| EDIÇÃO
100 | ABRIL | 2008 | ENGENHARIA
| CONHEÇA
A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE
Segurança
veicular
Por Luís Carlos Chiaranda - Quando o assunto é
Segurança Veicular devemos entender que é
um agregado de conceitos básicos aliados à:
dirigibilidade, confiabilidade, conforto e prazer ao dirigir.
Diariamente
as montadoras buscam incessantemente atender objetivos como:
ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores), a própria legislação,
Comitês Gestores Organizacionais, Indicadores da Qualidade,
Código de Defesa do Consumidor, Política de
Qualidade, satisfação do cliente, entre outros,
sempre se adaptando às exigências severas do
mercado automobilístico cada vez mais competitivo.
Com isso, o usuário final está devidamente
amparado a uma série de direitos adquiridos, como
ainda, a sua própria criticidade, levando-se em consideração
os vários fabricantes, características pós-venda
e pesquisas de mercado, os avanços tecnológicos
e a disponibilidade de informação.
A Segurança Veicular começou a ser discutida
na década de 50 com as oportunidades da Revolução
Industrial, atingindo seu ápice na década
de 70 quando foi observado que o número de mortos
e sequelados em acidentes automobilísticos superava
até mesmo cifras de guerra.
Os Estados Unidos implementavam associações
de consumidores que deflagraram campanhas lideradas pelo
advogado Ralph Nader, até atingir os demais países
do mundo! Altas somas eram investidas em projetos exigidos
por vários órgãos às montadoras,
os quais dispunham de profissionais com extremo gabarito.
Vieram os E.S.V. (Experimental Safety Vehicles) - Veículos
Experimentais de Segurança - protótipos do
que seriam os carros fabricados em série para se
concluir os melhores resultados dos pontos críticos
dos veículos, soluções apresentadas
várias eram as idéias, a necessidade de se
optar por materiais alternativos.
Até chegar a chamada crise energética conhecida
como “primeiro choque do petróleo” que
de certa forma mudou o rumo da história quando foi
desenvolvido o projeto voltado para economia-segurança
já se pensando no “carro dos anos 80”,
com a concentração na diminuição
de peso, aproveitamento energético, componentes mecânicos
não convencionais e a economia compatibilizada ao
meio ambiente.
Basicamente, são esses os conceitos de Segurança
Veicular: -Segurança Veicular Passiva: (carroceria,
cintos de segurança, air bags) para inibir ou reduzir
as possibilidades de possíveis e várias causas
de acidentes, evitando lesões mais graves e até
a morte! -Segurança Veicular Ativa: (direção,
suspensão, freios e órgãos de rodagem)
tem como responsabilidade agir funcionalmente sem apresentar
quaisquer tipos de problemas, de modo a manter e garantir
a integridade física do condutor e ocupantes, impedindo
assim as possibilidades de acidentes fatais. Não
podem ocorrer falhas mecânicas em hipótese
alguma!
Sem dúvida, continua sendo uma tecnologia constante
e de crescente desenvolvimento...um estágio que impressiona
onde são envolvidos profissionais e especialistas
competentes em áreas de mecânica, biomecânica,
física, química, matemática, entre
outras, trabalhando e estabelecendo cálculos, detalhamentos
minuciosos, para a concepção do veículo
com amplo equilíbrio em árduas e exaustivas
tarefas e por assim dizer: especialmente complicadas.
Temos sim que nos sensibilizar que: a partir do exato momento
de uma colisão, pouco, ou quase nada, pode ser feito
pelo condutor do veículo, por maior que seja sua
perspicácia!
A partir de então, a integridade física das
pessoas, passa a depender exclusivamente de um conjunto
de soluções de engenharia em apresentar aspectos
como: a confiabilidade do veículo em manobras de
rapidez e segurança com movimentos de direção,
um sistema de suspensão com elementos bem dimensionados
e instalados que garantam a estabilidade, freios eficazes
e compatíveis que atuam levando o veículo
à imobilidade, ter na carroceria uma estrutura que
influi nas chances de escapar e sobreviver ilesos em uma
colisão, elementos de retenção de uso
simples no caso dos cintos de segurança operando
em todas as condições de um acidente, air
bags acondicionados ao volante de direção
e pontos estratégicos no interior do veículo.
Dos vários fatores relevantes a este processo todo,
citamos o equilíbrio de cargas que consiste em características
como velocidade, estabilidade e adequação
dos elementos de rodagem e demais sistemas, além
de se observar: a ergonomia, a utilização
dos espaços e o estilo de carroceria, citando ainda
operações, bancos e células de carga
para ensaios destrutivos e não destrutivos que viabilizam
a conformação do produto final.
Além disso, poder contar também com a verídica
situação de acidentes... isso mesmo, colidindo
o veículo nos Crash Tests em velocidades variáveis
de 48 a 56 quilômetros por hora de maneira a atingir
um excelente nível de segurança aos ocupantes.
O que conceitua a Segurança Veicular é a
legislação através da responsabilidade
civil e da responsabilidade penal.
Caso o problema causado seja por falha do produto ou falta
de informações de como usá-los, é
chamado de responsabilidade civil. Em casos como este, a
empresa corrige a falha, e se necessário for, indeniza
a pessoa lesada.
Portanto, as empresas devem criar procedimentos, fábricar
com qualidade, informar o uso adequado do produto e seus
riscos, manter o histórico do produto.
Todo funcionário deve cumprir com seus compromissos
de zêlo como responsabilidade pessoal a qual pode
ser descrita como responsabilidade de conduta do causador
direto de tal operação, portanto, todo funcionário
é responsável pela execução
correta de suas tarefas, o que significa: sem erros, procedendo
de forma que não existam e não permitam causas
ou riscos ilegais a terceiros.
A vida, o corpo, a saúde, a liberdade, a propriedade
ou outros direitos das pessoas devem ser resguardados contra
qualquer dano!
Em determinadas situações a empresa tem conhecimento
de problemas em seus produtos, e imediatamente um fato como
este deve ser comunicado às autoridades competentes
e aos usuários, e transmitidas como utilidade pública
em horário nobre através dos órgãos
da imprensa falada e escrita.
É o caso de RECALL (Chamada)!
Com as informações recebidas o usuário
deve se encaminhar com o produto adquirido até a
revenda mais próxima para corrigir o problema sem
custo algum para o cliente.
A responsabilidade penal é atribuída em danos
mais sérios e até mesmo o óbito, o
que significa que cada funcionário responderá
pelos seus atos, o que consequentemente, várias pessoas
podem ser responsáveis pela mesma infração
perante à lei, recaindo sobre elas pena de multa
ou até prisão, se constatados danos causados
de forma intencional ou negligente.
Na conduta intencional, o fabricante não reage perante
o risco conhecido.
Na conduta negligente ocorre a violação dos
compromissos de zêlo existentes, e não observado
o cumprimento dos deveres para evitar o dano ocorrido que
poderá ser previsto e impedido.
LUÍS CARLOS CHIARANDA é consultor
técnico com formação profissional em
mecânica,
atuando em áreas de Treinamento e Desenvolvimento
de Pessoal, Qualidade e Planejamento,
conhecendo e trabalhando em Organizações de
médio e grande porte.
|