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2005
| JANEIRO l CÉLULA DE COMBUSTÍVEL
JÁ É COISA DO PASSADO?!
Os carros híbridos vão
tomar às nossas ruas
A BMW é uma das poucas empresas automobilísticas
que não aposta na utilização da tecnologia
de células a combustível com hidrogênio
para a propulsão dos seus veículos.
A célula a combustível será utilizada
no veículo como Unidade Auxiliar de Potência,
fornecendo energia para ar condicionado e outros equipamentos
internos. A paixão ainda é a maior aposta
da empresa, mas utilizando um combustível não
poluente como o hidrogênio.

Para provar que o uso do hidrogênio como combustível
de automóvel é tão eficiente e seguro
quanto o empregado nos foguetes espaciais, a BMW apresentou
o protótipo H2R, fruto de anos de pesquisas incessantes.
Mas tanto trabalho valeu a pena.
O modelo conceitual bateu nove recordes mundiais de desempenho,
considerando apenas os carros movidos por hidrogênio.
Um deles foi a aceleração de 0 a 100 km/h
em menos de 6 segundos. Outro feito foi atingir exatos 302,4
km/h. E tudo isso com a vantagem de emitir apenas vapor
d´água pelo escapamento.
A BMW vai usar toda a tecnologia desenvolvida a partir
do H2R numa versão do sedã de luxo Série
7, capaz de rodar com gasolina ou hidrogênio. Aliás,
o protótipo herdou do sedã o motor V12 6.0
de 285 cavalos, que recebeu uma série de modificações
para poder funcionar a contento com hidrogênio. Entre
as quais, destacam-se calibragem do sistema de injeção
eletrônica, instalação das válvulas
de injeção no coletor de admissão,
emprego de materiais mais resistentes (já que o hidrogênio
não tem propriedades lubrificantes como a gasolina),
entre outros itens.

Para abastecer o H2R com segurança foram desenvolvidas
bombas especiais. Além disso, o tanque tem fechamento
a vácuo e capacidade para mais de 11 quilos de hidrogênio
líquido. Três válvulas protegem contra
explosão. A principal delas opera com uma pressão
de 4,5 bar. Se a pressão interna for maior que 5
bar, há o alívio automático para manter
a temperatura ideal de funcionamento e evitar explosão.
Tudo é monitorado por sensores, que enviam sinais
para o painel, alertando o piloto a partir de qualquer indício
de vazamento de gás.
A carroceria é de fibra de carbono e a estrutura
de alumínio, assim como os componentes da suspensão,
o que reduz o peso e contribui com desempenho e economia
de combustível, além de ter a vantagem de
não enferrujar. Com piloto e tanque cheio, o H2R
pesa 1.560 quilos. Graças à aerodinâmica
invejável (Cx de apenas 0,21), o carro consegue vencer
facilmente a resistência do ar, com seus 5,40 metros
de comprimento por dois de largura. O que também
ajuda a manter o carro firme no chão é o conjunto
de rodas de aro 19 com pneus 245/40R.

O nome H2R vem de "Hydrogen Record Car", ou
"Hydrogen Research Car" e levou apenas 10 meses
para ficar pronto. Esse curto período de tempo deve-se
ao estágio avançado em que a BMW se encontra
no que se refere ao desenvolvimento de modelos movidos a
hidrogênio, além dos recursos de computação,
como o CAD. Nesses tempos em que os preços do barril
de petróleo batem recordes seguidos, os combustíveis
alternativos são cada mais bem-vindos. Dentro desse
contexto, o hidrogênio era visto como uma opção
distante. Mas, pelo visto, parece que tem grandes chances
de se tornar realidade.


Cada vez mais as montadoras desenvolvem
produtos que não dependem de combustíveis
derivados de petróleo
A instabilidade política do Oriente
Médio sempre preocupou as outras nações.
Não se trata no entanto de alguma preocupação
humanitária, o que assusta realmente as nações
do mundo é a dependência que os outros países
tem do petróleo que abunda naquela região
do globo. O Brasil, pioneiramente, até conseguiu
uma certa independência do petróleo para movimentar
seus veículos com a adoção do programa
Pró-Álcool no fim da década de 70.
O sucesso do programa foi tão grande
que na segunda metade da década seguinte mais de
80% dos carros produzidos consumiam esse combustível
vegetal. A ganância dos usineiros que detinham a produção
do álcool combustível e a falta de produto
nas bombas dos postos de combustível fez com que
os brasileiros perdessem a confiança nesse combustível,
diminuindo assim consideravelmente a quantidade de veículos
adquiridos movidos a álcool. Uma nova onda surge
no Brasil, a dos carros bicombustíveis (que podem
rodar tanto com álcool como com gasolina em qualquer
proporção no tanque) e até tricombustíveis
(que também podem rodar com GNV, gás natural
veicular).
Essa estratégia das montadoras serve
na verdade para oferecer novamente ao consumidor carros
que podem ser abastecidos com álcool e que, se os
usineiros aprontarem alguma novamente, também podem
ser abastecidos com gasolina sem que o consumidor necessite
fazer ajustes especiais em seu veículo. Mas o Brasil
é grande e tem grande oferta de território,
que pode ser utilizado para o plantio da cana-de-açúcar,
a matéria-prima do álcool combustível.
Já na Europa essa solução não
seria viável. Há anos as montadoras estudam
alternativas que minimizem o uso de combustível derivado
de petróleo. A Toyota, por exemplo, comercializa
desde 1997 em território norte-americano o Prius,
um modelo híbrido que roda com gasolina e energia
elétrica.
Uma das características originais do
sistema utilizado pela Toyota é a capacidade de sele-cionar
o melhor modo de funcionamento para cada situação,
desde a utilização puramente elétrica,
motor de combustão ou todo o sistema propulsor em
conjunto (motor de combustão mais motor elétrico).
Segundo a Toyota, o Prius emite 89% menos poluentes do que
um automóvel convencional e deve fechar o ano de
2004 com cerca de 47 000 unidades comercializadas. No Brasil
também houve oferta de carros elétricos.
Em 1981 a Gurgel Motores lançou o Itaipu,
uma van elétrica. Para sua recarga bastava conectá-la
a uma tomada de força, como se fosse um eletrodoméstico,
mas o fraco desempenho (não passava dos 70km/h vazia)
e as baterias tinham vida útil curta, o que resultou
em um fracasso de vendas.
Veículos elétricos híbridos
ganham espaço
Os primeiros Veículos Elétricos Híbridos
(VEHs), movidos a gasolina e eletricidade, começam
a ganhar espaço nos Estados Unidos e Europa, mas
ainda são quase desconhecidos no Brasil. O diretor
do Instituto de Eficiência Energética (Inee),
Jayme Buarque de Hollanda, afirma que já existem
em todo o mundo 300 mil unidades de VEHs em circulação.
As principais empresas do setor automotivo estão
investindo no veículo híbrido, que demonstrou
ser mais viável do que o elétrico puro. "O
veículo elétrico já é uma realidade;
o seu uso agora vai depender dos interesses do mercado",
afirma. Esses carros, que têm preço um pouco
salgado, podem se tornar mais baratos conforme aumenta a
sua produção em escala. No Brasil, a utilização
de híbridos começou pelo setor de veículos
comerciais. Em São Bernardo do Campo (SP), rodam
ônibus elétricos fabricados pela empresa brasileira
Eletra, que já está exportando seus produtos.
Os veículos exclusivamente elétricos são
movidos a baterias. Elas custam cerca de US$ 1.500 (R$ 4.500)
e têm de ser trocadas a cada três anos, segundo
Hollanda. Esses carros alcançam autonomia de 1.000
km e gastam 30% menos combustível, com baixíssima
emissão de gases poluentes na atmosfera. Outra vantagem
é a economia para o motorista. Para abastecer os
24 kWh da bateria do EV1 (carro elétrico da General
Motors de porte médio) gasta-se R$ 11, um terço
do gasto do automóvel a gasolina para fazer um percurso
de 120 km. A principal desvantagem do VEH é a demora
para recarregar as baterias, o que pode levar até
dez horas, no caso do carro da GM.
Já os híbridos têm a bordo um gerador,
acionado por um motor de combustão interna semelhante
ao dos veículos convencionais. Segundo Hollanda,
os ganhos de eficiência são enormes em relação
ao elétrico puro, já que o híbrido
dispensa os custos com a bateria elétrica. O gerador
a bordo só opera na rotação em que
o motor é mais eficiente e polui menos. Segundo Hollanda,
as emissões de poluentes por parte do VEH caem pela
metade em relação aos veículos comuns.
No caso do ônibus da Eletra, a emissão de partículas
chega a ser 90% menor. De acordo com Hollanda, o VEH é
muito econômico porque não usa energia quando
está parado em semáforos ou congestionamentos.
Já há mais de 200 modelos no mercado
Os primeiros Veículos Elétricos
Híbridos (VEHs) surgiram em 1998. Hoje, existem mais
de 200 modelos desse tipo, tanto de passeio quanto para
o transporte público em cidades como Nova York, Toronto
e Santiago do Chile. Segundo Hollanda, todas as principais
montadoras investiram em modelos do gênero (Ford,
Nissan, GM, Renault, Citroën, Toyota e outras).
O primeiro veículo híbrido produzido em escala
é o Prius, da Toyota, que já ultrapassou a
marca de 100 mil unidades vendidas no mundo. O carro custa
US$ 20 mil (cerca de R$ 60 mil). No Brasil, os tributos
de importação fazem com que o Prius chegue
ao País custando R$ 150 mil, o que o torna praticamente
inviável para a maioria dos consumidores.
Hollanda acredita que o interesse das montadoras pelos
veículos híbridos no Brasil dependerá
tanto do mercado como de políticas de transporte
público. Os caminhos para a utilização
dessa tecnologia no País serão discutidos
nesta quarta-feira em São Paulo, no 2º Seminário
sobre Veículo Elétrico Híbrido (VEH),
no Blue Tree Convention. O evento conta com patrocínio
do Conpet - Programa Nacional da Racionalização
dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural,
da Fundação "The William and Flora Hewlett
Foundation" e da fabricante de ônibus elétricos
Eletra.
Yamaha vai lançar motoneta movida a célula
a combustível
A empresa japonesa Yamaha anunciou o início
dos testes em condições reais de uma pequena
motoneta totalmente movida por célula a combustível.
Ao contrário do recente anúncio de sua concorrente
Honda, a Yamaha afirmou que não se trata apenas de
um protótipo, mas de testes reais visando a colocação
do veículo no mercado, o que deverá acontecer
até o final do próximo ano.
Apesar disso, o pequeno veículo leva o nome de
"FC06 Proto", uma referência clara a um
protótipo. Além de precisar comprovar sua
eficiência antes de chegar ao mercado, o que exigirá
muitos testes em condições reais de operação,
a pequena motoneta certamente necessitará de um "banho
de design" antes de ser posta à venda.
A célula a combustível, que gera energia
para alimentar o motor elétrico que movimenta a motoneta,
é uma DMFC ("Direct Methanol Fuel Cell"),
desenvolvida inteiramente pela própria Yamaha. A
célula a combustível é abastecida por
metanol diluído em água.
Embora não tenham sido divulgados maiores detalhes
da célula a combustível, a empresa afirmou
que sua tecnologia permite uma incrível redução
no tamanho da célula quando a geração
de energia não fica acima de um kilowatt.
Portal Célula a Combustível
l Mecânica Online
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