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2004 |
AGOSTO - HORA DE FREAR
Os freios nas novas picapes
americanas da GM
Cinco anos atrás, a GM americana anunciava que seus
novos modelos 1999 dos Chevrolet Silverado e GMC Sierra
eram as primeiras picapes equipadas de linha com freios
a disco nas quatro rodas. Agora, para os modelos 2005, a
GM está meditando como pode voltar ao sistema anterior
disco/tambor e, ao mesmo tempo, melhorá-los e torná-los
mais baratos.
A GM e seu fornecedor de freios para comerciais leves,
a Robert Bosch GmbH, sabem que os freios de uma picape raramente
são usados com força, mesmo com a picape carregada.
O custo extra dos freios traseiros a disco está sendo
dirigido a uma sensível melhora nos próprios
freios dianteiros a disco.
Os levantamentos de satisfação de qualidade
inicial (primeiros seis meses) da J. D. Power and Associates
mostra que os compradores acham que os freios dos modelos
atuais, mesmo com os quatro freios a disco, poderiam ser
melhores, principalmente no que se refere ao esforço
sobre o pedal, a sensação de resposta, o feel
e o feedback ao motorista. Comparados aos levantamentos
feitos com os freios de picapes Ford, Chrysler e Toyota,
a GM estava devendo – embora fosse a única
com os quatro discos.
Os engenheiros da GM e da Bosch resolveram o problema tornando
os discos dianteiros 2,5 cm maiores em seu diâmetro,
e pinças com pistões duplos maiores e mais
rígidos do que os atuais. O aumento da área
varrida é de 55 cm², garantindo decelerações
muito mais fortes inclusive do que os da concorrência.
Outra grande vantagem do novo sistema é poder dispensar
o booster que, por lei americana, tem de entrar em ação
caso o sistema comum de assistência entre em perda.
O cilindro mestre e o sistema de assistência são
igualmente mais eficientes, eliminando a sensação
de ‘esponjosidade’ do sistema atual. Lá
atrás, os tambores também cresceram, ficando
agora com 29,5 cm de diâmetro – a maior dimensão
entre todas as picapes médias em mercado.
No início dos anos 90, os engenheiros da GM desenvolveram
uma matriz para ajudar a quantificar as facetas subjetivas
do feedback de um sistema de freios. O resultado é
um número BFI (brake feel index, índice de
sensação de freio), composto de variáveis
que, juntas, definem a impressão de desempenho dos
freios. De acordo com esse BFI das picapes 2005, a melhora
é de 41% em relação às 2004.
Isso, porém, apenas nas picapes Silverado e Sierra,
já que os SUVs grandes manterão os sistemas
de disco nas quatro rodas – afinal, a traseira desses
veículos, carregada ou não, é sempre
mais pesada que a das picapes.
Com o novo/velho sistema disco/tambor, uma frenagem pânica
a 100 km/h leva 2 segundos e 26 metros a menos para chegar
à imobilidade, com muito menos esforço no
pedal e muito melhor sensação de controle
e desempenho.
O problema agora é explicar isso aos compradores,
que vão ter de deixar um quatro-discos e entrar num
antigo dois discos/dois tambores. E os concorrentes vão
fazer de tudo para deixar a idéia de que a GM não
sabia o que estava fazendo e foi obrigada a fazer o que
eles fazem.

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