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2005 |
MARÇO l TECNOLOGIA TAMBÉM PARA PARAR SEU AUTOMÓVEL
Nem freios ABS, nem travamento
das rodas: vêm aí os superfreios
Se você acredita que ter freios ABS no seu carro
lhe dá a maior segurança possível,
prepare-se para mudar de idéia. Cientistas acabam
de descobrir que nem os freios ABS nem o travamento das
rodas são a melhor solução para se
parar um carro no menor espaço possível. O
melhor enfoque é uma mesclagem dos dois sistemas.
A conclusão é de um estudo sobre a fricção
entre sólidos, com um nível de detalhamento
nunca antes feito. Os cientistas analisaram o processo molécula
a molécula e publicaram os resultados em um artigo
no periódico científico New Journal of Physics.
Cientistas e engenheiros até hoje acumularam uma
quantidade enorme de informação empírica
sobre o processo que ocorre quando duas superfícies
atritam-se mutuamente, produzindo a fricção.
A partir desses dados eles conseguiram até mesmo
formular várias regras e leis físicas que
explicam as forças que atuam nesse processo.
Mas, embora essas leis sejam úteis para um grande
número de aplicações práticas,
o entendimento de como a fricção se relaciona
com o comportamento dos sólidos em nível molecular
está longe de ser completo. Agora, o trabalho dos
cientistas alemães Peter Reimann e Mykhaylo Evstigneev
estabeleceu as bases teóricas para o entendimento
básico das leis que governam o contato entre materiais
em nível microscópico.
"Em nosso trabalho, nós consideramos uma configuração
teórica algo simplificada," explica Reimann.
"Ela consiste de um ponto único, muito pequeno,
que é pressionado contra uma superfície atomicamente
plana." Este é um sistema mínimo excepcionalmente
simples e bem controlado, que permitiu que a equipe estudasse
as forças entre o ponto e a superfície. Os
pesquisadores experimentalistas que estudam a fricção
também utilizam um enfoque simplificado similar a
este para medir as forças reais envolvidas.
O trabalho começa com uma descrição
matemática do sistema que leva em conta as forças
entre o ponto e a superfície em nível microscópico,
à medida em que o ponto se desloca ao longo da superfície.
Eles descobriram que esse modelo pode explicar descobertas
experimentais anteriores - o que confirma sua validade.
Entretanto, eles também chegaram a uma conclusão
inesperada. O modelo sugere que a força friccional
aumenta à medida em que o ponto começa a se
mover, atinge um máximo à medida em que acelera,
e então começa a cair, mesmo que a aceleração
continue.
"Nós achamos essa previsão um tanto
surpreendente e os experimentalistas já nos transmitiram
seu entusiasmo em testá-la em seus laboratórios,"
afirma Reimann. Se um comportamento desse tipo puder ser
verificado na fricção entre os pneus de um
carro e o asfalto, então há implicações
importantes para a segurança.
A descoberta sugere que nem o travamento das rodas nem
o sistema ABS tradicional são o meio mais eficiente
para se parar um carro na menor distância possível.
O Dr. Reimann afirma que um meio termo entre os dois enfoque
poderá ser muito mais eficaz
Fonte: Inovação Tecnológica |