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109 | JANEIRO | 2009 | ENGENHARIA
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A REVISTA MULTIMÍDIA MECÂNICA ONLINE
Biocombustíveis
e a indústria da mobilidade
Autor: Luiz Augusto Nerosky
A
crescente consciência dos problemas ambientais causados
pelos gases de efeito estufa provenientes da combustão
de combustíveis fósseis, a forte volatilidade
dos preços do petróleo no mercado nacional
e internacional, o avanço das pesquisas, desenvolvimento
e geração de novas tecnologias, o estabelecimento
de políticas públicas específicas,
tudo isso atrelado à enorme competência da
engenharia nacional permitiram que o Brasil se tornasse
referência mundial em biocombustíveis, colocando
o País em uma posição estratégica
interessante e permitindo que tecnologias nacionais contribuam
de maneira ainda mais efetiva para a sustentabilidade ambiental
e econômica dos países e corporações.
E isso não é recente. A utilização
de combustíveis não-fósseis produzidos
a partir de base orgânica na indústria da mobilidade
nacional remonta às décadas de 1970 e 1980,
totalizando cerca de 30 anos de trabalho árduo. Estamos
na vanguarda, especialmente em relação ao
etanol. Dominamos o cultivo, produção, exploração
e conversão da cana-de-açúcar no mais
bem-sucedido biocombustível em uso no planeta.
Entretanto, é necessário avançar.
As recentes metas estabelecidas pelos países desenvolvidos
para expandir o percentual dos biocombustíveis em
suas matrizes energéticas, assim como os requisitos
de mercado que exigem veículos cada vez mais eficientes,
impõem novos desafios e enormes oportunidades para
a engenharia automotiva brasileira. Além disso, precisamos
otimizar a exploração de biomassa, a emissão
de CO2 no ciclo de vida dos produtos, a competição
por recursos hídricos e terra plantada e os impactos
sócio-econômicos da modernização
dos métodos agrícolas.
Raciocínio semelhante se aplica à indústria
aeronáutica, com desafios ainda maiores. Antes de
se utilizar biocombustíveis em aeronaves é
imprescindível garantir o atendimento aos requisitos
de segurança de vôo, desempenho, especificação,
capacidade energética, qualidade, distribuição
e custos, sem falar das questões de sustentabilidade
ambiental.
Luiz Augusto Nerosky
Diretor do 1º Seminário SAE BRASIL Mobilidade,
Meio Ambiente e Fontes Renováveis de Energia
Tecnologia disponível
permite ampliação da produção
mundial de biocombustíveis
A
tecnologia já disponível é suficiente
para que muitos países possam iniciar sua produção
de etanol a partir de cana-de-açúcar. Esta
é a posição do professor do Instituto
de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá,
Luiz Horta, que participou da terceira sessão plenária
da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis,
na capital paulistana, no final de novembro de 2008.
"Já poderíamos ter acumulado
benefícios globais em termos ambientais e econômicos
se muitos países que têm condições,
especialmente na América Latina, de produzir biocombustíveis
já tivessem tomado iniciativa. Podemos citar apenas
alguns, como Jamaica, Costa Rica e Colômbia que iniciaram
esse processo; mas ainda são poucos", ressaltou
Horta acerca do debate em torno da inovação
no setor de biocombustíveis.
O professor do Instituto de Física
da Universidade de São Paulo e ex-ministro da Ciência
e Tecnologia, José Goldemberg, reforça este
pensamento. Para ele, é necessário não
só desenvolver novas tecnologias, mas aprofundar
e disseminar a que já existe. "Isso depende
de mandato governamental para se fixar um percentual de
biocombustível misturado ao combustível fóssil.
Temos estudos apontando que a produção de
biocombustíveis gera 60 vezes mais empregos que a
utilização de combustíveis fósseis.
Isso num momento de crise econômica é um fator
muito importante", completou Goldemberg.
A sessão teve como moderador o presidente
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),
Sílvio Crestana, e participação de
especialistas do Banco Mundial (BID), institutos de pesquisa
do Brasil, Estados Unidos e Sudão, além de
representante da indústria automobilística.
À tarde, o debate será focado no mercado internacional,
regras comerciais e padrões sócio-ambientais
dos biocombustíveis. |