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2004
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ABRIL - VISÃO
DE MERCADO por PAULO POYDO
Cuidados e manutenção
para o sistema de arrefecimento
Arrefecer, segundo o dicionário do mestre Aurélio,
significa “...tornar-se frio; perder calor”.
Então, arrefecimento é o ato ou efeito de
resfriamento, que pode ser executado de duas formas distintas:
a) de forma direta: o calor produzido pelo motor é
trocado com o ambiente – refrigeração
por ar.
b) de forma indireta: o calor é retirado pela circulação
de líquido – refrigeração por
água.
Podemos dizer que o motor está envolvido por uma
lâmina d’água depositada em cavidades
– câmaras d’água - que circundam
as áreas de pontos quentes (câmaras de combustão),
em torno dos cilindros e do cabeçote. A água,
depois de aquecida, se expande, passando a agir como um
transportador de calor até o radiador, onde circula
para realização da troca térmica (trocar
calor com o ambiente - ar), abaixando sua temperatura, permitindo
que o calor gerado na câmara de combustão seja
absorvido por este líquido e trocado com o ar.
O sistema de arrefecimento é responsável
pela rápida troca de calor, visto que a temperatura
no momento da explosão atinge facilmente os 1800°
C, fato este que necessita de uma rápida queda de
temperatura para a manutenção dos padrões
de resistência dos materiais. Por ser uma temperatura
instantânea (pico) que decresce rapidamente pela própria
expansão dos gases, os materiais se dilatam e contraem
excessivamente, necessitando de um poderoso sistema de troca
térmica - todo material tende a sofrer dilatação
ou retração, em função da temperatura.
O sistema de arrefecimento é constituído
basicamente de:
O radiador é o órgão que faz o resfriamento
da água que vem aquecida do motor. Os radiadores
podem ser tubulares, de colméia, faixas plissadas
(lâmina d’água), verticais ou horizontais.
O vaso expansor nada mais é do que um recipiente
suplementar destinado a recolher o excesso de volume de
água que se dilatou ao esquentar. Pode ser pressurizado
ou selado (praticamente elimina o fenômeno de evaporação,
tornando a tarefa de verificação de nível
um ato esporádico). É um compensador para
as dilatações que a solução
arrefecedora sofre.
Quando a temperatura da solução sobe, fazendo-a
expandir-se no sistema, o excesso é conduzido ao
reservatório (depósito) de expansão.
A diminuição da temperatura e da pressão,
no processo de resfriamento do motor, cria depressão
e a água é novamente aspirada para o radiador.
No próprio radiador ou no vaso expansor existe uma
tampa de pressão que eleva o ponto de ebulição
da água. As tampas possuem molas calibradas que estabelecem
pressões ao sistema variando em torno de 0,5 a 1
Kg/cm², o que nos dá os parâmetros de
fervura d’água por volta dos 112° C, ao
nível do mar.
Uma segunda válvula é também responsável
pelo alívio da pressão interna através
do trabalho das molas calibradas na tampa do reservatório
– as válvulas de sobrepressão, que se
encontram na tampa do reservatório. Em caso de problemas
de funcionamento, podem gerar problemas de grandes proporções;
São um componente de baixo custo que leva muita gente
para a oficina.
Um ventilador ou hélice que tem como principal
tarefa forçar a passagem do ar externo através
das galerias do radiador (dutos, lâminas ou faixas,
de acordo com o projeto), refrigerando assim todo o fluxo
de água que se encontra em seu interior. Pode ser
acionado pelo próprio motor (através de correias),
por acoplamento viscoso (através de aplicação
de um fluido viscoso de alta resistência, geralmente
silicone, no interior do cubo do ventilador - nas baixas
rotações, sua resistência trava o cubo
de encontro ao rotor, desligando o ventilador - girando
acoplado somente quando houver necessidade de retirar calor
- sem consumir energia do motor) ou ter seu acionamento
por comando elétrico (acionado por intermédio
de um interruptor térmico).
As mangueiras, que são os condutos externos pelos
quais circula a solução ou líquido
de arrefecimento. Devem ser observadas quanto a fissuras
(trincas), enrijecimento e flexibilidade exagerada, pois
podem comprometer o motor, levando-o ao processo de fusão
dos componentes internos (partes móveis).
Uma bomba centrífuga (de recalque) que recalca
a água do bloco ao radiador, isto é, um acelerador
de circulação. Geralmente acionada de forma
mecânica, pela árvore de manivelas através
de correia, faz com que haja circulação constante
de líquido ou solução por todo o circuito.
O termostato ou válvula termostática, é
o agente controlador da temperatura de funcionamento do
motor. É o componente responsável pela manutenção
dos coeficientes de dilatação do motor, fazendo
com que o conjunto opere em uma faixa de grau térmico
definido.
Quando a água está fria, o termostato permanece
fechado e a solução refrigerante não
circula através do radiador; circula apenas nas galerias
do bloco e cabeçote, proporcionando um rápido
aquecimento do motor. Age controlando a velocidade com que
a água circulará pelo circuito. Exemplificando,
se a velocidade de passagem da água pelo radiador
for muito rápida, a solução perderá
temperatura, esfriará e, ao retornar ao motor, um
choque térmico e posterior contração
do material ocorrerão. Na ausência da válvula
termostática, a água passará muito
rapidamente pelos componentes internos, não havendo
tempo para a realização da troca de calor.
O motor precisa funcionar em uma temperatura pré-estabelecida,
nem muito aquecido, nem frio demais. Quando frio demais
(aproximadamente 40° C), o desgaste do cilindro pode
chegar até seis vezes maior do que quando a 90°
C (sem contar que o motor trabalhará com duas temperaturas
diferentes: uma na frente do motor e outra nos cilindros
do fundo do cofre do motor, vide o exemplo dos Opalas com
motor 6 cilindros operando sem a válvula: os dois
cilindros de trás – o quinto e o sexto –
carbonizavam as velas de ignição por mistura
rica); o consumo de gasolina aumenta em torno de 15%.
A solução arrefecedora ou líquido
de arrefecimento, propriamente dito, é a união
de água + etilenoglicol evitando que se evapore quando
atingir os 100°C e impedindo o seu congelamento abaixo
de 0°C. Estes produtos com ação antiespumante,
antioxidante e com retardadores do ponto de ebulição,
solúveis em água (compostos de glicóis,
glicerinas e álcoois), emprestam suas propriedades
e características térmicas para a água,
passando a se chamar solução arrefecedora
(ferve aos 128°C sob pressão de 14 psi), com
uma viscosidade similar ao do óleo lubrificante,
garante boa lubrificação para as gaxetas da
bomba d’água e as mangueiras.
Uma solução que reuna os requisitos necessários
aos diferentes tipos de temperatura a que o motor é
submetido, sem agredir os componentes e com boa durabilidade
é o produto ideal; por isso, muito cuidado na hora
da compra.
Este sistema precisa de cuidados simples para impedir o
aparecimento da ferrugem, que ocorre quando a água
não é tratada; o ideal é que se submeta
o radiador e o sistema a duas limpezas por ano. Um sistema
sujo fica deficitário em aproximadamente 40% de sua
capacidade de troca térmica. O tártaro é
formado por eletrólise da água devido ao encontro
do alumínio com o cobre das juntas e o ferro do bloco
do motor.
Os sistemas selados trouxeram grandes vantagens ao funcionamento
do motor, podendo operar com temperaturas mais elevadas
do que há 20 anos atrás (os novos projetos
operam na faixa de 95°C para cima, enquanto nas décadas
de 60/70 no máximo se chegava aos 80°C). Sua
manutenção deve ser realizada uma vez por
ano, substituindo a solução com uma lavagem
de todo o sistema.
Uma boa solução deve possuir as seguintes
características:
- propriedades anticorrosivas – evitar a formação
de óxido ferroso no interior do bloco, que gera zonas
de pontos quentes e a corrosão de componentes importantes
ao sistema.
- boa condutividade térmica e elevada temperatura
de ebulição.
- características antiespumantes são um fator
muito importante, principalmente nos veículos injetados,
pois onde estiver espumando haverá formação
de bolhas e, por conseqüência, elevação
da temperatura.
- compatibilidade com as tubulações e mangueiras
de borracha.
- viscosidade limitada para que não haja alterações
na velocidade de circulação da solução.
- boa “reserva de alcalinidade”, isto é,
a capacidade de neutralizar, de resistir a oxidação.
No Brasil as soluções têm um pH médio.
Uma reserva adequada indicará a durabilidade da solução
(sua vida útil).
CUIDADOS E MANUTENÇÃO - A
água circulante em contato com os mais diferentes
metais, provocará corrosão e formação
de depósitos, sendo necessária a limpeza periódica
do radiador e a aplicação de um inibidor de
corrosão. É imprescindível, em um país
de clima tropical como o nosso, que a correta manutenção
do sistema seja executada de forma criteriosa; não
basta colocar apenas água, pois se o radiador estiver
sujo, seja externa ou internamente, estaremos alterando
o fator de troca térmica.
Problemas no sistema de arrefecimento podem trazer as
mais graves conseqüências e não podem
ser tratados como questão menor , fazendo parte do
capítulo “Manutenção Preventiva”.
Deve ser avaliado em conjunto com os sistemas elétricos
(ventiladores, fiação, interruptores e sensores)
para evitarem-se os inconvenientes do superaquecimento,
subaquecimento (que pode elevar os valores de consumo de
combustível, de emissões de poluentes e perda
de potência) e até chegar a perda de um motor.
A sujeira interna é composta de óxido ferroso,
sais e iodo, acrescidos de depósitos calcários.
Antes de iniciar a limpeza, de acordo com o nível
de impurezas, é comum aplicarmos algum produto apropriado
para a limpeza. As empresas que fabricam a solução
arrefecedora, também fabricam algum “solvente
anticorrosivo” para ser aplicado em função
do material do radiador. Toda a água contaminada
deve ser retirada com troca direta – água limpa
empurrando a sujeira para baixo até que os depósitos
internos estejam limpos (a coloração da água
vai ficando cada vez mais clara) e somente saia água
limpa.
Muito cuidado deve ser tomado ao realizar a limpeza, que
deve ser iniciada com o motor frio. Quando aplicado produto
desencrustante, seguir as recomendações do
produto. Não retirar ou abrir a tampa do reservatório
de expansão ou do radiador com o veículo aquecido
e/ou ligado, salvo se já possuir experiência
para realizar tal tarefa. Senão, confie este trabalho
a um profissional experiente, o que sem dúvidas,
será mais seguro.
Hoje temos oficinas especializadas em fazer este tipo
de limpeza, utilizando equipamentos para reciclar, aditivar
ou mesmo substituir a solução arrefecedora
em sua totalidade. Se o usuário vem fazendo a manutenção
de forma correta, somente a lavagem com água em abundância,
trará ótimos resultados.
Como observação, vale ressaltar que não
devemos jogar os resíduos da solução
suja e contaminada nas galerias de águas pluviais.
É crime ambiental e existem empresas que reciclam
estes dejetos.
O aspecto externo do radiador também é fundamental,
o painel fica obstruído por insetos, resíduos
de óleo, fuligem, etc.. Se for uma sujeira resistente
a água, utilizar um pincel embebido em gasolina ou
solvente, pincelar no sentido dos perfis das lâminas,
jogando muita água, muita mesmo.
Em algumas situações, é recomendável
retirar os bujões d’água do bloco e
cabeçote, para poder executar uma limpeza no interior
do bloco com maior profundidade, removendo o lodo e a borra
ferruginosa que se formam nas galerias e camisas do motor.
Nos veículos com calefação interna
é de boa técnica utilizar o sistema por pelo
menos 10 minutos, já que o sistema de ar quente não
deve ficar muito tempo sem utilização, podendo
causar danos e até mesmo oxidação e
vazamento, sendo necessário sua substituição,
levando o veículo ao superaquecimento em casos de
vazamento.
Após o término da operação
limpeza, respeitar a proporção recomendada
pelo fabricante na composição da solução
arrefecedora (geralmente à base de etilenoglicol,
na proporção de 60% de água e 40% de
aditivo concentrado). Finalizando, é importante retirar
totalmente o ar do sistema, seguindo as orientações
do fabricante (em alguns modelos existem torneiras ou válvulas
em pontos elevados do sistema, para a realização
desta sangria). Caso não seja executada corretamente
a retirada total ou parcial do ar do interior do sistema,
pode ocorrer um superaquecimento do motor, com graves conseqüências
ao seu funcionamento e a sua durabilidade.
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