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2004 |
JULHO - MANUTENÇÃO
Tire suas dúvidas
sobre aditivos
A manutenção preventiva do veículo
ainda é um tabu para muitos motoristas. Na maioria
das vezes, isso acontece por falta de conhecimento técnico
sobre mecânica mas, ainda assim, não justifica
deixar de lado certos cuidados com o carro e enfrentar prejuízos
mais tarde. O primeiro conselho é escolher produtos
de boa qualidade para garantir a conservação
de qualquer automóvel. A recomendação
vale tanto para a aparência externa, como pintura,
peças produzidas com materiais plásticos e
estofamentos, como para a mecânica propriamente dita.
Em relação ao motor, por exemplo, os aditivos
têm importância fundamental para o seu bom funcionamento
e uma vida mais longa. Como o próprio nome diz, o
aditivo é adicionado aos líquidos e fluídos
existentes no propulsor, com o objetivo de melhorar a capacidade
de serviço de cada produto ao qual está sendo
misturado.
Como produtos petroquímicos obtidos em laboratório,
os aditivos podem ter as mais variadas funções.
Enquanto uns melhoram o desempenho de motores cansados,
outros até aumentam a octanagem da gasolina, sem
infringir as especificações técnicas
do fabricante do veículo se, de fato, forem de boa
qualidade.
Existe aditivo para o sistema de arrefecimento –
no caso para ser adicionado à água do radiador
– para o óleo do motor e para o lubrificante
do câmbio. Cada um tem propriedades específicas.
Confira alguns exemplos:
Bateria – usado em baterias convencionais (não
seladas), facilita a reação química,
aumentando a capacidade energética. Também
estabiliza a temperatura operacional da bateria;
Água – aumenta o ponto de ebulição
da água e diminui a temperatura de congelamento –
fenômeno comum em regiões de clima muito frio,
quando existe inclusive o risco da água se transformar
em gelo. Permite maior eficiência de refrigeração
nos motores modernos;
Radiador – remove incrustações dissolvidas
e mantém em suspensão as partículas
de ferrugem e cálcio, facilitando a vazão
da água pelo sistema de refrigeração.
Também restaura a eficiência térmica
e forma uma película contra a corrosão;
Óleo – aumenta a eficácia do lubrificante
por meio da criação de películas que
aderem às superfícies submetidas a atrito.
Além disso, prolonga a vida útil e diminui
o consumo do lubrificante;
Motores cansados – é o aditivo ideal para
motores com mais de 50 mil km rodados. Reduz a fumaça,
a queima e o vazamento de óleo por aumentar a película
vedadora do óleo lubrificante;
Antiespumantes – misturado ao óleo do motor,
combate principalmente a formação de bolhas
de ar, que podem provocar a interrupção na
continuidade da película lubrificante.
No Brasil, os aditivos mais usados são os destinados
ao radiador, óleo do motor e os especiais para motores
cansados – estes devido à alta idade média
da frota nacional. A explicação para isso
é simples: quando um motor gira a 3 mil rpm, o pistão
faz, a cada segundo, 50 movimentos de sobe-e-desce dentro
do cilindro. Se não houver um lubrificante entre
o pistão e o cilindro, dois componentes do motor
produzidos com ligas metálicas, a alta temperatura
resultante do atrito fará com que se fundam, ocasionando
o travamento do propulsor. Por isso, o óleo lubrificante
é um dos líquidos mais importantes para o
bom funcionamento do veículo. E sua eficiência
pode ser ainda melhor com um aditivo de boa qualidade.
Cuidado especial com a gasolina - Apesar
de importante, o aditivo para gasolina ainda é pouco
utilizado pelos motoristas. Produto detergente e anticorrosivo,
elimina depósitos de goma, vernizes e corrosão
nos carburadores, bicos injetores e nas câmaras de
combustão. Também reduz a emissão de
poluentes, facilita a partida e ajuda a economizar combustível.
A questão da qualidade da gasolina brasileira, porém,
é um problema à parte. Um bom aditivo pode
até aumentar a octanagem da gasolina, desde que também
o combustível tenha qualidade e seja de boa procedência.
A realidade, no entanto, não é bem assim.
A adulteração da gasolina virou rotina pelos
quatro cantos do território nacional.
Como já foi dito, hoje estima-se que quatro entre
dez automóveis que chegam às oficinas com
problema no sistema de alimentação têm
a gasolina “batizada” como causa do defeito.
Os demais têm o problema relacionado com sensores
eletrônicos e atuadores elétricos (como velas,
por exemplo), decorrentes do uso natural do veículo.
O chamado “batismo” normalmente é feito
com solvente, um subproduto do petróleo para uso
industrial, como fabricação de plásticos.
Adicionado ilegalmente por distribuidores e postos de abastecimento
para aumentar sua margem de lucro, o motor perde potência
e apresenta desempenho extremamente negativo. O solvente
é bastante oleoso e exala forte odor. Por isso, é
facilmente detectado por mecânicos experientes. O
principal sintoma de combustível “batizado”
com o solvente se manifesta pela manhã, quando da
primeira partida com o motor totalmente frio. As falhas
são constantes, mas na medida que o sistema aquece,
elas tendem a diminuir. A falta de desempenho, entretanto,
permanece.
Quando o “batismo” não é feito
com solvente, mas sim com mistura de álcool à
gasolina em volume exagerado, também não é
difícil constatar a adulteração. Basta
retirar um pouco de combustível do tanque do veículo
e colocar num recipiente com água. O líquido
rapidamente apresenta uma tonalidade esbranquiçada,
resultante da reação química em contato
com a água. Para fugir da gasolina adulterada, o
melhor conselho ainda é abastecer sempre num posto
de confiança.
Líquido do radiador ferve a 197º C
- Ainda hoje muitos motoristas pensam que o aditivo
recomendado para misturar na água do radiador tem
como única função manter o sistema
de arrefecimento limpo, como acontecia antigamente. Naquela
época se utilizava uma quantidade de querosene ou
óleo solúvel, adicionada periodicamente na
água dos motores com radiadores de metal. Isso é
um erro grave no funcionamento dos motores modernos.
Atualmente os aditivos especiais para radiadores geralmente
são à base de etileno glicol, um produto que
entra em ebulição a 197ºC (sob pressão
atmosférica) e se mistura perfeitamente com água.
Possui capacidade anti-oxidante, para manter todo o sistema
limpo. A função é evitar a formação
de crostas que venham a dificultar a circulação
do líquido de arrefecimento, engrossando as paredes
dos componentes que precisam ter sua temperatura abaixada.
Como se sabe, a água se solidifica a 0 ºC e,
quando isso acontece, ela aumenta o seu volume, pondo em
riscos componentes internos do motor que fazem parte do
sistema de arrefecimento. O uso do aditivo correto permite
que a solidificação da água passe a
acontecer somente quando forem atingidos aproximadamente
25ºC negativos de temperatura.
Nos últimos anos mudou muito o enfoque dos estudos
da engenharia automotiva sobre a temperatura de trabalho
dos motores. Os novos materiais, as novas disposições
dos motores nos veículos e o perfil aerodinâmico
das novas carrocerias foram alguns dos pontos que determinaram
essas alterações.
Conclui-se, portanto, que a importância de manter
o sistema de arrefecimento sob pressão constante
exige atenção com a vedação
de todo o conjunto e em especial nas áreas possíveis
de vazamentos – as quais, se existirem, além
de se transformarem em pontos de entrada de ar quando o
motor esfriar, podem prejudicar o processo de arrefecimento
como um todo, colocando em risco a vida útil do propulsor.
Percy Faro - Diário do Grande ABC
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