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Edição 44 - Agosto de 2003
Conteúdo básico
ADMINISTRAÇÃO
Tecnologia e Mercado - Parte 1/3
PAULO POYDO
Várias tendências, modismos,
processos revolucionários e/ou temporários
vieram e passaram, deixando marcas ou não, mas permitiram
mentes abertas e oportunidades para o recebimento de outras
novidades. Reengenharia, downsizing, racionalização,
globalização e tantos outros nomes e rótulos,
marcaram e ainda marcam as vidas dos empresários
e trabalhadores, obrigando a cadeia produtiva a repensar
seus conceitos. Porém, uma constante, acima de todas
as verdades, que permanece e se desenvolve a cada dia, é
a prestação de serviços.
Mesmo com toda a tecnologia que permeia nossas vidas, a
automação industrial crescente e a velocidade
com que as coisas e conceitos caem na obsolescência,
nada conseguiu tirar de cena a necessidade de prestação
de serviços.
Todo esse universo de inovações tecnológicas
são ferramentas que permitem agilidade ao serviço,
mas não o substitui. A década de 90 instaura
o poder do máximo conhecimento e da troca de informações,
fixando os parâmetros para o novo milênio: parcerias
e eficiência.
A nova conjuntura econômica coloca o cliente no
pedestal e exige que empresas e instituições
tenham flexibilidade e versatilidade, quase que instantânea,
para atender às novas e diversificadas demandas de
mercado.
Para atingir este patamar precisamos mudar interiormente!
Unir forças, governo, escolas, centros de formação
profissional, universidades, empresários, enfim,
todos engajados na mudança e de olho no mercado.
Precisamos ousar.
O caminho se inicia na renovação da educação
profissional, criando currículos flexíveis
e adequados ao pedido do mercado. É complexo? Sim,
mas não impossível. É preciso começar
uma revolução em prol da competitividade das
empresas, empregabilidade dos trabalhadores e o sucesso
e reconhecimento de nossas instituições de
ensino.
O processo produtivo passa por mudanças que afligem
o mercado, colocam todos os envolvidos com a cadeia produtiva
em cheque e nos obrigam a buscar no futuro as soluções
para o presente.
ADMINISTRAÇÃO
Tecnologia e Mercado - Parte 1/3
PAULO POYDO
Continuação - Página
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A busca de maiores índices de lucratividade impulsiona
as montadoras para a automação industrial;
hoje se admite um patamar de 65% de automação
nas chamadas autofab - automated fabrication. A fábrica
da VW, em Wolfsburg na Alemanha, que produz o Golf, já
opera nestes padrões. Será o fim das fábricas
e da mão de obra? O que será do mercado reparador?
Viveremos a lei da mordaça e/ou a ditadura da manipulação
da informação?
Citando Walter Block, autor de Defending the Undefendable,
ed. Fox & Wilkes: "A fábrica do futuro
terá apenas dois operários: um homem e um
cachorro. Função do homem: alimentar o
cachorro. Função do cachorro: não deixar
o homem tocar nas máquinas ".
Precisamos rever valores de mercado, repensar
o negócio, buscar a melhoria contínua.
A tecnologia hoje nos oferta a produção
sem emprego, onde o grande drama é que a economia
precisa do consumo para se manter e o consumo só
existe com pagamento de salários. Inventar o consumo
sem salários parece-me algo intangível de
acontecer. Não devemos encarar os progressos tecnológicos
com apreensão e sim com compreensão; isso
facilitará a nossa vida.
Tecnologia é a arte desenvolvida para otimizar
processos, agregar valor ao produto ou serviço, solucionando
problemas. Líder que é líder não
se conforma com a mesmice: ou é um transgressor do
convencional, ou busca uma nova ordem para os fatos e as
coisas. O momento é de aprender a aprender,
pois reaprender o seu ofício é mais do que
uma habilidade, é um fator, uma atitude.
Dentro de todo o problema existe a chave para a solução.
O mercado almeja um profissional de talento único,
pois nenhuma máquina poderá ser comparada
à criatividade humana. Desde os primórdios
da criação, do fogo à roda, toda nova
descoberta ou conquista de tecnologia resolve um problema
antigo, criando dois novos.
Não existe nada que façamos bem que não
possa ser melhorado. Isto se chama evolução.
Evolução é palavra de ordem,
chave para o sucesso, o elemento surpresa. Mesmo
nas tarefas rotineiras podemos implementar um caráter
evolutivo, esmerando o trabalho executado e sentir prazer
com os resultados. Hoje não fazemos sucesso apenas
com bons salários, é necessário um
engajamento com as diretrizes da empresa, buscando a repartição
do sucesso entre todos.
O conhecimento adquirido é uma alavanca para sobrepujarmos
as dificuldades diárias de maneira eficiente, melhorando
resultados. O profissional da reparação
não é um mero vendedor de serviços,
é um orientador e fiscalizador dos critérios
de segurança do veículo e do usuário;
por isso, não basta conhecer as novas tecnologias,
é preciso ter a mente aberta e arejada, ser arrojado
no seu empreendimento. Em suma, ser diferente de um outro
alguém do ramo.
Não podemos mais olhar para a oficina do bairro
vizinho somente como concorrente, um aliado nas dificuldades.
Precisamos mudar esta forma de pensar, formando grupos de
discussão, associações de compras,
discutir as leis que falam a nosso respeito e influenciam
o nosso dia a dia.
Parece utopia, mas o mercado carece deste tipo de profissional
e oficina. O mercado reparador continua com a cara dos anos
50/60, onde a experiência falava mais alto e o aprendizado
era na marra e com muito sofrimento na prática.
Hoje, com a menor demanda de serviços, aliada aos
novos implementos de gerenciamento eletrônico e conforto,
o automóvel se sofisticou; quebrando menos, visita
menos à oficina. Toda esta visão sombria faz
com que o reparador empresário sinta-se numa encruzilhada:
investir para crescer ou sumir. Só haverá
melhoria no atendimento e, por conseqüência,
maior volume de clientes, se houver conhecimento tecnológico,
conhecimento do nicho de mercado em que se deseja atuar
e um plano de diretrizes para investir certo (máquinas,
aparelhos e instrumentos). Precisamos parar e repensar o
negócio.
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Tecnologia e Mercado - Parte 1/3
PAULO POYDO
Quando se fala em símbolo de malandragem, picaretagem
ou qualquer outra...nagem, da vida, a primeira coisa que
nos vem à cabeça é a figura do mecânico
(a segunda opção é a figura do advogado)
- sempre sujo, expressando-se muito mal, o eterno malandro,
sempre pronto a passar a perna naqueles que nada sabem sobre
automóvel, restando aquele ar no semblante das pessoas
de pura desconfiança e incredulidade. Até
os meios de comunicação e propaganda utilizam-se
deste recurso.
Somente vejo isto no Brasil, nunca vi nada igual, em nenhum
lugar do mundo e com tamanho peso discriminatório
- racial e tecnológico. Uma especialidade profissional
de nível técnico não pode ser tratada
desta maneira. O nosso silêncio e a nossa omissão
fortalecem a questão.
Em qualquer outro país, a profissão de mecânico
é cercada de normas e regras, fiscalizadas pelas
prefeituras e entidades ligadas ao setor automobilístico,
posso citar como exemplo, os EUA, Itália, Inglaterra,
Austrália, França, que normalizam e cobram
qualidade e responsabilidade dos profissionais envolvidos,
apenas uma ilustração de como poderíamos
copiar algo de bom que vem lá de fora!. Lá
as leis são para serem cumpridas e não para
adornarem a sociedade, tudo é feito por respeito
ao cidadão.
Este achincalhe é uma ilegalidade, é imoral
e desnecessário, sugeriria ser coibido pelos órgãos
de fiscalização de propaganda. Por que não
são utilizadas como exemplos as seguintes carreiras:
deputados, senadores, ministros, militares e tantos outros
exemplos diários de achincalhe nacional?
Em Pindorama, aqueles que não deram certo em nada,
foram atirados à mecânica, como alternativa
para não queimar na chama do inferno. No Brasil do
ano 2000, o tema é profissionalizar. É questão
de ordem. As escolas devem estar preparadas para não
somente repassar uma profissão, mas ensinar, fornecer
padrões éticos de conduta, oferecer condições
para que o indivíduo pense, com lógica e lucidez,
pois isto é dar cidadania. O mercado agradece.
O profissional precisa conquistar novos clientes/parceiros
sem perder os antigos, pois os nossos antigos clientes também
evoluíram.
Dentro da cultura automotiva, onde o aprendizado era passado
de pai para filho, assim como a estrutura do negócio,
a figura do conhecimento e da especialização
sempre foi alvo de duras críticas, pois sempre se
apontava a baixa rentabilidade como justificativa e impedimento.
No mercado atual, onde investir é motivo de peregrinação
aos órgãos de financiamento, muitas vezes
sem sucesso, surge uma maneira de investir sem enlouquecer.
Surge a parceria com os fabricantes (montadoras, autopeças,
aparelhos e instrumentos) - as BANDEIRAS DE FÁBRICA
- parcerias que vêm para fortalecer a imagem de ambos,
fornecendo o suporte necessário para a boa execução
dos serviços prestados.
Ainda neste nicho, enfocando a questão treinamento,
é de suma importância para o setor que seja
reaparelhado o sistema S (SENAI e SESI) de forma a voltar
a formar mão de obra com qualidade, como nos 70 e
80; o profissional precisa encarar o treinamento não
como despesa e sim como investimento.
O saber nos pertence até o fim dos nossos dias
e a única maneira de manter-se firme e dentro deste
mercado competitivo que nos cerca é vestir a idéia
da atualização constante. A figura do profissional
que faz de tudo um pouco, o generalista, está cada
vez mais defasada (esta aparência de "bombril
- 1001 utilidades" já não cabe no mercado
de hoje). É necessário para o reparador pensar
em especialização, abraçar uma linha
específica (que é uma maneira de reduzir o
peso do investimento), pois o volume de informações
é grandioso e requer muito do profissional para obter
bons resultados.
Ao término dos anos 90, surgem as tábuas
de salvação do mercado reparador nacional,
que são a MANUTENÇÃO PREVENTIVA e a
INSPEÇÃO VEICULAR, que juntas podem ser traduzidas
como entrada de recursos (dinheiro, rotatividade e capacitação)
nas oficinas, especialização profissional,
resultando em trânsito ágil e seguro. É
a responsabilidade sendo dividida por todos os usuários
de automóveis deste país.
A
introdução da ASE em nosso país deu
um ar de seriedade e competência, precisa de maior
divulgação, porém ainda é pouco.
Precisamos melhorar a escola básica, dar seriedade
ao ensino médio, profissionalizar esta nação.
Temos uma grande quantidade de acadêmicos e esquecemos
de que o capítulo manutenção está
encravado, presente em nossas vidas, em tudo que realizamos.
Somente com boa formação o mercado reparador
voltará aos níveis de outrora e o vento da
mudança soprará sem cortar almas e empregos.
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Tecnologia e Mercado - Parte 1/3
PAULO POYDO
1.O SUCESSO (VEM) DA MANUTENÇÃO PREVENTIVA
Todos nós, desde pequenos, somos bombardeados por
todos os lados por várias mensagens e conselhos com
o intuito de nos prepararmos o melhor possível para
o futuro que nos espera.
Mais tarde iremos repeti-los intactos para as outras pessoas
de nosso convívio. Um deles nos diz que "prevenir
é sempre melhor que remediar". Mas cabe perguntarmos
a nós mesmos sobre por que não seguimos sempre
essa máxima que tanto ouvimos e falamos ?
As respostas estão dentro de nós que fazemos
parte deste universo de apaixonados pelo automóvel.
Devemos ter em mente que a manutenção preventiva
é um lucro coletivo, todo o mercado ganha, uma vida
e um trânsito mais seguro.
A realidade é assustadora. No Rio de Janeiro temos
um trânsito que se locomove com uma velocidade do
tempo das diligências do velho oeste americano. Muitos
veículos parados por falta de manutenção
e mais despesas para a sociedade.
Segundo os dados do DETRAN - RJ temos a seguinte configuração
do caos urbano carioca:
- 1.687.555 de veículos no município
do Rio de Janeiro;
- 5,850 milhões de habitantes da cidade;
- Mais de 4 milhões de viagens em trens, metrô,
carros e ônibus são feitos regularmente no
Rio;
- Na cidade do Rio de Janeiro operam 399 linhas de ônibus;
- 850 em cada mil moradores da Barra da Tijuca têm
carro;
- Nos bairros da Gávea e do Jardim Botânico,
há 749 carros por mil moradores.
Não são concebíveis os dados de que
tenhamos um mercado reparador a beira do caos com estes
números. Só falamos da Cidade do Rio de Janeiro
como exemplo.
O momento é de investir em cultura
automobilística e manutenção preventiva.
Esta é a saída!
Prevenção é um padrão
de Cultura, um comportamento internalizado, como
aquelas coisas que fazemos quase sem perceber.
Estarão então os "imprevidentes"
condenados desde o berço? Felizmente temos a capacidade
de incorporarmos um novo padrão cultural em qualquer
momento de nossas vidas, bastando para isso termos Vontade,
Perseverança e Método.
Mudar é sempre penoso, manter um padrão
cultural é mais cômodo, é uma tarefa
um pouco mais difícil do que pensar em mudar. Mas
o resultado é altamente gratificante para quem o
consegue.
A tarefa do Gerente de Oficina nesse processo é
a do líder, do educador, aquele que fará com
que cada um dos envolvidos se convença das vantagens
dessa mudança. Todos os agentes devem ser sensibilizados
e estimulados a adotar esta nova mentalidade: os profissionais
técnicos, os não-técnicos e os clientes.
É preciso agir sobre os seus profissionais, tornar-se
um multiplicador, treiná-los, ensiná-los a
oferecer ao cliente o serviço mais adequado às
suas necessidades.
É preciso divulgar e informar ao cliente uma série
de novos padrões de comportamento na conduta do seu
veículo e de sua própria qualidade de condução,
convencendo-o de que ganha sempre quem age antes de seu
veículo apresentar problemas.
E não apenas os funcionários devem ser treinados,
o próprio gerente terá sempre muito a ganhar
ao procurar se reciclar, estar sempre aprendendo, de "antena
ligada", freqüentando palestras ou cursos que
o mantenham atualizado sobre as melhores maneiras de gerenciar
a sua oficina e levar a qualidade ao cliente, sem que para
isso tenha que se pagar mais caro por este grandioso detalhe.
Com o crescente emprego de componentes cada vez mais complexos
e de alta tecnologia nos automóveis nacionais e importados
que habitam nosso mercado, entre os quais citamos a injeção
eletrônica e as ignições mapeadas, os
equipamentos de segurança veicular, como sistemas
de freio ABS, Air Bag e etc. o profissional da reparação
foi impelido a retornar à sala de aula, buscar a
figura do treinamento, à procura dos conhecimentos
perdidos, necessários ao desenvolvimento ao desenvolvimento
da sua atividade profissional. Surge a figura do especialista
dentro do mercado reparador! Todos passam a ter figuras
muitas bem definidas, por conseqüência, sobra
muito pouco tempo para dedicação e desenvolvimento
das tarefas especificamente voltadas à administração
da oficina.
Por outro lado à figura do gerente não pode
se dar ao luxo de envolver-se em áreas de competência
exclusiva desses profissionais. O que se espera do gerente?
Um novo quadro se delineia. As necessidades de um líder
empresarial, um conquistador e mantenedor da qualidade de
atendimento aos clientes, enfim, um gestor!
O gestor automotivo ocupa-se integralmente com a administração
da sua empresa e, portanto, precisa manter constante a reciclagem
de conhecimentos neste campo. Seu universo de atuação
abarca vários pontos da Administração
Financeira, dos Procedimentos Contábeis e das modernas
tecnologias e Ferramentas da Qualidade e Produtividade.
O gerente não deve concentrar-se somente nas questões
de formação de preço do serviço,
levando em conta a carga tributária incidente, as
diversas despesas necessárias à manutenção
do seu negócio, manter os preços dentro de
uma ótica competitiva, mas observar o mundo que gira
ao seu redor.
O preço do serviço ainda é uma questão
de peso, porém, não é mais o fator
decisório no momento da escolha do estabelecimento
reparador.
Outras questões surgem na visão do cliente,
tais como: o ambiente, o atendimento, as facilidades na
forma de pagamento, outros valores agregados e etc. Será
que você está preparado para este novo cliente
exigente e consciente dos seus direitos?
Pense nisso!
A sobrevivência - dependendo do foco do negócio,
por exemplo às retíficas de motores, temos
as certificações do IQA - Instituto de Qualidade
Automotiva - que será outra forma de separar o mercado
aventureiro do mercado competente e correto.
Uma empresa que possui um programa efetivo de qualidade
tem uma poderosa ferramenta de marketing, pois pode assegurar
à sua clientela que seu veículo encontra-se
em boas mãos. Somente desta forma seu estabelecimento
poderá transformar clientes esporádicos em
clientes fiéis. O resultado desta equação
é a conquista da confiança. Somente um serviço
de qualidade assegurada poderá agregar estes valores
a sua empresa.
Conhecer as normas técnicas referentes ao mercado
reparador automotivo - ABNT/NBR 14481 e 14482, em particular
- e utiliza-las é outra forma de diferenciar o seu
negócio, justificando o seu preço e a sua
conduta profissional. Estas normas visam padronizar a forma
e os meios para a realização de reparos automotivos.
Mas para que tudo isto aconteça é preciso
mudar a forma de encarar o mercado reparador.
É preciso mudar a metodologia de profissionalização
de nosso mercado, ensinar profissionalização
não é somente passar conceitos básicos,
é fazer com que o aluno tenha o hábito de
pensar, que possa agregar valor ao que já foi aprendido.
É fundamental atentar para o uso das novas tecnologias
de informação e comunicação
(multimídia, hipertexto, internet, intranet) que
flexibilizam o aprendizado e o âmbito formativo, impondo
ao aluno a construção do conhecimento. Paralelamente,
as montadoras devem se empenhar em acabar com as caixas
pretas da informação tecnológica, um
estímulo à pilhagem de idéias e à
cultura da informação velada, obtidas através
de formas não muito honestas.
Restringir o acesso aos protocolos eletrônicos é
um ato de restrição ao direito de opção,
venda casada (aquisição do veículo
em conjunto ao serviço), uma atitude que fere a livre
concorrência e rivaliza os reparadores independentes
e os serviços autorizados. Já pensaram na
hipótese de um país com mais de 10 montadoras,
poucas concessionárias e centenas de reparadores
independentes multimarcas, tendo que adquirir um equipamento
de diagnóstico para cada veículo que adentrar
a oficina?!
Esta postura somente acelera a queda da qualidade e onera
o custo de manutenção para o usuário
final. Isto, muito em breve, será fator diferencial
na escolha de um modelo e pesará muito na hora da
compra - atenção montadoras!! Multiplicar
o conhecimento não é favor algum ao mercado.
É uma situação imperiosa para o mercado.
Assistência técnica é questão
de segurança, vai muito além da ordem econômica.
| falta de
informação + falta de formação
+ sonegação de informações
+ peso dos investimentos = reparador desiludido e
usuário insatisfeito. |
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PAULO POYDO
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O marketing implícito - a oficina como empresa
precisa ter uma campanha de marketing, porém, esta
atividade necessita de investimento pesado! De onde sairá
este marketing? Do próprio cliente, dos serviços
realizados. Mais uma vez a figura da parceria entra em cena,
os distribuidores e fabricantes estão de mãos
dadas com o reparador para divulgar em conjunto seus produtos
e suas ações. Lembre-se o reparador influencia
na compra de peças e acessórios (a escolha
da marca é determinada pelo profissional da reparação
em mais 80% dos casos), suas palavras tem peso! Valorize-se!
A impressão que fica na mente do cliente (usuário
final) sobre o estabelecimento oficina é de um local
que resolverá seus problemas de forma rápida
e com um preço razoável. Quando este mesmo
cliente entra na Concessionária da marca, seus pensamentos
modificam-se de acordo com o ambiente. Lá a regra
do jogo é muito clara!
Em recente pesquisa da Robert Bosch, fica muito claro
que o reparador ainda não despertou para conhecer
o seu cliente. Os principais motivos para o abandono do
reparador são:
Mau atendimento
- 48 %
Falta de confiança
- 47 %
Demora no atendimento - 43 %
Preços elevados - 34 %
Falta de orientação - 14 %
Manter um atendimento qualificado aos
seus clientes é um dever e uma forma de você
sobreviver!
Não existem mais espaços cativos, o espaço
é para todos. A cadeia reparadora passa por transformações
e enxugamentos, com maior prejuízo para distribuidores
e varejistas. Muito embora cerca de 70% do mercado ainda
opere conforme o diagrama acima, as mudanças são
irreversíveis.
Na mesma pesquisa citada anteriormente, o mercado se expressa
e diz o que espera de um reparador:
Confiança
e segurança - 59%
Rapidez - 57%
Atendimento - 49%
Bons preços - 28%
Perto do domicílio - 23%
Ver as peças trocadas - 12%
Dar orientação - 10%
Estes índices servem para aprimorar os serviços
e o comportamento dos reparadores quanto às necessidades
dos usuários.
Muitos profissionais não conquistam posições
no mercado por julgarem que se trabalha para "ganhar
dinheiro". Dinheiro não se ganha, se faz.
Qualquer centavo que surge na sua conta bancária
foi colocado ali através da venda do seu trabalho.
Você, reparador, trabalhou (ninguém lhe dá
nada por pura simpatia!) para buscar o resultado desta equação,
que é a figura do caixa. As empresas têm de
ter a figura do caixa, somente assim haverá recursos
para investir no seu negócio!
O profissional comprometido baliza sua conduta pelas exigências
do mercado. É preciso quebrar paradigmas, ser pragmático
e ousar. Ousar com competência e consciência.
É reavaliar o que já foi feito, melhorar continuamente,
projetar metas, seguir os três R:
Três R: Respeito
a si mesmo, Respeito aos outros
e Responsabilidade por suas
ações.
Serviços devem ser vendidos de forma dinâmica.
Por exemplo, citaremos o artista que vai para o palco e
realiza um show, vende seus serviços para uma platéia,
um grande público. O profissional da reparação
vende seus serviços de forma unitária e a
rentabilidade será conseguida com qualidade, dinamismo
e habilidade em diagnosticar de forma precisa o relato executado
pelo usuário - ouvir bem é ouro,
falar é prata -. Fazer uma avaliação
precisa, uma boa anamnese, traduz-se em bom atendimento,
com resultados objetivos, e são estes fatores que
formarão os divisores de água. Precisamos
acabar com a impressão de que reparo automotivo é
calcado em diagnóstico divino, "achologia".
O profissional moderno tem de encarar a sua profissão
com tecnicidade.
Para os mais antigos, acomodar-se sobre os elogios e o
sucesso já adquirido, não será o elemento
principal para manter a casa cheia, é necessário
buscar o aprimoramento constante. Não é necessário
reinventar a roda, apenas fazer com que role sem sobressaltos.
Serviços não se vendem, são vendidos.
Ninguém procura o médico, dentista ou mecânico
por saudades, simpatia ou visita social, é a necessidade
e a busca por prevenção que nos leva ao profissional.
Sobram oficinas para os aproximadamente 23 milhões
de veículos automotores!
É lamentável aceitar a realidade que temos
muitos estabelecimentos para poucos veículos, somente
ficarão de pé aqueles que encararem o futuro
como já, o futuro é agora!. É com garra
para retirar o atraso e a poeira de cima dos livros (não
há mais espaço para se aprender no peito e
na raça), que todas as entidades de classe - patronais
e funcionais, governos, entidades de normatização
e ongs - se engajam no sentido de restabelecer a seriedade
ao mercado.
O conserto do automóvel não é algo
para aventureiros, transportam-se vidas e movimenta-se uma
nação sobre rodas. Devemos ser criativos e
brindarmos o mercado com soluções e eventos
que privilegiem a qualidade. Não adianta reclamar
que faltam recursos para reverter este quadro esdrúxulo,
pois esta culpa é também nossa. Só
o esforço conjunto colocará o mercado nos
eixos e para isso precisamos atacar os pontos vulneráveis.
Descentralizar eventos do eixo SP/SP, fazer com que todos
os SENAIs falem o mesmo idioma; ações conjuntas
entre aplicadores, distribuidores, varejistas, montadoras
e fabricantes de autopeças, devem ser ampliadas para
reforçar o mercado.
Porém, nunca é tarde para recomeçar,
temos de recriar uma legião de técnicos capazes
e responsáveis, que mudarão a visão
de todos, fazendo um país sobre rodas confiável
e seguro, sendo que a porta que se abre e desponta um raiar
de sol é a "ampla divulgação
e conscientização das vantagens da manutenção
preventiva", pois só assim o mercado reparador
sairá da insolvência que se encontra, possibilitando
novos investimentos e reciclando os hábitos do reparador
e do usuário.
HISTÓRIA
A estrada para o sucesso em
dois tempos
Exposição especial no Audi Museum Mobile
em comemoração ao 125º aniversário
do fundador da DKW
A marca DKW não é apenas uma parte
importante da história da AUDI AG. Sem a DKW, talvez
a Audi nem existisse hoje. Thomas Frank, responsável
pelo departamento Audi Tradition, refere-se aos difíceis
anos após a Segunda Guerra Mundial quando a Auto
Union tentava um recomeço em Ingolstadt após
a sua dissolução na Saxônia.
Foram as motocicletas e carros DKW, com seus motores de
dois tempos, que ajudaram a companhia a reerguer-se. Por
esta, entre outras razões, a Audi Tradition está
homenageando o fundador da DKW, Jörgen Skafte Rasmussen,
que estaria celebrando seu 125º aniversário
em 30 de julho, com a exposição especial A
estrada para o sucesso em dois tempos no Audi Museum
Mobile em Ingolstadt, de 03 de julho a 23 de setembro de
2003.
Nascido em Nakskov, Dinamarca, Rasmussen recebeu treinamento
como engenheiro em Mittweida e Zwickau e, em 1907, aos 29
anos, montou uma pequena fábrica em Zschopau, Saxônia,
que produzia acessórios para caldeiras a vapor.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o dinamarquês
desenvolveu um veículo movido a vapor, em alemão
Dampfkraftwagen, cujas iniciais deram nome aos produtos.
Após 1918, Rasmussen trocou para motores de dois
tempos em Zschopau e deu início à produção
de motocicletas.
Devido a um incrível crescimento nos negócios,
ele conseguiu transformar a empresa Zschopauer Motorenwerke
na maior fábrica de motocicletas do mundo em 1928.
No mesmo ano Rasmussen começou a produzir carros,
tornando-se a primeira pessoa na Alemanha a produzir veículos
com tração dianteira como padrão. Eles
se tornaram cada vez mais populares.
A DKW, apesar de tudo, também sofreu os efeitos
da Grande Depressão e, por iniciativa do Saxon State
Bank, os produtores de veículos Audi, Horch, DKW
e Wanderer uniram-se na companhia Auto Union. Rasmussen
foi uma das pessoas-chave na fundação da Auto
Union AG e tornou-se membro do seu Conselho de 1932 a 1934.
Apesar disso, diferenças irreconciliáveis
sobre o gerenciamento da empresa levaram Rasmussen a deixar
a Auto Union AG em 1935. Depois da Segunda Guerra Mundial
ele retornou para a Dinamarca onde morreu em Copenhagen
em 12 de agosto de 1964.
Rasmussen foi inovador em muitos aspectos relacionados
à DKW. A marca chegou ao mercado em um momento em
que a concorrência já estava instalada há
muito tempo e conseguiu apelar para a emoção
de seus consumidores e distribuidores. Com produtos brilhantemente
simples e duráveis, a DKW levou grandes segmentos
da população tornarem-se motorizados.
Encorajados por estratégias inteligentes de propaganda
e formas de pagamento atrativas, os consumidores começaram
a confiar na marca, à qual permaneceram fiéis
após a guerra, apesar de não haver novos produtos
DKW por anos seguidos.
Uma série de exposições especiais
estará em exibição no Audi Museum Mobile.
Por exemplo, itens que pertenceram a Jörgen Skafte
Rasmussen, como o 20.000º motor auxiliar de motocicleta
produzido com o qual os operários presentearam seu
chefe. E o famoso motor de brinquedo Des Knaben Wunsch
que produz um cavalo de força.
Os motores em exposição incluem também
unidades que não foram produzidas para a estrada,
como um motor para aeronave e o extremamente raro motor
DKW de 4 cilindros em linha que, originalmente desenvolvido
para automóveis, foi desenvolvido em pequeno número
para uso estático. A mostra une estágios importantes
na história da DKW e os locais históricos
de produção, como Zschopau, Zwickau e Spandau.
Em Spandau, por exemplo, os chassis de madeira recobertos
com imitação de couro foram produzidos para
os veículos DKW Front. A montagem final subseqüente
aconteceu em Zwickau, onde chassis e motores eram montados.
Sobre este assunto, um filme contendo documentação
histórica do processo de produção na
época será exibido.
As exposições incluirão um DKW PS
600 juntamente com o chassi de madeira do veículo.
Um chassi DKW F5 ao lado do veículo terminado estará
exposto na área Zwickau da mostra. A
reprodução de um estande DKW de uma feira
de 1930 será o ponto focal da exibição
especial A estrada para o sucesso em dois tempos.
Nove veículos estarão lá, incluindo
raridades como o DKW Schwebeklasse Roadster (1935), o Golem
chair-bike (1921) e o caminhão Framo (1928).
A Audi é uma empresa que desenvolve e produz automóveis
de alta qualidade. Em 2002 a companhia vendeu mais de 741.000
modelos. Com mais de 50.000 empregados, o Grupo Audi irá
investir 11,4 bilhões de Euros nos próximos
cinco anos. A Audi também possui uma fábrica
no Brasil, joint venture com a Volkswagen, onde emprega
outros 2600 funcionários.
ARTIGO
Cliente Morto Não Compra
Luiz Renato Roble*
Certa vez, quando entrei em uma ótica, tive a impressão
de estar dentro do filme The Net, em que a personagem de
Sandra Bullock se encontrava metida em uma cilada quando
descobriu que, de uma hora para outra, ela tinha sumido
do mapa, os vizinhos não a reconheciam, seus cartões
de créditos tinham sido cancelados e seus documentos
nunca existiram.
Sabemos que cada vez mais é difícil que existam
clientes fiéis a uma determinada loja. Naquela ótica,
entretanto, pelo menos do meu ponto de vista, imaginava
que existia fidelidade. Devido ao meu jeito atabalhoado,
quebro constantemente as lentes dos óculos, assim
era desnecessário levar a receita médica cada
vez que precisava de uma nova lente, pois as informações
já estavam em poder do laboratório. Lá
eu me sentia em Passárgada. Era especial e quase
reconhecido pelo nome.
Naquele dia, porém, coloquei como sempre fazia,
os óculos com uma das lentes quebradas sobre o balcão.
A vendedora ficou olhando-me como quem pergunta, o que significa
isto? Eu disse o que queria e em seguida ela perguntou-me
onde estava a receita. Expliquei minha história e
aproveitei para questionar por que nunca me haviam feito
tantas perguntas antes. Naquele momento então descobri,
que como cliente daquela rede, mais especificamente, daquela
loja, havia sofrido uma traição.
Ela perguntou-me se não estava notando algo de diferente
na loja. Sorrindo explicou-me que a empresa havia feito
um rodízio. Todos os vendedores que trabalhavam naquela
loja não se encontravam mais lá.
Estavam em outras lojas da rede ou tinham sido demitidos.
Logo após esta descoberta fiquei sabendo também,
sempre por meio do sorriso semicontagiante da nova vendedora,
que o novo prazo para a entrega de consertos era maior do
que o realizado anteriormente, que ao contrário do
que era praticado até então, teria de deixar
um sinal ou pagar adiantado e, de quebra, que o cartão
do meu Banco não estava sendo aceito pelo sistema.
Em outras palavras, ela dizia, sempre sorrindo, que aquela
empresa não se importava se era um cliente antigo
e fiel ou se era a primeira vez que eu entrava naquela loja.
Concluí que minha fidelidade pouco importava.
A identidade de uma empresa deve ser construída
buscando um equilíbrio entre os fatores comerciais,
estéticos e humanos. Em outras palavras, mais importante
do que a ótica estar situada em um ótimo ponto
comercial, pertencer a uma rede conceituada, ter muito,
muito mármore na fachada, nas paredes e no chão,
era perceber que ali existia, ou deveria ter existido, todo
um passado feito de histórias humanas decorrentes
do atendimento ali oferecido com laços mútuos
de simpatia, que com certeza construíram a fidelização
de muitos clientes além de mim.
O ponto a se chegar é que não se deve fazer
muitas mudanças significativas simultaneamente em
uma empresa. Pode-se estar alterando, de uma forma violenta,
a percepção que os clientes e os próprios
funcionários têm dela. As mudanças precisam
ser aplicadas em etapas e dentro de um planejamento para
que o efeito colateral não cause no cliente, incômodo
e vertigem como num romance kafkaniano.
Uma empresa não deve ignorar os aspectos humanos
jogando fora seu passado e matando seus clientes. As empresas
vencedoras são aquelas que, além de serem
economicamente viáveis, produzem, além de
lucros, valores estéticos e sociais. As que conseguem
sintetizar esses valores não são apenas as
líderes do futuro são as vivas.
Luiz Renato Roble é designer e diretor
de Criação da DATAMAKER DESIGNERS.
E-mail: criacao@datamaker.com.br
TECNOLOGIA COM
ENGENHARIA
Honda Fit é o primeiro
e único carro nacional a oferecer
transmissão automática CVT, aliando desempenho
e economia
Com relações de marchas continuamente variáveis,
sistema monitora a aceleração, aproveita melhor
a potência do motor e oferece sensação
de linearidade
O máximo aproveitamento da potência e do torque
do motor, com economia de combustível e conforto,
desempenho suave e uniforme para acompanhar a sensibilidade
do motorista são alguns dos benefícios conseguidos
no desenvolvimento da transmissão automática
Honda CVT (Continuously Variable Transmission), com relações
de marchas continuamente variáveis, que equipa o
compacto Honda Fit, o primeiro automóvel nacional
a contar com essa tecnologia.
O sistema, concebido para possibilitar ao motor trabalhar
sempre na faixa mais eficaz de rotação, utiliza
sofisticados e complexos dispositivos eletrônicos
e de mapeamento para selecionar a marcha adequada, de acordo
com circunstâncias como aceleração,
velocidade e retomada. Durante a condução,
a aceleração é monitorada permanentemente.
Quando o acionamento do pedal do acelerador em um determinado
espaço de tempo supera o programado, o módulo
de controle eletrônico seleciona um novo mapeamento,
que passa a utilizar faixas mais altas de rotação
do motor. O ajuste constante da relação de
marchas proporciona uma condução mais suave,
progressiva e intuitiva.

A evolução que resultou nessa tecnologia
traz vantagens em relação aos outros tipos
de transmissão envolvendo basicamente dois fatores.
Na transmissão manual, o acoplamento motor-transmissão
é feito pelo conjunto disco-platô. Existe uma
conexão mecânica e as relações
de marcha são fixas.
Na transmissão automática convencional, a
ligação é feita pelo conversor de torque,
onde a conexão é feita por meio do acoplamento
viscoso. As relações de marcha são
preestabelecidas, pois há um par de engrenagens para
cada marcha à frente.
Já na transmissão automática Honda
CVT o acoplamento é feito pelo volante do motor e
a conexão é mecânica, utilizando polias
de diâmetro variável interligadas por uma correia
metálica, com baixíssima perda mecânica,
possibilitando infinitas relações, inclusive
para a marcha à ré. A variação
contínua da largura das polias em V motriz
e movida, por meio hidráulico, permite alterar continuamente
a relação de transmissão entre as polias
efetuadas por uma correia metálica também
em V.
Com isso, o sistema, que realiza as trocas de marchas sem
estágio e na velocidade ideal, proporciona uma firme
sensação de aceleração e desaceleração
e garante baixo consumo de combustível, comparáveis
aos da transmissão manual. Desenvolvida com materiais
resistentes e leves, a transmissão automática
Honda CVT foi concebida exclusivamente para equipar automóveis
compactos, como o Honda Fit, oferecendo grande eficiência,
além de possuir menos peças móveis
e eixos menores que as transmissões convencionais.
A correia metálica apresenta alta durabilidade e
ótimo desempenho em todos os regimes possíveis
de rotação, exigindo apenas a troca do fluído,
conforme orientação do Manual do Proprietário.
Foi adotado no CVT o volante de massa única, contribuindo
para a redução do peso e quantidade de componentes.
Por sua vez, a bomba de óleo foi colocada sobre o
eixo primário, o que contribui também para
reduzir o número de peças. Além disso,
o corpo de comando foi fixado sobre a caixa, e o solenóide
linear, que tradicionalmente era independente, constitui
agora um corpo único e foi eliminada a bandeja de
óleo da caixa de transmissão de comando. Todas
essas medidas contribuíram para a redução
do peso.
O consumo de combustível também foi melhorado,
pois, além de existir o comando hidráulico
independente para a polia motora/movida, o pistão
que comanda a polia do lado motriz foi aumentado, para segurar
a correia com força maior e reduzir o trabalho da
bomba de óleo, aumentando dessa forma a eficiência
e, conseqüentemente, anulando o efeito negativo ao
consumo de combustível.
Por suas características e inovações,
a transmissão automática Honda CVT oferece
prazer ao dirigir e respostas rápidas e suaves, em
percursos urbanos ou rodoviários. Para extrair o
máximo de desempenho do motor, em termos de potência
e torque, e responder às expectativas conforme as
necessidades do motorista, é importante utilizar
corretamente cada modo de condução.
A manopla tem seis posições básicas:
P, para quando o veículo está
estacionado; R, para acionar a marcha à
ré; N, Neutro ou para movimentar
o veículo com o motor desligado; D que
significa Drive, para uma condução
normal; S, para uma condução esportiva
e em rodovias sinuosas e L, para subidas íngremes,
uso do freio-motor em descidas acentuadas ou ainda em superfícies
onde não há capacidade total de tração,
como areia e lama, limitando a relação de
tração, para evitar que as rodas patinem.
A posição D divide-se ainda em
três opções, selecionadas eletronicamente
pelo sistema após a análise de cada situação:
D1, para privilegiar a economia de combustível,
em trechos de velocidade e aceleração constantes;
D2, ideal para percursos urbanos ou
em congestionamentos, que exigem relações
de marchas mais reduzidas e trocas freqüentes;
RS, na necessidade de aceleração
total, saída rápida ou ultrapassagem, em que
toda a potência do motor é exigida por um período
curto de tempo.
O modo S também apresenta duas variáveis,
também selecionadas eletronicamente:
S1, para uma condução
esportiva, envolvendo uma aceleração progressiva.
O motor trabalha em faixas elevadas de rotação
e com relações de marchas reduzidas;
S2, ideal para condução
normal em estradas sinuosas, em que há frenagens
seguidas de aceleração. Na saída da
curva, exige-se mais aceleração, enquanto
o freio-motor atua mais intensamente para diminuí-la
na entrada da próxima curva.
O Honda Fit é equipado com a transmissão
automática CVT nas versões LX e LXL e conta
com itens de série como ar-condicionado, direção
eletricamente assistida, airbag para o motorista, sistema
ULT com mais de dez combinações de bancos,
vidros, travas e espelhos com comandos elétricos,
preparação para som e alarme e ainda, na versão
LXL, rodas de liga leve, airbag também para o passageiro
e freios com sistema ABS (antitravamento) e EBD (distribuição
da carga de frenagem).
DESENVOLVIMENTO
CST registra lucro líquido
de R$ 590 milhões no semestre
A Companhia Siderúrgica de Tubarão
(CST) registrou lucro líquido de R$ 318 milhões
no segundo trimestre deste ano, o que gerou lucro acumulado
de R$ 590 milhões no semestre. O resultado é
o melhor dos últimos anos e consolida os fundamentos
da CST, que atua com produtos de qualidade diferenciada
e estabilidade operacional.
O desempenho da CST proporcionou ainda um EBITDA de R$
339 milhões e margem de 37%, conforme anunciou o
diretor de Relações com Investidores da companhia,
Leonardo Horta. Dentre os fatores que contribuíram
para o resultado positivo, destaca-se a alta dos preços
do aço no mercado internacional. O preço médio
das placas da CST ficou em US$ 238/t, valor 42% superior
ao obtido em igual período do ano passado e o mais
alto dos últimos três anos.
No segundo trimestre, a CST obteve uma receita operacional
líquida de R$ 921 milhões, com crescimento
de 58% em relação ao mesmo período
de 2002. A receita registrou recuo de 7%, comparada ao trimestre
anterior, em conseqüência do efeito negativo
sobre as exportações e da valorização
de 14% do Real. No entanto, a perda de receita por conta
da desvalorização do dólar frente à
moeda local, foi reduzida em função do mix
nobre de vendas de placas da companhia, com maior valor
agregado, e pela alta do preço do aço internacional.
A performance industrial da CST também foi marcada
por um volume de produção superior ao do primeiro
trimestre deste ano. Houve aumento de 2% na produção
de placas (1.213 mil toneladas) e de 10% em relação
às bobinas (258 mil toneladas). O volume de vendas
de placas foi 26% inferior ao embarcado no mesmo período
do ano passado, já que parte do produto foi destinado
à produção de bobinas. Os principais
destinos das placas foram Ásia e EUA.
A venda de bobinas no trimestre foi de 262 mil toneladas,
30% acima do volume alcançado nos três primeiros
meses deste ano. Do total de bobinas comercializadas, 27
mil toneladas foram exportadas para 13 clientes internacionais.
Até então, a maioria das vendas de bobinas
para o exterior foi realizada em pequenos lotes experimentais
para serem testados. Os embarques de lotes comerciais foram
iniciados em maio e já começaram a ser incrementados.
Para o mercado doméstico, a CST já vendeu
bobinas para cerca de 50 clientes distintos, dos quais a
grande maioria irá compor a carteira regular de clientes.
Um exemplo é Vega do Sul, usina de laminação
a frio e galvanização, localizada em Santa
Catarina, onde a CST participa com 25% do capital, para
onde foram destinadas cerca de 5% das vendas do trimestre
e que está em fase de início de operação
do processo de galvanização.
O processo de crescimento da produção do
Laminador de Tiras a Quente (LTQ) teve continuidade neste
segundo trimestre, com foco operacional na produção
de bobinas com espessura mais finas e com especificações
mais rigorosas, para usos mais nobres.
A CST realizou investimentos de R$ 32 milhões no
trimestre, sendo R$ 24 milhões em projetos estratégicos,
em especial na otimização da produção,
e cerca de R$ 8 milhões em reformas e melhorias correntes.
Além disso, o projeto de ampliação
da produção de placas para 7,5 milhões
de toneladas/ano está em andamento, de acordo com
o planejado, com previsão para início das
obras em 2004.
Com o preço médio da placa da CST em US$
234/t no semestre, a Companhia mantém sua expectativa
para o ano dentro da faixa de US$ 230 a US$ 240/t. A CST
acompanha a expectativa geral do País, com a perspectiva
de redução da taxa de juros, levando a um
início de melhoria no nível geral de atividade
econômica a partir do quarto trimestre do ano.
MÁQUINAS
Exportações continuam
em alta no setor de máquinas e equipamentos
Balanço do primeiro semestre aponta crescimento
de 35,9% nas vendas externas do setor
Segundo os indicadores da Abimaq (Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos),
a indústria de bens de capital mecânicos encerrou
o primeiro semestre de 2003 com crescimento de 35,9% nas
exportações, ao passar do US$ 1,7 bilhão
no primeiro semestre de 2002, para US$ 2,3 bilhões
no mesmo período deste ano. Nos últimos 12
meses, o montante exportado alcançou US$ 4,3.bilhões.
O destaque fica para a China que apresentou elevação
de 130% nas importações de máquinas
e equipamentos, ao saltar de US$ 44,5 milhões de
janeiro a junho de 2002, para US$ 102,5 milhões em
2003. A Argentina mantém-se estável na terceira
colocação, com taxa de 192,7% de crescimento
e um total de US$ 173,1 milhões ante US$ 59,1 milhões
do primeiro semestre de 2002.
Ao analisar os indicadores, o presidente da Abimaq, Luiz
Carlos Delben Leite, enfatizou o esforço do fabricante
brasileiro de máquinas e equipamentos que, após
a desvalorização cambial de 1999, foi à
busca do mercado externo e da competitividade necessária
, contribuindo para a conquista de relevância do setor,
que é o segundo maior exportador industrial brasileiro.
Delben Leite destacou também a questão do
aprimoramento tecnológico, que conferiu um nível
de qualidade bastante elevado aos bens de capital mecânicos,
possibilitando o crescimento das exportações
e a substituição competitiva de importações.
Nesse sentido, aumentou a participação da
indústria local no consumo aparente de máquinas
e equipamentos, que passou de 61,8% no primeiro semestre
de 2002 para 63,9% em 2003, visível ainda no recuo
das importações, da ordem de 9,9% no período.
.
Confirmando tendência de equilíbrio, o item
máquinas e equipamentos continua reduzindo o déficit
da balança comercial.No resultado anual, o déficit
apresentou uma queda de 63,9% passando de US$ 1,4 bilhão
nos primeiros seis meses do ano passado, para os atuais
US$ 508,7 milhões.
Até junho, o faturamento nominal do setor apresentou
crescimento atingindo R$ 16,9 bilhões contra R$15,6
bilhões no ano passado, o que representa um aumento
nominal de 8% no faturamento global. Contribuíram
para esse resultado o bom desempenho das exportações
e de alguns sub-setores como o de máquinas e implementos
agrícolas (50,6%) e máquinas-ferramenta (40,7%).
O nível de emprego apresentou aumento de 1,5% em
junho deste ano ante junho de 2002, ao empregar 179.147
funcionários, o que representa 2.576 vagas a mais
que em junho de 2002, quando 176.571 colaboradores estavam
empregados no setor. Com relação ao nível
de utilização da capacidade instalada, houve
uma pequena redução, de 1,3%, no resultado
médio anual, ao passar de 77,5% em 2002 para 76,5%
em 2003.
Pedidos em carteira têm redução - O
número médio de semanas para atender os pedidos
em carteira registrou queda no resultado médio mensal
e anual. Até junho, o setor registrou queda na carteira
média de pedidos de 2,8% devido à retração
no fechamento de novos negócios, passando de 16,86
semanas em 2002 para 16,39 em 2003. No mês, a queda
foi de 1%, uma vez que, em junho de 2003, o setor possuía
uma carteira de pedidos suficiente para trabalhar 16,26
semanas, enquanto que em junho de 2002 esta carteira garantia
as atividades por 16,43 semanas.
FUTURO
Agora ou nunca: o imperativo
da colaboração automotiva
O relatório revela mudanças fundamentais na
indústria até 2010
A IBM Business Consulting Services, divisão
de consultoria da companhia, prevê que até
2010 a forma de atuação do setor automotivo
passará por transformações consideráveis,
baseando-se em relações colaborativas entre
fornecedores, revendas e outros agentes da cadeia produtiva.
Esta previsão faz parte do novo relatório,
Agora ou nunca: o imperativo da colaboração
automotiva, que traça estratégias para
o setor, as quais irão levar a uma forma mais flexível
de condução dos negócios e de resposta
às exigências do mercado.
Segundo o estudo, haverá uma transformação
no modelo atual das relações montadora-fornecedor,
dominado atualmente pela desconfiança e interesses
conflitantes.
As montadoras deixarão de procurar a melhoria dos
seus resultados através do poder de negociação
para forçar fornecedores a reduzirem preços.
Ao contrário, a colaboração entre diversas
empresas no ambiente de projeto e engenharia irá
acelerar a criação de valor e com isso, aumentar
as margens operacionais.
Na última década, a estrutura de fabricação
automotiva passou por uma grande mudança. A estratégia
crescer para sobreviver foi substituída
por uma consolidação, onde as Original Equipment
Manufacturers (OEM) individuais foram substituídas
por empresas globais, as Vehicle Brand Enterprises (VBE),
cada qual gerenciando um conjunto de marcas.
O modelo de negócios colaborativo constituirá
o caminho para que as montadoras consigam competir e vencer
nesse novo ambiente., diz Paulo de Tarso Petroni,
consultor responsável pelo setor automotivo da IBM
Business Consulting Services.
O estudo mostra que, com o tempo, as montadoras e fornecedores
mais bem-sucedidos criarão comunidades colaborativas
integradas de alto desempenho. A concorrência entre
custos continuará a ser um imperativo, no entanto
as empresas competirão em termos de velocidade e
melhor funcionalidade. Os ciclos de vida dos produtos serão
curtos, exigindo melhorias significativas de produtos e
serviços para que se possa continuar competitivo.
Dentro deste novo modelo, a tendência para a consolidação
se mantém e o estudo prevê que, até
2010, não haverá mais de 20 a 30 grandes fornecedores
do setor automotivo no âmbito global.
Fatores que motivam a mudança
Os investimentos inerentes à rápida criação,
desenvolvimento e fornecimento de novas tecnologias para
consumidores, cada vez mais exigentes, irão forçar
as empresas a repensar suas posições no mercado.
No futuro, a concorrência irá deixar de ser
entre empresas isoladas, transferindo-se para o nível
da comunidade (entre núcleos de fornecedores). As
empresas que forem capazes de reunir a melhor comunidade
logística e acelerar a inovação voltada
para o consumidor mais rapidamente que os núcleos
de seus concorrentes, alcançarão e manterão
vantagem competitiva.
Os vencedores de longo prazo serão as comunidades
automotivas que conseguirem aliar uma sólida gestão
de relações com o consumidor a um processo
de inovação bem gerenciado. Elas também
investirão com êxito nas necessidades dos clientes
em relação ao processo produtivo, vendas de
veículos e serviços, diz Petroni.
É importante frisar que a montadora bem-sucedida
do século 21 irá combinar agilidade, flexibilidade
e rapidez de comercialização. Essa tendência
será provocada por descobertas tecnológicas
de engenharia veicular e o advento do software nos carros.
As montadoras irão descobrir que as mudanças
tecnológicas no veículo irão encurtar
o ciclo de vida do produto, aumentando a importância
estratégica da agilidade e da flexibilidade.
Comércio de Produto Colaborativo
Para responder a estes desafios, as empresas precisarão
adotar uma nova abordagem de criação e distribuição
de valor entre os parceiros comerciais. O primeiro passo
para criação desse modelo é a identificação
das empresas certas para se construir valor mútuo
por meio de um conjunto certo de ferramentas, práticas
e relações, chamado Comércio de Produto
Colaborativo (CPC).
O CPC é a aplicação de uma estrutura
coesa de e-business a todos os aspectos do ciclo de vida
do produto, que no final irá permitir a ligação
entre o consumidor e o processo de desenvolvimento do mesmo.
Ao dar a todos os agentes dentro de uma empresa acesso simultâneo
à mesma informação, o sistema permite
que questões relacionadas ao desenvolvimento de produto,
comercialização e gestão de ciclo de
vida sejam tratadas de forma mais eficiente.
Os benefícios dessa abordagem incluem redução
de custos, ciclos de vida mais curtos e desenvolvimento
de produtos e serviços voltados para o consumidor,
sustentando a vantagem competitiva das empresas. As relações
integradas permitirão também, aos membros
da comunidade, concentrar esforços em suas atividades
principais e desenvolver as competências dos seus
parceiros colaborativos.
As ferramentas de colaboração, dentro de
uma cadeia logística complexa, já estão
disponíveis e a necessidade de um novo processo colaborativo
é clara. A transição para esse modelo
não será fácil mas, no final, será
menos dolorosa que a tentativa de manter, no século
21, o modelo de pressão do século
20.
DESENVOLVIMENTO
Prensa de transferência
alimentada por robôs
Estatísticas pesadas, vantagens ainda maiores: 3.600
toneladas de força de estampagem, até 22 estampos
por minuto, 1.500 toneladas de peso e 15 metros de altura.
A ThyssenKrupp Umformtechnik GmbH queria
essa prensa há muito tempo, mas ela era cara demais.
Só em março de 2001, a diretoria executiva
da ThyssenKrupp Automotive deu o sinal verde para a compra,
e o fabricante alemão Müller-Weinbarten foi
contratado para produzí-la.
Enquanto isso, na fábrica de Bielefeld-Brackwede,
onde a nova prensa seria instalada, uma outra, antiga, teve
de ser desmontada e novas fundações tiveram
de ser fundidas e colocadas. Com um planejamento exatíssimo,
os elementos iniciais, cada um deles com até 200
toneladas de peso, foram instalados com exatidão
de menos de um milímetro.
A nova prensa traz muitas vantagens, inclusive a de poder
mudar ferramentas em minutos, em vez de horas ou mesmo dias.
A alimentação é inédita, com
a utilização de quatro robôs. Os produtos
manufaturados pela ThyssenKrupp nesta prensa vão
de estampos de carroçaria a eixos estampados feitos
com aço de alta resistência à tração.
Braços arrastados em chapas de aço
Um dois principais objetivos de qualquer montadora de veículos
comerciais leves é aumentar o conforto e a carga
útil, diminuir o peso morto e manter bom comportamento
dinâmico e agilidade em acelerações,
frenagens e curvas. Para chegar a isso, é necessário
submeter o sistema de suspensão a grandes esforços,
quer o veículo possua suspensão independente
ou não.
Uma das especialidades da ThyssenKrupp é o desenvolvimento
de componentes de suspensão, e ela acaba de lançar
o projeto de um eixo de braços arrastados com fortes
reduções de peso, adequado a veículos
de tração dianteira, impulsão traseira
ou tração nas quatro rodas. Com 20 a 30 por
cento menos peso que um sistema de braços arrastados
fundidos ou forjados, materiais de nova geração
e melhor proteção superficial (galvanização
por imersão a quente), o novo sistema oferece também
ótima proteção à corrosão.
O novo eixo de braços arrastados é indicado
especialmente para picapes e furgões médios
e pesados, além de caminhões leves, que têm
de ser mais confortáveis e de transportar cargas
sensíveis.
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