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2005
| JANEIRO l É PRECISO INOVAR
Combustível renovável
é alternativa para indústria
automobilística enfrentar perda de dinamismo tecnológico
A revista The Economist publicou em 2004 as matérias
"Perpetual motion" (Movimento eterno) e "Clean
machine" (Máquina limpa). O primeiro texto fala
das mudanças pelas quais passa a indústria
automobilística, que existe há mais de um
século; o segundo enfoca os dispositivos eletrônicos
que equipam os carros e a busca por menores emissões
de dióxido de carbono na atmosfera.
A publicação inglesa fornece os números
atuais daquela que, no século XX, era considerada
a 'indústria das indústrias': 60 milhões
de carros e caminhões fabricados por ano, o que implica
no consumo de quase metade da produção mundial
de borracha, 25% da de vidro e 15% da de aço. Ela
representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) dos
países ricos, mas sua margem média de lucro
é hoje inferior a 5%. Na década de 1960 essa
margem era de 10%, e na de 1920 superava os 20%. Segundo
a revista, alguns dos grandes fabricantes estão até
perdendo dinheiro.
A reportagem "Perpetual motion" conta parte da
história da produção de automóveis.
Lembra, entre outras coisas, da revolução
provocada pela linha de montagem móvel da Ford, da
ascensão da General Motors (GM), que chegou a ter
60% do mercado norte-americano, e da pressão sobre
as montadoras da Europa e dos Estados Unidos em virtude
da chegada dos veículos japoneses. Apresenta o carro
como "o epítome da produção de
massa, do marketing de massa e do consumo de massa".
Aponta-o como a segunda maior aquisição —
depois da casa própria — para muitas famílias
nos países ricos, e coloca as marcas do setor entre
as mais fortes que existem no mundo.
A revista diz, porém, que a indústria automobilística
sofre a ameaça de "forças poderosas",
capazes de modificá-la "profundamente".
Essas forças são a fragmentação
do mercado, que reduz o ritmo da produção;
a fabricação para estoque, mais custosa que
a por encomenda; a construção modular, na
qual os fornecedores de autopeças entregam mais partes
do carro já montadas; e a mudança para os
carros elétricos e com controles eletrônicos
ao invés de mecânicos. Em seguida, acrescenta
que a maior de todas as forças é o fato de
que grande parte da indústria "está quebrada
e necessita reparo".
Um dos exemplos mostrados dessa situação
é o aumento da capacidade de produção
em relação à demanda ocorrido nos Estados
Unidos, por conta da concorrência com os fabricantes
europeus, japoneses e sul-coreanos. A reportagem explica
que os fabricantes norte-americanos melhoram sua produtividade
para competir com os rivais estrangeiros, e a soma dos fatores
resultou em uma capacidade produtiva que cresce ao ritmo
de 3% ao ano. Sobre a América do Sul, diz que o "colapso
econômico" no Brasil e na Argentina freou a "rápida
expansão" das indústrias automobilísticas
aqui instaladas.
A matéria "Clean machine" trata dos carros
do futuro e prevê que as duas principais mudanças
nos próximos dez anos serão nos equipamentos
eletrônicos e nos motores — neste caso, devido
às exigências de reduções cada
vez maiores nas emissões de dióxido de carbono
e outros gases nocivos. No momento, afirma, os eletrônicos
têm mais condições de avançar.
Segundo a revista, os carros modernos possuem cerca de 80
unidades de controle eletrônicas, que usam softwares
com um milhão de linhas de código.
Elas podem determinar a melhor mistura de ar e combustível
no motor ou registrar de que maneira os airbags inflam em
uma colisão — informação que
pode ser usada posteriormente para descobrir com exatidão
o que aconteceu. O problema é que a eletrônica
de bordo ainda não é muito confiável.
Conforme informou um executivo de uma empresa de autopeças,
esses equipamentos são sete vezes mais sujeitos a
falhar que as peças mecânicas.
Em relação às preocupações
ambientais, a The Economist afirma que os carros híbridos
— com dois motores, um elétrico e outro movido
a diesel ou gasolina — "são amplamente
vistos como a melhor forma de se cortar o dióxido
de carbono e outras emissões para os próximos
20 anos". Eles estão sendo introduzidos no mercado
pela maioria das montadoras. A japonesa Toyota já
vendeu 200 mil unidades do Prius, e distribuiu alguns exemplares
para as celebridades de Hollywood como forma de "chamar
atenção". Harrison Ford e Cameron Diaz
já apareceram a bordo dos seus.
A reportagem diz que o único "zero emission
vehicle" (ZEV, ou veículo de emissão
zero) imaginável é o equipado com motor elétrico
movido por uma célula a combustível —
ela combina o oxigênio do ar com hidrogênio
para produzir água, gerando uma corrente elétrica
suficiente para mover o carro. Mas explica que as células
a combustível são cerca de dez vezes mais
caras que os motores de combustão interna, e acrescenta
que ainda existem problemas técnicos e de segurança
envolvendo o uso do hidrogênio em automóveis.
Mesmo assim, elas são 30% mais eficientes que os
motores convencionais e 5% superiores aos híbridos,
sem contar que o hidrogênio pode ser conseguido de
fontes renováveis, como a biomassa e a água.
A Califórnia, nos Estados Unidos, possui uma norma,
válida a partir do próximo ano, que estabelece
em 10% a quantidade mínima de carros do tipo ZEV
que uma empresa deve ter para continuar vendendo no estado.
Como a Califórnia representa um décimo do
mercado de carros norte-americano, o texto diz que "as
políticas ambientais do governo do estado são
levadas a serio". "A Honda foi primeira a conseguir
um ZEV pronto para o mercado, mas praticamente toda as outras
companhias estão trabalhando em suas próprias
versões." No último verão no Hemisfério
Norte, o estado também propôs, com apoio do
governador Arnold Schwarzenegger, uma regulamentação
que exige dos fabricantes a redução da emissão
de dióxido de carbono em 30% a partir de 2009. |