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2005 |
ABRIL l TOMANDO O RUMO CERTO
Consolidação
de tecnologias e investimento na
qualidade dos combustíveis traçam o futuro
da matriz energética brasileira
Seminário da AEA apontou diretrizes e principais
preocupações de toda a cadeia envolvida na
produção, distribuição e consumo
de combustíveis no País
A
crescente aceitação do mercado pelos sistemas
flex, com o conseqüente aumento do consumo interno
de álcool, o desenvolvimento de novas tecnologias
e os investimentos de entidades e do Governo para aprimorar
a qualidade dos combustíveis são alguns dos
fatores que têm contribuído para a evolução
da matriz energética brasileira. Estes e outros aspectos
relacionados ao tema foram abordados pela AEA – Associação
Brasileira de Engenharia Automotiva no seminário
“Combustíveis, Lubrificantes e Aditivos: Panorama
Automotivo do Brasil”, promovido recentemente pela
entidade.
“Nosso objetivo foi convocar os diversos segmentos
para que apresentassem sugestões limpas, seguras
e econômicas para o futuro dos transportes no Brasil”,
comenta Francesco Palombo, coordenador da Comissão
Técnica de Combustíveis, Lubrificantes e Aditivos
da AEA e do evento.
Tecnologias propostas - A utilização
dos sistemas Flex foi um dos temas debatidos no evento.
Segundo estimativas apresentadas pela Unica – União
da Agroindústria Canavieira de São Paulo,
a frota de veículos flex deve aumentar dez vezes
nos próximos cinco anos, hoje estimada em 650 mil
unidades. O Brasil é o maior produtor mundial de
álcool com 15,5 bilhões de litros ao ano,
o que representa 36% de participação no mercado
global. O País pode e deve apostar no álcool,
pois conta com estrutura para suportar a demanda interna
e para aproveitar o consumo automotivo de países
como Índia e Estados Unidos.
Outra tecnologia que deve se expandir nos próximos
anos é o GNV (Gás Natural Veicular), que se
mostra um ótimo combustível alternativo. Com
uma média mensal de 22 mil conversões em todo
o País, os automóveis de passeio movidos a
gás somam 930 mil unidades e consomem por dia 4,6
milhões/m3 em substituição à
gasolina e álcool. Para atender o desafio de reduzir
a importação de óleo diesel e as emissões
em grandes centros urbanos, empresas do setor estão
investindo em formas de adequar o GNV aos veículos
pesados e às características motoras de ônibus
e caminhões. Nesse sentido, foram apresentados estudos
para oferecer ao mercado nos próximos anos um sistema
Diesel-Gás que trabalhe com as duas alimentações.
Diversos palestrantes defenderam também o uso parcial
do biodiesel, que possui vantagens sociais, ambientais e
de mercado. A ser adicionado na proporção
de 2% ao óleo diesel já neste ano, o combustível
deve ser consumido no volume anual de 1 bilhão de
litros.
Preocupações com a qualidade final
- A adulteração dos combustíveis
e a sonegação de impostos são os principais
problemas apontados pelo setor que contribuem para reduzir
a qualidade nas bombas e para a perda de competitividade
da distribuição no País. No caso do
álcool hidratado, ocorre a adição de
água acima do estipulado. Já no álcool
anidro é adicionada água em sua composição.
A venda diretamente pela usina aos postos, sem passar pela
distribuição, e a sonegação
de ICMS também prejudicam o combustível.
Segundo informações do Sindicom (Sindicato
Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis
e Lubrificantes), o custo médio de um litro de álcool
em São Paulo, sem as margens de lucro, é de
R$ 1,09. Entretanto, 20% dos postos do Estado vendem o combustível
abaixo desse valor.
Em relação à gasolina, ocorre a adição
de álcool acima dos 25% previstos em lei e a mistura
de solventes, sem contar a sonegação de impostos.
O mercado nacional compra um excesso de 500 milhões
de litros anuais de solventes, que são desviados
para uso na gasolina. Isso acontece pois, apesar de mais
caros, os solventes contam com menor tributação,
o que rende um preço final menor do que o da gasolina.
As propostas apresentadas pelo Sindicom incluem a uniformização
das alíquotas de ICMS no País, que hoje são
cobradas em diferentes porcentagens em cada estado; o aumento
da tributação dos solventes; o acompanhamento
pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) das
vendas de álcool pelas usinas, como já é
feito com as distribuidoras; o confisco do combustível
adulterado e a reforma tributária.
O seminário também apresentou as ações
previstas pela Petrobras para aprimorar a qualidade dos
combustíveis a partir da redução do
teor de enxofre. Para tanto, a empresa tem um plano de investimento
global até 2010 de US$ 53,6 bilhões. Deste
total, cerca de US$ 3,26 bilhões serão exclusivamente
destinados à instalação de novas unidades
de desulfurização de gasolina e diesel. Com
isto, a capacidade de tratamento dos combustíveis
será elevada aos níveis dos países
desenvolvidos, permitindo o lançamento de combustíveis
com 50 ppm de enxofre no mercado brasileiro.
A introdução destes produtos de reduzido
teor de enxofre atende à evolução da
tecnologia automotiva, devendo ser discutida com os diversos
segmentos afetados pela sua produção, uso
e distribuição, que aguardam a coordenação
da ANP para a regulamentação destes combustíveis.
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