| 2005
| OUTUBRO l MECÂNICA E ECONOMIA:
UMA COMBINAÇÃO PERFEITA
Carros bicombustíveis:
a tecnologia Flex Fuel beneficiando o Brasil
Roberta Jardim de Morais*
A
necessidade de reduzir o aquecimento global, proteger a
camada de ozônio e diminuir a emissão de gases
de efeito estufa na atmosfera é uma questão
que preocupa Governos e sociedades no mundo todo. Por isso,
é motivo de orgulho o sucesso da experiência
brasileira no desenvolvimento da tecnologia flex fuel, também
conhecida como combustível flexível, que tem
se mostrado mais eficiente que a norte-americana, em razão
da base da nossa tecnologia ter sido, originalmente, os
motores movidos a etanol, diferentemente da americana, cujos
primeiros exemplares foram derivados de veículos
movidos a gasolina.
Iniciativas como os motores flex, aprimorados pela tecnologia
de ponta nacional e o domínio completo de todo o
ciclo de produção deste combustível
limpo e renovável, que é o álcool,
podem ser consideradas ferramentas essenciais para auxiliar
o Brasil a cumprir as metas previstas nos acordos internacionais
de proteção ao meio ambiente. Segundo dados
da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores, desde maio deste ano, os
carros bicombustíveis superaram as vendas dos veículos
a gasolina, álcool e diesel. Só em agosto,
foram vendidos, internamente, 90.334 carros flex, contra
46.906 a gasolina, 2.603 a álcool e 6.463 a diesel.
Ao permitirem a utilização do álcool,
puro ou em mistura, os motores flex passaram a ser considerados
instrumentos relevantes para auxiliar os países a
cumprir os compromissos internacionalmente firmados. A tecnologia
brasileira, uma das melhores disponíveis, atualmente,
apresenta-se como uma das maneiras mais apropriadas para
alcançar os fins estabelecidos pela comunidade internacional,
através da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança de Clima e, mais especificamente,
através do Protocolo de Kyoto, de regular os níveis
de concentração de gases de efeito estufa.
O protocolo de Kyoto estabelece que os países dispostos
no Anexo I da Convenção - Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança de Clima deverão, até
o ano de 2012, reduzir em, no mínimo, 5% os níveis
das emissões de gases que ampliam o efeito estufa,
devidamente identificados em 1990.
Como sabemos, o Brasil possui uma grande vantagem competitiva
no comércio internacional do álcool, principalmente
por ser um país de dimensões continentais,
com clima e solo altamente favoráveis ao cultivo
da cana-de-açúcar, matéria-prima mais
adequada para produção deste combustível.
Estes fatores contribuíram para que, desde a década
de 70, desenvolvêssemos estudos e tecnologias sobre
a produtividade da cana-de-áçucar, bem como
sobre a utilização do álcool como combustível.
Tais elementos de origem natural e tecnológica contribuem
para que o Brasil assuma, brevemente, uma posição
de liderança no mercado internacional do álcool
combustível, seja ele anidro ou hidratado.
A produção e a comercialização
do álcool pelo Brasil colaboram para consolidação
do desenvolvimento sustentável brasileiro, tendo
em vista que este combustível de origem renovável
é fonte de energia não poluente e encontra-se
em conformidade com os mais exigentes padrões internacionais
de proteção ao meio ambiente.
*Conselheira da Pró-Terra –
Associação Brasileira de Tecnologia, Meio
Ambiente e Agronegócios (www.proterra.org.br) –
Advogada, Mestre em Direito Econômico – UFMG,
Doutoranda em Ciências Jurídico-Econômicas,
- Faculdade de Direito - Universidade de Coimbra. |