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2004 |
AGOSTO - CÉLULA DE COMBUSTÍVEL
Recorde de distância com
células de combustível
O HydroGen3 da GM cobre 10.000 km – nas mãos
de jornalistas
A primeira maratona de um veículo a células
de combustível da GM teve início em Hammerfest,
na Noruega e terminou um mês e oito dias depois em
Lisboa, em Portugal. O Zafira protótipo a células
de combustível, avaliado em um milhão de dólares,
foi dirigido por grupos de jornalistas de cidade a cidade
no caminho, em conjunto com programas educacionais e eventos
de publicidade destinados a deixar o público em geral
e autoridades e políticos em particular, preparados
para uma infra-estrutura européia de hidrogênio.
Tudo começou na norueguesa Hammerfest, com o carro
parando depois na finlandesa Oslo, na sueca Gotemburgo,
na dinamarquesa Copenhagen, na alemã Hamburgo, na
holandesa Amsterdam, na belga Bruxelas (a tempo de apresentar-se
a políticos e burocratas europeus em sua reunião
anual), Londres, Paris, em Russelsheim (a cidade da Opel
na Alemanha) na suíça Zurique, na austríaca
Salsburgo, depois Turim, Madrí e Lisboa. A etapa
de Paris a Darmstadt (Alemanha), de 5.471 km sem desligar
o motor, definiu o recorde de distância, até
então em mãos da DaimlerChrysler, que era
de 5.250 km.
A GM está investindo cerca de um bilhão de
dólares na pesquisa de tecnologia de células
de combustível, apostando que esta é o futuro
da energia do mundo. O diretor de comercialização
de células de combustível dentro da corporação
é John Bereisa, anteriormente o mais interessado
em veículos elétricos, que não se cansa
de chamar atenção para dois fatos importantíssimos:
as reservas mundiais de petróleo estão neste
momento menores do que o que já foi consumido nos
últimos cem anos; e o número de veículos
a motor hoje existentes, de 775 milhões, crescerá
para 1,5 bilhão nos próximos 15 anos, à
medida que países populosos como China e Índia
passarem a ter uma relação pessoas/veículos
semelhante à ocidental.
A China, em 1993, exportava petróleo; um ano mais
tarde, começou a importar. Em dezembro de 2003, já
era o segundo maior importador do mundo, atrás apenas
dos Estados Unidos e à frente do Japão.
A primeira etapa européia para uma eventual economia
de hidrogênio pretende cobrir 10% dos 135 mil postos
de combustíveis automotivos e deve custar entre 10
e 12 bilhões de dólares.
Mas os governos terão também de cooperar,
estabelecendo padrões. Anos atrás, a indústria
automotiva pediu e os governos de países mais avançados
estabeleceram novos padrões de armazenamento de hidrogênio
– mas agora a indústria já acha que
precisa melhorá-los. A razão é simples:
ao tempo, simplesmente não se sabia o suficiente.
Antes, o tanque do veículo não deveria ser
enchido mais de 85%. Hoje, o desenho do tanque e o sistema
de enchimento devem evitar o problema, automaticamente.
No Novo Ciclo Europeu de Direção, o Zafira
a células de combustível faz 400 km com 4,6
kg de hidrogênio líquido e 270 km, com 3,1
kg de hidrogênio comprimido. Seu trem de força
traduz 36% da energia contida no hidrogênio em trabalho,
comparado com 22% num diesel moderno (e muito menos em gasolina,
ou, menos ainda, no álcool). No fim dos trabalhos
de desenvolvimento previstos, a célula de combustível
será duas vezes melhor do que um motor de combustão
interna.
Isso dentro do ciclo governamental, que prevê antes
de qualquer coisa a máxima economia de combustível.
Em uso real, as coisas são mais difíceis:
saindo de Paris, os jornalistas baixaram a bota e o tanque
de hidrogênio ficou vazio após 160 km de auto-estrada.
Há ainda o problema de custo: embora cada célula
de combustível já tenha descido quase mil
vezes em custo (desde sua utilização aero-espacial),
seus trens de força ainda custam de 500 a mil dólares
por kW – e a GM crê que baixarão a 50
dólares em 2010. Para isso, o número e a complexidade
das peças e componentes terão de descer tremendamente.
As placas gravadas em titânio já foram substituídas
por placas estampadas em aço inox. As unidades eletrônicas
de controle, hoje específicas para chassi, tranque
e trem de força, serão substituídas
por caixas pretas normais, e a bomba de alta pressão
que força ar e hidrogênio pelas células,
poderão ser substituídas por válvulas
simples que alternem o fluxo dos gases.
Até este momento, a GM tem 16 Zafiras a células
de combustível. Seis deles estão em Washington,
um em Tóquio e um num projeto europeu com a BMW e
a Volkswagen em Berlim. A próxima geração
do veículo de teste será construída
numa plataforma americana, escolhida assim que as simulações
estiverem terminadas.
Carros com células de combustível
entregues a clientes - A DaimnlerChrysler entregou
dois carros a células de combustível à
Deutsche Telekom (telecomunicações) e à
BEWAG/Vattenfall Europe, que os usarão em sua frota
normal, utilizando inclusive os serviços do primeiro
posto de abastecimento de hidrogênio para automóveis
da Europa.
Este entrega é importantíssima, demonstrando,
nas palavras de Thomas Weber, chefe de pesquisa, tecnologia
e desenvolvimento da Divisão de Automóveis
Mercedes, que esta tecnologia acaba de ultrapassar o estágio
de pesquisa de uma vez por todas.
Os Classe-A estão longe de serem os primeiros veículos
a células de combustível utilizados normalmente
em vias públicas: 30 ônibus Mercedes-Benz Citaro
com esta tecnologia estão circulando nas ruas de
dez das principais cidades européias, enquanto nos
Estados Unidos a UPS, a maior transportadora mundial de
encomendas, transporta seus pacotes em Sprinters, e no Japão
a Toyo Gas Co. e a Bridgestone Corp. utilizam veículos
comerciais em seu dia-a-dia.
A utilização desses veículos em vias
públicas e por operadores comuns, não apenas
em campos de provas e por engenheiros experimentais, abre
caminho para uma base de uso infinitamente mais ampla.
No Classe A, devido à existência de dois painéis
de piso, todo o sistema de células de combustível
e os próprios cilindros de hidrogênio estão
localizados entre os dois painéis, deixando inteiramente
livres os compartimento de passageiros e de bagagem.
Do ponto de vista automotivo, o que ainda está no
começo é o motor único de tração,
‘tocando’ as rodas dianteiras. Com o tempo,
é muito provável que esse motor seja fracionado
e substituído por quatro outros, um dentro de, ou
logo vizinho a, cada roda.
A idéia não é nova: 104 anos atrás,
Ferdinand Porsche fez o primeiro 4x4 elétrico da
história, o Lohner Porsche, com um motor elétrico
em cada roda, que logo também se tornou o primeiro
híbrido gasolina/elétrico, para poder contar
com uma autonomia adequada.
Hoje, com a eletrônica e a célula de combustível,
os problemas de autonomia e de dirigibilidade (no Lohner
Porsche, os quatro motores giravam sempre à mesma
velocidade, trazendo sérios problemas de mudanças
de rota) já não existem mais. Esta mesma eletrônica
traz inclusive a possibilidade de eliminação
do sistema de direção ativo: afinal, num veículo
com um motor em cada roda, basta para qualquer mudança
de rumo fazer com que cada roda tenha uma rotação
momentânea específica para o ângulo de
giro e a velocidade do veículo.
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