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2005
| ABRIL l MAIO l ESTAMOS PERDIDOS MESMOS!
Problemas da multimídia
embarcada no Brasil
Em todo o chamado Primeiro Mundo, a utilização
de multimídia embarcada visando monitorar a utilização
do veículo e melhorar a segurança do trânsito,
é cada dia mais ampla.
No Brasil, porém, ela está proibida pela
Resolução 153 do CONTRAN, Conselho Nacional
de Trânsito, de 17 de dezembro do ano passado. A proibição,
aliás, é uma das ferramentas mais utilizadas
por nossas autoridades quando demonstram desconhecer um
assunto qualquer e ficar com medo dele.
A medida visava eliminar os riscos cada vez maiores de
distração dos motoristas por equipamentos
de entretenimento – e a proibição foi
taxativa, englobando qualquer tipo de equipamento multimídia,
como sistemas de navegação (quanta coisa ainda
por fazer nesse campo em nosso País!), computadores
de bordo, câmaras para monitoramento de passageiros
de ônibus e de manobras em veículos longos,
principalmente articulados.
A AEA, Associação Brasileira de Engenharia
Automotiva, participa da Câmara Temática de
Assuntos Veiculares do Contran e é contra o uso de
equipamentos de entretenimento somente nos bancos dianteiros
enquanto o veículo está em movimento, mas
luta pela liberação da utilização
dos equipamentos de multimídia que visem uma maior
segurança no trânsito. Ela já encaminhou
uma proposta de alteração da Resolução
e a enviou ao Conselho.
Estatísticas interessantes
- Estados Unidos: com a entusiástica recepção
do mercado americano pelos SUVs, picapes, 4x4 e outros veículos
chamados de trucks, na década passada e nos primeiros
quatro anos do novo século, a média de tamanho
(deslocamento) dos motores subiu bastante.
A produção americana no ano passado, apesar
do forte aumento no preço do litro da gasolina, foi
de 14.087.833 unidades, 44,8% delas com motor acima de 4
litros, a maioria de oito cilindros em V, que ficaram com
32,5%.
A comercialização de veículos leves
(não trucks) com motor de quatro cilindros caiu um
décimo de um por cento, para 6,7% do mercado como
um todo. Os motores pequenos-médios (na classificação
americana, de dois a três litros de deslocamento),
desceu para 17,8%. Já os motores médios (de
três a quatro litros) baixou também para 30,7%.
Aparentemente a principal razão pelo aumento do
tamanho dos motores são os trucks (picapes, SUVs,
4x4, jipes etc), que abocanharam nada menos de 60,4% do
mercado global. Os novos Nissan SUV Armada (que nome!) e
picape Titan (outro!) ajudaram com 153 mil unidades de seu
novo motor V-8 5.6 DOHC, como o fez também a DaimlerChrysler
com o Hemi 5.7 dos Dodge Durango e Ram.
Europa: os europeus de baixo e médio nível
econômico não são muito interessados
em transmissões automáticas, devido principalmente
ao fato de que elas tendem a aumentar o consumo em relação
a veículos com caixas manuais – e com gasolina
sem chumbo comum sendo vendida a uma média de três
reais e setenta o litro, as vendas de caixas automáticas
não parecem estar prontas a decolar no futuro próximo.
O engenheiro aposentado Pierre LePelletier, ex-Valeo, projetou
e desenvolveu uma transmissão automática de
seis marchas menor, mais leve e eficiente que as automáticas
de cinco marchas existentes. Que sua caixa era realmente
muito boa ficou patente quando a primeira a se interessar
por ela e colocá-la no mercado foi a ZF, com a HP6-26
colocada no BMW Série 7.
Mas a primeira a fazer uma caixa deste tipo para veículos
menores e de tração dianteira foi a oriental
Aisin, em 2002. Nos Audi A3 e TT, no New Beetle Cabrio e
Golf, a caixa foi um grande sucesso, já que se provou
inclusive 5% mais econômica de combustível
do que uma caixa manual do mesmo número de marchas.
Para ninguém ficar pensando que o acontecido foi
um caso isolado, a Aisin em novembro passado colocou uma
unidade LePelletier de seis marchas no Peugeot 607, acoplada
a um motor V-6 turbodiesel 2.7 de 44,9 kgm feito pela joint-venture
Peugeot Citroën-Ford.
Só para deixar o mundo sabendo que as coisas são
para valer, a Aisin deixou para trás a Mercedes-Benz
e passou a fornecer uma caixa manual de seis marchas para
a Porsche.
Já se fala muito no fato de que a Aisin estará
vendendo 25% do mercado europeu de automáticas, ou
um milhão de unidades/ano na próxima década.
O maior problema previsto para os fabricantes europeus
de transmissões automáticas é a exportação:
o dólar está muito fraco em relação
ao euro, fazendo com que cotações de preços
no vital mercado americano fiquem altas demais.
A produção de automáticas na Europa
depende muito do país: na Alemanha, um terço
dos carros novos são automáticos; na França
6,7%, e na Itália ainda menos: 1,6%. É muito
provável que as coisas estejam para mudar: a caixa
manual automatizada de duas embreagens, desenvolvida em
conjunto pela Borg Warner e a Volkswagen, tem tudo para
se tornar uma campeã de vendas.
Há ainda manuais automatizadas mais básicas,
como as da PSA Peugeot Citroën e da Fiat, que garantem
mais economia por mudar marchas ‘mais cedo’
do que a maioria dos motoristas comuns o fariam –
mas não são muito bem aceitas, por terem mudanças
vagarosas e com ‘trancos’.
Por que maior número de montadoras (e de fornecedores
também) não estão apresentando suas
próprias manuais automatizadas de duas embreagens
é fácil de entender: estão deixando
a Volkswagen fazer todo o desenvolvimento e o conserto do
que possa aparecer de errado. Quando tudo estiver em ordem,
é só ver como foi feito e aplicar nas suas.
Mais ou menos o que aconteceu na década de setenta,
quando os europeus deixaram os americanos quebrarem a cabeça
no desenvolvimento de veículos de menores emissões
e consumo.
Nos Estados Unidos, o interesse pela automática,
mesmo Le Pelletier, não é tão intenso
quanto na Europa: dos carros importados, 40,2% são
automáticos de 5 ou 6 marchas, ou ainda CVT –
contra 16,6% dos ‘de casa’. Mesmo assim, a GM
e a Ford estão desenvolvendo suas versões
de seis marchas para tração dianteira, que
devem chegar ao mercado dentro de um ano e meio.
Fonte: TechTalk
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