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2005 |
JUNHO l COLUNA ESPECIAL l RETROVISOR
Talento nacional
(*) Renato Bellote Gomes
Pare o que está fazendo. Imagine um carro totalmente
diferente do convencional. Estilo moderno e linhas suaves,
mas sem deixar de lado a agressividade contida em seu espírito.
Agora aplique o slogan de lançamento: “Parece
que daqui pra frente ficou um pouquinho mais difícil
se falar em GT ou carro-esporte nesse país”.
Pronto, agora é só girar a chave e embarcar
nesse clássico genuinamente brasileiro, chamado de
SP2.

O modelo foi um marco nacional. Totalmente projetado e desenvolvido
no Brasil, o SP2 foi desenhado no início dos anos
70 e exibido pela primeira vez - ainda como protótipo
– no primeiro ano da década.
Em meados de 1972, o carro ganhou as ruas, colocando todo
seu charme no asfalto. O nome não podia ser escolhido
de melhor forma, homenageando a cidade de São Paulo,
ainda que uma história diga que o verdadeiro significado
da sigla seja outro.
O sucesso do lançamento repercutiu na Europa e EUA
e o veículo foi produzido em duas versões
distintas: SP1 (65 cv) e SP2 (75 cv). A revista Auto Esporte,
em sua edição de número 91, fez uma
apresentação detalhada do carro, antecipando
inclusive seu preço, de aproximadamente 25.000 cruzeiros.
O chassi utilizado pelo esportivo era
o da Variant II e o bloco boxer teve sua capacidade
cúbica aumentada para 1.700 cm³. O motor
contava ainda com carburadores duplos Solex e maior
compressão, despejando 75 cavalos de potência
no solo.
Os números de desempenho foram satisfatórios
para a época, visto que a carroceria era feita
com chapas de aço e não de fibra como
seu rival Puma. |
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Externamente, o SP2 chamava atenção à
distância. O perfil baixo do veículo era ainda
mais salientado por frisos que acompanhavam toda a carroceria.
Pára-choques de plástico e “respiros”
laterais para refrigeração do motor davam
à traseira um estilo único. O porta-malas
na frente do carro continha o estepe e ainda deixava um
bom espaço para bagagens, que ainda podiam ser armazenadas
no espaço atrás dos bancos.
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O interior requintado foi um dos seus diferenciais.
Bancos confortáveis revestidos em couro - apenas
dois para salientar seu “jeitão”
de esportivo - ótima posição
de dirigir, câmbio à mão e um
painel que merece elogios, equipado com conta-giros,
velocímetro, indicador de temperatura do óleo
e motor, marcador de combustível e amperímetro,
deixando o motorista com total controle do carro.
O volante de pequeno diâmetro – coqueluche
dos anos 70 - também vinha de série,
aumentando o prazer de dirigir. |
Após quatro anos de boas vendas, o SP2 saiu de
cena em fevereiro de 1976, com 10.204 unidades produzidas.
O estilo chamou tanta atenção na época
que um exemplar está preservado no museu da montadora,
em Wolfsburg. Sem dúvida, o maior mérito do
projeto está no gênio criativo dos brasileiros,
que, por quatro anos, fizeram o mundo todo sonhar.
(*) Renato Bellote Gomes
25 anos, é bacharel em Direito. O autor também
é colaborador dos sites Lusomotores (Portugal) e
Powerzone (Uruguai) |