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2005 |
AGOSTO l COLISÃO TRASEIRA
Lançado dispositivo automático
de sinalização de parada
Ciência e tecnologia brasileiras prometem reduzir
os acidentes de trânsito
A
Olimpus, a mais tradicional fabricante de antenas e alarmes
automotivos da América Latina, está lançando
um produto inédito no Brasil e no mundo, chamado
DASP - Dispositivo Automático de Sinalização
de Parada. Este dispositivo foi concebido para reduzir riscos
de acidentes de trânsito provocados por colisão
traseira, através de seu sistema que mantém
automaticamente as luzes de freio e brake-light acesos,
quando o veículo estiver parado no trânsito
mesmo sem o acionamento do pedal do freio.
A partir desse mês a Olimpus estará distribuindo
o produto para o consumidor final em mais de cinco mil pontos-de-venda,
entre lojas, revendedoras, concessionárias e demais
canais de distribuição. Por ser um sistema
pioneiro no mundo, a Olimpus pretende direcionar parte da
produção para o mercado externo, prevendo
exportações para Mercosul, Europa e China.
João Tadeu da Silva, gerente comercial da Olimpus,
acredita que o DASP venha a revolucionar a segurança
veicular. Estatísticas oficiais apontam que os acidentes
por colisão traseira representam 30% das ocorrências
de trânsito no Brasil. Segundo o Anuário Estatístico
do DNER (Departamento Nacional de Estradas e Rodagens),
essas colisões superam em número absoluto
capotagens, colisões frontais, atropelamentos, etc.
Desenvolvido e patenteado pelo engenheiro brasileiro Claudio
Callia, o invento tem merecido destaque em vários
congressos do setor automotivo. A Olimpus estima a comercialização
do DASP em 10 mil unidades por mês, mas já
preparada para elevar essa marca em curtíssimo espaço
de tempo. "Considerando o crescente número de
veículos nas ruas, temos um mercado ilimitado para
o produto, que é compatível com qualquer modelo
e marca, inclusive motos, além disso, contribui para
essa projeção o fato de o DASP ser de fácil
instalação e funcionalidade simples",
avalia Tadeu.
De acordo com o engenheiro Claudio Callia, vários
fatores colaboram para a ocorrência das colisões
traseiras. Uma das mais importante é a vulnerabilidade
que os veículos adquirem, em trânsito, quando
parados sem sinalização. "Em rodovias,
essa falta informativa tem se mostrado freqüentemente
fatal", afirma. Ele ressalta que existe uma diferença
muito grande entre ver um veículo à frente
e concluir que este se encontra parado.
"A análise de grande número de colisões
traseiras sugere que na maioria das vezes, por falta de
uma sinalização adequada, ao ocorrer a percepção
de que o veículo à frente estava parado, não
houve condição do acidente ser evitado. Se
o carro à frente estivesse sinalizado por meio de
luzes de freio ou pisca-alerta ou gestos ou triângulos,
muitas dessas ocorrências poderiam ter sido evitadas".
Como nem sempre é possível sinalizar voluntariamente,
os veículos ficam em condições de extrema
vulnerabilidade.
O DASP foi desenvolvido justamente para viabilizar essa
sinalização de forma involuntária,
ou seja, evidenciar o fato - carro parado - em tempo real
e em qualquer situação de fluxo. O dispositivo
gerencia sistemas que o veículo já possui
e, ao interpretar seu estado de movimento, comanda o acendimento
das luzes de freio quando o mesmo estiver parado, independentemente
de qualquer ação do motorista. Assim, informa
aos veículos que trafegam por de trás, de
forma automática, a sinalização de
alerta para carro parado.
Conta da Tragédia - Um estudo preparado
pelo Instituto de Segurança no Trânsito avalia
o custo dos acidentes no Brasil. Em 1998, ano-base do trabalho,
cerca de 40 mil brasileiros morreram, 400 mil se feriram
e 100 mil ficaram inválidos.
CUSTO ANUAL DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO
NO BRASIL (EM REAIS)
Perda de produção
8 bilhões
Perdas materiais
6 bilhões
Custos médicos
5,4 bilhões
Despesas com pagamento de seguro
1 bilhão
Atendimento da Previdência
600 milhões
Custos legais
200 milhões
Outros custos
200 milhões
Total
21,4 bilhões
(Revista Veja - 04/10/00)
A atuação do DASP é direcionada para
a incidência de colisões traseiras, ou 30%
do total dos acidentes de trânsito no Brasil. O potencial
redutor sócio-econômico pode ser estimado a
partir de dados conhecidos e veiculados na mídia.
Levando-se em conta as informações do Instituto
de Segurança no Trânsito - conforme tabela
acima - o DASP atuaria em um universo de cerca de 160 mil
vítimas e R$ 6,42 bilhões em custos ao ano.
É notória, em pesquisas americanas, a redução
de acidentes por colisão traseira (na faixa de 53%),
quando do uso do brake-light. Segundo a Olimpus, não
há condição de se quantificar ainda
os resultados com o uso do DASP, enquanto o mesmo não
estiver instalado em frota significativa para fins estatísticos.
Considerando-se um índice hipotético de eficiência
de 15%, já estará contribuindo para a exclusão
de aproximadamente 80 mil vítimas e redução
de aproximadamente R$ 3,21 bilhões em custos. Levando-se
em conta que o DASP pode evitar acidentes de pequenas e/ou
grandes proporções e o envolvimento de vidas
humanas, assim como de bens materiais (e, conseqüentemente,
questões securitárias – como prêmios,
franquias etc.), é de se esperar que o DASP possa
se tornar, além de importante equipamento de segurança,
um instrumento mercadológico.
Uma invenção totalmente brasileira
O DASP, criado pelo engenheiro Claudio Callia, representa
uma vitória do talento e da inventividade nacional.
Totalmente desenvolvido no Brasil, e inédito na engenharia
automotiva mundial, o produto é fabricado aqui, pela
Olimpus, também responsável pelo seu lançamento
no mercado.
As pesquisas no sentido de desenvolver um projeto para
minimizar os acidentes por colisão traseira tiveram
início em 1990. Por muito tempo, Callia compilou
dados sobre esse tipo de eventos em seguradoras, laudos
periciais, boletins de ocorrências e matérias
veiculadas na mídia. Concluiu desses dados que havia
a necessidade de um sistema automatizado de sinalização
e passou a trabalhar dentro desse objetivo, materializando
algumas idéias que culminaram com a criação
do DASP. O projeto transformou-se em pedido de patente e
já em 1999 alguns protótipos estavam em testes.
A concessão da patente de invenção
deu-se em 2003. Nesse mesmo ano, em agosto, Callia apresentou
o projeto no Congresso SIMEA e no Congresso SAE. Em 2004
concorreu ao Prêmio Zero Acidente, quando obteve o
1º lugar na categoria sociedade e participou de outros
eventos. Ainda em 2004, a Associação Brasileira
de Engenharia Automotiva (AEA), aprovou e pleiteou junto
ao DENATRAN o reconhecimento dessa nova tecnologia. O sistema
passou a ser testado em montadoras e submetido a aprovações
– como equipamento de segurança ativa –
sendo avaliado pela UNICAMP e, recentemente aprovado pelo
CESVI (Centro de Experimentação e Segurança
Viária). Claudio Callia, é brasileiro, natural
de São Paulo e tem 54 anos. Engenheiro Civil pela
FAAP com especialização em Engenharia de Segurança
do Trabalho, dedica-se a pesquisas independentes e criação
e desenvolvimento de sistemas funcionais para a aplicação
em Engenharia Civil e Automotiva.
Depoimentos – Alexandre Novaes, coordenador da Comissão
de Segurança Veicular da AEA - Associação
Brasileira de Engenharia Automotiva, entende que o conceito
do DASP é muito interessante, pois mantém
o carro "visível", o que agrega muito valor
à proposta do seu idealizador. Ele ressalta que o
engenheiro Claudio Callia apresentou o protótipo
do DASP em um seminário e a aprovação
do produto foi unânime no quesito segurança.
O produto foi tão bem aceito que a diretoria da AEA
encaminhou um ofício ao Denatran e ao Detran dando
apoio ao invento e sugerindo sua liberação,
pois trata-se de mais uma ferramenta para a segurança
dos motoristas.
Também o Professor Doutor em Engenharia Mecânica
da Unicamp (Campinas- SP), Celso Arruda, que coordenou o
laudo técnico sobre o DASP, vê o lançamento
do produto como um fator "muito positivo" e que
deve concorrer de fato para a redução das
colisões traseiras. Arruda, assessor da Câmara
de Assuntos Veiculares do Denatran, ressalta que esse dispositivo
é interessante no Brasil porque torna o funcionamento
do veículo comum semelhante ao dos carros automáticos,
que contam com um sistema de sinalização nesse
sentido. "Em nosso País, onde os veículos
automáticos existem em pequeno número, por
conta do preço alto, os motoristas podem obter igual
segurança contra acidentes traseiros com a instalação
do DASP, a um baixo custo", pondera.
O DASP passou pelo crivo do CESVI Brasil (Centro de Experimentação
e Segurança Viária), com sede na região
do Jaraguá, em São Paulo, único centro
de pesquisa do País dedicado ao estudo da reparação
automotiva e membro do RCAR (Research Council for Automobile
Repair), um conselho internacional de 24 centros de pesquisa
em reparação e segurança viária.
Uma das áreas de atuação do CESVI é
avaliar e oferecer soluções visando a prevenção
de acidentes. O CESVI atestou que o equipamento mostrou
estar dentro do objetivo proposto. Sinaliza através
da luz de freio quando o veículo se encontra parado,
inclusive com freio de mão acionado independentemente
da ação do condutor. Pode auxiliar na redução
de colisões traseiras, sem alterar as características
originais dos veículos e não interferindo
em outros componentes elétricos/ eletrônicos. |