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2005 l JANEIRO l
AVIAÇÃO
Indústria aeroespacial
francesa decola na frente
Destaque para o conjunto de empresas de grande porte, como
Airbus, Air France, Amadeus e Dassault Systèmes
Que a França é admirada por sua tradição
na produção de vinhos, queijos e perfumes
todo mundo sabe. O que muita gente não sabe é
que o país conhecido por sua forte herança
cultural caminha com um pé apoiado na tradição
e o outro rumo ao futuro. Referência mundial no campo
da tecnologia de ponta, a França se destaca em toda
a Europa por sua capacidade de realizar pesquisa e desenvolvimento
de produtos e sistemas voltados a grande parte dos setores
da indústria. Da área farmacêutica à
aeroespacial, passando pelos grandes criadores de software,
o país tem conquistado cada vez mais clientes em
diferentes continentes.
Do Vale do Silício francês – a conhecida
região de Sophia Antipolis, o maior pólo de
tecnologia de toda a Europa – ao inegável know-how
que o país tem no setor aeroespacial, a França
tem sido cada vez mais associada à technologie de
pointe, título dado pela Câmara de Comércio
França-Brasil para definir a experiência da
França no setor.
Na guerra pelo mercado da aviação civil,
os franceses conseguiram decolar na frente e se destacam
pelo conjunto de empresas de grande porte que conseguem
reunir, como Airbus, Air France, Amadeus e Dassault Systèmes.
Juntas, elas oferecem uma solução completa
de produtos que vão desde a entrega de uma aeronave
até um software capaz de prever defeitos que possam
resultar em acidentes fatais.
A Airbus, por exemplo, uma das maiores fornecedoras de
aeronaves do mundo, é a tradução da
vocação francesa no desenvolvimento de tecnologia
aeroespacial. Se-diada em Toulouse, na França, a
companhia emprega 45 mil pessoas em todo o mundo e registra
um movimento de 20,5 bilhões de euros – número
de 2001.
Para saber o significado da palavra Airbus, basta dizer
que ela é a maior concorrente mundial da Boeing na
disputa pela venda de aeronaves no mercado comercial. Atualmente,
metade dos pedidos realizados por companhias comerciais
fica com a Airbus.
No momento, a empresa dedica-se ao desenvolvimento da nova
família de double-deckers Airbus 380 – os primeiros
aviões comerciais de dois andares. Com lançamento
oficial marcado para 2005 e primeiro vôo comercial
previsto para 2006, o A380 será um superjumbo que
está sendo muito aguardado graças ao título
de maior aeronave comercial do mundo.
Já está acertado que a primeira a voar com
o 380 será a Cingapura Airlines, que fará
um vôo de Cingapura a Londres. “Já temos
mais de 100 empresas interessadas em adquirir o 380”,
revela Jean Membrado, diretor de marketing ao cliente da
Airbus. Para desenvolver o 380, Membrado explica que a Airbus
utilizou o que há de mais moderno em tecnologia.
O superjumbo é, segundo ele, o avião com sistema
de engenharia mais aperfeiçoado da história.
Depois de ser anunciado em dezembro de 2000, o A380 encontra-se
atualmente em fase de definição de detalhes.
Isso significa que os desenhos de produção
foram entregues à unidade de manufatura e os primeiros
cortes de metal e carbono já foram feitos.
De acordo com Membrado, a nova aeronove vai permitir o
transporte de um maior número de passageiros com
a vantagem de não causar impacto negativo ao meio
ambiente. Traduzindo, isso significa que haverá uma
significativa redução de barulho e emissão
de poluentes. “O A380 será menos barulhento
que os grandes aviões de hoje. Ele deverá
gerar metade do nível de barulho na decolagem, apesar
de carregar 35% a mais de passageiros”, promete.
A economia no consumo de combustível será
cerca de 13% menor, se comparado ao concorrente mais próximo.
Além disso, o modelo será o primeiro avião
de grande porte a consumir menos de três litros de
combustível por passageiro num espaço de 100
km.
Sem congestionamento – O A380 foi desenhado em colaboração
com as grandes companhias aéreas, aeroportos e autoridades
da aviação. Nos últimos seis anos,
a Airbus tem trabalhado com representantes de mais de 60
aeroportos internacionais para assegurar uma boa integração
e adaptação da aeronave nestes ambientes.
Com o tráfego aéreo congestionando cada vez
mais os aeroportos, a Airbus acredita que o A380 representará
um investimento positivo para evitar paralisação
em portões de embarque e desembarque. Para isso,
a companhia está gastando US$ 8 bilhões no
primeiro modelo do A380, com a estimativa de desembolsar
mais US$ 3 bilhões nos outros três modelos
da família.
O desenvolvimento das novas aeronaves promete impulsionar
a economia da região de Toulouse. Bem perto do headquarter
da Airbus está sendo construída uma nova planta,
estimada em 50 hectares e localizada próxima do aeroporto
de Blagnac. Atualmente, a Airbus conta com 12 modelos –
do pequeno 318 ao ultramoderno 380. Desde o início
de sua operação (na década de 70) até
hoje, a companhia já vendeu 4.549 aviões para
183 clientes. O 318 custa, por exemplo, entre US$ 41,3 milhões
e US$ 47,8 milhões. Já o 380 fica entre US$
253 milhões e US$ 275 milhões. “O mais
importante não é o preço, mas a equação
entre o investimento e o retorno”, analisa Membrado.
Para ele, comprar um avião é como pilotar
um. “O retorno do investimento vai depender do tipo
de piloto. Não há regra geral. Cada companhia
tem uma estratégia, uma exploração
específica e uma política que vão definir
o tempo de retorno do investimento.”
Para quem considera um erro investir em aviões
grandes depois dos atentados de 11 de setembro, Membrado
avisa que análises feitas por 414 companhias aéreas
mostram que, até 2020, o crescimento anual da aviação
mundial será de 4,7% ao ano – antes dos atentados,
a previsão era de 5% ao ano.
Mas a questão é: como chegar aos 4,7%? “As
companhias terão que aumentar o número de
assentos nos aviões”, acredita Membrado. É
aí que entra a Airbus com o seu A380, entre outros
modelos hoje já produzidos. “Isso significa
que haverão mais aviões com maior capacidade.
Nos próximos 20 anos, teremos mais de 3 mil rotas
adicionais curtas”, estima. Seguindo esta tendência,
aviões hoje usados para rotas mais longas poderão
ser utilizados em rotas mais curtas.
Airbus lança avião com capacidade
para 555 pessoas - A fabricante de aviões
européia Airbus lança hoje o A380, maior aeronave
de transporte de passageiros do mundo. Com 80 m de envergadura),
73 m de comprimento, 24 m de altura, 560 toneladas de peso
e autonomia de 14.800 km de vôo, o novo avião
poderá transportar até 555 passageiros, 30%
a mais em capacidade de transporte do que seu principal
competidor, o Boeing 747. O A380 pode abrigar cassino, discoteca
e sala de ginástica. O primeiro vôo deve acontecer
em 2006.

Confira lançamento
l http://www.airbus.com/a380/Default1.aspx

Festa de lançamento do maior avião já
produzido
Lançado o Airbus A380, o maior
avião comercial da História
Paris - Com a presença do presidente da França,
Jacques Chirac, e dos chefes de governo da Espanha, Luis
Rodríguez Zapatero, da Alemanha, Gehard Schroeder,
e do Reino Unido, Tony Blair, foi apresentado nesta terça-feira
com grande festa o A380 da Airbus, o maior avião
comercial da História.
O Airbus A380 tem capacidade para levar de 555 a até
850 passageiros, em dois andares
Durante boa parte da cerimônia, nas instalações
da Airbus em Blagnac, nos arredores de Toulouse, na França,
o avião esteve coberto por uma cortina preta. Após
um espetáculo, em que foi mostrada a história
da aviação, o gigante de 80 metros de envergadura
(de asa a asa) apareceu diante dos olhos de 4.500 convidados
sob uma luz azulada.
O A380, fabricado por um consórcio de empresas da
França, Espanha, Alemanha e Grã-Bretanha,
é uma esperança para as empresas do setor
na tentativa de reduzir os custos de operação
e aumentar os lucros, afetados pelos altos custos do petróleo
e pelo desaquecimento do turismo após os atentados
de setembro de 2001.
Com o novo avião, que tem capacidade para levar
de 555 a até 850 passageiros, em dois andares, a
Airbus quer desbancar a concorrente Boeing na liderança
mundial dos aviões de grande capacidade. A americana
tinha até hoje o maior avião comercial, com
capacidade para 416 pessoas.
O superjumbo, que também tem uma versão de
transporte de carga, fará os primeiros vôos
de teste em março ou abril, disse o presidente da
Airbus, Noel Forgeard, que abriu a cerimônia com representantes
das 14 companhias aéreas que já encomendaram
149 unidades do gigante e explicaram as razões da
decisão de lançar o modelo, chamado por um
dos executivos de "avião do futuro". Entre
as companhias que fizeram os pedidos, no valor total de
US$ 40 bilhões, não há nenhuma empresa
latino-americana.

Revista França-Brasil e Mecânica
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