|
2005 |
MARÇO l CONFIANÇA OU DESCONFIANÇA
Mecânico: é preciso
ficar atento na hora de escolher um
A velha máxima de quem em todas as atividades sempre
existe uma minoria de maus profissionais se aplica também
aos mecânicos. Os mal intencionados que atuam nesta
área estão sempre à espera de consumidores
inocentes e desatentos, tentando arrancar dinheiro por serviços
desnecessários ou muitas vezes, mal executados. Contra
esse tipo de profissional, existem dicas e soluções
simples que podem inibir uma ação inescrupulosa
quando necessitamos consertar o carro, ou fazer uma revisão.
Ninguém acredita mais na história da “repimboca
da parafuseta” mas em alguns casos só é
possível detectar o “golpe” se o cliente
tiver mesmo conhecimento do assunto.
Para os leigos - que são maioria - uma das saídas
para não serem enganados é adotar alguns procedimentos,
como a escolha da oficina ideal. Uma indicação
de amigo ou parente pode ser o primeiro passo. Sendo confiável,
o ideal é se tornar um cliente fiel, pois serviços
mecânicos não são necessários
apenas uma vez.
“Seja para uma revisão ou conserto, a confiança
e a fidelidade à oficina dão segurança
ao cliente. Se ele encontrar o mecânico ideal, dificilmente
trocará”, afirma Marcos Roberto Lopes, 48 anos,
que atende em sua oficina (Auto Mecânica Clamar) uma
média de 130 carros por mês.
A maioria dos seus clientes é fiel, ou seja, sempre
que necessita de um conserto ou de uma revisão, faz
o serviço no mesmo local. “Acredito que 80%
dos clientes que temos são fiéis e voltam
quando precisam porque já sabem o que vão
encontrar. Tanto na questão dos serviços de
mão de obra como na certeza que serão bem
executados”, afirma.
Outra dica para não ser lesado por causa de uma
escolha errada é observar o aspecto do local onde
seu carro estará sendo “cuidado”. “Se
você entra em uma oficina com aspecto sujo, ferramentas
espalhadas pelos cantos ou mal cuidadas, já está
correndo um risco de cair numa armadilha”, orienta
Marcos, mecânico desde 1977.
A partir de uma boa escolha o passo seguinte é
fazer prevalecer os seus direitos, como o de exigir as garantias
das peças substituídas. “Hoje quase
tudo tem garantia. Os certificados vêm até
nas embalagens. É o mínimo que o mecânico
deve oferecer quando coloca uma peça no lugar de
outra”, explica.
Golpes comuns ficam invisíveis - Os
golpes mais praticados envolvem serviços “sem
visibilidade” para o consumidor.
Para o golpista, a chance de lesar o cliente inocente é
quando ele executa uma “troca” de peça
que não pode ser conferida pelo dono do carro. “O
cidadão faz uma embreagem e ao invés de trocar
as peças velhas por novas, ele pode enganar o consumidor
colocando um material recondicionado e cobrar por uma peça
nova. Por isto é preciso exigir garantias por escrito”,
explica Marcos.
Um pistão, por exemplo, pode sair de um ferro velho
ao invés de ser uma peça nova. “O cliente
não vai abrir o motor para conferir. Neste caso ele
fica à mercê. Confiança e honestidade
devem andar juntas sempre”, emenda.
Solicitar as peças velhas também pode ser
um mecanismo de defesa. Neste caso, o cliente tem uma prova
de que a sua peça danificada não foi recondicionada.
“Piratas” são minoria, mas estão
em bom número pela cidade
Estima-se que em Ribeirão existem mais de 600 oficinas
espalhadas pelos bairros. Campos Elíseos e Ipiranga
são áreas de maior concentração
de mecânicos na cidade. O número elevado de
oficinas faz com que seja grande também a quantidade
de “piratas”. Mas felizmente eles são
uma minoria. “Em Ribeirão conheço muitos
colegas e sei que a imensa maioria é de profissionais
corretos. Mas sempre tem uns 10% que denigrem. Seria pouco
se a cidade na tivesse tanta oficina. Parece boteco. Tem
quarteirões onde você vê até três
oficinas abertas”, comenta Marcos.
A entrada dos mal profissionais muitas vezes é
feita por aventureiros. “O cidadão deixa de
ser aprendiz e resolve montar uma oficina. Nem sempre ele
têm uma condição de oferecer um serviço
bem feito e em alguns casos, partem para os golpes. Mas
repito, são uma minoria”.
Fonte: A Cidade - Igor Ramos |