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2004 |
AGOSTO - VAMOS PARA PRAIA
Nova liga permite que carros
fiquem mais fortes ao tomar sol
Cientistas descobriram um novo processo que pode
levar em breve à produção de carros
de alumínio e aviões que, quanto mais tempo
ficam "assando" ao sol, mais fortes ficam.
O pesquisador Roger Lumley, do laboratório de Metais
Elaborados Transformados do CSIRO (Pesquisa Científica
e Industrial da Comunidade Britânica), na Austrália,
diz que o novo processo envolve a "cura" (endurecimento
por idade) do alumínio a um ponto em que o processo
pode ser completado pela exposição à
luz solar em vez de em um forno.
"Descobrimos que se o processo de envelhecimento por
altas temperaturas usado para endurecer os componentes de
alumínio, como moldes ou partes do motor, é
interrompido, e então o material é levado
para um processo secundário em temperatura ambiente,
ele aumenta sua resistência em 20%", diz Lumley.
Ao mesmo tempo, o ponto de "energia-total-até-a-ruptura"
também pode ser extendido dramaticamente (até
800%), resultando em carros mais seguros com zonas de impacto
capazes de absorver muito mais energia enquanto se deforma
ou se rompem no impacto.
"Desenvolvemos dois tratamentos de calor que superam
o problema de envelhecimento ou aumento a força do
alumínio, e reduzindo sua resistência à
fraturas, ou vice-versa", diz Lumley.
"Ligas de alumínio usadas nas indústrias
automotiva, de construção civil e aeroespacial
são tipicamente endurecidas pelo envelhecimento -isto
é, elas são reforçadas depois de sua
formação inicial em um processo de cura, ou
por altas temperaturas em um grande forno."
O método produz um leque de tempos de cura para
ligas de alumínio. O exemplo é o tratamento
mais comum, que gera as ligas mais fortes, chamado de T6.
Para gerar as propriedades de tensão requeridas
para aplicações estruturais, o alumínio
tratado pelo T6 fica de 6 a 8 horas em temperaturas de 150
a 170°C.
"O tratamento que criamos reduz significativamente
o tempo de cura por altas temperaturas para cerca de uma
hora, e usa o clima quente da Austrália para completar
o processo", explica.
"Isso significa que as partes da carroceria feitas
em alumínio, por exemplo, podem ser montadas e pintadas,
e que continuarão a se fortalecer no sol".
De acordo com o gerente industrial do instituto, Barrie
Finnin, resultados ainda melhores podem ser obtidos usando
outro processo criado pelo CSIRO em que, depois de várias
horas em temperatura ambiente, o material é submetido
novamente ao forno.
"Uma aplicação provável para
nosso processo seria a produção de carenagens
para aviões e outras aplicações aeroespaciais,
em que a redução de peso e alta resistência
são cruciais."
Ambas as técnicas oferecem ganhos consideráveis
em tempo e uso de energia sobre as técnicas convencionais,
e, em muitos casos, não requerem equipamento adicional.
Os cientistas do CSIRO dizem que as vantagens do novo processo
para a indústria são enormes. Não somente
os produtores de ligas de alumínio aumentam a resistência
de seus produtos enquanto economizam energia, mas também
o processo permite uma rotatividade mais alta de produtos
prontos.
A tecnologia agora está em avaliação
pela Forgecast Australia Pty, siderúrgica australiana
que produz componentes metálicos não-ferrosos.
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