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2005 |
MARÇO l MEIO-AMBIENTE
A relação entre a turboalimentação
e o meio-ambiente
Curso para especialistas ressalta como o sistema
de alimentação de motores é imprescindível
para a redução de emissão de poluentes
A Honeywell Turbo Technologies - Garrett - aproveitou o
início do Protocolo de Kyoto para promover um curso
de formação de especialistas em turboalimentação,
considerado um dos principais recursos para a redução
dos níveis de emissões dos motores de veículos.
Em comemoração à entrada em vigor desse
acordo, a empresa reuniu em sua sede, em Guarulhos (SP),
50 profissionais que trabalham com assistência técnica
em turboalimentação em todo o Brasil para
reforçar a importância que a tecnologia adquire
para a preservação do meio ambiente.
O Protocolo de Kyoto é um acordo
ratificado por cerca de 140 países com o objetivo
de reduzir, entre 2008 e 2012, a emissão de gases
que causam o efeito estufa em cerca de 5% em relação
aos níveis de 1990. "Consideramos o melhor momento
para transmitir aos profissionais a importância da
turboalimentação de motores e contribuir efetivamente
para esse esforço mundial", informou George
Norio Kikuchi, gerente de Marketing e Pós-Vendas
da empresa.
O sistema de turboalimentação de motores
é um dos principais recursos que a indústria
automobilística dispõe para a redução
da emissões de gases poluentes. Por esse atributo
e pelas restrições cada vez mais rigorosas
para a preservação do meio ambiente, o mercado
europeu apresenta grande evolução nas vendas
de automóveis equipados com motores a diesel e sistemas
de turboalimentação. No ano passado, a Honeywell
mundial produziu oito milhões de turbos, dos quais
seis milhões destinaram-se exclusivamente para o
mercado europeu. No Brasil a produção atingiu
a marca de 210 mil unidades.
Além da economia de combustível, a turboalimentação
contribui para os fabricantes de motores atingirem os cada
vez mais rigorosos limites de emissões de gases,
impostos pelas legislações européia,
asiática e norte-americana. No Brasil, em janeiro
passou a vigorar a norma Euro III (que corresponde à
fase 5 do Conama).
George Norio Kikuchi informou que a turboalimentação
reduz de forma significativa a emissão de gases e
explica que enquanto um carro vendido no mercado europeu
com motor 1.4L a gasolina e sem turbo, emite 157 g/kg de
CO2 (dióxido de carbono), o mesmo modelo, com motor
1.4L a diesel e com turbo, produz 114 g/kg, numa redução
correspondente a 27%. O executivo explica que entre os fatores
que contribuem para os motores turbodiesel apresentarem
mais baixas emissões de CO2 está o menor consumo
de combustível em relação aos modelos
a gasolina.
No Brasil, todos os veículos comerciais equipados
com motor a diesel (esse com bustível ainda é
proibido para carros de passageiros), contam com o sistema
de turboalimentação, considerado o único
recurso para os fabricantes de motores atenderem aos limites
estabelecidos pelas normas ambientais.
Protocolo de Kyoto: mais benefícios para
os países em desenvolvimento que para o meio ambiente
- Em vigor desde o dia 16 de fevereiro deste ano,
o Protocolo de Kyoto estabelece que os países industrializados
devem reduzir a quantidade de gases poluentes em pelo menos
5% em relação aos níveis emitidos em
1990. Mas, este acordo mostra-se mais eficiente para proteção
do meio ambiente no papel do que na prática. Isto
porque os Estados Unidos, responsáveis por 36% das
emissões mundiais de poluentes - cerca de 5 milhões
de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ao ano -,
não ratificaram o Protocolo.
As justificativas são que este acordo pode vir a
limitar o desenvolvimento interno do país. Mesmo
não participando, os EUA se comprometem a aprimorar
suas tecnologias, visando emitir menos poluentes. Independente
desta ausência, o meio ambiente terá benefícios
já que anualmente deixarão de ser emitidos
milhões de toneladas de CO2.
A redução das emissões deverá
acontecer em várias atividades econômicas,
principalmente nos transportes, responsáveis por
um terço das emissões mundiais de dióxido
de carbono. Para o Protocolo entrar em vigor, foi necessário
que os países signatários representassem pelo
menos 55% das emissões mundiais de poluentes, meta
que foi atingida com a adesão da Rússia.
Benefícios para o Brasil - Os países
em desenvolvimento, que em princípio não são
obrigados a cumprir o tratado, também serão
beneficiados. No caso do Brasil, os combustíveis
renováveis, como o álcool etílico,
podem ser adotados pelos países industrializados.
Estes combustíveis além de poluir menos, também
retiram da atmosfera gases como o CO2, durante o processo
para sua produção.
“O nosso País está em uma situação
privilegiada, precisando apenas preservar as florestas e
aperfeiçoar as tecnologias já utilizadas.
Os veículos com sistemas flex (álcool, gasolina
ou a mistura de ambos) são exemplos de tecnologias
nacionais que podem ser adotadas no mundo todo”, analisa
Alfredo Castelli, diretor de Meio Ambiente da AEA.
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