REVISTA VENCER l ANO VI l NÚMERO 66
O mecânico do século
XXI
O mercado não comporta mais os profissionais
à moda antiga.
É preciso conhecimento, profissionalismo
e ambiente agradável - Por Mauro
Cezar Pereira
Foto
de mulher nua na parede suja. Chão repleto
de graxa, óleo e gasolina pingando por toda
a parte. Lá dentro, um mecânico com
macacão imundo, sai por debaixo do carro
semidesmontado. E é ele mesmo, sem muito
ânimo, quem atende o "freguês".
O cenário já foi comum, natural, e
o cliente sequer se incomodava com toda a confusão
que caracterizava as oficinas.
Afinal, consertar o carro em lugares
assim era praticamente a única alternativa.
Hoje, a expectativa é outra. Além
de um ambiente limpo e organizado, um novo mecânico,
mais capacitado e com formação, surge
para atender um exigente mercado consumidor.
Eduardo
Dozol Flores, instrutor de nível técnico
do Senai do Rio Grande do Sul, frisa que antes de
tudo o profissional tem que gostar do que faz, sem
se preocupar de forma obsessiva com o retorno financeiro,
jamais colocando-o em primeiro lugar. E avisa: "Fato
é que o produto carro mudou muito, a quantidade
de inovações agregadas é enorme
e cresce na medida em que se tornam mais populares.
Hoje um modelo 1.0 tem direção hidráulica,
ar, trava e vidros elétricos. A demanda cresce
e é preciso um conhecimento maior, constantemente
atualizado".
A teoria - É
muito importante o conhecimento básico que
o iniciante encontra nos Senai por meio de aulas
profissionalizantes. Mas, em seguida, deve-se procurar
um curso técnico. "Trata-se de um aprofundamento,
com o entendimento dos sistemas mais complexos,
em que o aluno aprende mais a parte teórica",
aconselha Tarcísio Dias,
do site Mecânica Online,
que oferece uma série de cursos via internet.
Atualmente, não basta conhecer
os defeitos. Se antes era menos importante saber
o que e como funciona, hoje isso é vital.
Até os acessórios mudaram. Antigamente
algumas chaves bastavam, mas agora há computadores,
câmaras, equipamentos de testes de injeção
e avaliações específicas, muitos
ligados ao PC. Isso obriga o profissional a aprender
informática. Para o instrutor Marcelo Portela,
da Orientrade, de São Paulo, o profissional
de reparação precisa ser muito mais
técnico do que há uma década.
As ferramentas de hoje não se resumem à
chave de fenda e alicate, e chegam a ser microcomputadores
desenvolvidos especialmente para utilização
automotiva. "Isso requer uma formação
profissional de nível médio, pelo
menos, com boa capacidade de leitura e interpretação
para utilização de manuais cada vez
mais complexos", frisa.
Os tempos mudaram e as oficinas
também. Da apresentação à
formação dos profissionais tudo é
diferente. E não são apenas aquelas
mais sofisticadas, voltadas ao público "A"
que precisam se estruturar de outra forma. No século
21, mecânico que deseja viver da profissão,
seja ele dono ou funcionário, tem que agir
de maneira inversamente proporcional ao exemplo
citado no início. Caso contrário,
estará condenado à extinção,
como os carburadores dos automóveis.
Injeção eletrônica
- Por sinal, a substituição desse
item mecânico pela injeção eletrônica
foi um marco na virada do setor. Os profissionais
que se limitavam a aprender, no dia-a-dia, como
desmontar, limpar, reparar e recolocá-lo
em funcionamento foram obrigados a conhecer as inovações.
Sim, o novo componente tem tratamento diferente,
que, ao ser limpo e regulado, exige a presença
de algo mais do que chaves de diversos tamanhos.
Foi aí que o computador entrou de vez em
cena e reciclagem virou palavra de ordem.
"No início alguns
só mexiam em carro carburado, mas aos poucos
eles foram sumindo. O cara abandona a profissão
ou se atualiza, mas muitos profissionais acordam
muito tarde", frisa Flores. Esse perfil do
mecânico à moda antiga resistiu até
os anos 80, quando ele entrava na oficina lavando
peças, como ajudante, e era autodidata, aprendia
vendo os demais trabalhando. "Esse profissional
está sendo marginalizado", alerta Geraldo
Santo Mauro, presidente da ASE (Automotive Service
Excellence).
Mais tecnologia
- Com a abertura do mercado, em 1990, veio a pressão
de fora, com a chegada de carros com maior tecnologia,
o que forçou o automóvel brasileiro
a evoluir muito. Os motores têm itens que
não se via quando se levantava o capô
no passado. "Acabou o carro enorme e de fácil
manutenção, chegou o menor e com maior
tecnologia e desempenho. O Fusca 1300 tinha 43 cavalos,
hoje um Gol 1.000 16 válvulas turbo tem 112",
compara Dozol Flores.
E para lidar com um motor menor,
que consome menos e tem quase três vezes mais
potência, as fábricas inseriram componentes,
acessórios. "E o mecânico precisa
conhecê-los, saber quais são seus eventuais
problemas, como ele se comporta e o que faz",
reforça.
"Como em outros setores da
economia, quem não evolui é descartado
do mercado. Já foi o tempo em que o mecânico
era encarado como um 'mal necessário' e o
cliente deveria se submeter às condições
que encontrava na oficina", ressalta Portela.
Ele lembra que existem opções bem
profissionais, como franquias nacionais e americanas
que realizam quase todos os serviços necessários.
Ainda há carros com tecnologia
obsoleta rodando pelas ruas e estradas, mas, aos
poucos, eles estão se tornado mais raros.
Em determinadas regiões das grandes cidades
não se vê um automóvel antigo
sequer, com dez anos ou mais. "Na periferia
um mecânico à antiga pode até
sobreviver, mas não terá bom rendimento
financeiro. Se ele deseja trabalhar bem e ser um
bom profissional, vai precisar mesmo se atualizar",
enfatiza o instrutor do Senai gaúcho.
"Hoje em dia ele precisa
saber o que está ocorrendo, se informatizar,
porque os automóveis têm alta tecnologia,
que nada mais são do que itens computadorizados",
adverte Alessandro Busnello, supervisor da oficina
Chrysler da concessionária Savarauto, em
Porto Alegre (RS). Ele lembra que já existe
enorme literatura técnica, em outros idiomas,
inclusive.
Para fazer um diagnóstico
eletrônico é preciso conhecer o computador
que é ligado ao veículo e detecta
os problemas. Em uma autorizada como a de Busnello,
chegam mensalmente, da fábrica, manuais,
CDs e livros que apontam defeitos desconhecidos
até então. "Esses problemas nos
fariam quebrar a cabeça. Como a literatura
da empresa já aponta tudo, pois absorve experiências
de carros que rodam no mundo inteiro, é preciso
que o profissional se atualize.”
E tem mais: a educação
básica é importante. "Não
basta um curso profissionalizante sem uma boa base
em matemática ou português", alerta
Portela. Contar com um profissional que tenha curso
superior pode ser importante em uma oficina, pois
gerenciar e otimizar processos e equipes são
os seus principais requisitos. "Ele
deverá levar consigo o conhecimento técnico
na área trabalhada como ferramenta para o
melhor aproveitamento do tempo, espaço e
dos profissionais do setor", frisa
Dias, do Mecânica Online.
"Mas ainda não vemos muitos, mesmo em
chefias. No geral os profissionais são de
nível médio", constata o instrutor
da Orientrade.
Relatórios
escritos - Hoje as concessionárias
ganham mais dinheiro fazendo serviços durante
a garantia, mas a montadora exige laudos por escrito
e o mecânico tem que fazê-los, descrevendo
sucintamente o defeito, o que acarretou e como foi
reparado. Caso contrário, a montadora pode
não aceitar a troca dentro da garantia. "Apenas
trocar a peça e atender o cliente já
não satisfaz", adverte Eduardo Dozol
Flores, do Senai.
Aprender tudo isso não
é fácil, especialmente para os veteranos.
"Com eles insistimos, mostramos que precisam
ver a importância disso", destaca o su-pervisor
da Savarauto, que freqüentemente envia seus
funcionários a Campinas (SP), onde acontecem
treinamentos da fábrica da Daimler-Chrysler.
Nessas aulas, eles aprimoram seus conhecimentos
em cursos de engenharia mecânica até
de atendimento. Além disso, o pessoal da
oficina faz reuniões para instruir os funcionários
sobre como abordar os clientes.
De fato, nesse processo de reaprendizagem,
não basta conhecer novos componentes automotivos
e saber como repará-los. Por isso há
oficinas autori-zadas que contratam empresas de
consultoria em Recursos Humanos para palestras sobre
liderança e gestão de equipe, por
exemplo.
Além de saber atender, os
mecânicos são orientados sobre como
manter o ambiente apresentável. "É
uma grande preocupação. O chão
da nossa oficina é branco. Caiu um pingo
de óleo e limpamos. Eles se sentem bem trabalhando
assim, tanto que se um carro chegar imundo à
oficina a primeira coisa que fazemos é lavá-lo",
frisa Alessandro Busnello.
Em São Paulo (SP), a oficina
dos irmãos Willy e Telly Leandrini faz grandes
transformações nos carros dos clientes.
Além de sonorizar veículos, eles são
especializados em personalização,
e lidam com um público de alto poder aquisitivo,
capaz de investir dezenas de milhares de reais para
deixar o veículo do seu jeito, único.
Seria inviável atender a um público
de tal perfil sem um ambiente favorável.
"Nossa loja é limpa e branca, no piso,
no teto, em tudo. As pessoas evitam lugares sujos",
afirma Telly.
Manter os funcionários
conscientes da importância da apresentação
do estabelecimento não é mais uma
dificuldade para os Leandrini. "Procu-ramos
fazer como se isso fosse nossa casa. Os pró-prios
funcionários cobram uns aos outros. Claro
que um pedaço de fio e outras coisas sempre
caem no chão, mas ao final do trabalho limpamos
tudo", assegura ele, que tem clientes de vários
pontos do Brasil. "Nós os conquistamos
com um bom trabalho e por termos áreas de
serviços e atendimento. Ele vem, conversa,
toma um café. Eu não posso fazer um
cara que gasta R$ 40 mil na minha loja se levantar
para ir ao caixa pagar a conta", ressalta.
Para os especialistas, quem não
pensar assim está fadado ao insucesso. "O
caminho da reparação automotiva leva
a oficinas limpas e arejadas, com equipamentos de
última geração que realizam
consulta via computador, e trabalha para otimizar
a execução, o tempo e a qualidade
do serviço", ensina Tarcísio
Dias, do Mecânica Online.
 |
Revista Vencer! - Edição 66 - Março
/ Abril de 2005
Publicação da matéria
autorizada por
Flávia Benvenga - Editora da Revista
Vencer
Acesse o portal da Revista Vencer! http://www.vencer.com.br
|
JORNAL DE HOJE l COLUNA MOTORES E AÇÃO
Freire Neto também destaca
Mecânica Online no Rio Grande do Norte
A coluna semanal do jornalista Freire Neto
também divulgou nota sobre o reconhecimento
ao trabalho apresentado e desenvolvido pela Equipe
da Mecânica Online e ainda aproveitou e divulgou
em primeira-mão mais uma novidade que o Mecânica
Online passará a oferecer aos seus internautas,
através da coluna MOTORES E AÇÃO
l OFF-ROAD.
Veja nota:
Mecanicaonline.com.br
O meu amigo Tarcísio Dias de Recife está
sorrindo a toa com o sucesso do seu site: www.mecanicaonline.com.br
. Destaque em revistas e jornais de todo o país,
o portal especializado em mecânica está
desenvolvendo vários cursos on line e tirando
dúvidas de muita gente, além de abrir
espaço para notícias e informações
do setor automotivo. Em breve, o Motores & AÇÃO
ganhará um espaço dedicado ao “off-road”.
Veja no link direto l http://www.motoreseacao.com.br/coluna.htm
Veja também:
Assunto relacionado l Mecânica
Online é destaque no Japão