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2005 |
ABRIL l POR ONDE SEU AUTOMÓVEL ANDA MESMO???
Caminhos da qualidade
Áurea Rangel*
É muito antiga a preocupação com a
sinalização em vias por onde passam pessoas
e meios de transporte. No Império Romano, o ímpeto
de construir estradas fez com que se criasse a célebre
frase "todos os caminhos levam a Roma". Já
naquela época, pedras de cor diferente eram colocadas
nas estradas abertas pelos romanos para orientar o tráfego
de veículos de tração animal.
No início do século passado, nos Estados
Unidos, o aumento exponencial de automóveis nas ruas
fez com que fossem feitas as primeiras demarcações
com tinta no pavimento. Atualmente, esta prática
tornou-se fundamental para orientar motoristas e pedestres
nas ruas, avenidas e estradas, além de lhes garantir
segurança.
No Brasil, entretanto, há sérios problemas
nesse campo. A chamada sinalização viária
horizontal é muito precária, principalmente
nas rodovias. Sem contar que a existente, em geral, possui
qualidade duvidosa. Aspecto, inclusive, estranho nos dias
de hoje, já que há, no mercado brasileiro,
materiais de alto desempenho, com mais resistência
e durabilidade, e de custo compatível em relação
aos produtos tradicionalmente utilizados — o que não
justificaria o uso ainda tão acentuado de produtos
defasados tecnologicamente e de baixo resultado.
Obviamente, como em qualquer ramo de atividade, existem
exceções. Algumas administradoras de rodovias
— principalmente as concessionárias —
têm descoberto aos poucos a boa relação
custo-benefício destes materiais. Eles, por exemplo,
são mais visíveis para os motoristas tanto
de dia quanto à noite, tornando, portanto, as estradas
mais seguras. Além disso, são materiais mais
fáceis de se aplicar do que os produtos convencionalmente
implementados.
No entanto, faz-se necessário que um número
cada vez maior de administradoras de rodovias deste País
comece a fazer de maneira sistemática projetos de
longo prazo de sinalização viária —
devidamente comprovados e fundamentados de sua eficácia
— nas estradas que gerenciam. O fato é que
não há mais conceber hoje, a partir da tecnologia
alcançada nesta área, que profissionais se
debrucem em projetos de reconstrução de vias
em períodos muito curtos porque aplicaram materiais
de baixa qualidade, que não tiveram a vida útil
esperada. Isto gera desgaste não só com as
estruturas — pública ou de origem privada —
as quais pertence, mas, fundamentalmente, com o (cada vez
mais exigente) usuário. Dessa forma, o melhor tem
sido apostar em materiais comprovadamente duradouros e eficientes
para se depararem o menos possível com as demandas
— e contestações — que a reconstrução
exige.
Assim, conclui-se que, hoje, há diversos caminhos
para se chegar à qualidade nas estradas. Basta ter
vontade e interesse em buscá-la. Exemplos já
começam a pipocar pelo País. A realidade é
que custo versus benefício é atualmente uma
conta imprescindível quando o negócio é
realizar investimento em rodovias.
*Áurea Rangel é química,
mestre em engenharia de materiais e diretora executiva da
Hot Line.
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