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2004 |
AGOSTO - COMBUSTÍVEL SERÁ O ETANOL ADITIVADO
Começa a nascer o carro
1.0 litro para ultrapassar 300 Km/h
Parceria entre a Dana e a FEI possibilita construção
do veículo que vai em busca do recorde brasileiro
Construído com madeira, espuma de poliuretano e
poliéster, o modelo está praticamente concluído.
Recebe os últimos retoques das mãos habilidosas
de um grupo de estudantes de engenharia automobilística
da FEI (Fundação Educacional Inaciana), em
São Bernardo do Campo (SP). Com o uso de lixas, os
estudantes procuram dar perfeição à
superfície, para permitir a produção
do molde que irá resultar na carroceria em fibra
de vidro. Essa carroceria, com desenho que faz lembrar um
foguete, vai cobrir a plataforma e formar o automóvel
que correrá em busca do recorde brasileiro de velocidade.
Ainda sem nome, o automóvel nasceu da parceria
entre a Dana, um dos principais fabricantes mundiais de
sistemas e componentes automotivos, e a FEI e faz parte
de um programa que visa dar aos futuros engenheiros a experiência
necessária em projetos e construção
de veículos. Também faz parte das ações
em comemoração aos 100 anos de atividades
da Dana em todo o mundo.
O professor Ricardo Bock, coordenador de Engenharia Mecânica
Automobilística da FEI e responsável por uma
grande lista de projetos, é o motivador desses estudantes.
A carroceria será aplicada a um chassi tubular de
aço-cromo molibdênio, em construção
na Dana, com suspensão independente nas quatro rodas.
O motor, ainda em desenvolvimento na Engenharia da montadora,
é Volkswagen 1.0L, igual ao do Gol básico.
Alimentado por turbo Garrett GT20, especialmente desenvolvido
para a prova, com 20 libras de pressão, deverá
superar a potência de 280 cv e levar o carro a mais
de 300 km/h. A caixa de câmbio também é
VW, que poderá ser de quatro ou cinco marchas.
O projeto envolve avançadas tecnologias, entre
as quais um sofisticado software de modelagem em 3D, o Unigraphics
NX, da UGS, que permitiu definir todos os detalhes construtivos
do carro, desde as linhas aerodinâmicas até
o equilíbrio funcional, nas mais diversas condições
de piso e de velocidade previstas. Parte do projeto é
feito no Brasil, como a suspensão, aos cuidados da
empresa gaúcha Moro. Mas os amortecedores são
JRZ, produzidos na Holanda; os "ball-joints" são
norte-americanos, da Aurora, assim como as rodas Weld, de
21 polegadas de diâmetro e tala 4,5 para as dianteiras
e de 23 polegadas e tala 5,5, para as traseiras; os pneus
Goodyear Eagle Land Speed e os freios WillWood, a disco
nas quatro rodas.
Outras tecnologias avançadas são fornecidas
pela Power Burst, de Eduardo Polatti, considerado um cientista
no desenvolvimento de combustíveis e de lubrificantes,
com muita experiência internacional, inclusive na
Fórmula 1. O combustível a ser utilizado é
o etanol aditivado.
Ricardo Bock estima que esse "streamline" brasileiro,
com peso de apenas 530 quilos (relação peso/potência
inferior a 1,8 kg/cv) e coeficiente de arrasto aerodinâmico
de 0,20 (semelhante ao de aviões), comprovado em
testes em túnel de vento, deverá ir além
dos 300 km/h previstos. A marca vai se constituir no primeiro
recorde brasileiro com reconhecimento oficial pela CBA (Confederação
Brasileira de Automobilismo) e pela própria FIA (Federação
Internacional do Automóvel).
A previsão é de que o automóvel realize
a tentativa de recorde na primeira quinzena de novembro,
em uma pista do Ministério da Aeronáutica
a ser ainda definida. Também não está
acertado o piloto, que deverá ser um dos que representaram
o Brasil nas corridas da Fórmula 1. Depois da marca
brasileira, Ricardo Bock planeja levar o carro à
pista de Bonneville, nos Estados Unidos, local em que o
mundo inteiro vai em busca de recordes.
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