Mecânica Online
Tecnovidade
Edição 40 - Abril de 2003
Conteúdo básico

É MAIS QUE DEZ
Brasil sai da lista dos dez maiores fabricantes de veículos

O Brasil saiu do grupo dos dez maiores fabricantes de veículos do mundo. Segundo o relatório provisório da produção mundial de automóveis de 2002, feito pela Organização Internacional dos Fabricantes de Veículos (OICA), o Brasil ficou no 11º lugar no ranking dos maiores fabricantes de veículos do mundo, com uma produção de 1.792.660 veículos no ano passado.

Com este resultado, que representou uma queda de 1% na produção, o país caiu uma posição em relação ao ranking de 2001. Em 2002, o Brasil foi ultrapassado pelo Reino Unido, que produziu 1.821.084 veículos, um desempenho 8% maior que o obtido em 2001.

O maior destaque do ranking da OICA, porém, foi a China. O país saiu do oitavo lugar, em 2001, para a quinta posição, no ano passado. Em 2002, a China produziu 3.251.225 veículos, o que representou um crescimento de 39% em apenas um ano. Já nos primeiros lugares não ocorreram alterações. Os Estados Unidos, com uma produção de 12.274.917 veículos, mantiveram a liderança do ranking mundial dos países fabricantes de automóveis, seguidos pelo Japão e Alemanha.

VEÍCULOS BICOMBUSTÍVEL
Os desafios técnicos para os carros bicombutíveis
A moda no setor automotivo esse ano é o motor que funciona tanto com álcool, tanto com gasolina ou mesmo com a mistura. É a tecnologia Flexfuel.

Considerando o desenvolvimento tecnológico atual, as dificuldades técnicas concentram-se nas diferenças de combustível/ar, octanagem, consumo, torque e curva de destilação existentes entre a gasolina e o álcool, que exigem novas soluções.

Na relação combustível/ar, para um quilograma de ar, por exemplo, são necessários 70 g de gasolina contra 110 g de etanol. Essa relação, que é fixa nos sistemas convencionais, torna-se uma variável a ser medida ou inferida, para que os injetores trabalhem com banda de vazão mais ampla.

As soluções para contornar essa diferença incluem o uso de algoritmos de aferição da relação combustível/ar em substituição ao sensor da linha de combustível, sensores de oxigênio de ativação rápida (em conjunto com novas lógicas de inferição), injetores com maior banda linear de operação e bombas de combustível maiores, de baixo custo, além de linha de combustível sem retorno, de menor custo.

A diferença de octanagem, que no etanol é RON 108 e no gasohol fica em torno de RON 93, também gera uma dificuldade. Para o aproveitamento ideal, o motor teria de ter uma taxa de compressão variável, de 9:1 para a gasolina e de 12:1 para o álcool, o que, apesar de ser possível, não é viável para um produto comercial.

O uso de um sistema de controle de detonação ativo representa o melhor recurso para superar essa barreira e otimizar o uso de álcool e gasolina no mesmo motor. Além de reduzir o avanço da ignição para proteger o motor, ele permite também aumentar o avanço, procurando o seu ponto ótimo.

Quanto ao consumo, há uma diferença no calor de combustão: ele é de 44 kJ/g na gasolina e de 29 kJ/g no etanol. Em vista disso, os veículos a álcool apresentam menor autonomia e exigem tanques de combustível maiores.

Além disso, um motor na versão álcool fornece em torno de 10% mais torque que seu equivalente a gasolina e o conjunto motriz, de motor e transmissão, precisa atender a essa solicitação adicional de potência e ser adequado ao veículo. A aplicação de algoritmos modernos, baseados em controle de torque, pode evitar ações dispendiosas com novas transmissões ou outros mecanismos.

Curva de destilação - Por último, deve ser considerada também a diferença na curva de destilação: enquanto a gasolina apresenta uma progressão constante que varia com a temperatura, o etanol, por ser uma substância pura, apresenta uma curva de destilação em formato de degrau. Isso gera dificuldades na partida e dirigibilidade a frio, que crescem com o aumento do teor de etanol na mistura álcool/gasolina.

No mercado norte-americano, a solução adotada envolveu a parceria com os produtores de combustível para a distribuição de uma mistura no verão, com 15% de gasolina (E85), e outra no inverno, com 30% de gasolina (E70). Algoritmos que monitoram o teor de álcool e alertam o usuário quando a temperatura ambiente está baixa já foram aplicados e poderiam ser também uma solução para o Brasil.

Gás natural - Os veículos a gás natural apresentam como vantagens a alta octanagem, o custo reduzido do combustível, a oportunidade de seu abastecimento em casa, a disponibilidade de gasodutos para ampliação do abastecimento de gás natural, a existência de fontes nacionais e a redução do nível de emissões.

As desvantagens do gás natural incluem o número reduzido de postos de abastecimento (que também têm custo alto de instalação), o custo mais alto do veículo, sua autonomia e área de carga reduzidas e o aumento do peso e volume do tanque de combustível, que funciona com alta pressão.

Estudos constantes - A pesquisa de fontes de energia alternativas na Ford tem como centro global seus dois Laboratórios de Pesquisa Científica, em Dearborn, nos Estados Unidos, e em Aachen, na Alemanha, onde aproximadamente 1.300 cientistas, engenheiros e técnicos dedicam-se diariamente a antecipar as necessidades futuras dos consumidores, criando soluções inovadoras para superar os desafios técnicos e incorporá-las aos produtos e processos.

Esses estudos são alimentados, também, pelos centros de desenvolvimento do produto da Ford ao redor do mundo, que incluem as unidades instaladas no Brasil. O Campo de Provas de Tatuí e a Fábrica de Motores de Taubaté, ambos no interior de São Paulo, têm servido de base para importantes aprimoramentos locais que otimizaram o desempenho dos veículos Ford nas últimas décadas, tanto no que se refere à utilização de novos combustíveis como à redução do consumo e do nível de emissões. O desenvolvimento da tecnologia dos motores a álcool é um exemplo do sucesso desse trabalho.

MAIS BICOMBUSTÍVEL
Desenvolvimentos do Flexfuel começou há 11 anos

Quando os primeiros carros Flex Fuel começarem a rodar pelas ruas brasileiras, um projeto de 11 anos de pesquisa e desenvolvimento sairá dos laboratórios da Robert Bosch para se tornar uma realidade acessível a um grande número de pessoas. Para os engenheiros da Unidade de Sistema à Gasolina, responsáveis pelo projeto, os veículos que finalmente chegam aos motoristas brasileiros são motivo de orgulho.

"Essa é uma tecnologia desenvolvida por brasileiros, e que tem como principal benefício dar ao consumidor o poder de escolher qual combustível disponível no mercado ele deseja utilizar.

A escolha pode ter critérios como a variação de preço ou mesmo a resposta que ele quer ter do automóvel, mas o importante é que com o Flex Fuel ele tem a garantia de poder escolher entre estes combustíveis, sem danificar componentes ou prejudicar o desempenho do veículo", afirma Besaliel Botelho, Vice-Presidente da Unidade de Sistemas à Gasolina da Robert Bosch.

O Flex Fuel consiste em um novo conceito de injeção e ignição eletrônica no qual um software específico realiza de forma automática a adaptação de todas as funções de gerenciamento do motor para qualquer proporção de mistura de álcool e gasolina que estejam no tanque do automóvel, fazendo-o comportar-se como um original à gasolina ou um original a álcool, de acordo com a predominância de um dos dois combustíveis. A detecção da proporção de álcool presente na mistura é feita pelo módulo eletrônico, através do sensor de oxigênio.

A tecnologia começou a ser desenvolvida pela equipe de engenharia brasileira da Bosch em 1992, como resultado de pesquisas realizadas, a partir de 1983, para o desenvolvimento de componentes do sistema de injeção, em motores ciclo Otto, para trabalhar com álcool.

Em 1994, os engenheiros da empresa apresentaram no Congresso da SAE Brasil um resumo das pesquisas e os primeiros resultados conseguidos com o protótipo Omega 2.0. O carro, que tinha motor original a álcool, foi adaptado para o sistema Flex Fuel e rodou um total de 165 mil quilômetros, realizando testes até o ano 2000.

Além do Ômega, vários outros motores e veículos foram desenvolvidos pela Divisão de Sistemas Gasolina da Bosch e apresentados para montadoras, governo, setor alcooleiro e imprensa, demonstrando a viabilidade da tecnologia Flex Fuel. Exemplos são os dois veículos que a empresa apresentou durante o Congresso SAE 2002 - um Vectra com motor 2.2 litros, e um Polo com motor 1.6 litros - nos quais o público do evento pode testar o sistema.

Atualmente, além de trabalhar em lançamentos que ainda este ano estarão no mercado brasileiro, a equipe que desenvolveu o Flex Fuel também é procurada por especialistas de outros países interessados em conhecer de perto a tecnologia brasileira, entre eles o Japão e a Itália.

Mecânica Online & Imprensa Bosch

ENTREVISTA
Comprando diretamente dos Estados Unidos

             Entrevistamos diretamente dos Estados Unidos Vítor Schwamborn, da Alltech-On Tecnology para sabermos como realizar uma importação de uma peça de reposição ou mesmo performance para manter seu veículo atualizado.

1 - Para que tipo de necessidade
poderá ser utilizado o site da Alltech-on?
Atualmente os serviços da Alltech-On Technology compreendem o fornecimento de produtos comercializados nos EUA. Atuamos como exportadores e agentes de compra. Nosso sistema de atendimento é sob encomenda, prestando os serviços tanto ao consumidor final como para revendedores. Os produtos que trabalhamos são peças automotivas de reposição e performance, acessórios, ferramentas especiais, eletrônicos e instrumentação para indústria, laboratórios e hospitais. Peças de motores e acessórios para barco e instrumentos náuticos e aeronáuticos.

A legislação brasileira atual impede que Pessoa Física realize a importação e dá liberdade somente a Empresa Importadora devidamente regulamentada. Para que possamos atender nossos clientes no Brasil que não se caracterizam como Importadores, o grupo Shelter Enterprises Corp. , proprietária dos sites Askby.com da Alltech-On Technology, mantém escritório de importação em Florianópolis - SC para executar os processos alfandegários e liberação de cargas. Ainda contamos com os serviços de Transportadoras que executam a importação e entregam a mercadoria em S.Paulo.

2 - Para que tipo de veículo e ou produtos vocês vendem as peças?
Os veículos que podemos atender são àqueles de fabricação Americana ( Ford, GM, Dodge, Chrysler e Jeep), Japonesa (Mitsubishi, Nissan, Toyota e Honda) e Européia somente os clássicos ( Mercedez Benz, BMW, Porsh, Ferrari, Volvo e outros da VW como o Bettle, Passat e Golf ). Peças para veiculos antigos e algumas peças de veículos montados no Brasil que utilizam peças fabricadas nos EUA como o Jipe Troller. Podemos atender também peças e acessórios para o Fusca e peças para motocicletas e motores para barco (mariner).
Estamos pesquisando a possibilidade de fornecimento de peças para o motor do Ford Escorte de fabricação Argentina.

Os produtos que trabalhamos compreendem os eletrônicos de uso doméstico, computadores, notebooks, video games, máquinas fotográficas e filmadoras, GPS, radios amadores, radares e detectores de radares.

3 - Mas, quanto custa trazer uma determinada peça dos EUA e como é esse processo?
Após realizado o orçamento do preço da mercadoria, o comprador poderá escolher um dos 4 sistemas de envio. Estas escolha depende do tipo de mercadoria, quantidade, peso, volume, prazo de entrega e logicamente custos.

Como exemplo um par de amortecedores Koni Sport pesam aproximadamente 5 kg e custam na faixa de U$ 200.00. Se utilizar a transportadora o custo do frete aéreo até São Paulo é U$ 125.00 - inclui todos os impostos e desembaraços.
Se utilizar a transportadora o custo do frete marítimo até São Paulo é U$ 50.00 - inclui todos os impostos e desembaraços.
Há disponibilidade de enviar a mercadoria por Correio aéreo até a cidade do comprador no custo de U$ 76.00 (neste caso a fiscalização brasileira taxará o imposto. O imposto é de 60% do valor declarado na Nota Fiscal para toda mercadoria acima de U$ 50.00)
E há o sistema através de nosso escritório em Florianópolis, que no caso só poderá ser utilizado quando a carga for superior a 100kg.

4 - E como o comprador realiza o pagamento e em quanto tempo ele estará recebendo?
Para toda solicitação de orçamento é informado as condições de envio e a forma de pagamento.
Segue o padrão a baixo.

As condições de frete são as que seguem:
Via transportadora (carga consolidada) até S.Paulo, o custo do aéreo é de US$ 25.00/kg - entrega em 10 dias aprox. O custo do marítimo US$ 10.00/kg - entrega em 45 dias aprox. Neste custo de frete, estão incluidos Nota Fiscal, todas as taxas e desembaraço . De S.Paulo a outro destino o frete interno é pago no recebimento da mercadoria.
Via correios - custo é U$ 12.00/kg para um custo mínimo de U$ 28.00 entregue na sua cidade no prazo de 5 dias aprox. após o despacho de
Miami (sujeito a impostos sobre o valor declarado na nota fiscal). Para algumas peças podemos declarar valor a baixo de U$ 50.00 para isenção de impostos. Se taxado o imposto, incide em 60% no valor declarado.

Forma de Pagamento :
Se cartão de crédito (Visa/ Mastercard/ Amex), o formulário de Autorização de Débito em anexo a este e-mail deve ser preenchido e reenviado para nós via fax: 00211-954-975-5697, juntamente com a cópia do cartão e um documento de identidade.
Se Empresa de Remessa de Valores sugerimos ligar para UNO Money Transfer F: 000-811-0044391 (ligação gratuita e atendimento em português). Cobram U$ 30.00 para a remessa e nos pagam aqui no dia seguinte.

5 - O que vocês recomendam como
principal novidade no mercado americano para o nosso mercado?

Acreditamos que a carência do consumidor brasileiro em adquirir produtos de tecnologia existentes e serviços de qualidade seja maior do que novidades. Atualmente estamos formando parceiria com uma empresa revendedora de peças e despertou-se o interesse em adquirir chips de potência no que seriam antigamente grandes carburadores. Não é de hoje que sabemos que a eletrônica está cada vez mais presente no desempenho dos motores. Acredito que as novidades serão nesta forma tecnologia.

6 - A baixa do dolar facilita as compras?
O queda do dolar facilita um pouco as compras e nos deixa um pouco otimistas. Mas para o consumidor brasileiro isso representa muito pouco visto que o problema todo não está no dolar mas no congelamento dos salários.
Se usarmos o IPC indice usado para formar o preço do dolar no Brasil chegaremos a conclusão que o preço ficará cotado acima do que hoje o dolar está sendo negociado. Isto significa que o dolar está em excelente cotação. O problema está no salário.

7 - Caso a peça que o cliente procure não esteja no site,
existe alguma outra forma para ele comprar ou mesmo procurar por essa peça?

O serviços da Alltech-On Technology não se restritam ao website, o que queremos divulgar são alguns dos produtos e serviços que podemos fornecer antes de sermos uma loja virtual. O cliente tem a disposição qualquer outro website e revistas importadas que estão a disposição nas principais bancas no Brasil e Aeroportos. Ele pode solicitar por qualquer produto informando o endereço para que possamos pesquisar o preço.
Muitos revendedores e fabricantes nos EUA não possuem o serviço de exportação, pois o próprio mercado americano é suficientemente grande para comprar tudo o que é produzido aqui e ainda importar mais da China. Há algumas marcas de produtos e acessórios do automobilismo que possuem representação no Brasil. Ainda assim conseguimos fazer concorrência pagando todos os impostos e vendendo legalmente com Nota Fiscal.

Nosso projeto futuro é comercializar produtos Brasileiros aqui nos EUA, mas para isso precisamos encontrar bons investidores e também encontrar bons fabricantes, que tenham razoável capacidade industrial e equipe técnica para atender as normas técnicas e de segurança dos produtos norteamericanos. A não ser que forneçam matérias-prima.

Para conhecer o web site da Alltech-On visite: http://www.alltech-on.com/index-brasil.htm

Tarcisio Dias

CARRO DO ANO
Para os deficientes, Honda Civic é o carro do Ano 2002

Em pesquisa realizada pela Revista Nacional de Reabilitação, especializada para portadores de deficiência, leitores elegem o melhor carro de 2002. Referência para o mercado de produtos e serviços para o PPD´s, a eleição do Carro do Ano já se tornou tradição entre os leitores da revista. Para escolher o melhor veículo, a revista promove uma vasta pesquisa para saber qual o melhor carro brasileiro do ponto de vista dos consumidores com deficiência.

Segundo o diretor, editor e criador da revista, Rodrigo Antonio Rosso,“a pesquisa também serve como referência para as montadoras e revendedores, que norteiam seus planos de vendas, marketing e comunicação, em função do que o consumidor aponta nas preferências citadas”.

A pesquisa para eleger o melhor modelo em 2002 foi realizada entre os meses de setembro e dezembro de 2002, com formulários encartados dentro da própria revista. São avaliados critérios como beleza, tecnologia e acessórios, conforto e dirigibilidade, acessibilidade e transferência e espaço interno e porta-malas, entre outros, além do atendimento na rede concessionária.

Pela quinta vez consecutiva, o Honda Civic foi eleito o “melhor carro para o portador de deficiência”. O modelo vem, a cada pesquisa, revelando-se como um campeão na preferência de PPD´s. Desde a primeira edição da pesquisa, em 1998, ficou clara a relação de confiança entre o público portador e a montadora.

Também repetindo a sua colocação na última pesquisa, o Mercedez-Benz Classe A ficou em segundo lugar, ao lado da grande novidade do mercado automobilístico de 2002, o novo Toyota Corolla. Confira abaixo o resultado completo da pesquisa:

1º - Honda Civic
2º - Classe A/ Novo Corolla
3º- Corsa Sedan
4º - Zafira/ Parati
5º - Astra / Golfi/ Audi A3
6º - Dobló/ Picasso
7º - Peugeot 206/ Palio Weekend
8º - Santana
9º - Palio
10º - Marea/Focus
11º - Outros (Gol, Scénic, Berlingo, etc)

 

SALÃO DE GENEBRA
Nos Salões internacionais, motores turbinados são destaque

A tendência da sobrealimentação de motores foi o destaque nos principais salões internacionais realizados este ano, como os de Detroit e Genebra, duas das mais tradicionais exposições do setor automotivo mundial. A maioria dos modelos esportivos, cupês e até sedãs de luxo apresentados pelas principais empresas comprovaram a tendência mundial da turboalimentação, neste início de século.

Para Celso Samea, diretor de Engenharia da Garrett do Brasil, o grande número de automóveis equipados com turbo observado em Genebra confirma as previsões da empresa sobre a ampliação do uso desse recurso para a alimentação de motores. Samea explica que as pesquisas realizadas pelos laboratórios da Garrett demonstram a tendência da sobrealimentação, cujas vantagens principais são o "Downsizing", que é o uso de motor de menor tamanho, liberando espaço no compartimento destinado ao conjunto mecânico; melhor desempenho, com vantagens em torque e potência; economia de combustível e redução nas emissões de gases que agridem o meio ambiente e, principalmente, a camada de ozônio que protege o planeta.

Entre as novidades de Genebra, a Opel (divisão européia da GM), apresentou o Signum Speedster Turbo, com motor 2,0 litros, da família Ecotec. Alimentado por sistema Garrett, tem potência de 200 cv. A velocidade máxima do Signum Speedster Turbo é de 230 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos.

A DaimlerChrysler mostrou o novo Mercedes-Benz CL 65, o mais potente modelo desenvolvido até hoje pela divisão esportiva AMG. Com duas turbinas, o motor V12, de 6,5 litros, tem 612 cv, que permite ao carro acelerar de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos. Também mostrou o PT Cruiser GT, da Chrysler, com motor turbo com 2,4 litros.

Esse mesmo recurso tecnológico foi utilizado pela Audi, no Nuvolari quattro, que homenageia o ex-piloto italiano, Tázio, um estudo baseado no A8. Trata-se de um cupê de quatro lugares, com motor V10 biturbo FSI de 5 litros, derivado do Lamborghini. É um modelo equipado com câmbio Tiptronic (automático) de seis marchas, que acelera de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos.

A Audi apresentou, ainda, o utilitário-esportivo Pikes Peak quattro, com nome de uma montanha rochosa do Colorado. Seu motor V-8, com 4,2 litros, já testado no RS6, é alimentado por um biturbo e tem torque de 54 kgfm e potência de 500 cv, suficientes para atingir 100 km/h em apenas 5 segundos – recorde entre os veículos da categoria - e à velocidade máxima de 250 km/h, limitada eletronicamente. O segredo desse aumento de potência está na injeção direta de combustível, princípio que ajudou o tricampeonato da Audi em Le Mans e que logo chegará aos modelos da marca.

COLECIONE - NÚMERO 3 E 4
Os mais inovadores do mundo
Continuando sua coleção mais dois veículos da coleção os mais inovadores do mundo

Lancia Lambda (1908-1927)

A invenção do chassi monobloco

Vicenzo Lancia foi um grande inovador e a sua principal obra foi o Lancia Lambda, um modelo equipado com um motor muito compacto com quatro cilindros em "V" ­ uma estrutura original na época - com 2,2 litros de cilindrada. Inspirado pela rigidez dos cascos dos barcos, ele criou o primeiro chassi monobloco a que se referiu como "casco de aço". Além disto o Lancia Lambda contava com uma suspensão dianteira de rodas independentes que ia contra o princípio do eixo-rígido comum aos automóveis daquele tempo.

Citroën Traction (1934-1957)

A descoberta da tração dianteira

Os automóveis de André Citroën tinham uma reputação de solidez e confiabilidade, sem primarem pelo vanguardismo tecnológico até que surgiu o Traction. Este modelo deve o seu nome à sua tração dianteira que "puxavam" o veículo em vez de "empurrar". Além desta revolução o Traction contava ainda com uma carroçaria monobloco que contrastava com o chassi e a carroçaria separados, um solução adoptada pela generalidade dos construtores europeus. O sistema de suspensão abandonou o tradicional esquema de lâminas para apresentar barras de torsão.

SEGURANÇA E ECONOMIA
Pastilhas e lonas de freios vão durar mais

A partir do segundo semestre, diversos modelos serão equipados com pastilhas e lonas de freios que podem durar até 70 mil quilômetros. Com os novos componentes, as trocas de peças dos freios poderão ser feitas no dobro do tempo de uso normal. Esses e outros produtos para freios serão algumas das novidades que serão apresentadas no 6º Colloquium Internacional de Freios & Mostra de Engenharia, em Gramado (RS), entre os dias 7 e 9 de maio.

Segundo Flávio Marcon, um dos organizadores do evento, promovido e realizado pela SAE Brasil, explica que o desenvolvimento de diferentes compostos e mudanças nas variações de tamanho das peças possibilitaram esse aumento na durabilidade dos produtos. "Com os novos componentes, os proprietários de veículos vão trocar de carro antes mesmo de substituir as pastilhas e lonas, algo não imaginado há bem pouco tempo atrás."

Outras mudanças importantes foram a adoção de discos de freios ventilados e pastilhas com até 50 cm² de área de contato no lugar dos discos sólidos e pastilhas de 25 cm², que equipavam os automóveis na década de 80 e 90. Ainda segundo Marcon, "com isso, o espaço médio de frenagem foi reduzido e o período de troca saltou de, em média, 10 mil a 15 mil quilômetros para 60 mil a 70 mil km."

COLECIONE - NÚMEROS 3 E 4
Os mais rápidos do mundo
Continuando sua coleção mais dois veículos da coleção os mais rápidos do mundo

Chevrolet Corvette

O Chevrolet Corvette é um dos ícones da indústria automotiva americana. A primeira geração deste modelo surgiu em 1953 como forma de responder à invasão de automóveis esportivos europeus que conquistaram o mercado americano.

Quase meio século depois, o Corvette vai na sua quinta geração, nascida em 1997. Um ano depois a gama passou a contar com um novo cabriolet e em 1999 foi a vez de ser apresentado um coupé conversívell (tipo Targa).

Equipado com um imponente motor V8 de 5665 cc de cilindrada que garante uma potência de 350 cv, o Corvette tem sido recuperado pela General Motors, que tem vindo a apostar nele como um veículo de competição na tentativa de dar luta ao bem sucedido Chrysler Viper.

Velocidade máxima: 281 km/h
Aceleração: 0 a 100 km/h: 4,7 s
Potência: 350 cv
Peso: 1470kg
Relação peso/potência: 4,2 kg/cv

Lamborghini Murciélago

O novo Lamborghini chama-se Murciélago ­ Morcego em espanhol. Adaptou o nome de um touro de liderança que é apontado como início na origem da raça Miura. Projetado e desenvolvido por engenheiros da Audi, marca que passou a controlar a empresa fundada por Ferruccio Lamborghini, prima pela pureza do design, feita de linhas suaves, onde elementos aerodinâmicos como as tomadas de ar para os radiadores estão camufladas no pilar traseiro, erguendo-se quando a velocidade ou a temperatura aumentam.

O motor V12 de 6.192 cc e 580 cv de potência que permite ao Murciélago chegar aos 330 km/h e passar de 0 a 100 km/h em meros 3,8 segundos, tem por base o bloco que surgia no Diablo, tendo sido totalmente reformulado pelos engenheiros italianos.

Velocidade máxima: 330 km/h
Aceleração: 0 a 100 km/h: 3,8 s
Potência: 580 cv
Peso: 1650 kg

C O L E C I O N E
3 - CHEVROLET CORVETTE
4 - LAMBORGHINI MURCIÉLAGO
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SÓ ANO QUE VEM
Toyota lançará seu 2º carro brasileiro no início de 2004
A Toyota pretende lançar no início de 2004 o seu segundo carro de passeio nacional. O modelo, batizado de Fielder, é a versão caminhonete do sedã Corolla. A Toyota apresentou um protótipo do Fielder no Salão do Automóvel de São Paulo de 2002 para fazer um estudo de aceitação.

Por meio de pesquisas com visitantes do evento e com consumidores potenciais, a montadora achou que a caminhonete seria bem-aceita no mercado e, por isso, decidiu produzir o carro na sua fábrica em Indaiatuba, São Paulo, onde já é feito o Corolla.

A Toyota estuda iniciar a produção de um terceiro carro brasileiro até 2006. O modelo, porém, ainda não foi definido.

SEGURANÇA, CONFORTO E REDUÇÃO NO CONSUMO
Novas tecnologias realizam o sonho do motorista

Na luta incessante para proporcionar segurança, conforto e redução de consumo de combustível, assim como desempenho e eficiência aos veículos e, principalmente, a preservação do meio ambiente, as empresas automotivas realizam vultosos investimentos em tecnologias, mantêm pesquisadores em permanente atividade e dedicam-se a estudos e testes em laboratórios e campos de provas.

O Salão de Genebra, um dos mais tradicionais da Europa, mostrou uma série dessas tecnologias, algumas já em utilização e outras que irão tornar, muito brevemente, o automóvel no instrumento de sonhos para os usuários de todo o mundo.

Como resultado dessa busca permanente, hoje, já é possível a segurança de air bags frontais e laterais combinados com o programa de retenção, motores bicombustíveis ou movidos a hidrogênio, equipamentos de navegação que facilitam a condução de motoristas por locais que desconhecem e uma série de recursos impensáveis há até poucos anos.

Cada vez mais, o câmbio CVT - A cada ano, aumenta o número de automóveis equipados com o sistema de transmissão CVT (transmissão continuamente variável), basicamente composto por duas roldanas. Uma, ligada à saída do motor (funcionando como coroa) e a outra à transmissão (funcionando como pinhão), para acionamento das rodas motrizes.

Uma correia metálica une a coroa ao pinhão que, em função da rotação do motor, abrem-se e fecham-se, permitindo a movimentação do automóvel sem os trancos comuns das transmissões mecânicas ou automáticas. Mais compactas, ocupam menor espaço no compartimento do motor e também são mais leves, contribuindo para a redução de peso dos veículos.

Suas características também permitem melhor desempenho e economia de combustível. A ZF é uma das empresas que investem em pesquisas e desenvolvimento do sistema CVT.

Estrutura hidroformada - Em vez de chapas estampadas e soldadas, tubos de aço moldados mediante a injeção de água por alta pressão. Essa tecnologia já é aplicada pela Dana Corporation no SUV Lincoln Navigator e na pick-up F-150, e proporciona maiores eficiência produtiva, resistência estrutural e menores peso e NVH (ruídos, vibrações e asperezas).

Com turbo, motores menores e menos poluentes - Com o emprego de carcaças de turbina divididas e associadas à injeção direta, a tecnologia da turboalimentação de motores vai contribuir para o processo de "downsizing" (uso de motores menores) no mercado europeu nos próximos três anos. Com essa tecnologia, a Garrett - maior fabricante mundial de turboalimentadores - desenvolve um motor de 2.0L que vai gerar cerca de 220 Nm (22 kgfm) de torque, a apenas 1.250 rpm, o que corresponde ao aumento de 38% do torque nessa faixa de rotação, contribuindo para a fácil movimentação do veículo. Isso significa que motores pequenos poderão ser usados em carros maiores e mais pesados, com grandes vantagens em segurança, economia de combustível e redução do nível de emissões.

Atuadores elétricos (já usados em motores a diesel em carros de passageiros na Europa), turbo de dois estágios, "by-pass" no coletor de escape e turbos com operação em temperatura de 1.000°C na entrada da turbina são outras tecnologias com breve utilização em grande escala pela indústria automobilística.

Monitoramento por satélite - O monitoramento do funcionamento de todos os componentes do motor e dos sistemas a ele interligados é a tecnologia em desenvolvimento pela International Engines South America, maior fabricante de motores a diesel do Mercosul. Essa tecnologia está em estudos simultaneamente ao novo motor eletrônico e de injeção "common rail" que a empresa pretende lançar no mercado brasileiro no próximo ano.

A tecnologia de monitoramento vai facilitar que os sistemas de diagnose das redes de assistência técnica dos fabricantes do motor e do veículo, acompanhem o funcionamento do motor e de outros sistemas do veículo a ele interligados e realizem correções imediatas com a ajuda de recursos eletrônicos. O monitoramento via satélite também vai transmitir informações de acidentes que venham a ocorrer com o veículo, por intermédio da central de comando.

Segurança dos faróis direcionais - Alguns automóveis importados e outros com lançamento previsto para este ano contam com faróis direcionais, que ampliam a área de iluminação e o direcionamento do foco das luzes. Por intermédio dessa tecnologia, os faróis direcionam a iluminação assim que o motorista acionar a seta indicativa de direção e girar o volante.

O Grupo Valeo já trabalha com os fabricantes de veículos para a utilização desses revolucionários faróis, com o objetivo de antecipar o seu lançamento no mercado brasileiro.

Pintura de chapas antes da moldagem - A obsessão pela eficiência está levando a engenharia automotiva a desenvolver um processo de tratamento de chapas, aplicação de "primer" e pintura antes da fase de estampagem. Na fase atual do processo, existem dificuldades a serem vencidas em algumas operações de estamparia, que podem afetar a pintura e constituir-se numa futura fonte de corrosão. Outro obstáculo a ser superado é a extremidade da chapa, após o corte.

Mas especialistas do setor explicam que, no momento, essas chapas podem ser utilizadas em partes não visíveis dos veículos e que dentro de alguns anos as dificuldades serão superadas e o novo processo utilizado sem restrições.

Pára-brisa anti-embaçante e outras tecnologias - A Saint-Gobain Sekurit, uma das maiores empresas mundiais de vidros automotivos, fabrica uma série de produtos que começam a ser aplicados em automóveis de luxo, como pára-brisa anti-embaçante e acústico, vidros laminados para as janelas laterais, e o "Aquacontrol", que evita o acúmulo de água.

Já trazidas para o Brasil, estão em testes por algumas fábricas de veículos. Os produtos constituem-se em uma verdadeira revolução no uso do vidros em automóveis que, dos 2m2 utilizados nos modelos produzidos nos anos 50 já atingem mais de 5m² nos atuais, além dos diferentes formatos e tonalidades que contribuem para ampliar o visual automotivo.

 

PRÓXIMA CENA
Segundo carro nacional
da Citroën chega ao mercado em junho

A empresa francesa Citroën vai começar a vender o C3, seu segundo carro feito no Brasil, em junho. O modelo compacto, que disputa o mesmo segmento de carros como Volkswagen Polo e Ford Fiesta, está em produção desde janeiro na fábrica do grupo PSA Peugeot Citroën em Porto Real, no Rio de Janeiro.

A Citroën vem fazendo um estoque do carro para, na época do lançamento, ter condições de atender aos pedidos de todas as suas concessionárias. O automóvel será equipado com motor 1.6 16v, também feito em Porto Real, com 110cv de potência.

Segundo a Citroën do Brasil, o preço final do veículo ainda não foi definido, mas a previsão é de que custe entre R$ 30 mil e R$ 35 mil. A montadora pretende vender 8 mil unidades do C3 ainda em 2003.

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