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2004 |
MAIO - ENTENDENDO MELHOR
Cx define desempenho do veículo
A maioria dos motoristas já ouviu falar no Cx, conhecido
como coeficiente de resistência aerodinâmica
ou de arrasto, mas poucos sabem exatamente o que é
e como atua no veículo. Resumidamente e sem entrar
no terreno técnico propriamente dito, todo veículo
enfrenta resistência para atravessar o vento. Alguns
têm mais dificuldade, outros menos, dependendo exatamente
de seu Cx. Um objeto com Cx igual a 1 pode, entretanto,
ter o valor aumentado para 1,2 em razão da turbulência
que se forma ao seu redor.
Na indústria automotiva, o Cx é
desafio constante para os engenheiros, em especial das áreas
de design e ruído, porque o coeficiente de resistência
aerodinâmica está relacionado diretamente com
desempenho, consumo e estabilidade do carro. Para determinar
com exatidão absoluta como o ar se desloca pela carroceria,
as montadoras usam túneis de vento de última
geração. São câmaras com potentes
ventiladores computadorizados que, no caso dos automóveis,
não consideram a medida da área frontal, mas
sim a maneira e com que suavidade o ar se desloca ao longo
da carroceria.
No cálculo usado pela engenharia automotiva para
definir a eficiência aerodinâmica, é
considerada a área frontal corrigida – multiplica-se
a sua área frontal pelo Cx obtido no túnel
de vento. Explicando melhor: um Cx de 0,20, por exemplo,
com área frontal de 2 m², resulta em 0,40 –
nos automóveis produzidos atualmente o Cx fica, em
média, em 0,30.
Obter uma redução de apenas 0,002 pode parecer,
num primeiro momento, algo sem a menor importância,
mas para a engenharia automotiva representa um grande avanço.
Um dos exemplos mais recentes neste sentido tem como personagem
o Astra, da General Motors, que substituiu o modelo até
então importado.
De acordo com a própria GMB, a meta inicial era
chegar ao Cx 0,32 – difícil, porque o novo
Astra é 22 mm mais largo e 14 mm mais alto do que
o anterior, tanto por razões de proteção
contra impactos laterais como de conforto interno para os
três passageiros traseiros. O Cx baixo visava reduzir
ao máximo o consumo de combustível e realçar
o desempenho e o comportamento dinâmico, exigências
típicas do continente sul-americano.
Surpreendentemente, chegou-se ao Cx de 0,29, o que posicionou
o Astra entre os melhores da sua categoria nesse item. Mas,
para chegar a isso, a equipe do Centro de Desenvolvimento
Técnico (TDC) da Opel, braço alemão
da General Motors Corporation, trabalhou intensamente. Foram
1,9 mil horas no túnel de vento.
Desde o início, o desenvolvimento do Astra contou
com a participação permanente de designers
brasileiros – que, com os colegas europeus do TDC,
conceberam o projeto dentro conceito de carro mundial. Aliás,
a integração entre os centros de design da
GM e da Opel não é algo recente. Começou
com a linha Chevette, em 1973, o primeiro carro mundial
da montadora.
Desafio é evitar a turbulência -
Quanto mais comprida a carroceria, mais aerodinâmico
será o carro. Esta realidade muitas vezes se transforma
em problema para os projetistas, se considerarmos que os
chamados compactos médios – atualmente a tendência
na maioria dos mercados – têm em torno 4,10
m de comprimento, portanto, uma carroceria relativamente
reduzida se comparada à de veículos de uma
ou duas décadas atrás.
O desafio neste caso impõe aos projetistas a tarefa
de fazer com que o fluxo de ar seja orientado pela superfície,
longe o suficiente para não se interromper no final
do teto e causar turbulência. Recessos na parte traseira
e um teto ligeiramente curvo têm sido a alternativa
para que os técnicos em aerodinâmica consigam
evitar o efeito.
Devido ao fluxo colado do ar, a água da chuva é
varrida do vidro do vigia com tanta eficiência que
um spoiler traseiro normalmente é supérfluo.
Essas soluções produziram uma redução
de 20 pontos (0,020) no Cx e progresso na missão
estabelecida nos pressupostos do novo Astra.
A maneira intensa com que os engenheiros GMB e Opel perseguiram
o ambicioso objetivo evidenciou-se não apenas na
atenção aos detalhes, mas também na
investigação meticulosa. Além de mais
de 350 horas gastas no modelo 1:1 do Astra no túnel
em Stuttgart, houve outras 50 horas no túnel DNW,
em Emmeloord, na Holanda. Neste túnel, o modelo não
fica estacionário e exposto à corrente de
ar, mas pendurado por uma barra enquanto as rodas giram
sobre uma esteira móvel, método que reproduz
fielmente as condições sob o automóvel.
O capô, por sua vez, recebeu inclinação
para cima, como se fosse um spoiler, para dirigir o ar para
uma região acima das palhetas do limpador. Apenas
esse melhoramento produziu redução do Cx em
dois pontos (0,002), fez diminuir o ruído de vento
e evitou vibração das palhetas em altas velocidades,
com limpador desligado.
Idéias e métodos de testes novos foram aplicados
também na área ao redor dos espelhos retrovisores.
Não só podem levar a incômodos silvos,
como contribuir para sujar os vidros laterais em tempo chuvoso.
Foi utilizado um túnel de vento especial na cidade
suíça de Emmen, onde água e pó
de giz são adicionados à corrente de ar, de
maneira a dar melhor visão de como se verifica o
acúmulo nas janelas. As medidas de otimização
nos espelhos trouxe mais melhora para o Cx: dois pontos
(0,002). Foi assim, de ponto em ponto, o Cx de 0,29 do Astra
tornou-se referência em aerodinâmica.
Velocidade aumenta resistência - Quanto
menor a área frontal corrigida, menor será
o esforço necessário para o veículo
vencer a resistência do vento – esta é
a matemática do Cx. No uso urbano, o coeficiente
de arrasto pouco representa mas, na estrada, ocorre o oposto,
pois a resistência aerodinâmica cresce ao quadrado
da velocidade. Daí a importância do trabalho
dos designers em aplicar às carrocerias formas e
superfícies mais arredondadas possíveis.
A busca por soluções neste aspecto também
é constante. No caso da GM, o pára-brisa deslocado
120 mm à frente em relação ao Astra
anterior foi um dos elementos da melhor aerodinâmica
e interior mais amplo, transmitindo aos ocupantes a sensação
de conforto e segurança.
Mesmo antes do desenho do carro estar claramente definido,
foram feitos modelos de argila em escala 1:5, com os quais
os especialistas em aerodinâmica gastaram 900 horas
no túnel de vento, em Stuttgart, na Alemanha, para
modelos em escala reduzida, num amplo estudo das características
de fluxo de ar.
Os modelos de 80 cm de comprimento comportaram-se de maneira
realista nos testes. “Ao final da fase 1:5, cerca
de 60% do projeto de aerodinâmica estava terminado”,
disse na época Michael Kaufmann, responsável
da área no projeto Astra. De fato, a simulação
foi tão realista que os dados obtidos diferiram em
não mais que 1,5% em relação ao que
foi medido mais tarde nos protótipos.
A confiança aumentou quando o modelo em tamanho
real foi ao túnel pela primeira vez. Construído
em plástico reforçado com fibra-de-vidro sobre
a plataforma do Astra anterior, o modelo apresentava todas
as superfícies relevantes quanto à aerodinâmica,
como pára-choques, espelhos retrovisores, soleiras
das portas e parte inferior do veículo.
Além dos técnicos da área, outros
especialistas, como em acústica, realizaram cuidadosamente
o trabalho de apurar fontes de ruído em pontos críticos
(colunas e espelhos retrovisores), para manter a estabilidade
do projeto do novo veículo como um todo.
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