EDIÇÃO 106/107 | OUTUBRO/NOVEMBRO | TECNOVIDADE
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Bicicleta
a hidrogênio: kit híbrido com bateria e células
a combustível
Preço da recarga da bateria, feita em uma
tomada, fica em torno de R$ 45 centavos. Isto significa
um custo de 1 centavo por quilômetro rodado, muito
menor que o gasto com passagens de ônibus ou com automóveis,
que fica acima de 20 centavos por quilômetro
Horas
e mais horas presos no caótico trânsito das
grandes cidades, bem como a má qualidade do transporte
público, principalmente nos horários de pico,
tem levado muitas pessoas a procurar por soluções
de transporte para o trabalho, tal como o uso das bicicletas.
Se adicionarmos a oportunidade para economizar dinheiro
e queimar algumas calorias, o uso das bicicletas já
seria uma justificativa bem interessante. Porém,
muitas pessoas ainda sofrem para dar uma boa pedalada, principalmente
nas subidas. Mas uma empresa de Curitiba promete revolucionar
o transporte individual por meio do uso de bicicletas elétricas,
ou mais carinhosamente, as "magrelas elétricas".
A Brasil H2, empresa de Curitiba e que desenvolve projetos
com a energia do hidrogênio, está desenvolvendo
duas soluções de bicicletas assistidas eletricamente,
Em ambas, o ciclista pode pedalar enquanto o motor elétrico
funciona, principalmente naquelas subidas mais temidas e
desgastantes, cujo suor pode ser evitado.
De acordo com o Engenheiro Emilio Hoffmann Gomes Neto,
o objetivo da bicicleta elétrica não é
substituir a tradicional bicicleta e muito menos o exercício
físico, mas adicionar uma opção de
propulsão elétrica quando necessário.
Emilio explica que alguns estudos científicos comprovam
que as bicicletas assistidas eletricamente contribuem para
um melhor rendimento na pedalada em relevo plano, após
utilizar a ajuda do motor elétrico na subida. "Normalmente
após uma subida, o ciclista de uma bicicleta convencional
não rende muito bem no relevo plano. Com uma bicicleta
assistida eletricamente na subida, o ciclista, além
de pedalar levemente neste trecho, rende melhor no relevo
plano", explica o engenheiro.
Emilio conta que a empresa lançará nesse
mês dois kits de conversão para bicicletas
elétricas. Uma utilizará baterias de níquel
metal-hidreto, que são mais ecológicas que
as baterias de chumbo-ácido, além de mais
leves, e um kit híbrido com bateria e células
a combustível de hidrogênio. "Apresentaremos
esse mês a primeira bicicleta elétrica a hidrogênio
do país, desenvolvido no Brasil", revela Emilio.
O kit, que já tem nome, Mobius FLS, foi inspirado
no conceito de mobilidade urbana sustentável, cada
vez mais presente nos planos diretores das grandes e médias
cidades em todo o mundo. "Criamos o conceito de Mobilidade
Urbana Sustentável para o Futuro Limpo e Saudável,
de onde surgiu o nome Mobius FLS, que também tem
ligação com a forma geométrica de Mobius
e que inspirou o símbolo de reciclagem, do ciclo
de sustentabilidade", explica o engenheiro.
O diretor de tecnologia da Brasil H2, o engenheiro William
Záccaro Gomes, conta que há no Brasil uma
movimentação por parte de algumas cidades
e do Ministério das Cidades, para se ampliar a infra-estrutura
de ciclovias e ciclo-faixas, justamente para motivar o uso
da bicicleta como meio de transporte para o trabalho, dentro
da linha de mobilidade urbana sustentável. "Cidades
como Curitiba, Florianópolis, Blumenau e Pomerode
estão ampliando e padronizando, em conjunto com o
Ministério das Cidades, as sinalizações
das ciclovias e ciclo-faixas".
Uma preocupação nova e que não havia
sido abordada pelos órgãos que estão
padronizando a sinalização das ciclovias,
e que foi alertado pelos engenheiros da Brasil H2, é
o limite de velocidade nas ciclovias e ciclo-faixas. "Já
existem no Brasil alguns fabricantes e fornecedores cujas
bicicletas elétricas atingem velocidades entre 40
e 60 quilômetros por hora, o que é um perigo
para os ciclistas e pedestres", conta William.
De fato, em algumas cidades as bicicletas elétricas
com velocidades próximas aos dos ciclomotores, bem
como design semelhante às das scooters movidas por
gasolina, já tem causado polêmica com os órgãos
de trânsito, os quais têm exigido carteira de
habilitação para conduzir as bicicletas elétricas.
William revela que a Brasil H2 oferecerá kits que
limitam a ajuda do motor até a velocidade de 25 km/h,
que é a média da velocidade permitida na Europa,
EUA e Ásia. Se o ciclista desejar pedalar acima desta
velocidade, será pela própria força
da pedalada, algo muito difícil para as bicicletas
elétricas parecidas com scooters, pois estas são
pesadas. No caso dos kits oferecidos pela empresa de Curitiba,
o motor elétrico será o mais leve e compacto
do mercado, oferecendo pouca resistência à
pedalada do ciclista que ainda deseja queimar algumas gordurinhas.
Custo por km rodado é de 1 centavo - De
acordo com os engenheiros, as bicicletas assistidas eletricamente
têm, em média, autonomia entre 30 e 45 km,
suficiente para pessoas que realizam trajetos diários
dentro desta faixa de quilometragem. "Com a célula
a combustível de hidrogênio, a autonomia será
maior", revela William.
A empresa curitibana fornecerá kits de conversão
da linha Mobius FLS para os ciclistas que desejam converter
a própria bicicleta em uma assistida eletricamente.
"Os kits poderão ser usados em bicicletas com
aro de 26 polegadas. O ciclista trocará a roda original
pela roda com motor elétrico, basicamente, além
de instalar a bateria, o controlador e o acelerador. A instalação
é fácil e terá um manual multimídia
explicando como instalar", observa Emilio.
Quantos aos possíveis usuários das "magrelas
elétricas", os engenheiros destacam desde estudantes
universitários e advogados ecologicamente corretos
e que não desejam chegar à aula ou trabalho
pingando suor, até empresas como Correios e concessionárias
de energia. "As bicicletas podem ser usadas por carteiros
e funcionários de concessionárias de energia
que fazem a leitura do consumo de energia das residências",
diz William.
Com relação ao custo, a Brasil H2 afirma
que o preço da recarga da bateria, feita em uma tomada,
fica em torno de R$ 45 centavos. Isto significa um custo
de 1 centavo por quilômetro rodado, muito menor que
o gasto com passagens de ônibus ou com automóveis,
que fica acima de 20 centavos por quilômetro.
Com relação à bicicleta elétrica
com células a combustível de hidrogênio,
o Engenheiro William revela que serão comercializadas
apenas algumas unidades, principalmente para empresas do
setor de energia. Segundo o engenheiro, as bicicletas elétricas
a hidrogênio fazem parte da linha de pesquisa da Brasil
H2 e deverão ser efetivamente comercializadas com
preços competitivos dentro de 2 a 3 anos. Entretanto,
se houver interessados, a empresa venderá a bicicleta
do futuro.
Desde a sua fundação, William explica que
a Brasil H2 tem fundamentado as suas atividades no incentivo
ao uso e desenvolvimento de tecnologias eficientes de geração
de energia, como as células a combustível,
bem como o uso de fontes de energias renováveis de
energia. Porém, apesar dos carros a hidrogênio
contribuírem, no futuro, para a redução
da emissão de poluentes nos grandes centros urbanos,
os congestionamentos nas grandes cidades continuarão.
Desta forma, surge o conceito de mobilidade urbana sustentável
que busca aumentar a acessibilidade das pessoas, reduzindo
a emissão de poluentes na atmosfera e gastos com
transporte, além de proporcionar uma melhor qualidade
de vida.
Para quem deseja mais informações sobre as
bicicletas assistidas eletricamente, visite www.brasilh2.com.br
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