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2004 |
AGOSTO - EM DESENVOLVIMENTO
Repelindo a água do pára-brisa
Uma brincadeira antiga, mas muito séria,
entre engenheiros automotivos é a que diz que se
você quiser ficar podre de rico, basta inventar um
sistema de limpador de pára-brisa que realmente funcione.
Enquanto isso não acontece, um centro de pesquisas
está trabalhando no sentido de melhorar o próprio
pára-brisa, no sentido de torná-lo menos sensível
à chuva e aos raios solares, dois problemas quase
opostos.
A Guardian Automotive, de Carleton, Michigan, trabalha
na pesquisa de soluções para esses históricos
indutores de problemas. É bem verdade que lá,
e já há muito tempo, pode-se comprar um produto
repelente de água da chuva chamado Rain-X, que até
funciona bem, mas ainda não é o ideal. Agora,
a Guardian desenvolveu um pára-brisa ‘hidrofóbico’,
que repele água para valer.
A tecnologia hidrofóbica já existe em vidros
de janelas de carros de produção (Lexus GS430
High Luxury modelo 2001), mas até aqui não
foi aplicada em pára-brisas simplesmente porque a
ação dos limpadores acaba eliminando a camada
química de revestimento. A Guardian parece ter resolvido
este problema, com pára-brisas de testes tendo sido
submetidos a um milhão de ciclos de varredura sem
qualquer sinal de corrosão no revestimento Diamond
Guard, produzido por processo de deposição
por vapor.
A luz solar atravessa o pára-brisa diretamente como
luz ultravioleta, esmaecendo os materiais de acabamento,
plásticos, vinil e couro, que se decompõem
e se tornam cada vez menos resistentes; e indiretamente
como luz infra-vermelha, geradora de calor.
A Guardian tem pára-brisas redutores de calor, chamados
SilverGuard IRR (infrared reflective, refletivo de infra-vermelho)
com razão de emissão infra-vermelha de 48%.
O SilverGuard dispõe de um laminado intermediário
de 13 camadas, uma delas de prata, de onde vem seu nome.
Comparado a um pára-brisa colorido convencional,
o SilverGuard reduz a quantidade de luz e calor que passa
ao interior do carro em 23%.
O SilverGuard é ainda mais necessário na
Europa do que nos Estados Unidos: os motores europeus são
menores e sofrem muito com a demanda de potência dos
sistemas de ar-condicionado, e os europeus rodam menos que
os americanos. Na realidade, quando um cliente europeu compra
um carro novo com ar-condicionado, seu veículo já
vem com vidros verdes ou azuis.
As montadoras européias estão tão
interessadas na tecnologia IRR que a GM já a aplica
nos Zafiras europeus mais recentes e logo também
nos Corsa, e a VW e a Porsche já a especificaram
para o Colorado. As montadoras americanas a vêm como
uma maneira de evitar dois aparelhos de ar-condicionado
em suas vans e outros veículos de grande volume interno.
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