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2005 |
AGOSTO l LARANJA
Álcool anidro poderá
ter corante para evitar fraudes
A
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural
e Biocombustíveis (ANP) deve determinar, até
o final do ano, que as destilarias produtoras de etanol
do País coloquem um corante no álcool anidro
misturado à gasolina, para tentar acabar com uma
das mais tradicionais fraudes do setor: o "álcool
molhado". A modalidade de fraude é simples e
começa com a compra, por parte de distribuidoras,
do álcool anidro que não paga o Imposto de
Circulação de Mercadorias e Serviços.
Em vez de misturá-lo à gasolina, os fraudadores
adicionam entre 5% e 7% de água e o vendem como álcool
hidratado, cuja tributação mínima é
de 12% de ICMS.
No processo, o imposto é sonegado e água
misturada tem níveis de acidez e condutividade que
prejudicam o motor dos veículos. O setor de distribuição
estima que a fraude movimente até 1 bilhão
de litros de álcool hidratado, ou cerca de 20% do
consumo anual desse combustível no Brasil. Com a
medida, se o álcool hidratado apresentar qualquer
tipo de coloração no abastecimento, ficaria
comprovada a fraude.
A ANP informou, por meio de sua assessoria de imprensa,
"que há grande chance de o projeto ser implantado",
e que novidades devem ser anunciadas em dez dias, mas ninguém
na entidade falou sobre o assunto.
Os detalhes finais da proposta serão discutidos
em uma reunião, segunda-feira, na sede da ANP, no
Rio de Janeiro. Devem participar do encontro, membros da
agência reguladora, produtores de álcool, além
de representantes de distribuidoras, revendedores, possíveis
fabricantes de corantes e da Associação Nacional
dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Flex fuel
Curiosamente, problema com o uso do "álcool
molhado" em veículos flex fuel, e não
a sonegação, levou a Anfavea a alertar, há
cerca de dois meses, a ANP sobre os a não-conformidade
do combustível. As montadoras estimam que cerca de
1,5% dos veículos flex fuel novos voltem às
concessionárias por causa do problema de adulteração
no etanol.
Após a reunião com o setor, a ANP deve fazer
uma minuta com a portaria na qual normatiza o assunto e
colocá-la em consulta pública antes de ela
ser aprovada. "Se tudo der certo, em 90 dias, ou até
novembro, esse projeto será implantado", disse
Dietmar Schupp, diretor de tributação do Sindicato
Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis
e de Lubrificantes (Sindicom), um dos defensores do uso
do corante no álcool anidro.
De acordo com o projeto, o corante mais provável
adicionado ao anidro seria de cor alaranjada ou vermelha,
para não influenciar na cor da gasolina à
qual o álcool será misturado. "A medida
só trará benefícios. Os veículos
terão menos problemas, os Estados arrecadarão
mais impostos, as distribuidoras acabarão com a sonegação
e os donos de postos não poderão mais ser
alertados", disse o diretor do Sindicom. |