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EDIÇÃO 106/107 | OUTUBRO/NOVEMBRO | SEU
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Artigo
| Tolerância zero contra a violência no trânsito
Por José Aurelio Ramalho, diretor de operações
do CESVI BRASIL
Como
centro de pesquisa especializado em segurança viária,
o CESVI BRASIL apóia enfaticamente as medidas relacionadas
à publicação, no dia 20 de junho, da
Lei 11.705 e do decreto 6.488, que tratam do consumo de
bebidas alcoólicas pelos condutores de veículos.
É preciso deixar claro que o estabelecimento de
um limite seguro de álcool para todos é muito
difícil, porque a assimilação do álcool
difere de pessoa para pessoa, em função de
peso, do costume de beber, entre outros fatores. Em medições
feitas pela Faculdade de Medicina da USP e pelo IML/SP,
uma lata de cerveja (350ml) proporcionou um grau de alcoolemia
de 0,15 até 0,41 g de álcool/litro de sangue
no grupo pesquisado, enquanto apenas três latas já
fizeram com que este nível chegasse a 0,99 g/l, superior,
portanto, aos limites de tolerância relacionados às
legislações da maioria dos países.
E a presença do álcool entre acidentes e
mortos no trânsito no Brasil é bem conhecida.
Além das tragédias que vemos cotidianamente,
segundo dados de uma pesquisa do IML/SP de 2005, de 1.039
vítimas de acidentes de trânsito (das cidades
de São Paulo e região), 398 apresentaram alcoolemia
positiva, com as seguintes concentrações:
- 24 com nível < 0,6 g de álcool/litro
de sangue;
- 374 vítimas com nível > 0,6 g de álcool/litro
de sangue. São 94 em cada 100 vítimas com
alcoolemia positiva.
O nível médio de álcool nas vítimas
foi de 1,7 g/litro, ou seja, muito acima do limite para
ser considerado um crime na nova lei.
A relação do condutor alcoolizado com acidentes
e mortes já foi explicitamente mostrada, não
há como negar. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto
Nacional sobre Abuso do Álcool e Alcoolismo (National
Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism), dos EUA, mostrou
que homens e mulheres, na faixa de 21 a 34 anos, com alcoolemia
variando entre 0,2 a 0,49g/l tem a probabilidade de morrer
em acidentes multiplicada por 3 vezes; de 0,5 a 0,79g/l,
a probabilidade é multiplicada por 7; de 0,8 a 0,99g/l,
multiplicada por 13; e de 1,0 a 1,499g/l, tem 37 vezes mais
chance de morrer em acidente do que uma pessoa que não
bebeu.
É importante deixar claro que as atuais regras brasileiras
não diferem do que já é feito em outros
países, que enfrentam essa questão sem hipocrisia
ou subterfúgios e obtiveram resultados positivos.
No Japão, por exemplo, o rigor é tanto que
as pessoas que estiverem no carro de um motorista alcoolizado
são presas junto com ele, sendo consideradas cúmplices
de um crime. Além disso, na Espanha e Itália,
os que se recusam a realizar os testes são multados
e/ou presos.
Diante de todos esses dados, fica evidente que a segurança
no trânsito terá grande evolução
quando o País tiver uma redução significativa
do número de motoristas alcoolizados nas ruas, por
isso o CESVI BRASIL apóia o rigor da nova lei contra
a combinação de álcool e direção.
Desde 2005, com a publicação de uma matéria
na Revista Cesvi defendendo a ampliação das
possibilidades de fiscalização de motoristas
alcoolizados, em seu “manifesto pela vida”,
o CESVI BRASIL tem atuado em prol do rigor no tripé
que inclui legislação, fiscalização
e penalidade para a irresponsabilidade no trânsito.
O centro também defendeu, desde o primeiro momento,
o projeto de lei do deputado Beto Albuquerque, aprovado
em 2006, que possibilitou a admissão de outras provas
da embriaguez do motorista, no caso deste se recusar a passar
pelo exame do bafômetro.
Com a aprovação desta lei de 2006, o CESVI
contribuiu para sua efetivação, produzindo
um DVD, em parceria com a Abramet (Associação
Brasileira de Medicina de Tráfego), com orientações
para a fiscalização da polícia, visando
à correta identificação de sinais notórios
de embriaguez, em motoristas suspeitos, sem o uso do bafômetro.
O DVD foi distribuído para todas as polícias
militares do Brasil, além da polícia rodoviária
federal.
Álcool e direção não
combinam - Leis mais leves poderiam estimular o
motorista a chegar "perto" do nível permitido,
bebendo o que acha que seria considerado legal... e todos
sabemos que moderação é uma palavra
difícil de pronunciar por quem está sob efeito
de bebida alcoólica.
Certamente a redução de acidentes que será
registrada nos primeiros meses de implantação
da lei irá demonstrar que não só valeu
a pena, vale a vida... Este é realmente um "manifesto
pela vida".
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