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109 | JANEIRO | 2009 | ENGENHARIA
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Segunda
graduação ou pós?
Saiba qual a melhor opção quando se
decide voltar aos estudos
Já
formado em Rádio e TV em 2006, Carlos Alberto Slepicka
não pensou duas vezes para entrar num novo curso
de graduação quando percebeu que não
teria muitas opções profissionais. Hoje com
25 anos, seu objetivo é ampliar as possibilidades
no mercado de trabalho. Para isso, escolheu o curso de Comunicação
Mercadológica e conta que já percebe os benefícios
relacionados aos novos conhecimentos e às oportunidades
profissionais.
O estudante diz que já faz entrevistas e que futuramente
espera conquistar uma vaga relacionada à nova área.
Embora não tenha se arrependido de cursar Radio e
TV por quatro anos, Slepicka garante que a falta de vagas
o levou a procurar outra faculdade, ao invés de uma
pós-graduação. "Não tinha
foco para fazer uma especialização. Hoje,
com o novo curso, já sei o que seguir profissionalmente",
resume ele.
Para quem está em busca de aperfeiçoamento
profissional ou mudança radical na carreira, uma
das dúvidas que podem surgir é saber se é
melhor encarar a segunda graduação ou entrar
numa pós-graduação. De acordo com a
professora do departamento de Psicologia do Programa de
Pós-graduação da UFSC (Universidade
Federal de Santa Catarina), Duce Helena Penna Soares, ao
escolher, o aluno acredita que faz o certo.
"Não tem como avaliar o que é correto.
No entanto, cabe ao candidato ter firmeza no que deseja
para sua carreira, se é se especializar ou mudar
de profissão", sugere. Na opinião dela,
a segunda graduação é bem-vinda quando
a atual profissão não faz mais sentido. "Quando
o gosto pela carreira não agrada, o melhor é
entrar numa outra graduação. Entretanto, se
houver a possibilidade de fazer carreiras correlatas como
em Comunicação, Saúde ou Administração,
existem maneiras de aproveitar o que já foi feito
e aprender coisas novas", aponta Duce.
Com 24 anos, a estudante de Turismo, Ana Carolina da Silva
Gomes, que deve terminar o curso neste ano, disse que prestará
outro vestibular, pois não se identificou com a escolha
que fez. Ao contrário do que é aconselhável,
a garota vai fugir dos cursos similares e prestar Educação
Física. "Há quatro anos fiquei na dúvida
entre as duas opções. Hoje, no ano da minha
formação, percebi que não tem nada
a ver comigo", admite a universitária, que garante
que agora a decisão será mais sensata do que
a anterior. "Sempre gostei e participei de coisas relacionadas
a esporte. Meus professores e familiares me apóiam
nesta escolha", conta.
A coordenadora do curso de Tecnologia em Gestão
de Recursos Humanos do Centro Universitário Feevale,
Maria Cristina Bohnenberger, concorda com a decisão
de Slepicka e de Ana Carolina. "Se o aluno não
atua na área, não enxerga futuro e quer outra
profissão, a segunda graduação pode
ser muito importante. Neste caso, ele vai conhecer outro
ambiente e terá a chance de construir outra carreira",
afirma.
No entanto, Maria Cristina aconselha pesquisar sobre a
segunda opção e analisar a grade curricular.
"Começar outro curso e resgatar vivências
parecidas pode ser um dos pontos mais difíceis na
hora da escolha. Depois de quatro anos na faculdade, o aluno
conquista outro nível de maturidade. Muitas vezes
ele vai se deparar com situações que já
viveu. Se adaptar a isso não é fácil",
alerta ela. Entretanto, a coordenadora defende a especialização
na maioria das situações. "Mesmo sendo
difícil opinar sobre o tema, a pós-graduação
é mais valorizada no mercado pelo foco que tem e
por se tratar de um conhecimento mais particular",
explica ela.
O gerente de recrutamento e seleção da Novartis,
Luiz Alberto Franco Bueno afirma não poder generalizar
o assunto, mas defende a segunda graduação
ao invés da pós, desde que seja ligada à
primeira. "Duas formações acadêmicas
são consideradas um atributo a mais no currículo.
Numa seleção de emprego, o candidato será
analisado em que circunstâncias optou por outro curso
ou especialização.
Ambos são consideradas diferenciais", diz Bueno,
que acredita que do ponto de vista do futuro profissional
o candidato com dupla formação terá
mais opções de trabalho. "Além
dos conhecimentos mais extensos, a pessoa terá a
carreira mais aberta e poderá trabalhar em mais áreas",
opina. Outro fator determinante para um candidato com mais
de um curso são as características profissionais
que pode apresentar. "A visão sobre diversos
assuntos, argumentação, dedicação
nos estudos e sede de conhecimentos serão mais fortes
nele do que nos concorrentes", acredita o gerente.
Aos 53 anos, o gerente de vendas, Antônio Curcio,
que trabalha para cinco empresas, é exemplo de que
a segunda graduação combinada com a primeira
pode render bons resultados. Graduado em Relações
Públicas e Turismo, Curcio, que também já
fez um curso de especialização em Turismo
na Itália, destaca a experiência de ter cursado
outra faculdade como uma das mais enriquecedoras. "Usei
minha outra opção de imediato no mercado e
a experiência aumentou", declara o gerente, que
pensa em voltar à universidade, mas para fazer MBA.
"Nunca devemos ficar limitados ao básico. Sempre
vale ter informação a mais. Hoje, sei que
é importante experimentar coisas novas", aponta
Curcio.
Quando o assunto é a cobrança frente a um
candidato com dois cursos, na visão de Bueno, se
for estagiário da segunda graduação,
por exemplo, o estudante deverá ser tratado como
aprendiz, independentemente de já ter formação
completa. "O candidato é avaliado como alguém
que ainda está em curso, ou seja, aprendendo. Não
importa se ele já tenha concluído uma faculdade.
Nesta ocasião, não terá responsabilidades
de uma analista?, diz Bueno.
Slepicka, que está há cinco meses em busca
de uma posição na área de comunicação,
faz jus a opinião do gerente. O universitário,
que já conseguiu algumas entrevistas, se sente mais
seguro, porém, nota maior curiosidade dos selecionadores.
"Estou mais ciente do que quero. Percebo que ganhei
maturidade, flexibilidade e o modo de pensar a carreira
também evoluiu. No entanto, sempre há questionamentos
sobre o porquê mudei de área e qual o objetivo
com a nova opção", declara ele.
Prós e contras na hora da escolha - Se
o objetivo do estudante é complementar a carreira,
o conselho de Bueno é cursar pós-graduação.
No entanto, ele salienta a importância de estar preparado
para assumir o compromisso acadêmico que a especialização
exige. "O término da graduação
ocorre muito cedo hoje.
Com 23 anos já é possível fazer pós.
Mas sendo novo, com pouca experiência prática
e profissional, a especialização pode não
apresentar resultados com o mesmo impacto se feita numa
outra época", explica. Para Bueno, a pós-graduação
virou commoditie. "Hoje ter especialização
é bonito. O candidato, antes de tudo, deve ter aprendizado
e vivência nas empresas. Desta forma, ele aprimora,
complementa o que já sabe e agrega novos conhecimentos",
explica o gerente, que afirma que dar seqüência
numa pós depois da universidade, não funciona.
"Na teoria é tentador, na prática pode
não dar certo", diz.
Mesmo que a pós-graduação não
conceda o direito de exercer a profissão, a professora
de Psicologia da UFSC defende a especialização
para profissionais que já possuem gosto pela área.
"Se feito com segurança, o curso complementa
a graduação e contribui para o desenvolvimento
profissional. Se o objetivo é avançar na carreira,
certamente, é a melhor opção",
garante Duce. A coordenadora de Gestão de Recursos
Humanos da Feevale segue com o mesmo posicionamento de Duce.
"Quando se pensa em crescimento profissional, a pós-graduação
oferece mais subsídios e outro nível de discussão",
explica Maria Cristina.
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