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2004
| OUTUBRO l TECNOLOGIA
Conceito revolucionário
de amortecedor na Ferrari F1
Quando
a Ferrari apresentou o F2003 – GA, no inicio do ano
passado, os ouvintes atentos ficaram alertas: o gênio
da aerodinâmica, Rory Byrne, estava falando do desenvolvimento
de uma suspensão traseira completamente nova. Contudo,
as especificações do que era novo em relação
à suspensão traseira da Ferrari foram mantidas
em absoluto sigilo até agora, e por um bom motivo:
tentar espionar um conceito de um concorrente, compreendê-lo
e copiá-lo é prática comum na Fórmula
1.
Copiar os carros dirigidos por Michael Schumacher e Rubens
Barrichello sem dúvida vale o esforço: não
se pode negar o fato de que a Scuderia Ferrari se tornou
ainda mais dominante após ajustar seus pilotos à
nova suspensão traseira. Nada menos do que 19 vitórias
foram conquistadas pela dupla da Ferrari desde que o novo
componente de suspensão foi usado pela primeira vez
no Grande Prêmio da Espanha em maio de 2003 –
incluindo até a presente temporada sete corridas
nas quais Schumacher e Barrichello ficaram em primeiro e
segundo lugar na mesma corrida.
Apesar de todo segredo, depois de mais de um ano, rivais
espertos descobriram o que está por trás do
projeto revolucionário: um desenvolvimento realizado
pela ZF Sachs Racing Engineering GmbH. O conceito do amortecedor
foi revolucionado em um projeto conjunto com os engenheiros
da Scuderia Ferrari.
Em vez dos três amortecedores convencionais instalados
na suspensão traseira, dois amortecedores integrados
ao balancim realizam todo o trabalho, substituindo os dois
amortecedores convencionais. O balancim pivotado é
do tipo braço triangular que desvia o movimento de
compressão e distensão da roda para a mola,
barra de torção e – como em sistemas
anteriores - para os amortecedores convencionais. Os novos
amortecedores rotacionais integrados são produtos
de alta tecnologia produzidos pela ZF Sachs. Agora, os pilotos
de Fórmula 1 da Casa Maranello estão usando
somente um amortecedor convencional no meio do sistema que
atua quando o chassis inteiro é empurrado contra
a pista devido a força descendente em altas velocidades.
Foram cerca de nove meses de desenvolvimento no amortecedor
rotacional. O novo sistema opera da seguinte forma: o movimento
da suspensão traseira durante a compressão
e a distensão é transmitido através
do balancim para a mola e para palheta rotativa. A palheta
rotativa "bombeia" óleo de um lado para
o outro através de válvulas com orifícios
de entrada definidos especificamente para gerar as forças
de amortecimento necessárias. O amortecedor rotacional
consiste de cinco componentes principais contidos em um
invólucro usinado a partir de uma barra de titânio
que preenche as especificações da indústria
de aviação. Entretanto, o maior "know-how"
se encontra na tecnologia especial de vedação
utilizada, que foi testada anteriormente pela ZF Sachs em
sistemas de barra estabilizadora ativa projetada para automóveis.
Em aplicação na equipe Ferrari de Fórmula
1, o amortecedor é submetido a uma pressão
interna de aproximadamente 160 bar.

Amortecedores rotacionais oferecem um grande número
de benefícios. O primeiro é que economizam
espaço, já que os amortecedores convencionais
foram retirados. O amortecedor e o balancim são agora
um único componente multifuncional. Isto permite
um projeto de caixa de mudanças mais compacto e,
dessa forma, melhorias adicionais da eficiência aerodinâmica.
Além do ganho de espaço, amortecedores rotacionais
poupam aproximadamente entre 50 e 70 gramas de peso –
uma redução significativa para a avançada
tecnologia da Fórmula 1.
Há também um stress térmico consideravelmente
menor nos novos amortecedores rotacionais do que nos convencionais
usados anteriormente integrados na caixa de mudanças,
extremamente quente. Da mesma forma que o sistema convencional,
a nova solução opera com amortecedores não-ajustáveis
durante os finais de semana de competição.
Engenheiros calibram os amortecedores antes da competição
com base em resultados de testes de dinamômetro e
de pista.
Em caso de mudanças no carro, o amortecedor rotacional
completo é trocado por um outro com diferentes características
de resposta. Finalmente, menos partes móveis dentro
do sistema reduzem a fricção total, melhorando
o desempenho e, dessa forma, a dirigibilidade do carro.
O número recorde de vitórias conseguidas por
Michael Schumacher e Rubens Barrichello confirma claramente
a alta capacidade de desempenho do amortecedor rotacional.
O princípio de engenharia do amortecedor rotacional
passou com sucesso pelo "batismo de fogo" das
corridas, seguido pelo rendimento consistente e desempenho
superior nos circuitos do mundial por mais de um ano. Contudo,
as chances de que usuários comuns venham a usufruir
os benefícios desse componente de alta tecnologia
tendem a ser escassas, já que o preço é
dez vezes maior do que o do amortecedor telescópico
convencional.

A ZF Sachs AG, divisão "Powertrain and Suspension
Components" do Grupo ZF, desenvolve e produz amortecedores
e outros componentes para a regulagem do chassi bem como
conversores de torque e embreagens para veículos
comerciais e automóveis. Em 2003, registrou vendas
de 1,9 bilhão de euros com 16.500 funcionários.
O Grupo ZF é líder mundial no fornecimento
de sistemas de transmissão e tecnologia de chassi
para o setor automotivo. Com mais de 53 mil colaboradores
e 119 operações em 25 países, registrou
vendas de 8,9 bilhões de euros em 2003. Na América
do Sul, o grupo fabrica transmissões para veículos
comerciais, conjuntos de direção, bombas e
colunas para sistemas de direção, embreagens
e amortecedores, componentes de direção e
suspensão, além de eixos e transmissões
para máquinas agrícolas e reversores marítimos.
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