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2004 |
AGOSTO - VISÃO DE MERCADO por PAULO POYDO
Automóveis: O futuro
do motor a gasolina
Os motores à combustão (movidos quase
sempre a gasolina, mas também a diesel e álcool)
ainda devem predominar por vários anos. No entanto,
há pesquisas crescentes sobre novas tecnologias,
como motor híbrido (com eletricidade) e células
de combustível.
A Ford apresentou recentemente uma versão conceitual
do novo Ford Fiesta, com motor que funciona com qualquer
mistura de gasolina e álcool. O modelo, sem previsão
para estrear no mercado, é um bom exemplo do que
se pode esperar da indústria automobilística
para os próximos anos.
A apresentação do novo veículo reacende
mais uma vez a velha polêmica sobre o futuro dos motores
à combustão - aqueles que funcionam a partir
da energia produzida pela mistura entre ar e combustível
(quase sempre gasolina, mas também álcool
ou diesel).
Em recente artigo publicado pela consultoria McKinsey
Quarterly, o futuro dos motores à combustão
interna é colocado em discussão. Segundo o
texto, esse tipo do motor continuará a existir por
muitos anos, embora existam experimentos e modelos para
fontes alternativas de energia.
Na avaliação da consultoria, o futuro dos
motores poderia estar em novos sistemas, como as dos motores
híbridos (gasolina/elétrico e diesel/elétrico)
e a dos movidos por "células de combustível".
Apesar de ainda distante dos consumidores brasileiros,
a tecnologia de motorização híbrida
(como a que mescla combustível e eletricidade) já
é uma realidade em outros mercados, como o norte-americano.
Montadoras como General Motors e Ford possuem em sua gama
de veículos modelos na versão "gasolina-elétrico".
No entanto, a venda desses carros não decolou nos
Estados Unidos devido ao alto preço, o que torna
a relação custo/benefício algo inviável.
No Brasil, o alto valor também foi barreira para
sistemas de motores alternativos. Um exemplo é a
adaptação para o combustível a gás.
O preço elevado para instalação do
sistema - algo em torno de R$ 2 mil - torna-o inviável
para o consumidor comum. Outro obstáculo é
a instalação do reservatório de gás,
que geralmente ajuda a roubar parte do espaço do
porta-malas.
De qualquer forma, o conceito de carros híbridos
continuará a se desenvolver – pelo menos enquanto
existirem reservas de petróleo. A ciência já
estuda fontes alternativas de energias para motores à
combustão interna. Nesse sentindo, o conceito mais
discutido entre pesquisadores são as chamadas "células
de combustível".
Segundo Roger Guilherme, pesquisador da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), as células de combustível são
baseadas em uma tecnologia já utilizada na área
dos foguetes espaciais. O sistema consiste em um conjunto
composto basicamente em uma câmara (ou célula)
e um tanque de hidrogênio. Na célula, o hidrogênio
entraria em contato com o oxigênio, produzindo eletricidade
(energia), que giraria o motor.
A grande vantagem do sistema seria o fator ecológico,
uma vez que o sistema liberaria apenas calor e água
como resultado da reação. No entanto, até
hoje ainda não foi produzido nenhum carro com essa
tecnologia.
Paulo Roberto dos Santos Poydo
é certificado pela ASE,
Tecnólogo em Petróleo e Gás pela Universidade
Estácio de Sá e
Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção
pela UFRJ.
Diretor técnico do Departamento de Transportes da
Assembléia Legislativa
do Estado do Rio de Janeiro- 21 - 2298-2558 |