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2005 |
AGOSTO l COLUNA ESPECIAL l RETROVISOR
Little Bastard
(*) Renato Bellote Gomes
O
dia 30 de setembro de 1955 ficou marcado para sempre pela
morte de um jovem astro do cinema: James Dean. O acidente,
na intersecção das rodovias 46 e 41, também
criou um outro mito, o Porsche 550 Spyder. O carro, que
teve uma história misteriosa após o acidente,
ainda foi disputado por jovens que pagavam até 50
dólares por uma foto junto aos destroços.
O 550 foi apresentado à imprensa no Salão
do Automóvel de Paris, em 1953. A empresa alemã
desenvolveu o carro para competição, sendo
o projeto de número 550 da Porsche. O desenvolvimento
do projeto foi feito por Wilhelm Hild, que juntou a idéia
do chassi tubular com alguns conceitos do modelo 356.

O carro trazia algumas características inovadoras
para a época, entre elas a carroceria de alumínio,
que deixava o pequeno Porsche com apenas 550 kg, com perfeita
divisão de peso entre os eixos. O modelo trazia ainda,
no início, o motor boxer 1500 Super, com 78 cavalos
de potência, logo apimentado com a adoção
de carburadores duplos Solex e duplo comando de válvulas,
que desenvolviam 110 cavalos. Em 1956, uma nova modificação
no propulsor: um motor com bloco e cabeçotes de liga
leve, desenvolvia 135 cavalos de potência, mostrando
que o bólido alemão não estava pra
brincadeira.
Mas foi nas pistas que o 550 se consagrou, e escreveu
seu nome na galeria dos grandes vencedores. Só em
Le Mans, a esquadra alemã se saiu vitoriosa nada
menos do que oito vezes. Em 1954, mais dois modelos se sagraram
vencedores na épica Carrera Panamericana. Para fechar
com chave de ouro sua carreira oficial nas pistas, o Spyder
ainda venceu a prova Targa Florio, com 15 minutos de vantagem
sobre o segundo colocado!

O 550 Spyder teve apenas 90 unidades fabricadas e, calcula-se,
que um modelo original esteja cotado em 500 mil dólares.
O mercado norte-americano oferece várias opções
de kits em fibra de vidro e no Brasil, a Chamonix, empresa
localizada em Jarinu, fabrica sua réplica zero quilômetro,
com qualidade e bom acabamento, desde 1987.
De qualquer modo, o 550 Spyder se tornou um mito no mundo
todo, por seu estilo rebelde, comportamento esportivo e
uma magia que o manteve jovem no decorrer desses 50 anos,
assim como James Dean, que permanece imortal com seu “LittleBastard”
de número 130.

(*) Renato Bellote Gomes
26 anos, é bacharel em Direito e assina quatro colunas
sobre antigomobilismo na internet. O autor também
publica textos na Espanha, Chile e Uruguai. Desde o ano
passado, é correspondente do site português
Lusomotores
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