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2004 |
JULHO - QUESTÃO DE SEGURANÇA
Controle de materiais blindados
é essencial à segurança
Consumidores devem ficar atentos à certificação
das blindadoras e materiais utilizados
O número de empresas no mercado de blindagem cresceu
enormemente nos últimos anos. Em 1996, havia quatro
empresas atuando no setor. Hoje se fala na existência
de mais de 60 empresas blindadoras, mas apesar disso, não
chega a 50 o número das cadastradas com endereço
completo. A maioria delas foi criada para atender à
demanda por carros blindados. Em 1995, foram produzidos
388 veículos blindados em todo o país. Em
2003 foram 3.123. O recorde foi alcançado em 2001,
quando a produção chegou à marca de
4.681 automóveis.
“O crescimento do número de empresas mostra
a importância e a consolidação do setor,
mas é preciso que os usuários fiquem atentos,
pois muitas estão mais preocupadas com a lucratividade
do que com a segurança necessária”,
afirma Franco Giaffone, presidente da Associação
Brasileira de Blindagem (Abrablin). Para evitar o crescimento
desordenado, o Exército regulamenta e fiscaliza o
setor, desde da aquisição de insumos para
a fabricação de materiais blindados.
Para fabricar materiais a prova de bala, as empresas precisam
ter um Título de Registro, que somente é concedido
depois que o Exército realize testes balísticos
aprove cada material e emita um Relatório Técnico
Experimental (ReTEx) para cada um deles. No decorrer dos
trabalhos, as próprias empresas precisam realizar
testes a cada remessa de produtos fabricados.
As blindadoras também estão sujeitas a um
controle rígido. Precisam ser registradas no Exército
e obter autorização para blindar e comercializar
cada veículo (Certificado de Registro – CR).
Para blindagens resistentes a fuzis (nível NEB III),
é preciso uma autorização específica,
que só é concedida se o usuário comprovar
a necessidade de uma blindagem desse nível. O Exército
proíbe a fabricação de veículos
com o nível NEB IV.
Mas o controle não pára aí. “Os
insumos são controlados, o Exército sabe quanto
é preciso para fabricar cada um dos materiais e também
para se produzir cada veículo; as fábricas
só podem vender para blindadoras registradas e precisam
informar para qual delas o produto foi vendido; depois disso,
a blindadora precisa informar quantos carros foram produzidos
e para quem foi realizada a venda. Isso dá a possibilidade
de o Exército saber quantos carros foram produzidos
e qual o estoque de cada produto. Caso ocorra uma fiscalização
e a empresa não possua a quantidade exata de determinado
produto, alguma coisa está errada”, explica
o presidente da Abrablin.
Estas e outras regulamentações estão
na Portaria 013 DLog do Ministério da Defesa, de
19 de agosto de 2002, mas muitas empresas ainda não
cumprem as determinações. “A regulamentação
do setor é recente e ainda é necessário
um tempo maior para que o Exército consiga exercer
uma fiscalização plena. É por isso
que os usuários devem ficar atentos, para evitar
a compra de veículos de empresas que dão garantias
maiores que as oferecidas pelo mercado, mas que no entanto
fecham muito antes de a garantia acabar. São as empresas
piratas”, afirma Giaffone.
Os consumidores de blindagem também devem desconfiar
dos vendedores que apresentam garantias da blindagem realizadas
por blindadora X, ou Y, pois, de acordo com o presidente
da Abrablin, ainda não existe um certificado para
o carro blindado, mas apenas para os materiais. “Estamos
trabalhando junto ao Exército para que seja criada
uma certificação da blindagem, mas por enquanto
ela ainda não existe”, diz.
“Enquanto não houver esta certificação,
o usuário deve escolher muito bem onde vai comprar
seu veículo, pois algumas blindadoras podem oferecem
veículos com vidros nível III-A (resistentes
a Magnum 44) e usar outros materiais, que ficam encobertos,
com nível inferior”, alerta o presidente da
Abrablin. Para evitar ser enganado, o consumidor deve exigir
que a blindadora mencione no certificado de garantia todos
os produtos utilizados na blindagem de seu veículo,
bem como os níveis e a procedência de cada
um deles. |