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2004 |
OUTUBRO l VAI ÁLCOOL OU GASOLINA?
Entenda como funcionam os carros
bicombustíveis
A participação dos veículos
equipados com motores flexíveis em combustível
no mercado cresce a cada mês
Desde que surgiram no mercado brasileiro, em março
de 2003, com o Volkswagen Gol TotalFlex, os veículos
bicombustíveis ganham cada vez mais espaço
no mercado brasileiro. Até o final de julho eles
já representam mais de 18% das vendas de veículos
novos no ano, de acordo com balanço mensal divulgado
pela Anfavea. Especialistas no mercado acreditam que, já
em 2005, irão representar 70% das vendas nacionais.
A última das grandes montadoras, a Ford, lançou
o Fiesta Sedan Flex e completou o leque juntamente com as
três montadoras instaladas no país que possuem
a tecnologia - são 14 modelos disponíveis
no mercado, das marcas Fiat, Volkswagen e General Motors.
A grande vantagem desses modelos é que podem usar
gasolina, álcool ou ambos em qualquer proporção,
deixando a escolha para o motorista. Mas nem todo mundo
sabe como funciona o carro flexível em combustível
e começam a surgir "lendas" sobre eles.
Tire suas dúvidas:
Como funciona - O chefe de engenharia
de desenvolvimento de produtos da unidade de Sistemas a
Gasolina da Bosch - fornecedora do sistema bicombustível
para GM e VW -, Marcelo Brandão, explica que a tecnologia
empregada consiste na capacidade do sistema reconhecer e
adaptar, automaticamente, as funções de gerenciamento
do motor para qualquer proporção de mistura
de álcool e gasolina presente no tanque de combustível.
O sistema distingue o álcool da gasolina através
da quantidade de oxigênio que passa pelo escape, medida
pelo sensor de oxigênio, que, após cálculos
realizados pela ECU (central de comando do motor), determina
qual é o combustível.
É possível rodar sempre com apenas um combustível?
Aqui começam a surgir as lendas a respeito dos
carros flexíveis em combustível. Já
se diz nas ruas que é preciso "rodar um tempo
com o carro abastecido apenas com gasolina, para 'limpar'
o motor". Nada além de fantasias.
De acordo com Gino Montanari, Diretor de Produto e Desenvolvimento
da Magneti Marelli Cofap - fornecedora do sistema para a
Fiat -, é perfeitamente possível rodar com
o carro abastecido apenas com álcool ou com gasolina.
"O usuário não precisa se preocupar com
nada. Pode rodar a vida toda só com um dos combustíveis
que o sistema funciona perfeitamente", assegura Montanari.
Segundo ele, só é necessário tomar
cuidado com a qualidade do combustível e abastecer
o veículo em postos de confiança
Desempenho - O sistema bicombustível faz com que
o veículo apresente um comportamento similar ao de
um carro que funcione somente a gasolina ou somente a álcool.
Isso acontece porque se deve utilizar uma taxa de compressão
intermediária - utilizar a taxa do motor a álcool,
usualmente mais alta, poderia originar detonação
(a chamada "batida de pino"), quando o carro rodasse
com gasolina.
Para o engenheiro Mecânico e professor da FEI (Faculdade
de Engenharia Industrial) Celso Argachoy, "os bicombustíveis
não têm um desempenho surpreendente com nenhum
dos combustíveis. A performance é prejudicada
devido à adequação necessária
ao funcionamento com os dois combustíveis, pois cada
um possui características diferentes. Para isso seria
preciso que a taxa de compressão variasse automaticamente,
tecnologia muito avançada que já existe, mas
ainda é inviável economicamente".
Cuidados com o sistema - Deve-se ter com um veículo
bicombustível os mesmos cuidados que se tem com um
carro equipado com motor a gasolina ou a álcool,
como aconselham técnicos do Sindicom (Sindicato Nacional
das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de
Lubrificantes).
Além do fator qualidade - combustível adulterado
danificará o sistema, da mesma forma que o faria
em um carro movido a álcool ou gasolina - deve-se
manter o sistema de partida a frio abastecido. Sim, os sistemas
possuem um pequeno reservatório de gasolina (com
aproximadamente 2 litros de capacidade), para auxiliar na
partida sob baixas temperaturas.
Qual dos combustíveis gasta mais - Apesar de a potência
do motor ser quase a mesma independente da mistura - as
variações são, em média, de
2 cavalos de potência -, quando o veículo é
abastecido com álcool o carro tende a oferecer melhor
desempenho, enquanto com gasolina tem maior autonomia de
rodagem.
Isso acontece porque gasolina e álcool possuem características
químicas e físicas semelhantes, mas agem de
maneira diferente no motor. A principal diferença
é o poder calorífico de cada combustível,
ou seja, a quantidade de energia por quantidade de massa.
O engenheiro de Materiais Fernando Pan, da Escola Politécnica
da USP e proprietário da empresa Berro Moto, explica
que um litro de gasolina tem mais energia que um litro de
álcool. "Para cada grama de gasolina utilizada
no motor, são necessários 15 gramas de oxigênio
para a queima completa. Para um grama de álcool são
necessários 9 gramas de oxigênio, por isso,
em um ciclo de motor a álcool é possível
colocar mais combustível que em um ciclo de motor
a gasolina", explica Pan. "Por isso o motor álcool
é mais potente, porém consome mais combustível",
afirma.
Mexendo no bolso - Como o preço dos combustíveis
varia de acordo com o estado (no Estado de São Paulo
encontra- se álcool com os preços mais baixos
do país), na hora de abastecer, no entanto, o álcool
é economicamente mais vantajoso que a gasolina onde
a diferença de preço ultrapasse 40%, diferença
média de consumo entre álcool e gasolina.
Fizemos a conta de quanto rodam os 14 modelos bicombustíveis
disponíveis no mercado, de acordo com a média
de consumo divulgada pelas montadoras. Na ponta do lápis,
entre cidade e estrada, rodando apenas com álcool
ou somente com gasolina, o derivado do petróleo é
cerca de 40% mais econômico que o combustível
vegetal. Porém, ainda sim vale a pena pesquisar preços
e o consumo dos modelos, pois essa é apenas a média.
Bicombustíveis disponíveis no mercado - O
Volkswagen Gol Total Flex foi o pioneiro, lançado
em março de 2003. Hoje, além do Gol, a montadora
tem à disposição mais três modelos
bicombustíveis: Saveiro, Parati e Fox.
A General Motors, que hoje possui cinco modelos flexíveis
(Corsa, Montana, Astra, Meriva e Zafira) anunciou que até
o final deste quase toda sua linha será composta
por modelos bicombustíveis. A Fiat já possui
o Palio, Palio Weekend, Palio Adventure, Strada e o Siena
com motorização "flexível".
O presidente da Citroën, Sérgio Habib, afirmou
que a montadora também deverá lançar
seu modelo flexível (possivelmente o C3, versão
1.6 - esse motor também equipa o Peugeot 206, que
se beneficiaria da tecnologia) no primeiro semestre do próximo
ano. A Renault do Brasil, através da sua assessoria,
anunciou que vai lançar no país o motor bicombustível
1.6 no 1º semestre de 2005.
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