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2005 |
JANEIRO l CADEADOS NO MEIO DO PROCESSO
Quando a tecnologia esbarra
nos impostos
Hugo Ferreira*
A indústria da mobilidade experimenta em todos os
seus ramos uma expansão significativa. Fala-se em
romper o recorde de produção da indústria
automotiva esse ano (2,1 milhões de unidades), assim
como em bater o recorde de exportação (U$
6,9 bilhões estimados para 2004, que representam
25% a mais que em 2003). Essas notícias são
boas para todos e significam que o mercado reage positivamente.
Isso reflete, no entanto, em novos desafios, principalmente
para as áreas de engenharia que, geralmente, são
incumbidas de encontrar soluções para produzir
com mais eficiência, melhor qualidade e menores custos.
Assim, novos produtos são desenvolvidos compostos
de materiais mais leves, resistentes e fáceis de
moldar, com qualidade idêntica ou superior, e menor
custo. Além disso, novos processos são criados,
com o objetivo de reduzir o tempo de desenvolvimento e produção.
Tudo para atender a um mercado cada vez mais competitivo
e acirrado.
Com isso, o consumidor ganha ao dispor de produtos inovadores,
desenvolvidos e manufaturados com alta tecnologia. O custo
dessa tecnologia é muito debatido entre os representantes
do setor, pois de nada adianta desenvolvê-las se os
consumidores não têm como pagar. Assim, a indústria
tem feito sua parte, mas isso não é o bastante
para dar continuidade ao crescimento. O Brasil hoje fábrica
um dos carros mais baratos do mundo, quando sai da fábrica,
e um dos mais caros na conta do consumidor.
É preciso, então, verificar o que torna o
automóvel brasileiro caro para a população
e, um dos motivos que chama atenção é
a excessiva carga tributária sobre os produtos da
indústria automotiva. Hoje, compra-se um automóvel
pelo preço de dois. Um fica com o governo e o outro
leva-se para a garagem. Esse tem sido o foco dos debates
das entidades de classe como Anfavea e Sindipeças
no embate com o governo.
Assim, fica difícil pensar em colocar mais tecnologia
nos carros enquanto não for feita uma reestruturação
nas cargas tributárias e isso é, infelizmente,
uma contestação terrível. Já
se fala, inclusive, que só resta a volta ao tempo
das carroças do Collor. Ninguém quer que aconteça,
mas o mercado estabelece regras e atualmente o preço
é mandatário. Não há consumidores
suficientes para justificar a implementação
das mesmas tecnologias vistas em paises da Europa, Estados
Unidos e Japão.
É uma equação que precisa ser feita.
O Brasil tem um produto competitivo, capacidade instalada,
conhecimento e, no entanto, o produto chega caro ao consumidor.
E não é só a penalização
que existe dos impostos sobre os veículos. Existe
também o baixo poder aquisitivo. É possível
dobrar o poder de compra do trabalhador, sem afetar o custo
das empresas com a folha de pagamento, se fosse feita uma
redução dos encargos trabalhistas, a exemplo
do que existe nos Estados Unidos. É mais um nó
que existe na cadeia produtiva e que precisa ser desatado.
O que a indústria pode fazer para ajudar com essa
equação? Os avanços obtidos na engenharia
de processos têm como objetivo reduzir custos, deixar
os produtos mais competitivos e condensar parte dos encargos
elevados. São investimentos em manufatura. Na parte
de solda já existem processos moderníssimos
que apresentaram progressos fantásticos na velocidade,
no custo e na resistência de vida do processo que
permitiu juntar materiais de diferentes conteúdos,
sem afetar a qualidade do produto final. É uma tecnologia
que se espera ter no Brasil até o fim da década,
mas já está em vasta aplicação
nos EUA e Europa.
Outro exemplo é o uso da tecnologia de hidroformação
que tem sido usada fortemente na parte estrutural dos veículos.
É um investimento alto, uma tecnologia nova que provavelmente
também tende a ser aplicada aqui, principalmente
na parte de chassis e em componentes estruturais em geral.
Esse processo envolve a aplicação de pressão
de fluidos ao interior de uma peça tubular em bruto,
presa dentro de uma matriz que definirá o formato
da peça acabada. Em seguida, aumenta-se a pressão
do fluido interno para forçar a peça em bruto
a expandir-se dentro da matriz, e assumir, assim, o formato
da peça acabada.
Essas e outras tecnologias poderão ser conferidas
no Congresso SAE BRASIL 2004, um rico fórum onde
os engenheiros das áreas automotiva e aeroespacial
discutirão os aspectos que são cruciais e
fundamentais para a continuidade do ritmo de expansão
produtiva e crescimento de mercado. O Congresso trará
contribuições importantes, pois convida os
ícones da cadeia de suprimento para debater temas
palpitantes, e eles terão a oportunidade de discutir
os aspectos que preocupam e, a partir daí, tirar
as dúvidas sobre como se sustenta um período
de crescimento como o que é desejado por toda a indústria
e prometido pelo governo.
Esse é, portanto, um dos principais papéis
do Congresso, o qual presidirei; uma arena para que todos
esses temas sejam abordados e equacionados. Há ainda
espaço para apresentação de soluções
para os gargalos da cadeia produtiva e os entraves existentes
fora dela, como os trâmites burocráticos, as
questões de logística e também na parte
de tecnologia da informação.
A troca de informações mostra-se, assim,
uma necessidade. A ajuda mútua entre os profissionais
da área técnica-administrativa é crucial
e fundamental para a continuidade do ritmo e do crescimento
da indústria. Isso move a SAE International há
quase 100 anos. No Brasil, esse trabalho foi iniciado há
13 e, desde então, o Congresso SAE BRASIL tem convidado
especialistas da cadeia produtiva para mostrar a tecnologia
da mobilidade em seu ‘estado da arte’.
Esse ano, o XIII Congresso e Exposição Internacional
de Tecnologia da Mobilidade SAE BRASIL acontece de 16 a
18 de novembro, no Transamérica Expo Center, em São
Paulo. Haverá 45 fóruns e painéis de
debates, além da apresentação de mais
de 260 trabalhos técnicos e uma exposição
tecnológica com mais de 90 empresas. Tudo centrado
no tema Tecnologia e Negócios. Crescimento e Competitividade
nas Áreas da Mobilidade.

Hugo Ferreira é presidente do Congresso
SAE BRASIL 2004 e presidente da Dana South America
Artigo escrito pelo engenheiro Hugo Ferreria, presidente
do Congresso SAE BRASIL 2004
e também presidente da Dana South America
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