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EDIÇÃO 109 | JANEIRO | 2009 | SEU
VEÍCULO | CONHEÇA
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Na hora
da revisão, não esqueça dos pneus
Para ajudar o motorista, o Gerente Geral de Engenharia
de Vendas da Bridgestone, José Carlos Quadrelli,
conta os principais cuidados que o motorista deve ter com
seus pneus
Com
a proximidade das festas de final de ano e de verão,
muitas famílias começam a planejar suas viagens.
Muitas delas, inclusive, lembram de realizar uma revisão
no veículo checando óleo, freio, injeção
eletrônica, filtro, etc. Mas, raramente alguém
se lembra dos pneus.
Para ajudar o motorista, o Gerente Geral
de Engenharia de Vendas da Bridgestone, José Carlos
Quadrelli, conta os principais cuidados que o motorista
deve ter com seus pneus.
Como o motorista percebe que o pneu está “careca”,
ou seja, a profundidade do seu sulco não é
mais segura?
QUADRELLI - O limite de segurança é de 1,6
mm de profundidade dos sulcos. Ou seja, em muitos casos,
o pneu pode estar “careca”, embora os sulcos
ainda sejam visíveis. A profundidade mínima
dos sulcos foi definida por órgãos reguladores
internacionais e estabelece um padrão mínimo
para que o pneu possa escoar a água quando roda em
piso molhado. Caso o motorista não possua um medidor
de profundidade de sulco, ele pode observar esta especificação
por meio de pequenos ressaltos presentes na base dos sulcos,
os TWI. Eu recomendo enfaticamente que todo usuário
identifique os TWI e passe a controlar o desgaste do pneu.
Um pequeno cuidado como este poderá significar a
diferença entre sofrer ou não um acidente.
Além de colocar a segurança do motorista
em risco, trafegar com o pneu abaixo do limite de segurança
pode causar outros riscos?
QUADRELLI - Sim. A resolução do Contran 558/80
estabelece que trafegar com pneus abaixo do limite é
ilegal. Com isso, o veículo pode ser aprendido.
Sabemos que a pressão do pneu é um fator
importante para garantir sua vida útil. O que pode
acontecer, caso o motorista trafegue com o pneu com baixa
pressão?
QUADRELLI - A baixa pressão é um dos principais
inimigos do pneu. À medida que ela diminui, aumenta
a temperatura interna do pneu, que pode chegar a valores
críticos que provoquem a deterioração
da estrutura do pneu e sua eventual falha. Além disso,
ela causa diversos problemas como um rápido desgaste
do pneu, já que os seus ombros passam a receber uma
carga maior. Ocorre ainda um maior consumo de combustível,
perda de estabilidade nas curvas, direção
pesada e perda da capacidade de manejo.
E o excesso de pressão nos pneus, pode causar algum
problema?
QUADRELLI – As conseqüências do excesso
de pressão são bem menores do que a falta
de pressão, porém, podem causar desgaste mais
acentuado no centro da rodagem, perda de estabilidade em
curvas, rachaduras na base dos sulcos, maior propensão
a estouros por impacto e maior facilidade de penetração
de objetos.
E o rodízio de pneus? Ele é realmente importante?
QUADRELLI - O rodízio de pneus tem por função
equalizar o desgaste dos pneus e garantir uma vida longa
e uniforme a eles. Ele deve ser realizado segundo a recomendação
que consta no manual do veículo ou na falta desta
a cada 8.000 quilômetros para pneus radiais e 5.000
para pneus diagonais.
Caso o motorista não possa comprar quatro pneus
novos, qual a recomendação a ser feita neste
caso?
QUADRELLI - Neste caso, a recomendação é
que seja efetuada a troca de dois pneus e os mais novos
devem ser instalados sempre no eixo traseiro, e não
na frente como muitos pensam. Isto porque, o risco de um
acidente pela perda de aderência dos pneus traseiros
é sempre maior, visto que o veículo tende
a perder a estabilidade, condição de mais
difícil controle do que quando o pneu perde a aderência
nos pneus dianteiros o que pode causar a perda momentânea
de dirigibilidade.
O alinhamento e o balanceamento do pneu fazem parte da
revisão de férias?
QUADRELLI – Com toda a certeza. Além de evitarem
um desgaste irregular dos pneus, eles garantem a estabilidade
e melhor dirigibilidade do veículo. Juntamente com
a calibragem, esses itens são fundamentais para a
utilização segura e econômica dos pneus.
Outro fato comum quando as famílias vão viajar,
é carregar o veículo com bagagem. Quais os
cuidados que devem ser tomados com os pneus?
QUADRELLI – Neste caso, o motorista deve atentar-se
à capacidade de carga recomendada pelo fabricante,
especificada no manual do veículo e calibrar o pneu
de acordo com a carga. Isso vai evitar uma maior probabilidade
de falhas ou estouros, além de não prejudicar
a dirigibilidade do veículo.
Já que nem muita nem pouca pressão faz bem
ao pneu, como proceder quando a calibragem é realizada
em um posto de estrada, onde o estado e a qualidade do equipamento
provocam dúvidas quanto à sua precisão?
QUADRELLI – A melhor decisão é procurar
um equipamento em melhores condições. Caso
isto não seja possível, procure calibrar com
uma libra a mais do indicado—é mais seguro
evitar o aquecimento do pneu devido à pressão
baixa. Mas, assim que possível, encontre um equipamento
melhor e realize a calibragem adequada. Outra boa alternativa
é ter consigo um daqueles calibradores tipo caneta,
cuja aferição já tenha sido comparada
com a daquele posto onde você rotineiramente faz a
calibragem dos pneus do seu carro. Em situações
de emergência em que o equipamento não tem
qualidade, eles se tornarão uma referência
importante para a calibragem exata.
No caso de furo de pneu, quais os cuidados que devem ser
tomados no seu reparo? O “macarrão” é
uma forma segura de reparo?
QUADRELLI - O conserto dos pneus deve ser feito definitivamente.
Consertos temporários como o denominado “macarrão”
são apenas provisórios e podem trazer danos
aos pneus em curto prazo. Tem sido alarmante o número
de consumidores que rodam com consertos provisórios
nos pneus que causam conseqüências imprevisíveis
para o pneu, bem como para o carro e seus ocupantes.
Qual é o risco de se calibrar um pneu após
ter rodado alguns quilômetros? O que deve ser feito
nesses casos?
QUADRELLI - Nesse caso, o pneu já estará com
a sua temperatura interna maior e o aumento de temperatura
provoca um aumento da pressão interna. Assim, ao
se verificar a pressão nessas condições,
poderemos encontrar uma pressão maior do que a recomendada
pelo fabricante do veículo e acabar retirando ar
para baixar a mesma. Com isso, o pneu acabará trabalhando
com uma pressão abaixo da recomendada, pois as especificações
de pressão de inflação sempre consideram
a pressão a frio e a mesma naturalmente irá
aumentar com a temperatura. Se você tiver de inflar
o pneu a quente, adicione 4 psi à pressão
recomendada pelo fabricante, mas verifique novamente a pressão
quando o pneu estiver frio.
Qual é o segredo para se chegar ao final de uma
viagem com os pneus preservados?
QUADRELLI – Além das recomendações
já citadas, é fundamental que todo o conjunto
pneu-veículo-motorista atue em harmonia e de forma
adequada em relação ao piso onde se está
rodando. De nada adianta colocar pneus novinhos, se a suspensão
e outras partes do veículo não estejam em
bom estado. Uma suspensão mal calibrada e com peças
desgastadas é o primeiro passo para o desgaste prematuro
dos pneus. Da mesma forma, de nada adianta viajar com um
veículo zero, com pneus novos, se o motorista não
toma os cuidados básicos da direção
segura, evitando o choque dos pneus em lombadas, guias ou
buracos, ou se acelera e freia bruscamente. Dirigir com
cuidado e responsabilidade é um dos procedimentos
para se utilizar o pneu de forma inteligente (veja abaixo
os 10 Mandamentos para o Uso Inteligente do Pneu).
10 Mandamentos para o uso inteligente
do pneu
1) Calibrar os pneus semanalmente de acordo com a indicação
do manual do fabricante do veículo.
2) Fazer o rodízio de pneus. Veículos com
pneus radiais a cada 8.000 km e veículos com pneus
diagonais a cada 5.000 km rodados.
3) Evitar sobrecarga no veículo. Excesso de peso
compromete a estrutura do pneu e aumenta o risco de danos
ou de alterações estruturais importantes.
4) Fazer a manutenção preventiva de todo
o veículo. Amortecedores, molas, freios, rolamentos,
eixos e rodas atuam diretamente sobre os pneus.
5) Utilizar as medidas de pneus e rodas indicadas pelo
fabricante do veículo. As partes do carro foram projetadas
para interagirem de forma equilibrada. A utilização
de pneus e rodas diferentes altera o equilíbrio.
6) Alinhar o sistema de direção e suspensão
e balancear os pneus conforme indicado pelo fabricante do
veículo ou a cada 10.000 km, e sempre que o veículo
sofrer impactos fortes; ocorrer a troca de pneus; os pneus
apresentarem desgastes irregulares; forem substituídos
os componentes da suspensão; e o veículo estiver
"puxando" para um lado.
7) Utilizar o pneu indicado para cada tipo de solo. Rodar
na cidade com um pneu destinado ao uso em terra (fora de
estrada) provocará perdas no consumo de combustível,
na estabilidade e na durabilidade das peças do veículo.
8) Observar periodicamente o indicador de desgaste da rodagem
(TWI). Este indicador existente em todo pneu mostra o momento
certo para se efetuar a troca, reduzindo o risco de rodar
com o pneu careca.
9) Não permitir o contato do pneu com derivados
de petróleo ou solventes. Estes produtos atacam a
borracha fazendo com que ela perca suas propriedades físico-químicas
e mecânicas.
10) Evitar a direção agressiva, com freadas
fortes e mudanças bruscas de direção.
Nunca ignore a existência de lombadas, buracos e imperfeições
de piso. Os melhores pilotos de competição
são aqueles que, mesmo rápidos, sabem poupar
seus carros e pneus.
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