Mecânica Online
Engenharia
Edição 44 - Agosto de 2003
Conteúdo básico

ADMINISTRAÇÃO
Tecnologia e Mercado - Parte 1/3

PAULO POYDO

Várias tendências, modismos, processos revolucionários e/ou temporários vieram e passaram, deixando marcas ou não, mas permitiram mentes abertas e oportunidades para o recebimento de outras novidades. Reengenharia, downsizing, racionalização, globalização e tantos outros nomes e rótulos, marcaram e ainda marcam as vidas dos empresários e trabalhadores, obrigando a cadeia produtiva a repensar seus conceitos. Porém, uma constante, acima de todas as verdades, que permanece e se desenvolve a cada dia, é a prestação de serviços.

Mesmo com toda a tecnologia que permeia nossas vidas, a automação industrial crescente e a velocidade com que as coisas e conceitos caem na obsolescência, nada conseguiu tirar de cena a necessidade de prestação de serviços.

Todo esse universo de inovações tecnológicas são ferramentas que permitem agilidade ao serviço, mas não o substitui. A década de 90 instaura o poder do máximo conhecimento e da troca de informações, fixando os parâmetros para o novo milênio: parcerias e eficiência.

A nova conjuntura econômica coloca o cliente no pedestal e exige que empresas e instituições tenham flexibilidade e versatilidade, quase que instantânea, para atender às novas e diversificadas demandas de mercado.

Para atingir este patamar precisamos mudar interiormente! Unir forças, governo, escolas, centros de formação profissional, universidades, empresários, enfim, todos engajados na mudança e de olho no mercado. Precisamos ousar.

O caminho se inicia na renovação da educação profissional, criando currículos flexíveis e adequados ao pedido do mercado. É complexo? Sim, mas não impossível. É preciso começar uma revolução em prol da competitividade das empresas, empregabilidade dos trabalhadores e o sucesso e reconhecimento de nossas instituições de ensino.

O processo produtivo passa por mudanças que afligem o mercado, colocam todos os envolvidos com a cadeia produtiva em cheque e nos obrigam a buscar no futuro as soluções para o presente.

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Tecnologia e Mercado - Parte 1/3

PAULO POYDO

Continuação - Página 2

A busca de maiores índices de lucratividade impulsiona as montadoras para a automação industrial; hoje se admite um patamar de 65% de automação nas chamadas autofab - automated fabrication. A fábrica da VW, em Wolfsburg na Alemanha, que produz o Golf, já opera nestes padrões. Será o fim das fábricas e da mão de obra? O que será do mercado reparador? Viveremos a lei da mordaça e/ou a ditadura da manipulação da informação?

Citando Walter Block, autor de Defending the Undefendable, ed. Fox & Wilkes: "A fábrica do futuro terá apenas dois operários: um homem e um cachorro. Função do homem: alimentar o cachorro. Função do cachorro: não deixar o homem tocar nas máquinas ".

Precisamos rever valores de mercado, repensar o negócio, buscar a melhoria contínua.

A tecnologia hoje nos oferta a produção sem emprego, onde o grande drama é que a economia precisa do consumo para se manter e o consumo só existe com pagamento de salários. Inventar o consumo sem salários parece-me algo intangível de acontecer. Não devemos encarar os progressos tecnológicos com apreensão e sim com compreensão; isso facilitará a nossa vida.

Tecnologia é a arte desenvolvida para otimizar processos, agregar valor ao produto ou serviço, solucionando problemas. Líder que é líder não se conforma com a mesmice: ou é um transgressor do convencional, ou busca uma nova ordem para os fatos e as coisas. O momento é de aprender a aprender, pois reaprender o seu ofício é mais do que uma habilidade, é um fator, uma atitude.

Dentro de todo o problema existe a chave para a solução. O mercado almeja um profissional de talento único, pois nenhuma máquina poderá ser comparada à criatividade humana. Desde os primórdios da criação, do fogo à roda, toda nova descoberta ou conquista de tecnologia resolve um problema antigo, criando dois novos.

Não existe nada que façamos bem que não possa ser melhorado. Isto se chama evolução.
Evolução é palavra de ordem, chave para o sucesso, o elemento surpresa. Mesmo nas tarefas rotineiras podemos implementar um caráter evolutivo, esmerando o trabalho executado e sentir prazer com os resultados. Hoje não fazemos sucesso apenas com bons salários, é necessário um engajamento com as diretrizes da empresa, buscando a repartição do sucesso entre todos.

O conhecimento adquirido é uma alavanca para sobrepujarmos as dificuldades diárias de maneira eficiente, melhorando resultados. O profissional da reparação não é um mero vendedor de serviços, é um orientador e fiscalizador dos critérios de segurança do veículo e do usuário; por isso, não basta conhecer as novas tecnologias, é preciso ter a mente aberta e arejada, ser arrojado no seu empreendimento. Em suma, ser diferente de um outro alguém do ramo.

Não podemos mais olhar para a oficina do bairro vizinho somente como concorrente, um aliado nas dificuldades. Precisamos mudar esta forma de pensar, formando grupos de discussão, associações de compras, discutir as leis que falam a nosso respeito e influenciam o nosso dia a dia.

Parece utopia, mas o mercado carece deste tipo de profissional e oficina. O mercado reparador continua com a cara dos anos 50/60, onde a experiência falava mais alto e o aprendizado era na marra e com muito sofrimento na prática.

Hoje, com a menor demanda de serviços, aliada aos novos implementos de gerenciamento eletrônico e conforto, o automóvel se sofisticou; quebrando menos, visita menos à oficina. Toda esta visão sombria faz com que o reparador empresário sinta-se numa encruzilhada: investir para crescer ou sumir. Só haverá melhoria no atendimento e, por conseqüência, maior volume de clientes, se houver conhecimento tecnológico, conhecimento do nicho de mercado em que se deseja atuar e um plano de diretrizes para investir certo (máquinas, aparelhos e instrumentos). Precisamos parar e repensar o negócio.

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Tecnologia e Mercado - Parte 1/3

PAULO POYDO

Quando se fala em símbolo de malandragem, picaretagem ou qualquer outra...nagem, da vida, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a figura do mecânico (a segunda opção é a figura do advogado) - sempre sujo, expressando-se muito mal, o eterno malandro, sempre pronto a passar a perna naqueles que nada sabem sobre automóvel, restando aquele ar no semblante das pessoas de pura desconfiança e incredulidade. Até os meios de comunicação e propaganda utilizam-se deste recurso.

Somente vejo isto no Brasil, nunca vi nada igual, em nenhum lugar do mundo e com tamanho peso discriminatório - racial e tecnológico. Uma especialidade profissional de nível técnico não pode ser tratada desta maneira. O nosso silêncio e a nossa omissão fortalecem a questão.

Em qualquer outro país, a profissão de mecânico é cercada de normas e regras, fiscalizadas pelas prefeituras e entidades ligadas ao setor automobilístico, posso citar como exemplo, os EUA, Itália, Inglaterra, Austrália, França, que normalizam e cobram qualidade e responsabilidade dos profissionais envolvidos, apenas uma ilustração de como poderíamos copiar algo de bom que vem lá de fora!. Lá as leis são para serem cumpridas e não para adornarem a sociedade, tudo é feito por respeito ao cidadão.

Este achincalhe é uma ilegalidade, é imoral e desnecessário, sugeriria ser coibido pelos órgãos de fiscalização de propaganda. Por que não são utilizadas como exemplos as seguintes carreiras: deputados, senadores, ministros, militares e tantos outros exemplos diários de achincalhe nacional?

Em Pindorama, aqueles que não deram certo em nada, foram atirados à mecânica, como alternativa para não queimar na chama do inferno. No Brasil do ano 2000, o tema é profissionalizar. É questão de ordem. As escolas devem estar preparadas para não somente repassar uma profissão, mas ensinar, fornecer padrões éticos de conduta, oferecer condições para que o indivíduo pense, com lógica e lucidez, pois isto é dar cidadania. O mercado agradece.

O profissional precisa conquistar novos clientes/parceiros sem perder os antigos, pois os nossos antigos clientes também evoluíram.

Dentro da cultura automotiva, onde o aprendizado era passado de pai para filho, assim como a estrutura do negócio, a figura do conhecimento e da especialização sempre foi alvo de duras críticas, pois sempre se apontava a baixa rentabilidade como justificativa e impedimento. No mercado atual, onde investir é motivo de peregrinação aos órgãos de financiamento, muitas vezes sem sucesso, surge uma maneira de investir sem enlouquecer. Surge a parceria com os fabricantes (montadoras, autopeças, aparelhos e instrumentos) - as BANDEIRAS DE FÁBRICA - parcerias que vêm para fortalecer a imagem de ambos, fornecendo o suporte necessário para a boa execução dos serviços prestados.

Ainda neste nicho, enfocando a questão treinamento, é de suma importância para o setor que seja reaparelhado o sistema S (SENAI e SESI) de forma a voltar a formar mão de obra com qualidade, como nos 70 e 80; o profissional precisa encarar o treinamento não como despesa e sim como investimento.

O saber nos pertence até o fim dos nossos dias e a única maneira de manter-se firme e dentro deste mercado competitivo que nos cerca é vestir a idéia da atualização constante. A figura do profissional que faz de tudo um pouco, o generalista, está cada vez mais defasada (esta aparência de "bombril - 1001 utilidades" já não cabe no mercado de hoje). É necessário para o reparador pensar em especialização, abraçar uma linha específica (que é uma maneira de reduzir o peso do investimento), pois o volume de informações é grandioso e requer muito do profissional para obter bons resultados.

Ao término dos anos 90, surgem as tábuas de salvação do mercado reparador nacional, que são a MANUTENÇÃO PREVENTIVA e a INSPEÇÃO VEICULAR, que juntas podem ser traduzidas como entrada de recursos (dinheiro, rotatividade e capacitação) nas oficinas, especialização profissional, resultando em trânsito ágil e seguro. É a responsabilidade sendo dividida por todos os usuários de automóveis deste país.

A introdução da ASE em nosso país deu um ar de seriedade e competência, precisa de maior divulgação, porém ainda é pouco. Precisamos melhorar a escola básica, dar seriedade ao ensino médio, profissionalizar esta nação. Temos uma grande quantidade de acadêmicos e esquecemos de que o capítulo manutenção está encravado, presente em nossas vidas, em tudo que realizamos. Somente com boa formação o mercado reparador voltará aos níveis de outrora e o vento da mudança soprará sem cortar almas e empregos.

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Tecnologia e Mercado - Parte 1/3

PAULO POYDO

1.O SUCESSO (VEM) DA MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Todos nós, desde pequenos, somos bombardeados por todos os lados por várias mensagens e conselhos com o intuito de nos prepararmos o melhor possível para o futuro que nos espera.

Mais tarde iremos repeti-los intactos para as outras pessoas de nosso convívio. Um deles nos diz que "prevenir é sempre melhor que remediar". Mas cabe perguntarmos a nós mesmos sobre por que não seguimos sempre essa máxima que tanto ouvimos e falamos ?

As respostas estão dentro de nós que fazemos parte deste universo de apaixonados pelo automóvel. Devemos ter em mente que a manutenção preventiva é um lucro coletivo, todo o mercado ganha, uma vida e um trânsito mais seguro.

A realidade é assustadora. No Rio de Janeiro temos um trânsito que se locomove com uma velocidade do tempo das diligências do velho oeste americano. Muitos veículos parados por falta de manutenção e mais despesas para a sociedade.

Segundo os dados do DETRAN - RJ temos a seguinte configuração do caos urbano carioca:

- 1.687.555 de veículos no município do Rio de Janeiro;
- 5,850 milhões de habitantes da cidade;
- Mais de 4 milhões de viagens em trens, metrô, carros e ônibus são feitos regularmente no Rio;
- Na cidade do Rio de Janeiro operam 399 linhas de ônibus;
- 850 em cada mil moradores da Barra da Tijuca têm carro;
- Nos bairros da Gávea e do Jardim Botânico, há 749 carros por mil moradores.

Não são concebíveis os dados de que tenhamos um mercado reparador a beira do caos com estes números. Só falamos da Cidade do Rio de Janeiro como exemplo.

O momento é de investir em cultura automobilística e manutenção preventiva. Esta é a saída!

Prevenção é um padrão de Cultura, um comportamento internalizado, como aquelas coisas que fazemos quase sem perceber.

Estarão então os "imprevidentes" condenados desde o berço? Felizmente temos a capacidade de incorporarmos um novo padrão cultural em qualquer momento de nossas vidas, bastando para isso termos Vontade, Perseverança e Método.

Mudar é sempre penoso, manter um padrão cultural é mais cômodo, é uma tarefa um pouco mais difícil do que pensar em mudar. Mas o resultado é altamente gratificante para quem o consegue.

A tarefa do Gerente de Oficina nesse processo é a do líder, do educador, aquele que fará com que cada um dos envolvidos se convença das vantagens dessa mudança. Todos os agentes devem ser sensibilizados e estimulados a adotar esta nova mentalidade: os profissionais técnicos, os não-técnicos e os clientes.

É preciso agir sobre os seus profissionais, tornar-se um multiplicador, treiná-los, ensiná-los a oferecer ao cliente o serviço mais adequado às suas necessidades.

É preciso divulgar e informar ao cliente uma série de novos padrões de comportamento na conduta do seu veículo e de sua própria qualidade de condução, convencendo-o de que ganha sempre quem age antes de seu veículo apresentar problemas.

E não apenas os funcionários devem ser treinados, o próprio gerente terá sempre muito a ganhar ao procurar se reciclar, estar sempre aprendendo, de "antena ligada", freqüentando palestras ou cursos que o mantenham atualizado sobre as melhores maneiras de gerenciar a sua oficina e levar a qualidade ao cliente, sem que para isso tenha que se pagar mais caro por este grandioso detalhe.

Com o crescente emprego de componentes cada vez mais complexos e de alta tecnologia nos automóveis nacionais e importados que habitam nosso mercado, entre os quais citamos a injeção eletrônica e as ignições mapeadas, os equipamentos de segurança veicular, como sistemas de freio ABS, Air Bag e etc. o profissional da reparação foi impelido a retornar à sala de aula, buscar a figura do treinamento, à procura dos conhecimentos perdidos, necessários ao desenvolvimento ao desenvolvimento da sua atividade profissional. Surge a figura do especialista dentro do mercado reparador! Todos passam a ter figuras muitas bem definidas, por conseqüência, sobra muito pouco tempo para dedicação e desenvolvimento das tarefas especificamente voltadas à administração da oficina.

Por outro lado à figura do gerente não pode se dar ao luxo de envolver-se em áreas de competência exclusiva desses profissionais. O que se espera do gerente?

Um novo quadro se delineia. As necessidades de um líder empresarial, um conquistador e mantenedor da qualidade de atendimento aos clientes, enfim, um gestor!

O gestor automotivo ocupa-se integralmente com a administração da sua empresa e, portanto, precisa manter constante a reciclagem de conhecimentos neste campo. Seu universo de atuação abarca vários pontos da Administração Financeira, dos Procedimentos Contábeis e das modernas tecnologias e Ferramentas da Qualidade e Produtividade.

O gerente não deve concentrar-se somente nas questões de formação de preço do serviço, levando em conta a carga tributária incidente, as diversas despesas necessárias à manutenção do seu negócio, manter os preços dentro de uma ótica competitiva, mas observar o mundo que gira ao seu redor.

O preço do serviço ainda é uma questão de peso, porém, não é mais o fator decisório no momento da escolha do estabelecimento reparador.

Outras questões surgem na visão do cliente, tais como: o ambiente, o atendimento, as facilidades na forma de pagamento, outros valores agregados e etc. Será que você está preparado para este novo cliente exigente e consciente dos seus direitos?

Pense nisso!

A sobrevivência - dependendo do foco do negócio, por exemplo às retíficas de motores, temos as certificações do IQA - Instituto de Qualidade Automotiva - que será outra forma de separar o mercado aventureiro do mercado competente e correto.

Uma empresa que possui um programa efetivo de qualidade tem uma poderosa ferramenta de marketing, pois pode assegurar à sua clientela que seu veículo encontra-se em boas mãos. Somente desta forma seu estabelecimento poderá transformar clientes esporádicos em clientes fiéis. O resultado desta equação é a conquista da confiança. Somente um serviço de qualidade assegurada poderá agregar estes valores a sua empresa.

Conhecer as normas técnicas referentes ao mercado reparador automotivo - ABNT/NBR 14481 e 14482, em particular - e utiliza-las é outra forma de diferenciar o seu negócio, justificando o seu preço e a sua conduta profissional. Estas normas visam padronizar a forma e os meios para a realização de reparos automotivos. Mas para que tudo isto aconteça é preciso mudar a forma de encarar o mercado reparador.

É preciso mudar a metodologia de profissionalização de nosso mercado, ensinar profissionalização não é somente passar conceitos básicos, é fazer com que o aluno tenha o hábito de pensar, que possa agregar valor ao que já foi aprendido. É fundamental atentar para o uso das novas tecnologias de informação e comunicação (multimídia, hipertexto, internet, intranet) que flexibilizam o aprendizado e o âmbito formativo, impondo ao aluno a construção do conhecimento. Paralelamente, as montadoras devem se empenhar em acabar com as caixas pretas da informação tecnológica, um estímulo à pilhagem de idéias e à cultura da informação velada, obtidas através de formas não muito honestas.

Restringir o acesso aos protocolos eletrônicos é um ato de restrição ao direito de opção, venda casada (aquisição do veículo em conjunto ao serviço), uma atitude que fere a livre concorrência e rivaliza os reparadores independentes e os serviços autorizados. Já pensaram na hipótese de um país com mais de 10 montadoras, poucas concessionárias e centenas de reparadores independentes multimarcas, tendo que adquirir um equipamento de diagnóstico para cada veículo que adentrar a oficina?!

Esta postura somente acelera a queda da qualidade e onera o custo de manutenção para o usuário final. Isto, muito em breve, será fator diferencial na escolha de um modelo e pesará muito na hora da compra - atenção montadoras!! Multiplicar o conhecimento não é favor algum ao mercado. É uma situação imperiosa para o mercado. Assistência técnica é questão de segurança, vai muito além da ordem econômica.

falta de informação + falta de formação + sonegação de informações
+ peso dos investimentos = reparador desiludido e usuário insatisfeito.

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Tecnologia e Mercado - Parte 1/3

PAULO POYDO

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O marketing implícito - a oficina como empresa precisa ter uma campanha de marketing, porém, esta atividade necessita de investimento pesado! De onde sairá este marketing? Do próprio cliente, dos serviços realizados. Mais uma vez a figura da parceria entra em cena, os distribuidores e fabricantes estão de mãos dadas com o reparador para divulgar em conjunto seus produtos e suas ações. Lembre-se o reparador influencia na compra de peças e acessórios (a escolha da marca é determinada pelo profissional da reparação em mais 80% dos casos), suas palavras tem peso! Valorize-se!

A impressão que fica na mente do cliente (usuário final) sobre o estabelecimento oficina é de um local que resolverá seus problemas de forma rápida e com um preço razoável. Quando este mesmo cliente entra na Concessionária da marca, seus pensamentos modificam-se de acordo com o ambiente. Lá a regra do jogo é muito clara!

Em recente pesquisa da Robert Bosch, fica muito claro que o reparador ainda não despertou para conhecer o seu cliente. Os principais motivos para o abandono do reparador são:

Mau atendimento - 48 %
Falta de confiança - 47 %
Demora no atendimento - 43 %
Preços elevados - 34 %
Falta de orientação - 14 %

Manter um atendimento qualificado aos seus clientes é um dever e uma forma de você sobreviver!

Não existem mais espaços cativos, o espaço é para todos. A cadeia reparadora passa por transformações e enxugamentos, com maior prejuízo para distribuidores e varejistas. Muito embora cerca de 70% do mercado ainda opere conforme o diagrama acima, as mudanças são irreversíveis.

Na mesma pesquisa citada anteriormente, o mercado se expressa e diz o que espera de um reparador:

Confiança e segurança - 59%
Rapidez - 57%
Atendimento - 49%
Bons preços - 28%
Perto do domicílio - 23%
Ver as peças trocadas - 12%
Dar orientação - 10%

Estes índices servem para aprimorar os serviços e o comportamento dos reparadores quanto às necessidades dos usuários.

Muitos profissionais não conquistam posições no mercado por julgarem que se trabalha para "ganhar dinheiro". Dinheiro não se ganha, se faz. Qualquer centavo que surge na sua conta bancária foi colocado ali através da venda do seu trabalho. Você, reparador, trabalhou (ninguém lhe dá nada por pura simpatia!) para buscar o resultado desta equação, que é a figura do caixa. As empresas têm de ter a figura do caixa, somente assim haverá recursos para investir no seu negócio!

O profissional comprometido baliza sua conduta pelas exigências do mercado. É preciso quebrar paradigmas, ser pragmático e ousar. Ousar com competência e consciência. É reavaliar o que já foi feito, melhorar continuamente, projetar metas, seguir os três R:

Três R: Respeito a si mesmo, Respeito aos outros e Responsabilidade por suas ações.

Serviços devem ser vendidos de forma dinâmica. Por exemplo, citaremos o artista que vai para o palco e realiza um show, vende seus serviços para uma platéia, um grande público. O profissional da reparação vende seus serviços de forma unitária e a rentabilidade será conseguida com qualidade, dinamismo e habilidade em diagnosticar de forma precisa o relato executado pelo usuário - ouvir bem é ouro, falar é prata -. Fazer uma avaliação precisa, uma boa anamnese, traduz-se em bom atendimento, com resultados objetivos, e são estes fatores que formarão os divisores de água. Precisamos acabar com a impressão de que reparo automotivo é calcado em diagnóstico divino, "achologia". O profissional moderno tem de encarar a sua profissão com tecnicidade.

Para os mais antigos, acomodar-se sobre os elogios e o sucesso já adquirido, não será o elemento principal para manter a casa cheia, é necessário buscar o aprimoramento constante. Não é necessário reinventar a roda, apenas fazer com que role sem sobressaltos.

Serviços não se vendem, são vendidos. Ninguém procura o médico, dentista ou mecânico por saudades, simpatia ou visita social, é a necessidade e a busca por prevenção que nos leva ao profissional. Sobram oficinas para os aproximadamente 23 milhões de veículos automotores!

É lamentável aceitar a realidade que temos muitos estabelecimentos para poucos veículos, somente ficarão de pé aqueles que encararem o futuro como já, o futuro é agora!. É com garra para retirar o atraso e a poeira de cima dos livros (não há mais espaço para se aprender no peito e na raça), que todas as entidades de classe - patronais e funcionais, governos, entidades de normatização e ongs - se engajam no sentido de restabelecer a seriedade ao mercado.

O conserto do automóvel não é algo para aventureiros, transportam-se vidas e movimenta-se uma nação sobre rodas. Devemos ser criativos e brindarmos o mercado com soluções e eventos que privilegiem a qualidade. Não adianta reclamar que faltam recursos para reverter este quadro esdrúxulo, pois esta culpa é também nossa. Só o esforço conjunto colocará o mercado nos eixos e para isso precisamos atacar os pontos vulneráveis. Descentralizar eventos do eixo SP/SP, fazer com que todos os SENAIs falem o mesmo idioma; ações conjuntas entre aplicadores, distribuidores, varejistas, montadoras e fabricantes de autopeças, devem ser ampliadas para reforçar o mercado.

Porém, nunca é tarde para recomeçar, temos de recriar uma legião de técnicos capazes e responsáveis, que mudarão a visão de todos, fazendo um país sobre rodas confiável e seguro, sendo que a porta que se abre e desponta um raiar de sol é a "ampla divulgação e conscientização das vantagens da manutenção preventiva", pois só assim o mercado reparador sairá da insolvência que se encontra, possibilitando novos investimentos e reciclando os hábitos do reparador e do usuário.

HISTÓRIA
A estrada para o sucesso em dois tempos
Exposição especial no Audi Museum Mobile em comemoração ao 125º aniversário do fundador da DKW

“A marca DKW não é apenas uma parte importante da história da AUDI AG. Sem a DKW, talvez a Audi nem existisse hoje.” Thomas Frank, responsável pelo departamento Audi Tradition, refere-se aos difíceis anos após a Segunda Guerra Mundial quando a Auto Union tentava um recomeço em Ingolstadt após a sua dissolução na Saxônia.

Foram as motocicletas e carros DKW, com seus motores de dois tempos, que ajudaram a companhia a reerguer-se. Por esta, entre outras razões, a Audi Tradition está homenageando o fundador da DKW, Jörgen Skafte Rasmussen, que estaria celebrando seu 125º aniversário em 30 de julho, com a exposição especial “A estrada para o sucesso em dois tempos” no Audi Museum Mobile em Ingolstadt, de 03 de julho a 23 de setembro de 2003.

Nascido em Nakskov, Dinamarca, Rasmussen recebeu treinamento como engenheiro em Mittweida e Zwickau e, em 1907, aos 29 anos, montou uma pequena fábrica em Zschopau, Saxônia, que produzia acessórios para caldeiras a vapor.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o dinamarquês desenvolveu um veículo movido a vapor, em alemão Dampfkraftwagen, cujas iniciais deram nome aos produtos. Após 1918, Rasmussen trocou para motores de dois tempos em Zschopau e deu início à produção de motocicletas.

Devido a um incrível crescimento nos negócios, ele conseguiu transformar a empresa Zschopauer Motorenwerke na maior fábrica de motocicletas do mundo em 1928. No mesmo ano Rasmussen começou a produzir carros, tornando-se a primeira pessoa na Alemanha a produzir veículos com tração dianteira como padrão. Eles se tornaram cada vez mais populares.

A DKW, apesar de tudo, também sofreu os efeitos da Grande Depressão e, por iniciativa do Saxon State Bank, os produtores de veículos Audi, Horch, DKW e Wanderer uniram-se na companhia Auto Union. Rasmussen foi uma das pessoas-chave na fundação da Auto Union AG e tornou-se membro do seu Conselho de 1932 a 1934. Apesar disso, diferenças irreconciliáveis sobre o gerenciamento da empresa levaram Rasmussen a deixar a Auto Union AG em 1935. Depois da Segunda Guerra Mundial ele retornou para a Dinamarca onde morreu em Copenhagen em 12 de agosto de 1964.

Rasmussen foi inovador em muitos aspectos relacionados à DKW. A marca chegou ao mercado em um momento em que a concorrência já estava instalada há muito tempo e conseguiu apelar para a emoção de seus consumidores e distribuidores. Com produtos brilhantemente simples e duráveis, a DKW levou grandes segmentos da população tornarem-se motorizados.

Encorajados por estratégias inteligentes de propaganda e formas de pagamento atrativas, os consumidores começaram a confiar na marca, à qual permaneceram fiéis após a guerra, apesar de não haver novos produtos DKW por anos seguidos.

Uma série de exposições especiais estará em exibição no Audi Museum Mobile. Por exemplo, itens que pertenceram a Jörgen Skafte Rasmussen, como o 20.000º motor auxiliar de motocicleta produzido com o qual os operários presentearam seu chefe. E o famoso motor de brinquedo “Des Knaben Wunsch” que produz um cavalo de força.

Os motores em exposição incluem também unidades que não foram produzidas para a estrada, como um motor para aeronave e o extremamente raro motor DKW de 4 cilindros em linha que, originalmente desenvolvido para automóveis, foi desenvolvido em pequeno número para uso estático. A mostra une estágios importantes na história da DKW e os locais históricos de produção, como Zschopau, Zwickau e Spandau.

Em Spandau, por exemplo, os chassis de madeira recobertos com imitação de couro foram produzidos para os veículos DKW Front. A montagem final subseqüente aconteceu em Zwickau, onde chassis e motores eram montados. Sobre este assunto, um filme contendo documentação histórica do processo de produção na época será exibido.

As exposições incluirão um DKW PS 600 juntamente com o chassi de madeira do veículo. Um chassi DKW F5 ao lado do veículo terminado estará exposto na área “Zwickau” da mostra. A reprodução de um estande DKW de uma feira de 1930 será o ponto focal da exibição especial “A estrada para o sucesso em dois tempos”. Nove veículos estarão lá, incluindo raridades como o DKW Schwebeklasse Roadster (1935), o Golem chair-bike (1921) e o caminhão Framo (1928).

A Audi é uma empresa que desenvolve e produz automóveis de alta qualidade. Em 2002 a companhia vendeu mais de 741.000 modelos. Com mais de 50.000 empregados, o Grupo Audi irá investir 11,4 bilhões de Euros nos próximos cinco anos. A Audi também possui uma fábrica no Brasil, joint venture com a Volkswagen, onde emprega outros 2600 funcionários.

ARTIGO
Cliente Morto Não Compra

Luiz Renato Roble*

Certa vez, quando entrei em uma ótica, tive a impressão de estar dentro do filme The Net, em que a personagem de Sandra Bullock se encontrava metida em uma cilada quando descobriu que, de uma hora para outra, ela tinha sumido do mapa, os vizinhos não a reconheciam, seus cartões de créditos tinham sido cancelados e seus documentos nunca existiram.

Sabemos que cada vez mais é difícil que existam clientes fiéis a uma determinada loja. Naquela ótica, entretanto, pelo menos do meu ponto de vista, imaginava que existia fidelidade. Devido ao meu jeito atabalhoado, quebro constantemente as lentes dos óculos, assim era desnecessário levar a receita médica cada vez que precisava de uma nova lente, pois as informações já estavam em poder do laboratório. Lá eu me sentia em Passárgada. Era especial e quase reconhecido pelo nome.

Naquele dia, porém, coloquei como sempre fazia, os óculos com uma das lentes quebradas sobre o balcão. A vendedora ficou olhando-me como quem pergunta, o que significa isto? Eu disse o que queria e em seguida ela perguntou-me onde estava a receita. Expliquei minha história e aproveitei para questionar por que nunca me haviam feito tantas perguntas antes. Naquele momento então descobri, que como cliente daquela rede, mais especificamente, daquela loja, havia sofrido uma traição.

Ela perguntou-me se não estava notando algo de diferente na loja. Sorrindo explicou-me que a empresa havia feito um rodízio. Todos os vendedores que trabalhavam naquela loja não se encontravam mais lá.

Estavam em outras lojas da rede ou tinham sido demitidos. Logo após esta descoberta fiquei sabendo também, sempre por meio do sorriso semicontagiante da nova vendedora, que o novo prazo para a entrega de consertos era maior do que o realizado anteriormente, que ao contrário do que era praticado até então, teria de deixar um sinal ou pagar adiantado e, de quebra, que o cartão do meu Banco não estava sendo aceito pelo sistema.

Em outras palavras, ela dizia, sempre sorrindo, que aquela empresa não se importava se era um cliente antigo e fiel ou se era a primeira vez que eu entrava naquela loja. Concluí que minha fidelidade pouco importava.

A identidade de uma empresa deve ser construída buscando um equilíbrio entre os fatores comerciais, estéticos e humanos. Em outras palavras, mais importante do que a ótica estar situada em um ótimo ponto comercial, pertencer a uma rede conceituada, ter muito, muito mármore na fachada, nas paredes e no chão, era perceber que ali existia, ou deveria ter existido, todo um passado feito de histórias humanas decorrentes do atendimento ali oferecido com laços mútuos de simpatia, que com certeza construíram a fidelização de muitos clientes além de mim.

O ponto a se chegar é que não se deve fazer muitas mudanças significativas simultaneamente em uma empresa. Pode-se estar alterando, de uma forma violenta, a percepção que os clientes e os próprios funcionários têm dela. As mudanças precisam ser aplicadas em etapas e dentro de um planejamento para que o efeito colateral não cause no cliente, incômodo e vertigem como num romance kafkaniano.

Uma empresa não deve ignorar os aspectos humanos jogando fora seu passado e matando seus clientes. As empresas vencedoras são aquelas que, além de serem economicamente viáveis, produzem, além de lucros, valores estéticos e sociais. As que conseguem sintetizar esses valores não são apenas as líderes do futuro – são as vivas.

Luiz Renato Roble é designer e diretor de Criação da DATAMAKER DESIGNERS.
E-mail: criacao@datamaker.com.br

TECNOLOGIA COM ENGENHARIA
Honda Fit é o primeiro e único carro nacional a oferecer
transmissão automática CVT, aliando desempenho e economia

Com relações de marchas continuamente variáveis, sistema monitora a aceleração, aproveita melhor a potência do motor e oferece sensação de linearidade

O máximo aproveitamento da potência e do torque do motor, com economia de combustível e conforto, desempenho suave e uniforme para acompanhar a sensibilidade do motorista são alguns dos benefícios conseguidos no desenvolvimento da transmissão automática Honda CVT (Continuously Variable Transmission), com relações de marchas continuamente variáveis, que equipa o compacto Honda Fit, o primeiro automóvel nacional a contar com essa tecnologia.

O sistema, concebido para possibilitar ao motor trabalhar sempre na faixa mais eficaz de rotação, utiliza sofisticados e complexos dispositivos eletrônicos e de mapeamento para selecionar a marcha adequada, de acordo com circunstâncias como aceleração, velocidade e retomada. Durante a condução, a aceleração é monitorada permanentemente.

Quando o acionamento do pedal do acelerador em um determinado espaço de tempo supera o programado, o módulo de controle eletrônico seleciona um novo mapeamento, que passa a utilizar faixas mais altas de rotação do motor. O ajuste constante da relação de marchas proporciona uma condução mais suave, progressiva e intuitiva.

A evolução que resultou nessa tecnologia traz vantagens em relação aos outros tipos de transmissão envolvendo basicamente dois fatores. Na transmissão manual, o acoplamento motor-transmissão é feito pelo conjunto disco-platô. Existe uma conexão mecânica e as relações de marcha são fixas.

Na transmissão automática convencional, a ligação é feita pelo conversor de torque, onde a conexão é feita por meio do acoplamento viscoso. As relações de marcha são preestabelecidas, pois há um par de engrenagens para cada marcha à frente.

Já na transmissão automática Honda CVT o acoplamento é feito pelo volante do motor e a conexão é mecânica, utilizando polias de diâmetro variável interligadas por uma correia metálica, com baixíssima perda mecânica, possibilitando infinitas relações, inclusive para a marcha à ré. A variação contínua da largura das polias em “V” motriz e movida, por meio hidráulico, permite alterar continuamente a relação de transmissão entre as polias efetuadas por uma correia metálica também em “V”.

Com isso, o sistema, que realiza as trocas de marchas sem estágio e na velocidade ideal, proporciona uma firme sensação de aceleração e desaceleração e garante baixo consumo de combustível, comparáveis aos da transmissão manual. Desenvolvida com materiais resistentes e leves, a transmissão automática Honda CVT foi concebida exclusivamente para equipar automóveis compactos, como o Honda Fit, oferecendo grande eficiência, além de possuir menos peças móveis e eixos menores que as transmissões convencionais.

A correia metálica apresenta alta durabilidade e ótimo desempenho em todos os regimes possíveis de rotação, exigindo apenas a troca do fluído, conforme orientação do Manual do Proprietário. Foi adotado no CVT o volante de massa única, contribuindo para a redução do peso e quantidade de componentes. Por sua vez, a bomba de óleo foi colocada sobre o eixo primário, o que contribui também para reduzir o número de peças. Além disso, o corpo de comando foi fixado sobre a caixa, e o solenóide linear, que tradicionalmente era independente, constitui agora um corpo único e foi eliminada a bandeja de óleo da caixa de transmissão de comando. Todas essas medidas contribuíram para a redução do peso.

O consumo de combustível também foi melhorado, pois, além de existir o comando hidráulico independente para a polia motora/movida, o pistão que comanda a polia do lado motriz foi aumentado, para segurar a correia com força maior e reduzir o trabalho da bomba de óleo, aumentando dessa forma a eficiência e, conseqüentemente, anulando o efeito negativo ao consumo de combustível.

Por suas características e inovações, a transmissão automática Honda CVT oferece prazer ao dirigir e respostas rápidas e suaves, em percursos urbanos ou rodoviários. Para extrair o máximo de desempenho do motor, em termos de potência e torque, e responder às expectativas conforme as necessidades do motorista, é importante utilizar corretamente cada modo de condução.

A manopla tem seis posições básicas: “P”, para quando o veículo está estacionado; “R”, para acionar a marcha à ré; “N”, “Neutro” ou para movimentar o veículo com o motor desligado; “D” que significa “Drive”, para uma condução normal; “S”, para uma condução esportiva e em rodovias sinuosas e “L”, para subidas íngremes, uso do freio-motor em descidas acentuadas ou ainda em superfícies onde não há capacidade total de tração, como areia e lama, limitando a relação de tração, para evitar que as rodas patinem.

A posição “D” divide-se ainda em três opções, selecionadas eletronicamente pelo sistema após a análise de cada situação:

— “D1”, para privilegiar a economia de combustível, em trechos de velocidade e aceleração constantes;

— “D2”, ideal para percursos urbanos ou em congestionamentos, que exigem relações de marchas mais reduzidas e trocas freqüentes;

— “RS”, na necessidade de aceleração total, saída rápida ou ultrapassagem, em que toda a potência do motor é exigida por um período curto de tempo.

O modo “S” também apresenta duas variáveis, também selecionadas eletronicamente:

— “S1”, para uma condução esportiva, envolvendo uma aceleração progressiva. O motor trabalha em faixas elevadas de rotação e com relações de marchas reduzidas;

— “S2”, ideal para condução normal em estradas sinuosas, em que há frenagens seguidas de aceleração. Na saída da curva, exige-se mais aceleração, enquanto o freio-motor atua mais intensamente para diminuí-la na entrada da próxima curva.

O Honda Fit é equipado com a transmissão automática CVT nas versões LX e LXL e conta com itens de série como ar-condicionado, direção eletricamente assistida, airbag para o motorista, sistema ULT com mais de dez combinações de bancos, vidros, travas e espelhos com comandos elétricos, preparação para som e alarme e ainda, na versão LXL, rodas de liga leve, airbag também para o passageiro e freios com sistema ABS (antitravamento) e EBD (distribuição da carga de frenagem).

DESENVOLVIMENTO
CST registra lucro líquido de R$ 590 milhões no semestre

A Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) registrou lucro líquido de R$ 318 milhões no segundo trimestre deste ano, o que gerou lucro acumulado de R$ 590 milhões no semestre. O resultado é o melhor dos últimos anos e consolida os fundamentos da CST, que atua com produtos de qualidade diferenciada e estabilidade operacional.

O desempenho da CST proporcionou ainda um EBITDA de R$ 339 milhões e margem de 37%, conforme anunciou o diretor de Relações com Investidores da companhia, Leonardo Horta. Dentre os fatores que contribuíram para o resultado positivo, destaca-se a alta dos preços do aço no mercado internacional. O preço médio das placas da CST ficou em US$ 238/t, valor 42% superior ao obtido em igual período do ano passado e o mais alto dos últimos três anos.

No segundo trimestre, a CST obteve uma receita operacional líquida de R$ 921 milhões, com crescimento de 58% em relação ao mesmo período de 2002. A receita registrou recuo de 7%, comparada ao trimestre anterior, em conseqüência do efeito negativo sobre as exportações e da valorização de 14% do Real. No entanto, a perda de receita por conta da desvalorização do dólar frente à moeda local, foi reduzida em função do mix nobre de vendas de placas da companhia, com maior valor agregado, e pela alta do preço do aço internacional.

A performance industrial da CST também foi marcada por um volume de produção superior ao do primeiro trimestre deste ano. Houve aumento de 2% na produção de placas (1.213 mil toneladas) e de 10% em relação às bobinas (258 mil toneladas). O volume de vendas de placas foi 26% inferior ao embarcado no mesmo período do ano passado, já que parte do produto foi destinado à produção de bobinas. Os principais destinos das placas foram Ásia e EUA.

A venda de bobinas no trimestre foi de 262 mil toneladas, 30% acima do volume alcançado nos três primeiros meses deste ano. Do total de bobinas comercializadas, 27 mil toneladas foram exportadas para 13 clientes internacionais. Até então, a maioria das vendas de bobinas para o exterior foi realizada em pequenos lotes experimentais para serem testados. Os embarques de lotes comerciais foram iniciados em maio e já começaram a ser incrementados.

Para o mercado doméstico, a CST já vendeu bobinas para cerca de 50 clientes distintos, dos quais a grande maioria irá compor a carteira regular de clientes. Um exemplo é Vega do Sul, usina de laminação a frio e galvanização, localizada em Santa Catarina, onde a CST participa com 25% do capital, para onde foram destinadas cerca de 5% das vendas do trimestre e que está em fase de início de operação do processo de galvanização.

O processo de crescimento da produção do Laminador de Tiras a Quente (LTQ) teve continuidade neste segundo trimestre, com foco operacional na produção de bobinas com espessura mais finas e com especificações mais rigorosas, para usos mais nobres.

A CST realizou investimentos de R$ 32 milhões no trimestre, sendo R$ 24 milhões em projetos estratégicos, em especial na otimização da produção, e cerca de R$ 8 milhões em reformas e melhorias correntes. Além disso, o projeto de ampliação da produção de placas para 7,5 milhões de toneladas/ano está em andamento, de acordo com o planejado, com previsão para início das obras em 2004.

Com o preço médio da placa da CST em US$ 234/t no semestre, a Companhia mantém sua expectativa para o ano dentro da faixa de US$ 230 a US$ 240/t. A CST acompanha a expectativa geral do País, com a perspectiva de redução da taxa de juros, levando a um início de melhoria no nível geral de atividade econômica a partir do quarto trimestre do ano.

MÁQUINAS
Exportações continuam
em alta no setor de máquinas e equipamentos
Balanço do primeiro semestre aponta crescimento de 35,9% nas vendas externas do setor

Segundo os indicadores da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), a indústria de bens de capital mecânicos encerrou o primeiro semestre de 2003 com crescimento de 35,9% nas exportações, ao passar do US$ 1,7 bilhão no primeiro semestre de 2002, para US$ 2,3 bilhões no mesmo período deste ano. Nos últimos 12 meses, o montante exportado alcançou US$ 4,3.bilhões.

O destaque fica para a China que apresentou elevação de 130% nas importações de máquinas e equipamentos, ao saltar de US$ 44,5 milhões de janeiro a junho de 2002, para US$ 102,5 milhões em 2003. A Argentina mantém-se estável na terceira colocação, com taxa de 192,7% de crescimento e um total de US$ 173,1 milhões ante US$ 59,1 milhões do primeiro semestre de 2002.

Ao analisar os indicadores, o presidente da Abimaq, Luiz Carlos Delben Leite, enfatizou o esforço do fabricante brasileiro de máquinas e equipamentos que, após a desvalorização cambial de 1999, foi à busca do mercado externo e da competitividade necessária , contribuindo para a conquista de relevância do setor, que é o segundo maior exportador industrial brasileiro. Delben Leite destacou também a questão do aprimoramento tecnológico, que conferiu um nível de qualidade bastante elevado aos bens de capital mecânicos, possibilitando o crescimento das exportações e a substituição competitiva de importações.

Nesse sentido, aumentou a participação da indústria local no consumo aparente de máquinas e equipamentos, que passou de 61,8% no primeiro semestre de 2002 para 63,9% em 2003, visível ainda no recuo das importações, da ordem de 9,9% no período. .

Confirmando tendência de equilíbrio, o item máquinas e equipamentos continua reduzindo o déficit da balança comercial.No resultado anual, o déficit apresentou uma queda de 63,9% passando de US$ 1,4 bilhão nos primeiros seis meses do ano passado, para os atuais US$ 508,7 milhões.

Até junho, o faturamento nominal do setor apresentou crescimento atingindo R$ 16,9 bilhões contra R$15,6 bilhões no ano passado, o que representa um aumento nominal de 8% no faturamento global. Contribuíram para esse resultado o bom desempenho das exportações e de alguns sub-setores como o de máquinas e implementos agrícolas (50,6%) e máquinas-ferramenta (40,7%).

O nível de emprego apresentou aumento de 1,5% em junho deste ano ante junho de 2002, ao empregar 179.147 funcionários, o que representa 2.576 vagas a mais que em junho de 2002, quando 176.571 colaboradores estavam empregados no setor. Com relação ao nível de utilização da capacidade instalada, houve uma pequena redução, de 1,3%, no resultado médio anual, ao passar de 77,5% em 2002 para 76,5% em 2003.

Pedidos em carteira têm redução - O número médio de semanas para atender os pedidos em carteira registrou queda no resultado médio mensal e anual. Até junho, o setor registrou queda na carteira média de pedidos de 2,8% devido à retração no fechamento de novos negócios, passando de 16,86 semanas em 2002 para 16,39 em 2003. No mês, a queda foi de 1%, uma vez que, em junho de 2003, o setor possuía uma carteira de pedidos suficiente para trabalhar 16,26 semanas, enquanto que em junho de 2002 esta carteira garantia as atividades por 16,43 semanas.

FUTURO
Agora ou nunca: o imperativo da colaboração automotiva
O relatório revela mudanças fundamentais na indústria até 2010

A IBM Business Consulting Services, divisão de consultoria da companhia, prevê que até 2010 a forma de atuação do setor automotivo passará por transformações consideráveis, baseando-se em relações colaborativas entre fornecedores, revendas e outros agentes da cadeia produtiva.

Esta previsão faz parte do novo relatório, “Agora ou nunca: o imperativo da colaboração automotiva”, que traça estratégias para o setor, as quais irão levar a uma forma mais flexível de condução dos negócios e de resposta às exigências do mercado.

Segundo o estudo, haverá uma transformação no modelo atual das relações montadora-fornecedor, dominado atualmente pela desconfiança e interesses conflitantes.

As montadoras deixarão de procurar a melhoria dos seus resultados através do poder de negociação para forçar fornecedores a reduzirem preços. Ao contrário, a colaboração entre diversas empresas no ambiente de projeto e engenharia irá acelerar a criação de valor e com isso, aumentar as margens operacionais.

“Na última década, a estrutura de fabricação automotiva passou por uma grande mudança. A estratégia ”crescer para sobreviver” foi substituída por uma consolidação, onde as Original Equipment Manufacturers (OEM) individuais foram substituídas por empresas globais, as Vehicle Brand Enterprises (VBE), cada qual gerenciando um conjunto de marcas.

O modelo de negócios colaborativo constituirá o caminho para que as montadoras consigam competir e vencer nesse novo ambiente.”, diz Paulo de Tarso Petroni, consultor responsável pelo setor automotivo da IBM Business Consulting Services.

O estudo mostra que, com o tempo, as montadoras e fornecedores mais bem-sucedidos criarão comunidades colaborativas integradas de alto desempenho. A concorrência entre custos continuará a ser um imperativo, no entanto as empresas competirão em termos de velocidade e melhor funcionalidade. Os ciclos de vida dos produtos serão curtos, exigindo melhorias significativas de produtos e serviços para que se possa continuar competitivo. Dentro deste novo modelo, a tendência para a consolidação se mantém e o estudo prevê que, até 2010, não haverá mais de 20 a 30 grandes fornecedores do setor automotivo no âmbito global.

Fatores que motivam a mudança
Os investimentos inerentes à rápida criação, desenvolvimento e fornecimento de novas tecnologias para consumidores, cada vez mais exigentes, irão forçar as empresas a repensar suas posições no mercado. No futuro, a concorrência irá deixar de ser entre empresas isoladas, transferindo-se para o nível da comunidade (entre núcleos de fornecedores). As empresas que forem capazes de reunir a melhor comunidade logística e acelerar a inovação voltada para o consumidor mais rapidamente que os núcleos de seus concorrentes, alcançarão e manterão vantagem competitiva.

“Os vencedores de longo prazo serão as comunidades automotivas que conseguirem aliar uma sólida gestão de relações com o consumidor a um processo de inovação bem gerenciado. Elas também investirão com êxito nas necessidades dos clientes em relação ao processo produtivo, vendas de veículos e serviços”, diz Petroni.

É importante frisar que a montadora bem-sucedida do século 21 irá combinar agilidade, flexibilidade e rapidez de comercialização. Essa tendência será provocada por descobertas tecnológicas de engenharia veicular e o advento do software nos carros. As montadoras irão descobrir que as mudanças tecnológicas no veículo irão encurtar o ciclo de vida do produto, aumentando a importância estratégica da agilidade e da flexibilidade.

Comércio de Produto Colaborativo
Para responder a estes desafios, as empresas precisarão adotar uma nova abordagem de criação e distribuição de valor entre os parceiros comerciais. O primeiro passo para criação desse modelo é a identificação das empresas certas para se construir valor mútuo por meio de um conjunto certo de ferramentas, práticas e relações, chamado Comércio de Produto Colaborativo (CPC).

O CPC é a aplicação de uma estrutura coesa de e-business a todos os aspectos do ciclo de vida do produto, que no final irá permitir a ligação entre o consumidor e o processo de desenvolvimento do mesmo. Ao dar a todos os agentes dentro de uma empresa acesso simultâneo à mesma informação, o sistema permite que questões relacionadas ao desenvolvimento de produto, comercialização e gestão de ciclo de vida sejam tratadas de forma mais eficiente.

Os benefícios dessa abordagem incluem redução de custos, ciclos de vida mais curtos e desenvolvimento de produtos e serviços voltados para o consumidor, sustentando a vantagem competitiva das empresas. As relações integradas permitirão também, aos membros da comunidade, concentrar esforços em suas atividades principais e desenvolver as competências dos seus parceiros colaborativos.

As ferramentas de colaboração, dentro de uma cadeia logística complexa, já estão disponíveis e a necessidade de um novo processo colaborativo é clara. A transição para esse modelo não será fácil mas, no final, será menos dolorosa que a tentativa de manter, no século 21, o modelo de “pressão” do século 20.

DESENVOLVIMENTO
Prensa de transferência alimentada por robôs
Estatísticas pesadas, vantagens ainda maiores: 3.600 toneladas de força de estampagem, até 22 estampos por minuto, 1.500 toneladas de peso e 15 metros de altura.

A ThyssenKrupp Umformtechnik GmbH queria essa prensa há muito tempo, mas ela era cara demais. Só em março de 2001, a diretoria executiva da ThyssenKrupp Automotive deu o sinal verde para a compra, e o fabricante alemão Müller-Weinbarten foi contratado para produzí-la.

Enquanto isso, na fábrica de Bielefeld-Brackwede, onde a nova prensa seria instalada, uma outra, antiga, teve de ser desmontada e novas fundações tiveram de ser fundidas e colocadas. Com um planejamento exatíssimo, os elementos iniciais, cada um deles com até 200 toneladas de peso, foram instalados com exatidão de menos de um milímetro.

A nova prensa traz muitas vantagens, inclusive a de poder mudar ferramentas em minutos, em vez de horas ou mesmo dias. A alimentação é inédita, com a utilização de quatro robôs. Os produtos manufaturados pela ThyssenKrupp nesta prensa vão de estampos de carroçaria a eixos estampados feitos com aço de alta resistência à tração.

Braços arrastados em chapas de aço

Um dois principais objetivos de qualquer montadora de veículos comerciais leves é aumentar o conforto e a carga útil, diminuir o peso morto e manter bom comportamento dinâmico e agilidade em acelerações, frenagens e curvas. Para chegar a isso, é necessário submeter o sistema de suspensão a grandes esforços, quer o veículo possua suspensão independente ou não.

Uma das especialidades da ThyssenKrupp é o desenvolvimento de componentes de suspensão, e ela acaba de lançar o projeto de um eixo de braços arrastados com fortes reduções de peso, adequado a veículos de tração dianteira, impulsão traseira ou tração nas quatro rodas. Com 20 a 30 por cento menos peso que um sistema de braços arrastados fundidos ou forjados, materiais de nova geração e melhor proteção superficial (galvanização por imersão a quente), o novo sistema oferece também ótima proteção à corrosão.

O novo eixo de braços arrastados é indicado especialmente para picapes e furgões médios e pesados, além de caminhões leves, que têm de ser mais confortáveis e de transportar cargas sensíveis.

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