos do Segway são redundantes.

Quando o usuário pisa na plataforma do Segway, esta funciona como um comutador, colocando a máquina pronta para funcionar. Quando inclina seu corpo à frente, o Segway faz o mesmo, os dois motores girando as rodas à frente para impedir que o veículo caia ‘de bico’. Quando o contrário acontece, os motores giram as rodas em marcha-à-ré. Ao esterçar, com o usuário girando a manopla para a esquerda ou para a direita, um dos motores gira mais rápido do que o outro – ou mesmo os dois giram em sentidos opostos, para que o Segway possa girar ao redor de seu próprio eixo. Nesta condição, a máquina pode imitar um ser humano, que pode girar a redor de seu próprio eixo sem cair.

O Segway é disponível em dois modelos, chamados i Series e e Series. O i é o Segway pessoal, com foco em manobrabilidade, velocidade e piso variável; o e vem equipado com grandes bolsas para carga, aumentando a capacidade de transporte e oferecendo ótima adaptabilidade para usos industriais e comerciais. Em terreno plano, sem vento, ele pode rodar até 28 km – no piso normal, com aclives e declives comuns, 17 km. O i pode transportar pessoas de até 110 kg mais 34 kg de carga, o e a mesma coisa e também tracionar um reboque, que deverá ser lançado em breve.

O Segway não apenas é um veículo fácil de manobrar, como também possui um módulo follow me, ‘siga-me’, através do qual consegue inclusive subir e descer escadas sozinho. Baixando a coluna de controle, ele cabe no porta-malas de um carro pequeno, talvez mesmo um hatch nacional ou europeu com o banco traseiro em sua posição normal. Para que não seja roubado, vem com um jogo de chaves eletrônicas inteligentes, com código de identidade de 64 bits. Os próprios pára-lamas e rodas têm aberturas através das quais se pode passar cabos de segurança.

O Segway vem com três chaves, ou programas. A primeira, preta, do modo de aprendizagem, permite uma velocidade máxima de cerca de 10 km/h, giros de curva longos. A segunda, amarela, chamada de sidewalk, ou calçada, dá máxima de 14,5 km/h e tem diâmetro de giro médio. A terceira, vermelha, é chamada open, aberta, vai a 20 km/h e faz curvas muito apertadas, inclusive giro sobre o próprio eixo.

Qualquer máquina que se proponha a ajudar um homem a se locomover, hoje em dia, num país como os Estados Unidos, pode se tornar uma tremenda dor de cabeça e de bolso, se não funcionar como proposto. O Segway Human Transporter foi projetado e é construído dentro de padrões aeronáuticos, cada uma de suas peças e estruturas sendo eletronica, física e estruturalmente testada várias vezes na fábrica, antes de ser liberada para comercialização.

‘Nosso’ Segway, mantido sempre no modo aprendizado, demonstrou um dirigir realmente muito interessante: a posição do corpo é básica: incline-se para a frente ou para trás, e a maquininha segue seus comandos. Inicialmente, o mais estranho é não poder girar ou mesmo inclinar o guidão – mas a gente logo se acostuma com isso. No pulso esquerdo (o material de Imprensa diz que este comando é no pulso direito), gira-se a manopla para a frente para virar à direita, e para trás para virar para a esquerda. Fazer marcha-à-ré nessas condições até que é bastante fácil, embora o pessoal da Delphi tenha dito que esta é a manobra mais difícil, mas que teria de ser feita por quem andasse com ela para ser fotografado à frente de um banner branco da empresa. O problema, então, era vir de frente, manobrar à esquerda ou à direita, e fazer a marcha-à-ré até encostar nele.

Aprender a andar com o Segway é facílimo. Fica-se só pensando em passar por buracos brasileiros...

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TECNOLOGIA BRASILEIRA
Brasileira detém patente de invenção
da primeira máquina alisadora de roupas do mundo

Aeromoça aposentada constrói alisadora automática de roupas que deve substituir o tradicional ferro de passar, inventado há mais de 400 anos.

No futuro, as próximas gerações estudarão nos livros de história que a invenção da máquina de passar roupa é de uma brasileira. O equipamento, que promete livrar as donas-de-casa de uma das tarefas do lar mais estressantes e chatas, economiza 65% no consumo de energia em relação ao método comum. Conhecida no meio cientifico como Alisadora Automática de Roupas, o equipamento foi desenvolvido pela Coll Projetos Engenharia e Tecnologia Ltda, empresa incubada no Cietec - Centro Incubador de Empresas Tecnológicas, situado na Cidade Universitária (USP).

A patente de invenção do equipamento já foi obtida pela aeromoça aposentada e arquiteta Célia Jaber de Oliveira e é válida por 20 anos. Depois de 18 anos de trabalho como comissária de bordo, Célia, que costumava desamassar roupas no vapor quente do chuveiro de hotel, decidiu junto com o irmão construir a primeira alisadora de roupa automática a vapor do mundo. O produto ainda está em fase de teste, mas o objetivo de seus inventores é de, tão logo fique pronto, tornar o produto popular.

Como nasceu a idéia
Certa vez, a aeromoça percebeu que as roupas penduradas no banheiro, enquanto o chuveiro estava ligado e as portas fechadas, podiam ser desamassadas com o vapor quente que saía da ducha. A partir daí Célia apostou na possibilidade de criar uma máquina de passar roupas que não dependesse do trabalho humano.

A idéia começou em 1995 num exemplo de como soluções caseiras também podem dar origem a inovações tecnológicas. A meta era desenvolver um equipamento que pudesse ser uma alternativa mais prática para a tarefa de passar peças de roupas e surgiu da necessidade da aeromoça de nas viagens utilizar roupas alinhadas.

"Fizemos os primeiros protótipos em casa, com plástico e alumínio, usando um gerador de vapor para saunas residenciais", conta Célia. "Funcionou tão bem que as amigas e vizinhas queriam passar roupa na minha casa". O protótipo da Alisadora Automática de Roupas é do tamanho de uma geladeira, com capacidade para 12 peças de roupa.

A máquina consiste em submeter as roupas a um fluxo contínuo de vapor saturado, de modo a obter o relaxamento e o alívio das tensões das fibras do tecido. A segunda etapa é a secagem por convecção forçada, com o objetivo de manter a microgeometria das fibras obtida no ciclo anterior.

O tempo de alisamento é de 35 a 40 minutos. A empresária estima que a versão comercial do produto, quando chegar ao mercado, custará entre R$ 600 e R$ 1.200.

Uma pesquisa realizada com 200 mulheres, de 25 a 50 anos, pertencentes às classes A, B e C foi realizada com o intuito de verificar a necessidade e aceitação de uma máquina com esta função. Os dados obtidos foram surpreendentes, pois a idéia de livra-se da tarefa de passar roupas e poupar tempo foi muito bem aceita.

Os dados mostraram que a tarefa passar roupas é considerada a mais desagradável; 55% das entrevistadas passam roupas pessoalmente, sendo que na classe C esta proporção sobe para 79%; 97% demonstraram reação positiva na aceitação do produto; e 84% das mulheres provavelmente comprariam o produto de imediato.

Ferro de passar atual foi inventado há 400 anos
Para Célia, "na atividade doméstica, o trabalho de passar roupas ainda exige tempo, esforço físico e manuseio constante do usuário, sendo considerada uma das tarefas mais desagradáveis e cansativas pela maioria da população". Todos os eletrodomésticos modernos são automáticos, mas o ferro de passar foi inventado há 400 anos e não evoluiu quase nada. "Só mudou do carvão para a tomada".

Segundo a inventora, o desenvolvimento de um produto de baixo consumo de energia elétrica, totalmente automatizado, com uma mudança na forma e no método de passar roupas, minimizando o tempo e o esforço do usuário, preenche uma lacuna existente no mercado e supre a necessidade da maioria da população. A empresária pretende negociar com empresas interessadas em fabricar o produto.

INVENÇÃO É UM DOS PROJETOS INCUBADOS NO CIETEC
A máquina é um dos destaques da lista de 160 produtos em desenvolvimento nos laboratórios do Cietec. A incubadora tem como objetivo oferecer supor técnico e gerencial necessário para que idéias como a de Célia possam se transformar em fonte de lucro. Graças a este apoio a Coll Projetos começou a se estruturar como empresa. "As incubadas têm de trabalhar pelos próprios recursos, mas ganham acesso a toda infra-estrutura de pesquisa da USP, do IPT e do IPEN, além de assessoria de marketing e jurídica do Cietec", explica Sergio Risola, gestor executivo do Cietec.

A alisadora de roupas desenvolvida pela Coll Projetos, Engenharia e Tecnologia tem mais ou menos as dimensões de uma geladeira e dentro devem ser penduradas as peças de roupas em cabides. O único trabalho da dona-de-casa será colocar e retirar as peças da máquina. "Ainda estamos em fase de testes sobre o desempenho da alisadora", ressalva Célia.

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