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2005 |
MARÇO l ENTRANDO NO TRILHO
Recuperação das
ferrovias mostra-se
fundamental para melhoria do transporte
O
transporte de cargas no Brasil atualmente é feito
em grande parte pelas rodovias. Entretanto, a má
conservação das estradas tem causado inúmeros
prejuízos neste setor. Além de investimentos
nesta área, outra solução para este
problema é a recuperação das linhas
ferroviárias, com a modernização e
construção de novos trechos. A AEA –
Associação Brasileira de Engenharia Automotiva
acredita que o País tem condições para
resolver esta questão, com materiais e mão-de-obra
nacionais, e beneficiar todos os setores envolvidos.
A primeira medida a ser adotada pelos órgãos
competentes é o estabelecimento de prioridades. “A
ampliação da cobertura da malha ferroviária
nas zonas de expansão da fronteira agrícola,
no caso as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste,
bem como o desenvolvimento de corredores de acesso aos portos
brasileiros são primordiais para desafogar o transporte
rodoviário e minimizar as perdas”, explica
Geraldo Rangel, diretor da AEA.
Para isso, é preciso implantar algumas ações,
como o aumento da participação ferroviária
no mercado de transportes, especialmente nos fluxos de exportação.
Para que isto ocorra, são necessários investimentos
públicos e privados na recuperação
da infra-estrutura viária, na modernização
e ampliação da frota de vagões e locomotivas.
Além de aumentar a segurança do transporte
nos centros urbanos e no contorno de pontos críticos
dos corredores estratégicos.
Outra necessidade é a integração e
adequação operacional das ferrovias, com a
reorganização das concessões ferroviárias,
implantando medidas que possibilitem a reestruturação
das malhas, o fortalecimento empresarial das concessionárias
e a criação de mecanismos de fiscalização
e controle do desempenho destas empresas. “A recuperação
das ferrovias deve abordar também o resgate do transporte
ferroviário de passageiros”, adianta Rangel.
As ferrovias no Brasil se tornaram deficitárias
devido à transferência de investimentos para
o transporte rodoviário, como forma de incentivar
o setor industrial automobilístico no início
da década de 50. Desta forma, as rodovias se modernizaram
e os veículos ficaram mais baratos. Em contrapartida,
os trens mais lentos e ineficientes. “Como os esforços
se voltaram totalmente para outro setor, o fortalecimento
da indústria automotiva significou a decadência
da malha ferroviária”, conta Rangel.
Atualmente, a integração aliada à
modernização das malhas ferroviárias
e rodoviárias são essenciais para o crescimento
do País. “A recuperação deste
modal trará benefícios sociais como a ocupação
econômica e social da extensa região do cerrado
brasileiro com a implantação de negócios,
além da geração de empregos para a
construção e manutenção deste
meio de transporte”, finaliza o diretor.
A AEA, fundada em 1984, é uma entidade sem fins
lucrativos, que tem como objetivo promover discussões
técnicas ligadas ao setor automotivo, energético
e de transporte em geral. Entre os membros associados estão:
montadoras de veículos, fabricantes de motores e
autopeças, produtores e distribuidores de combustíveis,
representantes da área acadêmica, institutos
de pesquisa públicos e privados e órgãos
governamentais. Os trabalhos e avaliações
realizadas na AEA se desenvolvem por meio de comissões
técnicas. A AEA atua junto à sociedade como
um todo, consolidando sua condição de entidade
tecnicamente isenta e independente.
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