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2005 |
JANEIRO l MERCADO DE TRABALHO
Falta de Engenheiros no mercado
já é uma realidade
Com o aquecimento da economia e a demanda
interna por produtos siderúrgicos, o País
está atravessando uma fase incomum que talvez nem
todos tenham consciência, principalmente as universidades:
há falta de profissionais de engenharia no mercado.
A constatação foi feita na abertura do VIII
Seminário de Automação de Processos,
que aconteceu em Belo Horizonte.
“As indústrias estão
trabalhando à exaustão e a carência
de profissionais de engenharia já é uma realidade”,
afirmou Luiz Eduardo Ganem Rubião, diretor geral
da Chemtech Siemens, empresa anfitriã do evento.
Ele não fala apenas pela experiência de sua
empresa. O executivo comentou que na Rio Oil & Gás,
que aconteceu no Rio de Janeiro e da qual a sua empresa
também esteve participando, o assunto também
ocupou parte das discussões.
“Pelo cenário, vamos ter que
importar profissionais. Não que isso seja negativo,
mas temos que formar nosso próprio quadro de Engenharia”,
salientou Rubião. Segundo ele, é preciso fazer
um trabalho para mudar o conceito de que não há
mercado para o número de engenheiros formados anualmente
pelas universidades, como até duas décadas
atrás.
“Hoje a situação é
inversa. Por isso, vejo com muita satisfação
o trabalho que a ABM vem realizando junto às universidades
para alertar sobre o problema e passar uma nova mensagem
de incentivo aos futuros colegas. Esse é um desafio
que precisa ser transposto, sob risco do Brasil perder novamente
o trem da história”.
Em sua mensagem de boas-vindas, Horacídio
Leal Barbosa Filho, diretor-executivo da ABM, disse que,
em função do aumento da produção
das usinas,realmente está faltando engenheiro metalurgista
no mercado. O quadro vai se agravar com as expansões
previstas até 2008, alcançando 44 milhões
de toneladas de aço por ano. Ou seja, um crescimento
de 30% em relação ao patamar atual.
Para exemplificar, ele citou que só
a Companhia Vale do Rio Doce vai investir em três
usinas siderúrgicas no Maranhão e que precisará
de profissionais capacitados. “O mais grave é
que os cursos de Engenharia Metalúrgica estão
se transformando em Engenharia de Materiais e são
poucas as faculdades que mantêm a fidelidade a essa
cadeira”, alertou.
Especificamente na área de Automação,
Leal lembrou que as siderúrgicas deverão investir
recursos da ordem de US$ 116 milhões. “Da mesma
forma que foi um dos fatores fundamentais para a competitividade
da nossa siderurgia, a Automação também
deverá dar sua contribuição para assegurar
mais qualidade aos produtos, redução dos custos
e das perdas da produção”, afirmou ele,
desejando bom trabalho aos participantes do seminário,
que prevê a apresentação de 48 contribuições
técnicas.
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