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2004 |
MAIO - EVOLUÇÃO
Injeção eletrônica
faz 16 anos
A injeção eletrônica de combustível
representou um passo importante na evolução
tecnológica da indústria automobilística
brasileira. O primeiro automóvel nacional a incorporar
o equipamento foi o Gol GTi, em 1988, portanto, há
16 anos. O sistema que decretou a aposentadoria do carburador
chegou com uma missão básica a ser cumprida:
oferecer ao usuário um veículo cujo motor
respondesse com alto desempenho, funcionamento perfeito
sob quaisquer condições, inclusive quando
da partida a frio, garantisse maior economia de combustível
e reduzisse os índices de gases poluentes.
Logo após o lançamento do Gol
GTi houve acirrada disputa entre as demais montadoras instaladas
no país – na época, apenas GM, Ford
e Fiat, além da própria VW – em busca
da tecnologia. A General Motors equipou inicialmente o Monza
e, em seguida, em l992, toda a linha de modelos Chevrolet,
inclusive o Kadett. A GM foi ainda a primeira montadora
do mundo a oferecer a injeção eletrônica
também para motores a álcool.
Eram dois os sistemas de injeção eletrônica:
o monoponto, com um bico injetor para todos os cilindros
do motor, e o multiponto, com um injetor para cada cilindro.
A eficiência, tanto de um como do outro, porém,
surpreendeu o consumidor quando comparada à do velho
carburador. O motor passou a funcionar sempre redondo, sem
engasgar e ainda dispensando o uso do afogador.
No início dos anos 90, Monza MPFI, da GM; Gol GTi
e Santana GSi, da Volks; e Versailles 2.0 Ghia, da Ford,
utilizavam o multiponto, o qual apresenta algumas vantagens
como, por exemplo, determinar a massa exata de ar a ser
misturada e queimada com o combustível. Entretanto,
o monoponto, mais simples e mais barato, igualmente foi
utilizado pela General Motors. Conhecido como EFI, possuía
um módulo eletrônico denominado MCE para monitorar
todo o sistema de injeção por meio de seis
sensores, determinando inclusive o momento certo para realizar
a combustão junto à ignição.
Na época, a Bosch dominava a tecnologia em mercados
internacionais e, no Brasil, era um dos principais fabricantes
do sistema denominado Jetronic, com ignição
mapeada EZK.
Na virada dos anos 80/90, a própria Bosch já
desenvolvia uma nova geração de injeção
eletrônica de combustível. Tratava-se do Motronic
– Sistema Digital de Controle, que integrava as funções
de injeção e de ignição, gerenciando
todas as condições de funcionamento de um
propulsor a combustão interna. O novo sistema era
semelhante aos demais produzidos pela própria empresa,
mas desempenhava funções mais amplas, com
total controle de gerenciamento do motor. O Motronic era
subdividido em vários grupos de hardwares básicos,
atendendo a variadas combinações de funções,
sendo considerado como um dos mais completos e de maior
aplicação em automóveis na Europa e
nos Estados Unidos.
Sobre os vários grupos de hardwares básicos
era possível agregar diversos módulos de softwares,
preenchendo desta forma todas as expectativas e necessidades
funcionais dos fabricantes de veículos de diferentes
marcas. Assim, após a definição do
sistema e dos hardwares e softwares a serem agregados, iniciava-se
o trabalho de aplicação do Motronic para calibrar
todas as funções de acordo com o modelo de
automóvel que iria incorporar a injeção
eletrônica.
Motronic segue modelo alemão - A
aplicação do Motronic tinha por objetivo a
otimização dos parâmetros de torque
e potência, consumo, dirigibilidade, controle de emissões
de poluentes e diagnose, verificação das condições
de instalação quanto a vibrações,
temperaturas, interferências eletromagnéticas
e de ruídos. Podia-se dizer na época que a
aplicação do Motronic oferecia como principal
vantagem o fato de atender positivamente a todos os objetivos
determinados para o veículo.
Técnicos da Divisão Elétrica da Bosch,
em especial da área de Engenharia de Produto, responsáveis
pelo desenvolvimento do Motronic, informavam que o software
que seria utilizado na nova geração do sistema
de injeção eletrônica baseava-se no
modelo alemão. Existiam, porém, modificações
a serem incorporadas no componente brasileiro, visando atender
às necessidades e condições exigidas
pelas montadoras nacionais diante do tipo de motor, veículo,
combustível e a própria legislação
de emissões de poluentes determinadas pelo Proconve
(Programa de Controle de Poluição por Veículos
Automotores).
A disputa das montadoras pela busca de novidades tecnológicas
acentuou-se de 1992 a 1994 porque, entre outros fatores,
esse período marcou definitivamente a era dos chamados
“carros populares” – classificação
atribuída aos modelos com propulsores de até
1.0 litro, independentemente se equipados com injeção
eletrônica ou carburador.
A Ford, por exemplo, colocou os pés no segmento
dos “populares” quando lançou a versão
Hobby ao apresentar, em dezembro de 1992, a linha 93 do
Escort, a qual trouxe também como grande inovação
a nova geração do Escort, marcada por detalhes
que buscavam modernidade aliada à segurança.
O Escort ganhou, então, mais potência –
uma antiga reivindicação dos consumidores
fiéis à marca – ao oferecer o motor
2.0 litros equipado com injeção eletrônica
de combustível, além de freio a disco nas
quatro rodas na versão esportiva XR3.
Chegava ao Brasil, enfim, o Escort com o mesmo avanço
tecnológico e design do modelo produzido pela Ford
na Alemanha e na Espanha para todo o mercado europeu, que
incorporava, além da injeção eletrônica,
também o conceito aerolock (quando prevalecem as
linhas arredondas); painel frontal e faróis de perfil
baixo; pára-choques de formato aerodinâmico
e capô que desce para a frente do carro em linha com
a maior inclinação do pára-brisa; e
o vinco forte moldado ao nível da linha de cintura,
levemente abaulado nas regiões das caixas de rodas
e contornando as lanternas traseiras e tampa do porta-malas. |