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2005 |
JUNHO l ARTIGO
Bicombustíveis: aproveitando
o melhor que o álcool e a gasolina podem oferecer
Por Edson Nonato*
A
tecnologia que permite utilizar nos motores automotivos
gasolina e álcool misturados em qualquer proporção,
ou qualquer um dos dois combustíveis sem prejuízo
para o carro, chegou ao mercado há pouco mais de
um ano e, desde então, é um sucesso entre
os motoristas que querem se beneficiar de suas vantagens.
Afinal, não há nada mais democrático
que chegar a um posto e poder escolher como abastecer o
tanque.
O que muitos proprietários de carros bicombustíveis
não sabem é como aproveitar os benefícios
do álcool e da gasolina de forma efetiva e quais
as diferenças entre eles. O fator mais importante
do carro bicombustível, aos olhos dos motoristas,
é permitir o uso do álcool, que, na ponta
do lápis, sai mais barato que a gasolina, sem a insegurança
que antes inibia a compra de um automóvel movido
exclusivamente a etanol.
Porém, a decisão de se abastecer com um ou
com o outro não deve ser tomada somente com base
no preço do litro que é mostrado na bomba.
É preciso conhecer o que o álcool e a gasolina
têm a oferecer para o desempenho do carro. Nem sempre
o preço está atrelado ao benefício,
o que indica que encher o tanque por menos nem sempre é
vantagem para o motorista. Mesmo porque, apesar da gasolina
ser mais cara, ela apresenta uma economia significativa
no consumo – que pode chegar até 30% - já
que possui um maior poder calorífero. O álcool
é mais barato (principalmente nos estados da região
Sudeste), mas consome mais.
Diferenças e vantagens - Na essência,
o que diferencia o álcool da gasolina é que
o primeiro é um combustível destilado principalmente
da cana-de-açucar, enquanto que o segundo é
refinado do petróleo. Entre os benefícios
do combustível proveniente da cana, o álcool
possui um poder antidetonante muito maior que a gasolina,
o que possibilita maior agilidade ao veículo.
O fato de abastecer com o álcool, também,
está relacionado com a qualidade do ar, já
que este combustível emite menos poluentes na atmosfera,
se comparado aos outros refinados do petróleo. Já
a gasolina, apesar de mais poluente, tem melhor desempenho
do motor em função da sua taxa de compressão,
possibilitando maior torque e potência.
Não existe, porém, uma proporção
exata da mistura de gasolina e álcool sugerida pelos
especialistas para melhorar o desempenho do veículo.
Aliás, a vantagem dos motores flexíveis é
justamente poder operar com quaisquer volumes entre os dois
combustíveis ou somente com apenas um deles.
A tecnologia empregada nos carros bicombustíveis
consiste na capacidade do sistema em reconhecer e adaptar,
automaticamente, as funções de gerenciamento
do motor para qualquer proporção de mistura
de álcool e gasolina. O sistema distingue os dois
através da quantidade de oxigênio que passa
pelo escape, o que permite ao motorista rodar apenas com
álcool ou gasolina o quanto quiser. Essa idéia
de que é preciso misturar os combustíveis
ou até fazer um revesamento entre eles no tanque
não procede. O sistema está adaptado para
rodar a vida toda em qualquer um dos casos, até mesmo
com um só tipo de combustível.
Os motores bicombustíveis utilizam uma taxa de compressão
intermediária que permite que o veículo apresente
um comportamento similar ao de um carro que funcione somente
a gasolina ou somente a álcool. Vale lembrar, ainda,
que os sistemas flexíveis não têm nenhum
desempenho surpreendente com relação aos motores
monocombustíveis – ou convencionais. Aliás,
a performance desses sistemas pode até ser prejudicada
devido à adequação necessária
ao funcionamento com os dois combustíveis, pois cada
um possui características diferentes. Mas essa adaptação
também não interfere no funcionamento do motor.
Os carros flexíveis também não precisam
de nenhum cuidado especial, ao contrário do que se
acredita. Os mesmos alertas que servem para os proprietários
de veículos convencionais, servem também para
os donos de carros com sistemas flexíveis: manter
o sistema de partida a frio abastecido, não utilizar
combustível adulterado, checar a procedência
de aditivos que se coloca no tanque, entre outros cuidados
básicos, são sempre necessários. Os
motores bicombustíveis funcionam como os motores
normais, com a vantagem de que eles podem se aproveitar
de todos os benefícios que, tanto a gasolina, quanto
o álcool, têm a oferecer.
*Edson Nonato é Gerente de Operações
da FIC-Petróleo, distribuidora de derivados do petróleo.
Motor Flex – o
mais moderno, o mais econômico e agora muito bem tratado
Chega ao mercado o tratamento que de quem conhece o sistema
de alimentação dos motores bicombustíveis.
Dois anos depois do lançamento do primeiro carro
nacional bicombustível, o Gol 1.6 Total Flex, a oferta
de modelos com essa tecnologia cresceu bastante no país.
Atualmente, já são 25 modelos, entre hatchs,
picapes, sedãs, minivans e peruas. Com o recém-lançamento
dos modelos populares, a procura pelos carros flexíveis
pode saltar para 60 ou 70% do mercado.
Mas toda moeda tem dois lados: a tecnologia que tem conquistado
tantos consumidores também está sujeita a
apresentar problemas se não for tratada de forma
adequada. Segundo o especialista em combustíveis
Gaston Schweizer, consultor técnico da STP, os danos
podem começar quando o carro é abastecido
com gasolina, combustível que deixa uma goma nas
paredes do tanque. Quando esse veículo é abastecido
com álcool, combustível mais “detergente”,
a goma tende a se soltar, obstruir e até entupir
a bomba e o filtro de combustível, causando desde
a queda de desempenho até a parada do motor. “Nesse
caso, é necessário realizar a troca do filtro,
pois a bomba pode até se queimar, elevando os gastos
com a manutenção.”
Para combater o problema, a STP lançou no mercado
um produto específico para tratar motores flexíveis.
O Flex Treatment tem a função de limpar constantemente
o sistema para evitar o acúmulo de resíduos.
“Esperamos dois anos para lançar o produto
porque queríamos estudar os problemas que poderiam
ocorrer nos motores bicombustíveis”, explica
Gaston.
O Flex Treatment deve ser usado a cada tanque na diluição
de 236 ml para até 50 litros de combustível,
não importando a concentração álcool/
gasolina existente no tanque. O preço médio
no mercado é de R$ 12,00 a R$ 14,00. Neste período
de lançamento do Flex Treatment, o produto vai ser
encontrado em uma embalagem promocional: na compra de um
frasco, o consumidor ganha de presente um copo personalizado
STP. |