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2004
| AGOSTO - NADA DE CALOR
Novo vidro deixa passar a luz
e bloqueia o calor
Imagine ficar dentro do seu carro, ou no escritório,
receber toda a luz que vem de fora mas sem ser incomodado
pelo calor. Pois foi exatamente isto que os cientistas da
Universidade de Londres, Inglaterra, conseguiram fazer,
criando um novo revestimento para vidros que bloqueia o
calor, mas não a luz.
Uma das grandes vantagens do novo revestimento, que é
feito a partir de um derivado do dióxido de vanádio,
é sua capacidade de bloquear o calor apenas quando
a temperatura sobe acima de um nível de conforto,
permitindo que os ocupantes dos prédios e os motoristas
beneficiem-se do calor solar em épocas de frio.
Ao contrário das coberturas de vidro atuais, que
bloqueiam calor e luz, o novo revestimento permite a passagem
dos comprimentos de onda da luz visível, mas reflete
a luz infravermelha quando a temperatura sobe acima de 29º
C. A radiação infravermelha causa aquecimento,
de forma que o bloqueio desses comprimentos de onda mantém
o calor do lado de fora.
As propriedades do dióxido de vanádio são
baseadas em sua capacidade de alternar entre as características
de um metal e de um semicondutor. A alteração
entre a reflexão e a absorção de calor
é acompanhada por uma pequena mudança na estrutura
do material, que sofre uma alteração no arranjo
dos elétrons.
As ligações vanádio-vanádio
são estáveis abaixo da temperatura de transição,
travando os elétrons e impedindo a condução.
Acima da temperatura de transição, essas ligações
vanádio-vanádio se quebram e os elétrons
ficam livres para conduzir eletricidade, o que dá
ao material o comportamento de um metal.
O grande problema é que esta temperatura de transição
é normalmente de cerca de 70º C. Tentativas
anteriores de baixá-la utilizavam a dopagem do dióxido
de vanádio com pequenas doses de elementos como tungstênio,
molibdênio, nióbio e flúor. Embora possível
de ser feita em laboratório, a dopagem não
resultava até agora em um processo industrial que
pudesse ser adaptado de forma economicamente viável.
Os engenheiros ingleses conseguiram fabricar o novo revestimento,
com uma porcentagem ótima de 1,9% de tungstênio,
por meio de um processo chamado APCVD ("Atmospheric
Pressure Chemical Vapour Deposition"), que é
largamente utilizado pela indústria e que permite
que o material seja depositado no vidro em seu processo
normal de fabricação, o que barateia o processo.
"Inovações tecnológicas, como
um revestimento inteligente para janelas, realmente abrem
as portas para projetos mais criativos. A atual tendência
rumo à utilização extensiva de vidros
em construções representa um dilema para os
arquitetos. Eles pintam os vidros, o que reduz o benefício
da luz natural, ou se deparam com contas de ar-condicionado
gigantescas," comenta o professor Ivan Parkin, um dos
autores do artigo que acaba de ser publicado no Journal
of Materials Chemistry.
Antes de chegar ao mercado, o novo revestimento deverá
passar por um período de testes onde será
avaliada sua resistência e durabilidade. Além
disso, os cientistas esperam conseguir produzí-lo
em cores mais discretas: até agora todo o material
produzido é verde ou amarelo.
Cientistas criam um vidro perfeito a partir de
um metal - O zircônio pode não ser
o mais conhecido dos elementos, mas submetendo-o à
mesma pressão capaz de criar os diamantes, cientistas
da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, criaram
um vidro tão puro que poderá vir a ser chamado
de o "vidro-diamante".
O vidro metálico puríssimo poderá
ser utilizado em materiais mais resistentes e estáveis
para aplicações médicas, esportivas
e em aplicações de opto-eletrônica.
Os cientistas Yusheng Zhao e Jianzhong Zhang descobriram
que o vidro de zircônio se forma a cerca de um terço
da temperatura de fusão do elemento, quando o material
é submetido a um pressão de cinco bilhões
de Pascal, algo como 50.000 vezes a pressão atmosférica
da Terra.
"Esta é a primeira vez que vidro metálico
foi criado a partir de um elemento único ou de um
metal puro," afirma Zhaid. "Utilizando processos
industriais de alta pressão para gerar amostras sem
os defeitos que aparecem nos vidros metálicos produzidos
por métodos tradicionais, nós identificamos
um método com aplicações comerciais
potencialmente importantes."
Os vidros metálicos têm encontrado uma grande
variedade de usos nos últimos 15 anos, substituindo
materiais convencionais como metais cristalinos, ligas metálicas
e cerâmicas de alta tecnologia. Entre as suas aplicações
atuais estão materiais estruturais para engenharia,
componentes eletrônicos, joalheria, esquis, raquetes
de tênis e tacos de golfe.
Os vidros metálicos se comportam elasticamente como
os polímeros, mas são mais fortes do que as
ligas metálicas. Isto os torna quase inquebráveis,
mantendo o formato e sendo difíceis de serem riscados.
Mas até agora os vidros metálicos continham
três ou mais elementos, o que diminui sua estabilidade
termal. O novo vidro de zircônio puro resolve este
problema. O material permanece estável a temperaturas
acima de 800º C e pressões de mais de 2,8 bilhões
de Pascal.
Vidro auto-limpante - A inglesa Pilkington
lançou mundialmente seu vidro autolimpante, chamado
Activ Glass. Segundo a empresa, o vidro autolimpante é
capaz de eliminar sozinho a poeira que cai sobre ele. A
chave para o Activ Glass é uma camada ultra-fina
que recobre o lado externo do vidro. Com apenas 40 nanômetros
de espessura, a camada é feita de dióxido
de titânio. Ela é aplicada no vidro na última
etapa de sua fabricação.
A camada de cobertura age de duas formas: na primeira ela
quebra as moléculas orgânicas e, na segunda,
ela elimina a poeira inorgânica. A quebra das moléculas
orgânicas é feita por um processo chamado fotocatalítico.
Os raios ultravioletas do sol reagem com a cobertura de
dióxido de titânio do vidro autolimpante e
desintegram as moléculas à base de carbono,
eliminando totalmente a poeira orgânica.
A segunda parte do processo acontece quando a chuva ou
um jato d'água atingem o vidro. O Activ Glass é
hidrofílico, ou seja, ele tem afinidade com a água.
Ao invés de formar gotículas como nos vidros
normais, a água se espalha igualmente por toda a
superfície do vidro autolimpante, levando com ela
toda a poeira. Em comparação com os vidros
normais, a água também seca muito mais rapidamente
e não deixa aquelas tradicionais marcas de secagem.
O novo vidro autolimpante deve custar cerca de 20% a mais
do que os vidros comuns e a cobertura dura por toda a vida
útil do vidro.
Inovação Tecnológica
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